Disclaimer: Os personagens da fanfic pertencem a Masashi Kishimoto, a trama, no entanto, me pertence.

Warnings: linguagem chula, violência, mortes, tortura, cenas explícitas de sexo homossexual e relações incestuosas.


N/A: Oie leitores! Cheguei!

E de capa nova! Yay! Ah, vocês sabem que eu odeio ficar muito tempo com a mesma capa, e a capa anterior estava muito feliz pro momento atual da fanfic. Espero que tenham gostado!

Eu pulei a atualização da minha outra fanfic pra atualizar Haunted, então se sintam honrados por isso! Deve ter bastante gente brava comigo, mas o que posso fazer? Eu estava inspirada pra Haunted, e resolvi utilizar essa inspiração!

Como de costume, capítulo não betado, perdoem erros! E podem pontuá-los em review sem nenhum problema.

Um beijão, boa leitura a todos! :3


HAUNTED

Capítulo XXXVII

— Lar doce lar! — Naruto exclamou, atirando a chave em cima da mesinha de centro e se jogando com tudo no sofá, suspirando fundo e apreciando a sensação maravilhosa de voltar para casa depois de uma viagem.

Kakashi entrou logo atrás do loiro, mantendo a porta aberta para que Itachi adentrasse o recinto. Examinando o ambiente com um olhar crítico, o Uchiha acompanhou os passos dos amigos, entrando na sala e dando espaço para que Kakashi trancasse a porta.

Itachi conhecia o apartamento de Naruto e Kakashi. Durante sua época de espionagem, algumas vezes ele chegou a seguir Sasuke até esse apartamento, e portanto ele não era um ambiente desconhecido. Ainda sim, Itachi só havia visualizado alguns pontos da casa pela janela e sacada, não tinha entrado no interior dos quartos. Essa nova perspectiva era curiosa e inovadora.

O apartamento tinha traços de Naruto, Kakashi, e até mesmo Sasuke. Alguns móveis mais extravagantes, como o abajur laranja com detalhes em vermelho que estava na mesinha do telefone, com toda certeza era algo que Naruto havia comprado; já a cadeira de balanço com um criado mudo abarrotado de cadernetas era, sem sombra de dúvidas, o ponto principal da personalidade de Kakashi naquele cômodo; Sasuke, que tinha uma personalidade mais comedida se comparada à dos outros dois, também poderia se ver presente em detalhes simples, como na organização em ordem alfabética dos DVDs da estante de televisão e a maneira como os quadros estavam perfeitamente encaixados na parede, com a mesma distância um do outro e o mesmo estilo de moldura.

Não havia como negar: a casa em questão era dos três, não era apenas de Kakashi e Naruto, por mais que Sasuke se negasse a considerar isso. Na verdade, Itachi via mais traços de seu amor ali naquele apartamento do que via na própria quitinete onde ele costumava morar.

— Bonito apartamento. — Itachi elogiou em voz alta, e Kakashi soube que seu elogio não tinha nada a ver com a decoração bagunçada e de estilos misturados: Itachi agora era sensível o suficiente para compreender que aquilo sim era um verdadeiro lar, mostrando a personalidade de todos os moradores em sua decoração nada convencional.

— Obrigado. — Kakashi respondeu, enquanto Naruto enfiava os braços entre as frestas das almofadas do sofá em busca do controle-remoto — Me siga Itachi, vou te mostrar os quartos.

O grisalho o guiou até o corredor onde havia quatro portas dispostas: duas à direita, duas à esquerda. Virou-se para o Uchiha e explicou a composição da área de dormitórios.

— A primeira porta da esquerda é o banheiro social, já que apenas um dos quartos é uma suíte; o meu, é claro. Este daqui — Kakashi apontou para a última porta à direita — é o meu quarto, e ultimamente eu e Naruto estamos dormindo juntos ali, apesar de ele manter as coisas dele no seu quarto de costume, que é aquele ao final. — apontou para a última porta a esquerda.

Kakashi abriu a primeira porta à direta, quarto que ele não tinha apresentado até então, acendeu à luz e puxou Itachi para dentro.

— Esse é o quarto de hospedes.

Quarto de hóspedes o escambau... — Itachi não pode deixar de pensar, sentindo o cheiro de Sasuke ("cheiro do moleque", como Madara costumava denominar) no ambiente de forma ainda bastante marcante, apesar do garoto não botar os pés ali há mais de seis meses.

— Esse é o quarto do Sasuke. — ele murmurou, dando um passo à frente e colocando suas mãos na cama de solteiro, sentindo a textura da colcha azul e percebendo que curiosamente era feita de tecidos de patchwork.

Sasuke gostar de algo assim era algo que ele jamais iria atribuir como uma característica do Uchiha mais novo; não condizia muito com a maneira séria da sua personalidade.

— É, é sim, mas ele odeia que eu diga isso. Ele não gosta de pensar que essa casa é a casa dele também, por causa de todos os traumas que ele possui. Mas é claro que ninguém mais dorme aqui se não ele, portanto é o quarto dele. — Kakashi falou tranquilamente, observando a curiosidade de Itachi com olhares analíticos — Essa colcha foi sua mãe que fez pra ele quando ele era menino... É por isso que Sasuke ainda usa.

Está explicado. — ele concluiu, observando os detalhes minuciosos na costura. Sua mãe deveria ter sido uma mulher muito prendada e Sasuke obviamente tinha orgulho de seu talento.

Tentando evitar a dor súbita que atingiu seu coração ao pensar em Mikoto, Itachi analisou cada detalhe da mobília, tendo a impressão de que todos os objetos exibiam o nome "Sasuke" estampado em tinta transparente. O estilo clássico dos móveis, a predominância do azul e preto, a maneira como tudo estava impecavelmente arrumado, a ausência de espelhos...

Sim, definitivamente esse é o quarto de Sasuke.

— Mas é claro que esse é o quarto do Teme. — Naruto declarou ao entrar no cômodo junto com os demais, provavelmente havia desistido de procurar o controle-remoto — Todos os produtos de menininha que ele usa estão em cima da estante, olhe lá!

Itachi riu baixinho e aproximou-se da estante, encontrando os "produtos de menininha". Naruto se referia ao gel de cabelo que Sasuke constantemente utilizava, um shampoo e condicionador (que provavelmente deveriam ser caros, e por isso ele não deixava no banheiro de uso conjunto), seus perfumes preferidos e um desodorante. Não era nada além do normal para um homem, já que Sasuke não era vaidoso o suficiente para usar cremes, filtro solar e outras coisas geralmente consideradas "produtos de menininha", mas Itachi sabia que Naruto encontraria qualquer motivo para tirar sarro do Uchiha.

Ele abriu os vidros e sentiu o cheiro, se dando conta de que algumas vezes chegou a sentir aquelas fragrâncias em Sasuke; todavia, o cheiro que sempre associou ao seu amor não era nenhum deles. Itachi gostava e se lembrava principalmente do cheiro natural do Uchiha caçula, e era esse mesmo perfume que predominava no ambiente e o deixava tão nostálgico.

— Itachi. — Kakashi o chamou, o Uchiha virou o pescoço para encará-lo — Você não precisa dormir aqui se não se sentir confortável.

— É Lulu, você pode dormir no meu quarto. — Naruto entreviu, passando o braço ao redor de Kakashi e olhando para o visitante com ares amigáveis — Eu acho meu quarto muito mais agradável do que esse mini dormitório de quartel que o Sasuke chama de quarto.

— Naruto, seu quarto é uma zona. — Kakashi respondeu, arrancando um olhar indignado do loiro.

— Não é não! Ele é aconchegante!

— Obrigado pela oferta, mas não vou arriscar dormir na sua cama Naruto. — Itachi respondeu, cruzando os braços e sorrindo desafiadoramente — Vai que esse seu jeito besta é contagioso e a cama é um foco de proliferação do vírus da burrice.

— Oh, que bom pra mim! — Naruto respondeu, um pouco irritado, sentindo as orelhas esquentarem — Assim não tenho risco de encontrar manchas de menstruação no meu lençol amanhã! Já tomou sua pílula anticoncepcional hoje, demônio Uchiha?

Itachi girou os olhos enquanto Kakashi tentava disfarçar a risada com uma crise de tosse.

Definitivamente esses dois babacas se merecem.

— Mas falando sério Itachi, — o mais velho se pronunciou assim que teve o controle sobre a sua risada impertinente — se quiser dormir na sala, ou até mesmo no quarto do Naruto, sinta-se a vontade. Você não precisa se martirizar dormindo no quarto de Sasuke, o mais importante é que você descanse bem, porque precisa estar relaxado pra amanhã. A viagem vai ser longa.

— Não se preocupe comigo. — o Uchiha respondeu, colocando sua sacola de roupas em cima da cama — Eu sinto falta de dormir junto com Sasuke, esse ambiente vai me fazer bem. Eu quero dormir aqui.

— Ok, se você prefere assim... — Kakashi respondeu, olhando para Naruto um pouco incerto.

O loiro retribuiu seu olhar receoso, também estava preocupado que Itachi tivesse uma recaída de ânimo ao ficar no quarto de Sasuke. De qualquer forma, o Uchiha não estava mais direcionando sua atenção ao casal e abria sua mochila à procura de algo.

— Naruto e eu vamos fazer o jantar. — Kakashi anunciou, pegando a mão do loiro e puxando-o em direção à porta — Sinta-se a vontade pra cochilar ou tomar um banho, nós vamos te chamar quando ficar pronto.

— Ok... — Itachi respondeu, ainda entretido com suas próprias roupas, provavelmente ansioso para ficar sozinho por alguns instantes.

Assim que Naruto e Kakashi fecharam a porta, Itachi sentou-se na cama, se dando conta de uma das maiores desvantagens desse apartamento: as paredes finas. Talvez nem fosse preciso ter super sentidos para ouvir conversas alheias no cômodo ao lado.

— Não seria melhor se a gente tivesse o chamado pra cozinhar também? — Naruto falou para Kakashi, seu tom de voz baixo, mas ainda sim perfeitamente compreensível para o Uchiha — Talvez seja melhor socializar com ele.

— Não Naruto, Itachi já está há muito tempo com companhias a todo instante, ele mal ficava sozinho na hora de dormir. Na única noite que passou sozinho o Sasuke foi "visitá-lo", se é que dá pra chamar o que aconteceu de uma visita. — o psicanalista respondeu suavemente entre um barulho de beijo estalado, os dois provavelmente já estavam namorando enquanto andavam para a cozinha — Eu acho que Itachi precisa de um tempo pra por as ideias no lugar, então vamos dar um tempo pra ele.

Intimamente, o Uchiha sorriu, satisfeito com a conclusão de Kakashi. Ele realmente queria um tempo a sós, não por desgostar da companhia daquelas pessoas, mas porque ele tinha coisas para fazer, coisas que só podia fazer sozinho. Não era algo simples como pensar em Sasuke, ou nos seus objetivos e desejos, muito menos em Izuna e sua diferenciação de personalidade. Ele precisava agir.

Retirou finalmente as roupas que procurava: seu conjunto negro, um pouco surrado e ainda levemente sujo de lama na barra da calça. Vestiu-se com um pouco de dificuldade, decidido a ignorar a dor de suas pernas — muito provavelmente iria se quebrar ainda mais nos próximos dias, então aceitar aquela dor e não deixar que ela o impedisse de agir era algo primordial.

Dentro de cinco minutos, estava perfeitamente vestido com as suas roupas escuras para camuflagem em missões noturnas. Caminhou até a porta do quarto e trancou-a com duas voltas na chave, guardando-a com segurança em seu bolso de zíper. Retirou o seu prendedor dos cabelos, soltando-os e penteando com os dedos, usando o leve reflexo da janela como espelho. Amarrou um novo rabo de cavalo, alto e firme; ele não podia deixar o cabelo preso de qualquer jeito, atrapalharia sua desenvoltura daquela noite.

Havia algo que ele precisava pegar, algo que há muito tempo havia escondido, e agora era a hora de retomá-lo. E, se tudo corresse bem, estaria de volta antes do jantar com Naruto e Kakashi.

Suspirou fundo, passou as mãos tremulas no rosto, e se dirigiu ao parapeito da janela. Fazia tanto tempo que não agia daquela forma, estava até incerto de sua capacidade física para enfrentar à noite, despercebido. Todavia, não era nada altamente complexo de se fazer, e ele daria conta. Tinha que dar conta, já que ele fez muita coisa mais complexa na sua época de glória.

