E não é que foi rápido? Aqui estou eu, postando mais um! Desde já peço desculpas por qualquer possível erro de formatação, ortográfico, etc. Eu leio, releio, mas sempre passa alguma coisa. No último capítulo fiz a edição final pelo FFNET e me estrepei... as alterações não foram salvas, e eu, distraída ("abestada", como o povo aqui do norte costuma dizer), não vi. Acabei consertando só quando postei no Nyah! e no AnimeSpirit, paciência.
Bom, espero que gostem do que virá a seguir! Divirtam-se!
A Minha Queda Será por Você
Capítulo 36 – O povo de Tóquio de Cristal
— Majestades, me perdoem... — Marine ajoelhou-se perante os reis, a franja dourada cobriu-lhe os olhos marinhos tomados por vergonha e insegurança — falei sem pensar, não deveria ter sido tão dura com a princesa.
— Não, Marine. Fez bem! — Rini aproximou-se e tocou-lhe os ombros — Crystal precisava ouvir coisas duras de alguém que não fosse eu...
— Ela correu, mas sei que pensará em suas palavras. — Helios completou.
— Majestades, não acham que alguém deveria ir atrás da princesa? Eu mesma posso fazê-lo. — Sailor Wind sugeriu.
— Não será preciso, Wind. — Rini sorriu, embora desanimada. — Príncipe Damien estará por perto, Crystal está bem... ao menos por fora. — suspirou.
— Se a princesa continuar sem se alimentar não permanecerá saudável por muito tempo, majestades. — Sailor Ocean sentiu-se na obrigação de falar — Sem demora completará uma semana que ela não come uma refeição.
— Como o tempo passa rápido... — Neherenia comentou.
— O assunto que nos reuniu aqui foi o treinamento das meninas, vamos manter o foco nisso. — a rainha de Tóquio de Cristal desconversou, estremecida — Como seria isso, rainha Neherenia?
— Rini... — a esbelta e alva regente aproximou-se, em seus olhos azuis como um céu diurno límpido os rubros da outra mulher refletiam, trêmulos, assim como o seu sorriso forçado. Os lábios vermelhos entreabriram-se, prontos para dizerem-lhe alguma palavra de estima, mas ao notar a tensão e o medo de parecer fraca daquela que um dia fora sua rival, Neherenia balançou a cabeça em negação, respirou fundo e retomou o tópico em discussão: — Sua mãe, há algum tempo, me devolveu meus poderes... — fitou as próprias mãos — Ela me disse que um dia eles poderiam me ser úteis se por um acaso eu sentisse necessidade de ajudar um ente querido —sorriu —... aqui estou eu!
— Por que mamãe nunca comentou isso comigo?
— Sabe, Sailor Moon trabalhou de maneiras misteriosas...
— O que quer dizer com isso?
— O momento agora é propício para treiná-las. — ergueu as mãos, apontando as mocinhas mais jovens no grande salão — Reiko, misteriosamente próxima de Olho de Tigre, Marine ao lado do rei e Hina um pouco isolada e distraída.
— Como será esse treinamento, Neherenia? — desconfiada e confusa, Rini persistiu na pergunta.
— Preciso que me arranje um bom espaço, um ginásio seria o ideal. Então, dê-me algumas horas para prepará-lo, lá será o local de treinamento. Essas garotas precisam aprender diversas coisas, a começar por melhorar seus reflexos.
— Como assim? — Reiko se pronunciou, Olho de Tigre pulou a sua frente por sequer imaginar que a sapeca guardiã da natureza estivesse às suas costas.
— Precisam de um treinamento físico, precisam aprender a lutar. — Neherenia explicou-se melhor.
— Lutar?! — Hina, corada, assustou-se.
— É claro! Se somos guardiãs desse reino, nada mais justo do que aprendermos a lutar mano à mano! — Marine foi a única das três que pareceu empolgada — E a princesa, ela também passará por esse processo?
— Naturalmente. — a resposta direta da bela rainha assustou os pais de Crystal.
— Neherenia, eu não sei se isso é uma boa ideia... — Helios ponderou — Crystal não possui o menor talento para brigas...
— Na verdade, ela é um desastre! Não faria mal a um inseto! — Rini cobriu a testa com uma mão.
— Precisamos pensar bem... — o rei coçou o queixo.
Enquanto discutia-se no cômodo real o que deveria ser feito ou não e como um treinamento deveria ser organizado, no centro da cidade a princesa, cujo talento para a violência era escasso, zanzava pelas ruas lapidadas em cristal e ornamentadas por belos canteiros, ao seu lado o príncipe de Sedna fazia-lhe perguntas sobre os lugares e ela surpreendia a si mesma por não saber responder sobre diversos pontos de referência, ao redor dos dois um círculo de pessoas formava-se.
"Que vergonha, saí do palácio diversas vezes... eu deveria conhecer tudo isso aqui, mas a verdade é que eu mal parava na cidade, sempre escapava para o campo e acabou que mal conheci as pessoas a quem eu deveria chamar de súditos..." — pensou envergonhada de si, apertou em mão a pedra negra pendurada no pescoço. Antes que pudesse mergulhar em divagações angustiantes, alguém puxou-lhe a barra do vestido, curiosa, olhou para o lado e notou um menino pequeno, deveria ter no máximo seis anos de idade.
— Princesa! — o pequenino, alegre, abraçou-se às pernas de Crystal — Eu peguei a princesa! — afundou o rosto alvo e os cabelos prateados na saia longa e lilás.
