Capítulo Trinta e CINCO
A Delicate Balance
(Um Equilíbrio Delicado)
— ... bexigas, peão, o cartão de Merlin dos sapinhos de chocolate e... — Draco hesitou. — Uma pedra?
— É uma pergunta ou uma afirmação? — Severus perguntou.
— Afirmação? — Draco perguntou.
— É um bezoar — Severus corrigiu. — Mas foi melhor. Usaremos dez objetos da próxima vez. — Draco fez uma careta, como se xingasse Severus em sua cabeça. — Será um problema?
— Não, senhor — murmurou.
— Sabia que pisca quando mente? — Severus perguntou, erguendo uma sobrancelha.
— Não foi uma mentira — Draco murmurou, claramente tentando não piscar dessa vez. Severus não chamou sua atenção, entretanto; quanto mais ele praticasse mentir sem piscar, mais natural seria. Desde que não parasse completamente de piscar quando mentisse; isso seria igualmente notável. Draco inquietou-se. Severus imaginou que ele estava resistindo à vontade de falar o que lhe passava pela cabeça (como estava sendo encorajado ultimamente) e à vontade de ficar quieto (o que lhe fora ensinado a vida toda). — Qual a finalidade disso tudo? — Draco quis saber, incapaz de continuar quieto.
— Estamos passando um tempo juntos — Severus disse. Ele se sentia tão animado com isso quanto Draco.
— Por quê? — perguntou, cruzando os braços.
— Parece que é isso o que os padrinhos fazem — Severus respondeu. — Ganhará muito com minha presença.
— Como o quê? — Draco perguntou, mal-humorado. — Só é habilidoso com poções, mas não me ensina a fazê-las. Só ficamos nesses jogos idiotas de memórias!
— Se não consegue se lembrar dos cinco objetos para os quais olhou por dez segundos, como espera seguir as instruções de poções? — Severus perguntou. Draco não respondeu. — Eu escolho as atividades — Severus disse num tom de finalidade. — Se eu quiser ficar nesses jogos "idiotas" de memória, é o que faremos.
— Posso pelo menos trazer o Roquefort da próxima vez? — Draco perguntou.
— Os únicos ratos que entram nos meus aposentos são os mortos que serão usados em poções — Severus disse sem rodeios. Isso era verdade, mas poderia abrir uma exceção se tivesse certeza de que era Hydrus quem estava com Pettigrew; não sabia qual dos meninos estava com o rato de verdade e qual estava com o homem disfarçado. Os únicos que sabiam eram o próprio Pettigrew, Lucius e possivelmente Narcissa. Não havia a menor possibilidade de permitir que Pettigrew participasse de suas sessões com Draco.
— Certo, ele ficará em casa — Draco resmungou, cruzando os braços.
— Bom — Severus disse. — Eu...
CRACK! Draco se assustou e caiu da cadeira, enquanto Severus escondia sua surpresa atrás de uma fachada calma. Escondeu também sua irritação; não gostava do fato de que o elfo de Lucius conseguia entrar em seus aposentos a qualquer momento.
— Jovem mestre Draco — a criatura grasnou, curvando-se. — Professor Snape, senhor. Dobby foi enviado pela senhora para buscar o jovem mestre. A senhora precisa que ele se apronte para a noite, senhor — adicionou, olhando para Snape com seus enormes olhos verdes.
— Vá — Severus disse a Draco, que parecia dividido entre seu ódio pelo tempo que passara com Snape e por ser Dobby quem lhe oferecia salvação. Dobby lhe ofereceu um braço fino e Draco o segurou.
Os dois sumiram e Severus recostou-se em sua cadeira, suspirando.
-x-
Lupin,
Você já teve tempo para se acostumar com as novas buscas e, por isso, como conversamos ontem, eu anotei o nome de todos envolvidos nas buscas mágicas e as datas em que deve investigar cada um deles. Faça algo parecido com o seu grupo e me mande o mais rápido possível.
Lucius Malfoy.
— O quê? — Remus disse em voz alta. A coruja que entregara a mensagem o olhou feio e foi embora.
Matt o olhou, confuso, e Remus balançou a cabeça. Matt voltou-se para o jogo de cartas que jogava com Dente Verde — uma garota muggle de doze anos que, num acesso de teimosia digna de Dora, recusava-se a atender por Sarah, seu verdadeiro nome. Ela parecia ter uma quedinha por Matt, apesar de tanto Remus quanto Matt terem certeza de que ela estava os espionando a mando de Greyback. Ela não sabia que eles sabiam, entretanto, o que, até certo ponto, era divertido, mas ainda era mais irritante do que qualquer outra coisa.
Remus leu e releu a carta, mas ainda não fez sentido; ele e Malfoy não se falavam há quase uma semana e certamente não estivera fazendo nenhuma busca desde então.
Então Malfoy cometeu um erro... Mas é um erro bem grande... Talvez a carta não fosse para mim... Apesar de estar endereçada a mim. Franziu o cenho, pensativo. Mas não tem um endereço no envelope, só meu nome... O que quer dizer que era mesmo para mim...
