Uma segunda chance

Capítulo 37 – Uma segunda chance

Ele estava num túnel.

Sentia dor e sabia, pelo cheiro, que estava deixando um rastro de sangue por onde passava.

Mas ele continuou andando em direção às vozes que ouvia.

Tinha a sensação que era o lugar certo a ir.

E quando chegou ao final do túnel uma forte luz o cegou por alguns instantes. E quando seus olhos se acostumaram com a claridade, ele finalmente pôde ver.

Estava numa floresta.

A floresta de Beacon Hills.

Mas ao contrário do clima bucólico que ela sempre tivera, ela estava linda.

Ele nunca tinha visto a grama tão verde daquele jeito. O sol batia nas folhas das árvores formando novas cores. Pássaros cantavam alegremente.

Era o paraíso.

- É lindo, não é? – uma voz conhecida comentou e ele virou surpreso.

Lá estava ele, exatamente do jeito que ele lembrava com seu cabelo loiro meticulosamente arrumado e seu sorriso sedutor.

- Mark – Peter disse sem realmente acreditar que o outro estava lá – É você – ele falou emocionado ao abraçar o mais velho – Senti tanto a sua falta.

- Sim, sou eu. Também senti sua falta, pequeno – ele devolveu o abraço.

Era tão bom. Ele se sentia tão bem naqueles braços. Sentia-se seguro. Até a dor parecia menor.

Foi quando ele ouviu um barulho vindo do arbusto mais próximo.

- Buuu – Charlie gritou quando pulou em sua perna na tentativa de assustá-lo.

Ele se abaixou para vê-lo melhor.

Tinha medo de que fosse como a última vez que achava que o tinha visto. Temia que ele sumisse ou o visse novamente preso no carro gritando por socorro.

- Não chore, papai – Charlie falou ao enxugar seu rosto. Ele nem sabia quando tinha começado a chorar.

Ele podia sentir a mãozinha quente em seu rosto. Ele era real.

Colocou sua mão em cima da do pequeno e sorriu.

- Eu te amo – ele falou ao passar os dedos pelos cachinhos do filho e o puxar para um abraço.

Ele estava finalmente em paz.

- E a minha irmãzinha? – Charlie perguntou ao olhar para o pai.

Ele poderia passar horas olhando para aqueles olhinhos azuis inocentes do filho.

- Irmãzinha? – ele repetiu sem saber do que o garoto falava.

E foi aí que tudo veio à mente.

Sua segunda gestação. A alegria quando viu a primeira foto do bebê no ultrassom. O alívio quando viu o exame que confirmava de que era de John.

Sentiu o peito apertar quando se lembrou de John.

Ele o amava também.

Sem graça ele olhou para Mark, e viu em seu rosto que ele sabia o que ele tinha feito.

- Sinto muito. Eu nunca quis – ele começou a se justificar, mas o outro o interrompeu.

- Você não fez nada errado – ele o acalmou – Foi uma boa escolha. Ele é um homem bom – Mark se sentou no chão com os dois e passou seu braço nos ombros do mais novo.

- Ele me machucou – Peter falou e baixou os olhos.

- Ele te ama – Mark rebateu e acariciou seus cabelos.

- Era o que o Martin dizia também – Peter comentou encarando-o.

- Talvez ele realmente o amasse além de toda aquela obsessão.

E isso, apesar de tudo, acalmou seu coração. Não queria sentir ódio do irmão.

Peter deitou a cabeça no ombro do outro. Como sentiu falta daquilo.

- Ele está aqui também? – Peter quis se certificar.

- Não, ele está perdido – Mark respondeu depois de um tempo.

E aquilo deixou Peter angustiado.

- Espero que ele se encontre – Peter falou por fim.

- Ela está chorando – Charlie falou ao olhar para o lado e Peter tentou prestar atenção.

E realmente tinha um barulho ao longe que parecia um choro baixo.

- Ela sente a sua falta – Mark comentou e Peter se sentiu dividido. Não queria deixa-los aqui, mas também não queria deixa-la lá.

E não era só ela. Tinha os seus filhos Derek e Isaac. Eram grandes, mas sabia que sentiriam a sua falta. E tinha Jackson que também era muito ligado a ele, por mais que nunca admitisse. Fora os outros adolescentes.

E tinha John.

John que fora o seu primeiro amigo e que o ajudou quando ele adotou os garotos, e por quem depois se apaixonou. E quem teve sua vida colocada de cabeça para baixo por tentar ajuda-lo.

