No capítulo anterior: Kai tentou que Aya lhe dissesse para onde Aki fora viajar, mas ela não lhe contou. Allison ligou a Tyson, a dizer que já o tinha esquecido e que ia encontrar um novo príncipe encantado. Tyson e Max falaram da possibilidade de Hilary e Zeo gostarem um do outro. Ray quase foi atropelado, mas foi salvo por Nina, uma rapariga que apareceu no último momento. Nina fez rapidamente amizade com eles e foi jantar à mansão, pedindo autógrafos a toda a gente.

Capítulo 38: A Descoberta de Max

Aki subiu até ao seu quarto. Tinha prometido a Kai que o avisaria de tudo o que se passasse e estava na hora de ele lhe ligar. Aki pegou no telemóvel.

Na sala, Nina estava super entusiasmada para ver os beyblades de todos. Agora que já conhecia pessoalmente os Bladebreakers e que já obtivera os seus autógrafos, faltava-lhe apenas ver os beyblades pessoalmente.

"Oh, vá lá, eu gostava muito." pediu Nina, com os olhos a brilhar.

"Está bem. Eu vou buscar o Draciel e o Dragoon." disse Max. "Acho que ficaram no quarto que eu e o Tyson usámos quando… estávamos a dormir."

"Passa pelo meu quarto e traz o Drigger também." pediu Ray.

"Está bem. Venho já."

Max subiu as escadas e dirigiu-se ao quarto que ele e Tyson tinham ocupado. Agora passavam também bastante tempo na mansão, pelo que por vezes ficavam mesmo a passar lá a noite. Max pegou nos beyblades que continham Draciel e Dragoon. Depois dirigiu-se ao quarto de Kai e Ray, mas ao ouvir a voz de Aki, parou à porta. Ia para bater, mas hesitou.

"Está. Kai, está tudo bem contigo?" perguntou Aki.

"Huh? Ele está a perguntar a si próprio se está bem?" pensou Max, confuso.

"Aki, onde é que tu estás? A Aya não me quis dizer!" exclamou Kai, do outro lado da linha. "E eu estou farto de estar na ignorância. Já basta estar aqui fechado. Quero saber para onde estás!"

"Eu estou no Japão, Kai." respondeu Aki.

"Estás no Japão a fazer o quê? Tu disseste que me ias ajudar a sair daqui!" exclamou Kai. "O que é que isso tem a ver com o facto de teres ido para o Japão?"

"Eu já te vou dizer porque é que eu estou aqui Kai, mas primeiro diz-me, estão a tratar-te bem?" perguntou Aki.

"Se consideras que estar preso numa cave de uma mansão na Rússia, é estarem a tratar-me bem, então até estão." disse Kai, sarcasticamente. "Agora diz-me porque é que tu estás no Japão."

"O avô disse que só te libertava se eu acabasse com o relacionamento entre ti e o Ray. Eu vim com a Amy até ao Japão e tomei o teu lugar." explicou Aki.

Max abriu a boca de espanto. Na sua cabeça, tentava perceber exactamente o que acabara de ouvir, mas não parecia fazer qualquer sentido.

"Ok, o que se está a passar aqui? Ou o Kai ficou maluco… ou aquele Kai é um impostor!"

"Aki, é mesmo verdade que o Voltaire te enviou para aí com esse objectivo?" perguntou Kai.

"É verdade, Kai. O nosso avô Voltaire enviou-me para me fazer passar por ti e assim, tenho de terminar o teu relacionamento com o Ray. Como eu sou o teu irmão gémeo, ninguém desconfiou." disse Aki. "Desculpa Kai, mas é a única maneira de te libertar. Tenho de fazer isto para o teu bem. Depois, serás novamente livre."

Max tapou a boca com as mãos e acabou por deixar Dragoon e Draciel caírem ao chão, mas como caíram sobre a carpete do corredor, não fizeram barulho.

"Não pode ser! Irmão gémeo? Então, aquele não é mesmo o Kai. E foi enviado pelo Voltaire." pensou Max. "Mas eu nunca soube que o Kai tinha um irmão gémeo. Nunca ouvi nada sobre isso e tenho a certeza que os outros também não sabem. Talvez o Ray saiba, mas ainda assim, duvido. Mas onde estará o verdadeiro Kai?"

"Tu estás a tentar acabar com tudo o que eu e o Ray tivemos? Não podes fazer isso Aki!" gritou Kai.

"É a única maneira de te libertar, Kai. Eu não gosto de fazer isto, mas é a única maneira. Já não vai faltar muito para eu te libertar." disse Aki. "Mais uns dias e…"

"Aki, por favor não faças isso!" pediu Kai. A sua voz estava tremida. "O Ray é o que eu tenho de mais importante. Eu não me importo se ficar aqui preso, mas não magoes o Ray, por favor."