Mas ele também deveria saber que estou viajando... E nessa carta não parece que ele sabe... Dora deveria ter contado a ele, mas talvez ela o fizera... Isso não explicava a carta, mas era um começo. Levantou-se e Dente Verde ergueu a cabeça na mesma hora.
— Aonde vai? — ela perguntou.
— Sair — Remus respondeu, chamando a atenção de Greyback; ele estava sentado em seu trono. Ele, também, erguera a cabeça assim que Remus levantara-se e o observava com o cenho franzido.
— Para onde? Posso ir? — Dente Verde perguntou parecendo ansiosa.
— Talvez da próxima vez — Remus disse. Sustentou o olhar de Greyback até que ele assentisse e indicasse o pulso. Remus entendeu; podia sair, mas estaria em problemas se ficasse fora por muito tempo.
— Não disse para onde vai — Dente Verde choramingou.
— Tem corda? — Matt perguntou; ele tinha planos quase verdadeiros de amarrar Dente Verde a alguma árvore e deixá-la lá. Remus envergonhava-se de admitir que essa ideia era cada vez mais tentadora.
— Não — Remus respondeu aos dois ao mesmo tempo. Matt e Dente Verde ficaram com expressões desapontadas assustadoramente parecidas. — Vai ficar bem? — perguntou a Matt, que deu de ombros e assentiu.
Remus se despediu de Matt — e de Dente Verde também, supôs — e saiu do prédio principal. Greyback o olhou o tempo todo. Do lado de fora, foi forçado a se explicar a Pé Azulado e Traseiro Prateado — membros da matilha de Dente Verde, que escolheram como nomes partes coloridas do corpo em homenagem a Greyback¹ — e foi forçado a aguentar vários minutos de questionamento conforme se aproximavam dos limites do acampamento.
Traseiro Prateado era facilmente o mais inteligente dos dois, mas também era o mais novo; apenas dez anos contra os catorze de Pé Azulado. Remus — que tinha anos de experiências em evitar conversas — conseguiu evitar a maioria das perguntas deles com pouco esforço. E, ao evitar as perguntas, não estava mentindo e, por isso, não precisava se preocupar que seu cheiro pudesse entregá-lo.
Eles o deixaram nos limites com instruções específicas para que os avisasse assim que voltasse. Remus os agradeceu — com um pouco de sarcasmo — e aparatou antes que pudessem lhe dizer outra coisa.
Parou primeiro em sua casa. Queria usar Strix para mandar uma carta a Olho-Tonto com um pedido para marcar um encontro com Dora; era um jeito mais fácil do que perambulando por Londres na esperança de encontrá-la.
Ao passar pela porta, entretanto, ficou imediatamente claro que não precisava se preocupar; sentia o cheiro dela pela sala inteira e ouviu movimento no corredor.
Fechou a porta — e deleitou-se na luxúria de um ato tão simples — e considerou ir cumprimentá-la, mas decidiu que seria mais fácil deixar que ela o achasse; a mochila dela estava em sua mesa, o que significava que ela teria de voltar a essa parte da cabana.
Remus acabara de ficar confortável — a suavidade de um sofá era outra coisa da qual sentira falta — quando o som de passos anunciou o retorno dela. Ela só o viu quando estava a poucos metros dele.
Remus teve bastante tempo para observá-la, entretanto; seu cabelo estava azul escuro e ela usava uma calça jeans e o que parecia ser um dos antigos suéteres dele. Em seus braços estavam todas as peças de roupa que ele tinha, menos as que levara para o acampamento. Quando ela o viu, gritou e derrubou tudo; seu cabelo ficou num tom ofuscante de branco.
— Boa tarde — disse, oferecendo-lhe um sorriso confuso e um assentir.
— Remus! — exclamou. Seu cabelo ficou verde limão, o que Remus achou ser uma mistura de felicidade e algo que (a julgar pelo cheiro) achou ser culpa. — Você me assustou! O que está fazendo aqui? — Ela o abraçou e se sentou. — Matt está bem? — perguntou. — O que aconteceu com o seu rosto?
— Respondendo de trás para frente — disse —, Greyback é o responsável por isso... — Indicou o olho roxo e o corte no maxilar. — Mas foi culpa minha, eu o provoquei. — Remus passara a última semana testando os limites que Greyback lhe dera para saber o que era aceitável e o que não era. Não era algo incrivelmente inteligente, mas era uma informação útil e que valia os avisos dolorosos de Greyback. — Matt está tão bem quanto possível, dadas as circunstâncias, e quanto ao que faço aqui... Estou mais interessado em saber o motivo de você estar aqui, apesar de achar que tem algo a ver com a estranha carta que recebi pela manhã.
— Carta? — perguntou.
— Do Malfoy — explicou. — Ele queria dar continuidade à conversa de ontem... — Não ficou surpreso ao notar que ela parecia saber do que ele estava falando. — O que achei confuso já que não vi Malfoy ontem.