— Princesa, me perdoe por isso! — uma mulher de cabelos cor de nuvem puxou imediatamente a criança e a afastou, em seguida, reverenciou-a aflita — Ele sonha em conhecê-la há muito tempo, sabe? Eu... — parecia que a mãe nervosa falaria muito mais, porém, assim que pôs os olhos na figura ao lado da filha de Rini, ficou muda e petrificada. Crystal, sem nada compreender, fitou a mulher e fitou Damien. Tardiamente, percebeu que não só aquela moça, mas todos os que estavam às redondezas encaravam estupefatos o príncipe extraterrestre.
— Está tudo bem... — sorriu, embaraçada, e, fingindo ignorar a cena bizarra, ajoelhou-se diante de seu fã e afagou-lhe os cabelos de prata — Olá, qual é seu nome? — Doído, mas impossível não reparar como os fios claros que desciam em cascata do topo da cabeça da criança até abaixo das orelhas assemelhavam-se aos cabelos do seu amado que partira para longe. — Que cabelo bonito! — suspirou e fechou os olhos, contendo as emoções. Damien não lhe despregava o olhar.
— Tsukiko — corado, o rapazinho escondeu as mãos por trás das costas e fitou o piso de cristal.
— Olha só, outra criaturinha da lua! — ela, esforçando-se para ser brincalhona, apertou-lhe as bochechas.
— Ele tem esse nome em homenagem à sua família, princesa. — A mãe, orgulhosa e contente, explicou.
— Poxa vida, fico honrada!
— Somos filhos da Lua, filhos de sua avó, quem acolheu com carinho o povo da Terra e trouxe um futuro próspero. A honra é nossa!
— Honra? Era! — um homem, em meio às pessoas que ali estavam, se manifestou. Seus cabelos estavam escondidos dentro de uma boina, os olhos por trás de óculos escuros, e metade do rosto coberta pela gola larga e chamativa de um sobretudo cor de terra. — Houve um tempo em que Tóquio de Cristal foi um reino pacífico, nada nos atingia! Só que, recentemente, temos sido atacados por aqueles indesejáveis!
— Quem é? — Damien pôs-se à frente de Crystal.
— Espera! — ela, angustiada, levantou-se, tocou-lhe o ombro e voltou a ficar ao lado do príncipe, assim, nas pontas dos pés, procurou o sujeito — Do que está falando, quem são os indesejáveis?
— Você, a princesa, não sabe?! Ah, e por que se preocuparia? — ainda camuflado entre as pessoas, que aos poucos se afastavam, prosseguiu: — Vocês,escondidos naquele palácio onde mal algum é capaz de atingir, não teriam porquê se preocupar com o que acontece aqui fora, com a plebe! Quando foi a última vez que você, garota mimada, conviveu com um de nós e se preocupou com nossas mazelas? — ainda que muitos habitantes tivessem dado espaço, alguns continuavam perto do homem, como se juntos estivessem.
— Envergonhe-se! — a mãe de Tsukiko, abraçada ao filho, disse em tom reprovativo — Você está se dirigindo à reencarnação da antiga rainha! — uma gargalhada do sujeito a deixou indócil, feroz, a mulher bradou: — Ninguém pode duvidar, é um fato! Todos fomos testemunhas de que Sailor Moon vive dentro da princesa! Não se lembram do dia da festa? Não se lembram da voz e da imagem expandindo-se pelos céus, os ecos que se dissiparam além da atmosfera?! — embora fosse uma nobre defesa, em nada agradava Crystal, que àquela altura já encolhera-se e abraçava a si mesma.
— Bobagem! — o rebelde misterioso respondeu de imediato — Ela é fraca!
— Não é verdade, ela e as guerreiras nos protegeram quando fomos atacados, ela é a guardiã do Cristal de Prata! — outro cidadão resolveu intervir por Crystal — Eu estava lá, eu vi!
— Ela e a mãe não são dignas do trono! — o rebelde era insistente — Se fossem, aqueles malditos não teriam conseguido se infiltrar aqui outra vez!
— Mas de quem vocês estão falando? — Enfim, Crystal deu um passo à frente e gritou.
— Dos invasores, os Black Moon, sua alienada de merda! — com a ofensa, uma pedra voou certeira, acertaria a testa da jovem se o príncipe de armadura reluzente não tivesse aparado-a com uma mão.
— Mais uma palavra e uma atitude violenta e eu juro que você não ficará impune! — Damien alertou-o.
— Nem todos os Black Moon são inimigos! — instintiva e chorosa, Crystal, nada intimidada pela pedra que lhe fora atirada, impôs-se. A sua repentina defesa silenciou todos por instantes.
— Princesa, eles nos atacaram... — a mulher, com o menino de cabelos prateados nos braços, enfatizou — Admiro seu coração benevolente, é como o de sua avó, mas...
— Não, vocês não entendem! Existem dois príncipes do clã Black Moon que são nossos amigos! — veemente, defendeu-os com tudo de si, enquanto os olhos traziam em si o brilho salgado de lágrimas, nos lábios um sorriso esperançoso estampava-se — Eles estiveram no palácio, conosco! Eu os conheci! Não nos desejam mal, eu prometo! Inclusive, tiveram que voltar a Nemesis para convencer o povo de lá que os dois planetas podem ser aliados, sim, é isso mesmo!
— Dois príncipes Black Moon na Terra, sem nosso consentimento, sem que soubéssemos?! — o homem de antes, mais indignado do que de início, incitou: — Veem? Nos tratam como palhaços, conspiram por nossas costas! Em pleno final de século não precisamos desses monarcas fúteis nos ditando o que devemos fazer!
