Minha culpa
S: "Berry, eu sinto muito mas você fede!" – a latina tratava de zoar com Rachel.
Q: "Não seja má San, não cheira mal, cheira bem."
S: "Seu olfato está alterado, porque pra mim cheira a ketchup e vômito de bebê, verdade Britt?"
B: "O que?"
S: "Nenem, pare de colocar a cabeça para fora da janela, vão nos multar."
R: "Santana, se não se calar eu paro o carro e você volta andando..."
B: "Quero ver os pássaros que tem em LA, dizem que tem corvos."
Q: "Corvos?"
S: "Não faça caso, são pombos ou ratos voadores como todo mundo chama eles."
B: "Eh... são animais, não volte a dizer isso nem das pombas e nem dos ratos." – recriminou.
A conversa no carro seguiam uma atrás da outra. Santana, Brittany e Quinn voltavam para a casa no carro de Rachel. A morena havia oferecido para levá-las após o almoço com o resto do grupo.
Um encontro que esteve marcado pelo desafortunado incidente com o ketchup sobre o colo da morena e aquele presente que deixou sobre sua blusa a pequena fã, que quase não se mantinha erguida em seus braços.
Porém, Quinn voltava contente, não conseguiu averiguar muito, só um par de detalhes rondavam pela cabeça, mas ainda tinha que confirmar. Reter Rachel era uma das chaves. Ela poderia esclarecer vários assuntos e necessitava fazer antes de voltar para Columbia.
Um voo que havia sido confirmado por Cathy para o dia seguinte pela manhã.
Santana e Brittany voltavam esse mesmo dia para São Francisco. Viajariam de trem e Rachel se ofereceu para levá-las até a estação. Quinn contrariada e após discutir com sua mãe, conseguiu convencer para acompanhá-las também.
Judy não tinha inconvenientes algum em que sua filha estivesse com suas amigas, mas os médicos haviam recomendado repouso e aquele dia ela estava inteiramente fora de casa desde as 11 da manhã.
Rachel havia prometido levá-la de volta após saírem da estação.
R: "É esse não?" – perguntou após chegar na estação que correspondia ao trem que levariam elas para São Francisco.
S: "Sim, o das cinco da tarde." – confirmou seu bilhete.
Q: "Pois juraria que estamos na hora." – respondeu apontando para um gigantesco relógio.
B: "Sim... é hora de irmos, bombom." – brincava Britt.
Santana foi a primeira a abraçar Quinn, enquanto Britt fazia o mesmo com Rachel.
S: "Ei loira..." – sussurrou. "te recordo que temos um plano, então volte logo de Columbia que eu te necessito a minha disposição."
Q: "Eu farei." – disse devolvendo o abraço.
B: "Deixa eu agora..." – interrompia. "não quero que se esqueça de mim." – sorria.
Q: "Duvido que isso possa acontecer." – respondia a abraçando.
B: "Fique bem Quinn." – falava no ouvido dela. "quando chegar vou te mandar um e-mail, mas não diga a ninguém... é um segredo."
Q: "Ok." – sorria. "estarei esperando."
Santana se aproximava de Rachel.
R: "Vai me abraçar? Te recordo que cheiro mal!" – exclamou com sarcasmo.
S: "Pouco me importa anã!" – ignorou o comentário enquanto abraçava a garota. "cuide da loira." – murmurou.
R: "Eu farei." – respondeu um pouco emocionada após o gesto da latina.
S: "Bom... vamos Brittany S Pearce..." – brincou.
B: "Vamos." – segurou a mão de sua namorada. "tchau amores!" – exclamou em voz alta enquanto se aproximavam do vagão do trem, provocando o riso de Quinn e Rachel.
Ambas se perderam no interior do trem e após uma última olhada, Rachel reagiu.
R: "Vamos?"
Q: "Claro."
Começaram a caminhar pela estação, em busca do estacionamento aonde estava o carro da morena. No trajeto Quinn começou a se aproximar, devido o fluxo de gente que havia no lugar e que começava a intimidá-la e sem duvidar, buscou o braço da morena, deslizando sua mão pelo antebraço para se segurar nela.