— Isso é estranho — ela disse de modo não convincente.
— Dora — disse e ela fez uma careta. Seu cabelo agora estava mais para verde do que amarelo. — Gostaria de explicar?
— Não particularmente — admitiu e Remus sorriu levemente. Ela suspirou e brincou com um fio solto no suéter. — Tenho me passado por você — disse, olhando para o colo.
— Isso eu percebi — disse com ironia.
— E Matt — adicionou em voz baixa. Disso, ele não sabia.
— Dora... — começou
— Foi minha escolha — disse, defensiva.
— Obrigado — disse. Ela piscou e seu cabelo ficou branco e, então, laranja.
— Eu não... Você não está bravo?
— Bravo? — riu. — Está fazendo um favor enorme a mim e a um bom amigo por vontade própria. Seria idiota se não fosse grato. — Sorriu. — Ainda que esteja roubando minhas roupas. — Ela se abraçou (na verdade, Remus percebeu, ela abraçava o suéter que usava).
Era um suéter de lã vermelha que a tia Catherine tinha lhe mandado em seu aniversário de dezessete anos. Ele o vestira apenas uma vez — James o forçara, achando engraçado (e Remus supôs que tinha sido mesmo) — e outra vez para a final de Quadribol em seu sétimo ano; orgulho da casa e tudo o mais. Apesar de ser muito confortável, ele não o usara desde então — em parte por que era muito chamativo para seu gosto e em parte para irritar a tia Catherine.
— Pegando emprestado — ela corrigiu. — Além do mais, se sou você, elas são minhas roupas.
— Espero que não tenha usado isso aí enquanto finge ser eu — disse, indicando o suéter.
— Duas vezes — disse e Remus fez uma careta. — O quê? É bonito!
— É seu — disse. — Desde que não o use novamente enquanto se passa por mim.
— Feito — disse, sorrindo, antes de olhá-lo com cautela. — Tem certeza que não está bravo?
— Sim — respondeu. — Estou preocupado que pode estar se esforçando demais...
— Eu dou conta — garantiu. Ele olhou para seu rosto por um momento, tentando ver se havia alguma marca escura se formando sob os olhos dela, ou se ela parecia sonolenta, mas desistiu; ela era perfeitamente capaz de esconder essas coisas. — Então, voltou por quanto tempo?
— Por algumas horas, talvez — disse, pensando que (já que estava fora do acampamento) poderia aproveitar para visitar Sirius e Harry. — Por quê?
— Já almoçou?
— Não. — Ela se ergueu num pulo.
— Brilhante — disse. Acenou a varinha para as roupas caídas, que voaram até sua mochila. — Vamos, então; eu pago.
— Tem certeza? — perguntou, levantando-se.
— Deixe-me dizer de outra maneira — disse, pendurando a mochila no ombro. — Eu vou te fazer um monte de perguntas sobre ser você e sobre Matt, porque agora que sabe, não é estranho que eu te pergunte essas coisas — Remus riu — e eu posso te recompensar por sua participação ou você pode pagar por seu almoço e me ajudar assim mesmo. — Ela lhe ofereceu um sorriso simpático.
— Sabe que eu te ajudaria de qualquer jeito — disse.
— Eu sei. E é esse o motivo de eu insistir em pagar... E — adicionou — se você insistir em pagar por seu almoço, eu vou insistir em pagar pelo meu. Com sicles. — Remus não conseguiu evitar a careta. — Desculpe por isso, aliás. Eu não sabia naquela época, mas pensei nisso no outro dia e me senti muito mal. Oh! É outro motivo para eu pagar; vou te compensar.
Seu humor alegre era contagiante e muito diferente da intensidade amarga do acampamento. Remus se viu sorrindo e oferecendo o pó de flu a ela.
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— Tem alguém na casa — Padfoot murmurou. Harry congelou e várias bagas de jurubeba que segurava escaparam de suas mãos. Elas caíram no chão e rolaram para longe, mas Harry não se importou. Limpou as mãos nas vestes e sacou a varinha.
— Quem? — sussurrou. Padfoot revirou os olhos.
— Se eu soubesse, teria dito — murmurou e os cantos de sua boca se curvaram. Mas ele não sorriu; parecia tenso e preocupado. Ele soltou a pequena trolha que estivera usando e pegou a varinha. Harry a olhou e segurou a própria com mais firmeza. Engoliu em seco e olhou rapidamente para Padfoot. Os dois se levantaram o mais silenciosamente possível; Harry tomou cuidado para não esbarrar em seu caldeirão ou no vaso de Padfoot.
— Já subiram as escadas? — Padfoot balançou a cabeça.
— Ouvi o flu — sussurrou.
— Pode ser o Moony? — Harry perguntou, esperançoso; sentia saudades dele.
— Poderia ser — Padfoot disse, assentindo. — Mas é para ele estar no acampamento... Não que ele não possa sair, é claro, mas acho que ele escreveria...
