MOMENTOS - XXXVI


BPOV

Eu comecei a tremer logo depois que as palavras saíram da minha boca, muito surpresa comigo mesma por elas terem tropeçado de meus lábios dessa maneira. Edward ainda estava completamente paralisado, como se eu tivesse batido nele, absolutamente chocado com a minha declaração. Eu não queria que tivesse saído assim, então eu tentei corrigir o problema. - "Quer dizer, eu não sei se eu sempre me sentirei desta forma, mas..." - parei, sem saber como terminar.

"Sabe, eu li sobre isso em um dos livros." - Ele começou num tom suave, mas eu o cortei antes mesmo que ele pudesse terminar.

"Eu juro por Deus, Edward! Não mencione a porcaria desses livros de novo! Isto é sobre como eu me sinto! Não preciso saber o que a porra de um livro diz. A única coisa que eu preciso saber é o que você acha!" - Eu quase rosnei, a raiva na minha voz surpreendendo a mim mesma. Eu estava tão enjoada daqueles livros idiotas. Eles não significavam nada para mim e eu odiava como ele gostava de citá-los. Senti de novo como se eu acabasse de dar outro tapa em seu rosto.

"Há quanto tempo?" - Ele perguntou de repente, seu rosto branco, sem mostrar nenhuma emoção.

Confusa, eu perguntei: - "O quê?"

"Há quanto tempo você se sente assim, Bella?" - Ele reformulou a pergunta devagar, o seu rosto mais pálido do que o normal, seus lábios presos em um linha reta. Eu podia até perceber o aperto em seu maxilar, enquanto ele olhava para o lado.

"Eu não sei." - Dei de ombros enquanto me sentava, não querendo encará-lo nesse exato momento. Eu não conseguia nem sequer olhar pra ele agora, não enquanto estivéssemos conversando sobre isso. - "Há algum tempo, eu acho."

"Então, você apenas me deixa planejar tudo e falar o tempo todo sobre isso, como um idiota!" - Ele disse com raiva, com o rosto numa mistura de frustração e tristeza. Os olhos de Edward estavam fechados com força quando ele disse isso, chegando ao ponto de estarem enrugados nas bordas.

"Viu?" - eu suspirei - "É isso! Por isso que eu não queria te dizer. Você está com raiva agora." Cruzei os braços sobre o peito e recostando minhas costas contra a cabeceira da cama.

"Eu estou com raiva, porque você não me contou isso antes! Por quê? Você não confia mais em mim?" - Ele exigiu. Eu nunca tinha o visto assim antes. Parecia quase... desapontado - não pelo o que eu disse, mas comigo. Ele nunca tinha agido desse jeito. Eu não tinha certeza como eu me sentia sobre isso.

"É claro que eu confio em você" - eu ofeguei.- "Por que você diz isso?"

"Você realmente tem que perguntar?" - Ele murmurou, ao sair da cama rapidamente, num único movimento brusco. Ele calçou um par de chinelos, logo após vestir um moletom e uma camiseta. Ele já estava pronto para a cama anteriormente, já que quase sempre ele dormia apenas com a boxers.

"Onde você vai?" - Exigi, ficando um pouco indignada agora.

"Eu. .. Eu só preciso sair um pouco. Afinal, você compreende, não é?" Ele nem sequer olhou pra mim enquanto falava, agarrando suas chaves, a carteira e o telefone celular.

Eu senti suas palavras queimando, com o excesso de ressentimento que existia em relação a elas. Mas, eu não tinha ninguém para culpar além de mim mesma. Foi exatamente isso o que eu fiz. Ele passou na minha cara, aquele momento em que eu fui embora, assim que ele me contou o que ocorreu com a Irina na primeira vez.

"Sair não resolve nada" - eu implorei, querendo que ele ficasse. Se alguém sabia disso, esse alguém era eu.

Ele suspirou, de pé no vão da porta do nosso quarto. - "Não, não resolve." - ele sussurrou antes de fechar a porta.

EPOV

Subi no carro sem nem sequer olhar para trás. Eu não podia e nem queriavoltar atrás de qualquer maneira. Frustrado, essa era a melhor palavra pra descrever o quão fodidamente confuso eu estava. Honestamente, se ela não quer mais filhos, por mim tudo bem, mas por que diabos ela tinha que esconder isso? Por que ela me tratou como um imbecil? Ela deveria ter me avisado imediatamente, desde o início. Sinceramente, será que Bella acha que eu não poderia lidar com isso? Ela também não podia confiar seus sentimentos para mim? Se não, por que então se incomodou de casar comigo?

