Título original: Dragon and Angel

Autora: dragonsangel68

Tradutora: HunterChild

N/T

nossa... que demora! Sem comentários... A próxima atualização? Quando a vida deixar! Quer dizer, o mais rápido possível, claro! Espero que gostem e... Deixem reviews!

HunterChild


CAPÍTULO TRINTA E SETE

FELIZ ANIVERSÁRIO

Na manhã de terça-feira, Draco aparatou com Drake no jardim dos fundos da Toca; seguindo seu filho, que entrava na casa, Draco olhou cautelosamente ao seu redor, atrás de algum sinal da presença de Ginny. Conversar com a bruxa ruiva por meio da rede de Flú era uma coisa- confrontá-la cara a cara depois do que ele fizera era outra coisa completamente diferente.

"Vovó- cheguei," Drake gritou enquanto corria pela cozinha e para os braços de Molly Weasley.

"Chegou mesmo, e você se divertiu com o seu pai?"

"Sim, eu dormi na Mansão porque a mamãe não estava em casa."

"Eu sei, estávamos muito ocupados no hospital. Adivinha..."

"O quê?"

"Você tem mais duas primas- Pippa e Scarlett."

Drake fez uma careta de desgosto, "Mais meninas."

"É, mais meninas," Molly cantarolou enquanto zanzava pela cozinha, continuando os preparativos para o desjejum. "Draco, sente-se; o desjejum está quase pronto."

"Obrigado, sra. Weasley, mas tenho de ir cedo para o trabalho- umm... Diga à Ginny que depois eu converso com ela."

Molly se virou para olhá-lo, a expressão em seu rosto lhe disse que ele estava encrencado. "Acho que Ginny quer conversar com você antes de você de ir."

"É mesmo?" Draco disse, fingindo inocência.

"Sim- mas tenho certeza de que você já sabia disso."

Draco tentou o seu melhor sorriso inocente com Molly- aquele que geralmente o salvava da fúria de sua mãe quando quer que ele se encontrasse em maus lençóis com ela.

"Draco, eu tenho seis filhos, oito, incluindo Harry e você- você realmente acha que eu já não conheço essa expressão?" Molly pusera as mãos nos quadris e o olhava divertida. "E mais, não é comigo que você está encrencado."

"Eu... Não?"

"Vou deixar a Ginny resolver isso- ela se entendeu muito bem com o Rony. Vou dizer uma coisa, apesar de tudo- se eu ouvir que vocês duelaram na minha casa de novo, prometo que vocês vão ter um encontro com a ponta da minha varinha."

O único barulho que se ouviu foi uma súbita tomada de ar por parte de Drake ao ouvir a menção de Molly à sua varinha; o garotinho se sentou rapidamente, antes que ela pudesse cismar com ele.

"Sim, senhora... Eu sinto muito," Draco genuinamente parecia inocente após a pequena bronca que recebera.

"Certo, sente-se e tome o desjejum."

Draco se sentou, sem querer testar ainda mais a sua sorte com a matriarca Weasley- ele não tinha dúvidas de que o temperamento dela era tão volátil quanto o de sua filha e provavelmente duas vezes mais perigoso.

Não demorou muito para que uma Angel ainda cheia de sono entrasse lentamente na cozinha, esfregando os olhos. Ela não percebeu seu pai sentado à mesa enquanto comia o bacon e os ovos que Molly pusera na sua frente momentos antes.

"Bom dia, querida, você quer ovos mexidos para o desjejum?"

"Sim, obrigada, vovó," Angel resmungou enquanto contornava a mesa.

Molly começou a providenciar um prato para Angel e quase o derrubou quando a menina soltou um grito agudo.

"Papai."

"Dia, princesa."

"Angel, quantas vezes tenho de dizer para você não gritar dentro de casa?"

"Desculpa, vovó."

"Papai, quando você chegou?"

"Há alguns minutos."

"Oh... a mamãe já te viu?"

"Não."

"Você está encrencado." Os olhos de Angel estavam arregalados e ela assentiu enfaticamente.