E até mesmo Chris. Ele era pentelho, teimoso e rude. Mas foi o único pai que ele teve, e ele se importava.

- Você sabe o que tem a fazer – Mark falou e Peter ainda parecia indeciso.

Mark se afastou e encostou dois dedos em Peter. E Peter sentiu um choque onde eles o tocaram.

- Mas é difícil – Peter retrucou e tentou afastar as mãos do outro que vinham em sua direção novamente.

E outra vez um choque.

- Nada que vale a pena é fácil – o outro comentou.

E outra vez um choque.

E Peter pôde sentir toda a dor do começo novamente.

- Mas não quero deixar vocês – ele sentiu as lágrimas descendo pelo seu rosto.

- Nós estamos o tempo todo com você – Mark disse e colocou a mão no peito – Bem aqui – ele sorriu e enxugou as lágrimas de Peter.

- Amo você, papai. Dê um beijinho na minha irmãzinha por mim – Charlie falou e deu um beijo no rosto de Peter.

Ele sentiu outro choque e a luz o cegou novamente.

- Ele está respondendo! – um gritou.

Ele tentou piscar para se acostumar à luz, mas era muito brilhante. Fechou os olhos com força. Estava com dor de cabeça.

- Cheque a pulsação – outro falou.

- Pulsação normal – uma voz feminina respondeu.

Sentia fortes dores no abdômen e não pôde deixar de gemer.

Alguém forçou seus olhos abertos e uma luz forte o cegou novamente.

- Está me ouvindo? – a pessoa lhe perguntou e ele balançou a cabeça – Sabe me dizer o seu nome?

- Peter – ele respondeu com uma voz um tanto débil. Por que sua voz estava tão fraca?

- Como está se sentindo, Peter? – a voz lhe perguntou, mas ele não queria responder. Estava cansado – Não dorme, não – a voz ralhou com ele, fazendo-o acordar.

- Frio. Muito frio – ele respondeu e foi a última coisa que fez antes de apagar novamente.

Quando acordou novamente estava num quarto desconhecido e um bip ao seu lado era o suficiente para lhe informar que estava no hospital.

Ele tentou levantar, mas sentiu uma forte dor no abdômen. E se deitou novamente fechando os olhos.

Sentiu uma mão em seu rosto e a dor foi embora. Abriu os olhos e viu que era John.

As veias de sua mão estavam pretas. Ele tinha tirado a sua dor.

- Melhor? – ele perguntou e Peter assentiu.

Ele o ajudou a se sentar e assim que o tinha feito, Stiles entrou com os outros adolescentes.

Mas não foi isso que chamou sua atenção.

Ele estava segurando um bebê.

Seu coração disparou. Ele queria vê-la.

E a pequena parecia pressentir essa necessidade, pois começou um pequeno escândalo.

John sentiu a agonia do companheiro com o choro e mais que depressa pegou a pequena dos braços do filho e a levou para Peter.

Foi amor à primeira vista.

Assim que se viram, os dois se acalmaram.

Os batimentos cardíacos de Peter voltaram ao normal e a pequena parou de chorar.

Ele lhe deu um beijo na sua bochecha gorda e ela abriu um sorriso enorme.

Era o primeiro sorriso que ela dava desde que nascera.

- Que milagre! Ele conseguiu fazer a pestinha sorrir – Jackson comentou admirado e ganhou uma cotovelada de Isaac.

- Vê como fala da minha irmã – ele reclamou.

- Mas é verdade. Tudo que ela fez esses dias foi chorar – ele reiterou e alguns concordaram.

- Ela tem um gênio difícil – Isaac concedeu sem graça.

- Ela só estava sentindo falta da mamãe – Stiles falou com uma voz afetada ao sentar no leito ao lado de Peter e fazer caretas para a bebê – O quê? – Stiles perguntou ao ver que Peter o olhava feio.

- Ela sentiu falta do pai, Stiles – Derek o corrigiu – A última coisa que precisamos agora é saber que meu pai, que também é meu tio, e que agora é meu irmão também é a minha mãe. Tudo tem limite – o lobisomem reclamou e todos riram.

- Trouxe seu café – Chris falou ao entrar no quarto. Ele parou quando deu de cara com todos ali e com Peter acordado.

- Obrigado – John falou e pegou o café.

- Você está acordado – o caçador atestou o óbvio.

- Estou – Peter respondeu.

Era claro para todos ali como os dois estavam desconfortáveis com a situação.

