CAPÍTULO XXXV

O COMEÇO DO FIM OU O FIM DO COMEÇO

24 de julho, quinta-feira. Uma manhã nada relaxante em sala de aula.

Não podia acreditar em sua sorte, era humanamente impossível ter tanta sorte acumulada em um único mês. Claro, estava sendo irônico, pois para Toshihiro Urameshi aquele dia, assim como todos os outros daquele mês, estava banhado em azar no seu estado bruto, aquele que mais faz efeito. Como se já não bastasse ter que aturar um irmão com instintos assassinos e a adrenalina de provas surpresas, ainda teve que se controlar para não ter um chilique ao ver a prova de geografia repousando em cima da sua mesa com sua inocência hipócrita de quem sabe o dano que causa, mas se finge de inocente.

Isso não era o pior, com certeza. Se estivesse fazendo essa mesma prova no dia certo, na hora certa e com alguma revisão prévia, ainda tinha esperanças de conseguir algo melhor do quedois pontos em dez, mas essa prova o havia pego desprevenido e sem nenhum estudo ou qualquer outra coisa que pudessem ajudá-lo a citar os principais rios da África Sub-Saariana e os países a que cortam. Isso, combinado com a voz irritante de Satsuki que toda hora ecoava em sua cabeça dizendo "estude primeiro as matérias que você tem dificuldade, não as que mais gosta" sim é que era o pior.

A impressão que Toshihiro teve foi que toda a areia da ampulheta caíra de uma só vez, sem que ele ao menos pudesse piscar. A prova estava incompleta quando Zanxam-sensei recolheu-a com olhar de desaprovação. Pelo menos por hora, não precisaria mais se preocupar com carrascos em forma de questões impressas.

No intervalo, os alunos seguiram estudando as matérias que mais tinham dificuldades, se preparando para não ter que passar pelo mesmo sufoco que o chinês trançado. Estavam todos quietos, com exceção de Rumiko e Ken, cuja mesa estava abarrotada de livros de todas as disciplinas restantes. A dupla,com dificuldades em todas as matérias, não sabia exatamente em qual deveria focalizar sua atenção. Japonês era a única matéria já descartada, mas ainda havia inglês, história e filosofia a serem examinadas em menos de uma hora.

- O que você acha da gente tirar filosofia, Rumiko? –Perguntou Ken para a amiga. – Além da gente sempre poder inventar as respostas com mais facilidade, eu tô com o pressentimento de que ela não vai dar essa prova hoje.

- Eu acho melhor a gente tirar história primeiro. – Retrucou Rumiko. – Se ela quer variar a ordem, não vai história depois de geografia.

- Então tá, vamos estudar inglês!

Entre pressentimentos e lógica, se tratando de Zanxam-sensei sempre é melhor ficar com a segunda, regra que Ken ainda precisava aprender. A mesma frustração que invadiu Toshihiro por não ter estudadogeografia quando teve chance invadiu Ken ao ver que a segunda prova do dia seria de filosofia.

"Faça um texto analisando as idéias racionalistas, empiristas e a filosofia de Kant, comparando-as e apontando suas diferenças". Essa era a única questão da folha, seguida por uma página de linhas em branco. O azar de Toshihiro havia se transferido para Ken durante o intervalo, essa era a única explicação possível para o fato.

"Certo... Vamos ver..." – A mente de Ken começou a trabalhar. Em algum lugar da sala, ele sabia que Satsuki escrevia sem parar sobre sua matéria favorita. Se ao menos pudesse colar dela... Maldita professora, que colocara os alunos da sexta série distantes uns dos outros. "Racionalistas são razoáveis... Acho que é essa a associação. Sendo assim, eles devem ter um tipo de política meio-termo, nem frio, nem quente. Empiristas... Isso tá mais difícil... Será que eles eram os caras que estavam Em Perigo ou coisa assim? Tipo refugiados políticos com seus ideais revolucionários da Revolução Francesa de Paz na Terra aos Homens e aos Guerreiros de Boa Vontade? Se for isso mesmo, já tenho dois terços das respostas... Kant... Isso mais parece o imperativo do verbo cantar, na minha opinião, mas não deve ser isso, é muito fácil... JÁ SEI! Um anagrama do nome dele é Tank... Será que ele trabalhava no ramo da limpeza ou coisa assim? Do tipo que fazia campanha contra a sujeira das ruas? Bom, certo ou não eu já tenho meu texto!

Zanxam-sensei estava fadada a ter um ataque cardíaco naquela tarde ao corrigir as provas.


Uma vez terminadas as provas e o almoço, os Taichi pegaram carona no ônibus até o ginásio para conferir a luta que decidiria seus futuros adversários. Por três rounds a zero, os vencedores foram os Malavilhas, de Malavi. A luta estava marcada para o dia vinte e nove de julho.


25 de julho, sexta-feira. Muito estudo e nenhuma luta.