— Cale-se! — repentinamente, uma aura esbranquiçada envolveu o corpo do príncipe Sedniano contrastando com os tons furta-cores no cristal de sua armadura imponente — É graças a esses monarcas que vocês possuem vida e juventude prolongadas! — apontou-o — Prefere envelhecer, adoecer, tornar-se um inválido, senhor? — Olhou todos os outros, confusos, temerosos, e perguntou-lhes: — Acham justo renegar as pessoas que sacrificaram-se e continuam a sacrificarem-se para mantê-los à salvo de perigos exteriores? Enquanto vocês voltam do trabalho para casa, enquanto seus filhos vão à escola, a princesa e suas guardiãs no auge dos 15 anos de idade treinam corpo e mente, sofrem, abstêm-se do direito de viver uma vida normal para dedicarem-se a vocês! Olhem para essa menina! — apontou Crystal — Ela, tão delicada e vulnerável, é responsável pela joia sagrada desse reino! Qualquer um de vocês que tentassem dominar o poder daquela pedra não resistiria ao cansaço, ao sacrifício, morreria na segunda tentativa, ou na primeira talvez, e princesa Crystal tem que se dedicar a adaptar o próprio corpo, pequeno, frágil, ao poder descomunal do Cristal de Prata! Eu a vi, no auge de sua glória, reluzir como um anjo! Senti a sua força e o calor de sua alma, pura e inocente, pronta para dar tudo de si para defender aquilo em que acredita! Vocês deveriam se orgulhar de terem uma princesa como ela, de coração bom e justo... — as últimas palavras foram pronunciadas em tom mais ameno do que as primeiras, e assim como o tom grave apaziguou, os profundos olhos azuis dele, refletindo a imagem da princesa ruborizada, terminaram serenos. — Vocês deveriam se orgulhar dela como eu me orgulho. — sorriu.
— Obrigada... — Crystal, comovida, enxugou os olhos marejados e baixou o olhar, respirou fundo, estufou o peito, e decidiu mostrar-se mais forte: — Eu sei que é difícil para vocês entenderem, não tivemos a intenção de manter segredos, até hoje o jeito como os príncipes vieram parar na Terra é um mistério, mas resolvemos acolhê-los e eles foram gentis, eles conheceram um pouco de nossa realidade e viram que não desejamos mal a seu povo, assim como eles não desejam a vocês. Eu sei que se Terra e Nemesis puderem se acertar todos nós seremos mais felizes. Precisamos aprender a confiar uns nos outros, precisamos aprender a perdoar os erros passados, pois nós também erramos, precisamos dividir o amor que temos em nossos corações com aqueles que precisam, e vocês não imaginam como os nemesianos devem precisar... O amor é a chave, acreditem! — o coração aqueceu-se num repente — Acreditem no amor, acreditem que são capazes de amar sem se importarem com as circunstâncias! — a lua crescente na testa resplandeceu e confirmou a certeza de sua nobreza — Desculpem-me se fui ausente, sei que cometi muitos erros ultimamente, fui até egoísta certas vezes — segurou o pingente negro, até então passado despercebido pelos habitantes do reino, e suspirou, buscando forças —, mas de agora em diante isso vai mudar! — soou determinada — Não permitiremos que vocês se sintam desamparados outra vez!
— Viva à princesa Crystal, reencarnação de Nova Rainha Serena, e ao Novo Rei Endymion! — a mãe de Tsukiko aplaudiu-os, claro que chamou Damien de Endymion inocentemente, mas tal título não agradou ao príncipe, que imediatamente apresentou-se apropriadamente. Embora alguns tenham se mantido calados, grande maioria aplaudiu e vibrou como uma torcida.
— Que gracinha... — Onyx, irônico, comentou, ainda espectador assíduo das imagens em holografia. — O que acha Topázio?
— Acho que essa cópia genérica da Nova Rainha Serena nos trará problemas se continuar a insistir que Nemesis e Terra podem ser planetas aliados.
— Príncipe Damien, — no planeta azul, enquanto as palmas estaladas ressoavam em ritmo de festejo, a princesa fortalecida pelo choque de realidade, falou discreta: — Quando voltarmos ao palácio decidi que acatarei meus pais e assim como as outras, vou treinar! — não, aquilo não a agradava, todavia deu-se por vencida de suas vontades, pois estas jamais deveriam estar acima de seus deveres para com aquelas pessoas. Não por ela, mas pelo reino, havia de ser forte. Vislumbrou o contentamento de seu acompanhante, sorriu em retribuição, guardou a pedra nemesiana no decote e uniu-se ao pequeno Tsukiko novamente — Então, que tal continuarmos o nosso passeio por essa cidade maravilhosa? Quais são os lugares que você mais gosta?
— O parque de diversões! — respondeu prontamente e, livre do colo materno, a puxou pela mão.
— Não precisa ter pressa! — riu, e foi seguida por sua procissão particular. O sujeito misterioso permaneceu a segui-la, calado e intrigado.
— Tente outra gracinha e verá o que o aguarda. — Sailor Phantom, soturna, coberta por uma longa capa negra, surgiu pelas costas dele.
Enquanto caminhavam em direção ao parque, passaram por praças galerias, por vizinhanças e colégios. Crystal, admirada, invejou as colegiais saindo pelos grandes portões de uma escola. Elas sorriam, andavam em grupo, conversavam sobre trivialidades, algumas se encontravam com seus namorados na esquina, eram vidas normais, como a dela jamais seria. Por um momento, imaginou-se no lugar de uma daquelas meninas, viu-se no típico uniforme do colégio Juban, e imaginou Diamante como um universitário comum, ambos de braços dados, caminhando pelas ruas, fazendo planos juntos, combinando de sair para jantar. Imaginou-se, no dia dos namorados, ansiosa e tímida, entregando um chocolate em formato de coração nas mãos dele, arrancando-lhe um riso galante. E, nesse andar de carruagem, inevitavelmente fantasiou com um fim de tarde alaranjado no porto, onde Diamante ajoelhar-se-ia elegantemente à sua frente e nas mãos teria uma caixinha púrpura de veludo – onde seu anel de noivado, lapidado em diamantes, resplandeceria. Ah, ele deslizaria aquele anel no dedo dela, beijaria sua mão e então se abraçariam forte, ele a giraria no alto, trocariam um beijo apaixonado e...