- Já escolheu um nome para ela? – Chris tentou puxar assunto e Peter o olhou surpreso.

- Ela ainda não tem nome? – ele perguntou para John.

- Não queria escolher antes de você acordar – John respondeu.

- Ele é meio ruim nesse tipo de coisa – Stiles acrescentou sarcasticamente.

Ela tinha os cabelos claros. Era um loiro meio acobreado. E os olhos azuis como os seus.

Ela lhe lembrava de Laura quando era pequena.

E seu coração se apertou quando não a sentiu ao seu lado.

A pequena pareceu sentir sua inquietação e sorriu novamente.

- Laura – ele falou e podia jurar que a pequena ficou feliz com a escolha do nome. Ela deu uma risada tão gostosa na hora que ninguém teve coragem de propor outro nome.

E foi assim que escolheram o nome de Laura Hale Stilinski.

Quando Peter saiu do hospital, eles voltaram para a Mansão Hale.

John tinha chamado o Sr. Ferdinand para arrumar o assoalho da sala, que tinha ficado marcado com o sangue de Peter, e a casa estava tinindo outra vez.

Lydia fizera questão de deixar a casa à prova de bebês, já que filhotes de lobisomem se desenvolviam muito mais rapidamente que humanos.

Chris obviamente não dera trégua para John e Peter, e depois de muita discussão sobre ele permitir ou não que o filho voltasse com o marido, ele decidiu mudar para a Mansão junto com Allison.

E isso pelo incrível que pareça foi a melhor coisa que aconteceu.

Ele deixou de ser o temperamental caçador quando passou a conviver diariamente com Derek e Peter. E eles finalmente puderam ver o que Allison via no pai. Ele era amável e carinhoso.

Peter estava mais do que feliz em ter finalmente o pai de volta. Chris o ajudava a cuidar da pequena e a manter os adolescentes na linha.

Peter e John estavam sentados perto de uma árvore nas margens do lago enquanto a pequena que tinha aprendido a se transformar num filhote de lobo brincava e pulava.

- O que é isso? – John perguntou inclinando a cabeça para o lado. Não conseguia distinguir a emoção que sentia do outro, mas não gostava da sensação.

- Dúvida – Peter respondeu e outro se aproximou e encostou as suas testas. John parecia desanimado e Peter sentiu isso – Você está melhorando – ele falou e acariciou o rosto do mais velho.

- Isso é amor – John falou ao sentir a emoção do outro.

- Viu? Eu disse que está melhorando– Peter riu e ia beijar o marido, mas foi impedido pelo filhote que pulou no meio dos dois – Laura – Peter lhe chamou a atenção, mas foi ignorado pela menina e recebeu uma lambida no rosto antes do filhote fugir.

Ela sempre fazia isso.

Os repórteres não deram trégua e de tempos em tempos seguiam Peter quando ele ia à cidade levar Laura ao pediatra ou visitar John na delegacia.

Ele era o milagre que deu à luz a uma menina linda, e que sofrera horrores nas mãos da família e do estranho que o atacara no supermercado.

E isso o incomodava.

Por isso, depois de conversar muito com o Dr. Gregory, que tinha recebido de volta sua licença, ele decidiu finalmente colocar um ponto final naquela história horrível e quem sabe tirar algo bom de tudo aquilo.

Adam o ajudou a editar suas anotações e eles lançaram um livro contando toda sua história, salvo a parte dos lobisomens.

- Você ficou louco?! – Chris ralhou com ele quando chegou com uma cópia do livro em casa. Ele não tinha avisado ninguém que lançaria – Se expondo desse jeito – ele esbravejava e gesticulava. Tinha ficado irritado com o jeito que Peter descrevera a ausência e falta de zelo da irmã Thalia.

- Nunca estive tão são – ele se limitou a responder.

E com o tempo até mesmo Chris se acalmou.

O livro foi um sucesso tremendo, e tudo que a mídia ansiava. Histórias sórdidas de uma família problemática.

Mas só aquilo não era o bastante.

E por isso Peter deu toda a sua parte de tudo que herdou dos irmãos para a construção de um abrigo para famílias em situação de risco.

- Eu não quero que outros passem pelo que eu passei – ele falou para John quando estavam deitados no quarto deles.

- É uma ideia maravilhosa – John respondeu e acariciou os cabelos do mais novo que estava deitado em seu peito.

As únicas coisas que restaram foram os bens de Derek e o que ele separou para Isaac. Todo o restante foi usado na obra.