Decidindo que duvidar de si próprio não era uma opção, Itachi se jogou da janela do apartamento em um impulso firme, adentrando a noite da maneira que apenas um Akatsuki era capaz de fazer.

(***)

Quando Itachi chegou ao seu destino final, sentiu suas pernas cederem e caiu no chão da mata, contendo um murmuro de dor e um sibilar de irritação pela sua fraqueza. Manteve a desenvoltura física da melhor forma que pode, mas estava destreinado, estava machucado, e estava apavorado em enfrentar uma investida contra o QG naquelas condições. Contudo, ele não tinha tempo para se preocupar com isso, estava próximo demais de seu objetivo: era hora de descobrir se o acordo foi cumprido ou não.

Itachi conferiu a marca feita no tronco da árvore, se certificando de que ali era o local correto. Em seguida, passou a cavar com as próprias mãos um buraco na terra, logo à frente da marca, procurando o objeto escondido.¹

Depois de uns cinco minutos, Itachi conseguiu sentir algo sólido na ponta de seus dedos, e soube que havia encontrado o que procurava. Retirou a terra do entorno, o suficiente para que conseguisse agarrá-lo com as mãos e puxá-lo para superfície. Minutos depois, estava com o bendito cofre de metal em seu colo.

Respirava fundo, de maneira trêmula. Será que havia dado certo? Será que o acordo ainda estava de pé? Eles nunca mais se falaram a sós, desde... muito tempo. Eles até se encontraram depois disso, mas tiveram que manter a fachada, de tal forma que Itachi nem sabia dizer se era uma fachada mesmo ou uma mentira. Seu último encontro com ele o deixou cheio de dúvidas e, definitivamente, com mais raiva do que o habitual.

Curioso demais para aguardar, Itachi retirou a chave do cofre do bolso e abriu sem mais delongas, utilizando a luz da lua cheia como iluminação. Soltou um leve sibilo de surpresa, pois infelizmente uma maldita armadilha acionada com o girar da chave o acertou e cortou sua mão; ele já devia esperar algo assim dele, mas a ansiedade o fez esquecer-se dessa pequena característica.

Contudo, não se importou nem um pouco com o machucado, nem quando sentiu suas luvas de couro esquentarem com o sangue que escorrida da palma da sua mão. Porque o cofre estava cheio! Cheio de papeis, de informações, de chaves! Repleto de muitas coisas úteis, de tudo que eles precisavam!

— Graças a Deus... — Itachi murmurou ao soltar a respiração, guardando as informações dentro do cofre novamente e trancando-o com cuidado. Guardou a chave em seu bolso e agarrou o cofre com as duas mãos, se permitindo dois segundos de satisfação e soltando um suspiro suave de tranquilidade.

Mas podia acreditar que tinha essa esplêndida carta na manga! A sorte finalmente parecia estar do seu lado! Agora era uma questão de tempo, agora ele tinha mais certeza de que conseguiria cumprir seu objetivo e salvar seu irmão mais novo!

Sasuke, aguarde só mais um pouquinho. Eu vou te tirar do inferno, meu amor.

(***)

— Naruto, pára!

— Mas Kakashi, vai ser bem rápido!

Hatake suspirou em impaciência, tentando mais uma vez arrancar as mãos de Naruto do seu corpo. Só seu namorado mesmo para tentar uma investida sexual na cozinha, enquanto tinham visitas e estavam cozinhando. Deus do céu, Kakashi ainda estava (tentando) lavar a louça, se continuasse assim ele iria quebrar tudo ou se cortar com as facas!

— Não Naruto, mas que coisa! — o grisalho exclamou, frustrado, arrancando a mão de Naruto da sua cintura, sentindo o elástico de sua calça bater contra sua pele com a movimentação — Itachi está há menos de dez metros daqui!

— Ele tá super quieto, ele tá dormindo. Vamos Kakashi, só um pouco! Você não sente minha falta?

— Eu to cozinhando, espera a gente ir pra cama, aqui não é lugar pra fazer isso.

— Poxa Kakashi... Mas eu quero tanto você... — o loiro murmurou no seu ouvido, abraçando-o por trás e deixando bem claro o quanto desejava o grisalho naquele momento. Naruto já estava duro como pedra, e eles ainda nem tinham feito nada!

Esses hormônios de incubus do Naruto estão acabando comigo.

— Não. — ele respondeu, tirando a espuma das mãos e agarrando os braços do mais novo que novamente o prendiam, forçando-os a soltá-lo — Aguarde mais um pouco, depois do jantar a gente vai pra cama, eu prometo.

O loiro não se incomodou em protestar novamente, decidindo que seria melhor convencê-lo de outro jeito: esticou o braço, fechou a torneira, e logo em seguida agarrou os ombros de Kakashi, forçando-o a se virar e beijando seus lábios sem cerimônia alguma.

— Na-... — ele até tentou protestar brevemente, mas o Uzumaki não deu abertura alguma para que reclamações fossem feitas.

Ele beijou com fervor, empurrando-o contra o móvel de granito da pia e esfregando sua virilha de uma maneira nada comedida contra a dele. Kakashi nem teve chances de lutar, e dentro de quarenta segundos já estava rendido contra as investidas de Naruto, retribuindo o beijo, agarrando seu corpo cada vez mais e puxando-o para perto de si, quase sentando no balcão.

Percebendo que havia vencido o argumento, Naruto se afastou um pouco, sem interromper o beijo, puxando o corpo de Kakashi para que ele o seguisse. Às cegas, guiou o mais velho para a sala (que já conhecia muito bem, depois de anos morando no mesmo lugar), e o jogou no sofá enquanto subia acima de seu corpo, exibindo a todo momento o maldito sorriso desafiador.

— Na sala, Kyuubi? — o grisalho protestou, erguendo a sobrancelha e encarando o olhar desafiador do mais novo — Está ousado hein.

— Na verdade não é isso que você está pensando. — Naruto se defendeu, atrapalhando-se um pouco na sua tentativa de abrir o fecho da sua própria calça jeans — Se a gente for pro quarto, Itachi pode acordar. Acredite, eu conheço a leveza do sono do maldito, é mais seguro aqui.

— Sei... — o grisalho respondeu, ainda mantendo o cenho franzido e dando a entender que não acreditou, nem por um momento, nessa desculpa esfarrapada. Contudo, não se negou a corresponder o toque de Naruto, e logo o puxava pela gola para mais um beijo.

Os dois tinham a pretensão de serem rápidos, porque estavam arriscando namorar na sala enquanto não estavam sozinhos em casa. Com os dedos trêmulos de desejo e as bocas coladas em um beijo intenso, se esforçavam para retirar apenas as peças de roupas necessárias para um contato de pele um pouco mais íntimo.

Não era como se Kakashi não gostasse de rapidinhas, só que geralmente quem iniciava esse tipo de investida era Naruto. Hatake costumava gostar de um sexo prolongado, que pudesse ser repetido varias vezes na noite, enquanto Naruto adorava essas rapidinhas em lugares inusitados e tentadores. Talvez fosse resultado da diferença de idade, talvez o Uzumaki pensasse mais em sexo do que ele por conta da idade — ou talvez só fosse naturalmente mais pervertido, vai saber. O fato era que o mais velho perdeu a conta de quantas vezes seu namorado o colocou contra parede em situações constrangedoras, talvez apenas pela adrenalina de fazer sexo com o perigo de serem pegos.

E o pior de tudo isso é que Kakashi estava começando a pegar gosto pela adrenalina.

— Não enrola... — ele murmurou contra os lábios do mais novo, lambendo-os e mordendo enquanto Naruto desajeitadamente abaixava um pouco as próprias calças — Você trouxe o lubrificante?

— Não precisa.

— Mas Naruto...

— Não precisa! — ele interrompeu Kakashi, colocando a mão em seu rosto e olhando-o nos olhos — Eu não quero mais perder tempo amor, quero sentir você...

— Se você fizer isso, vai me sentir durante dias. Não seja estúpido. — Kakashi girou os olhos e levou dois de seus dedos à boca do mais novo — Serei breve, prometo.

Naruto olhou com certa relutância para os dedos, mas ao final cedeu, lambendo-os de qualquer jeito e olhando para o mais velho com urgência. Kakashi cumpriu sua promessa e foi rápido: nem apreciou a visão de Naruto lambendo de maneira obscena seus dedos (algo que, sinceramente, ele gostava muito de fazer) e dois segundos depois já estava abaixando a mão, enfiando-a por trás dentro da roupa de Naruto...

... e foi quando Itachi apareceu em seu campo de visão, debruçando-se sobre o encosto do sofá e olhando para o casal deitado com uma expressão sapeca e curiosa.

Kakashi retraiu sua mão antes mesmo de sentir a pele de Naruto entre seus dedos. Suspirou pesadamente encarou o mais novo com um olhar extremamente irritado, apesar de sua indignação não ser direcionada à ele.

— O que foi? — o Uzumaki questionou, novamente tomando o rosto de Kakashi com as mãos e intencionando beijá-lo, imaginando que ele novamente estava pensando no risco de tentar fazer sexo naquelas condições.

— Olhe para trás, Naruto. — foi Itachi quem respondeu, se divertindo consideravelmente com a situação.

Naruto olhou para trás, visualizou Itachi, estreitou o olhar, e pulou por cima do encosto do sofá, intencionando agarrar o moreno e partir pra briga. Nem se preocupou que acabaria machucando Kakashi com o impulso, e mesmo depois de pisar na barriga do namorado, arrancando-lhe um xingamento de dor, não parou em sua investida contra o Uchiha.

— SEU FILHO DA PUTA! — Naruto gritava, quase fazendo o sofá virar com a movimentação brusca. Itachi simplesmente deu um passo para o lado e conseguiu desviar de seu ataque infrutífero; Naruto caiu de barriga para baixo no chão — SEU EMPATA FODA MALDITO!

— Naruto, não! — rapidamente recuperado, Kakashi se ergueu em um pulo, dando a volta no sofá para segurar o loiro furioso — Sem escândalos! Os vizinhos...

— FODA-SE OS VIZINHOS! — o loiro respondeu, evidentemente furioso com Itachi, ainda encarando-o furiosamente — VOCÊ NÃO PODIA ESPERAR QUINZE MINUTOS UCHIHA BASTARDO? QUINZE!?

Itachi olhava para Naruto e Kakashi sem entender o nível de irritação do mais novo, pois Naruto parecia muito furioso dessa vez. Ele até exibia lagrimas de frustração nos olhos e estava realmente disposto a brigar fisicamente com ele — o que não era algo muito ruim vindo de Naruto, pois Itachi já havia se dado conta de que Naruto agia com impulsividade apenas contra Kakashi e Sasuke, pessoas com quem tinha um vínculo estreito. Se Naruto estava querendo cair no tapa com ele, de certa forma ele se sentia honrado por isso, já que demonstrava que estavam ficando íntimos.

Mas Itachi não pretendia deixar Naruto tão irritado, ele só estava de bom humor e queria provocá-lo um pouco. Lógico que ele iria se retirar para o quarto e deixar os dois a sós logo depois, ele sinceramente não estava esperando esse tipo de reação.

— Desculpe. — ele murmurou, decidindo que o melhor seria se retirar agora e deixar para conversar depois, andando até o quarto e fechando a porta do corredor ao atravessá-la.

Kakashi liberou o corpo de Naruto assim que se certificou que Itachi estava longe, e ele instantaneamente se botou de pé com a intenção de ir atrás do Uchiha e quebrar sua cara. Mas o grisalho o impediu, segurando seu pulso com força.

— Naruto, você tem que parar de ser impulsivo desse jeito.

— ELE-...!

— Ele não devia ter atrapalhado, eu também fiquei irritado, mas nada justifica esse comportamento. — Kakashi o censurou, puxando o braço de Naruto e forçando-o a encará-lo — Que ideia é essa de querer brigar com o Itachi? Você tá louco? O Itachi pode até estar em recuperação, mas ele é mais forte do que nós dois juntos, você sabe disso!

— Não me interessa! Ele esta pedindo por isso!

O Uzumaki rangia os dentes, bastante nervoso com toda a situação. Seria demais pedir um momento de paz com Kakashi? Porra! Ele queria fazer as pazes pra valer! Queria tanto ter Kakashi junto a si mais uma vez, porque...

... porque pode ser a última vez que nós vamos fazer isso nas nossas vidas.

Ignorando a linha de raciocínio do loiro e se preocupando mais com a aparição do Uchiha, Kakashi acariciou o rosto de Naruto, tentando acalmá-lo um pouco.

— Naruto, você não percebeu nada de diferente no Itachi?

— Uhn?