Q: "Não penso em me perder nessa estação." – se desculpou pela ação. "imagina como explico onde eu moro se pergunto para alguém." – brincou.
Rachel aceitou de bom grado aquele gesto, na realidade lhe encantou poder ir caminhando com a loira entrelaçando seu braço com o dela.
Q: "Escute, de verdade vai me levar de volta para casa?"
R: "Claro, o último que quero é que sua mãe me odeie."
Q: "Por que vai te odiar? Só está ajudando a filha dela para que tenha um pouco de diversão."
R: "Não, se sua mãe souber que você sabe que ela tem uma parceira e que soube por mim, ainda por cima eu não te levo de volta, assino minha sentença de morte."
Q: "Que exagerada!" – exclamava.
Lentamente e devido ao fluxo de gente que ia e vinha naquela estação, Quinn foi deslizando sua mão pelo antebraço da morena até chegar na mão dela.
Sem se dar conta, ambas entrelaçaram os dedos, segurando com força enquanto esquivavam das corridas e malas dos viajantes.
R: "Não sou exagerada, além do mais você viu Cathy, é muito boa e tudo o que quiser, mas é cirurgiã, neurocirurgiã e não quero que uma neurocirurgiã fique brava comigo..."
Q: "Por que? Se fosse policial tudo bem, mas o que vai te fazer uma neurocirurgiã?"
R: "Quem sabe... e se ela quiser me fazer uma lavagem cerebral?" – brincava. "deixarei de ser uma artista e quem sabe em que me converteria."
Q: "Falando em artista, as pessoas te olham muito, já percebeu?" – sussurrou tratando de passar despercebida diante os olhares que lançavam para sua amiga.
R: "O que? Não tinha me dado conta."
Q: "Sim, sim... olhe."
Rachel caminhava alheia a tudo, até que Quinn comentou aquilo. Era verdade, cada vez que passavam por um grupo, alguém ficava olhando para ela, apontando dissimuladamente e logo começavam a falar entre eles.
De repente, do nada, apareceram vários homens segurando máquinas fotográficas. Começaram uns disparos sem fim. Rachel ficou nervosa enquanto Quinn simplesmente se surpreendia diante o reboliço que estava se formando ao redor delas.
R: "Prepare-se para correr." – disse ao mesmo tempo que puxava a mão de Quinn e começavam uma ligeira corrida para o estacionamento.
Demoraram apenas uns segundos em chegar, por sorte os paparazzi cercaram elas justamente quando estavam quase chegando na entrada do estacionamento.
R: "Está bem?" – perguntou uma vez que havia chegado ao carro e estavam a salvo.
Q: "Sim... um pouco cansada." – respondeu com a respiração agitada. "tenho que recuperar a forma." – sorria.
R: "Eu sinto muito Quinn, esses estúpidos paparazzi aparecem de todos os lados."
Q: "Foi divertido." – conservava o sorriso. "mas menos ruim que você não me soltou." – apontava para as mãos que ainda permaneciam unidas.
Rachel foi consciente nesse mesmo instante da ação que ambas haviam tido durante todo o caminho.
Q: "Está bem?" – perguntou ao ver como contorcia o rosto da morena enquanto desgrudavam a mão.
R: "Merda Quinn." – disse.
Q: "O que? Que foi?" – perguntou confusa.
R: "Agora entendo porque nos olhavam todos... estávamos de mãos dadas."
Q: "E?" – continuava confusa.
R: "Deus Quinn, sinto muito." – se desculpava tampando o rosto com ambas mãos. "esses paparazzi tiraram fotos nossa juntas, de mãos dadas..."
Q: "E o que foi? Tem algum problema? Vão te recriminar por isso?"
R: "Não... a mim não, pouco me importa o que disserem, mas... a ti."
Q: "A mim o que? Rachel, está me assustando."
R: "Quinn, vai sair nas revistas ou aonde quer que for que esses estúpidos são e vão dizer que você é minha..." – engoliu saliva.