Inglês foi a primeira prova da manhã. Bom para Ken e Rumiko, que já haviam feito uma revisão e, ao terminarem de escrever dez minutos antes do fim do prazo, foram invadidos pela gostosa sensação de que para variar não seriam reprovados. Talvez para compensar o desafio quase impossível de filosofia, Zanxam-sensei escolheu uma prova não muito difícil na manhã seguinte.

Estudar se tornava algo muito mais fácil quando se sabia exatamente o que estava por vir. Faltavam apenas história e as outras provas de língua, que incluiriam japonês, mandarim, africâner e zulu, os alunos se perguntavam como a professora faria para corrigir as provas dos The Strongest, pois imaginavam que ela não falasse esses idiomas. Zanxam-sensei era japonesa descendente de chineses, o contrário de seus alunos, não era estranho que falasse mandarim e pudesse aplicar essas provas em Toshihiro e Takashi, mas os idiomas da África do Sul eram outra história, assim como tantos outros que estavam por vir até o fim do campeonato.

- Se querem saber a minha opinião, teremos prova de história agora. Eu sinto.

Ken precisava urgentemente de um check-up em sua intuição, em dois dias ela já acumulava duas falhas. A segunda prova da sexta-feira foi a da língua materna dos beybladers, com uma abordagem diferenciada das provas realizadas até então. Pelo fato de serem as "línguas maternas", Toshihiro, Takashi e Hehashiro contemplaram em sua mesa provas em mandarim, enquanto Rumiko, Ken e Satsuki teriam que responder à prova de japonês. Entre os outros The Strongest, mais diferenças: Lily prestaria o exame de africâner e David e Mário, de zulu.


Agora que apenas mais quatro equipes permaneciam no hotel, Daitenji-san perguntou se os Taichi gostariam de se dividir. Não precisou perguntar outra vez. A equipe japonesa apressou-se em arrumar as coisas, mesmo sem decidir como ficaria a nova divisão. Somente quando mais de oitenta por cento de todos os cacarecos e bugigangas da equipe já estavam nas malas foi que Yuy, não muito contente com a bagunça que estavam fazendo, se pronunciou:

- Vocês por um acaso sabem quem exatamente vai mudar de quarto ou estão achando que cada um ganhou o direito de ter um quarto particular?

- Como é que você consegue ser tão chato até mesmo quando está doente? – Devolveu Ken, atirando a mochila no chão do quarto.

- Não estou sendo chato, apenas racional. Pelo visto essa é uma característica que vocês já perderam...

- Assim não vai dar! – Explodiu Ken – Se o Daitenji-san me deixar no mesmo quarto que você por mais um dia, eu tenho um chilique aqui mesmo!

Daitenji-san escolheu exatamente esse momento para aparecer.

- A divisão dos quartos já foi feita. Satsuki-chan, Rumiko-chan e Takashi-kun podem ir para o quarto ao lado. Ken-kun, Toshihiro-kun e Yuy-kun ficam aqui.

- NÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOO! O QUE EU FIZ PRA MERECER ISSO, MEU DEUS?


Já passava das nove da noite quando Ken conseguiu se acalmar e aceitar a realidade. Para sua sorte, ele ao menos não perdeu o jantar, uma festa das mais animadas entre as organizadas até o momento. A principal atração era o concurso de karaokê, onde apenas duplas podiam participar.

Para representar seu país, Rumiko e Ken escolheram músicas de animes para interpretar. A escolhida foi Pegasus Fantasy, a abertura de Saint Seiya. A empolgação da dupla não impediu que eles fossem retirados a força do palco antes da metade da música por desafinação.

Satsuki e David, por sua vez, arrancaram muito aplausos de quem estava por perto e ouviu a execução de "All You Need Is Love", dos antigos Beatles. Animado pelo sucesso da música antiga, Ken voltou ao palco, dessa vez com Takashi. A música: Honey Pie, também do conjunto inglês. Devido a letra da música, uma repetição ritmada do título, a performance foi mais corporal – saltos, piruetas, cambalhotas e outras loucuras – do que vocal, e dessa vez o japonês saiu do palco somente após o término da música. Mário viu sua grande chance de ficar conhecido no mundo da fotografia durante a festa, fotografando os convidados para depois expor as fotos no saguão do hotel.

Na hora de dormir, Ken e Takashi, cada um em seu quarto, mas incrivelmente sincronizados, ainda cantavam "Honey Pie". O japonês foi calado com uma travesseirada conjunta de Toshihiro e Yuy, enquanto Takashi foi posto para cantar no banheiro pelas amigas.


Domingo, 27 de julho.

Com a proximidade das semifinais, as equipes não fizeram muito mais do que treinar na primeira metade do fim de semana. Todos treinaram com verdadeiro afinco e dedicação, tanto que no domingo já não restava muita energia para fazer algo útil. Sendo assim, os Taichi e os The Strongest passaram o dia dispersos pelo hotel, refletindo sobre suas vidas ou atrapalhando a vida dos outros com brincadeiras de mau gosto muito engraçadas para quem faz, mas não para quem sofre. Encaixavam-se na segunda opção Ken, Takashi e David por um certo tempo. Na primeira, Lily era uma das mais sérias.