Eles continuaram na Mansão para que todos pudessem morar juntos, mas fora isso não tinham mais nada.

E quando a obra estava pronta, Peter fez uma coletiva de imprensa e informou que todo o lucro do livro seria voltado para a manutenção da clínica que tinha psicólogos e psiquiatras que atenderiam gratuitamente e abrigo para família, crianças e adolescentes em situação de risco.

O pai de Jackson também assessorava a clínica nos casos de pessoas que precisassem de medidas cautelares contra cônjuges ou parentes abusivos. John ajudava mantendo os agressores longe e até mesmo presos.

- Vocês não estão sozinhos. Podemos ajuda-los – Peter disso no final da coletiva e foi ovacionado.

Laura soltou a mão de Stiles que estava no canto do palco e foi correndo na direção do pai que a pegou no colo. Ela estava feliz posando para fotos abraçando o pai.

- Mas o que eu ganho em ajuda-los? – Junior perguntou curioso. Não era nem um pouco inclinado em ajudar sem ganhar algo em troca.

- Quem liga? – Pi falou ao piscar para um repórter gato que estava na primeira fileira.

- Posso ir no colo também? – Pete perguntou esticando os braços para a adolescente.

Peter respirou fundo, acenou e saiu do palco.

- Vamos indo? – John ofereceu sua mão para o mais novo que o olhou incerto.

- Mas eu posso dar meu número para o repórter? – Pi perguntou e John rosnou.

Derek trocou um olhar com Isaac. Pi sempre arrumava confusão com o xerife.

Só faltava causar uma cena na frente de todo mundo.

John aprendeu como se controlar depois de quase três anos, mas Pi o tirava do sério e quem pagava o pau era Peter.

Laura deu um beijo no rosto do pai que pareceu acordar.

Ela era boa em mantê-lo nos eixos.

Ele sorriu para ela e lhe um beijinho de esquimó.

- O que está esperando? – ele perguntou para John e seguiu para o carro.

Os adolescentes suspiraram aliviados quando a confusão foi evitada.

E assim a vida de todos seguiu.

Os adolescentes estavam cursando faculdade numa cidade vizinha à Beacon Hills e ainda eram grudados. Viviam brigando, mas nem quando tiveram a oportunidade de trilhar caminhos diferentes eles se separaram.

E por isso a Mansão vivia cheia e barulhenta na maior parte dos dias.

Laura tinha três anos e meio e era um amor, mas valia por umas dez crianças e adorava aprontar. Ela realmente tinha puxado a Peter, que se via dividido em lhe chamar atenção e entrar na brincadeira.

Ela tentou colocar fogo na clínica de Deaton quando ficou um dia de castigo lá.

John brigou com ela quando a buscou e pagou a franquia do seguro. Por sorte ninguém se machucou. Mas Peter só ria quando ouviu o que tinha acontecido. Quando chegou em casa, John percebeu que não era Peter, e sim Pete que achou hilário que o veterinário caiu nessa pela segunda vez.

Chris virou um avô babão e adorava registrar tudo que a pequena fazia. Foi ele quem viu seus olhos brilhando um vermelho intenso pela primeira vez.

Peter estava encostado em John que o abraçava enquanto viam a filha pulando e brincando com Jackson e Isaac na frente da casa.

- Quero outro – Peter falou.

Tinha falado baixo, mas John tinha escutado.

E ficou feliz. Por mais que se dessem bem, e houvesse amor e um carinho extremo entre eles, não houve qualquer contato mais íntimo depois que a pequena nascera. Nem mesmo durante o cio dos dois.

Tinha sido uma tortura, mas ele respeitava a distância que Peter impusera. Ele tinha quebrado sua confiança e Peter tinha passado por muita coisa. Era um milagre que ainda quisesse algo assim.

- Tem certeza? – John perguntou, fazendo o mais novo o olhar e sorrir.

Ele sorriu de volta e beijou o mais novo. Com relutância ele se afastou, e Peter se aconchegou novamente em seu peito. Teriam tempo para mais.

Eles viram um carro se aproximando da casa e todos ficaram tensos. Era um lobisomem.

John cheirou o ar. Era fêmea.

- Com licença – ela disse ao sair do carro e ir na direção de Peter e John – Você é Peter? – ela perguntou.

- Sim – ele respondeu e seus olhos brilharam azuis.

- Eu sou Cora – ela se apresentou e seus olhos brilharam amarelos.

Ela estava dizendo a verdade.

