N/A: Oi gentes, tudo bem? Eu estou bem repetitiva nesse lance de pedir desculpas, mas fazer o quê? Mais de um capítulo por mês está realmente impossível, a única coisa que posso prometer é que vou me esforçar tremendamente pra ter um todo mês, ok? E desculpas também ao pessoal das reviews, pra quem respondi prometendo o capítulo pra ontem. Não deu, mas hoje aí está! Espero que gostem!

Beijos,

Bella


Capítulo 36 – A invasão de Hogwarts

E eles novamente correram como se suas vidas dependessem disso (e talvez dependessem), ele em direção ao escritório de Snape, ela ao de Minerva. E então, quando estava na metade do caminho, Ginny foi a primeira a perceber que era tarde demais.

Quatro figuras mascaradas e vestidas de negro andavam pelo corredor do terceiro andar, claramente preocupadas em não fazer barulho. Ginny rapidamente lançou um Feitiço da Desilusão em si mesma e se aproximou cautelosamente para tentar ouvir o que diziam.

- Tome cuidado com isso ou estamos mortos. - disse a voz fria de uma mulher quando um dos mascarados que carregava um caldeirão tropeçou repentinamente.

- Você não precisa me dizer isso. - retrucou o homem do caldeirão, com uma voz rouca e mal-humorada. - Não morrêssemos com o efeito disso aqui o Lord das Trevas certamente nos mataria.

- Por que vocês não falam menos e agem mais? - disse uma terceira voz.

- Quem te pôs no comando? - rosnou o homem em resposta.

- Silêncio! - ordenou rispidamente a mulher. - Parem de se comportar como crianças. Temos um trabalho a fazer aqui. Agora, Mulciber, aqui está bom?

- Sim. - falou pela primeira vez o quarto encapuzado - Fará estrago suficiente. Evan, por favor, coloque no chão com cuidado.

O homem chamado Evan depositou o caldeirão no chão como se fosse um tesouro inestimável e afastou-se para que Mulciber pudesse se aproximar. Este, por sua vez, agachou-se ao lado do caldeirão e começou a cuidadosamente depositar ingredientes nele, até que uma leve fumaça azulada começou a sair.

- Está pronto? - perguntou a mulher, ansiosa.

- Quase. Ainda demora um pouco para os efeitos serem sentidos. Mas eu já aconselharia todos a realizarem os feitiços. Vocês não gostariam de estar respirando quando essa belezinha começar a funcionar. - acrescentou, com um sorriso malicioso.

Depois de dizer isso, Mulciber realizou um feitiço Cabeça de Bolha em si mesmo, no que foi imitado imediatamente por seus três companheiros.

- Qual a proporção da explosão? - perguntou Evan, claramente excitado com a perspectiva.

- Como eu disse, fará estrago suficiente. Especialmente num andar cheio de crianças atraídas por um cheiro misteriosamente bom.

Ginny ficou por alguns instantes congelada no mesmo lugar, chocada com o que tinha acabado de ouvir. Os comensais pretendiam atrair alunos para o terceiro andar com uma poção que primeiro os atrairia pelo cheiro, e depois explodiria. Seria uma tragédia.

O primeiro impulso dela foi correr de volta para Draco, mas então pensou melhor: Draco sabia que havia algo acontecendo, e além disso ele não tinha motivo nenhum para vir ao terceiro andar. Não, ela precisava avisar seus amigos. Silenciosamente se afastou do lugar onde estavam concentrados os Comensais da Morte para que pudesse convocar seu Patrono. Sabia que o Patrono precisava de um destino certo para dar seu recado, e sabia também que "Grifinória" era um tanto vago, além de poder gerar pânico desnecessário. O instinto familiar então falou mais alto e ela decidiu enviá-lo a Ron. Ele certamente avisaria a Harry e Hermione e eles tomariam as providências necessárias. Ela precisava encontrar a professora Minerva e depois voltar ao lugar que tinha combinado com Draco, torcendo para que ele não encontrasse outros Comensais pelo caminho.