"Kai eu…"

"O que é que andas a fazer para me separar do Ray?" perguntou Kai. "Seja o que for, tens de parar com isso, já!"

"Não posso, Kai." respondeu Aki, firmemente. "Tenho de fazer o que o avô quer, senão ele magoa-te, não percebes? Para já tenho apenas discutido com o Ray. Não gosto disso, a sério, mas irei conseguir irritá-lo ao máximo e depois acabarei o vosso namoro. Não vai ser algo de que me orgulhe, mas…"

"Não podes fazer isso!" disse Kai, quase gritando do outro lado da linha. Tentou não levantar demasiado a voz, caso contrário o guarda que estava do outro lado da porta podia ouvi-lo. "Promete-me, Aki. Promete-me que não irás magoar mais o Ray."

"Kai…"

"Aki! Tens de me prometer. E tenho de saber se o Ray está bem."

"O Ray está bem. Todos os outros estão bem…"

Aki desligou a chamada de seguida. Que iria ele fazer? Continuaria com a sua missão e salvaria Kai, mas destruiria a coisa mais importante para ele, o seu relacionamento com Ray ou contaria tudo a Ray e poria Kai em perigo e a família de Amy também?

"O que vou eu fazer agora?" murmurou Aki, confuso.

Nesse momento, Max entrou de rompante no quarto. Parecia determinado depois de ter ouvido tudo aquilo. Não ouvira o que Kai dissera do outro lado da linha, mas ouvira perfeitamente tudo o que Aki dissera.

"Acho que podias começar por explicar o que eu te ouvi a falar ao telemóvel." disse Max. "Quem és tu afinal?"

Beyblade: História de um Amor Conturbado

Na mansão de Voltaire, na Rússia, Kai sentou-se na cama da sua cela. Aki estava a tentar salvá-lo e ao mesmo tempo estava a destruir o que mais precioso havia para ele. Kai sabia que, mesmo que Aki o conseguisse libertar, se ele destruísse o seu relacionamento com Ray, Kai nunca o iria perdoar. Desejou com todas as suas forças que Aki não continuasse com a sua missão.

"Não posso deixar que o Aki destrua o que eu e o Ray temos e tivemos. Tenho de sair daqui!"

Kai escondeu rapidamente o telemóvel que Aki lhe dera e depois começou a bater na porta da sua cela.

"Ei! Pouco barulho!" gritou o guarda, do outro lado da porta.

"Eu quero sair daqui!"

"E eu quero ser rico, mas não sou." disse o guarda. "A vida é assim mesmo."

"Argh! Tire-me daqui!" gritou Kai, continuando a bater na porta.

A porta abriu-se de seguida e o guarda, munido de uma pistola, entrou na cela. Kai recuou.

"Olha lá, estou farto de te ouvir." disse o guarda. "Tenho ordens para te magoar um pouco se tu causares problemas."

"Você não me vai dar um tiro. O meu avô não deixaria que fizesse isso." disse Kai.

"Um tiro na perna não te vai matar, mas de certeza que vai fazer com que estejas mais calminho." disse o guarda, sorrindo maliciosamente.

"Ei, pare com isso." disse uma voz atrás do guarda.

O guarda virou-se e viu que Aya tinha aparecido com uma bandeja de comida nas mãos. Aya estava com uma expressão bastante severa na sua face.

"Você não tem o direito de estar a intimidar o Kai." disse ela.

"Ora dona Aya, não pense que pode chegar aqui e…"

"Cale-se!" gritou Aya e o guarda calou-se instantaneamente. "Vá lá para fora. Eu vim trazer a comida do Kai e o Voltaire não quer que haja confusões comigo por perto. Entendido?"

O guarda saiu da cela, fechando a porta atrás de si. Aya pousou a bandeja com comida na cama de Kai e depois suspirou. Pelo menos daquela vez o guarda não lhe fizera frente, porque se o fizesse, Aya não tinha realmente nada a que se agarrar. Mentira. Voltaire não queria saber se havia confusões com ela por perto ou não, visto que não queria saber dela de todo.

"Estás bem, Kai?"

"Não, não estou." respondeu Kai, zangado. "Tenho de sair daqui."

"Kai… eu também queria que pudesses estar livre, mas eu não posso fazer nada. O Aki está a tentar libertar-te." disse Aya.

"O Aki está a fazer tudo mal. Ele vai destruir a minha relação com o Ray. Não posso deixar que isso aconteça." disse Kai. "Já sei que ele está no Japão. Você já sabias o que é que o Aki ia fazer, não sabias?"

Aya acenou afirmativamente com a cabeça. Depois, olhou atentamente para Kai.

"Como é que tu soubeste para onde o Aki foi e o que foi fazer?" perguntou ela.