— Padfoot? Harry? — Era Moony ou, pelo menos, parecia ser. Harry relaxou e abaixou a varinha. Padfoot sorriu brevemente, mas manteve a varinha erguida.
— Estamos aqui em cima! — Padfoot respondeu e Harry ouviu o som de passos. Moony entrou com um sorriso largo, mas Harry notou que ele tinha um olho roxo e um corte no rosto.
— O que aconteceu? — Harry perguntou, dando um passo em sua direção. Padfoot, entretanto, segurou seu ombro. O sorriso de Moony diminuiu.
— Qual foi sua fantasia no Halloween? — perguntou.
— Um pirata — Moony respondeu imediatamente, sorrindo mais uma vez. Harry se soltou da mão de Padfoot e correu para abraçar Moony. Ele retribuiu o abraço. — E foi Greyback — disse, respondendo à pergunta de Harry. — Não acreditaria como senti saudades de vocês dois — contou. — Ainda que a recepção estilo Olho-Tonto seja tudo o que eu vou ganhar...
— Só estava me garantindo — Padfoot disse, afastando Harry para que pudesse abraçar Moony. Harry começou a recolher as bagas de jurubeba que derrubara.
— Vigilância constante? — Moony perguntou, sorrindo.
— Algo do tipo — Padfoot concordou, enquanto se sentava. Moony se sentou com um pouco mais de decoro.
— Não é uma má ideia — Moony comentou, pensativo. — Acabei de almoçar com a Dora e você não acreditaria nas coisas que ela tem feito... — Acabou que Dora (sobre quem Harry ouvira Moony contar várias coisas) estava fingindo ser Moony para que Malfoy não desconfiasse da ausência dele. Padfoot acreditava nisso e achou extremamente engraçado (assim como Harry), mas também um pouco preocupante.
— Vamos ter que combinar algumas perguntas de segurança — ele disse, pensativo. — Não podemos abordá-la no Beco Diagonal achando que é você.
— Para começo de conversa — Moony disse —, quando é que você vai ao Beco Diagonal? — Padfoot abriu a boca. — E, para terminar a conversa, se fosse, é mais provável que eu estivesse lá com vocês dois.
Apesar de Harry achar que Moony tinha razão, Padfoot ainda fez várias perguntas que aparentemente seriam usadas para identificá-lo mais tarde.
— No que está trabalhando, Harry? — Moony perguntou, recusando-se a responder a última pergunta de Padfoot ("Onde você escondeu seu chocolate no final do sétimo ano?"). Harry, que conseguira encontrar todas as bagas e agora tentava pesá-las numa balança antiga, ergueu os olhos.
— Meu revelador de forma — respondeu, adicionando um punhado. — Bem, é a segunda vez... Errei na primeira.
— Moony — Padfoot choramingou.
— Numa cópia oca de Decifrando o Sistema Solar — suspirou, antes de voltar-se para Harry. — Está em qual estágio?
— Dois — Harry disse, desviando quando a poção ferveu e cuspiu um pouco do líquido púrpura.
— Decifrando o... É aquele livro que Peter ensopou com Uísque de Fogo, né? — Padfoot perguntou.
— Que é o porquê de você não ter conseguido sentir o cheiro, como fez com meu estoque pré-natal — Moony disse, sorrindo.
— Maldição! — Padfoot exclamou. Harry e Moony olharam para ele. — Prongs e eu tínhamos uma aposta — Padfoot explicou. — Eu achei que você tinha achado algum lugar para esconder fora do dormitório, mas ele insistiu que estava dentro do dormitório, mas bem escondido demais para encontrarmos... Parece que eu devo um galeão a ele. — Harry e Moony trocaram um olhar, incertos do que dizer. — Me lembre de te pagar mais tarde, garoto.
— Eu? — Harry perguntou, adicionando outro punhado de bagas. A poção assumiu um tom de púrpura mais escuro.
— Não é como se eu pudesse pagar ao James, né? — Padfoot disse. — Mas se eu tivesse pagado para ele, o dinheiro teria ido para o cofre dele, que foi passado para você, então, pela lógica...
— Não discuta — Moony aconselhou quando Harry abriu a boca. — Só aceite o dinheiro.
Padfoot riu e acenou a varinha para uma das sementes em seu vaso. Leu algo em Produzindo Plantas: Um Guia Avançado, balançou a cabeça e voltou a balançar a varinha, antes de ir ver o que Harry estava fazendo.
— Não esqueça, garoto, só dois punhados...
— Eu sei — Harry disse, envergonhado; tinha colocado três punhados da outra vez e a poção ficara preta e muito venenosa. Tinham colocado o medalhão dentro da poção só para ver se seria danificado, mas não o fora; ainda não tinham aceitado a oferta de Keira. Na verdade, o medalhão saíra da poção ainda mais brilhante, o que fez Padfoot pensar que ele tinha sido feito por duendes (isso não fizera nenhum sentido para Harry, por isso apensar assentira).
— Não lembro de vocês terem usado jurubeba — Moony disse a Padfoot, que usava a varinha como um regador.