Frustrado e apreensivo. Foi assim que Draco se sentiu ao chegar ao escritório de Snape e encontrá-lo aberto e vazio. Mais uma pessoa que ele esperava encontrar para ajudá-los revelava-se fora de alcance, e, como se não bastasse, a sala aberta trouxe um pressentimento ruim ao garoto: demonstrava um descuido que era extremamente incomum ao metódico professor.

Ficou imaginando quem mais poderia ajudá-los, quando seus ouvidos captaram um discreto barulho que o fez virar-se imediatamente. Surpreso, ele viu que Pansy estava parada na porta da sala, parecendo intrigada ao vê-lo lá.

- Draco? O que você está fazendo aqui?

Alguma coisa que ele não sabia definir o fez responder com uma calma que não sentia:

- Procurando o professor Snape. Você sabe onde ele está?

- Por que eu saberia?

- Porque você está aqui.

- Eu estava passando pelo corredor e vi a porta aberta. Como essa porta nunca está aberta, eu resolvi entrar para ver o que estava acontecendo e vi você.

- Entendo. Acho que vou procurá-lo em outro lugar então.

Mas quando ele deu o primeiro passo para sair da sala, Pansy moveu-se discretamente, bloqueando seu caminho.

- Draco, o que está acontecendo?

- Não está acontecendo nada, Pansy. Você poderia me dar licença?

Mais um passo, e mais uma vez a garota estava em seu caminho. E então, nenhum dos dois saberia dizer quem se moveu primeiro, as varinhas estavam apontadas um para outro. Foi quando Pansy deu um sorriso lento e Draco entendeu tudo.

- Não… não.

- Snape não vai ajudar você, Draco.

- Foi você… esse tempo todo… foi você! Você enviou aquele colar, você...

- Uma pena que você não descobriu isso antes que fosse tarde demais, não é mesmo? - interrompeu a garota – Devo dizer, Draco, esse papel de herói não combina nada com você.

- Saia da minha frente. - sibilou ele.

- Você não entende? É tarde demais. Eles já estão aqui.

- Você está mentindo.

- Não, ela não está. - disse uma segunda voz de mulher, que Draco infelizmente reconheceu.

Ela entrou na sala, com a varinha também apontada para ele, e, apesar de estar de máscara, Draco não teve dúvidas de que se tratava de uma mulher chamada Carrow, que ele tinha visto de relance certa vez saindo do escritório de seu pai, logo após o retorno de Voldemort. Ele sabia que ela tinha um irmão e os dois eram o tipo de psicopata favorito do Lord das Trevas, semelhante a sua querida tia Bellatrix Lestrange.

- Carrow. - praticamente rosnou ele.

- Veja só, sua memória e seus ouvidos são bons. Uma pena que não posso dizer o mesmo de seus princípios. - disse ela com um sorriso duro.

- Acho que nós temos ideias diferentes do que são princípios.

- Falou como um legítimo súdito de Harry Potter agora. - zombou Pansy. - Me diga, Draco, quando foi que você se transformou nessa caricatura?

- E quando foi que você se transformou numa marionete de Voldemort?

- Você ousa dizer o nome dele! - enfureceu-se a mulher Carrow, faíscas vermelhas saindo de sua varinha.

- Vocês são patéticas. Todos vocês são, com medo de um nome ridículo.

Quando a mulher fez menção de atacá-lo, porém, Pansy interveio:

- Aleto, isso é exatamente o que ele quer. Que percamos a calma. Ele sabe que está em desvantagem aqui e está procurando uma forma de reverter isso.

Com essas palavras, Aleto Carrow pareceu se acalmar um pouco:

- Mas ele ainda não faz ideia do que é desvantagem, Pansy. Amanhã, quando Snape já tiver completado a missão e Hogwarts estiver sob o novo regime, ele saberá o que realmente significa desvantagem. Ah, não, eu me esqueci… ele não vai sobreviver para ver nada disso.

Ao ouvir essas palavras, Draco meramente soltou uma risada descrente. As idiotas realmente acreditavam que Snape estava do lado de Voldemort.