Tanta coisa acontecera em sua vida em apenas quatro semanas... O Torneio Africano, a descoberta de seus verdadeiros sentimentos por Hehashiro, a briga com o mesmo, a crise na equipe. Não podia acreditar que quatro amigos tão unidos daquele jeito estavam quase se evitando agora. Se preocupava demais com o amigo chinês, apesar de tudo ainda o amava, amava mais do que qualquer outro ser neste mundo. Podia dizer o que quisesse no calor do momento, sabia que não conseguiria viver longe de seu amado depois do fim do torneio. Seu futuro, porém, era incerto. Em três dias já não haveria mais lutas. Com o fim destas, terminavam também os motivos para a equipe continuar junta. O afastamento do ex-líder dava-se como certo, ainda mais se ele conseguisse seu intento de vencer o irmão mais novo. Tudo seria tão mais fácil se ele esquecesse essa vingança boba...

Medo maior do que o de perder o amado era apenas o medo que ele fizesse alguma coisa errada, ilegal ou violenta para cumprir seus objetivos. No começo, não parecia plausível a possibilidade de Hehashiro agredir fisicamente o irmão ou até mesmo tentar matá-lo, mas a briga na Table Mountain tornou a inviabilidade uma coisa até próxima da realidade. Considerando o tamanho do ódio que habitava o adolescente, um crime talvez não estivesse fora dos planos.

O que fazer então para remediar a situação, reparar os danos, provocar uma mudança? Era nisso que se concentrava na tarde ensolarada e sem vento, um pouco mais quente do que a média da época, sentada na cobertura do hotel admirando a paisagem. A natureza a inspirava, apressava o surgimento de soluções. Era com isso que estava contando agora. Aparentemente, estava funcionando. Em sua mente, uma única imagem de pessoa surgiu: David.

Podia parecer até um pouco estranho tentar encontrar as respostas de seus problemas no novo líder da equipe, mas a energia positiva que o garoto emanava não era de se descartar numa situação daquelas. A admiração que sentia pelo garoto desde que se conheceram no Torneio de Classificação só crescera desde então. Tinha o garoto com especial muito antes de saber de seus problemas.

Nunca desistir, se levantar sempre, lutar até o fim. Hehashiro e David foram as duas pessoas que a ensinaram essas características tão importantes no beyblade e na vida. Ambos passaram por dificuldades que ela nunca imaginou, nem mesmo quando vivia na sombra do Apartheid com seu pai. Só por estarem vivos agora para participar do torneio, eles já podiam se considerar vencedores.

Por mais que David fizesse piadas, risse, tentasse minimizar o fato de estar contaminado com um dos piores vírus da atualidade, Lily sabia o quanto ele sofria internamente com tudo isso. Tomar remédios sempre e em hora marcada, ter cuidado redobrado com qualquer atividade um pouco mais arriscada, enfrentar o preconceito de milhões de pessoas... Não, por mais que o amigo tentasse fingir que tudo era simples, ela sabia que não era bem assim. O garoto vivia com a morte ao seu encalço, brincava com ela, tentava por hora enganá-la, mas com a certeza de que um dia esgotaria todas as rotas de fuga e as escapadas mirabolantes. Ele provavelmente morreria em conseqüência da doença e talvez não demorasse muito.

Lily podia estar enganada, mas talvez essa proximidade com a realidade da morte preparasse David para enfrentar as adversidades de uma maneira muito melhor que a maioria das pessoas. Com o tempo, ele havia aprendido a não temer o fim, não achar que tudo poderia terminar de uma força tão simples. Como o próprio David já dissera, ele vivia por viver, para aproveitar a vida enquanto ela ainda estava ali. Recusava-se a desperdiçar seu tempo com bobagens, futilidades, e conseguia fazer cada momento ser o mais intenso possível. Sua personalidade bagunceira era conseqüência disso, e talvez fosse esse o motivo pelo qual Zanxam-sensei tenha resistido esse tempo todo sem suspendê-lo de suas aulas. Era até engraçado pensar que alguém que tinha tudo para ser uma pessoa trágica e fechada pudesse fazer os outros soltarem tantas gargalhadas.

Sim, era de alguém como David Dubiaku, o Crap, que precisava naquele momento.

Encontrou o dito-cujo junto com Mário na recepção do hotel. Ao que parece, a dupla estava rodando um documentário sobre "A rotina domingueira dos ricos e poderosos que se hospedam no hotel mais luxuoso da cidade" ou qualquer coisa assim. Mário largara sua máquina fotográfica para pegar na filmadora enquanto David tentava – embora sem obter muito sucesso – entrevistar uma família de alemães recém-chegada. Quando os garotos terminaram, ou desistiram de vez,e os hóspedes de afastaram em direção aos novos quartos, Lily se aproximou e pediu para conversar com o garoto. Era agora ou nunca. Ela o conduziu até o lugar onde estivera pouco tempo antes, o banco na cobertura próximo ao restaurante, a essa hora fechado.