Naruto piscou e olhou para o canto superior esquerdo, tentando se lembrar se havia algo diferente no Itachi, além da sua evidente cara de pau.

Mas isso não é algo diferente...

— As roupas. — Kakashi concluiu — Ele estava com roupas diferentes.

— As roupas negras... — Naruto murmurou, acalmando-se um pouco. Kakashi sentiu segurança em soltar o braço do namorado, que parecia pensativo — Ele saiu sem a gente ver?

— Provavelmente.

— Ele... ele queria falar sobre o que foi fazer?

— Acredito que sim.

— Eu sou um idiota.

Kakashi sorriu e deixou uma risadinha escapar pelo nariz, se abaixando um pouco para dar um selinho em Naruto. Breve, porque ele não iria perder a chance de falar:

— Não podia concordar mais.

Naruto olhou para baixo, um pouco envergonhado, mas logo conseguiu coragem o suficiente para ir atrás de Itachi e pedir desculpas. Retribuiu o beijo de Kakashi brevemente e pediu licença com o olhar. Kakashi concordou com um aceno de cabeça e voltou para a cozinha, enquanto ele caminhou até o quarto de Sasuke, batendo na porta duas vezes antes de abri-la com cautela.

— Posso entrar?

— Não. — foi a resposta imediata de Itachi; seu tom de voz estava evidentemente irritado.

— Estou entrando. — Naruto falou displicentemente, adentrando o cômodo e encontrando o Uchiha sentado na cama com as pernas esticadas, amarrando uma faixa do seu kit de curativo ao redor de sua mão — Você se machucou?

— O que você quer agora, Naruto? — o Uchiha questionou, erguendo a cabeça e mostrando o olhar rubro — Eu dei o tempo que você queria com o Kakashi.

— Eu e o Kakashi podemos esperar. Desculpa pela explosão. Eu acho que estou com medo de morrer nessa ida pro QG e não poder ter um momento com Kakashi antes disso... — o loiro confessou, se sentando ao pé da cama ao ver a expressão de Itachi amaciar um pouco — Mas nós dois teremos a madrugada toda pra ficar juntos.

— Tch. — Itachi fez um barulho e impaciência com a língua, desviando o olhar e permitindo que a coloração escura voltasse a predominar em seu olhar, um pouco mais calmo ao entender o motivo da explosão de Naruto — Não confia em mim mesmo né? Eu não vou deixar vocês morrerem.

Era verdade. Itachi não estava apenas disposto a salvar Sasuke, ele faria de tudo para assegurar a integridade física de Kakashi e Naruto também. Afinal, ele se preocupava com os dois, os considerava seus amigos, e não queria que suas vidas estivessem em risco. Bem verdade, Itachi preferiria adentrar ao QG sozinho e arrancar Sasuke de lá com suas próprias mãos, mas sabia que na prática ele precisaria de ajuda.

Afinal, não é tão simples assim driblar Madara.

— Eu confio em você. Alias, se não confiasse, eu até iria contigo pra lá, mas não deixaria Kakashi ir comigo; eu não o colocaria em risco. — ele respondeu mais do que rapidamente — Acontece que eu sei o quão perigoso aquele lugar pode ser, então é normal sentir um pouco de receio.

Itachi concluiu que o Uzumaki falava a verdade e que era perfeitamente natural se sentir daquela forma. Ele acabara de se sentir pessimismo antes de sair para reaver o cofre, então certamente para pessoas como Kakashi e Naruto invadir uma base com assassinos profissionais não era algo fácil de se fazer. Eles deveriam estar bem preocupados.

Naruto percebeu a mudança de humor de Itachi e logo abriu um sorriso desafiador e tentou dissipar o desconforto do ambiente com piadinhas que apenas ele conseguia fazer.

— Por que você está vestido de metaleiro trevoso, bastardo? — Naruto indagou, cantarolando, do jeito que ele fazia quando ia provocar alguém; mais precisamente, Itachi. — Já sei, foi num festival de Satanic Black Metal adorar todas as suas amigas entidades das trevas, né?

— Não pense que eu não sei que Kakashi te chama de demônio também. — o Uchiha respondeu, cruzando os braços — Não está colando mais esse tipo de piadinha.

Naruto fez um biquinho de frustração e Itachi se sentiu vitorioso por breves instantes, até o loiro ter uma ideia de contra-ataque.

— Acontece que pro Kakashi eu sou um incubus, demônio sexual, não faço mal, muuuuuito pelo contrário! Enquanto você é um demônio malvadeza, da dor, da destruição! Então não estamos no mesmo patamar, Uchiha malvado. — O Uzumaki respondeu, piscando o olho para Itachi e arrancando um sorriso do outro, antes que ele se esforçasse para escondê-lo.

Itachi não ficava mais tão irritado com esse tipo de brincadeira, ele havia se dado conta de que era uma maneira de Naruto e ele se aproximarem como amigos. Mas, ainda sim, ele tinha que rebater, provocar ao ser provocado, até porque ele tinha um orgulho a zelar: jamais confessaria que gostava de brincar assim com Naruto.

— Me diz, o que foi fazer com essas roupas? — o mais novo questionou, adotando o clima sério agora que já havia "feito as pazes" com o Uchiha, à maneira deles — Nós não te vimos sair. Você não pode sair Itachi, e se alguém informar ao Madara e...

— Essas são minhas roupas de missão. — o Uchiha interrompeu, gesticulando para o seu próprio corpo — Elas são negras para se camuflar durante a noite. Eu sei bem como me comportar para não ser visto durante a noite, tenha mais confiança em mim nesse aspecto, eu treinei uma vida toda para agir assim.

Naruto se sentiu um pouco envergonhado por ter se esquecido do que Itachi era capaz de fazer. Para ele, conviver durante tanto tempo com um Itachi em recuperação hospitalar fez com que ele se acostumasse com uma ideia falsa de que o Uchiha em questão era frágil; o que não era verdade. Mesmo não estando forte e saudável como antes, Itachi detinha técnica e era capaz de fazer coisas que Naruto mal poderia sonhar.

— Ok, ok, perdão, eu não estava diminuindo suas habilidades. — o loiro respondeu, entrando um pouco na defensiva — Mas então me diga o que foi fazer.

Itachi abaixou o olhar e Naruto acompanhou seu gesto, reparando pela primeira vez que havia um cofre negro de metal no colo do Uchiha. Não parecia pesado, parecia mais uma caixa fina do que um cofre pois não tinha senha, mas tinha uma abertura para tetrachave, o que o tornava bastante seguro.

— O que tem aí?

Naruto parecia curioso ao analisar o objeto, mas Itachi optou por mostrar ao invés de responder a pergunta com palavras. Retirou a chave de seu bolso, tomando cuidado dessa vez em abrir o cofre com cautela, não deixando sua mão próxima da lâmina que com certeza seria acionada mais uma vez, o que de fato aconteceu: Naruto parou de respirar ao ver a lâmina circundar toda a borda do cofre com o girar da chave, e pareceu compreender o motivo do machucado do Uchiha.

— Kakashi, vem aqui! — Ele gritou enquanto apreciava atentamente o objeto se abrir, revelando muitos papéis e chaves em seu interior.

Em menos de um minuto, Kakashi se juntou aos dois, parando ao lado de Naruto e inspecionando o conteúdo do cofre com cautela, enquanto Itachi agarrava todo o seu conteúdo com a mão não-machucada — não poderia se arriscar a sujar os papéis de sangue.

— O que é isso? — Kakashi perguntou, observando Naruto agarrar um dos papeis e desdobrá-lo de maneira totalmente afobada.

— Itachi... isso é...!

— Escutem o que eu tenho a dizer com relação a isso, porque eu só vou dizer uma vez.

Itachi colocou as pernas para fora da cama e se botou de pé, levando consigo o conteúdo do cofre e espalhando-o sobre a cama; abriu cada papel com cuidado, percebendo que todos tinham um número escrito, formando um quebra-cabeça. Os organizou, seguido a ordem numérica crescente, formando um mapa grande em cima da colcha; ao total, eles deveriam ter utilizado, no mínimo, dez folhas de papel A4 para desenharem aquele mapa. Colocou o molho de chaves no canto e prestou atenção apenas no mapa, por hora.

— Isso — ele disse, apontado para os papéis — É o mapa interno do QG, com todas as suas saídas, passagens restritas, áreas de estudo, laboratórios, e setores que eu jamais sonhei em entrar. E isso — complementou, apontando para as chaves — são as chaves para abrirmos algumas das portas dessas salas.

— Wow... Itachi... Como...? — Naruto iria questionar mil coisas, mas Kakashi o interrompeu antes que ele formulasse a primeira pergunta.

— Você não conhece isso de cabeça? — ele questionou, evidentemente surpreso com tudo aquilo — Achei que você tinha morado sua vida inteira ali!

Itachi cruzou os braços, encarando o grisalho com descrença.

Ele está falando sério?

— Você realmente acha que Madara deixa a gente conhecer o QG todo? — disse, estupefato — Escutem, Madara só deixa a gente circular por 10% do que há no QG. Ele certamente não permite que um simples Akatsuki saiba a localização exata de vários locais do QG como, por exemplo, a central de câmeras.

Naruto e Kakashi analisaram os desenhos e localizações precisas do mapa com Itachi, sendo que esta era a primeira vez que ele via o lugar daquela forma. Passaram vários minutos em silêncio, tentando memorizar cada ponto, sabendo que de nada adiantaria ter acesso ao mapa sem decorá-lo, pois não poderiam abrir toda hora no momento que estivessem lá.

— Precisamos mostrar isso aos outros. — Naruto respondeu, procurando o celular que Sai havia lhe dado no bolso de sua calça.

Itachi subitamente segurou seu braço, se movendo bem mais rápido do que os olhos leigos de Naruto e Kakashi conseguiriam acompanhar. O grisalho tentou conter um sibilo de surpresa, sem sucesso: era a primeira vez que ele via Itachi agir com tamanha rapidez desde o dia que o atacou naquele beco e o deixou desacordado por semanas; nada mais natural do que se sentir ameaçado com aquela movimentação, apesar de as circunstâncias agora não serem as mesmas.

— Não. Não podemos. — Itachi respondeu, olhando com seriedade para os dois colegas — Não podemos confiar totalmente em mercenários.

— Mas Itachi... — Naruto ainda tentou argumentar, contudo o Uchiha parecia irredutível.

— Não sabemos se Madara tem um dedo nessa história, não podemos confiar cegamente em ninguém. Vocês dois, mais do que ninguém, deveriam saber disso!

Fazia sentido, eles não sabiam muita coisa sobre a tal organização onde Sai trabalhava. No fim, aquelas pessoas seriam meros números de combate, eles não podiam saber de tudo que os lideres da missão sabiam.

— Itachi está certo, Naruto. — Kakashi respondeu Naruto com doçura; todavia, logo direcionou um olhar duro e questionador para Itachi, deixando claro que não estava muito feliz com aquelas novas informações — Explique-se. Quem mandou isso? Pois como você mesmo disse, não podemos confiar em todos, e você certamente escondeu isso de mim... Se você foi buscar o mapa e as chaves, era óbvio que já tinha algum combinado sobre o assunto.

Itachi sorriu de canto de boca, evidentemente satisfeito com a resposta de Kakashi. O grisalho, no entanto, ainda não parecia nada contente.

— Eu estou te dando apenas uma chance Uchiha, não a desperdice. Diga a verdade!

Itachi suspirou, sentindo suas pernas voltarem a doer. Andou até a escrivaninha de Sasuke, puxou a cadeira e se sentou, esticando as pernas e gesticulando para que os demais presentes se fizessem confortáveis no quarto.

— Então se sentem, porque a história é longa...

(***)

— Acho que o bar abriu... Como pretende chamar a atenção do Uchiha?

— Isso não é do seu interesse, por que diabos você ainda tá perto de mim?

— Porque Madara não confia mais em você como antes, babaca.

Itachi optou por não responder, tragando fundo em seu cigarro enquanto engatilhava a Desert Eagle e a colocava de volta no bolso da calça; Itachi sempre estava precavido contra adversidades. Sabia que demoraria um pouco pra Sasuke chegar naquele lugar, o seu amigo loiro costumava atrasar muito quando tinham compromisso. Independente disso, gostaria de ficar sozinho o quanto antes, e sua "companhia" poderia muito bem entender o recado e dar o fora.