- Ele não acredita em nós, Pansy – disse Aleto – Ele acha que é mais esperto. Que sabe mais. Mas deixe eu te dar uma prova de que nós somos mais espertos do que você, Draco. Eu sei o que você está fazendo aqui. Você veio, pobre garoto estúpido, avisar seu querido professor Snape que algo iria acontecer às 8 PM.

O que aconteceu depois disso foi numa rapidez impossível de acompanhar: num segundo Aleto estava dizendo essas coisas para Draco, no outro ela estava assustada, desviando-se como podia do jorro de feitiços que saía da varinha do garoto.

- O que vocês fizeram com a minha mãe, sua desgraçada? - gritava ele, transtornado – Onde está ela?

- Ah, essa é a pergunta de 50 mil galeões, não é mesmo? - Aleto ainda tentava debochar, mas não sabia por quanto tempo iria resistir à força dos feitiços de Draco. Jamais iria imaginar que um moleque daquela idade fosse capaz disso.

Pansy, que por alguns segundos olhou a cena tentando compreender, recuperou-se do choque e ergueu a varinha para ajudar Aleto. Draco, porém, virou-se para ela sem sequer desviar a própria varinha do violento duelo que travava com a Comensal da Morte e gritou:

- Expelliarmus!

E a varinha de Pansy saiu voando direto para a mão dele. Aleto ficou tão abismada ao ver Draco fazendo mágica sem varinha que acabou se distraindo do duelo por um segundo, o que foi fatal. Um raio vermelho atingiu-a em cheio no peito, e ela caiu desacordada.

Draco, então, voltou os olhos ferozes para Pansy, ao mesmo tempo em que apontava as duas varinhas para ela. Mas antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, ela saiu em disparada para fora do escritório de Snape.

- Pansy! - gritou ele, passando a persegui-la alucinadamente. - Você não vai escapar!

Ela não ia mesmo, e tinha consciência disso. Corria desesperadamente, virando em corredores aleatórios para tentar despistá-lo, mas ouvia-o correndo atrás de si e sabia que ele era mais rápido. Nessas horas não adiantava nada ser uma bruxa. Sua varinha estava com ele. Ele a alcançaria e ela estava perdida.

O mesmo pensamento parecia ter ocorrido a Draco, que parou de correr de repente. Draco Malfoy, você é um bruxo ou não é, seu idiota? E gritou, apontando a varinha na direção para onde vira Pansy correr pela última vez:

- Accio Pansy!

Ele ouviu um grito, ao mesmo tempo em que viu a garota voando diretamente para ele. Viu os olhos dela arregalados de pânico, e com uma das mãos parou-a no ar, para em seguida deixá-la cair duramente no chão e apontar as duas varinhas para ela.

- Onde está minha mãe? - repetiu ele, numa voz baixa e perigosa.

Ele não conhecia a expressão que via agora no rosto de Pansy. Todo o desafio havia desaparecido, e restava agora medo e um intenso ódio.

- Eu não sei da sua mãe. Não sei por que você está me perguntando isso.

- Não se finja de idiota! - ele gritou, e faíscas vermelhas saíram de ambas as varinhas, deixando de atingir Pansy por um triz e fazendo-a soltar uma exclamação alta de susto. - 8PM. Carrow sabia que eu ia avisar ao professor Snape que algo iria acontecer às 8PM. E isso estava escrito no bilhete da minha mãe. - completou ele, temor agora misturado à raiva.

- Eu não sei nada sobre isso. - disse Pansy, sem tirar os olhos das duas varinhas nas mãos de Draco. - Eu estou falando sério! - ela acrescentou, os olhos arregalados novamente ao ver que ele fazia menção de usar uma delas. - Eu estava aqui o tempo todo. Meu trabalho era outro, Draco. Eu tinha que arranjar uma forma de trazer os Comensais pra cá, só isso.

Então Draco sentiu como se uma força invisível esmagasse seu peito. Comensais. No plural. O pânico ao imaginar que algo poderia ter acontecido com sua mãe havia momentaneamente varrido essa informação da mente dele. Hogwarts provavelmente estava cheia de Comensais da Morte e Ginevra estava sozinha.

Mas então… Por que a corrente encantada não se manifestava? Ela devia estar bem… provavelmente encontrara a professora McGonnagal e conseguira avisá-la. Ele tentou ganhar tempo:

- Quantos são?

