Eu sei que demorou, mas antes tarde do que nunca... rsrsrs

Senti falta de comentários de muitos leitores que comentam sempre... queria tanto saber se ainda não leram ou se não gostaram do final...

Espero que tenham gostado e que achem legal o epílogo também, porque tudo nessa fic foi feito com muito carinho e empenho.

Gostaria também que vocês não deixassem de dar uma olhada nas minhas outras fics... pode ser? rsrsrs

Bjos a todos!


Epílogo

Rachel preparava um jantar especial para receber o marido, que chegaria, naquela noite, de uma viagem de quinze dias que ele havia feito para promover seu primeiro filme por algumas cidades do interior dos Estados Unidos. Não era nenhuma superprodução de Hollywood, e sim uma comédia romântica lançada diretamente em DVD, Blu-Ray e em emissoras de TV por assinatura, mas a oportunidade representava muito para Finn, que tinha sido especialmente convidado para o papel principal pelo produtor, que o vira atuando no teatro logo depois de sua peça ter sido, finalmente, transferida para a Broadway.

A morena sorriu, ao pensar em como muitas coisas tinham mudado, ao longo do tempo, mas não o seu hábito de cozinhar refeições especiais para o marido. No início da relação dos dois, quando ela ainda tentava negar os sentimentos que começava a nutrir por ele, o ato de manusear os alimentos e oferecê-los ao rapaz fora um modo diferente de criar uma conexão, de oferecer conforto e prazer, de entregar a ele um pouco do seu afeto. Mais tarde, quando seu amor deixara de ser silencioso, a comida passara a servir como mecanismo de consolo, em momentos difíceis, como parte de pedidos de desculpas, depois de pequenos desentendimentos, e, principalmente, como integrante das comemorações do casal.

Tendo, finalmente, encerrado os preparativos na cozinha, Rachel seguiu para a suíte, separou uma roupa, confortável mas também sensual na medida certa, e preparou para si um bom banho de banheira, agradecendo mentalmente a generosidade de seu pai, pois, naquele momento, um tempinho naquela Jacuzzi era tudo de que precisava para se sentir renovada.

Relaxada dentro da água morninha com cheiro de eucalipto, começou a lembrar com carinho dos últimos anos e de todas as bênçãos que vinha recebendo, desde o momento em que Finn decidira dar ao relacionamento deles mais uma chance.

Logo no primeiro dia, quando visitaram os pais dela, foram surpreendidos por Leroy e Hiram, que insistiram para que eles voltassem a viver, imediatamente, na cobertura que fora de sua tia, para que não se tornasse necessário dar nenhum tipo de explicação aos amigos que desconheciam a história deles. Além disso, ao ter certeza de que a filha tinha um marido a quem amava de verdade e que a amava de volta, os dois homens tiveram também a convicção de que Ethel gostaria que ela ficasse com todos os seus bens e os usasse da maneira que achasse mais conveniente, por isso Rachel não precisara devolver nada, apesar da revelação de sua farsa aos pais.

Tanto Rachel quanto Finn teriam vivido de forma simples, sem problemas, se tivesse sido necessário. Porém, como a fortuna acumulada por Ethel Berry era de grande vulto, os dois acabaram se permitindo fazer algumas extravagâncias, tendo sido a primeira delas uma festa de confirmação de votos, organizada pela garota com a ajuda do cunhado, Kurt.

A celebração acontecera pouco depois do aniversário de um ano do casamento civil e fora vista como cerimônia de confirmação pela maioria dos presentes, mas, na verdade, para o casal, ela tinha sido o verdadeiro casamento. Fora durante ela que eles expressaram os mais sinceros votos de amor, companheirismo e fidelidade, de um para com o outro, em público, ainda que, em particular, eles fizessem isso praticamente todos os dias.

Depois da festa, o casal desfrutara, ainda, de uma bela viagem de um mês pela Europa, e Finn, que já conhecia grande parte dos lugares que eles visitaram, por ter viajado muitas vezes com Carole, Burt e Kurt, adorara estar em cada um deles novamente, agora acompanhado da mulher que ele tinha escolhido para ficar a seu lado pelo resto da vida. As luzes de Paris ganharam um brilho mais intenso, a chuvinha fina de Londres já não parecia tornar a cidade tão cinza, as cores dos quadros do Museu Van Gogh em Amsterdã ficaram ainda mais vivas.

