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Não traia um coração
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Avisos: Isso é uma adaptação de livro, sem créditos ou fins lucrativos.
O nome do livro e de quem o escreveu será revelado ao final da postagem do livro.
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Capítulo Trinta e Cinco
— Aí vem ele, minha senhora.
Kagome não precisou ouvir mais. Saiu correndo do quarto, desceu as escadas, cruzou o salão, desceu outra escada, e mais outra, e chegou ao pátio no momento em que Inuyasha desmontava. Sem pensar no corcel, cujas rédeas ele ainda segurava, correu para diante e rodeou o pescoço de Inuyasha com os braços.
Ao ouví-lo praguejar violentamente, teve a primeira indicação de que não deveria ter sido tão impulsiva. Ao sentir-lhe o corpo todo sacudido pelo puxão das rédeas, teve a segunda. E então ouviu o cavalo se empinar para fazer o que melhor sabia, pisotear qualquer um que fosse tolo o bastante para correr na sua direção, inclusive o seu dono. Kagome soltou uma exclamação abafada e largou-o para se afastar depressa.
Inuyasha estava furioso quando finalmente conseguiu controlar o animal. Bastou-lhe um olhar para o rosto sem cor de Kagome, lembrando-lhe o medo demonstrado por Ayame de Takeda, para que guardasse a raiva para um momento mais oportuno. Dirigiu-se à esposa e pegou-a no colo.
— Fez uma bobagem, senhora — disse, simplesmente.
— Eu sei. Fui burra e estouvada, e não vou agir assim de novo.
— Ótimo—replicou, ainda mansamente.—Agora me conte por que agiu com tanta burrice e estouvamento.
Ela abaixou o olhar, timidamente, enquanto as mãos lhe tocavam hesitantes os ombros, rodeavam-nos lentamente até que estava novamente agarrada ao seu pescoço.
— Fiquei preocupada — murmurou-lhe ao ouvido. — Quando os homens voltaram com os prisioneiros e disseram aonde você tinha ido, e por quê, fiquei com medo. Lembrei-me de William Lionel, e ele não é nenhum homenzinho. Fiquei com medo que fosse lutar com ele e saísse ferido.
O tremor, descobriu dali a um momento, era riso, o que fez com que a sua preocupação fosse imediatamente substituída por mortificação. Para isso contribuiu também o forte aperto que ganhou antes de ser novamente pousada no chão.
— Não seja boba, esposa.
O sorriso que ele lhe deu foi o incentivo de que a sua cólera precisava.
— É, devo ser mesmo, para me preocupar com um palerma imbecil que não tem juízo e entra num local suspeito de traição com poucos homens para apoiá-lo.
— Os homens de Ginta tinham se juntado a nós antes de chegarmos lá.
Ele ainda sorria amplamente.
— Ah — exclamou Kagome, mas ainda não estava totalmente satisfeita. — Mesmo assim você devia ter esperado.
— Com que finalidade? Eu estava lá e tinha homens suficientes para enfrentar um um punhado deles. E quanto a Lionel, pode ser um homem de tamanho considerável, mas olhe para mim, Kagome, e diga em qual de nós dois você apostaria.
Ela lhe lançou um olhar azedo pela lógica vaidosa.
— Basta apenas um homem com uma flecha para abater um gigante. Você não é invencível.
— Talvez — concordou. — Mas também não sou idiota. Nos últimos sete anos, conquistei fortalezas e derrotei exércitos para outros homens. Acha que vou ser descuidado agora que estou lutando para mim mesmo?
— Suponho que não — admitiu ela, a contragosto.
— Então com que estava preocupada?
— Uma mulher não precisa de motivos para se preocupar — retrucou com irritação.—Estava com vontade de me preocupar, então me preocupei.
— Senhora, antes de continuar e fazer ainda menos sentido para mim, tenho que lhe dizer que mal estou me agüentando nas pernas. Devia estar me oferecendo um banho, uma refeição, uma cama, em vez de ralhar comigo por um belo dia de trabalho. Sabe quanto tempo faz que não durmo?
O rosto da moça ficou vermelho e quente.
— Doce Jesus, por que me deixou ficar falando desse jeito? Entre, meu senhor, e terá o que deseja.
Ele lhe fitou os quadris, que meneavam enquanto seguia à sua frente na escada, e sacudiu a cabeça. Gostaria que ela não tivesse usado essas palavras em particular. Desta vez ele estava cansado demais para tirar vantagem delas.