Q: "Sua o que?"
R: "Minha... namorada." – balbuciou.
Q: "E se preocupa por isso?... está me dizendo que está com essa cara só porque vão dizer que eu sou sua namorada?"
R: "Quinn, não sabe como é esse mundo..."
Q: "Eu sinto muito Rachel, não sabia que eu pudesse te prejudicar tanto."
R: "Não... não Quinn, você não me prejudica, estou dizendo que vão te associar Amim, vão te buscar e vão mentir sobre você."
Q: "Não vai te acontecer nada, verdade?"
R: "Não..." – respondeu um pouco aturdida diante a atitude da loira.
Q: "Pois então não passa nada... pouco importa que falem de mim, além do mais... sabe a inveja que vou dar se falarem isso? Ande, ligue o carro e vamos pra casa." – brincava enquanto terminava de colocar o cinto de segurança.
R: "Não se preocupa?" – perguntou colocando o carro pra andar.
Q: "Nem um pouco, se você estiver bem... eu também estou." – sorria.
Logo ao sair do estacionamento, os fotógrafos voltavam a aparecer, rodeando o carro e lançando flashes. Quinn não pode evitar sorrir.
R: "Está passando bem?" – perguntou ao ver a diversão da garota enquanto tiravam fotos de dentro do carro.
Q: "Sim... por agora é o mais emocionante que fiz na vida." – sorria. "que eu me lembre bem."
R: "Já fez muitas coisas emocionantes." – disse sem perceber.
Q: "Ah sim? Como quais?"
R: "Error!" – brincava. "pergunta não aceita!"
Q: "Maldita seja." – se lamentou. "E você? Já fez muitas coisas emocionantes?"
R: "Eu?" – sorria. "nada, sempre fui muito chata."
Q: "Vamos... não me engana, seguramente que cometeu muitas loucuras, com Spencer, com seus companheiros... com... sua namorada."
R: "Nãooo... já te disse que não, que sou muito..." – parou ao perceber a última palavra que a loira havia pronunciado.
Quinn olhava para Rachel com um meio sorriso, esperando para ver a reação da garota após aquela frase. O gesto da morena fez ela sorrir com mais amplitude.
R: "O que disse?... minha namorada?" – perguntou tratando de confirmar o que tinha escutado.
Q: "Vamos Rachel, não tem que dissimular comigo, pode me contar."
R: "O que?" – se surpreendeu.
Q: "Vai me negar que gosta de mulheres?" – continuava sorrindo.
R: "Não creio que devemos falar disso enquanto dirijo."
Q: "Ok... esperarei que cheguemos na minha casa e lá você me explica."
Rachel não pode acreditar no que estava acontecendo. Quinn se manteve em silencio o resto do caminho que faltava enquanto lhe dava voltas na cabeça dela, buscando alguma desculpa para não falar daquilo naquele instante.
Não podia, seu nervosismo, todo aquele stress Acumulado durante os últimos dias poderia machucá-la. Rachel tinha que manter descrição com tudo o que estivesse relacionado com a vida passada da loira e se tirava aquele tema, irremediavelmente ia envolver ela.
O carro parou na calçada. Quinn esperou que parasse por completo para soltar seu cinto e retirar as chaves do painel, para evitar que Rachel seguisse seu trajeto.
Q: "E então?"
R: "Quinn, sabe que não posso falar de nada, te peço por favor... os médicos foram muito severos e eu não quero..."
Q: "Error!" – brincou. "resposta não aceita! Não estamos falando de mim, estou perguntando por você... somos amigas, Rachel, me deixe saber como é sua vida." – soou suplicante.
R: "Mas Quinn." – olhou pela primeira vez para a loira e soube que havia cometido um erro.
Após aquele olhar não ia poder negar nada.
Q: "Rachel, sei que todos tentam me proteger e eu agradeço... acredite, se fosse o contrário já teria recusado as perguntas, mas sei que fazem pelo meu bem... e por isso mesmo que me interesso por vocês..." – fez uma pausa. "eu fiz algumas perguntas para Santana e para Britt, nada concreto mas ambas me responderam e veja, estou bem."