— Lembra, sim — Padfoot disse. Harry apenas observou quando as sementes cresceram vários centímetros de começavam a criar brotos e folhas. — Coloquei o que sobrou no meu kit de poções e na próxima aula, estávamos fazendo aquela poção idiota ante enjoo e...
— Oh — Moony disse num tom diferente. — Os frutos do sabugueiro.
— Os o quê? — Harry perguntou.
— Os frutos do sabugueiro — Padfoot disse, melancólico — se parecem muito com as jurubebas para os secundaristas que não dormiram nada na noite anterior. — Harry fez uma careta. — Eu coloquei na poção o que achei ser os frutos e Prongs estava meio fora do ar depois da nossa noite, então ele bebeu um pouco da poção quando Slughorn não estava olhando.
— Se envenenou — Moony disse quase carinhosamente. — Passou a noite no St. Mungo's e depois três dias na Ala Hospitalar sob supervisão constante. Ele quase morreu... Nós todos ficamos muito assustados na época...
— Eu não fui às aulas por três dias para ficar com ele — Padfoot disse. — Acho que saí só uma vez para colocar algo na poção porque não achávamos que Peter fosse acertar, mas fora isso...
— As pessoas acharam que também tínhamos sido envenenados — Moony riu e voltou-se para Harry. — Quando soubemos que James ia ficar bem, a coisa toda passou a ser hilária; os alunos assumiram que Lily ficou de saco cheio de James e o envenenou e os funcionários estavam confusos, também. A coitada da madame Pomfrey não conseguia descobrir como James acabou consumindo jurubeba, porque elas não são usadas em Hogwarts antes do quarto ano, quando aprendemos sobre venenos e antídotos...
— E não íamos contar isso a ela — Padfoot disse com uma careta. — Ela mandou uma carta, irritadíssima, para a Farmácia do Beco Diagonal e nós três fizemos de tudo para interceptar tal carta, porque, obviamente, James não estavam em condições de interceptar qualquer coisa. — Harry riu, conseguindo imaginar isso perfeitamente (bem, Moony e Padfoot pelo menos), enquanto mexia a poção novamente. — Pare — Padfoot mandou, tirando a concha de sua mão; a poção ainda tinha um tom escuro de púrpura, mas a consistência era mais de água do que de calda. Padfoot olhou o relógio.
— Está errada? — Harry perguntou, afastando-se na mesma hora. Moony também se afastou.
— Não, está certa — Padfoot disse. — Mas se continuasse mexendo, ia estragar. A jurubeba deixa a poção volátil.
— Oh — Harry disse, espiando a poção. Padfoot usou um feitiço rápido para limpar a concha e a deixou de lado. Harry leu os próximos passos em Abraçando Sua Besta Interior; nunca tinha chegado tão longe antes. — Aqui diz para deixar parada por quarenta minutos e aí adicionar o sangue de bicho papão... É isso mesmo?
— É o que está escrito no livro? — Padfoot perguntou.
— Sim — Harry disse, lendo novamente para se certificar.
— Então sim, é isso mesmo — Padfoot lhe disse com um sorriso maroto. — Só um lembrete para a próxima vez; é sempre bom ver as horas quando termina um passo das instruções.
— Por quê? — Harry perguntou.
— Porque — Moony disse — é normal o passo seguinte mandar que espere um determinado período de tempo. E o resultado é melhor quando obedece ao tempo determinado do que se atrasar um minuto. A poção Mata-Cão, por exemplo, precisa ficar parada exatos setenta minutos e se você demorar mais de dez segundos, perde todo o trabalho. É o motivo de eu sempre ter tido dificuldades com ela.
— Essa aqui é um pouco mais indulgente — Padfoot disse a Harry; ele obviamente vira a expressão de pânico de Harry. — Você tem uma janela de uns dez minutos ao invés de segundos. — Harry relaxou um pouco. — Mas se conseguir se prender aos tempos, melhor sua poção será. — A cabeça de Harry começava a doer e sentiu uma pontada de medo por ter sete anos de poções com Snape quando começasse a frequentar Hogwarts.
Imaginou se Moony tinha adivinhado o que estava pensando, porque ele disse:
— É fácil ser bom em poções. — Harry apenas o olhou. — É, sim. É sobre precisão. Uma parte depende de habilidades, principalmente o entendimento de como os ingredientes interagem; outra depende de técnica, mas a maior parte se trata de precisão e ser capaz de seguir instruções.
— Não parece ser tão ruim — Harry admitiu. — Tempus Admonius — disse, acenando a varinha. Usou o relógio de Padfoot para determinar o horário certo e assentiu, satisfeito com seu trabalho; tinha colocado o feitiço de alarme em seu pulso, onde seria impossível ignorar.
— O que acha de almoçarmos enquanto espera? — Padfoot perguntou, olhando para sua planta uma última vez. Harry assentiu com entusiasmo e levantou-se num pulo. Padfoot riu. — Moony?