"É mesmo, e como você sabe?"

"Eu ouvi a mamãe brigando com o tio Rony ontem à noite, e ela disse que, quando pusesse as mãos em você, ia te estrangular."

"Sério- você sabe que não é educado ouvir a conversa alheia?"

"Ah, mas eu não estava ouvindo de propósito, papai- a mamãe estava gritando tão alto que eu não consegui não ouvir ela."

"Oh, então a sua mãe está realmente brava comigo?"

"Isso não é nem o começo, Draco Malfoy," Ginny disse enquanto entrava na cozinha.

Draco se levantou e começou a ir em direção a ela, "Mas nós conversamos ontem à noite, lembra- você não estava tão brava, porque eu mesmo te contei, lembra?"

"Eu estava cansada ontem à noite."

"E você não está mais?"

"Certo- talvez devamos conversar a sós na sala de estar."

Ginny se virou e foi até a sala sem esperar para ver se Draco a seguia.

"Nem sei por quê... Todo mundo vai ouvir mesmo," Ele murmurou baixinho enquanto a seguia muito lentamente.

Draco fechou a porta que dava acesso à cozinha enquanto adentrava a sala de estar da Toca, então permaneceu calado e se preparou para o massacre.

"Eu nem sei por onde começar, Draco... Quero dizer, duelar na frente do Drake... Quão irresponsáveis vocês podem ser e ele se machucou..."

Draco a interrompeu, "Isso foi o seu irmão- ele o empurrou para o chão e foi por isso que eu perdi o controle."

"Eu já falei com o Ronald sobre o papel dele nessa rivalidade infantil que vocês dois parecem que querem manter a todo custo."

"Eu não quero continuar com essa rivalidade; eu quero resolvê-la tanto quanto você," Draco estava perdendo a paciência e erguendo a voz.

"É mesmo... E o seu jeito de resolver isso é matar o meu irmão, é?"

"Eu já te disse ontem- eu perdi o controle... Não era minha intenção que as coisas fossem tão longe."

"Se você diz. Draco, você o teria matado se a Pansy não estivesse aqui."

"Eu acho que não."

"Ela teve que desviar a sua varinha- você já tinha começado o encantamento."

"Bem, se você realmente acha que eu teria ido até o fim, então você não me conhece muito bem," Draco rosnou, quase perdendo a paciência.

"Não, acho que não conheço," Ginny retorquiu calorosamente.

A afirmação pesou no ar entre eles, os dois respirando ruidosamente e encarando-se mutuamente em descrença.

"Não tenha dó dele, Gin," Rony rosnou enquanto descia as escadas.

"Saia, Ronald," Ginny berrou enquanto apontava para a porta da cozinha.

"Hey, eu só estava dizendo que..." Rony começou.

Draco deu um passo na direção do bruxo ruivo, "Não diga nada, Weasley, não precisamos da sua opinião."

"Draco, chega," Ginny se postou entre os dois bruxos.

"Por quê?- Por que diabos eu devo parar?" Draco exigiu.

"Porque eu disse que sim," Ginny respondeu, sua voz baixa e neutra.

"É por culpa dele que nós estamos discutindo agora, se ele tivesse ficado quieto, nada disso jamais teria acontecido," Draco gritou.

Rony passou os braços por cima de Ginny e empurrou Draco para trás, "Não grite com a minha irmã."

"Rony... Céus... Chega- vocês dois."

Draco se aproximou e começou a cutucar o peito de Rony, "A sua irmã e eu não estaríamos gritando se você não tivesse enfiado o nariz onde não devia."

"É, bem, alguém tem que proteger ela e as crianças," Rony retorquiu, empurrando Draco de novo.

"Isto é meu papel, não seu," Draco rosnou cruelmente.

"E você está cumprindo este papel muito bem, Malfoy, e o Drake- ele se machucou ontem."

"Foi você que o machucou," Draco berrou, passando os braços por cima de Ginny e agarrando dois punhados de uniforme de Auror, "Ginny, saia daí."