R: "Que tipo de pergunta?"
Q: "Perguntei se eu gostava de mulheres."
Rachel ficou pálida.
Q: "Não faça essa cara, se perguntei é porque tudo indicava que fosse assim... lembra, nada de namorados, minhas amigas todas são namoradas entre si, minhas vizinhas, minha chefe, esse bar em que fomos hoje... me dei conta de que é de ambiente, minha mãe e Cathy..."
R: "E o que tem a ver isso com que você seja lésbica?"
Q: "Não há referencias de homens na minha vida. San me disse que eu tive namorados, inclusive que chegamos a dividir, mas a forma em que me disse... não sei, intuía e após perguntar e ver a cara que elas fizeram, soube que era verdade."
R: "E por que me perguntava por garotos?"
Q: "Não sei Rachel, estava confusa... o que supõe que ia te perguntar? Com quantas mulheres eu dormi?" – brincou.
R: "Um momento... andou falando com a Ashley?" – perguntou ao recordar que a roqueira lhe fez essa mesma referencia nessa manhã.
Q: "Não... mas se for necessário eu faço." – sorria.
R: "Quinn, de verdade não acho que toda essa informação seja boa para você nesse momento, trate de relaxar e não pensar em tantas coisas."
Q: "Você gosta das mulheres?" – foi direta.
Rachel respirou profundamente.
R: "Não." – foi breve.
Q: "Não? Nossa..." – se desiludiu. "Britt tinha razão."
R: "Passa algo?" – perguntou ao ver a estranha careta que a loira mostrava. "O que passa com Britt?"
Q: "Não, nada... mas eu estava convencida de que era um sim."
R: "E isso?"
Q: "Porque te vi no Planet com essa garota... como se chamava..."
R: "Le...i...sha?" – prolongou a pronuncia.
Q: "Sim, com Leisha e não sei... recordei que me disse do grande amor que viveu e pensei que talvez pudesse ser ela."
R: "Nãooo... não, Leisha e eu, não!" – exclamou. "nem pensar."
Q: "Por?... é muito bonita, além do mais se olhavam de uma forma... muito especial."
R: "Nem pensar Quinn, nem pensar... Lee era minha amiga... tivemos um problema e estamos brigadas... estava falando com ela por outro motivo... como pode pensar nisso?" – tratava de assimilar tudo aquilo.
Q: "Eu sinto muito, não pensei que fosse se incomodar tanto..."
R: "Não... não Quinn, não me incomoda é só que... ela precisamente, uff... acho que seria a última pessoa com que estaria." – respondeu abaixando o olhar.
Q: "Bom... de todos modos, me alegro." – voltava a sorrir. "por que não me dá confiança."
Rachel levantou o olhar, compreendia completamente aquelas palavras. Quinn sustentou aquela troca de olhares, dando um espetacular sorriso e acalmando o nervosismo que a sacudia.
Q: "Vejo que é melhor que não te pergunte mais, não quero que se sinta mal." – se desculpou.
R: "Eu sinto muito Quinn... de verdade que sinto, mas não sei aonde está o limite e..."
Q: "Só me diga uma coisa. Santana me disse que eu havia vivido um grande amor, como o que você me contou... é verdade?"
R: "Quero crer que sim."
Q: "Como?... não sabe?"
R: "Sim... eu sei Quinn." – foi sincera. "mas eu não sei se você sentia como o grande amor de sua vida."
Q: "Como você via?"
R: "Eu via que era feliz, que dava tudo por essa pessoa e essa pessoa dava tudo por você, que bastava um simples olhar para entender o que a outra queria dizer e que fazia a vida mais fácil e simples... que não podiam viver separadas." – abaixava seu olhar.
Q: "Está confirmado, era uma garota." – disse com nostalgia.
Rachel voltava a ser consciente de suas palavras. Havia perdido o rumo, estava deixando levar pelo coração e as palavras saiam sem filtro algum.