"Não confio o suficiente em ti para te dizer." respondeu Kai.

O silêncio abateu-se sobre a cela, enquanto Aya e Kai se entreolhavam, olhos nos olhos.

"Vais dizer ao Voltaire que eu já sei?" perguntou Kai, na defensiva.

"Não, não vou. Ele não tem de saber de nada. Não sei como é que ficaste a saber, Kai, mas não importa." disse Aya. "Diz-me, tu amas mesmo esse Ray?"

"Amo-o mais do que a minha própria vida." respondeu Kai.

Aya baixou os olhos.

"Lamento muito. Mas se o Aki não fizer o que o Voltaire quer, não ficarás livre."

"Prefiro ficar aqui a apodrecer, se souber que o Ray não vai ficar a pensar que eu o quero deixar ou que não o amo."

"Kai, eu vou tentar arranjar maneira de contactar o Aki e convencê-lo a não continuar com o plano." disse Aya.

"Juras?"

"Juro, Kai. Agora come o que te trouxe. Depois venho buscar a bandeja."

Um minuto depois, Aya tinha saído da cela.

Beyblade: História de um Amor Conturbado

De volta ao Japão, Max e Aki desceram as escadas e entraram na sala de estar. Zeo, Ray, Tyson, Wyatt, Amy, Nina e Vénus estavam lá. Max tinha voltado a deixar Dragoon e Draciel no seu quarto.

"Oh, então onde estão os beyblades?" perguntou Nina, desapontada.

"Desculpa Nina, mas isso fica para depois." disse Max. "Agora há uma coisa mais importante a resolver."

"O que queres dizer?" perguntou Zeo, confuso.

"O Kai… quer dizer, este rapaz tem uma coisa a contar-vos." disse Max, apontando para Aki.

"É verdade. Eu tenho algo muito importante para vos dizer." disse Aki, engolindo em seco.

Tendo sido apanhado por Max, Aki não tinha agora outra hipótese se não contar a verdade. Se por um lado se sentia nervoso, porque além de ir revelar que andara a enganar os outros, ainda poderia pôr Kai em risco. Por outro lado, seria um peso que sairia das suas costas. Max compreendera a situação, pelo que esperava que os outros fizessem o mesmo.

"O que é, Kai?" perguntou Tyson.

"Eu não sou o Kai." disse Aki

Todos, com excepção de Max e Amy, ficaram surpreendidos. Amy arregalou os olhos, ficando subitamente muito tensa.

"O Kai ficou maluco." disse Nina, olhando para os outros. "Agora diz que não é ele próprio…"

"Kai, o que é tu estás a dizer?" perguntou Ray, confuso. "Obviamente que tu és tu."

Amy lançou um olhar mortífero a Aki.

"Pára com isso, Amy!" gritou Aki. "Eu vou contar a verdade."

"Cala-te!" gritou Amy, levantando-se do sofá onde estava sentada. "Ele não sabe o que está a dizer."

Amy aproximou-se de imediato de Aki e agarrou-lhe o braço esquerdo.

"O Kai não se está a sentir bem, claramente." disse ela. "Acho melhor ires deitar-te e…"

Com um safanão, Aki libertou-se de Amy. Ela sentiu a sua pulsação aumentar. Como era possível que Aki fosse abrir o jogo agora, quando estavam perto de concretizar o plano?

"Ele vai deitar tudo a perder." pensou Amy. "E a minha família poderá morrer por causa disto!"

Aki passou os olhos pelos presentes na sala. Zeo estava sentado na ponta do sofá, confuso. Ray tinha-se levantado e Tyson e Wyatt permaneciam sentados e com o sobrolho franzido. Max lançou um olhar a Aki, incitando-o a avançar.

"Eu não sou o Kai. O meu nome é Akiru e sou o irmão gémeo do Kai." revelou Aki.

"Não pode ser. O Kai não tem irmãos, muito menos um irmão gémeo." disse Ray.

Aki respirou fundo e tirou as lentes de contacto, revelando os seus olhos verdes. Wyatt soltou uma exclamação de surpresa e Zeo e Tyson entreolharam-se.

"Eu vou contar-vos tudo."

Amy tentou escapar-se discretamente, mas Nina levantou-se e barrou-lhe o caminho para fora da sala de estar.

"Vais a algum lado?" perguntou Nina.

"Deixa-me passar." disse Amy, ameaçadoramente.

"A Amy tem de ficar. Ela também está envolvida nisto tudo." disse Aki.

Amy foi rapidamente rodeada por Tyson, Nina e Zeo e não pôde sair dali. Aki começou a contar toda a sua história. Quando chegou ao fim, Ray estava bastante nervoso.

"O Kai está preso numa cela de uma cave, numa mansão na Rússia?" perguntou ele, incrédulo. "Temos de avisar a polícia!"