Eu não sabia para onde estava indo até perceber que já estava na metade do caminho para Main Avenue, próxima ao rio. Suspirei, irritado: correr pro colo da mamãe é tão estúpido.Se bem que, eu não tinha mais a quem recorrer. Então, segui em frente a toda velocidade pela estrada vazia ao longo do Rio Red, vendo o modo como a luz vinda das pontes e dos barcos iluminavam a água. Era quase bonito, no entanto, eu não podia sequer pensar nisso me sentindo desse jeito.

Estacionei à porta do hotel por alguns minutos antes de discar o número da minha mãe, procurando coragem para falar com ela. Era por volta das dez e eu torci para que ela ainda estivesse acordada até este momento. Eu realmente nunca conversei com minha mãe sobre essas coisas antes. Geralmente, esse era campo entre meu pai e eu. Mas, Esme era tão gentil e compreensiva eu sabia que ela iria me escutar, não importa o quê.

"Edward? Há algo de errado?" - Ela perguntou com uma voz imediatamente preocupada. Eu não tinha ideia como ela pode adivinhar essas coisas... Instinto maternal, eu suponho. Talvez ela estivesse pensando que havia algo de errado com os bebês ou com Bella, mas aposto que nunca ela iria adivinhar que o problema era comigo.

"Hum, você se importaria de me encontrar no lobby daqui a cinco minutos?" - Eu perguntei, minha voz áspera por conta das emoções que eu vinha segurando.

"Claro, eu estarei lá o mais depressa possível." - Ela disse rapidamente antes de desligar seu celular. Sai do estacionamento, caminhando lentamente até a entrada do hotel.

"Por que, mãe? Por que ela não confia em mim?" - Perguntei quando já estávamos sentávamos no pequeno café 24h, agarrando meu copo de chá quente com ambas as mãos, depois de ter explicado o que tinha acontecido entre nós dois, alguns instantes mais cedo.

"Ela confia em você" - Esme tentou tranquilizar-me, mas não estava funcionando.

"Ah tá. Com certeza, ela confia em mim pra caralho..." - Murmurei sarcasticamente quase para mim mesmo.

"Olha a língua, Edward!" - Ela ralhou com um suspiro.

Abaixei minha cabeça como uma criança mimada - "Desculpe".

"Ela confia sim, Edward. Ela te ama mais do que você jamais saberá. Sabe como eu sei disso?" - Ela se inclinou, pegando minha mão.

"Não" - eu disse em um sussurro.

"Porque eu vejo nos olhos dela, toda vez que Bella fala sobre você, pensa em você, ou quando te vê. E os seus olhos, meu bem, fazem exatamente o mesmo. Embora, Bella tenha seus motivos para estar agindo de forma tão emocional, agora. Bella está com medo e isso nem sempre faz com que o cérebro trabalhe corretamente. Ela está preocupada em se sair bem em várias coisas ao mesmo tempo e isso é assustador demais. Foi por isso que ela não te contou. "

"Mas ela devia saber que pode contar comigo pra qualquer coisa!"

Minha mãe ergueu as duas mãos a sua frente, em um movimento me pedindo para que parasse, antes que eu pudesse começar a vociferar besteiras. - "Ela sabe, só que ela não está raciocinando logicamente agora, querido. Vocês dois estão tão ... cansados. É difícil ser um casal recém-casado. Ainda mais na faculdade e grávida de gêmeos? Não posso nem imaginar. Minha sugestão e que vocês façam uma pausa e sentem-se para conversar. Falem sobre como vocês se sentem e o que ambos precisam agora. Será terapêutico para os dois. Quando será sua Pausa de Primavera?

"Em duas semanas" - respondi com um suspiro. Essas férias não podiam vir rápido o suficiente na minha opinião. Uma semana sem aula soava como o céu.

"Vocês tentem não fazer nada durante essa semana, só aproveitem esse tempo para relaxar. Revezem fazendo coisas que vocês gostam ou querem fazer há algum tempo." - Ela sugeriu, acariciando minha mão.

"Eu fui estúpido por ter reagido dessa maneira?"- Perguntei-lhe, na esperança da honestidade total. Eu não tinha idade pra ser mais mimado. Não aguentava e nem merecia ser tratado desta forma. Eu já nem era mais cego para ser tratado com tal atenção.