- O que você quer? – Perguntou David, curioso. Sem dar tempo para a garota responder, ele mesmo o fez, em outra de suas piadas. – Veio dizer que está apaixonada por mim e quere ter uma noite de amor?

- Mas nem morta! – Exclamou Lily, pega de surpresa.

- É, eu sei. – David ficou sério até demais. – Você ama demais o Hehashiro para fazer alguma coisa assim.

- Como é que... – Lily estava perplexa com a capacidade observadora do amigo, ou talvez com sua capacidade de expor o coração. Primeiro Toshihiro, agora David, todos pareciam saber a mais tempo do que ela mesma sobre essas coisas.

- Como é que o que? – David já estava rindo de novo, não era de sua natureza ficar sério por muito tempo. – Tá achando o que? Que você é tipo o Yuy que ninguém consegue saber o que pensa? Cá entre nós, você é uma das pessoas mais transparentes que eu conheço, e isso não é uma crítica. Só mesmo alguém muito burro e cego pra não conseguir ler o que está escrito na sua testa.

- Tipo quem? – Perguntou a garota de volta, torcendo para que David não dissesse o nome que ela tinha em mente.

- Você sabe tanto quanto eu que se o Hehashiro tivesse um pingo de consciência de tudo que você sente por ele, não teria feito o que fez naquele dia. Ele deixou todos nós mal por causa disso. O clima na equipe só tem piorado, cada vez mais eu me sinto num velório...

- Para de falar em velório! – Exclamou Lily, nervosa – Me dá um mal pressentimento...

- Qual? Que eu vou morrer? – Perguntou David, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo – Bom, acho que todos nós vamos estar mortos um dia. Não tem com que se preocupar. Olha, eu juro que, caso eu morra antes de você, eu volto para te dizer como é, ok?

- David! – Censurou Lily – Isso não é coisa que se fale!

- Lily, se a gente parar pra filosofar um pouco que nem aquele tal de "Cante" lá da prova, a morte é a única coisa certa na vida. – Lily até corrigiria o amigo pelo erro no nome do filósofo se não estivesse tão concentrada no que ele tinha a dizer – Eu acho que se eu tiver medo da única coisa que eu sei que vai acontecer comigo, não vou conseguir viver intensamente o presente. Um sorriso vale muito mais do que uma lágrima, sorrindo pra tudo a gente vive bem melhor. Garantido por experiência própria!

- Ah, David...

- Nós estamos fugindo do assunto de novo. – Declarou o garoto de repente, voltando a tentar ficar sério – Não foi para falar de velórios e mortes que você veio aqui, não é? Foi por causa do Hehashiro.

- Sim. – Confirmou ela, envergonhada e com a horrível sensação de possuir uma mente do tipo "livro aberto para todos" – Eu queria... queria poder desabafar com alguém que possa me entender... entender como eu estou me sentindo... e acho que posso confiar em você.

- Pode ter certeza. Eu vou te ajudar no que precisar. – Ele realmente conseguiu ficar sério ao dizer isso. Era muito importante para Lily que ele ficasse assim agora, e a felicidade da garota valia qualquer sacrifício, inclusive de índole.

- Sabe, o Hehashiro sempre foi tão legal... a gente viveu como irmãos por quase dois anos e ele sempre foi muito legal comigo. Eu ajudava ele com os estudos e podia sentir que ele realmente se dedicava, sabe, queria se sair bem. E ele sempre foi assim com tudo que interessava para ele. Sempre foi determinado, lutava com garra e coragem. Se não fosse assim, não teria conseguido sobreviver tanto tempo nas ruas... Ele sempre foi uma pessoa maravilhosa, mas esse ódio que ele sente pelo irmão e pelos pais volta e meia deixava ele nervoso. Quando a gente morava em Pretória, às vezes ele ficava esquisito, mas era só deixá-lo um pouco sozinho no quarto refletindo e ele logo voltava a ser o cara legal de sempre.Mas agora...

- Lily, você tá chorando. – David interrompeu sem querer, em seguida passando a mão no rosto da garota e limpando as lágrimas que caíam.

- Desculpa... Eu não queria...

- Não, que é isso! – Foi a vez de David se desculpar – Quando a gente fica triste, o melhor remédio é pôr tudo para fora de uma vez, não deixar nada. Palavra de mamãe, é de confiança.

Lily encostou a cabeça no ombro de David para continuar o relato. Não encarava mais o amigo, seus olhos estavam voltados para o céu azul e algumas poucas nuvens brancas que nele flutuavam. Sentia que o corpo do amigo estava quente por baixo do blusão de lã.

- Desde que a gente veio para cá... desde que voltamos da viagem à Oceania, eu já sentia que ele estava piorando, via a mudança, mas no começo a ignorava. Não quis ver, aceitar, que a presença de Toshihiro aqui pudesse mudá-lo completamente. Talvez, quem sabe, se eu tivesse tentado ajudá-lo enquanto ele ainda tinha um pouco de bom senso, as coisas não podiam ser diferentes agora? Me sinto culpada pela minha cegueira...