Os braços de Rony se estenderam e suas mãos se prenderam na frente das vestes de Draco.

"Não... Céus, eu já tive o suficiente... De vocês dois," Ela gritou agudamente antes de se desviar deles e correr para o andar de cima.

O silêncio que se seguiu foi quebrado por uma porta batendo e pela respiração ruidosa dos dois bruxos, que ainda se seguravam pelas vestes.

Dando mais uma sacudida em Rony, Draco rosnou, "Viu o que você fez agora?"

"Eu... Eu não... Isso é tudo culpa sua, seu imbecil."

"Minha culpa... Se você tivesse ficado quieto e deixado eu levar meu filho sem armar um escândalo ontem, nada disso teria acontecido," Draco gritou incredulamente.

"Soltem-se agora," Molly disse em um tom peremptório enquanto entrava no aposento e fechava a porta atrás de si.

Rony e Draco instantaneamente deixaram as mãos caírem para perto de seus corpos, mas continuaram se encarando.

"Onde está a Ginny?"

"Lá em cima, mãe."

"Certo, vocês sabem que o mundo bruxo inteiro ouviu vocês dois brigando."

"Desculpa, mãe."

"Umm... É, desculpe," Draco acrescentou.

"Não é para mim que vocês precisam pedir desculpas. Tem duas crianças muito assustadas na cozinha e uma mulher muito irritada lá em cima- então, quem vai aonde primeiro?"

"Eu falo com as crianças," Rony disse rapidamente.

"Eles são os meus fi..."

Molly cortou Draco e lhe deu as suas ordens. "Certo, Draco, vá lá em cima e fale com a Ginny- isso é, se ela quiser falar com você."

Rony aproveitara a deixa e fora para a cozinha se redimir com as crianças.

"Vamos, lá pra cima," Molly disse firmemente a Draco.

"Sim, senhora."

Draco foi até a escadaria; colocando uma mão no corrimão, ele respirou fundo e forçou seus pés a começarem a subir a escada rumo ao que provavelmente seria a sua morte- Gin ia matá-lo por causa de seu comportamento e, sinceramente, ele não podia culpá-la.

Alcançando a porta, ele parou para ouvir- ele pôde ouvi-la chorando; era como se alguém estivesse arrancando seu coração de seu peito.

Erguendo a mão, ele bateu gentilmente, "Gin... Sou eu. Posso entrar?"

Não houve resposta. Ele esperou, mas o único som que persistiu foram os soluços dela. "Vamos, Gin, por favor, deixe-me entrar- podemos conversar."

Nada- ele sabia que não ia ter acesso ao espaço pessoal dela por um bom tempo.

Suspirando pesadamente, ele apoiou a cabeça na porta. "Eu não vou embora, Gin- não até a gente conversar."

Foi nessa posição que Molly o encontrou meia hora depois, não tendo ouvido nenhuma gritaria até então, ela estava curiosa para saber se Ginny o deixara entrar em seu quarto.

"Ela não me deixa entrar," Draco explicou desnecessariamente.

"O Rony foi para o trabalho- você vá lá embaixo e converse com os seus filhos. Eu falo com a Ginny," Molly disse gentilmente.

"Você pode dizer algo a ela?"

"Sim."

Limpando a garganta para que sua voz não falhasse, ele disse, "Diga a ela que eu a amo."

Molly sorriu gentilmente para o homem diante de si. "Eu digo, embora tenha certeza de que ela já sabe disso."

"Obrigado," Draco sussurrou, incapaz de um tom de voz mais alto enquanto uma miríade de emoções borbulhava em seu corpo, ameaçando explodir a qualquer segundo.

"Vá- os seus filhos estão te esperando na cozinha."

Draco desceu lentamente as escadas, parando na sala de visitas para se recompor o melhor que pôde antes de continuar até a cozinha.

"Papai?" Angel disse baixinho.

"Hey, princesa."

"A mamãe está bem?" Drake perguntou.