Kagome não soube ao certo o que a despertara, mas percebeu imediata mente que a cama ao seu lado estava vazia, mesmo antes de se virar e confirmá-lo. Sentiu um receio momentâneo, seguido de um sobres salto, ao ver que Inuyasha ainda se encontrava no quarto. Mas o fato de vê-lo apoiado na coluna ao pé da cama, os cortinados afastados para oferecer-lhe uma visão total dela, deixou-a inquieta de novo, do mesmo modo que a nudez do homem, banhada de bronze à luz da vela noturna. Se reparara no seu roupão novo jogado sobre a arca de roupas, ignorara-o.
— Algum problema, meu senhor?
— Não.
— Então o que está fazendo aí, parado?
— Vendo você dormir — disse com simplicidade, acrescen tando, com igual simplicidade: — Você ronca, sabe.
Ela ficou de queixo caído, mas logo fechou a boca.
— Isso não é verdade!
— É, sim. Não ronca alto, mas ronca.
Que coisa terrível de se dizer para a uma mulher; ele que apodre cesse. Ela nem podia dizer o mesmo a seu respeito.
— Obrigada. Ficaria bastante sentida se tivesse continuado muito tempo ainda sem saber disso.
Ele soltou uma risadinha abafada.
— Não fique zangada comigo, generalzinho. Ainda estou sabo reando o seu interesse de há pouco. Ninguém jamais cuidou de mim com tal carinho.
Como podia ficar zangada com ele depois de ouvir uma coisa dessas?
— Só o que fiz foi banhá-lo e dar-lhe de comer.
— E aquecer meu vinho e meus lençóis, cobrir as janelas para escurecer o quarto e mandar todas as suas damas lá para baixo, a fim de que nenhum barulho me incomodasse tão cedo. Senhora, até mesmo ajeitou as minhas cobertas antes de sair pé ante pé do quarto.
Estaria implicando com ela ou lhe agradecendo? Fosse o que fosse, Kagome ficou corada. Pensara que ele já estaria dormindo, de tão cansado que estava. E ficara tão aliviada por ele ter voltado para casa sem um arranhão, que fora um prazer torná-lo confortável. Mas será que ninguém nunca lhe ajeitara as cobertas antes? Aquela vontade de tomá-lo nos braços e ficar simplesmente abraçada a ele estava de volta, mas ele não era uma criança para ser consolado, e ela era uma tola por sentir tal desejo.
— Achei que dormiria a manhã toda, meu senhor. Algo o inco modou?
Você me deixou perturbado, pensou ele com seus botões, vindo se aninhar junto do meu corpo. Mas já a fizera corar uma vez, então ficaria calado.
— Não, bastaram umas horas para eu me recuperar. Ainda não me acostumei ao luxo de uma noite normal de sono. Mas estava tão cansado que não perguntei sobre Miroku. Como ele está passando?
— Acordou e começou a se queixar, como eu previra. — Pelo menos desta vez estava falando a verdade. — Pode me contar o que aconteceu na herdade de Keigh?
— Quer dizer que não foi perturbar os meus homens à cata de informações, depois que eu me deitei?
O sorriso intencional dele era irritante, mas ela o retribuiu dali a um momento, admitindo:
— Está bem, Ginta me contou, e também que você lutou contra Lionel.
— E? — insistiu ele.
— Está certo, ele não foi adversário para você, e eu não tinha por que me preocupar — disse a contragosto. — Mas já lhe disse que uma mulher não precisa de um bom motivo.
— O que me intriga, senhora, é ter-se preocupado.
— Acha que quero passar por todo o trabalho de escolher outro marido? — retrucou ela.
— Então está contente com o seu marido atual?
— Satisfeita.
Ele soltou uma risada.
— Uma palavra de muitos sentidos. Kagome cerrou os dentes.
— Fugiu do assunto, meu senhor. Ginta não me disse o que você pretende fazer com lady Ayame.
Ele se adiantou e veio sentar no seu lado da cama. Por um momento ela fitou as costas largas, e a força que sugeriam fez com que sentisse um arrepio de prazer que também desviou os seus pensamentos do assunto em questão. Então ele se recostou num cotovelo colocado junto ao quadril dela, e Kagome ficou surpresa ao ver como a sua fisionomia estava séria.
— A viúva permanecerá confinada no quarto até Kouga ficar em condições de desposá-la ... isto é, se ele ainda a quiser depois de ficar sabendo da sua traição.
Kagome ficou rígida.