Ainda não havia planejado exatamente o que iria fazer para atrair a atenção do garoto. Talvez fosse melhor sair assim que desse o horário planejado, comprar uma bebida, tentar chamar sua atenção com um flerte. Ele sabia que provavelmente sua aparência atrairia atenção do pivete, ser parecido fisicamente com Mikoto Uchiha tinha as suas vantagens. Entretanto, Madara não lhe havia dado carta branca para uma missão sexual, e pelo que sabiam do Uchiha poderia ser um pouco complicado esse tipo de abordagem, já que ele era heterossexual; ou pelo menos aparentava ser.

Independente disso, Itachi sabia que a sexualidade de Sasuke não era o motivo para Madara proibi-lo de fazer uma missão sexual. Seu irmão estava desconfiado, com ciúmes, com medo de ele o trair por causa do sangue — seu irmão às vezes era desconfiado demais. Os tempos mudam, Itachi mudou! Se outrora desistiu de matar Sasuke por conta do sangue (e principalmente pelo sentimento de culpa que tinha por ter matado Fugaku e Mikoto Uchiha), hoje ele era outra pessoa. Pra que iria se preocupar com a integridade de alguém que não sabia nem da sua existência? Madara tinha que parar de besteira e voltar a confiar nele, e por isso ele faria de tudo pra essa missão correr as mil maravilhas!

Ou, ao menos, era disso que ele tentava desesperadamente se convencer...

— Você vai me ignorar? — o idiota questionou, se aproximando de Itachi e retirando o cigarro de seus lábios, apagando-o de qualquer jeito no granito da pia e jogando a bituca no ralo — Não fume, pode chamar atenção dos seguranças. A casa abriu, mas ainda não deve estar cheia.

— Você é idiota ou o que Sasori? — Itachi questionou entre os dentes, empurrando-o com força para o lado e ativando instantaneamente os olhos avermelhados. Sasori também exibia o olhar rubro, mantendo a expressão neutra de indiferença no rosto — Dá. O. Fora! Quem tem que se envolver com o Uchiha sou eu, não você!

Todos tinham seus casos de "dedo na ferida", e o de Itachi certamente era Sasori. Ele simplesmente não conseguia manter a calma quando aquele maldito estava por perto! O santo não batia, ele não conseguia nem olhar para o outro sem sentir seu sangue ferver.

Não compreendia muito bem porque tinha essa reação ao ficar no mesmo ambiente que o ruivo, e por um tempo pensou se tratar de ciúmes carnal de Madara, visto que o seu irmão vivia ao lado do Akatsuki de hierarquia número quatro. Depois, se deu conta de que era uma relação de rivalidade: não pelo ciúmes carnal, mas sim pela confiança de Madara. Itachi não tinha ciúmes de Madara, nunca teve, nem na sua "vida anterior", e não seria agora que iria começar a ter; não, era apenas uma competição de confiança.

Deidara também lhe oferecia alguma rivalidade nesse aspecto, mas Itachi sabia que o número cinco não tinha tanta a confiança do líder como ele, o número três, possuía. Pain e Konan, por outro lado, estavam no cargo de fachada, pois apesar de deterem as posições mais altas, certamente não tinham a mesma confiança do chefe. Esses não lhe ofereciam riscos.

Sasori, no entanto, era outra história: não apenas oferecia riscos, como poderia convencer Madara a ficar contra ele, e portanto Itachi tinha que ter cuidado com o número quarto. Todavia, seu espírito competitivo sempre falava mais alto, e ele acabava furioso com o ruivo, chamando-o para briga.

Como foi dito anteriormente, Sasori era o seu "dedo na ferida"... Talvez pudesse ser considerado a sua falha comportamental — sua única falha, diga-se de passagem.

— Se eu fosse você, não seria tão impertinente assim, número três. — o ruivo falou displicentemente, observando suas próprias unhas como se elas fossem mais importantes do que olhar para Itachi enquanto lhe dirigia a palavra.

Itachi tinha certeza que o maldito fazia essas coisas só para provocá-lo ainda mais.

— Sasori, some da minha frente vai. — Itachi ordenou em voz alta, erguendo o queixo do ruivo com o polegar e forçando uma troca de olhares, encarando os olhos vermelho-claros de Sasori; eram naturalmente mais claros do que os seus, talvez em virtude da cor de nascença de Sasori ser, como dizia em sua ficha, acaju. Itachi sabia que possuía olhos negros, e por isso o avermelhar sempre era vermelho-sangue — Madara te mandou me acompanhar até aqui, não ficar aqui.

— O chefe — Sasori frisou bem a palavra "chefe", como se insinuasse um desrespeito por parte de Itachi ao chamá-lo pelo primeiro nome — disse para eu me assegurar de que você não iria fazer nada fora do combinado.

Itachi rangeu os dentes, agora um pouco irritado com Madara. Puta merda, quando que ele iria sair dessa quarentena infinita? Ele realmente esperava a volta da confiança depois de terminar essa missão, porque não aguentava mais Sasori o perseguindo de um lado pro outro!

— E o que você pretende fazer? Se apresentar ao garoto do meu lado? Até onde eu sei, sou eu quem tem que se envolver com ele.

— Não seria uma má ideia. Tenho certeza que Madara me daria carta branca pra elevar isso à uma missão sexual. Esse moleque parece que tá precisando de um pouco de diversão na vida dele.

Itachi perdeu a paciência e agarrou com toda a mão o queixo de Sasori, mas logo a movimentou mais uma vez, agarrando seu pescoço com força e olhando-o furiosamente. O outro, no entanto, não parecia nem um amedrontado com a ameaça, mantendo o olhar totalmente neutro.

— Está com ciúmes de Sasuke Uchiha? Achei que ia demorar um pouco mais pra você mostrar suas garras. — ele murmurou, sua voz soando gélida e estóica — Melhor assim, detesto esperar... Melhor revelar a sua real natureza o quanto antes, perder tempo nunca é algo bom.

— Eu nem conheço esse moleque pra ter ciúmes dele! — Itachi sibilou perigosamente, estreitando ainda mais o olhar — Ele é a minha missão, então dá o fora! Fique longe da minha missão, número quarto!

Porque eu preciso dessa missão pra me redimir com o Madara! — Itachi pensou, mas não vocalizou. Já era ruim o bastante ter Sasori em sua cola, seria ainda mais vergonhoso admitir que estava desesperado por ser aceito pelo chefe novamente.

— Ou o quê? Vai chorar pro Madara? — Sasori provocou, deixando um singelo sorriso adornar seus lábios — Você sabe que, no fundo, ele preferiria que eu fizesse essa missão, Itachi.

Nesse momento Itachi perdeu o pouco de paciência que ainda tinha e tentou golpear Sasori com o outro braço, mas foi bloqueado imediatamente; afinal, eles não estavam quase no mesmo número hierárquico atoa.

A briga se estendeu, Itachi perdendo a cabeça a cada novo golpe, mesmo que nenhum dos dois acertassem um ponto vital. Sentia os indícios do frenesi percorrerem o seu corpo, mas estava tão furioso com o maldito que nem sequer tentou controlar a sua ira assassina. E foi apenas quando sentiu a maldita kunai perfurar o canto de suas costas que ele pareceu voltar a si, por breves instantes.

Sasori o havia acertado; o havia ferido.

— Você tá louco Itachi? — foi o que Sasori murmurou, retraindo a kunai e auxiliando-o a sentar no chão — Porra, se eu não fizesse isso você ia entrar em frenesi no meio da missão, você é idiota?

— Droga... — Itachi murmurou, passando a mão por cima do ferimento e trazendo-a de volta ao seu campo de visão.

Sangue, sua mão estava encharcada de sangue; o ferimento não era pequeno.

Ao constatar isso, a raiva de Itachi diminuiu. Claro, Sasori o havia ferido, e em circunstâncias diferenciadas ele estaria furioso com isso, mas ele entendia que essa era uma das formas de parar o frenesi, todos os Akatsukis eram educados a agirem assim em situações de risco. Sasori nada mais fez do que o Madara sempre os orientou a fazer.

— Me dê o celular, vou ligar pro líder, temos que abortar a missão. — Sasori murmurou, voltando a exibir as expressões faciais de tédio e frieza.

Itachi enfiou a mão limpa dentro do bolso da calça e retirou o celular, entregando-o para Sasori sem ter coragem o suficiente de encará-lo. Era bastante vergonhoso para um Akatsuki de alta hierarquia como ele ter perdido o controle do frenesi daquela forma, e por isso ele continuou a encarar o chão enquanto Sasori procurava o nome de Madara na agenda.

— Sem sinal. — ele disse, fechando o aparelho depois de duas tentativas — Deve ser por causa das máquinas no fim do corredor. Essa parte do clube parece estar em reforma.

Ótimo, tudo que eu precisava. — Itachi pensou com amargura, ainda mantendo o olhar baixo.

— Só vamos sair daqui, Kisame deve estar por perto, ele foi informado que poderíamos precisar dos serviços dele essa noite.

— Ah não Itachi... Tem algo muito importante que quero falar com você e, como sabe, eu não terei paciência de esperar outra oportunidade.

Itachi finalmente pareceu perceber a ameaça implícita no tom de voz de Sasori, erguendo o olhar e se dando conta de que o maldito agora exibia um olhar extremamente surtado. Ele sorria, aparentemente se divertindo com a tragédia que ali acontecia, e logo se botou de pé, soltando de uma vez o corpo de Itachi.

Foi nesse momento que o número três percebeu que algo de errado acontecia com seu machucado: não doía mais e isso definitivamente não era um bom sinal.

— Você botou alguma coisa nessa kunai. — Itachi concluiu, piscando duas vezes para conseguir focalizar o seu rival; sua visão já estava turva por conta do veneno — Por quê?

— Porque, Itachi, o mundo não é justo, não é? — ele disse, sentando-se do outro lado do banheiro, encarando Itachi e apreciando a forma como parecia cada vez mais submisso conforme o efeito do veneno se tornava mais evidente — Eu sempre me perguntei se você era feliz, mesmo sendo o favorito de Madara. Será que isso era o suficiente? Será que ser o favorito do Madara era o sinônimo da felicidade plena?

— Seu idiota... — Itachi murmurou, fechando os olhos e se sentindo um pouco enjoado.

O que diabos estava acontecendo ali? Sasori o estava traindo? Mas se fosse uma traição, ele estaria traindo Madara também! Que papo ridículo de felicidade era aquele? Ainda mais naquela altura do campeonato!

— E então, numero três, eu me dei conta de que não, ser o favorito de Madara não era o suficiente para ser feliz. — o outro respondeu, finalmente demonstrando um pouco mais de emoção do que a apatia de sempre. Sasori parecia levemente empolgado com o seu discurso, o que fazia Itachi se perguntar se já estaria delirando pelo envenenamento. — Eu conclui que a sua vida sem arte é tão inútil quanto a de todos nós, não há felicidade nela. Mas eu quero mudar.

— Seu estúpido! — Itachi murmurou, fechando os olhos e demorando vários segundos para abri-los novamente — Você sabe que essa recompensa não existe, ele não vai libertar que capturar Sasuke. Você está traindo o Madara e ele vai perceber isso!

— Não seja ridículo, eu não pretendo te derrotar e capturar Sasuke. E você não vai morrer, Itachi, o veneno perde o efeito em alguns minutos. É minha especialidade em torturas onde temos que manter a vítima viva. — Sasori comentou displicentemente, se colocando de pé mais uma vez — Ino é o tipo de menina que irritará Sasuke rapidamente, eu paguei ao garçom para colocá-los em uma mesa próxima desse banheiro, pode ter certeza que o Uchiha vai vir aqui dar um chilique e vai te encontrar. Eu já o vigio há muito tempo pra saber como ele se comporta nesse tipo de situação.

— Qual é seu verdadeiro ideal Sasori!? O que você quer!?

— O que você acha sobre a arte?

Itachi se sentiu até atordoado com a pergunta de Sasori. Mas que tipo de porcaria era aquela a esse momento!? Ficou tão surpreso com o questionamento que nem soube o que responder, e limitou-se apenas a observar o ruivo com total incredulidade.

— Deidara pensa que a arte é a adrenalina de um momento, um segundo de fortes emoções, uma explosão contagiante. — o número quatro continuou a falar, como se não percebesse a descrença no olhar de Itachi, bem como a sua indignação — Ele está errado, e por mais que eu o diga isso, ele não aceita meus ideais. Mas você vai entender o sentido da arte, Itachi.

— Eu acho que seria bem artístico esfregar sua cara numa parede de concreto e grafitar com seu sangue. — Itachi rosnou.

Sasori o ignorou, mais uma vez.