"Eu... Eu não sei, cara- ela está um pouco brava comigo e com o tio Rony no momento."

"O que vai acontecer, papai?" O tom assustado de Angel refletiu os sentimentos de Draco.

"Eu não sei, querida- preciso falar com a sua mãe."

"Você ainda ama a gente, né?" Angel inquiriu hesitantemente.

"Claro que sim, o que foi te deu a idéia de que eu não amo mais vocês?"

"Você brigou com a mamãe e o tio Rony- eu achei que talvez você não quisesse mais ver a gente," Angel confessou.

"Hey, venha cá- você também, Drake," Draco alojou seus filhos em seus joelhos. "Não importa o que aconteça entre sua mãe e eu, eu sempre vou ser o pai de vocês e não vou a lugar nenhum, certo?"

Angel pousou a cabeça no ombro de seu pai e murmurou, "Eu amo você, papai."

"Eu te amo, princesa, e também te amo, Drake."

"Draco," Molly disse discretamente, à porta. "Posso falar com você a sós?"

"Claro," ele concordou. Ajudando as crianças a descer de seu colo, Draco se levantou e foi até a sala de visitas.

Molly suspirou, "Ela não quer ver ninguém agora."

"Mas nós precisamos conversar, não podemos resolver isso se não conversarmos."

"Sim, eu sei, mas ela precisa de um tempo para se acalmar e entender melhor o que ela quer."

"Quanto tempo?"

"O suficiente para se acalmar- ao menos algumas horas; para decidir o que quer- não sei responder, ela tem estado meio instável por uma semana mais ou menos. Não sei qual é o problema- ela tem estado muito emotiva."

"O que eu faço?"

"Agora você vai para o trabalho, mas tente falar com ela via Flú à noite, mas faça isso cedo, assim, se ela não quiser falar com você, pelo menos você pode falar com as crianças."

Draco correu uma mão pelo cabelo, "Tudo bem, eu... Eu realmente sinto muito por toda essa confusão."

-"-

Durante os dois dias que se seguiram, Draco mandou flores, chocolates, balões e tudo em que julgou poder agradar Ginny. Ele entrava em contato via Flú com a Toca várias vezes por dia, mas Molly sempre voltava com a mesma resposta- ela ainda não estava pronta para falar com ele. Ele estava miserável; sentia muita falta dela e das crianças, mas nada do que fizera até então tivera algum efeito.

Era a tarde de quarta-feira; o aniversário dos gêmeos era no dia seguinte e, se ela julgava que ele ia ficar longe deles naquele dia, estava redondamente enganada- ele preferiria estar em termos amigáveis com Ginny, mas não perderia outra festa de aniversário dos seus filhos.

Apanhando um punhado de pó de Flú e atirando-o ao fogo, ele entoou claramente, "Pansy Parkinson."

Enquanto o habitual torvelinho começava, ele afirmou para si próprio que estava fazendo a coisa certa.

"Pansy?

"Draco, como vai?"

"Não muito bem- a Gin não está falando comigo."

"É, o Rony me disse- ela também não está falando com ele."

"Eu preciso da sua ajuda."

"Oh, Draco, quem me dera poder te ajudar, mas o Rony..."

"Escute, Parkinson- só preciso que você mantenha o Rony longe da Toca hoje à noite."

"Por quê?"

"Eu vou até lá- sem avisar e não preciso de maiores escândalos com o Weas... Rony para chatear a Ginny. Pansy, eu tenho que falar com ela."

"Tudo bem, isso eu posso fazer- nós vamos jantar fora hoje de qualquer forma."

"Obrigado, Pansy, você acha que tem como vocês demorarem muito?"

"Sem problemas, tenho certeza de que posso pensar em algo para distrai-lo."

Draco fez uma careta, "Não quero saber- obrigado Pansy, a gente se vê no domingo."

"É, boa sorte com a Ginny."

-"-

Draco esperou até ter certeza de que as crianças já estavam dormindo antes de bater na porta. Embora quisesse ver seus gêmeos mais que tudo, ele sabia que não conseguiria falar a sós com Ginny se eles soubessem que ele estava ali.