- Eu li o seu livro – ela falou – Sinto muito por tudo isso.

Ela não precisava nem se apresentar. Era parecida demais com Thalia.

- Quem é ela, pai? – Isaac perguntou ao se aproximar.

Ela o olhou surpresa. Mirava seus cachos dourados abismada.

- Esse é o meu filho Isaac – Peter o apresentou e ela relaxou. Não era quem ela tinha pensado – E isso é o Jackson – ele apontou para o lobisomem de olhos azuis brilhantes.

- E eu sou a Laura – a pequena veio correndo e brilhou seus olhos vermelhos para a prima recém-chegada.

Ela se abaixou e ficou maravilhada com a menina. Lembrava sua irmã.

- Você vai ficar? – ela perguntou quando Cora tocou seus cachos ruivos.

- Claro que vai – John falou finalmente – Se você for embora sem o seu pai te ver, ele vai me torrar o resto da vida – ele comentou e Cora o olhou surpresa.

- Venha, o resto do pessoal está lá dentro. Eu te apresento todo mundo – Isaac se prontificou e a levou pela mão.

Eles viram quando suas bochechas coraram ao olhar para Isaac.

E finalmente a família estava completa e Isaac achou sua cara metade.

Cora era mal-humorada como Derek, mas se derretia com a meiguice do beta.

Chris não parava de babar na caçula, e Allison gostou da ideia de ter uma irmã mais nova. Agora pelo menos estava livre da marcação cerrada do pai.

Cora passou a morar na Mansão também e tudo foi se ajeitando.

Peter ainda tinha alguns problemas com os álteres e com as aparições de Martin, mas não tinha mais crises. A terapia que fazia com o Dr. Gregory três vezes por semana ajudava imensamente.

Ele nunca ficaria livre deles, mas sabia lidar e isso melhorava sua qualidade de vida exponencialmente.

John estava indo muito bem no serviço e usava suas habilidades para ajuda-lo nos interrogatórios. Ele e Adam tinham se tornado grandes amigos, mesmo que ele ainda morresse de ciúmes dele com Peter.

Isaac e Cora estavam namorando e o beta parecia nas nuvens. E pelo incrível que pareça, Chris não pegava tanto no seu pé quanto pegava no pé de Scott. Ele realmente gostava de Isaac.

Jackson e Lydia foram convidados para serem padrinhos de Laura, o que deixou Jackson todo bobo. Ele adorava crianças e não via a hora de ter seus filhotes com sua amada. Lydia não tinha a mínima intenção de ter filhos, mas achou melhor não comentar nada. Eles sempre poderiam adotar.

Allison e Scott finalmente decidiram noivar, depois de Chris sugerir educadamente à Scott para parar de enrolar sua filha após apontar uma arma em sua testa.

E Derek e Stiles estavam muito bem. Bem até demais.

- Como foi seu dia hoje, filho? – Chris perguntou para Derek que engasgou com a comida, o que chamou atenção de todos já que dificilmente viam o lobisomem nervoso ou cometendo alguma gafe.

- Ótimo, pai – ele tinha passado a chamar Chris assim também.

- Está mentindo – todos os lobisomens disseram ao mesmo tempo.

Morar com uma alcateia podia ter suas desvantagens.

- Derek – Chris chamou sua atenção – Você quer nos contar alguma coisa?

Ele abriu a boca, mas não saía nada. Ele tentou de novo e nada. Estava parecendo um peixe fora d'água já.

- Desembucha, pelo amor de Deus – Stiles pediu preocupado.

- Estou grávido – Derek respondeu na lata.

Ele ficou tenso quando Stiles começou a rir.

- Boa – ele falou – Por um segundo eu quase acreditei.

- Eu não estou brincando – o lobisomem disse. Parecia triste.

E a ficha pareceu cair para o humano.

- Você não está brincando – ele falou e Derek assentiu – Eu vou ser pai – ele falou e aquilo soava tão estranho aos seus ouvidos – Acho que vou desmaiar – ele disse ao se levantar da mesa.

Cercado de lobisomens e um caçador. O caçador que era pai do seu namorado.

Estava difícil de respirar. Ele precisava sair dali.

Ele deu três passos e caiu.

- Acho que ele reagiu bem – Jackson comentou ao olhar para o humano no chão e continuar a comer.

- Não poderia concordar mais – Isaac falou e os dois riram.

E assim quando as coisas entraram nos eixos, elas saíram novamente. Mas isso já é uma outra história.

Fim?