Minha mãe suspirou, pegando seu café e tomando um gole antes de lamber os lábios. - "Não, não foi estúpido. Você sempre foi um pouco dramático desde criança, mas eu posso compreender seus sentimentos. Você também ainda é jovem, o que contribui ainda mais pra esse drama todo. Mas, você precisa ir para casa e trabalhar nisso imediatamente. Ela precisa saber que você não está com raiva dela e ambos precisam conversar sobre como você se sente sobre isso. E você deveria pedir desculpas por ter saído. "

"Eu só precisava de um tempo para pensar." - Eu me defendi.

"Eu entendo, porém essa não é a atitude correta. E não sugiro que faça isso de novo. Não é a melhor coisa quando se está brigando. Se você precisar reunir seus pensamentos, vá para outro cômodo, mas nunca deixe-a sozinha , especialmente agora que ela está grávida. " - Ela deu um tapinha na minha mão e um sorriso fraco antes de se levantar. - "Vejo você amanhã antes do voo?"

"Claro." - eu concordei, ainda sem me levantar.

Ela se inclinou e beijou o topo da minha cabeça levemente. - "Boa noite, meu filho. Eu te amo."

"Eu também te amo." - Sussurrei baixinho, tomando um gole de meu chá agora frio.

BPOV

Fui para a varanda da frente depois que Edward saiu, e sentei nos degraus da entrada da casa. Já sabia que ele não iria ficar nem um pouco feliz quando me visse aqui sozinha à noite, mas sinceramente, pouco me importei com isso. Não conseguia fazer ou pensar nada o suficientemente bom para me distrair, então eu simplesmente me inclinei contra a coluna da escada, olhando para a noite.

Tenho certeza de que era bastante tarde quando percebi o Volvo dele entrando na garagem. Já fazia uma duas horas, no mínimo, desde que ele havia me deixado, por isso era provável que já tivesse passado da meia noite. Honestamente, eu não estava com raiva por ele ter saído, apenas triste. Muito... triste. Eu odiava o fato de ele estar decepcionado comigo, se bem que eu podia compreendê-lo. No fundo, acho que ficaria desapontada também. Havia tanta coisa para assimilar, muito para se pensar sobre isso, no entanto, agora, eu estava apenas exausta.

"Bella" - Edward sussurrou meu nome enquanto se sentava ao meu lado. "Querida, está frio aqui fora. O que você está fazendo?"

Eu balancei minha cabeça, não querendo falar agora. Estava com medo arruinar a calma que estava dentro de mim. E sabia que, uma vez que eu falasse, iria acabar chorando, e eu estava cansada de tanto chorar. Fiquei me perguntando quando isso tudo irá acabar. Sentia-me como uma represa que estava constantemente a ponto de romper.

Ele suspirou, balançando a cabeça lentamente. - "Sinto muito sobre a forma como reagi. Foi um erro."

Eu balancei minha cabeça novamente, mordendo meu lábio inferior, antes de olhar para as minhas mãos. - "Não, você fez o que precisava."

"Precisava, mas não deveria," - ele respondeu. Não comentei nada, permanecendo calada por um longo tempo. Finalmente Edward suspirou, quebrando a barreira entre nós. - "Diga alguma coisa."

"O que eu devo dizer, Edward? Desculpa. Sinto muito por desaponta-lo. Me desculpe, se não posso te dar as coisas que você deseja. Lamento por ter te decepcionado"

"Decepcionado com você? Não, eu não estou. Estou desapontado por você não me dizer como se sentia antes, mas nunca com você. Vocêé tudo o que mais quero nesta vida. Bebês ... crianças, não importa. Enquanto eu tiver você, tenho tudo que preciso. " - Ele virou-se, pegando meu rosto entre seus dedos longos, acariciando minhas têmporas com o polegar. - "Você é tudo que eu sempre quis, Isabella."

"Edward" - eu choraminguei o nome dele, mas ele balançou a cabeça, beijando-me com firmeza nos lábios. Eu coloquei minhas mãos em seus pulsos, mantendo sua pele reconfortante na minha. Gemendo em seus lábios, eu me derreti contra seu peito.

Finalmente ele se afastou, colocando a testa contra a minha. - "Falaremos sobre isso mais tarde, mas agora, deixa eu te levar lá pra dentro."

Meneei a cabeça, permitindo que ele me pegassem em seus braços fortes. Enrolei os meus contra seu pescoço, simplesmente desejando estar o mais próxima possível dele. Eu só precisava ser carregada naquele momento, e foi exatamente isso o que ele fez pelo resto da noite.