— Está tudo bem, princesa? — a criança preocupou-se por notar uma lágrima escapar do olho dela.
— Está sim, eu só estava pensando... — enxugou-a depressa. Era um lindo sonho, mas era um sonho, apenas. Ela jamais seria uma estudante normal do colégio Juban, era uma princesa, e isso sim era um destino do qual ela não poderia escapar.
— Chegamos ao parque! — Damien anunciou.
— O que estamos esperando? Aposto que chego na montanha russa primeiro do que você! — Crystal desafiou Tsukiko e correu desenfreada, ninguém ali adivinharia que a menina estava há dias sem se alimentar direito.
No óvni, o dono dos sonhos de Crystal sentara-se em frente a uma das inúmeras grandes janelas. Abatido, o violeta dos olhos tornara-se opaco, era como se ele ainda se visse diante do pobre coitado que implorava por comida. Suas mãos, repousadas sobre os joelhos, pareciam inanimadas como o resto de seu corpo.
— Príncipe? Príncipe! — A voz de Jade soou distante, tudo parecia girar devagar em ritmo doloroso, cruel e distorcido, o zunido dos motores da nave era como uma sinfonia agonizante. Diamante virou o rosto lentamente, a franja bagunçada cobria um de seus olhos, Jade estalou os dedos fazendo-o piscar — Recomponha-se, dentro de duas horas estaremos chegando à próxima cidade, você precisa estar preparado. — a guerreira cutucou o vidro, exatamente no ponto onde a unha dela roçava jazia uma montanha de pedra preciosa negra que cintilava em tons de verde nas suas variadas rachaduras, dali ela parecia ser do tamanho do dedo indicador de Jade, mas a considerar a distância, a tal montanha deveria ser um colosso. O príncipe não se recordava que em Nêmesis existisse algo como aquilo. — É até bonita daqui, general Garnet a nomeou de Viridis Abyss.
— O que isso significa? — Akai perguntou curiosa. Diamante não esboçou reação alguma.
— Abismo verde. — na voz de Jade, um quê de tenebroso, nos céus obscuros de Nemesis, uma rajada de trovões. Akai empalideceu de susto.
No salão real, ficou decidido que no dia seguinte, no grande ginásio localizado nas profundezas do vasto jardim as meninas treinariam. Neherenia pediu que Olho de Tigre e Olho de Águia ajudassem-nas na empreitada, os dois rapazes atléticos eram bons acrobatas e eram hábeis, teriam muito a ensinar às três adolescentes. Reiko não disfarçou a intensidade de sua empolgação, abraçou-se ao braço rijo do homem de cabelos dourados, brincalhona, porém sem olhá-lo diretamente. Ele, desconcertado, girou os olhos para o lado oposto e, acidentalmente, teve a visão perfeita de uma Marine de braços cruzados, aparentemente desanimada com a notícia de que seria treinada por ele. Hina, insegura, estava visivelmente desconfortável.
— Deve ser difícil para você, não é? — Sailor Ocean sussurrou ao pé do ouvido de Sailor Fire.
— Não gosto de violência! — afastou-se, o hálito fresco da guardiã dos oceanos a arrepiara de imediato.
— Está chateado por não ter sido solicitado? — Diana, sapeca e elegante como um gato no momento do bote, saltou de trás de uma pilastra lapidada em cristal quase nas costas de Olho de Peixe.
— Ai! — o grito agudo do jovem andrógino fê-la rir tanto que teve de pousar uma mão à barriga, o corpo inclinou-se curvado — Aff! Como você é irritante! Não, eu não gosto dessa selvageria, desse espetáculo de testosterona, força física não é comigo! — jogou os cabelos para trás e acomodou as mãos à cintura — Além do mais, tenho que ir a Elysium com... você! — olhou-a de cima a baixo, rolou os olhos e bufou enojado — Olhe só! — tirou um fio cor de grafite do ombro — Você já está espalhando seus pelos na minha farda recém-lavada!
— Como você é fresco! — piscou um olho e mostrou-lhe a língua.
— Aqueles dois se divertirão em Elysium. — Sailor Saturno comentou ao lado de Olho de Águia.
— Hmm? — perguntou-se desde quando ela estava ao seu lado, a guerreira do silêncio, a mão direita da rainha. Contemplou-a, o topo da cabeça à altura de seu ombro, não era muito alta, mas era esbelta e delicada. Arqueou uma sobrancelha ao perceber que estava reparando na beleza de Hotaru, inevitavelmente comparou-a a Mizumi e a primeira frustração do dia foi notar que, em proporções, o busto de Sailor Saturno perdia esmagadoramente para o de Sailor Ocean — "seu pervertido"! — corou ao repreender-se mentalmente.
— O que foi? — ela perguntou, estranhando-lhe a reação.
— Nada, só estou com calor. — abanou-se, disfarçando — Pois é, sim, Peixe viverá boas aventuras com Diana, tenho certeza.
— Elysium não pode ficar sem guardiões por muito tempo. — suspirou.
— Eu sei, mas é estranho... — entortou os lábios, desanimado — É a primeira vez que não estaremos reunidos, sabe? O Trio Amazonas será uma Dupla por um tempo — estreitou os olhos e cobriu-os depois de olhar Tigre, desajeitado, sem saber se corria atrás de Marine ou dava atenção a Reiko. — O que será de nós sem a grande cabeça do grupo? — desabafou depois de um longo suspiro.