A expressão de desafio passou brevemente pelo rosto de Pansy:

- O suficiente.

- Engraçado, não estou vendo nenhum no momento.

- Por que estaria? Nós estamos em um corredor deserto perto do escritório do professor de Defesa Contra as Artes das Trevas. Mas apure os ouvidos, Draco. E talvez você consiga escutar algo de diferente…

E então aconteceu. A corrente vibrou no pescoço dele, ao mesmo tempo que seu coração disparava e a sensação de perigo vinha instantaneamente. Ele nunca tinha sentido o efeito do feitiço antes, mas tinha certeza. Ginevra estava em perigo. Que Pansy fosse para o inferno com todos os malditos comensais que trouxera para a escola. Ele precisava saber onde a namorada estava.

Se ele tivesse conseguido manter a calma para se concentrar, provavelmente enxergaria com antecipação a cena que se seguiu e conseguiria evitá-la: ele se distraiu de Pansy por alguns segundos, e Ginny, por sua vez, surgiu em um segundo corredor e viu apenas Pansy no chão. Sem saber do que se tratava, e sem Draco na sua linha de visão, ela deu dois passos na direção da garota, disposta até mesmo a ajudá-la, achando que ela poderia estar sendo atacada por um Comensal da Morte.

Foi o suficiente. Pansy levantou-se de um pulo e imobilizou Ginny com uma gravata, ao mesmo tempo em que tateava os bolsos das vestes da garota em busca da varinha dela. Rapidamente achou o que procurava, apontou para a têmpora dela e olhou para Draco, triunfante.

Draco imediatamente congelou no mesmo lugar, os olhos arregalados. Ele não conhecia essa Pansy, não sabia do que ela era capaz. Um movimento em falso e algo muito ruim poderia acontecer a Ginevra.

- Bem, suponho que podia ser algo melhor que uma Weasley, mas seu instinto de herói não vai deixar nada acontecer a essa garota, vai, Draco?

A cabeça de Ginny girava, tentando compreender a situação em que estava, enquanto assimilava a revelação de que a pessoa que Voldemort tinha em Hogwarts era Pansy Parkinson. A corrente mostrava tantas coisas que ela não conseguia se concentrar o suficiente para enxergar uma cena específica. Tinha visto um relance de Draco parecendo encurralado perto do escritório de Snape, mas foi só.

Mas então, percebeu algo importante: Pansy não sabia sobre ela e Draco. Ela achava que tinha pego uma refém aleatória. Estava prestes a abrir a boca para começar um teatro no qual ela e Draco eram completos estranhos, mas ele falou primeiro:

- Pansy. Fique calma. Não faça nada estúpido.

- Não vou fazer, se você não fizer. Abaixe essas varinhas! - ela gritou, apertando dolorosamente a varinha de Ginny contra a cabeça dela, fazendo-a apertar os olhos e não conseguir segurar um gemido fraco.

- Está bem, está bem! Pare com isso! - gritou Draco, apavorado.

- Abaixe as varinhas, ou eu… - ela se interrompeu de repente, olhando de Ginny para Draco com uma expressão estranha. Ginny fechou os olhos em derrota. Tarde demais para teatro.

O rosto de Pansy se iluminou de repente e ela gargalhou:

- Eu não acredito nisso! Você e Weasley, Draco? Quanta sorte eu poderia ter? - ela disse, apertando mais a gravata em torno do pescoço de Ginny.

Draco não poderia mentir nem se quisesse. A expressão de pavor em seus olhos o denunciava e o pânico o impedia de derrubar Pansy sem atingir Ginny, algo que provavelmente conseguiria se estivesse calmo.

- Pansy! Solte ela! Eu vou abaixar as varinhas, mas solte ela. - Draco disse, abaixando a voz.

- Agora!

Ginny olhou para Draco significativamente, e ele pode ler em seus lábios as palavras "Eu cuido disso". Ele balançou a cabeça discretamente para ela, enquanto lentamente levava as varinhas ao chão e tentava pensar em uma solução.