"Sr. Weasley," Draco cumprimentou o outro bruxo com um inclinar respeitoso de cabeça. "Posso falar com a Ginevra?"

Arthur sorriu para o homem à sua porta, "Draco, entre- a Ginny está na cozinha."

Draco entrou na casa, "Sra. Weasley, como está?"

"Draco, que bom ver você. A Ginny sabe que você veio?"

"Umm... Não," Draco sorriu atrevidamente.

"Sei- ela está na cozinha, vá lá."

"Obrigado."

Draco pausou ao alcançar a porta da cozinha, observando enquanto a sua Ginny trabalhava na pia- suas costas estavam viradas para ele e ele se pegou admirando a forma como ela prendia seu cabelo ruivo em um coque frouxo, expondo o contorno do pescoço. O que ele não daria para correr os dedos por aquela coluna de pele leitosa e pelos cabelos sedosos dela, soltando-os, deixando com que eles cascateassem por suas costas.

Ele foi arrancado de seus pensamentos quando ela se virou para encará-lo- uma expressão de choque em seu rosto, mas havia algo mais faiscando em seus olhos, talvez felicidade- ele esperava. Agora que ele estava ali e ela estava diante de seus olhos, ele não conseguia se lembrar do que queria dizer.

"Draco, o que você está fazendo aqui?"

"Umm... Eu...," ele limpou a garganta e encontrou sua voz. "Ginevra Weasley, eu te amo e não vou desistir de você."

"Eu... Draco, você não pode aparecer com declarações de amor depois de... Tudo."

"Acabei de fazer isso."

"Não é simples assim."

"Poderia ser."

"Não sei como."

Draco foi até ela, "É fácil, Gin- eu peço desculpas e então você diz que eu não faça isso de novo e eu digo que não vou fazer, então..." Ele se interrompeu enquanto se inclinava para tentar capturar os lábios dela.

Quando ela não o rejeitou de imediato, Draco viu isso como um bom sinal e passou os braços em redor das costas dela, deixando que um deles escorregasse para baixo e o outro deslizasse até a nuca dela. Quando ela começou a beijá-lo de volta, ele tentou aprofundar o beijo correndo a língua pelos lábios dela. Embora ela não tenha lhe dado acesso de imediato, Draco persistiu, sendo recompensado quando ela finalmente abriu a boca, permitindo que ele explorasse mais e mais, seu aroma e gosto o envolvendo.

Finalmente se afastando para respirar, Draco pousou sua testa na dela. "Eu realmente sinto muito sobre tudo o que aconteceu- o meu comportamento foi inadmissível. Por favor, diga que você me perdoa... Não sei o que vou fazer se você não aceitar."

Ainda sem fôlego por causa do beijo, Ginny respirou algumas vezes antes de responder, "Eu te perdôo- acho que exagerei um pouco e eu peço desculpas- não sei o que está errado comigo ultimamente."

Draco afastou a cabeça e pôs uma mão embaixo do queixo dela, levantando a cabeça dela gentilmente e confirmando que, de fato, lágrimas corriam pelo rosto dela. Gentilmente, ele afastou cada lágrima com um beijo, murmurando entre os pequenos beijos que tudo ficaria bem. Satisfeito por ter removido todas as lágrimas que pôde, Draco a puxou para um abraço apertado e longo- quase que com receio de soltá-la, por medo de perdê-la.

-"-

Drake e Angel entraram ruidosamente na cozinha no dia vinte e cinco de março, ouvindo muitos gritos de "Feliz aniversário" vindos de membros da família espalhados pelo aposento.

Ginny foi até seus filhos e os abraçou ao mesmo tempo. "Feliz aniversário, queridos."

"Obrigada, mamãe," Angel respondeu enquanto abraçava sua mãe com força.

"O que tem de desjejum, mãe?" Drake perguntou enquanto se afastava.

"O que você mais gosta," Ginny respondeu, dando tapinhas com seu dedo no nariz de Drake enquanto respondia.