— Ah, mas vocês devem ter fortes motivos para ficar! Você, principalmente. — ela não se poupou de observar, e ele, inevitavelmente, enrubesceu.
— Vamos treinar as garotas, ué! — arregalou os olhos, apontou as três jovens, tão desesperado que arrancou risos da marinheira com quem conversava.
— Conte outra! — fitou Sailor Ocean, já na extremidade oposta do salão, ao lado de uma carrancuda Sailor Wind. — Você a ama? — foi direta.
— Quê? — Águia deu um pulo.
— Nada, não é assunto meu. — deu de ombros — Em todo o caso, boa sorte. No baile você não teve muita...
— Ah, mas eu já virei o jogo! — deixou escapar, e quando se deu conta tapou os lábios com as duas mãos.
— Nossa! — dessa vez, Hotaru ficou sem graça e as bochechas rosaram, Olho de Águia reparou e secretamente apreciou a visão da melhor amiga da rainha em um de seus raros momentos de meiguice: a boca curva em meia lua, num sorriso tímido, e os olhos púrpuros e redondos arregalados — Bom para você! — riu — Com licença. — aos risos, afastou-se apressada.
— Reiko... — Olho de Tigre deixou de prestar atenção em Marine quando a mocinha loura puxou assunto com Hina. Voltou-se a outra, de cabelos negros, que não saía do seu lado — Você demorou a me procurar depois daquele dia. — engoliu seco com a lembrança, na verdade a "não-lembrança" de um beijo.
— Sentiu saudades de mim? — balançou os braços, os olhos mantinham-se focados à frente, não o encarou.
— Você está diferente... — fugiu da pergunta e comentou, as mãos escondiam-se nervosas nos bolsos da farda. Ele, diferentemente dela, a encarava atento. — Por que não me olha?
— Eu não sei, talvez eu esteja com vergonha. — roçou o pé à superfície cristalina, como se com a ponta do sapato fizesse desenhos no vidro, e para lá olhava.
— Você, com vergonha?! — exclamou dramático.
— Qual é o problema? Sim, eu também posso sentir vergonha às vezes! — as feições dela se fecharam e as maçãs do rosto adquiriram tom avermelhado.
— Você está vermelha, meu Deus! — tapou a boca com uma mão, a voz soou estridente.
— Dá para falar baixo? Nem todo mundo precisa saber! — enfim fitou-o, e nesse exato momento as cenas de ele a jogando na cama e depois beijando-a passaram pela mente, rápidas e vivas, como trechos de um filme picante. Imediatamente, Reiko virou o rosto para o lado e cruzou os braços. — Por que você ainda não foi atrás da Marine?
— Você estava agarrada no meu braço.
— Não estou mais faz um tempo, se é que não percebeu.
Tigre abriu a boca para falar, mas reteve as palavras, contentou-se em olhá-la e diagnosticar a própria situação: ele estava ali, ao lado dela, porque queria – um riso completamente espontâneo escapou de sua garganta.
— Qual é a graça? — olhou-o de rabo de olho.
— Você. Rainha Neherenia anuncia que serei o seu treinador, você agarra meu braço como uma maluca e agora está aí, se fazendo de difícil.
— Pra mim já deu. — fingindo-se de ofendida, virou-se para ir — Não quero mais saber de você Olho de Tigre!
Ele a puxou pela cintura, de lado, e colou-a a ele num abraço para lá de inusitado.
— Para você, eu sou Tigrinho. — encostou a cabeça dourada à cabeça negra.
O coração de Reiko foi à lua e voltou, quieta, ela sorriu e fechou os olhos. Marine, de longe, riu satisfeita, Hina olhou para os lados até que avistou o casal exótico do recinto, embora soasse como um conforto, o peito dela aqueceu-se de saudades, e sua mente formulou diversas perguntas: onde e como Saphiro estaria? Será que pensava nela, que sentia a sua falta como ela sentia a dele?
... Ah, se sentia! Por mais fechado que fosse, seus orbes azuis transbordavam saudades. Saphiro caminhava pelos vastos e escuros corredores do palácio de Nemesis como se estivesse perdido, e era como se sentia. Ao fechar os olhos, por poucos instantes, ele podia jurar sentir o calor de Sailor Fire, e então os ventos gélidos o contornavam, forçando-o a lembrar-se de onde estava. Passos alarmaram-no, o príncipe escondeu-se por trás de uma larga pilastra e observou Quartzy passar, encolhida, olhando para os lados como se quisesse se certificar de que não havia ninguém por perto. A atitude peculiar da mocinha aguçou desconfiança em Saphiro.
Silencioso, observou-a caminhar apressadamente pelo amplo corredor. Ele, discreto, tele-transportou-se de pilastra a pilastra, respiração controlada, era como um gatuno. Do mesmo modo, seguiu-a por uma longa escadaria que descia em espiral até as profundezas daquela construção imponente. Lá embaixo, onde um dia existiu uma masmorra, agora só havia as grades enferrujadas e resquícios de ossos dos antigos prisioneiros, Saphiro respirou fundo para não nausear. Insistente, continuou a segui-la, e Quartzy já não parecia temer ser notada, talvez por crer que ali ninguém além dela se atrevesse a passar. No final do extenso labirinto de celas, ela parou diante uma grande porta vermelha cujas maçanetas douradas cintilavam e elas eram o suficiente para iluminar o pequeno hall de entrada. Depois dela, outra porta, dessa vez azul, maçanetas douradas com pedras vermelhas cravadas no centro, outra escada, mais uma longa descida.
"Mas onde diabos essa garota está indo?" — se perguntou, cansado de perambular.