R: "É o que queria saber, não?" – se lamentou.
Q: "Obrigada, obrigada por ser sincera e me dizer, me alegro tanto de ter uma amiga como você." – se aproximou para dar uma abraço na morena.
R: "Quinn." – interrompeu logo quando sentiu o abraço que a garota lhe dava. "tem algo que deve saber." – a culpa voltava a invadi-la.
A loira se separou um pouco incrédula e esperava aquela explicação.
R: "Não sou tão boa amiga como você pensa."
Q: "O que?"
R: "Não sei como vai te cair isso, mas... não aguento mais."
Q: "Me diga Rachel."
R: "Nós estávamos... brigadas, havíamos discutido durante semanas e havíamos nos feito muito dano, inclusive nos insultamos."
O rosto de Quinn ficou sério.
R: "Na noite anterior ao acidente, conseguimos conversar e esclarecemos tudo, mesmo que não de tudo... decidimos não voltar a nos fazer dano e nos ignorar." – as lágrimas começavam a aparecer em seus olhos. "mas então eu troquei os pés pelas mãos naquela noite, fiz algo que vou me arrepender pelo resto da minha vida, estava destroçada, me sentia fatal e não sabia o que fazer." – fez uma pausa, tratando de recompor a história sem contar além da conta. "então você apareceu na minha casa, queria me ajudar e assim fez, me acompanho para solucionar um grave problema sem que eu te pedisse, sem que tivesse porque fazer." – começou a chorar. "e quando foi embora..." – o choro entrecortava as palavras. "aconteceu tudo... e eu achei que ia morrer Quinn... tudo foi minha culpa, eu sinto muito Quinn... sinto mesmo."
Q: "Shhhh..." – silenciou a morena a abraçando. "não chore Rachel, já passou."
R: "Não Quinn, não passou... olhe pra você, está aqui mas não lembra de nada... e pensa que sou boa mas não sou..."
Q: "Rachel..." – voltava a interromper sem deixar de abraça-la. "sei que é boa, vejo em seus olhos... não sei porque estaríamos bravas, nem sei quem teve a culpa, mas se fui até sua casa para te ajudar é porque essa raiva era superficial."
R: "Você não tinha que estar lá Quinn, não devia." – quase não podia falar.
Q: "Mas estive, estivemos e nos ajudamos, eu a você e você a mim... imagina o que me aconteceria em outro lugar, os médicos me disseram que você cuidou de mim, que subiu na ambulância comigo e não me abandonou no hospital até que me viu sorrir, palavras literais da minha mãe." – buscou o olhar da morena enquanto tratava de secar as lágrimas. "Rachel, desde o primeiro instante vi que te necessitava perto e continuo com essa sensação apesar de não recordar nada... se te fiz dano, sinto muito, mas te peço que esqueça... igual que eu esqueci, podemos ser amigas... necessito que sejamos."
R: "Me perdoe você, me perdoe... te juro que quando puder te contarei tudo..."
Q: "Não... não quero saber o ruim, quero saber o bom, as coisas boas que nos aconteceu, o que nos fez rir ou cometer loucuras, o ruim prefiro esquecer..." – acalmava a morena. "amigas?" – sorria.
R: "Amigas..." – respondeu limpando os olhos.
Q: "Está melhor?"
R: "Sim..." – disse entre suspiros.
Q: "Bom, então vá... volte para casa e descanse, amanhã saio cedo, mas... eu gostaria que conversássemos, mesmo que seja por telefone durante esses dias."
R: "Sim... sim, claro. Te ligarei todos os dias para saber como vai, ok?"
Q: "Ok... mas terá que esperar eu conseguir um celular, porque não me lembro aonde está o meu." – brincou.
R: "Seu celular?" – pensou. "acho que coloquei em uma gaveta na mesinha de cabeceira do seu quarto."
Q: "Você?" – perguntou confusa.
R: "Sim... você deixou na cama e eu guardei uma das noites em que estive lá."
Q: "Ok... por certo, vai ficar dormindo aqui com Nemo?" – perguntou iludida.