- Quem poderia imaginar? - zombava Pansy. - Então foi por essa vadia que você traiu o Lord das Trevas.

A expressão de Draco escureceu, mas ele se esforçou para manter a calma e respondeu, tentando ganhar tempo:

- Não existiu traição, Pansy. Eu nunca fui nada dele.

- Mas deveria ser! E abaixe de uma vez essas varinhas ou você vai se arrepender. - completou ela, num tom de voz baixo e perigoso.

Era agora. Ginny chutou para trás e atingiu a perna direita de Pansy, que gritou mais de espanto que de dor, e afrouxou a gravata em torno dela por alguns segundos. Ela aproveitou esse tempo para pegar um canivete que escondia dentro do próprio sapato e cravou-o no braço de Pansy, que gritou novamente, dessa vez de dor.

Ginny, então, jogou-se no chão ao lado de Draco, deixando a mira dele livre para acertar um feitiço em Pansy, mas infelizmente para eles, o braço que fora atingido não era o da varinha, e ela conseguiu, em meio à dor, girar a varinha de Ginny, e a próxima coisa que eles sentiram foi um baque que parecia arrancar o coração deles do peito, junto com um estrondo ensurdecedor.

Quando abriram os olhos, o que conseguiram ver em meio à nuvem de poeira que pairava foi que Pansy tinha aberto uma cratera no chão entre ela e os dois, e Ginny só pode sentir-se grata por ter tido a ideia de pular para o lado de Draco antes.

Tossindo, Draco fez a poeira se dissipar com um aceno da varinha, mas, obviamente, Pansy havia desaparecido. Não que isso fosse o que mais importava a ele no momento.

- Você está bem? - disse ele, preocupado, estendendo a mão para Ginny se levantar.

- Estou ótima. E você deveria disfarçar um pouco mais essa preocupação comigo. - disse ela, com um pequeno sorriso. - Eu estava com um teatro pronto para fazer Pansy pensar que não tinha pego ninguém importante.

- Eu sei, é que eu… eu nunca tinha sentido o efeito desse feitiço antes. - disse Draco, baixinho, tocando a corrente. - Eu me descontrolei. Eu poderia ter acertado ela muito antes.

Ao dizer isso, ele olhou para os dois lados, aparentemente procurando algo ou alguém.

- O que foi?

- Continua vibrando… mas… são tantas coisas, não consigo distinguir.

- Draco. - disse Ginny, séria. - Nós ganhamos mais agora se ficarmos juntos e esquecermos o que a corrente diz. Vai vibrar o tempo todo, e nós não vamos conseguir entender o que ela quer mostrar, porque o perigo vai vir de todos os lados. Eles já estão aqui. Isso é guerra.

- Você os viu?

- Vi quatro deles. Estavam no terceiro andar preparando uma armadilha para os estudantes: uma poção com um cheiro que atrai todos até lá e depois explode.

- Merlin, Ginevra. Precisamos avisar o máximo de gente… você encontrou a professora McGonnagal?

- Não. Estava indo procurá-la quando vi de relance pela corrente que algo estava acontecendo com você aqui, e vim atrás de você.

- Sim, quem precisava de um pouco de autocontrole agora, hein? - ralhou ele.

- Certo, eu sei. - disse ela revirando os olhos – Mas eu enviei um patrono para o meu irmão. Tenho certeza que ele, Harry e Hermione já estão tomando todas as providências que podem.

- E Blaise? - perguntou Draco, assustado.

- Aposto minha varinha que Hermione já falou com ele. Ou apostaria se ela estivesse comigo. - completou ela, mal-humorada.

- Aqui, pegue essa por enquanto. - disse ele, oferecendo a varinha de Pansy para Ginny – Nós vamos achar a Pansy e recuperar a sua.

- É da Pansy? - perguntou Ginny, analisando a varinha que era um pouco maior que a dela.

- Sim, é. Peguei logo antes de derrubar uma Comensal que estava com ela. Elas tentaram me encurralar enquanto eu procurava o Snape e disseram o maior dos absurdos… Enfim, não importa. De qualquer forma, acho que o momento de procurar professores já passou.

- Onde está essa Comensal?