Quartzy parou em uma saleta redonda, abaixou-se no chão, desenhou um círculo no centro e uma fenda se abriu, ela pulou lá dentro. Antes que se fechasse, Saphiro, por mais desconfiado que estivesse, rendeu-se à curiosidade e pulou também. Caiu de pé numa sala que era a réplica perfeita de um pequeno antiquário, porém, as antiguidades que ali jaziam não pertenciam a Nemesis, era notável. Em estantes, diversas embalagens de vinis e livros, nas paredes que imitavam um céu de verão, quadros de paisagens Terrestres, de céus estrelados, de constelações, e no canto, onde Quartzy se encontrava, havia um objeto que Saphiro desconhecia, mas que terráqueos costumavam chamar de vitrola. A bela irmã de Ametista ligou-a e, apesar dos chiados e do som abafado, o irmão mais novo de Diamante reconheceu a música:
— Sonata ao Luar. — disse entristecido.
— Príncipe?! — Quartzy exaltou-se, as costas entraram em atrito com a parede escura e rachada. — O que faz aqui?
— Eu a segui. — aproximou-se calmo — O que é esse lugar?
Quartzy cobriu o rosto com as mãos, encolheu os ombros e tremeu freneticamente, apavorada.
— Não destrua, por favor! — pôs-se à frente da vitrola, como se pudesse defendê-la com a própria vida, se precisasse. — Não destrua!
Quieto, parou diante ela e, sereno, tocou-lhe os ombros com firmeza o suficiente para fazê-los pararem de chacoalhar. Surpresa, ela sentiu os próprios dedos deslizarem pela face, até que as mãos penderam mortificadas. Os olhos, trêmulos, encontraram os dele, misteriosamente melancólicos. O peito, ofegante, entregava o quanto seu coração estava acelerado, e a palidez o quão amedrontada se sentia. E, ainda assim, paralisada de pavor, havia quentura nas bochechas. Quartzy ruborizara.
— Hina... — Saphiro sussurrou, vendo através dela a menina meiga dos cabelos alaranjados.
—... O quê? — sussurrou, acuada.
— Não se preocupe. — soltou-a — Não pretendo destruir nada disso. — fitou a velha vitrola — Sonata ao Luar... é o nome da música que você está ouvindo. — encontrou em uma prateleira a capa mofada do vinil — Está vendo? — sorriu singelo.
— Música, então é assim que se chama?
Saphiro notou-a comovida, observou-a, incansável. A esguia nemesiana moveu os braços e as pernas delicadamente, girou o corpo, leve como uma pluma. Estava dançando.
— Sim, música... — perdeu-se na lembrança de sua querida pianista.
— Dá vontade de mexer o corpo... Me acalma. — Rodopiou até parar diante de um quadro pequenino, acariciou-o, era uma bailarina. Saphiro finalmente compreendeu o porquê de Quartzy vestir-se do modo como se vestia, era uma homenagem à bailarina em aquarela naquela humilde tela.
— Você gosta mesmo da Terra, não é?
— Sinto muito se o ofendi. — imediatamente ela voltou às formalidades.
— De forma alguma. — foi até uma pequena escrivaninha e sentou-se sobre o tampo da mesa — Posso contar um pouco de minha experiência lá, se quiser.
— Você faria isso? — empolgou-se como se fosse uma criança pronta a ouvir uma história de conto de fadas.
— Por que não? — sorriu satisfeito. Julgava que ela merecia um pouco de acalento, e contar-lhe um pouco sobre a experiência que tivera no planeta azul talvez ajudasse a aliviar a saudade. — O que você gostaria de saber primeiro?
— Como é a sensação de ver o sol nascer e se pôr? — fechou os olhos e suspirou — É quente?
— É confortável... — sentiu pesar por ela e por si próprio. Certa vez ele também desconhecera o sol, a música, a vida. – Sente-se, a minha história é um pouco longa. — puxou a cadeira encaixada à escrivaninha e num gesto apontou-a. Quartzy, cerimoniosa, sentou-se e ali ficou, comportada, ansiosa por saber das aventuras de Saphiro.
As horas fluíram enquanto a princesa fazia diversas descobertas sobre os costumes das pessoas comuns, e secretamente às invejava. Novamente, o comportamento dos civis obrigou-a a se lembrar do quanto sua avó era adorada. No centro, próximo à grande praça abundante em árvores, flores e grama, uma construção em mármore e cristal – um santuário –, tributo aos seus avós, prendeu-lhe os olhos. Na fachada, as faces das antigas guerreiras esculpidas como musas, e em duas grandes janelas, seus avós coloridos em vitrais destacavam-se. Assim que pararam ali ela e o príncipe entreolharam-se. Haviam de admitir, ambos eram parecidíssimos com os antigos e adorados regentes. Estranhamente, as imagens ali santificadas pareciam direcionar seus sorrisos solenes aos dois, e os olhos deificados encaravam-nos, enigmáticos. As pessoas,logo atrás, fecharam os olhos e uniram as mãos em oração, Tsukiko, agarrado à perna da mãe, vidrou-se na mocinha dos cabelos castanhos. Largou-se da mãe e, vagaroso, foi até a menina distraída com a imagem da ancestral, tocou-lhe os cabelos, entrelaçou os pequenos e roliços dedos nas largas ondas e comentou.
— Tem algo errado, você devia ser loura, princesa! — não falou para ofender, era inocente. Crystal, mesmo irritadiça, relevou e pegou-o no colo.
— Não, não! Minha avó era loura, eu sou diferente. — apertou de leve o nariz arrebitado do menino, provocando-lhe um riso.