— A arte é eterna, não é algo momentâneo, não é o prazer de um instante. Isso é falso, e é esquecido com o tempo, quando outro prazer mais intenso acontece. Não, isso não é arte. Arte é o que Madara faz, aprimorando-nos para nos tornarmos arte.

— Que papo de doido é esse?

Sasori encarou Itachi com mais foco no olhar, e sorriu abertamente. Pelo jeito, deveria estar feliz em ter conseguido a atenção de Itachi de alguma forma.

— Nós somos especiais, Itachi. — ele concluiu, acendendo mais ainda o seu olhar, como se desejasse mostrar seu ponto daquela forma — Madara nos fez mais fortes do que as demais pessoas. Nós somos arte, nós seriamos apreciados pela humanidade toda se soubessem que nós existimos. Madara cria arte e esconde do mundo, ele cria arte para si. Ele cria armas, seus bonecos, seu exercito. Ele é um gênio.

Sasori definitivamente me dá dor de cabeça... — Itachi concluiu, um pouco sonolento pelo efeito da droga, percebendo que seu sangue já estava começando a encharcar o chão.

— E, ainda sim, você está tentando traí-lo. — sussurrou, irritando-se com a fraqueza evidente no seu tom fraco de voz.

— Não é uma traição, Madara é o meu sensei, meu mentor. Nada mais natural do que o discípulo ultrapassar seu mestre. — o ruivo concluiu, se aproximando de Itachi e erguendo seu rosto, olhando fundo em seus olhos — O líder nos usa, Itachi: usa todos nós, como fantoches. Mas eu acho que eu não posso me tornar um fantoche completo, sempre serei inacabado... Eu não estou morto, nem vivo, pois ainda me bate um coração, e ao mesmo tempo eu sou obra-prima do Madara. É uma contradição, e eu sei que você sente isso.

— Você é doido, número quatro.

Sasori soltou o seu rosto, afastando-se um pouco.

— Você sente Itachi, eu sei que você sente. — ele murmurou, reavaliando suas conclusões. — Me responda: quem você é?

Itachi suspirou fundo, exausto daquele papo, desejando dormir. Já estava com um nível de toxina no corpo que nem parecia mais preocupado com o fato de estar envenenado. Tudo que ele queria era adormecer, ali mesmo, naquela posição. Ainda sim, teve forças o suficiente para responder mecanicamente o que sempre respondia quando aquela pergunta vinha a tona, feita por alguém que não fosse Madara.

Pois se fosse Madara... a resposta não seria aquela.

— Eu sou o numero três da Akatsuki. — sussurrou.

Se fosse Madara, a resposta seria: Eu sou Izuna Uchiha, seu único e verdadeiro amor.

— É um bom nome para uma escultura; um fantoche. — Sasori rebateu, e Itachi pareceu um pouco mais desperto com aquela insinuação, erguendo um pouco o olhar e mostrando irritação.

— Eu não sou um fantoche! — ele rosnou, levando a mão ao ferimento ao se lembrar que estava machucado e prestes a ter um colapso pela falta de sangue e excesso de toxinas — Eu sou alguém, ao contrario de você eu sou importante pro Madara, eu sou o amor da vida dele! Eu sou único, enquanto você é substituível!

Sasori gargalhou naquele momento, gesto que fez Itachi se arrepiar dos pés à cabeça: ele nunca havia presenciado Sasori sequer rir, imagina gargalhar daquela forma.

— Você realmente acha isso? — ele questionou quando finalmente controlou seu fôlego — Você acha que é insubstituível?

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— Não se esqueça de quem você é, de quem você pode desafiar e quem deve respeitar. Sua vida começou quando você se juntou a mim e seu passado consiste naquele que eu permito que você possua, não em uma hipótese surreal que você tenha fantasiado em sua mente. Esqueça essa insanidade que passou por sua cabeça... Você é meu, eu sou sua família e seu amante e é desse jeito que as coisas continuarão a ser. Ninguém erra uma segunda vez comigo e poucos são o que mantenho vivo depois do primeiro erro. Não se esqueça disso, Otouto: Você é diferente e especial, mas ninguém é insubstituível.²

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A memória daquelas palavras vieram a sua mente como um golpe certeiro em seu peito. Itachi sabia o que elas significavam, sabia que Madara poderia descartá-lo com facilidade... Sabia que era substituível.

Ele só não queria acreditar nessa ideia totalmente aterrorizante.

— Eu sou insubstituível. — ele disse, não convencendo nem a si mesmo de sua mentira.

Sasori balançou a cabeça negativamente.

— Você não tem ideia alguma de quem você é, Itachi Uchiha.

O moreno mordeu a parte interna de suas bochechas, um pouco apavorado por perceber que Sasori sabia sua real identidade. Madara nunca confirmou com todas as letras, mas deixou implícito que Mikoto e Fugaku eram seus pais biológicos, e portanto ele seria um Uchiha. Mas ele nunca imaginou que Madara tivesse falado com alguém sobre isso, muito menos para Sasori.

Seria um blefe? Pois todos sabiam que Itachi não conseguiu matar Sasuke e por isso ficou três anos de castigo. Será que Sasori chegou àquela conclusão sozinho e estava jogando verde para tirar a prova real, ou Madara havia revelado esse segredo ao ruivo. No que Itachi poderia acreditar? Ele ainda podia confiar em Madara?

Mesmo que não quisesse admitir, Itachi estava repleto de dúvidas.

— Você não vai contar a ele. — Sasori concluiu, se colocando de pé e dando dois passos para trás — Eu sei que não vai.

— Como pode ter tanta certeza disso?

— Porque você não é mais um dos bonecos de Madara. — ele respondeu, dando de ombros, aparentando falar a coisa mais óbvia do mundo — Desde o castigo, você não é, só que você ainda não percebeu isso. O pivete Sasuke vai te mostrar isso, Itachi; eu o vigio desde que ele era menino, e sei o poder que ele tem.

— Você... você está tentando me enganar, me fazer trair o Madara, me derrubar! Conheço seu jogo e não vou cair nele, Sasori!

Itachi estava se esforçando para ficar atento e discutir com o ruivo, mas cada vez parecia mais e mais difícil.

— Oh... é mesmo? De certa forma, dizem que a habilidade de um usuário de fantoches é o numero de bonecos que ele consegue controlar. Será que eu estou tentando te trazer pra minha coleção?

Sasori sorria, aguardando uma resposta, mas Itachi não sabia o que responder, muito menos no que acreditar.

O ruivo, recebendo o tratamento silencioso, simplesmente deu-lhe as costas e caminhou em direção à saída. Sasori agarrou a maçaneta da porta e fez força, abrindo-a e trazendo consigo a maçaneta solta, guardando-a em seu bolso.

— Você vai entender... — ele murmurou, abrindo a porta o suficiente para a música do ambiente aumentar consideravelmente no banheiro — Acredite, hoje a sua vida vai mudar para sempre. Então se você está interessado em deixar de ser arte e se tornar um artista, aguarde o meu próximo contato.

— Você simplesmente vai me deixar aqui?!

Itachi não queria parecer apavorado, mas ele estava apavorado. Sentia novamente o frenesi tomar conta de seu corpo, mas dessa vez conseguiu se controlar o suficiente e apenas tremia de leve.

— Sasuke já virá ao seu resgate, confie em mim. Passe uma temporada com ele, conheça o moleque. Duvido que depois de olhar nos olhos do seu irmãozinho, você não vai desistir de ser o fantoche de Madara.

— Eu vou te denunciar.

Sasori o olhou por alguns segundos, de maneira penetrante, sem sequer piscar. Em seguida, sorriu e deixou uma risadinha breve escapar pelo nariz.

— Não, você não vai.

O número quatro da Akatsuki saiu, batendo a porta com força e prendendo Itachi e impossibilitando qualquer tipo de fuga.

Sasuke entrou no banheiro cinco minutos depois.

(***)

— E o resto da história vocês sabem. — Itachi finalizou a narração dos fatos, ora encarando a expressão analítica de Kakashi, ora o olhar confuso de Naruto — Eu não o entreguei. Na época, me convencia de que não o entreguei porque queria ver ele mesmo por os pés pelas mãos, mas na verdade...

— Na verdade, a sombra da duvida já estava em seu coração e você queria ver o que Sasori iria fazer, e como Madara reagiria — Kakashi complementou, se espreguiçando — Depois de algumas sessões de terapia com você, nada mais natural do que compreender como a sua mente funciona, Itachi.

Naruto, a essa altura do campeonato, parecia ainda mais confuso, olhando para os dois presentes com ares analíticos. Levou a mão ao queixo, murmurando algumas coisas bem baixinho antes de aumentar consideravelmente o tom de voz e atrair a atenção para si.

— Espera, deixa eu ver se entendi. — ele disse, coçando a cabeça enquanto pensava — O Itachi pensava que amava o Madara, e apesar de hoje nós entendemos que na verdade esse era um sentimento do Izuna, na época ele não diferenciava isso. Ainda sim, ele não entregou esse lunático do Sasori? Eu não entendi, eu achei que você confiava cegamente no Madara, bastardo.

Itachi balançou a cabeça negativamente e ficou um tempo em silêncio, provavelmente tentando se entender com mais precisão e explicar seus sentimentos a Naruto. Kakashi assistia tudo de braços cruzados, interessado como o andar da carruagem, mas pronto pra intervir se fosse necessário. Ainda sim, queria ver como Itachi iria conduzir essa auto-análise.

— Eu... Bom, assim como o Madara não confiava mais em mim, eu também não confiava mais nele depois do castigo de três anos. — Itachi concluiu e olhou para o grisalho, pedindo ajuda analítica; Kakashi simplesmente o encorajou a continuar sua explicação com um gesto de cabeça — Eu não queria duvidar do Madara e tentava me convencer de que deveria confiar nele, pois ele era a única certeza que eu tinha na vida. Se eu desconfiasse de Madara, eu não teria mais nenhuma certeza; toda minha vida poderia ser uma falsidade. E eu tinha medo disso.

Naruto não pareceu convencido com a resposta do Uchiha, mas antes que pudesse questionar qualquer coisa, Kakashi se pronunciou.

— Descartes afirma que para se encontrar a verdade deve-se partir do principio de que tudo que não seja claro e distinto é falso. E assim ele chegou a primeira grande verdade, a de que ele, ao pensar, existe. Portanto, a sua existência é algo real. — Kakashi murmurou, Itachi o encarava sem sequer piscar, tentando compreender a ligação daquele discurso com o seu caso — Você passou a existir como ser humano e deixar de ser apenas uma ferramenta, um "fantoche", como Sasori diz, só quando parou de aceitar tudo e passou a buscar a verdade por conta própria. Você só existe depois que começa a pensar.

O moreno nada disse, se perguntando se Kakashi o estaria elogiando ou tirando sarro de si. Naruto, por sua vez, olhava ora para um, ora para o outro, sem saber se deveria falar algo ou permanecer calado.

Às vezes Kakashi me confunde mais do que me ajuda a entender as coisas. — ambos pensaram enquanto assimilavam a comparação do mais velho.

— Eu não sei se alguém algum dia lhe disse isso Itachi, mas eu estou orgulhoso de você. — Kakashi deu um tapinha leve no obro do moreno — É necessário muita coragem para por a prova todas as suas certezas e começar a pensar. Sempre é mais fácil acreditar na mentira entregue na bandeja de prata do que enfrentar os desafios para procurar o ouro.

— Obrigado, Kakashi. — Itachi murmurou, bastante envergonhado, não sabendo muito bem como lidar com um elogio como aquele.

Sim, Kakashi estava certo, ele não estava acostumado a receber elogios assim: o máximo que recebia eram elogios sexuais ou sobre a sua força física. Não era comum alguém elogiar a sua mente, pois no QG seria um ultraje utilizá-la. Todos eram desencorajados a pensar, orientados apenas a seguir as ordens de Madara, sem questionar seus motivos.

— Ok, certo, Itachi deu um pequeno passo para o homem e um grande passo para a Akatsuki. — Naruto concluiu, abrindo um sorriso e quebrando o nível de seriedade do ambiente — Mas e aí? Continua a história, Lulu!

Pode-se sempre contar com o Naruto pra estragar um clima de satisfação... — o Uchiha concluiu, girando os olhos.

— "Aí" eu comecei a me envolver com o Sasuke, e comecei a ver como era a vida real, a criar a minha história como Itachi. — o moreno respondeu, parecendo surpreso consigo mesmo ao chegar a essa conclusão — Só que nessa época, Madara me falava para eu não esquecer quem eu era, e com isso ele se referia a Izuna. Eu ainda estava em dúvida, mas por ter dúvidas e não a certeza do lado de quem eu estava, eu ainda sim não denunciei Sasori.