— Quer dizer que nem pensou em Sir Arnulph, como eu tinha pedido?
— Não. Para ele estou pensando em Birkenham.
— Mas é demais! — arquejou, espantada.
— Por quê, se ele é tão leal quanto você diz e for aceitável para mim quando eu o ficar conhecendo?
— Mas... mas pensei que ia dá-la a Miroku.
— Ele não quer.
— Foi o que ele disse, mas pensei que estava brincando. Inuyasha sorriu.
— Falava muito sério. Ele sabe que sempre terei um lugar para ele sem sobrecarregá-lo com responsabilidades, o que ele não deseja. Se eu tentasse fazê-lo, ele simplesmente iria para casa, onde seria bem-vindo e nada pediriam, exceto que lutasse quando fosse preciso.
— Então, por que o enviou para a herdade de Keigh?
Ele deu de ombros.
— Para evitar que os rapazes se engalfinhassem por causa da dama, caso ambos resolvessem que a queriam.
— E se ele tivesse se encantado com Ayame?
— Isso seria pouco provável, já que Miroku demonstrou um vivo interesse por uma de suas damas, ou será que não reparou?
— Kanna não é uma dama.
Ele soltou uma risada ante o seu bufo de indignação.
— Não é ela. O seu interesse por ela não passa de uma necessi dade. Um homem ainda precisa atender às suas necessidades enquanto está pensando em se casar. Ou aprovaria que ele se esgueirasse para a cama de dama Sango?
— Não aprovo nem uma ação nem outra, se quer saber. Não vejo por que um homem não consegue controlar a sua luxúria durante um certo tempo. Se Miroku quer Sango e posso lhe assegurar que ela ficaria encantada em tê-lo, por que não pode esperar até estarem casados? Você esperou. — Pela segunda vez, viu o rosto do marido ficar rubro e concluiu, sentindo-se irracionalmente magoada: — Não esperou?
Ele ouviu o embargo na sua voz e levou a mão à sua face.
— Senhora, eu estaria tão impaciente para possuí-la depois da segunda cerimônia de casamento se estivesse deitando com uma de suas damas? Acontece que eu estava tão aborrecido com você por me fechar a porta do seu quarto, que não nego, cheguei a pensar no assunto. E se disser que pensar é tão ruim quanto fazer, vou bater em você.
Ela sorriu, sem se conter, sabendo muito bem que ele não falava sério, e aliviada demais para se importar se estivesse enganada.
— Não, eu não diria uma coisa dessas, caso contrário todos os homens vivos teriam que ser condenados.
— Ainda bem que você sabe ser razoável — resmungou ele, voltando a se sentar na cama.
Ele também sabia que ela confiava que ele não bateria nela, mas não sabia se aquilo era bom ou não. Como se controlava uma esposa que não temia represálias? Se alguma vez achasse que era necessário puní-la, ela provavelmente se sentiria traída e não o perdoaria, e isso não valia qualquer lição que ela tivesse que aprender. Mas a questão era por que ele achava que era assim.
— Algum problema, Inuyasha?
— Acabei de me lembrar dos prisioneiros — disse com aspereza, incomodado com o rumo que seus pensamentos estavam tomando e precisando de uma distração. — Onde foram colocados?
— Numa das torres da muralha. Devo dizer que fiquei surpresa vendo-os chegar.
— Porquê?
— Achava que o seu plano não ia dar certo, depois que você mudou de ideia e mandou uma carta para Warhurst, em vez de um mensageiro, e ainda por cima sem assinatura. Somente um idiota completo agiria com base em informações tão pouco confiáveis.
— Estava contando que o castelão fosse o imbecil que você afirmava que era, e ele era mesmo.
— Mas por que correr o risco?
— Não me interessava ser considerado o idiota se o plano desse errado.
Ela teve que reprimir um sorriso ante aquele toque de vaidade.
— Ah, muito sensato, meu senhor.
Ele franziu o cenho, pressentindo o humor de Kagome.
— Sensato ou não, senhora, funcionou. E como mandei apenas uma mensagem, Warhurst nem sabe que estive envolvido ou que agora tenho os bandidos.
— No entanto, ouvi você dizer que pretendia entregá-los para Warhurst. Também mudou de ideia quanto a isso?
— Por ora.
— Quer dizer que pretende enforcá-los você mesmo?
— Não precisa ficar tão chocada, senhora. Se precisarem ser enforcados, serão. Mas estou inclinado a crer que basta um castigo menor, ou até mesmo nenhum, se o que eles disseram sobre Warhurst for verdade. É esta verdade que pretendo descobrir amanhã.