- Não, Lily, também não é assim! O Hehashiro ficou louco daquele jeito porque quis, se você tivesse tentado ajudá-lo ou não, pra mim não faria a menor diferença. Quando a gente guarda alguma coisa pesada por muito tempo, ela se acumula, se expande até não poder mais, causando uma explosão. Parecido com uma panela de pressão. No caso do Hehashiro, ele não tinha válvula de escape pra todo esse estresse, e ele acabou tomando conta de todo o espaço disponível.

- Eu estou assustada. Tenho medo que Hehashiro tente machucar o Toshihiro de novo ou algo pior... Não quero que o Hehashiro chegue ao extremo de ma...

- Hehashiro não vai fazer nada por enquanto, eu tenho certeza.

- Como você pode estar tão certo? – A calma de David era tanta que chegava mesmo a assustar.

- Se o objetivo de Hehashiro é vencer Toshihiro no torneio, ele não pode dar um fim no irmão até lá. Pelo menos por mais três dias nada vai acontecer entre esses dois.

- E depois do torneio? – Ainda havia uma parte do problema que a resposta de David não compreendia.

- Ah, os Taichi vão embora dia trinta e um. Duvido que ele tenha tempo de fazer alguma coisa. Alem do mais, por mais insano que esteja, Hehashiro não é burro. Qualquer coisa que ele tente fazer contra Toshihiro depois do aniversário de dezoito anos pode ser considerado crime e ter punições severas, ele vai ser adulto aos olhos da lei e terá de arcar com as conseqüências de seus atos. Acho que por mais raiva que ele sinta, não vai arriscar ser preso, né?

- É, você tem razão. – Lily concordou, um pouco mais aliviada.

- Sabe o que eu acho? – A cabeça de Lily saiu de sua posição confortável para encarar o garoto. Na visão de David, já estava na hora de voltar a fazer piadas – Acho que nós estamos dentro de um filme. Nesse filme, o mocinho foi possuído pela energia negativa do grande vilão e está em apuros. Agora cabe unicamente à mocinha fazer com que ele volte à sanidade. A pergunta é: será que ela vai conseguir? Não percam. "True Love" só estará em cartaz até a próxima quarta-feira!

- David, você não tem jeito mesmo! – Lily voltou a sorrir com a piada. Estava mais animada agora. David foi tomado pela sensação feliz de dever cumprido. Os dois se abraçaram enquanto sorriam. Nessa posição, Lily estava de costas para a porta de entrada, não percebendo que mais alguém entrara, ao contrário do amigo.

Lily percebeu que havia algo errado quando o amigo parou de comemorar de repente e ficou imóvel, ainda abraçado a ela. Ao recuar para tentar encarar o amigo, foi surpreendida por uma expressão de pavor que ela nunca imaginara ver no garoto. David estava paralisado, com os olhos arregalados e a boca aberta. Se respirava, fazia isso de uma maneira muito fraca e imperceptível. Com medo do que poderia encontrar, Lily virou-se para encarar o recém-chegado. Sua expressão tornou-se muito parecida com a de David.

Hehashiro avançou vagarosamente até estar a cerca de três passos do casal de amigos paralisados, dando tempo para que ambos voltassem ao normal e pudessem reagir. O jovem chinês encarou demoradamente os dois, como se os avaliasse de cima a baixo. Era impossível saber o que se passava em sua mente, mantinha uma expressão que tanto podia revelar repulsa quanto prazer.

- Desculpe interromper o encontro romântico de vocês. – Declarou por fim, com a voz mais fria e sarcástica que os outros já ouviram sair de sua boca.

- Nós não estávamos em um encontro, Hehashiro! – Respondeu Lily rispidamente, enquanto colocava-se a frente de David por instinto.

- Ah, é? Tem certeza? Vocês estavam muito juntos para quem estava só conversando. – Os olhos de Hehashiro fixaram-se no ombro de David, molhado pelas lágrimas da garota.

- O que é isso agora, cara? Ciuminho bobo de criança? – David respondeu avançando um pouco mais e se aproximando do "companheiro" – Não acha que estamos bem grandinhos para isso, não? Olha só pra você, já tem quase dezoito anos!

- Cala a boca, verme! – David percebeu tarde demais que se encontrava perfeitamente ao alcance das mãos de Hehashiro. Sem pensar, este desferiu no africano um soco muito mais forte e carregado do que o que usara contra Toshihiro. David foi direto ao chão com a boca pingando sangue.