"Yummy... Panqueca de blueberry."

"Por que vocês não cumprimentam todo mundo enquanto eu apronto o desjejum de vocês?" Ginny sugeriu.

Draco se mantivera afastado, deixando que Ginny cumprimentasse primeiro as crianças, mas estava determinado a não deixar mais ninguém chegar perto deles antes que ele tivesse lhes desejado um feliz aniversário. Ele estava ansioso, talvez mais até que as crianças, devido ao fato daquele ser o primeiro aniversário que ele compartilhava com eles.

Indo postar-se lentamente atrás de Ginny, ele sorriu para os gêmeos.

"Papai," Angel gritou agudamente enquanto rodeava Ginny e se atirava nos braços de Draco.

Pegando sua filha no colo, Draco a abraçou com força. "Feliz aniversário, princesa."

"Eu achei que você não ia estar aqui," Angel sussurrou sua confissão.

"Eu não perderia isso aqui por todos os galeões do mundo," Draco sussurrou de volta, sua voz falhando levemente de emoção. Ele enterrou o rosto no cabelo de Angel para que nenhum dos outros ocupantes do aposento visse as lágrimas que haviam se formado em seus olhos.

Abraçando-a pelo que pareceu uma eternidade, Draco não a soltou até que ela começasse a se contorcer; Drake já havia cumprimentado seus avós e padrinhos. Pondo sua filha no chão, Draco foi até Drake, que estava sentado no joelho de sua madrinha enquanto Angel corria pelo aposento recebendo abraços e beijos de todos.

"Posso cumprimentar o meu filho?"

"Claro," Hermione Potter sorriu calorosamente para ele. Ela estava maravilhada com as mudanças que percebera em Draco; ele certamente não era o mesmo garoto que freqüentara Hogwarts com eles- não que isso significasse que eles fossem se tornar amigos próximos, mas ela não nutria mais nenhum sentimento negativo em relação a ele, apesar do que Rony dizia.

Pegando Drake no colo, Draco o apoiou no quadril.

"Feliz aniversário, rapazinho."

"Obrigado, papai, você trouxe os nossos presentes?"

"Drake Arthur Weasley Malfoy- o que foi que eu te disse sobre pedir presentes?" Ginny o repreendeu enquanto preparava as panquecas para todos.

"Mas, mamãe, hoje é o nosso aniversário," Drake choramingou.

"Hoje não haverá presentes- vocês os receberão no domingo, na festa de vocês."

"Por que não podemos dar os presentes hoje, Gin?" Draco perguntou, ávido por entregar os presentes que escolhera para as crianças.

"Por que não- aniversário são muito mais que presentes, Draco; eles são para passarmos o dia com a família e os amigos. Agora não quero ouvir mais nada sobre isso," Ginny disse em tom que não admitia protestos.

"Desculpa, cara, parece que nós vamos ter que esperar até domingo," Draco olhou para seu filho decepcionado.

"O desjejum está pronto, sentem-se e comam enquanto ainda está quente," Ginny anunciou.

Depois de muitos ajeites, todos haviam se sentado- Drake e Angel haviam insistido em sentar ao lado de seu pai, mas Angel também queria se sentar perto de Harry, e Drake exigia que sua mãe estivesse do seu lado.

"Papai, o que a gente vai fazer depois do desjejum?" Angel perguntou excitada.

"Umm... Para ser honesto, eu tenho de ir trabalhar, querida."

A expressão de Angel se desmanchou, "Oh."

"Você não pode faltar?" Ginny perguntou baixinho.

"Tenho uma reunião durante a manhã, mas acho que posso me ausentar à tarde."

"Acho que as crianças iriam gostar disso- se você conseguir."

Draco deu um sorriso brilhante para Ginny, "Considere feito."

"Obrigada," ela fez com a boca.

"Hey, por que você não vai com as crianças até o escritório na hora do almoço e almoçamos todos juntos?" Draco sugeriu.