— Madara nunca perguntou quem o feriu no banheiro? — Naruto questionou.

— Sim. — o Uchiha respondeu, fechando a cara — E eu disse a verdade: disse que foi Sasori, numa tentativa de conter o meu frenesi, e que ele me deixou sozinho no banheiro em vez de chamar reforços. Eu achei que Madara iria ao menos dar uma bronca no maldito, mas Sasori ganhou elogios até demais.

Kakashi percebeu um grande nível de melancolia na voz do Uchiha, e resolveu que seria melhor voltar ao assunto de antes.

— Ok, mas em algum momento você decidiu trair o Madara, não foi? — Hatake questionou, tirando a atenção de Itachi do seu passado rancoroso com o ex-amante.

— Sim... Mas não foi um processo rápido. Quando Kisame me perguntou se eu estava duvidando de quem eu era que eu finalmente me coloquei mesmo em dúvida: quem eu era? Eu era Izuna Uchiha, o irmão e amor de Madara, ou Itachi Uchiha, o irmão mais velho de Sasuke? Eu não podia ser duas pessoas ao mesmo tempo, e eu tinha que me descobrir.

— Itachi, se me permite, uma interrupção...

O Uchiha se calou, encarando o mais velho com curiosidade.

— Madara não ama, e nem nunca amou, Izuna Uchiha.

Itachi e Naruto encararam o grisalho com total descrença, mas foi o loiro quem primeiramente abriu a boca para contestar.

— Você tá doido Kakashi? Como pode dizer que o Madara não amava o Izuna? Olha toda confusão que ele armou por causa do garoto! Claro, não era um amor saudável, mas se isso não é amor, eu não sei o que é.

Naruto se colocou de pé em meio a sua indignação, e Itachi só não imitou seu gesto porque estava com dor nas pernas.

— Você está certo Naruto. Madara sentia amor, mas não esse tipo de "amor". Madara amava, e ama, apenas a si próprio.

O loiro se sentou novamente, ainda parecendo confuso, mas disposto a aceitar uma explicação.

— Madara nunca amou Izuna por características do menino, só o amava o considerava igual à ele: um gênio, alguém com intelecto diferenciado; ele se via no garoto, se identificava com ele. — Kakashi respondeu, e pouco a pouco Naruto passou a exibir sinais de entendimento — Madara com certeza tem o maior quadro de narcisismo que eu já vi em toda a minha vida pessoal e profissional.

O Uzumaki pareceu convencido com a explicação do namorado e olhou para Itachi, questionando no olhar se ele havia entendido.

— Fale um pouco mais sobre isso... — Itachi falou timidamente, infeliz por, mais uma vez, não compreender as particularidades do mundo exterior. O que era narcisismo?

Às vezes eu simplesmente esqueço que o Itachi não sabe de uma série de coisas... — Naruto pensou, observando o moreno.

Kakashi, todavia, parecia pronto para uma pergunta como aquela, e logo começou a responder:

— Bom Itachi, eu vou explicar de uma forma técnica. Madara tem muitos transtornos de personalidade, eu não posso detectar todos apenas com o seu relato, mas um deles é certo: ele possui um quadro grave de Transtorno de Personalidade Narcisista.

— Como pode saber disso sem nunca ter falado com ele?

— Eu nunca falei com ele, é verdade, mas esse tipo de transtorno é identificado geralmente com o relato de terceiros, pois dificilmente a pessoa que o têm acaba procurando ajuda de profissionais, justamente porque é muito difícil perceberem que há algo de errado com eles, já que eles se consideram perfeitos. — Kakashi explicou calmamente, sabendo o quão difícil é diagnosticar esse transtorno — Madara possui todos os sintomas Itachi... eu tenho anotado. Espere aí!

Kakashi se retirou rapidamente do quarto de Sasuke e logo voltou com uma caderneta, folheando-a rapidamente. Nem deu tempo para Naruto e Itachi iniciarem qualquer tipo de discussão, o que era bastante reconfortante.

— Aqui... eu estava escrevendo isso ontem. — ele comentou, entregando a caderneta para o Uchiha e apontando para a lista — Leia em voz alta, é bom Naruto saber também.

Itachi pigarreou levemente antes de seguir o ordenado.

"Transtorno de Personalidade Narcisista — Madara Uchiha:

– Demanda por constante atenção, obsessão por fantasias de poder, genialidade, beleza ou riqueza: possui uma relação de superioridade com todos no QG, em especial com os membros da Akatsuki, exigindo elogios diretos e indiretos. Madara possui, também, um nível intermediário de 'Complexo de Messias'."

— Bastardo, seu ex é mais zuado do que eu esperava hein... — Naruto comentou, interrompendo a leitura de Itachi.

O moreno apenas lhe direcionou um olhar irritado, e continuou a falar:

" Inveja crônica e crença de ser alvo de inveja, o que gera comportamento arrogante e centralizador: ele costuma acreditar que todos querem passar a perna e possuem inveja do seu talento. Itachi é o principal alvo desse tipo de comportamento.

– Dificuldade em nutrir empatia pelos outros: incapacidade total de perceber o nível de sofrimento das pessoas, principalmente aquelas diretamente atingidas por seus atos. Este comportamento poderia ser confundido com psicopatia em um primeiro momento, mas Madara não possui os demais sintomas."

— Eu já tinha chegado a pensar que Madara era um psicopata... — Naruto comentou, interrompendo Itachi mais uma vez, mas não ganhando olhares de censura. De certo, Itachi estava mais uma vez curioso ao ouvir termos como aquele.

Kakashi sorriu, talvez um pouco orgulhoso de seu feito.

— Como eu escrevi na caderneta, esse tipo de comportamento gera a tendência à imaginarmos que a pessoa sofre de Transtorno de Personalidade Dissocial, vulgarmente conhecido como psicopatia ou sociopatia. — ele lecionou, observando os olhos azuis brilharem em admiração. Naruto parecia orgulhoso, e Kakashi se sentia feliz por isso — Mas ao analisar as demais características de Madara, percebi que se tratava de um Transtorno de Personalidade Narcisista, pois ele ainda sofre demais com seus próprios medos e traumas, coisa que o psicopata não faz.

— Não? — o loiro indagou, inclinando a cabeça para o lado. Ele estava tão crente que Madara era um psicopata que jamais imaginou outro tipo de diagnóstico.

— Psicopatas, Naruto, possuem dificuldade não apenas de sentir empatia para os outros, como também para si mesmos, já que são extremamente racionais, calculistas, frios, perseguidos pelo tédio. — Kakashi respondeu calmamente, tentando deixar claro o seu ponto de vista ao Uzumaki — Madara pode ser muitas coisas ruins, mas ele certamente é bastante movido pelas suas emoções.

— Compreendo. Você sabe bastante sobre o que está falando, Kakashi. — Naruto comentou, um pouco corado e envergonhado por elogiar o mais velho na frente de Itachi.

— Eu não estudei todos esses anos a toa, né? — o psicanalista respondeu, pegando a mão de Naruto com a sua e depositando um beijinho em suas juntas.

Itachi pigarreou alto, girando os olhos e se preparando para continuar a listagem:

" Expectativa de reconhecimento sem atributos correspondentes e exigência de tratamento especial sem fundamento: Madara se considera um artista de acordo com o relato de Itachi, apesar de não produzir nenhuma obra de arte.

– Manipulação: a maneira como toda hierarquia/sistema de recompensas da Akatsuki funciona demonstra a extrema natureza manipuladora de Madara. Novamente, Itachi foi o principal alvo deste tipo de comportamento.

– Aparente frieza e distância emocional: é apenas uma aparência, uma técnica de manipulação. Madara possui sentimentos e rancores, mas veste a máscara da frieza com freqüência para não demonstrar fraqueza perante seus subordinados.

– Tendência a tomar para si metas surreais: a busca de Madara pela cura do HIV demonstra muito bem essa característica.

– Dificuldade em manter bons relacionamentos funcionais: a relação de Madara com Orochimaru seria um exemplo clássico desta característica."

Itachi terminou a lista, e os três ficaram quietos por quase trinta segundos, até Naruto suspirar fundo e concluir o raciocínio.

— Em outras palavras Itachi, Madara é um filho da puta tão grande que só ama a si próprio.

Kakashi riu, se divertindo consideravelmente com a expressão irritada do moreno. Era impressionante o quão enfezado o Uchiha ficava quando Naruto ofendia Madara, apesar de que de uns tempos para cá ele havia parado de rebater as ofensas, o que era um ótimo sinal.

— Naruto, isso não é necessariamente culpa apenas do Madara. — o grisalho se viu obrigado a pontuar — Pela lembrança passada de Izuna que Itachi acabou despertando, Madara teve uma infância difícil e grande problema de aceitação familiar. Em casos assim, as pessoas nascem com a propensão a desenvolver certos transtornos, mas é a maneira como eles são criados que acabam o desencadeando.

Essa afirmação pareceu deixar Itachi totalmente eufórico, mas antes que ele perguntasse qualquer coisa (e Kakashi sabia o que o Uchiha pretendia perguntar), o grisalho se adiantou:

— Eu não disse que a culpa não é do Madara, Itachi. — ele murmurou, sentindo pena ao ver o olhar de Itachi perder consideravelmente o brilho de excitação — Mas se nós conseguirmos capturar o Madara, a chance de ele ir para um hospício é muito maior do que a de ele ir para a cadeia.

Itachi ficou pensativo por uns instantes, mas logo suspirou fundo, balançando a cabeça ao afastar os pensamentos relacionados ao seu irmão.

— De qualquer forma, eu e Sasori nos cruzamos algumas vezes no QG depois disso que aconteceu, e ele sempre me lançava um olhar de "eu sabia que você não ia me denunciar". — Itachi girou os olhos, Naruto riu baixinho por conta disso e o moreno instantaneamente o encarou com raiva — Você ia amar o Sasori, Naruto. É tão chato como você.

— Certeza que eu ia adorar! Ele te provocava até te deixar de TPM fora de época. Meu ídolo!

— Naruto, agora não é hora. — Kakashi o censurou, gesticulando para que Itachi continuasse a contar os acontecimentos.

— Pois bem... — o Uchiha prosseguiu — Num desses cruzamentos, num dia de treinamento, ele me deu um papel. O papel tinha um código que inicialmente eu não compreendi, mas logo em seguida percebi se tratar de coordenadas: latitude, longitude e altitude. Eu fui até o local indicado e lá encontrei esse cofre, inicialmente vazio.

— E ele já tinha esse dispositivo de proteção? Essa lâmina? — o loiro questionou, ainda surpreso com o que o maldito cofre fez quando Itachi girou a chave. Intimamente, o medo de Naruto sobre a perspectiva de invadir o QG aumentou consideravelmente... Será que haviam armadilhas como essa naquele lugar?

Itachi, alheio ao receio de Naruto, simplesmente sorriu sonhadoramente antes de responder.

— Tinha... eu me cortei aquela vez, me cortei de novo porque esqueci que tinha esse dispositivo. Sasuke cuidou de mim naquela noite.³

Kakashi e Naruto trocaram olhares significativos, chegando a mesma conclusão: Itachi parecia cada vez mais apaixonado ao pensar em Sasuke, se é que isso era possível.

— Você tem tara por enfermeiros, Itachi? — Naruto questionou, não aguentando sua curiosidade.

— Uhn? — o Uchiha indagou, saindo de seu estado sonhador — Por que eu teria?

— Porque você parece mais apaixonado pelo Sasuke toda vez que menciona que ele cuidou de algum ferimento seu...

Itachi piscou algumas vezes, provavelmente pensando no assunto pela primeira vez. No entanto, foi Kakashi quem respondeu a pergunta de Naruto.

— Kyuubi, qual é o maior trauma do Sasuke?

— Sangue. — Naruto respondeu mais do que rapidamente. Qualquer um que morasse ao menos um mês com Sasuke saberia disso.

— Pois então... Pro Itachi, o Sasuke deixar o trauma dele para cuidar de seus machucados é uma prova de amor. Acho que eu sentiria o mesmo se ele fizesse isso por mim.

Naruto ficou um bom tempo pensativo, e quando decidiu falar, Itachi achou que ele iria questionar algo importante. Grande engano...

— Itachi, então tenta transar com o Sasuke na frente do espelho! Se ele topar, pode casar. A segunda maior fobia dele são os espelhos!