- Tá tudo bem, eu tô legal. – David levantou-se o mais rapidamente que pôde, tentando impedir que Lily se aproximasse e corresse algum risco de contaminação. Apesar de suas palavras, não tinha muita certeza se realmente ficaria bem. O sangue vinha com força e em grandes quantidades, mais de uma vez ele fora forçado a cuspir. Vendo que a pessoa que antes que chamara de "melhor amigo" por hora não o ameaçaria, Hehashiro voltou seu próximo comentário para Lily:

- Lily, você já tem dezessete anos, tem o direito de andar com quem quiser, eu sei disso, e também entendo. Mas acho que devia escolher melhor seus acompanhantes. – Sua voz revelava novamente sarcasmo, um ideal sádico de diversão no meio da dor e desespero dos antigos amigos – Esse aí não vale nada. – Os olhos de David arderam em fúria com esse comentário. Por um momento, sentiu vontade de avançar em Hehashiro, mesmo sabendo que perderia um combate corpo a corpo. Com um pouco de sorte, podia contaminar o amigo com seu vírus, um presente que ele jamais esqueceria. Esse pensamento logo depois lhe deu nojo de si mesmo e contentou-se em apenas encarar o outro, atento a qualquer novo movimento – Você não vai poder nem se divertir com ele sem ter medo de ficar doente, se é que entende o que estou dizendo. – Ele foi o único a gargalhar com a afirmação, os outros permaneceram imóveis. Novamente virou-se para David – E quando é o seu aniversário, Crap?

- Te interessa? – Respondeu David, em tom de ameaça.

- Muito. – Foi a resposta. Os olhos do chinês brilhavam com uma expressão estranha e alucinada.

- Dezoito de outubro. Por que quer saber?

Hehashiro virou-se para Lily ao responder, sorrindo como os grandes vilões quando percebem que seu plano tem tudo para dar certo:

- Lily, é melhor se divertir com esse garoto enquanto pode. Ele não tem mais nem três meses de vida.

- O que você quer dizer? – O coração de Lily deu um salto. Ele não pretendia...

- O que você ouviu. Seu namoradinho não vai viver para ver o ano novo ou o natal. E quando eu falo, é para valer, você sabe. – Hehashiro encarou novamente David, agora com um olhar assassino que revelava todas as suas intenções. Apesar de ainda estar em alerta, o africano começava a se sentir tonto com a perda de sangue. Suspeitava que fosse o início de uma hemorragia.

- Hehashiro, eu não acredito nisso! – Exclamou Lily, com o nervosismo, o desespero e a ansiedade se misturando numa tempestade perigosa – Olha só para você! Que ciúme bobo! Eu e o David estávamos só conversando! Ele é meu amigo! – Sua voz ficou mais branda ao continuar. – Sabe sobre o que nós estávamos falando?

- O que? Tava marcando a data do casamento? – Perguntou irônico o outro em resposta.

- Antes fosse isso! – A tempestade atingiu seu auge. Era a hora de liberar tudo, doa a quem doesse. – Eu estava desabafando com o David! Não agüento mais ver você nesse estado, não agüento mais ver todo esse ódio te rodeando, essa vontade de destruir tudo, acabar com todos! Você não faz idéia do meu desespero ao descobrir o caminho que você está trilhando! Faz muito tempo que ando magoada com você pelo que você anda fazendo com seus amigos! Eu queria alguém que pudesse me ajudar... me ajudar a passar por tudo isso, me dar forças... Justamente porque não é você que está ali junto de mim pra fazer isso...

Os dois jovens encaravam Lily quase sem respirar. Era impossível saber o que se passava dentro de Hehashiro com aquelas palavras, mas David estava estupefato. A garota continuou o discurso, ainda mais firme e decidida.

- Você e seu ódio idiota por seu irmão já passaram dos limites. Eu juro que tentei, e todos aqui são testemunhas, eu juro que tentei fazer você reconsiderar e voltar a ser o que era. Mas eu desisto! Não dá mais! O seu ódio dominou completamente, o que resta do Hehashiro que eu conheci já era! Se ainda existe, deve estar agonizando! Sim, você tem razão, Urameshi-sama, é melhor não nos vermos mais depois do torneio. Vamos desfazer a equipe. Sinceramente, espero que você consiga tudo o que quer depois que você se mandar de novo. Quem sabe não arranja outra garota tola para te apoiar. – Essa era a parte que mais lhe doía dizer, mas a que tinha mais chances de tocar o coração frio do garoto. Até o momento, apesar da vontade crescente, não derramara uma lágrima. Porém continuar sem chorar era impossível – E aí vocês... vocês se casam e... você tem um monte de filhos. Aí... com esse seu... seu ódio de tudo, você descobre que não era isso que queria e mata todos eles, como você quer fazer agora com seus pais, com seu... irmão e... e com o David!

As esperanças de Lily se esvaíram quando percebeu que Hehashiro a encarava não com a expressão incógnita de antes, mas com uma recheada de prazer e satisfação.

- Não é uma má idéia. Quanto tempo você me dá para fazer tudo isso que falou? Três anos? Cinco? Sete? Pode dizer... Daí quando o prazo terminar, eu te mando uma carta contando os detalhes. Como será que você vai estar? – Os olhos do jovem se afinaram numa expressão maligna de assustar até mesmo o diabo – Ainda vai estar chorando a morte do maridinho que morreu antes de poder se casar com você vítima de seu melhor amigo? Ou já vai ter esquecido dele e vai partir para outro otário semi-morto?

