A escuridão aos poucos foi se afastando de mim. Como um sussurro comecei a ouvir vozes familiares sussurrando coisas baixo demais para que eu pudesse entender. Minha cabeça doía absurdamente.

-Bella? – ouvi uma voz ansiosa me chamar longe. Acho que era a voz de Carlisle, mas era difícil dizer estava muito baixa. – Bella, pode me ouvir?

Tentei dizer alguma coisa, acalmá-lo, dizer que estava bem, mas minha voz não saia. Senti então uma mão gélida e firme segurar meu pulso, aquilo doeu e arrancou-me um grito rouco de dor, não se dizer se foi proposital ou não, mas quem quer que fosse, fez o favor de apertar logo meu pulso mutilado.

-O que aconteceu? – perguntou uma voz de anjo maravilhosa, uma voz conhecida muito bem por mim; Edward. Ele parecia preocupado.

-Não sei... – respondeu Carlisle, creio eu; ele também parecia alarmado. Senti alguém retirando minha luva do mesmo braço.

Ok. Eu precisava abrir os olhos de alguma maneira, meu corpo precisava cooperar. Com uma dificuldade relativamente alta eu consegui, vagarosamente, abrir meus olhos e encontrei os olhos ocres de Carlisle me observando preocupado. Logo atrás dele estavam todos os demais Cullen, Edward extremamente preocupado, os demais apenas alarmados.

Automaticamente recolhi meu pulsos das mãos gélidas de... Carlisle, ao que pude perceber.

Levei minhas mãos ao meu rosto e tentei, inultimente, arrancar aquela dor infernal que apertava minha cabeça, ou ao menos, me lembrar do que havia acontecido.

-Como se sente, Bella? – perguntou-me Carlisle.

-Eu... Oh... Minha cabeça dói. – sussurrei ainda apertando minha cabeça.

-Você está muito estressada, - Disse-me Carlisle. – sua pressão caiu, foram muitos acontecimentos para uma única noite.

Do que Carlisle estava falando? Eu não fazia idéia, mas quando fitei novamente os Cullen e vi o olhar eufórico e temeroso de Edward, os olhos apavorados de Rose e o olhar radiante de Emmett; as imagens do que havia acontecido começaram a passar como fashs em minha cabeça.

-Ah não... – resmunguei fechando fortemente meus olhos, tentando convencer-me que tudo aquilo fora apenas um pesadelo, que meu maior segredo estava muito bem guardado. Mas, obviamente, foi inútil.

-Você precisa descansar, Bella, precisa de uma boa noite de sono e uma boa alimentação. – recomendou-me Carlisle ainda avaliando cada movimento meu.

Não respondi, apenas esfreguei meus olhos e tentei me levantar mas mãos gélidas me detiveram e me forçaram a deitar novamente.

-Você precisa descansar, Bella... – Edward falou suavemente.

-Eu estou bem... – assegurei-lhe e tentei novamente me levantar, mas outra vez, fora inútil.

-Bella, fique um pouco deitada, por favor... – pediu-me Edward sentando-se no sofá aos meus pés. – Tudo isso foi muito para você.

-Que horas são? – perguntei ignorando totalmente o que ele havia me pedido.

Agora eu me lembrava com clareza de tudo que havia acontecido, e sabia exatamente o que teria que fazer; não seria fácil, talvez Nessie viesse a me odiar pelo resto da vida por ter escondido tudo isso dela. Talvez minha filha nunca viesse a me perdoar, talvez ela preferisse viver com o pai, já que era igual à ele...

Mais uma vez, eu brincaria com fogo; mais uma vez eu iria jogar, e o preço que eu pagaria, caso perdesse, seria alto demais; minha filha estava em jogo agora. A única coisa que me dava forças para ir em frente com tudo isso, era saber que caso minha menina optasse por viver com o pai ela seria bem cuidada, ela estaria em boas mãos. Edward e todos os Cullen, cuidariam bem do meu tesouro.

-São três da manhã ainda, Bella. – respondeu-me Alice.

Se bem conheço Ângela e Ben, eles ainda esperavam por notícias, ninguém fez tanto por mim e Nessie, ninguém presenciou tanto o que eu passei, como eles. Eu precisava ir explicar-lhes o que aconteceu. Suspirei.

-Eu preciso ir, - falei finalmente, fitando principalmente Carlisle e Edward. – a muito o que resolver...