— Já comi — Moony disse, erguendo uma mão.
— Sobra mais para nós — Padfoot disse, sorrindo. — Mas desça mesmo assim.
— Por quê? — Moony perguntou; ele já estava se levantando.
— Por quê? Pelo prazer da minha companhia, é claro — Padfoot disse. Harry olhou sua poção novamente, antes de segui-los para fora da sala.
-x-
— ... azeitona. Você gosta de azeitonas — Millicent disse. Draco estava, mais uma vez, sentado ao lado dela no jantar. Para sua sorte, entretanto, ela estava tão determinada a animar Pansy que não falara com ele a noite toda. Draco não tinha nenhum problema com isso, mas conseguia ver que Pansy já estava cansada da atenção de Millicent.
— Só a deixe em paz — ele disse, fazendo o que tinham lhe mandado fazer; falar o que lhe passasse pela cabeça. Millicent ergueu uma sobrancelha, mas não respondeu.
Daphne, entretanto, que estava sentada do outro lado de Draco, virou-se na mesma hora e perguntou:
— Por que se importa?
— Eu só... — Mas Draco não sabia explicar. Não sabia por que tinha dito alguma coisa.
— "Eu só..." — Daphne zombou e riu. Draco se remexeu, desconfortável. — Hoje você está estranho, Draco. Está se sentindo bem?
— Não realmente — Draco disse. Mas não se sentia mal ou cansado. Só confuso pela maneira que vinha agindo. E confuso por que era o jeito que tinham lhe mandado agir, então obviamente não estava errado. Mas era o que parecia e ele não sabia o que fazer.
— Qual é o problema? — Daphne perguntou, inclinando a cabeça para o lado.
— Não quero falar sobre isso — disse, porque não sabia o que dizer. Se soubesse, teria dito algo; tinha certeza de que isso só pioraria as coisas. E aí ficou ainda mais confuso. Ele gemeu e escondeu o rosto nas mãos.
— Draco? — Era Pansy. E ela devia estar preocupada se estava falando; a mãe dela não estivera bem o bastante para comparecer hoje e Pansy estivera quieta e tentando ignorá-los. — Qual é o problema?
— Minha cabeça dói — murmurou.
— Senhora Malfoy! — Uma cadeira arranhou o chão e Draco sentiu mãos geladas em seu cabelo.
— Draco? — Era sua mãe. — Você está bem? — Ele balançou a cabeça. — Consegue andar? — Assentiu e permitiu que a mãe o ajudasse a se levantar. Ela o guiou para fora da sala de jantar, até a sala de visitas, e o fez se sentar.
— Eu não sei qual é o meu problema — ele disse antes que ela pudesse perguntar. Ela o fez tirar as mãos do rosto e sentiu a temperatura em sua testa.
— Não está com febre.
— Acho que não estou doente — disse, olhando-a pela primeira vez. Ela ergueu uma sobrancelha e acenou a varinha. Ela franziu o cenho e repetiu o movimento. Dessa vez, teve a sensação de mãos em sua pele e reconheceu o feitiço diagnóstico. Nunca vira sua mãe usar um antes. Era Dobby quem costumava fazer isso; a mãe não era muito boa em magia de cura.
— Também acho que não está doente — ela disse, guardando a varinha na manga de suas vestes de seda.
— A não ser que tenha feito o feitiço errado — murmurou, mais uma vez dizendo o que lhe vinha à mente; era necessária muita coragem para questionar sua mãe e não tinha certeza do porquê o fizera. Desejou estar doente, porque aí teria uma desculpa para ir para casa e dormir.
— A não ser que eu tenha feito o feitiço errado — ela concordou. Draco apenas a olhou; sua mãe nunca admitia qualquer fraqueza. Ele a olhou ainda mais quando ela adicionou: — E essa é uma possibilidade. — Então ela sorriu, como se soubesse quão surpreso ele estava (ela provavelmente sabia) e adicionou: — Não acha, Draco?
— Sim — disse, porque parecia que era isso que ela queria. Porém, ela ergueu as sobrancelhas novamente.
— É realmente o que acha? — perguntou. — Ou só está dizendo o que acha que quero ouvir?
— Não sei — disse.
— Acha que sou boa em magia medicinal? — ela perguntou. Draco não sabia o que dizer; seria grosseiro dizer "não" e ela sempre encorajara boas maneiras, mas ela também estivera o encorajando a dizer a verdade, mesmo que os outros não quisessem ouvir.
— Não sei — disse depois de pensar por vários segundos.
— Eu pedi que me dissesse a verdade — ela disse, severa.
— Não — disse.
— Não o quê?
— Não acho que é boa em magia medicinal — murmurou. Ela sorriu e Draco não sabia como se sentir.