- Desacordada na sala do Snape. Bom, pelo menos foi como eu a deixei. Não temos tempo para verificar isso agora. Precisamos ir para o terceiro andar pegar esses quatro que você viu e impedir que eles matem metade da escola.

- É, vamos precisar de um feitiço Cabeça de Bolha pra isso. Não queremos que o cheiro nos atinja.

Ela experimentou a varinha de Pansy e, embora não tenha sentido a confiança familiar que a sua lhe proporcionava, percebeu satisfeita que conseguiu executar o feitiço corretamente nela e em Draco.

- Certo, mas pode ser útil fazê-lo menos chamativo. - respondeu Draco, apontando a varinha para ele e Ginny e fazendo a bolha desaparecer – Pode ser bom termos um elemento surpresa caso eles já estejam disseminando o cheiro, vão pensar que fomos atraídos e não sabemos do que se trata e isso pode nos dar alguma vantagem.

- O que você fez?

- Apenas deixei a bolha invisível. Mas o efeito dela permanece.

- Depois quero que me ensine esses truques, portador da alma guerreira. - disse ela, enquanto os dois corriam em direção ao terceiro andar.

- Pare com isso. - respondeu ele, revirando os olhos. - Esse não é nada difícil, inclusive.

Eles começaram a escutar os sons da batalha antes mesmo de chegarem ao terceiro andar. Muitos gritos, alguns ferozes, outros desesperados, misturavam-se a barulhos de explosões e pedras se quebrando. Porém, constataram que não havia nenhum indício de uma explosão de grandes dimensões, o que provavelmente significava que o patrono de Ginny tinha produzido algum efeito.

Ainda assim, eles se aproximaram de varinha em punho e com a maior discrição que conseguiram. O que se mostrou completamente desnecessário assim que alcançaram o terceiro andar: um verdadeiro pandemônio acontecia ali, e o número de pessoas envolvidas mostrava a que proporções a notícia tinha se espalhado, deixando Ginny admirada e em dúvida se aquilo tudo era mesmo produto de seu aviso.

Apesar de haver muito mais Comensais do que os quatro que ela havia visto inicialmente, a Ordem da Fênix também estava ali, até mesmo, ela ficou surpresa em constatar, pessoas que não moravam na Inglaterra, como seu irmão Charlie. Aliás, os cabelos vermelhos se faziam presentes por todo o local, o que se tornou uma preocupação adicional para Ginny. Bill, Fred e George também se faziam ver, sendo que o irmão mais velho lutava com o único Comensal que não usava máscara: um homem magro e comprido com cabelos espessos e costeletas grisalhas, que parecia um tanto quanto selvagem.

Draco, por sua vez, sabia que não seria capaz de reconhecer seu pai entre os Comensais a menos que chegasse bastante perto para ouvir sua voz. E ele não conseguiu deixar de pensar se seria possível que matasse Lucius por engano.

- Draco… quem é aquele homem sem máscara lutando com meu irmão? - sussurrou Ginny.

- Que… ah, não!

- O quê? - fez Ginny, alarmada – Quem é ele, Draco?

- Ele é Fenrir Greyback, o lobisomem mais violento de que eu já ouvi falar. Seu irmão não tem muita chance sozinho, Ginevra.

E como se para coroar a fala de Draco, o homem saltou sobre Bill, e um barulho horrível de carne sendo rasgada fez-se ouvir.

- Bill! - gritou Ginny, em desespero, correndo na direção dos dois.

- Ginevra, não! - gritou Draco, mas era inútil. Ginny já estava a poucos metros do irmão e do lobisomem. Um raio vermelho saiu da varinha dela, não atingindo Greyback por centímetros. Foi o suficiente para chamar a atenção dele, e ele virou-se para ela, com um sorriso horrível de dentes manchados de sangue.

- Ah, mas o que nós temos aqui? - disse o lobisomem, baixinho, olhando Ginny de cima a baixo de forma desagradável – Que delícia… tenho certeza que você é bem mais apetitosa que esse aqui, lindinha. - completou ele, apontando Bill com um gesto vago de cabeça e se aproximando dela lentamente.