Kakashi teve um ataque de tosse compulsivo e Itachi até deixou a expressão compenetrada para trás, dando uma bela gargalhada ao assimilar a informação de Naruto. O loiro, por sua vez, pareceu mais feliz em conseguir arrancar uma risada de Itachi, sentindo aquela deliciosa sensação de "dever cumprido".

— Naruto, já não basta o Itachi! — Kakashi censurou, aproveitando a aproximação para dar um tapa na coxa do mais novo.

— Só falei a verdade! — o Uzumaki se defendeu, entrelaçando os braços ao redor do pescoço de Kakashi e puxando-o para um beijo rápido — Pare de ser tão puritano, se não eu não caso com você.

— Quem disse que eu quero casar com você!?

Itachi pigarreou, atraindo a atenção dos outros dois para si. Naruto mostrou a língua para Kakashi, sussurrou um "isso vai ter volta", soltou o pescoço do mais velho e se sentou mais uma vez.

— Ok, foco, entendi. — Naruto murmurou para Itachi, coçando a nuca em um gesto de vergonha.

— E o que tinha no cofre? — Kakashi questionou, tentando retomar o assunto principal daquela conversa.

— Instruções para o trato. Sasori aparentemente me deu um tempo para eu decidir se iria ou não estar ao seu lado, e quando percebeu que eu não iria denunciá-lo e que Madara já estava desconfiando de traição, ele soube que implicitamente eu tinha aceitado o trato. As instruções eram simples: "aguarde, em tempo hábil lhe fornecerei material de combate por aqui". — Itachi explicou, adotando novamente a expressão estóica e o tom de voz sério e compenetrado — Eu aguardei e fui durante várias semanas atrás da caixa, mas estava sempre vazia. E no dia que Madara teve sua vingança contra mim, eu achei que Sasori tinha me traído.

O grisalho fez um som no fundo da garganta de compreensão, mas Naruto não entendeu prontamente.

— Por quê? Foi o Madara quem se vingou. — ele pontuou, e Itachi concordou com um aceno breve de cabeça.

— Sim, foi Madara quem se vingou, eles apenas assistiram. Mas Sasori me disse algo com uma interpretação bastante dúbia ao me mostrar a cabeça de Kisame. Eu achei que estava tudo perdido... — o moreno se recordou o quão furioso se sentiu ao ouvir as palavras de Sasori e ver seu colega morto. Um leve arrepio de indicio de frenesi percorreu seu corpo apenas com a lembrança, mas ele conseguiu se controlar com maestria — Eu fui hoje atrás do cofre apenas por desencargo de consciência, até pouco mais de uma hora atrás eu nunca imaginaria que Sasori pudesse ser nosso aliado ainda.

Kakashi voltou sua atenção para o mapa montado na cama, analisando-o cuidadosamente.

— Essas chaves seriam de quais portas?

— Difícil saber. Ele não enumerou. — Itachi respondeu, colocando-se de pé e olhando por cima do ombro do grisalho — No entanto, as chaves prateadas são da área de ciências e as chaves douradas dos demais aposentos. Eu sei porque seguem a cor das fechaduras.

— Você ainda tem a chave do seu quarto?

— Não... — ele olhou brevemente para o molho de chaves, tentando ver se alguma delas se assemelhava com a sua chave antiga — Mas aparentemente não temos acesso aos quartos, porque as chaves dos quartos eram diferentes... Pareciam fechos, Madara abria todos eles com apenas uma chave mestra.

— Madara certamente não dava muita privacidade para vocês. — o loiro comentou, se juntando aos demais na análise do mapa.

— Não mesmo.

Ficaram um bom tempo em silêncio, contemplando as novas evidências e pensando, cada qual, em um novo plano de investida. Kakashi, todavia, foi o primeiro a quebrar a quietude, espreguiçando-se.

— Vamos jantar. — ele murmurou — De nada adianta tentar pensar de barriga vazia. Vamos jantar e depois decidimos o que fazer com essas novas informações.

— Achei que você tinha dito que depois do jantar a gente ia pra cama pra transar até o amanhecer...

— Eu não disse "transar até o amanhecer". — Kakashi replicou, olhando Naruto com incredulidade e se sentindo bastante envergonhado — Você não acha que agora as circunstâncias são outras, Naruto?

O loiro suspirou, bastante entristecido em não poder namorar Kakashi. Itachi se sentiu até um pouco de pena do garoto, mas o estômago de Naruto escolheu aquele exato momento para anunciar sua aprovação às palavras de Kakashi de maneira bastante audível, quebrando o clima pesado.

— Minha barriga concorda com o Kakashi. — Naruto respondeu, sorrindo, puxando Itachi pela cama — Tire a roupa de sádico-sex-machine e vamos comer, bastardo.

— Vou te mostrar o quão sádico-sex-machine eu posso ser, Naruto. — ele respondeu, ganhando um olhar enciumado de Kakashi.

— Não fique com ciúmes Kakashi, deixa o Itachi. Mal ele sabe que o sádico da relação sou eu...

Ele se jogou mais uma vez nos braços de Kakashi, puxando-o para um beijo e murmurando coisas como "não fique tão sério, é uma brincadeira". Ao final da demonstração de afeto, o grisalho já tinha deixado sua irritação de lado e saia do quarto acompanhado pelo seu namorado, deixando Itachi sozinho para que trocasse suas roupas.

O Uchiha sentia um misto de alegria e inveja quando via Naruto e Kakashi se dando tão bem como casal. Gostaria de poder ter uma relação assim com Sasuke, mas sabia que as coisas entre os dois eram bem mais... complicadas.

Suspirando pesadamente e decidindo que não era hora de se martirizar por causa da sua terrível vida amorosa, Itachi abriu novamente sua sacola de roupas e procurou algo mais casual para vestir.

(***)

Sasuke abriu a porta do quarto de Madara, não se incomodando com formalidades como bater para anunciar sua presença, pois sabia que já tinham intimidade o suficiente para deixar de lado esse tipo de coisa. Pretendia anunciar que Pain e Konan já estavam devidamente capturados e que ofereceram uma briga ridiculamente fácil; pelo jeito a diminuição da quantidade de proteína no corpo de um Akatsuki era algo bastante preocupante, se os deixou fracos daquela forma. No entanto, teve que esperar, pois Madara estava ocupado.

O Uchiha mais novo se aproximou do mais velho, observando-o atentamente as suas expressões enquanto falava no celular. Estava quieto, provavelmente ouvindo o que a pessoa do outro lado da linha tinha a dizer, mas ainda sim percebeu a volta dele e o chamou com um gesto de mão. Sasuke sentou-se na cama, ao lado do mais velho, e aguardou o fim da conversa.

— Mas eu disse que... — Madara falou, provavelmente sendo interrompido em seguida, pois se calou abruptamente por alguns segundos — ... Perfeitamente, mas Orochimaru já tem a solução para isso, acontece que eu... — novamente, uma interrupção longa — ... Não dá mais, eu preciso de mais dinheiro.

Sasuke estava interessado na conversa. Era a primeira vez que ele via Madara falar com alguém fora do QG e pelo jeito aquela pessoa era alguém importante. E então ele percebeu algo que nunca havia parado para pensar: é claro que alguém financiava aquele tipo de pesquisas!

Afinal, Madara saia com frequência para reuniões e se vestia com bastante formalidade naqueles momentos, ele provavelmente se encontrava com a sua "fonte de renda". De certo o cientista não poderia fazer dinheiro apenas com pesquisas e não parecia ter dinheiro sobrando, pois nem mesmo o seu próprio quarto tinha muito luxo. Se Sasuke fosse sincero consigo mesmo, o quarto onde dormia era o mais aconchegante do QG, por algum motivo que ele nunca pensou em questionar.

Ainda sim, essa constatação não era algo desnorteante o suficiente para que ele começasse a bancar o Sherlock com Madara. O que ele tinha que fazer com relação à Madara e seus mistérios, ele já estava fazendo.

Depois de trocar mais algumas palavras, Madara desligou o telefone, soltando um grunhido de irritação ao jogar o aparelho do outro lado da cama.

— Me traga boas notícias, Sasuke. — ele rosnou, cobrindo o rosto com as mãos e esfregando os olhos, demonstrando estresse evidente.

Toda afeição daquela manhã parecia um passado distante na memória dos dois. Madara era o tipo de pessoa que diferenciava muito bem os negócios dos laços afetivos; agora adotava a posição de líder da Akatsuki.

— Pain e Konan estão amarrados no quarto deles, aguardando sua visita, como você ordenou. — Sasuke respondeu, esticando a mão para tentar tocar o ombro do outro e lhe oferecer conforto. Apesar de entender que Madara estava adotando a posição de líder, Sasuke não estava disposto de maneira alguma a adotar a posição de subordinado.

O Uchiha mais velho, no entanto, estapeou seu braço para longe e se colocou de pé, ainda esfregando os olhos. Sasuke piscou, um pouco irritado com a situação, mas ainda sim se manteve quieto.

— Bom trabalho, número três. — foi o que Madara disse, deixando implícito o seu desejo de manter a hierarquia naquele momento. Sasuke bufou, baixinho — Eles não ofereceram resistência?

— Tentaram fugir, lutaram, mas estão muito fracos.

— Então Konan com certeza deve estar dividindo a proteína com Pain há bastante tempo... — Madara concluiu, pensativo, sem direcionar sua atenção à Sasuke.

O mais novo, todavia, estava ficando cada vez mais irritado com aquele tipo de tratamento. Por isso, fez de tudo para chamar a atenção de Madara. Ele queria um elogio decente, oras!

— Eu contei para eles que Konan está grávida.

— Você o que?!

Madara não pareceu nada feliz com aquela novidade, e essa reação pegou Sasuke de surpresa.

VOCÊ O QUE!? — ele repetiu, furioso, virando-se para encarar Sasuke e acendendo os olhos violetas automaticamente. O mais novo, sem sequer se dar conta do que fazia, também ativou os olhos poderosos, como um sinal de defesa instintiva — COMO VOCÊ OUSA FAZER ALGO ALÉM DO QUE EU ORDENEI!?

Sem muito pensar, Madara se jogou em direção à Sasuke, intencionando lhe dar a maior surra de sua vida. Itachi recebia esse tipo de tratamento e foi muito bem educado dessa forma, talvez estivesse na hora do pirralho aprender a ter um pouco de respeito também!

Mas Sasuke já estava forte o suficiente para um combate com Madara, e mesmo sem atacá-lo diretamente, conseguiu defender a sua seqüência de golpes com maestria, esquivando-se e bloqueando cada um deles.

— Você enlouqueceu!? — Sasuke gritou, depois de desviar de um soco que chegou a trincar a parede atrás de si.

Mas Sasuke não conseguiu protestar por muito tempo, pois pouco mais de três minutos de combate, Madara finalmente o acertou: em cheio, com o punho fechado, bem no centro da barriga. Mesmo com todo o treinamento de flexão da musculatura abdominal como forma de proteção ao receber um golpe no abdômen, Sasuke padeceu ao sentir o impacto do soco desumano — nem se comparava a intensidade dos golpes de Pain nos seus treinamentos mais violentos!

Ele caiu no chão, cuspindo sangue e tentando recuperar o ar. Em um momento ínfimo de lucidez em meio a tanta dor, se perguntou como Itachi havia sobrevivido a todos os golpes de Madara no dia da vingança.

Quando finalmente consegui respirar ruidosamente, Madara o puxou pela gola da camiseta e o pressionou contra a parede, colocando uma kunai ameaçadoramente em seu pescoço, antes de olhar os olhos escuros de Sasuke; a intensidade do impacto fora tão forte que ele não conseguiu manter os olhos violetas à postos.

— Fraco. — ele murmurou, pressionando um pouco a arma branca contra a pele do garoto, abrindo um pequeno corte em sua pele, deixando uma gota de sangue deslizar sobre a lâmina — Fraco e audacioso: uma combinação perigosa, Uchiha.

— Ora seu...!

— QUIETO! — o mais velho rosnou, empurrando um pouco mais a kunai e aumentando um pouco o ferimento de Sasuke, que naquele momento se sentiu intimidado o suficiente para se calar — Você sabe as regras, são claras! Você faz o que eu mando, quando eu mando, se eu mando! Quem te deu a autonomia para falar algo assim pra eles?

— Qual o problema!? — Sasuke questionou, tentando recobrar a sua dignidade ao usar um tom de voz desafiador, mesmo instintivamente sabendo que estava em desvantagem ali — Eu cumpri a missão! Eu só provoquei um pouco os dois!

— Não interessa! — Madara respondeu, estreitando o olhar e deixando a kunai cair no chão.