Estampava-se na face daquela gente a forte esperança de que ela fosse Serena, e seu coração dizia-lhe que seria um pecado esfacelar os sonhos daqueles indivíduos. Fatidicamente, muitos a veneravam por alimentarem a crença. Todavia, o desconforto não era apenas dela. Percebia claramente o semblante preocupado do rapaz que a acompanhava. Por si e por ele, deu um jeito de saírem dali e passearem por outras partes.
... Enfim, assim que entardeceu acobreado o céu, Crystal e Damien decidiram que era hora de retornarem. Crystal, por sua vez, não aguentou-se de curiosidade e, na volta, acabou por entrar na escola que admirara, subiu as escadas, inspecionou as salas de aula – modernas como o reino era – no entanto, havia algo nostálgico nelas. Lembrou-se de que a mãe e a avó viveram a experiência de serem adolescentes como ela não teve a oportunidade, tal recordação a instigou a questionar: "Por que eu não poderia"?
A pergunta criou ecos na mente dela durante boa parte do percurso de volta ao lar. Distraída, continuou a andar mesmo com o repentino freio de seu parceiro. Segundos depois percebeu que andava sozinha, então parou, virou-se para ele e viu-o de pé em frente a uma enorme navegação. Estavam no mesmo porto no qual ela criara fantasias mais cedo – o seu noivado que não sucedeu. Suspirou e afagou o brinco de Diamante pendurado em seu pescoço, o nó tornou a se formar no peito, a dor não havia data para passar... se é que passaria. Céus, tudo naquele lugar a fazia lembrar-se dele! Até a enorme caravela, objeto curioso e inusitado, dava-lhe motivos para pensar em Diamante.
— Essa é a minha nau. — Damien quebrou o silêncio assim que pôde. — Outro dia trouxe Marine para conhecê-la, seria um prazer apresentá-la a você também.
— Marine é? — arqueou as sobrancelhas, espantada. — Hmmm... — sorriu brincalhona, havia de se descontrair para aliviar a dor em seu íntimo.
— Não confunda as coisas princesa! — coçou a nuca, completamente constrangido — Me perdoe se passei a ideia errada!
— Oh, não, que isso! Marine é um partido maravilhoso! Sabe que vocês até combinam? — rodeou-o como se o analisasse, era bom ter um motivo para brincar — Ela é muito inteligente! Adora coisas "cibernéticas", essas que tem a ver com tecnologia!
— Não estou interessado em Marine! — respondeu com firmeza, cortando-a, a voz grave ecoou imponente, digna de um barítono por sua amplitude e potência. Sem perceber, Damien a segurou pelos braços e no instante seguinte travava um duelo entre os pares de olhos azulados. — Pare de tentar me jogar para ela como se eu fosse um brinquedo, — acalmou os ânimos, soltou os braços dela devagar — por favor. — completou.
— Eu estava brincando... — afastou-se subitamente — Desculpe!
— Não, eu que peço desculpas... — reaproximou-se e reverenciou-a, o vento, ameno, balançou-lhe a capa — você está tão triste, acompanhei-a no intuito de animá-la e acabei sendo rude, eu sinto muito. — lentamente, levantou a cabeça de modo que os fios negros tombassem para o lado como uma cortina, assim, seus dois mares azuis como águas-marinhas ergueram-se à ela, carinhosos, protetores — Eu a respeito, quero que saiba, que jamais duvide. — de joelhos, segurou-lhe as duas mãos, cuidadoso. Crystal enrijeceu surpresa — Não a sufocarei, não insistirei em algo que você não quiser. Serei o seu guarda-costas, o seu anjo da guarda se me permitir, e isso me bastará. Deixe-me cuidar de você, como um amigo querido... — massageou o dorso das mãos delicadas com os polegares robustos — Mas, por favor, por tudo o que é mais sagrado, não tente me persuadir a me aproximar de outra pessoa, da mesma maneira que eu não tento persuadi-la a esquecer do príncipe a quem você tanto ama.
— Príncipe Damien... — as palmas gelaram, e ela, vermelha como um tomate,fugiu dos olhos dele — assim eu fico sem graça.
— Por que você o ama? — levantou-se, ainda a cativar-lhe as mãos, olhava-a sem piscar as longas pestanas.
— Eu amo, simplesmente! — impaciente, respondeu — Não me peça um motivo!
— Exato. — sorriu doce — Como eu disse a você, certas coisas não possuem razão de ser. Ama-se por amar. Você o ama, eu a amo. — deu um passo à frente, com isso quase paralisou o coração da menina cativa pelas mãos, antes que ela pudesse fugir, Damien, em um gesto amigável, beijou-lhe a lua na testa, e então, no fim das contas, liberou-a. — Respeito... — murmurou.
— Vamos voltar! — aflita, saltitou à frente, e ele a seguiu em quietude.
Chegaram ao palácio quando a noite cintilava os astros em seu auge, iluminada e saudosista. A noite, sim, cenário propício à imaginação de poetas, de amantes, de artistas... As estrelas reluziam como pequenas pérolas esparramadas em veludo negro, as grandes janelas eram suas molduras, o salão de jantar parecia um elegante planetário branco, todos estavam sentados à mesa, e nesta mágica noite, Crystal finalmente sentar-se-ia com eles.
— Como foi o passeio pela cidade? — Helios perguntou animado.
— Produtivo, papai... — a princesa, buscando fôlego e apetite, encarou o prato de porcelana à sua frente.
— Príncipe Damien? — Rini incluiu-o na conversa.
— Tivemos alguns problemas, mas em geral creio que foi bom para a princesa. — fitou-a e lhe sorriu.
— Mesmo? — a rainha empolgou-se e, esperançosa, encarou a filha.
—Decidi participar do treinamento. — disse logo. Para que adiar? — Mas tenho uma condição.