Lily se revoltou. Quando achou que a tempestade já tivesse terminado, ela voltou com força total.

- Como você poder falar assim? Será que não entende que a única pessoa que eu gostaria de ficar pelo resto da minha vida é com você? Só com você!

Alguma coisa na mente de Hehashiro travou. A porção que ainda resistia à dominação, talvez. Essa vozinha baixa, sussurrante, fraca, pedia que ele parasse, parasse antes que as conseqüências fossem irreversíveis, mas outra voz, dessa vez alta, imponente, forte, a voz do ódio, era a que mandava.

- Comigo? – Foi só o que conseguiu dizer.

- É, Hehashiro, com você. – Quem respondeu foi David. Uma poça relativamente grande de sangue já se formara abaixo de seus pés, ele sentia suas forças indo embora, mas não podia desistir enquanto aquilo não acabasse. Respirou fundo antes de continuar, estava prestes a contar uma coisa que sempre desejou que permanecesse em segredo, tudo pelo bem da equipe – Eu também amo a Lily e muito mais do que você pensa. Só que, ao contrário de você, eu compreendo que ela gosta de outra pessoa e ficaria até feliz em vê-la com essa outra pessoa se tivesse a certeza que os dois seriam felizes juntos. Eu reconheço que perdi pra você de novo, Hehashiro, mas me recuso a entregá-la a um louco insano!

Foi a vez do coração de Lily disparar. Além de ser transparente, era desatenta também. Apesar de toda convivência com o companheiro de equipe, nunca notara seus verdadeiros sentimentos, e estava chocada com a real extensão deles. A adrenalina impedia que ela se movesse ou pronunciasse algo. Ouviu o resto da fala da fala de David já com as emoções no limite.

- A Lily é realmente uma pessoa muito boa. Até pouco tempo atrás, ela queria ficar com você, mesmo que você se tornasse um psicopata assassino dos amigos. Ela é sem dúvida muito melhor do que você. Ah, e antes que eu esqueça, se quer mesmo me matar, não precisa esperar até outubro, não. Se fizer isso, você já vai ser maior de idade e vai ficar preso numa penitenciária normal. Me mata agora, quem sabe, eu já disse que não tenho medo. Você não vai precisar fazer muita coisa, é só não deixar que alguém me leve pro hospital. A hemorragia vai acabar comigo do jeito que eu sei que te agrada mais: me fazendo sangrar até a morte. Vamos, aproveita a chance que eu tô te dando, antes que seja tarde demais e eu mude de idéia!

- Com muito prazer!– Hehashiro fechou os punhos e avançou na direção do colega de equipe, decido a acabar com tudo de uma maneira rápida.

- Não! Ninguém vai virar assassino aqui!– Lily, sabe-se lá de onde, conseguiu arranjar forças para se intrometer na discussão, ficando entre os dois rapazes. Estava chorando, as lágrimas escorriam como a água de uma cachoeira, mas ela não pararia de falar, precisava tentar ainda uma última vez – Hehashiro, eu sei que eu acabei de dizer que eu desisti, mas eu não consigo ser fiel a essas palavras, eu ainda gosto de você! Eu quero que tudo dê certo, não quero mais ver os outros sofrendo! Sei que você tem raiva do seu irmão, e tem todo o direito depois de tudo que aconteceu com você, mas não pode deixar que a raiva te domine, como está acontecendo agora, você tem que ser racional! Por favor, eu estou te pedindo... por favor... eu te amo... não quero que você sofra!

- Você pensa isso mesmo? – Ele perguntou. Não tentava mais avançar e relaxara os punhos.

- Claro! – Exclamou Lily, o coração a mil agarrado a essa última chance. Era o último recurso que ela tinha para impedir a tragédia iminente. – Não sei se você percebeu, mas eu, o David, o Mário, os Taichi, todos queremos ser seus amigos de novo! Por favor...

- Lily, eu... – A cabeça de Hehashiro explodiu em dor, não uma dor aguda em um único ponto, mas daquelas que não tem começo nem fim, toma conta de tudo e não deixa espaço para mais nada. As palavras de Lily penetravam como espinhos afiados na mente dominada pelo ódio, machucando-a e provocando muita dor. – não sei o que dizer... estou confuso... nada faz sentido...eu não sei o que devo fazer... – A vozinha fina e quase sufocada ganhava novas forças para respirar. Hehashiro ajoelhou-se enquanto mantinha as mãos na cabeça, se entregando.

- Volte pro quarto, Hehashiro. Você precisa de tempo para pensar. – Era David, que fazia um último esforço para falar apesar de estar com a boca cheia de sangue e da tontura. Assim que o chinês se retirou, porém, desistiu de lutar. Desmaiou em cima do próprio sangue.