Ele sentia vontade de chorar — só que Malfoys não choravam —, mas talvez devesse, porque seu pai tinha lhe dito para não esconder seus sentimentos. Mas se uma das outras crianças visse, elas o zombariam por anos. E sempre tinham dito a Draco para não se importar com o que os outros pensavam dele — se estivessem pensando nele (bom ou mal), isso era algo bom, porque significava que ele tinha as impressionado —, mas recentemente a mãe tinha lhe dito que as outras pessoas tinham sentimentos e pensamentos também e que ele devia ouvi-los e que devia se garantir de que as pessoas só tivessem coisas boas a dizer sobre ele.
Sentiu vontade de gritar — Malfoys podiam fazer isso às vezes —, mas não era apropriado. Ele devia se comportar e não usar os poucos xingamentos que os sangue-puros mais velhos tinham lhe ensinado. Isso podia chatear as pessoas e agora ele tinha que tomar cuidado com os sentimentos dos outros. Mas ele também devia fazer o que quisesse sem se importar se isso chatearia alguém ou não, mas como isso garantiria que as pessoas pensassem bem dele?
— Draco? — a mãe chamou.
— Minha cabeça dói — disse mais uma vez e desmaiou.
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— Você demorou — Pé Azulado disse, cruzando os braços. Traseiro Prateado e Dente Verde estavam ao lado dele, na mesma posição.
— Tinha muito o que fazer — Remus disse, cruzando os próprios braços. Pé Azulado deu um passo para frente, a mão subitamente erguida como se fosse agarrar o pescoço de Remus. Remus não se moveu, mas olhou o mais feio possível. Pé Azulado estava a menos de um metro quando pensou melhor e recuou. — Foi o que pensei — Remus disse. Dente Verde mostrou os dentes e deu um passo para frente para cheirá-lo.
— Está com cheiro de limpo — ela disse num tom de acusação.
— Eu tomei banho — disse, indicando cabelo ainda úmido. Usara muito do sabonete para se livrar dos cheiros de Harry, Sirius e Dora; o de Dora em particular seria incrivelmente perigoso de ter em seu corpo. Remus já estava em uma posição delicada com Greyback, mas tudo ficaria muito pior se ele descobrisse que Remus era amigo da mulher que o mutilara para salvar Matt em outubro.
— Está tentando esconder algo? — Traseiro Prateado perguntou.
— Você nunca vai saber — Remus disse. Os três ficaram furiosos. — Agora, se não se importam, gostaria de avisar Greyback que já voltei.
— Eu aviso — Dente Verde disse na mesma hora.
— Sou mais do que capaz, posso garantir — Remus disse.
Ele não esperara que isso a detivesse, então não ficou particularmente surpreso quando ela e os outros dois formaram um triângulo ao seu redor para escoltá-lo até o prédio. Remus manteve a cabeça erguida, tentando parecer tão não afetado quanto possível. Quase ninguém estava olhando; o jantar tinha sido servido e a maioria estava focada nisso. Aqueles que não estavam, ouviam Greyback que, como sempre, estava em seu trono.
— ... Beco Diagonal em Londres — ele estava dizendo. Remus gemeu, fazendo Pé Azulado rosnar; essa história era contada quase todas as noites no acampamento. Greyback mordera uma garota há algum tempo e não conseguira encontrá-la desde então. Remus estava impressionado; não era fácil se esconder de Greyback. Para o azar dessa garota misteriosa, entretanto, ela se escondera tão bem que Greyback estava obcecado por ela e pela ideia de encontrá-la. — Não estava nos meus planos morder alguém naquela noite, mas ela passou por mim, parecendo tão pequena e tão assustada. — Remus bufou com zombaria; a maioria das pessoas parecia tensa à noite no Beco Diagonal, especialmente se fossem jovens e estivessem sozinhos. E Greyback provavelmente tinha planejado morder alguém se tinha se posicionado no Beco Diagonal durante a lua cheia.
"Eu sabia que queria que ela nunca mais tivesse aquela aparência e sabia que podia ajudá-la", Greyback disse. Dente Verde suspirou alegremente ao seu lado. Remus bufou novamente e ela se virou, furiosa. Remus desviou os olhos rapidamente e viu Matt sentado com algumas das mulheres mais velhas do outro lado do salão.
Matt fez um sinal de "joinha" e Remus deu de ombros e assentiu. Matt assentiu uma vez e indicou o lugar ao seu lado; Remus balançou a cabeça. Matt ergueu um ombro e Remus inclinou a cabeça na direção de Greyback. Matt assentiu mais uma vez e olhou, envergonhado, para a mulher ao seu lado — o nome dela era Candice; ela fora distraída pela conversa silenciosa deles. Remus voltou a olhar para Greyback, que se levantara e andava de um lado para o outro.
— ... lutou. Já era claro que meu presente estava deixando-a mais poderosa; uma mordidinha de nada e ela já estava corajosa; ela estava lutando — Greyback se virou para seu público. Remus não sabia o que era mais repugnante; a história, o prazer óbvio de Greyback ou o fato de que quase todos os presentes prestavam atenção às palavras de Greyback. — Ela conseguiu me afastar, era rápida com a varinha. Quando consegui me reorientar, ela já tinha sumido.