— Filha, que coisa maravilhosa! Diga logo, que condição? — a mãe bateu palmas e acabou por levantar-se, o pai expandiu um sorriso orgulhoso.
— Quero que eu e as meninas estudemos em uma escola comum como você e vovó estudaram. — cruzou os braços e balançou as pernas por debaixo da mesa, infantil.
... E foi assim que Crystal conseguiu o feito de fazer com que todos ali sentados quase caíssem para trás. Ao menos serviu para recuperar o clima de descontração que as reuniões possuíam antigamente. Marine, em rara vez, animou-se com uma ideia da princesa. Reiko e Hina olharam-se confusas, Sailor Ocean se deliciou em risos, Sailor Wind espalmou a mão à testa e gesticulou negativamente com a cabeça.
As rajadas elétricas não vinham do céu, tinham sua origem na montanha. Os raios esverdeados formavam-se no topo pontiagudo e de lá eram atirados aleatoriamente pelo chão rochoso. O óvni não era atingido por ser protegido por um campo de energia.
— Espere mais uma hora. — Jade aconselhou, a ela as trovejadas violentas não impressionavam.
— Para que desperdiçar tempo? — Diamante, rouco, passou a mão pelo vidro que vibrava em consonância aos poderosos raios, tudo o que eles tocavam faiscava. O solo desnivelado era irrigado por um líquido da mesma cor radioativa, havia centenas de poças borbulhantes que brilhavam em contraste ao negro, o príncipe as via pequenas. — Para que esperar? Por que não descer logo para confirmar o que já sabemos? Não é possível haver uma alma viva aqui. — afastou-se do visor para o mundo caótico.
— Se vossa majestade desejar entrar para as estatísticas de mortos por incineração, pode descer. — Jade falou naturalmente, Akai conteve um riso. — Mas, se deseja retornar vivo ao seu palácio para narrar tudo o que viu, espere uma hora. Estamos quase no ponto da noite em que Viridis Abyss faz um breve intervalo de suas atividades. Veja bem, breve, a calmaria dura por volta de meia-hora, quarenta minutos no máximo.
— Como sabe de tudo isso? — encarou-a.
— Por que essa... — fechou os olhos e abriu-os devagar, desenlaçando os longos cílios, no mel amargo de Jade o verde dos raios se concentrava, e num repente o corpo da amazona e sua lança foram contornados por aura de mesmo tom — é minha terra natal. Abismo verde, a montanha dos condenados, — apertou a lança em mãos, cravou os olhos no príncipe, boquiaberto com o fato revelado — a montanha dos escravos.
Continua...
Notas:
Yey! Outro capítulo épico (em relação ao tamanho), e acabei de me dar conta de que chegamos ao 36! Gente, daqui a pouco estamos no 40! Bom, vou adiantar logo que tentarei fazer com que não passe muito dos 60, mas não posso garantir, afinal, há alguns capítulos atrás eu disse (toda orgulhosa, por sinal) que depois de dois capítulos estaríamos atingindo a segunda fase da história. Triste engano! Agora, sendo otimista, acho que em cinco fecha-se a primeira fase. Mas, acalmem-se! A primeira fase é mesmo a mais longa, a segunda fluirá mais rápido (assim espero), portanto, não desistam dessa fanfic, pelo amor da Deusa Selene! Entendam, é muito personagem a explorar, dá até vontade de escrever uma fic para cada casal, só que a realidade não permite! T-T
Ok, ok, chega de choro! Vamos às notas propriamente ditas: ao escrever esse capítulo me dei conta de que (acho que) não defini bem o século em que estamos! Na verdade, não me lembro se eu disse ser século XXX, pois se eu disse gostaria de expor que seria o final dele, tipo, período de transição para o século XXXI, de início eu fiquei confusa se faria início de século XXXI ou final de século XXX, em todo o caso, se em algum momento escrevi "XXXI", estou me corrigindo agora, é final do XXX, pronto. Chega de confusão!
Então, outra coisa: Tsukiko (muito fofinho, me apaixonei por ele!) significa "filho da lua"!
Na cena em frente ao santuário (está mais para uma catedral, ao menos na minha imaginação) as imagens dos rostos das senshi em mármore, como musas, foram inspiradas nos camafeus que a MViana-chan postou um dia desses! Achei tão lindos, imaginem aquelas imagens emolduradas na fachada de uma construção alegórica, tipo uma catedral barroca? – olhos brilhando – Eu quero!Tá, passou... Bem, no próximo capítulo posso dizer que a Jade terá se destaque, somente. Espero que estejam ansiosos para saberem um pouco mais sobre a personagem!
Lembrando – como a fic é baseada no anime antigo, o planeta Nemesis tem a aparência de uma pedra meio torta, escura, como era no anime (lembram?). Portanto, nos meus devaneios, Nemesis é todo "lapidado" em cristal negro, por aí... Espero que as descrições não estejam muito confusas.
Ah, quase me esqueço! Não sei se lembram (pois faz um bom tempo), mas Sonata ao Luar ( Moonlight Sonata, do Beethoven, linda, maravilhosa, tudo de perfeito!) foi a música que Hina estava tocando quando conheceu Saphiro. Achei que caía bem ser ela de fundo, na cena entre Quartzy e o príncipe.
Haters gonna hate, mas tivemos ceninhas fofas entre Damien e Crystal neste aqui, e eu estou mais que louca para saber o que minhas leitoras (e leitores, se tiver) acharam! Eu, particularmente, acredito que o argumento dele sobre "para amar não se precisa de motivo" teve uma boa base... mas quem sou eu?
Credo, até a nota ficou gigante dessa vez! Desculpem! Kissus e até o próximo, se tiverem um tempinho deixem um humilde comentário para a ficwriter pedinte, por favor! S2