-Bella... – Edward pegou minha mão, seu olhar era suplicante. – Você ficou muito nervosa, ficou desacordada por quase uma hora, passou a noite inteira em claro. Você precisa descansar.

Me levantei, e desta vez, ninguém fez objeção. Sentei-me no sofá e fitei Edward.

-Pensei que quisesse conhecer sua filha.

-E quero! – garantiu-me ele. – Mas você não precisa resolver nada agora. Descanse primeiro, coma alguma coisa, deixe seu emocional se acalmar e depois você conversa com nossa filha.

-Edward tem razão Bella. – Carlisle se manifestou. – Seu corpo não vai agüentar se você continuar nesse ritmo pesado.

-Ângela e Ben devem estar esperando por notícias e explicações. – esclareci meus motivos. – E quanto antes eu resolver isso, melhor será.

-Ben ligou aqui, querendo saber de você. – Tranqüilizou Esme. – Nós dissemos que você estava bem, mas, por estar muito nervosa, não se sentiu em condições de dirigir e nós a convencemos a dormir por aqui. Se você aparecer lá agora, aí sim irá preocupá-los.

Esme estava certa, mas ainda sim, eu precisava me preparar, eu precisava pensar no que iria dizer a Rennesmee e como.

-Mesmo assim... – joguei meus pés para fora do sofá para levantar. – Preciso ir... – assim que levantei meu corpo não agüentou o próprio peso e eu comecei a cair mas os braços fortes de Edward me seguraram.

-Você não consegue nem parar em pé, Bella. – repreendeu-me ele. – Você vai descansar mais um pouco e depois comer alguma coisa, aí sim poderá sair daqui. – ele começou a me levar escada a cima.

Eu não protestei, na verdade, não consegui protestar. O tom com o qual ele me repreendera era idêntico ao que usava a aos atrás. O mesmo tom de desapontamento misturado com preocupação, como se estivesse preocupado com meu estado e desapontado por eu não me cuidar. Doeu e ao mesmo tempo foi bom... Por uma fração de segundos, eu me permeti voltar no tempo. Me permiti ser ingênua novamente, e acreditar, que Edward me amava verdadeiramente, que Edward se importava comigo, que Edward e eu seriamos felizes por toda a eternidade.

Encostei minha cabeça em seu peito e fechei meus olhos, só agora eu sentia o cansaço me abater, tudo aquilo havia sido demais para mim.

Edward me carregava facilmente e me apertava contra seu corpo, como se eu fosse fugir a qualquer momento, eu deveria protestar, deveria mandá-lo me soltar, mas eu não queria.

No fundo, depois de tudo que passei, eu ainda amava aquele vampiro com todas as minhas forças e esse amor, por mais que eu quisesse, jamais cessaria, talvez nem quando a morte enfim, me desse o descanso eterno.

Ele me colocou sobre algo macio então eu me forcei a abrir os olhos; estávamos em seu quarto, na cama que ele havia mandado Alice colocar lá para os dias em que eu dormisse lá, anos atrás.

-Como se sente? – ele perguntou ansioso enquanto puxava as cobertas para me aquecer.

-Já disse que estou bem... – menti, percebi que Edward não acreditara em mim, na verdade, nem eu mesma havia acreditado.

Ele se limitou a dar um suspiro e me embalou com as cobertas.

-O que aconteceu comigo? – perguntei, me lembrando em fim, que eu havia desmaiado.

-Carlisle disse que você passou por experiências muito fortes e isso fez com que suas pressão baixasse. – explicou ele enquanto se deitava ao meu lado e apoiava a cabeça em seu próprio braço, ficando de frente para mim. – Claro que o fato de você não comer nada desde o almoço de ontem ajudou bastante... – Seu tom era ligeiramente irritado e muito reprovador.

Eu pensei em lhe explicar que não havia jantado por conta de um enjôo que tive, mas achei que levantar essa questão naquela hora não ajudaria de nada, por isso me limitei a concordar com a cabeça e fechar meus olhos.

-Durma bem... – sussurrou ele em meu ouvido.

-Eu não vou conseguir dormir até falar com ela... – expliquei sussurrando também.

-Tente... – pediu ele com os lábios muito próximos da minha orelha. – Você precisa descansar... – então ele começou a cantar baixinho a canção de ninar de Rennesmee, a minha antiga canção de ninar; e eu adormeci, embalada em seus braços, ao som de sua voz angelical, como fazia nos velhos tempos.

