- Parte 37 -
- Anne? Está tudo bem? - perguntou Jake - Você está a mais de meia hora fitando o fogo!
- Não é nada demais - respondeu Anne, com um sorriso cansado - Eu só estava pensando.
- Você está muito estranha. Parece até que está escondendo alguma coisa.
- Não estou escondendo nada, Jake. Você sabe muito bem que...
Mas Anne foi interrompida. Ela ouviu um barulho na janela e, ao virar-se, viu que ali havia uma coruja negra. A coruja de sua família. Sem pensar duas vezes, saiu correndo da frente da lareira e foi abrir a janela. Pegou a carta que a coruja trazia amarrada à perna com um grande sorriso em seu rosto.
- Pelos machos da Chris! Que bicho te mordeu, Anne?
- Vai me dizer que você não lembra? - rebateu Anne, olhando de esguelha para Jake com um sorriso malicioso, enquanto abria ansiosamente o envelope.
- Pôxa, estou vendo que você voltou ao normal. Que milagre aconteceu? - indagou Jake, levando displicentemente as mãos aos bolsos.
Anne lia a carta. Seus olhos brilhavam, e seu semblante era uma mescla de encanto e satisfação.
- Aconteceu esse milagre - finalmente respondeu, entregando a carta a Jake.
Jake pegou a carta, confuso. Também não acreditava no que lia, mas não conseguia ficar tão feliz quanto Anne.
- Ah, Anne, não acredito que você acreditou nisso! Desde quando seus pais gostam de mim e querem que eu passe uns dias das férias de verão com vocês?
- Não sei, Jake! Não é simplesmente fantástico? - disse Anne, com um enorme sorriso no rosto.
- Não sei não. Parece mais uma armadilha. Você mesma disse que seus pais são capazes de coisas que ninguém imagina.
Jake olhou ora para a carta, ora para Anne, que irradiava felicidade. A partir daquele momento, ele compreendeu.
- A não ser que alguém tenha desejado isso na fonte - disse Jake, cruzando os braços numa atitude inquisidora.
O sorriso de Anne murchou. Ela não esperava que ele chegasse àquela conclusão tão facilmente. Então, nada restou a ela a não ser contar a verdade.
- Tá bom, Jake. Eu confesso. Fiz esse desejo à fonte.
- Ah, Anne. Você não precisava ter feito isso - Jake disse suavemente, enquanto abraçava Anne pelos ombros.
- Eu não tinha outra escolha! Essa era a única forma de ficarmos juntos sem que meus pais atrapalhassem!
- Mesmo assim, eu tenho medo. Lembra do que Dumbledore disse? Os desejos podem voltar-se contra quem os desejou.
- Eu não me importo. Você teria feito o mesmo se visse a fonte como única alternativa para acabar com o seu desespero.
- Teria feito sim, e não teria pensado duas vezes.
Anne deu um meio sorriso, e Jake beijou-a nos lábios.
- Jake... O que você pediria pra fonte?
- Ué, Anne - Jake deu um enorme sorriso - Eu disse mais cedo, não lembra? Algo bem grandioso...
- Digno de você, eu sei. Mas se você pedir algo tão grandioso quanto você, acho que você nem caberá mais nesse castelo.
- Eu dou um jeito. Mas o único lugar onde eu ainda quero caber é dentro do seu coração.
- Seu lobo bobo, você nunca sairá do meu coração.
Anne tomou o rosto de Jake em suas mãos e beijou-o novamente, desta vez mais sofregamente.
Enquanto isso, no Salão Principal, Amy enchia a cara. Na mesa jaziam várias garrafas vazias de uísque de fogo, e Jasper a olhava, completamente desesperado.
- Já chega de beber, minha caninha. Você precisa tomar um banho frio e ir dormir.
- Dormir... Hic. Dormir é pra quem não sabe admirar a beleza da luz da Lua, é pra quem não vê que a luz das estrelas são mais ofuscantes do que a luz do Sol - disse Amy, com a voz mais embargada do que nunca.
- Vamos, largue essa garrafa, você não está falando coisa com coisa!
- Quem não entende a poesia pode achar que estou louca. Pensei que você fosse mais sensível... Er... Qual o seu nome mesmo?
Jasper virou os olhos. Ele nunca tinha visto Amy tão bêbada a ponto de esquecer o seu nome.
- Ah, lembrei... É José, não é? Ah, eu lembro agora... Eu costumo te chamar de Jozz...
- Jozz? Que maluquice é essa? Vem, Amy, antes que você entre em coma alcoólico! u.u
Jasper agarrou Amy pelos braços, mas a garota conseguiu desvencilhar-se. Levantou-se rápida e desequilibradamente da cadeira, e saiu para os jardins, aos tropeços. A garota parou ao lado da fonte, e a olhava, encantada, como se ainda não a tivesse visto.
- Que poético! Um autorama em plenos jardins de Hoggywarts! *-*
Amy estava tão alterada que estava confundindo os nomes das coisas, mas incrivelmente, ainda lembrava-se que era possível fazer pedidos naquele lugar. Levou as mãos aos bolsos, procurando por alguma moeda. Achou alguns nuques e um galeão. Sem pensar muito, pegou o galeão e jogou-o na fonte.
- Que o mundo torne-se uma poesia!
E desacordou, caindo na relva verde e macia.