- DAVID! DAVID! RESPONDE! – Desesperada, Lily correu pelo hotel à procura de alguém que pudesse ajudá-la. Precisava de uma ambulância, não sabia o que fazer. Os Taichi e Mário perceberam a gravidade da situação e correram para a cobertura. Ignorando os riscos, o único membro da equipe africana que não participara da briga aproximou-se do amigo para tentar reanimá-lo, sem sucesso. Lily chegou algum tempo depois com uma equipe de para-médicos. Eles trocaram olhares preocupados enquanto colocavam o garoto na maca. Lily foi autorizada a seguir junto para o hospital. A situação não estava nada boa para os The Strongest.


Hehashiro voltou para o quarto e se trancou. Tinha uma leve idéia do que estava acontecendo com David, sabia que devia se culpar, mas sua cabeça estava tão inchada de sentimentos e sensações que não havia espaço para mais nada. Deitou-se na cama e lá ficou, completamente apagado. Aquele era o começo do fim de um ciclo que se iniciara com a entrada dos Taichi na África, um ciclo de ódio extremo, ou talvez fosse o fim do começo de uma equipe que tinha tudo para dar certo, mas foi separada pelo destino, uma equipe chamada The Strongest, os representantes da África do Sul.


Hehashiro: Hahahahahaha! Aposto que muita gente vai gostar desse capítulo!

Toshihiro: Só se eles forem loucos como você...

Hehashiro: Quem foi que te chamou aqui, pivete?

Toshihiro: O James, vai encarar?

Rumiko: Gente, vamos nos acalmar, tá bom? Já temos um ferido grave, não precisamos de outro...

Satsuki: Será que o David vai ficar bem?

Takashi: Ah, o que é isso? Até parece que você não conhece o Jamie..

Satsuki: É exatamente ISSO que me preocupa...

TAkashi: Oh... Certo... Você tem razão...

Rumiko: Sabiam que esse foi o último capítulo daqueles que estavam arquivados aqui? O James vai ter que se esforçar agora pra poder continuar postando todas as segundas...

James: Foi o último mas o próximo está quase pronto!

Rumiko: Você tá dizendo isso desde antes de ir pra praia...

Ken: Desde muito antes de ir pra praia...

James: TIraram o dia pra me encomodar de novo, é?

Mário: Ah, gente, deixa o cara, ele tá estressado com o vestibular...

Ken: POis é, né... Chutou 99,9 das questões de literatura... E isso sem falar nas de física...

James: Nesse quesito se eu fosse você, calava a boca, porque você não ia fazer muito melhor. Isso só aconteceu porque eu não estudei nada antes da prova, não lembrava da matéria. E em literatura eu tive só três meses de aula nesses três anos que caem ali. E amanhã tem biologia e inglês...

Lily: É uma nota boa garantida, não?

James: Eu dizia a mesma coisa antes de realmente sentar para fazer as provas de português e redação. Hey, esse não é o assunto que a gente devia discutir aqui!

Satsuki: Isso mesmo! Estamos aqui para discutir os rumos do temperamento do Hehashiro.

Hehashiro: Vocês nunca vão chegar a uma conclusão que valha a pena! Mwhahahahaha!

Toshihiro: Credo, você tá parecendo aqueles vilões clichês das histórinhas toscas de ação...

Lily: É porque é isso que ele é. O Hehashiro na verdade não é vilão!

Toshihiro: Poxa, você é otimista mesmo, hein...

Lily: Ah, eu acho que ele ainda vai melhorar até o fim do capítulo!

Hehashiro: Pena que temos que discordar de novo...

Lily: HEHASHIRO! ò.ó Não diga isso!

(Hehashiro rindo descontrolado) (caindo no chão) (virando a cadeira e quase derrubando a mesa do pc também)

Toshihiro: Alguém tira esse lunático daqui? ¬¬'

Rumiko: Você se voluntaria? O.o

Toshihiro: Err.. Bem... Não" n.n'

Rumiko: Covarde! ¬¬''''''

Ken: Já se olhou no espelho?

Satsuki: Francamente... Vocês não cansam, não?

Ken: Não, estamos em plena forma! (dando pulinhos no lugar)

Satsuki: Então tá, eu vou acabar logo com isso antes que vocês contaminem esse espaço com mais bobagens sem sentido!

NO próximo capítulo (que o James tá pra terminar desde antes de sair pra praia):

Finalmente chegam as semifinais. O torneio está acabando. Justo quando todos esperavam que uma certa pessoa fosse explodir, seu comportamente muda drasticamente. Seria esse o fim definitivo dos problemas dos beybladers? Ou isso é apenas uma preparaçaõ para o que está por vir?

Em Beyblade 2 - Os Antecessores - Capítulo 36:

Antes da tempestade, a Calmaria

Vemos vocês lá!

E naõ deixem de mandar reviews, a gente agradece!

Satsuki Kinomoto

Rumiko HIgurashi

Toshihiro Urameshi

Ken Urashima

Takashi Yadate

Lily Brum

Mário Ubqualab

Hehashiro Urameshi

James Hiwatari