Rachel começara uma nova peça na Broadway, alguns meses depois do retorno dos dois, e dessa vez encontrara um clima bem mais agradável na coxia. Os produtores e diretores com quem passara a trabalhar eram simpáticos, gentis e bem humorados, e o elenco logo se tornara algo como uma grande família, que, inclusive, se reunia constantemente fora do ambiente de trabalho. A garota logo sentira um carinho especial pelo ator que interpretava o irmão de sua personagem, um menino chamado Blaine Anderson que, apesar de ter acabado de completar dezoito anos, já era um veterano dos palcos.

Pouco tempo depois, Kurt, que tinha se mudado definitivamente para Nova York, começara a namorar o companheiro de elenco de Rachel, que entrara definitivamente para a família. Finn tinha um pouco de ciúmes do irmão caçula, e se preocupara bastante com o relacionamento, no início, mas não demorara a perceber que Kurt e Blaine tinham várias coisas que o faziam lembrar-se dele e de sua Rachel, como um brilho diferente no olhar, um sorriso especial guardado por um somente para o outro, e um certo jeito silencioso de se comunicar com gestos e expressões faciais. Finn vira o amor nascer naquela relação e ficara extremamente feliz pelo irmão.

Também acontecera pouco depois da viagem de Finn e Rachel a reinauguração do teatro do Hospital do Câncer, reformado pelo jovem ator. Fora um momento de enorme emoção, que contara com a presença de todos os parentes e amigos dos Hudson, bem como dos pupilos de Rachel. Os integrantes do coral, a quem a garota continuou dedicando a maior parte de suas tardes, fizeram uma apresentação com músicas de filmes da Disney, como A Whole New World de Aladdin, Kiss the Girl de A Pequena Seria e Beauty and the Beast do desenho de mesmo nome (A Bela e a Fera), antes da apresentação da peça infantil A Princesa e o Sapo, adaptada por um conhecido de Finn e dirigida por ele próprio.

Fora com o mesmo medley de clássicos dos desenhos infantis que o coral treinado por Rachel, com a ajuda de Finn que ia aos ensaios sempre que podia, vencera as Seletivas do ano seguinte. Depois, o casal preparara um número com canções da Brodway misturadas com música pop, que dera o título de campeão regional ao grupo e o levara às Nacionais, onde apresentaram clássicos do rock, terminando em quinto lugar. Mais dois anos e eles seriam os vencedores também da etapa Nacional.

Estas e muitas outras lembranças dos últimos anos deixavam Rachel orgulhosa e feliz, mas, para que sua felicidade ficasse ainda maior, ela teria que espantar a preguiça do corpo, sair daquela banheira, vestir a roupa que tinha separado e receber o marido, de quem simplesmente precisava matar as saudades. Quinze dias sem Finn pareciam uma eternidade, mesmo que ela estivesse sempre rodeada de gente e tivesse uma porção enorme de atividades para entreterem-na.

"Meu amor?" Ela ouviu a voz dele chamar, assim que ele colocou os pés na sala de entrada do apartamento.

"Finn!" Ela o encontrou no corredor, abraçando-o, e sentindo seus pés saírem do chão. Tão ansioso quanto ela, ele tinha largado as malas na sala e andado em direção ao quarto dos dois, e, ao encontrá-la, pegou-a no colo imediatamente.

"Que saudade, meu amor!" Ele beijou os lábios dela, com carinho.

"Se você demorasse mais um dia, eu ia atrás de você!" Brincou de fazer manha, fazendo com que ele a beijasse de novo, apaixonadamente.

"Cadê a Ali?" Ele perguntou, colocando a esposa no chão.

"Na casa do seu irmão." Ela sorriu, maliciosamente. "Eu sei que você deve estar com saudades da sua princesinha, mas eu precisava de um tempinho com meu marido, sem essa concorrência desleal." Ela riu, dando a mão a ele e o levando em direção à sala de TV. A filha era um dos maiores amores da vida dela também, mas a menininha de três anos e alguns meses era sempre o centro das atenções dos dois, quando estava presente, e ela tinha outros planos para eles naquela noite.

"Na verdade, eu tô feliz que você tenha mandado a Alicia pra a casa do Kurt. Eu to exausto... e ela quer brincar o tempo todo... e eu simplesmente não sei dizer não pra ela, quando ela faz aquele famoso bico." Ele sorriu, se jogando no sofá.

"E se eu fizer bico, hum?" Perguntou, se juntando a ele, no sofá, e passando as mãos maliciosamente, pelo peitoral dele.

"Irresistível!" Respondeu, segurando-a pela nuca e pela cintura, e puxando a mulher para mais um beijo cheio de desejo.