Eu acordei com a claridade já invadindo boa parte do quarto de Edward, o mesmo estava parado em frente a janela, perdido em seus próprios pensamentos, nem mesmo percebeu que eu havia acordado.

Sentei-me na cama, olhei em volta e achei meus pertences em cima da mesinha de cabeceira; peguei meu elásticos e prendi meu cabelo em um coque sem desviar os olhos de Edward, esperando que o mesmo me percebesse. Nada. Ele continuava absorvido por seus pensamentos. Coloquei todas as minhas jóias que estavam em cima da mesa também, provavelmente, Edward as havia tirado quando adormeci.

Assim que coloquei o relógio verifiquei a hora. Sete e meia da manhã.

-Nossa! – soltei sem querer atraindo finalmente a atenção de Edward.

Ele se virou e me encarou, inicialmente surpreso, mas logo sorriu e se aproximou.

-Como se sente? – perguntou-me gentilmente.

-Bem... – respondi simplesmente, eu evitei pensar em como seria meu dia agora, sabia que me traria mais dor de cabeça se o fizesse.

-Ainda é cedo... – Edward acariciou meu rosto delicadamente. – Pode dormir mais um pouco se quiser.

-Não... – neguei com a cabeça suspirando. – Quanto mais cedo resolver isso, melhor será.

-Vai dar tudo certo... – ele sorriu, mas seu sorriso não chegou em seu olhar, ele também estava apavorado.

-Melhor eu ir... – fiz menção de me levantar da cama e Edward ajudou-me.

Descemos juntos e silenciosos para a sala. Todos os Cullen estavam lá, igualmente quietos, sentados no sofá, como se estivessem a nos esperar.

-Bom dia, Bella! – Alice me cumprimentou sorrindo.

-Bom dia! – cumprimentaram os demais.

Eu não estava com cabeça para muita coisa por isso apenas acenei com a cabeça.

-Fizemos um café da manhã para você. – Esme falou maternalmente e se aproximou. – Venha, você precisa se alimentar. – ela me conduziu até a cozinha. Eu não objetei.

Carlisle e Edward nos seguiram, todos nos sentamos à mesa.

-Fique a vontade, querida. – Esme sorriu. – Coma o quanto e o que quiser.

Fitei a mesa por um instante e sorri de volta para Esme.

-Obrigada, mas aqui há comida para umas vinte pessoas.

Os três vampiros a minha frente se limitaram a sorrir. Edward me serviu de um pouco de suco. Comi em silêncio, e ninguém nada disse também. Por mais que todos sorrissem, era nítida a tensão que pairava ali.

Acabei meu café rapidamente, não estava com muita vontade de comer.

Acabei de me arrumar e fiz menção de ir embora quando alguém finalmente disse algo.

-Bella, - Carlisle se aproximou. – Você não está em condições de dirigir ainda, talvez eu deva levá-la embora. – ofereceu-se.

-Não precisa, pai. – Edward colocou a mão em meu ombro. – Eu mesmo a levo.

-Não sei se seria bom, filho. – Carlisle insistiu. – Bella ainda não falou com a... – ele parou e se virou para mim.

-Qual é o nome da minha neta? – perguntou-me radiante.

É verdade. Tirando Alice e Rosalie ninguém sabia ainda o nome da minha pequena.

Rapidamente, todos os Cullen estavam a minha volta, ansiosos por minha resposta. Fiquei sem graça. Quando escolhi o nome de Rennesmee eu me senti tão confiante, agora eu já não sabia mais se havia sido uma boa escolha. E se Esme e Carlisle não gostassem? Senti minhas bochechas corarem e fitei o chão.

-Bella, eles vão amar! – incentivou, Alice. – Conte a eles!

Continuei em silêncio, ainda fitando meus próprios pés.

-E então? – insistiu Edward. – Qual o nome da minha filha?

Respirei bem fundo e fitei todos os Cullen. Reunindo uma coragem que eu não tinha, eu disse:

-Rennesmee Carlie Swan.

Imediatamente, o rosto de todos os Cullen, com exceção de Emmett, se iluminaram.

-Bella... – Esme tapou a boca e soluçou. Em seguida me envolveu em um poderoso abraço. – Obrigada, querida, obrigada.

Abri um leve sorriso.

-Não há de que. – assim que ela me soltou Carlisle me abraçou.