A visão de Greyback com a boca manchada com o sangue de seu irmão pareceu paralisar Ginny por um segundo, e ela não conseguiu evitar desviar o olhar para tentar verificar o estado de Bill. Foi o suficiente para que o lobisomem desse o bote.

- NÃO! - gritou Draco, erguendo a varinha e desviando Greyback para longe da namorada, fazendo-o bater duramente as costas contra a parede.

O lobisomem soltou um rugido de ódio e virou-se, em posição de ataque. Quando viu que era Draco quem o tinha atacado, deu mais um de seus sorrisos horríveis:

- Então a garotinha estava certa, afinal. A ruiva é mesmo a melhor forma de chegar até você. - disse ele, novamente olhando Ginny, que tentava chegar até Bill.

- Você não vai chegar perto dela. - praticamente rosnou Draco, começando a lançar uma série de feitiços em Greyback, que se desviava com a agilidade de um animal selvagem, ao mesmo tempo em que se movia para perto de Ginny.

- NÃO! - gritou Draco, enfurecido, ao ver o que o inimigo estava tentando fazer. Desviou Ginny com uma das mãos (ela gritou, entre assustada com o gesto repentino e apavorada por não conseguir se aproximar do irmão ferido) e correu para perto de Greyback, continuando o jorro de feitiços.

- Então os boatos eram verdadeiros, eram? - disse Greyback, em tom de zombaria, ainda se desviando agilmente. - Você realmente não é um moleque qualquer. Não que isso vá me impedir de estraçalhar a sua garganta.

E ele preparou mais uma vez o bote, pronto para saltar sobre Draco. Draco percebeu a manobra e sabia que conseguiria se desviar com facilidade, mas de repente sentiu como se uma espada invisível cortasse suas pernas, fazendo-o cair de joelhos no chão, trincando os dentes de dor e sem entender o que havia acontecido.

Quando não sentiu o peso de Greyback sobre si, ele inicialmente não entendeu o que havia acontecido, mas abriu os olhos rapidamente para ver que quem havia desviado o lobisomem dessa vez era Blaise, que já iniciava um duelo com alguém atrás de Draco.

- Que sorte que seu escudeiro estava aqui, Draco. - ele ouviu a voz de Pansy cheia de veneno e soube que era ela quem o havia atingido antes.

Blaise arregalou os olhos em choque por um instante ao reconhecer a voz, mas, em seu favor, não deixou que o espanto o distraísse do duelo.

- Inacreditável. Eu nunca poderia imaginar que te veria reduzida a isso. - disse ele, com desprezo, desviando-se de um feitiço da garota.

- Reduzida? - disse Pansy cheia de fúria gélida – Vocês dois estão cegos por duas grifinórias nojentas, se tornaram caricaturas de Harry Potter, e acha que pode me falar que servir ao único ideal de mundo bruxo possível é se reduzir? Você é patético. Os dois são.

Mas Draco não teve tempo de ver o que Blaise responderia a ela, ou se ele se daria bem no duelo: enquanto curava de forma deficiente os dolorosos ferimentos nas pernas, viu que Greyback avançava novamente para Ginevra, que havia finalmente conseguido chegar até o irmão e se debruçava sobre ele, completamente inconsciente da ameaça.

Ele levantou-se de um pulo (fazendo uma careta de dor ao constatar que seu feitiço de cura fora definitivamente insuficiente) e ergueu a varinha, pronto para lançar mais uma série de feitiços na direção do lobisomem, porém havia muitas pessoas no caminho, bloqueando sua visão e impossibilitando uma mira correta. Desesperado, viu que Greyback se preparava novamente para o bote, e então sentiu-se praticamente alçando voo na direção do lobisomem, lançando-se em cima dele bem a tempo de impedi-lo de atacar Ginevra.