— Mas não pode crer no que diz um fora-da-lei — protestou ela.
— Foi o que pensei; no entanto, o que o líder deles disse sobre a herdade de Keigh acabou sendo comprovado.
— E o que eles disseram sobre Warhurst?
— Somente que o seu estimado lorde Houjo estivera lá nas últimas semanas, com uma tropa numerosa na mesma manhã em que deparei com uma tropa do mesmo porte atacando Clydon, e que voltara para a cidade naquela mesma manhã, ferido. O homem ainda tinha mais a dizer, mas... Está rindo? Não vejo nada de engraçado no que disse.
Ela tentou se controlar, mas soltou nova risada. Foi a cara dele cada vez mais fechada, que finalmente a fez ficar séria, embora não inteiramente.
— Não me diga que deu crédito a esta história ridícula?
— Ridícula por quê?
— E por que motivo Houjo me atacaria?
— Pelo mesmo motivo que a levou a achar que Renkotsu de Los Siete a tinha atacado.
— Para casar comigo? — abriu um sorriso. — Você esqueceu que eu estava disposta a casar com Houjo.
— Não esqueci. Mas diga-me, Kagome, ele estava sabendo disso? Essa insinuação deixou-a completamente séria, e o fato de ele ter ficado obviamente contente de ter logrado o seu intento também a irritou.
— Estivesse sabendo ou não, você jamais vai me convencer de que Houjo me faria mal. Você não o conhece, Inuyasha. É tão afável, agradável...
— É? — interrompeu ele, desdenhoso. — Tem tanta certeza disso? E se for completamente diferente dentro dos muros do seu pequeno reino? Já o viu dentro de Warhurst, para saber como ele se comporta ali, ou como o seu povo se comporta com ele?—Prosseguiu contando-lhe o resto do que o fora-da-lei dissera de lorde Houjo, encerrando com: — E se ao menos um pouco disso for verdade?
— Porque um fora-da-lei diz que é? — debochou ela. — Claro que contaria a verdade sobre a herdade de Keigh quando você preten dia enforcá-lo, e ele sabia. E já que isso funcionou tão bem para ele, inventou outra história de injustiças que lhe foram feitas para garantir a sua próxima esperança, liberdade total, que você já admitiu estar considerando. Ah, como ele é esperto. Mas você não vai me convencer de que Houjo não é bom. E sei por que você quer acreditar nessa baboseira. —nem lhe deu chance de contestar a afirmação, prosseguindo, com veemência: — Pelo mesmo motivo que adorava diminuir lorde Jinenji. Você quer que eu seja eternamente grata por ter ficado com você, em vez de um dos outros dois. Mas já sou grata, portanto não é preciso...
Ele encerrou repentinamente a diatribe rolando o corpo e se deitando parcialmente sobre ela. Um dedo nos seus lábios a impediu até de arquejar, enquanto ele sorria sem constrangimento.
— Ficou toda nervosa à toa, senhora. Não disse que acreditava em nada disso, mas apenas que pretendia descobrir a verdade. Já que você diz que o seu Houjo é um santo, eu o considerarei assim até prova em contrário. Mas vamos examinar agora esta gratidão que acabou de confessar que tem. Ela traz consigo certas vantagens?
Quando Kagome viu o rumo que seus pensamentos tinham tomado, assim como seus olhos, não conseguiu pronunciar palavra alguma. Sentiu os seios se retesarem sob aquele olhar e ficou corada. Quando os olhos de Inuyasha voltaram a fitar os seus, pôde apenas olhar fixamente, afogando-se naquele olhar que agora reconhecia.
Esperou com a respiração presa até que aquela boca começasse a sua magia, e ficou surpresa quando, em vez disso, a mão dele lhe cobriu o seio, o olhar ainda fito no dela. Seus dedos eram cálidos e meigos e infinitamente excitantes, fazendo os mamilos endurecerem, dando-lhe o mais ligeiro alarme quando começou a apertar mais, intensificando a emoção quando relaxou o aperto.
Ele não deixava de observá-la, de ouvir os seus arquejos, até que finalmente murmurou:
— Estou machucando você?
— Não.
— Você me diria?
— Jesus, vai começar tudo de novo?
Ela ouviu sua risada antes que a língua viesse lamber-lhe os lábios, e durante a hora seguinte conseguiu demonstrar as vantagens que ele queria conhecer com uma boa dose de prazer mútuo.