-Não acredito que você fez isso, Bella... Obrigado, muito obrigado.

Eu me limitei a sorrir, assim que Carlisle me soltou, Edward me agarrou, me abraçou com força. Apertado.

-Não sei o que te dizer, Bella. Você não existe, minha Bella. – Edward estava com uma voz embargada, visivelmente emocionado.

Eu pensei em protestar por ele ter me chamado de "minha Bella", mas acabei por deixar quieto, apenas correspondi o abraço.

-Ei... – manifestou-se Emmett, enquanto Edward e eu nos separávamos – Rennesmee Carlie é a junção de Renné com Esme e Carlisle com Charlie! – Emmett parecia surpreso com a própria dedução. –Que legal! – animou-se ele.

Todos nós acabamos por rir; me despedi de todos e Carlisle insistiu em me levar, argumentando que se Edward estivesse próximo de Rennesmee, não conseguiria se controlar e iria procurá-la.

Quando já estávamos em meu carro, Carlisle na direção e eu no passageiro, recostei minha cabeça no encosto e coloquei-me a pensar no que diria a Nessie.

-Bella? – Carlisle chamou minha atenção.

Virei o rosto para encará-lo.

-Sim?

-Agora que Edward não pode mais nos ouvir, eu queria falar com você. – explicou ele.

Fiquei confusa, o que Carlisle queria? Senti minha testa se enrugar.

-Pode falar... – incentivei-o.

Abruptamente, Carlisle parou o carro no meio da estrada. E virou o corpo para me encarar. Isso me deixou nervosa, não que eu acreditasse que ele fosse me fazer mal, mas algo estava errado ali.

-O que foi, Carlisle? – o nervosismo foi tomando cada célula do meu corpo.

-Sei que não é hora para importuná-la, mas quero falar sobre seu desmaio. – Carlisle falou cautelosamente cada palavra.

Fiquei mais confusa e mais nervosa, ele já não havia dito que minha pressão havia baixado? Por que insistir nisso? Qual era a grande preocupação?

-Qual era o problema, Carlisle? Eu estava nervosa, era só isso. – tentei manter minha voz calma, mas algo dentro de mim me dizia que não era apenas isso. Meu estomago embrulhou.

-Bella... – Carlisle começou, ainda receoso, estudou-me por alguns segundos e continuou. – Estou preocupado com esse seu desmaio... – explicou ele.

-Não há com que se preocupar, - cortei-o. – eu estou bem, era apenas nervoso.

-Bella, você precisa entender que depois de todas essas descobertas, eu estou preocupado. Você e Edward voltaram a se envolver. – Carlisle parecia nervoso e começou a despejar um monte de coisas em minha cabeça. – Eu estou preocupado com... com... – ele não conseguia terminar a frase.

-Fale de uma vez Carlisle... – pedi, impaciente já. Algo estava errado, senti o suor começar a escorrer pelo meu rosto.

-Bella... – Carlisle estava tão tenso quanto eu. – Eu deduzo que você e Edward não tem se protegido durante esse mês que passou, afinal, não acredito que você tenha pedido à Edward para vocês se protegerem. Portanto, como está seu ciclo menstrual? – Carlisle falou tão rapidamente que precisei de alguns minutos para entender o que ele havia dito.

Falta de proteção. Desmaios. Enjôos. Edward. Ciclo menstrual.... Então a ficha caiu.

Fiquei estática. Carlisle não poderia estar falando sério, poderia? Será? Será que ele estaria certo?

Senti meu corpo ficar gelado, minha cor sumir, o ar fugir de meus pulmões. O pânico me tomou, eu não podia estar grávida de novo, simplesmente, não podia! Eu não tenho certeza se conseguiria sustentar duas crianças, e como Rennesmee reagiria?

-Bella? – Carlisle chamou-me, me lembrando que o mesmo estava ali e aguardava ancioso uma resposta. Então forcei-me a me lembrar exatamente quanto fora minha última menstruação.

O pavor me tomou com minha constatação.

-Ah meu Deus... – sussurrei em pânico, coloquei levemente a mão sobre a boca ao mesmo tempo que senti as lágrimas chegarem. – Minha... Minha menstruação está atrasada à dez dias...


IIIIIIIIIIIIIh será que a Bella ta grávida de novo?? *.*

Espero que estejam gostando ;D Estou dando o meu melhor!

Beijos,

Marry.*