Novamente agarrou o garoto pela gola de sua camiseta e o arrastou para o outro lado do quarto, jogando-o na cama.

— Ah então agora você vai me estuprar pra me dar uma lição? — Sasuke falou calmamente, com um sorriso maroto nos lábios, encarando o Uchiha nervoso enquanto limpava o sangramento com a barra de sua camiseta — Só pra te avisar: com consentimento, não é estupro.

Lá estava de novo a mudança de personalidade do "novo Sasuke" que deixava Madara completamente zonzo. Ele não conseguia compreender como o mais novo poderia alternar seu comportamento dessa forma: violento e rebelde num primeiro momento, posteriormente libidinoso ao extremo.

— Eu não vou transar com você, Uchiha. Eu sei que pra uma puta como você nenhum tipo de sexo é castigo. — ele respondeu com desdém; o mais novo exibiu expressões faciais ofendidas — Você vai ter que aprender, cedo ou tarde, que quem manda nessa porcaria aqui sou eu. E o que eu mando deve ser cumprido conforme instruído! Nem mais, nem menos.

Madara subiu na cama, prendendo as pernas de Sasuke com o seu peso e o forçando a encarar seu rosto, segurando seu queixo com força. O mais novo aceitou a briga de dominação, encarando Madara por um grande período de tempo, tentando demonstrar superioridade.

Ele, contudo, perdeu a guerra de olhar; piscando e desviando sua visão para baixo. Madara riu baixinho ao constatar sua submissão.

— Acho que agora você entendeu, Uchiha.

Ele soltou o rosto do mais novo, se colocando de pé e saindo do quarto sem olhar para trás. Iria fazer uma visitinha a Konan e Pain; Sasuke só o havia deixado bastante irritado com aquela história, e de certo o casal iria ocupar a posição de mártir.

O mais novo ainda ficou estático por alguns minutos, deitado na cama e tentando estabilizar sua respiração. Retraiu a barra de sua camiseta, olhando a pequena mancha de sangue no tecido branco, encarando em seguida a porta recém fechada com olhares furiosos.

Por fim, acendeu mais uma vez os olhos violetas e deixou um sorriso de canto de boca emoldurar seus lábios, inconscientemente.

— Entendi perfeitamente, líder.

(***)

— Quantas horas!? Repete, por favor!?

— Contando entre o tempo das paradas do avião, trinta horas.

— Você está me dizendo que eu vou ter que ficar trinta horas dentro de um avião?

— Perfeitamente.

Naruto arregalou o olhar soltou um ruído de desespero; Kakashi o ignorou, virando a página da revista que lia. O loiro, indignado com a informação e calma do mais velho, virou-se para Itachi, que parecia extremamente entretido com as particularidades do interior do avião, lendo o folheto de instrução de emergência e tentando fechar o seu cinto de segurança.

— Itachi-bastardo, como que você nunca voou antes de você morava nesse maldito QG do fim do mundo? — ele questionou, incrédulo — Já sei, você usava as suas passagens secreta por dentro do inferno, ser demônio tem suas vantagens, né?

Itachi já estava adquirindo certo costume com relação as piadas infames do garoto, portanto nem sequer se irritou com o comentário. Pelo contrario, Itachi estava ficando familiarizado o suficiente com isso para responder a altura, e foi o que fez:

— A melhor vantagem de ser um demônio é poder matar as pessoas sem me preocupar em ir pro inferno, já que ele é minha terra natal. — comentou casualmente, guardando o folheto de instruções — Eu devia matar você Naruto, assim teria um pouco de paz.

— Ou não, já que o Kakashi diz que eu sou um incubus, a gente ia acabar se encontrando no submundo.

— Você vai ficar nos bordéis do inferno, Naruto. Eu não freqüentaria lugares assim.

— Vocês querem parar de besteiras!? — a voz de Shikamaru se fez presente, e Naruto finalmente se deu conta que o moreno estava de pé no corredor do avião, ao lado de Kakashi — Nós temos que fazer uma reunião antes dos colegas do Sai chegarem. Nós vamos nos encontrar com eles na próxima parada, daqui cinco horas.

— Eles resolveram abrir o jogo? Pelo menos falaram sua identidade? — Kakashi questionou, evidentemente mais interessado nesse assunto do que nas picuinhas de Naruto e Itachi.

O militar, no entanto, simplesmente balançou a cabeça em negação.

— Nada além do que falaram no telefone aquele dia, que iriam nos ajudar e que deveríamos confiar. Mas eu descobri, depois de muita insistência, o numero de pessoas que receberemos. — Nara respondeu, se colocando de joelhos no assento da frente, observando-os por cima do encosto — Eu precisava saber, pra aprimorar a tática de investida, ainda mais que agora temos o mapa completo em mãos.

— Quantos são?

— Vinte. — Shikamaru respondeu, suspirando pesadamente — Espero que sejam bons, porque no QG tem mais gente do que isso.

— Sim, no QG tem bastante gente, mas só os Akatsukis oferecem perigo. — Itachi comentou, olhando para o militar com seriedade — Ainda sim, vinte não é um bom número, pois um Akatsuki vale, em média, por dez pessoas num quesito de combate.

— Bom, mas a gente vai ter que fazer funcionar. — Shikamaru constatou, dando de ombros — E vamos continuar na esperança que eles tenham um treinamento bom, não são meros civis destreinados como o Naruto.

— Hey!

— Isso é verdade Kyuu. Eu, Shikamaru e Itachi temos um treinamento de combate, você não tem. Você nem serviu o exército.

— Eu faço artes marciais na faculdade, ta bom!?

Itachi riu consideravelmente desse grande argumento de Naruto, cruzando os braços enquanto tentava manter a compostura.

— Aham, eu já vi como você é perigooooso no combate. — comentou sarcasticamente — Fiquei apavorado com a perspectiva da sua voadora acertar meu queixo e achei a técnica interessante; um leigo até poderia dizer que você estava caindo do encosto do sofá enquanto na verdade praticava de maneira eficiente o seu kung fu.

— Cale a boca. — o loiro respondeu, deixando um bico contrariado aparecer em seus lábios, ignorando as risadas de Shikamaru e Kakashi — E vocês sabem que eu tinha que ir, foi imposição do chefe do Sai.

— Sim, nós sabemos disso. — Shikamaru respondeu assim que controlou o riso, colocando os braços em cima do apoio da cadeira e descansando seu queixo na mão — E nós vamos te proteger, não se preocupe.

— Eu não sou uma donzela em apuros, ok? Eu sei me virar.

— Você mal sabe amarrar os sapatos, Naruto.

— Cale a boca, senhor "não sei nem afivelar o cinto do avião"!

— DE QUALQUER FORMA, — Shikamaru falou em voz alta, atraindo a atenção de todos para si mais uma vez — Vamos precisar conversar, e eu consegui a liberação do comandante pra usar a área da primeira classe pra isso.

— Como assim? — o grisalho questionou, surpreso com a informação — Nós compramos passagem executiva.

— Sim, e eu subornei o piloto. Saiu mais barato do que comprar primeira classe, acredite.

— Shika, o que seus superiores diriam ao ver você se corrompendo pelo sistema dessa forma? — Naruto murmurou, numa expressão de falso horror — Temari iria te castrar!

— Eu não to me corrompendo pelo sistema, estou usando o sistema ao meu favor por propósitos nobres. — Shikamaru respondeu, bocejando e se colocando de pé preguiçosamente — Vamos logo, eu quero dormir nas horas finais desse vôo.

Os outros três concordaram com um aceno de cabeça e logo desafivelaram os cintos (Itachi sofreu um pouco, mas conseguiu). Atravessaram a cortininha que separava a área executiva da primeira classe; Kakashi ajudou Itachi a andar rapidamente mesmo com os ferimentos.

Mais uma vez, Itachi pareceu admirado com as peculiaridades do avião, e provavelmente não imaginava que a primeira classe fosse tão diferente das demais. Estava praticamente vazia, apenas um casal se encontrava no fundo do avião, entretidos demais um com o outro para prestarem atenção nos novos passageiros.

Dentro de cinco minutos, os quatro amigos discutiam técnicas e planejamento de combate, e apesar de Naruto não compreender muito da linguagem que utilizavam, todos trataram de explicar com a maior calma que conseguiam reunir. Analisavam a versão digitalizada do mapa, que agora estava no computador de Shikamaru, e decidiam cada detalhe de tudo que seria feito, bem como bolaram um plano B caso fossem traídos pelos mercenários.

E foi em meio a esse cenário que passou pela cabeça de Itachi, pela primeira vez, o quão importante era um trabalho de equipe e o quanto Madara pecava em não orientá-los a agirem daquela forma no QG.

Talvez, apenas talvez, esse fosse o principal ponto fraco da Akatsuki. E talvez isso pudesse ser usado a favor deles...

... Continua ...


(1) Referência ao capítulo 7: Na cena deste capítulo que Itachi pede pro Kisame vigiar o Sasuke, o Itachi está com as unhas sujas de terra, ele até está limpando as unhas com a ponta de uma kunai. Ele e o Kisame conversam nessa mesma floresta.

O que foi gente? Vocês acharam que eu ia sujar as lindas unhas do Itachi a toa? Huheuheuheue!

(2) Capítulo 14.

(3) Capítulo 31.


Respostas reviews "guest":

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Uke-sama:

Oi lindinha! Claro que me lembro de você!

Pois é, eu ainda não postei tudo no spirit, falta dois capítulos (contando com esse), mas acho que até semana que vem eu (finalmente) vou ficar em dia com isso hahaha! Fiquei muito feliz que mesmo assim você veio me deixar review em outro site, mostrando que o fato de não ter conta não é uma desculpa plausível. Muito obrigada!

Fico feliz que tenha gostado do capítulo e da interpretação do sentimento dos personagens. As vezes a gente se "perde" nos próprios personagens, então fico contente e aliviada em saber que isso não está acontecendo.

Huhauhaua eu estou quase sempre doente, eu to doente de novo, mas dessa vez não tenho sintomas, só estou fazendo exames pra ver o que tenho. Ainda sim, isso é comum. Eu tenho uma saúde bem ruim...

Enfim, mais uma vez muuuuito obrigada por ter vindo até o ffnet pra me deixar uma review, tenha a total certeza que apreciei o gesto imensamente!

Espero que não tenha demorado tanto pra postar o capítulo, fiz o possível para escrever o mais rápido que consegui. ^^

Um beijão querida! =D

S2

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Jac:

Oieee!

Ahhh que bom que gostou do capítulo! Agora a cada nova atualização mais coisas vão fazer sentido, pois eu vou fechar todas as pontas soltas deixadas na fanfic. ^^

Naruto certamente vai fazer uma diferença absurda na "recuperação" do Itachi. Bem dizem que se você tem amigos, não precisa de muita coisa pra ficar feliz, não?

Acho que todos querem isso, não é mesmo? Que o Sasuke esteja fingindo ou bolando um plano... será que é isso que ele está fazendo?

Opa, teoria! Gostei dos seus chutes, anotei! São muito bons, será que você acertou? Alias, deixe-me pontuar, você é a primeira a chutar um nome pro "financiador" hehehehehe!

Querida, muuuuito obrigada por vir comentar aqui no ffnet, saiba que eu apreciei muito a sua boa vontade! Obrigada mesmo, adorei o gesto de apreciação e carinho! Espero que você volte para ler a sua resposta aqui no site quando eu atualizar. ^^

Um beijão! Espero que goste da atualização!

S2


LEITORES DO FANFICTIONNET, ATENÇÃO:

Alguns leitores estão com um bugzinho nesse capítulo, o site está dizendo que eles já comentaram o capítulo e não podem comentar novamente. Eu descobri o motivo do bug, vou explicar pra vocês: Eu exclui, recentemente, os omakes, por motivos pessoais. Por conta disso, a numeração do capítulo deu um salto pra trás em dois números.

Isso significa que as seguintes pessoas não conseguirão comentar nesse capítulo logadas: UkeQueen, DeaX1, Uchiha Hin e Evinha's. Vocês não conseguem comentar logadas porque, pro sistema, vocês já comentaram... Urgh se eu soubesse disso, não teria deletado, só teria excluído o texto e colocado um aviso.

Mas enfim, esse é o problema! Meninas, vocês são leitoras frequentes e eu conheço cada uma de vocês, então se quiserem comentar simplesmente comentem sem o login, como visitante, e assinem o nome de vocês no final que eu vou abrir o perfil de vocês e responder como PM, ok? Não tem problema nenhum!

Espero que perdoem o inconveniente...