"Não vale a pena." disse Aki. "O meu avô tem pessoas infiltradas na polícia. Se a avisássemos, o meu avô teria tempo de fugir e levar o Kai com ele. E depois não saberíamos para onde é que eles tinham ido."

"Não podem avisar a polícia, seja como for." disse Amy. "A minha família e o Kai estão em perigo e o Voltaire ia logo fazer-lhes mal."

"Ora, tu está calada." disse Ray, numa voz ameaçadora. "Se tu não fosses uma fraca, agora o Kai estaria aqui! Foste tu que foste culpada de ele ter sido raptado!"

"A culpa não é minha. Eu estou a ser ameaçada." defendeu-se Amy. "Por favor, têm de compreender. Eu sou uma vitima nisto tudo!"

"Amy, eu até compreendo." disse Wyatt. "Mas entregaste o Kai e agora não podes esperar que gostemos de ti."

"Vai-te embora daqui. Agora!" ordenou Ray.

"E vou mesmo." disse Amy. "Mas a minha família…"

"Foge com ela." disse Aki. "Leva a tua família para bem longe, onde não possam ser encontrados… ou pelo menos, escondam-se o melhor que puderem."

"O Voltaire vai encontrar-nos." disse Amy.

"É a única hipótese que tens." disse Zeo. "Vai!"

Amy saiu da sala de estar a correr, subiu as escadas apressadamente e regressou com a sua mala na mão. Por essa altura, já todos os outros estavam reunidos no hall de entrada.

"Pronto, eu vou-me embora." disse ela.

"Mais uma coisa." disse Ray. "Não te atrevas a contactar o Voltaire. Não te atrevas a dizer que já sabemos a verdade, ouviste?"

"Está bem… se ele me telefonar, eu minto." disse Amy.

"Óptimo. Porque, se por causa de ti acontecer algo de mal ao Kai…" começou Ray, com os olhos cheios de ódio. "Podes ter a certeza que eu te vou encontrar e acabar contigo!"

Amy engoliu em seco e saiu apressadamente da mansão. Nina parecia mais surpreendida que qualquer um dos outros, porque ainda nesse mesmo dia conhecera pessoalmente os Bladebreakers e afinal, de repente, havia toda uma reviravolta pelo meio.

"Que história mais maluca." disse Nina. "Um irmão gémeo, uma rapariga chantageada que queria proteger a família…"

"Ray, eu sei que também sou culpado, mas…" disse Aki.

"Não é preciso dizeres nada Aki." disse Ray. "Tu estavas a tentar ajudar o Kai. A Amy não. Ela só estava a pensar na sua família."

"Apesar de tudo, eu compreendo-a." voltou a dizer Wyatt.

"Ela quer o bem da família dela." disse Max.

"Eu sei." disse Ray. "Eu sei que ela quer salvar a família, mas condenou o Kai, por isso, não posso ter pena dela."

"Então, o que fazemos agora?" perguntou Zeo.

"Ora, vamos salvar o Kai. Agora!" disse Ray.

"Ray, é de noite e ele está na Rússia." disse Aki. "Teríamos de conseguir um avião, mas a estas horas e é quase impossível."

"E com que dinheiro iríamos pagar os bilhetes de avião?" perguntou Wyatt. "Se usássemos o dinheiro da conta do Kai, o Voltaire iria desconfiar. Deve ter as contas controladas e os bilhetes não são propriamente baratos."

"Podemos pedir ao senhor Dickinson para nos pagar os bilhetes." sugeriu Tyson.

"Eu tenho uma ideia melhor." disse Nina. Todos se viraram para ela. "O meu pai é muito rico. Tem uma frota de jactos, sempre ao dispor dele. De certeza que, com alguns telefonemas, eu consigo arranjar um piloto para o jacto e, no máximo de uma hora, estaremos prontos para partir."

"Nina, mas isso é muito dispendioso para ti. E dá muito trabalho." disse Ray.

"Ora, eu quero ajudar-vos. O Kai não pode ficar preso." disse Nina. "Ray, Aki, vocês querem salvar o Kai. Aliás, querem todos. Ele é um dos meus ídolos e eu também o quero salvar. Vá, temos de nos apressar!"

"Obrigado, Nina." disse Ray.

"Vou já fazer os telefonemas."

Nina pegou no seu telemóvel e começou a fazer chamadas.

"O quero salvar o meu irmão." disse Aki. "Desculpem ter-vos enganado a todos. Mas teve de ser…"

"Isso já não importa." disse Wyatt. "Temos de nos concentrar em salvar o Kai. Mas nem temos um plano."

"Pensamos num a caminho da Rússia." disse Ray. "Vamos salvar o Kai!"

Continua…