— Onde ela está agora? — um garoto (Remus achou que ele se chamava Nariz Vermelho ou algo parecido) perguntou.
Sumiu, Remus pensou, enfadado. Como fumaça no vento.
— Sumiu — Greyback disse. — Como fumaça no vento. — A mulher que acompanhava Matt suspirou e ele parecia frustrado quando Remus o olhou. — Mas estou procurando sua irmã perdida. Minha filha perdida. Eu a encontrarei e a trarei para casa, meus filhos.
— Obrigada, pai — Dente Verde murmurou ao lado de Remus. Ela não fora a única a dizer isso, também; a obsessão de Greyback parecia ser contagiosa. Para o bem dessa garota misteriosa, Remus esperava que ela já estivesse muito longe ou muito bem escondida; se ela fosse encontrada e levada ao acampamento, ela seria observada tão de perto por todos seus "irmãos" carinhosos que nunca conseguiria ir embora.
— Dente Verde — Greyback disse ao ver Dente Verde, Pé Azulado, Traseiro Prateado e Remus. Os outros parecerem entender isso como um sinal para voltarem a comer. Remus se aproximou antes que um dos três pudesse arrastá-lo.
— Greyback — Remus disse, enquanto os outros três erguiam a cabeça. Greyback segurou cada um deles pelo pescoço (com muito mais gentileza que alguma vez usara com Remus ou Matt), antes de soltá-los. Eles se misturaram à multidão e sumiram pela porta.
— Filho — Greyback disse imperiosamente —, bem-vindo ao lar.
— De volta — Remus disse, cruzando os braços.
— O quê?
— Bem-vindo de volta — Remus lhe disse. — Não ao lar.
— Pensei ter lhe dito que não aceitaria nenhuma ameaça...
— É uma indicação de que não quero estar aqui — Remus bufou com zombaria. — Acho que não tem como eu ser menos ameaçador...
O punho de Greyback colidiu com sua bochecha. Não era completamente inesperado, mas ainda assim doeu e Greyback batera com força o bastante para fazer Remus recuar alguns passos. Remus fez uma careta e esfregou o rosto, mas parecia que Greyback esperara uma reação mais dramática. De repente, ocorreu a Remus que Greyback estava o testando tanto quanto ele o testava.
Isso pode ser muito perigoso, pensou, interpretando o soco como uma dispensa. Cruzou o salão e sentou-se ao lado de Matt — Candice e os outros tinham ido embora quando o viram se aproximar —, que lhe entregou um copo de água, em silêncio.
— Obrigado — disse, pressionando o vidro gelado no rosto.
— Não tem problema — Matt disse, olhando as duas crianças mais novas (elas tinham apenas quatro anos e eram bastante selvagens). — Então, onde esteve?
Remus olhou por sobre o ombro e aproximou-se.
— Dora está nos cobrindo com Malfoy, mas ele estava ficando desconfiado. Ela achou que seria uma boa ideia se ele me visse hoje, só para mostrar que não fugi, e isso dá credibilidade a sua história, também... Aliás, ela disse oi.
— Theodora? — perguntou. Remus assentiu. — Legal da parte dela.
— Ela... — Uma mão enorme e peluda se fechou ao redor do ombro de Remus e, então, um hálito de carne bateu em seu rosto. O ombro de Matt também estava sendo segurado.
— Só um aviso, filhos — Greyback disse —, vocês estão agindo de um jeito muito suspeito.
Remus tinha várias respostas sarcásticas que queria usar, mas mordeu a língua e tentou parecer tão honrado quanto possível com um copo de água pressionado contra o rosto dolorido.
Matt, infelizmente, tinha outras ideias.
— Suspeito, pai? — perguntou. — Acho que precisa examinar os olhos.
— Do que estavam falando? — Greyback rosnou.
— Uma amiga — Matt cuspiu.
— Outro animalzinho? — Greyback perguntou, olhando feio para Remus. — Não minha...
— Ela é humana — Remus disse, cansado, virando o copo; a lateral começava a ficar quente. — Poderia ir embora?
— De saco cheio de mim, é? — Greyback perguntou, apertando o ombro de Remus até doer. Remus assumiu, pela sua careta, que ele fizera o mesmo com Matt.
— Sim — Matt disse. Greyback rosnou e Matt fez outra careta.
— Isso, e é muito difícil agir de um jeito suspeito com você respirando nas nossas nucas — Remus adicionou, encarnando Sirius.
Por sorte, Greyback parecer perceber que estava sendo zombado — e que não tinha a menor chance de ganhar uma batalha de perspicácia contra nenhum deles — e foi embora com um último aperto nos ombros deles como aviso. Remus sabia que pagariam por isso depois, mas não conseguia se forçar a se importar.
— Mais dois meses — Matt murmurou, limpando o local em que Greyback tocara seu suéter.
Remus gemeu e recostou-se em sua cadeira, o copo ainda pressionado contra sua bochecha.
Continua.
¹ Numa tradução literal, Greyback significa costas cinzentas, daí a "homenagem".