R: "Sim... sua mãe já me avisou e eu ficarei, se você quiser é claro."
Q: "Claro, está em sua casa." – disse.
Rachel voltava a engolir saliva. Haviam passado 4 meses desde que abandonou aquela casa.
Q: "Cuide-se Rachel." – se despediu voltando a abraçar a morena.
R: "E você... volte logo." – respondeu devolvendo o abraço.
Quinn se despediu com aquele abraço e um novo sorriso enquanto descia do carro.
Rachel ligou o carro enquanto a loira avançava pelo jardim da casa.
R: "Ei Quinn..." – gritou chamando a atenção da garota que se virou em seguida. "o grande amor da minha vida... foi uma garota!" – exclamou esboçando um sorriso ao mesmo tempo que acelerava o carro para abandonar o estacionamento.
Quinn voltava a sorrir diante a confissão da morena. Um sorriso de satisfação. Sentia que Rachel ia lhe dar muitas coisas boas, via nos olhos dela, via a honestidade e a doçura que desprendiam e isso lhe bastava para confirmar suas suspeitas. Pouco importava se haviam discutido, se não conversavam. Ver Rachel no hospital, saber que esteve lhe dando a mão quando mais necessitava, era suficiente. Não ia perder aquela garota, não ia cometer os mesmos erros que haviam cometido para discutir com ela, mesmo que não lembrasse.
Se sentia bem, Rachel conduzia de volta para a residência. Havia desabafado, apesar de não contar toda a verdade, mas pelo menos Quinn já sabia que não era a garota ideal que pensava. Sua reação a fortaleceu. Quinn queria sua amizade e ela não ia negar. Morria por estar com ela, por declarar seu amor e dedicar o resto de sua vida para fazê-la feliz, mas se não podia fazer daquela maneira, não importava, sacrificaria seus sentimentos, transformaria eles em amizade, mesmo que fosse impossível e estaria ao lado dela para sempre. Tinha isso claro, completamente claro.
Quinn se preparava para dormir. Cathy e Judy tinham tudo preparado para a viagem e já descansavam no quarto. A loira recordou do telefone, a indicação de Rachel passou por sua mente e não duvidou em buscá-lo no quarto principal, seu quarto que já permanecia em silencio, com a respiração de sua mãe e Cathy invadindo o lugar.
Não fez barulho, entrou na ponta dos pés, quase flutuando no ar, até chegar na mesinha.
Judy dormia prazerosamente do mesmo lado e procurando fazer o mínimo barulho possível, abriu a gaveta e introduziu a mão. Ali estava, não necessitou de luz para achar o celular e tirá-lo com a mesma delicadeza em que atuava e voltar a fechar a gaveta, sem acordar as mulheres.
Um último detalhe chamou a atenção da loira. Cathy dormia repousando seu braço sobre a cintura de sua mãe. Um leve calafrio percorreu as costas dela e esboçou um ligeiro sorriso.
Sua mãe era feliz e ela também.
Abandonou o quarto e rapidamente foi para a cama que estava utilizando. Tinha curiosidade para averiguar o que tinha em seu celular e agradeceu que sua mãe estivesse dormindo.
Seguramente não teria permitido que visse ele. Estava apagado e após buscar o botão que ligava, optou por apertá-lo. Não fazia nada. Rapidamente recordou do carregador. Supôs que a bateria havia descarregado e colocou a carga.
Bingo! Uma luz acendia na tela no momento em que entrou a corrente e se dispôs a ligá-lo. A emoção a invadia. Metida na cama, no escuro, esperava impaciente como o celular ia acendendo lentamente. Um pequeno cumprimento no meio da tela a surpreendeu:
"Sorrir é o melhor dos presentes!"
Uma frase que a fez sorrir. Após uns segundos apareceu outra tela, um fundo azul e uma nova mensagem: Introduzir pin.
OBS. 1: História original escrita por CARMEN MARTIN na fanfic 2 NUEVOS CAMINOS ( s/7412103/1/2_Nuevos_Caminos)