"Isso vai ter que esperar. Eu tenho um jantar especial pronto, para comemorarmos... e ainda tenho algo pra te mostrar." Afirmou, levantando-se.

"Comemorarmos o que?" Olhou-a, confuso. Será que o retorno dele, depois de quinze dias, era suficiente para um jantar especial comemorativo? "Babe, não me leva a mal... mas TV agora, não. Eu tô morto!" Falou, vendo a morena ligar o aparelho.

"Seja paciente, Finn." Suspirou e então ficou olhando para o rapaz, esperando uma reação dele ao que apareceria na tela.

"Rachel!" Ele abriu o seu sorriso mais amplo. "Meu amor! É o nosso bebê?" A pergunta era pura retórica. É claro que só podia ser o bebê dos dois aquele na ultrassonografia que a TV estava exibindo naquele momento.

"A Dra. Scott fez uma cópia do último exame pra mim, pra que você pudesse ver." Se aproximou mais dele, que colocou as mãos na barriga já arredondada da mulher, grávida de quase cinco meses, alisando-a.

"Oi, bebê. Desculpe não estar aqui pra esse exame, viu?" Beijou a barriga, fazendo Rachel rir. "Mas acabaram as viagens... o papai agora não vai mais a lugar nenhum, até você nascer." Prometeu.

"Olha pra tela, Finny. O que você vê?" Rach questionou.

"O nosso neném... o que mais?"

"Presta atenção, preguiçoso! Você já foi pai antes, hum?" Observou-o, esperançosa. "Me diz... o que vê?"

"Eu... talvez... talvez eu possa estar vendo um..." hesitou "...um órgão masculino?" Rachel balançou a cabeça positivamente e soltou uma gargalhada, achando graça do jeito do marido.

"Finn, nós vamos ter um menino. Tudo que a gente sempre quis, desde que a gente decidiu que eu ia parar de tomar pílula e dar um tempo no trabalho, pra gente ter filhos, era ter um casalzinho e..." secou um lágrima que escorreu por seu rosto "...é um menino! Nossa família está completa agora, Finn. Somos eu, você, a Alícia e... o Benjamin... contra o mundo." Falou o último nome com cuidado, sem saber qual seria a reação dele.

"Benjamin?" Ele pediu confirmação e ela acenou positivamente. "Eu amo TANTO você, Ray. Eu amo tanto VOCÊS!" Ele a pegou, mais uma vez, no colo, girando com ela, mas com cuidado. Nada que ele dissesse poderia descrever a felicidade que sentia, então ele apenas ficou minutos com ela em seus braços, cobrindo-a de carinhos, antes de apreciarem, enfim, o tal jantar especial que ela havia preparado.

A felicidade dela também era impossível de descrever com qualquer expressão, em qualquer idioma que ela conhecesse, mesmo que, atualmente, ela já estivesse falando bastante coisa em francês, italiano e espanhol, que ela fazia questão de estudar para se comunicar melhor nas viagens que eles tinham passado a fazer constantemente.

Rachel se julgava uma pessoa afortunada, uma pessoa realmente rica. Não rica só por ter dinheiro suficiente para estudar, viajar, comer e beber bem, receber os amigos, dar festas de aniversário e ser a anfitriã de toda a família e de vários dos amigos nos Natais e nas viradas de ano. Afortunada por ter tanta amizade desinteressada, por ter tanto amor de um homem maravilhoso como Finn, mesmo sem saber dizer se era ou não merecedora disso, afortunada pela bela família que tinha formado com ele.

Por mais clichê que possa parecer, de fato a vida às vezes escreve certo por linhas tortas. Exatamente quando se tenta manter o controle das coisas, determinar o curso dos acontecimentos, é quando a vida pode nos levar para um caminho totalmente diferente do previsto e nos fazer chegar a um destino muito melhor do que o desejado.

Isso, definitivamente, tinha acontecido com ela porque, quando ela tentara receber a herança da tia por meio de uma mentira, pensara ter recebido junto um presente de grego, uma paixão não correspondida, impossível, o sentimento lhe deixara insegura, cheia de receios. Porém, no final, a melhor parte da herança recebida da tia acabara sendo justamente aquilo que a grande diva do cinema não tinha conseguido conquistar para si mesma.

A coisa que Rachel tinha ganhado em maior quantidade fora amor e, certamente, este nunca é um presente (ou herança) de grego!


Fim

(uma pena me despedir dessa fic, porque, apesar de eu gostar de todas as minhas fics, essa foi a que teve mais comentários e isso é sempre muito legal... vou sentir falta!)