Esse era o momento em que ele entrava em desvantagem, pois luta corporal nunca fora o seu forte, suas pernas doíam horrivelmente e Greyback era bem mais forte que ele. Um forte chute no estômago o fez recuar alguns metros e dobrar-se no chão, largando momentaneamente a varinha no chão. Greyback chutou-a para longe dele e pegou-o pelo pescoço, batendo as costas do garoto contra a parede. Draco sentiu que sufocava, ao mesmo tempo em que sentia o hálito quente do lobisomem se aproximando de sua garganta. Ouviu, por trás do zunido que começava a ocupar seus ouvidos, a voz distante de Ginevra gritando, e uma única solução desesperada lhe ocorreu: ele mentalizou "Incendio" e pegou o braço de Greyback, que se afastou, gritando.

Tossindo e tentando respirar, ele viu o lobisomem apagar o fogo do próprio braço e saltar para um novo bote, o ódio no gesto acabando por fazê-lo imprimir força demais, e ele e Draco caíram em um ponto mais distante da batalha.

Ginny, que até então vinha tentando, sem sucesso, realizar feitiços de cura em Bill, viu a cena e precipitou-se na direção dos dois, varinha em punho, quando sentiu dois braços fortes agarrando-a pela cintura. Jogou o cotovelo para trás sem sequer ver de quem se tratava, até que ouviu uma voz conhecida:

- Ai! Não, Ginny!

- Charlie?

Culpada, ela virou-se para ver que o irmão apertava o nariz, que provavelmente sangrava.

- Ginny, o que você está fazendo indo atrás daquele lobisomem psicopata? - disse ele com a voz abafada. - Está louca?

- Draco está lá, Charlie! - ela gritou, fazendo menção de correr novamente e sendo mais uma vez impedida pelo irmão.

- Não, Ginny! Você não vai atrás do Greyback por causa do Malfoy!

Ao ouvir isso, ela se descontrolou:

- Ele está do nosso lado, ele me salvou, será que vocês são estúpidos e nunca vão entender…

- Eu sei, Ginny. Eu vi. Mas ainda assim você não vai ser a próxima presa do Greyback. Já basta o Bill! Você não!

Talvez tenha sido a ferocidade no olhar de Charlie. Ou a referência ao que havia acontecido com Bill. Ou mesmo a surpreendentemente rápida aceitação de que Draco estava do lado deles. Seja o que for, parou Ginny por um breve instante, suficiente para que ela visse, momentaneamente estática, a cena que se desenrolava entre Draco e Greyback:

Na queda, a cabeça de Draco tinha batido com força no chão, e ele sangrava e sentia-se tonto. Seus ouvidos zumbiam e ele não conseguia enxergar direito, Greyback reduzido apenas a um vulto informe sobre si. Sua varinha não se encontrava em nenhum lugar à vista e ele se sentia cada vez mais sem forças.

Nesse momento, o lobisomem percebeu que tinha vencido. Debruçou-se sobre Draco e apertou o pescoço do garoto, arrancando dele um fraco gemido de dor.

- Sabe a única coisa que eu lamento? Que você não vai viver pra ver o que eu vou fazer com a sua namorada. - disse ele, arreganhando os dentes e afastando as mãos para expor a garganta de Draco.

Você não vai viver pra ver o que eu vou fazer com a sua namorada.

Draco ouviu isso e abriu os olhos.

Você não vai viver pra ver o que eu vou fazer com a sua namorada.

Ele só era capaz de enxergar o enorme lustre sobre suas cabeças e o rosto de Greyback, que tinha os dentes praticamente em seu pescoço. Não conseguia respirar.

Você não vai viver pra ver o que eu vou fazer com a sua namorada.

Draco viu que ia morrer sem conseguir impedir aquele monstro de chegar até Ginevra e fez a única coisa que lhe ocorreu: com um grito mudo, ergueu a mão para o teto e concentrou-se com as forças derradeiras que ainda possuía.

Os tons claros de cristal do lustre, muito próximos, foram a última coisa que ele viu antes de tudo ficar escuro.


N/A: Então? Quem ficou surpresa com o Comensal infiltrado em Hogwarts ser a Pansy? Espero que fãs dela não me matem por isso. Ou pela forma como eu terminei o capítulo. Amo vocês, espero que não me abandonem!

E muuuito obrigada mais uma vez às lindas que comentaram (Kmile, Juliette e Ania, já respondidas por PM).

Até o próximo!

Beijos,

Bella