"Mmm... Tudo bem, parece uma boa idéia."

"Bom, eu sei que meu pai vai gostar de ver esses dois."

Ginny lhe deu um sorriso sábio, o que quer que Lúcio Malfoy pudesse ter sido no passado, ela não podia se queixar da devoção dele para com as suas crianças.

"Mamãe, cadê o tio Rony?" Drake perguntou, franzindo a testa enquanto corria os olhos pela mesa.

"Umm..."

Rony deixara a casa de mau humor assim que Draco chegara, e se recusara a considerar permanecer pelos gêmeos. Ginny tinha a suspeita de que algo mais perturbava seu irmão; ele parecera distraído a semana toda, e ela tinha certeza de que tal distração tinha pouco a ver com o que acontecera entre ele e Draco na noite de segunda-feira.

"O seu tio teve que ir cedinho para o trabalho hoje," Molly lhe disse.

"Mas o tio Harry está aqui," Angel apontou logicamente. Harry e Rony eram parceiros, então era razoável pensar que, quando um estivesse trabalhando, o outro também estaria.

"O tio Rony tinha de cuidar de uns papéis hoje de manhã," Harry disse rapidamente.

Angel pareceu curiosa enquanto insistia, "Oh... Então por que você não está no trabalho?"

Harry deu um risinho, "Porquê, ao contrário do seu tio Rony, eu terminei a minha papelada ontem."

Assim que o desjejum terminou, todos, com exceção das crianças, Molly e Ginny, foram para o trabalho, com altos coros de "feliz aniversário" e "tenham um bom dia" dirigidos às crianças.

-"-

Ginny e as crianças chegaram ao Beco Diagonal logo antes do meio dia; ela abriu caminho pela rua cheia com as crianças atrás dela até o prédio da Propriedades Malfoy. Ao entrarem, foram diretamente aos escritórios superiores, onde Lúcio e Draco trabalhavam.

Ginny se aproximou da secretária de Draco. "Com licença, você poderia avisar a Draco Malfoy que Ginevra Weasley está aqui? Ele está me esperando."

"Srta Weasley, sim, o Sr Malfoy me avisou de que você viria, infelizmente ele está em uma reunião importante e pediu que você o aguardasse."

"Obrigada, você saberia dizer quanto tempo vai demorar?"

"Sinto muito, não sei."

Ginny foi até as cadeiras disponíveis aos visitantes. Sentando-se, ela esperava que Draco não fosse demorar; os gêmeos haviam passado a manhã toda ansiosos e não ficariam quietas por muito tempo.

Sentada na sala de espera, Ginny podia ouvir vozes erguidas atravessando as portas duplas fechadas no fim do corredor. Não demorou até que Drake ficasse irrequieto em sua cadeira.

"Drake, pelo amor de Merlin, fique quieto."

"Mas, mamãe, eu preciso ir no banheiro."

Xingando baixinho, Ginny se levantou e se aproximou novamente da secretária, "Com licença, você poderia me dizer onde é o banheiro?"

"O sr Malfoy tem um banheiro particular em seu escritório," olhando para além de Ginny, ela notou um Drake muito agitado. "Tenho certeza de que ele não se incomodaria se Drake o usasse."

"Obrigada- Drake, venha cá, querido. Angel, você precisa ir ao banheiro?"

"Não, mamãe, vou ficar aqui e esperar o papai."

"Tudo bem, mas não saia daí, combinado?"

"Sim, mamãe."

A secretária se levantou e os conduziu para dentro do escritório, esperando pacientemente enquanto Ginny ia com Drake ao banheiro.

Angel podia ouvir as vozes do outro lado do corredor ficarem cada vez mais altas; subitamente, ela identificou uma voz trovejando acima das outras- avô.

Levantando-se da cadeira, ela olhou ao seu redor para ver se sua mãe estava voltando, mas não a viu. Muito lentamente, ela foi até as portas duplas de madeira. Como se tivesse vontade própria, sua mão foi até a maçaneta, a girou e abriu um pouco a porta. Ela pôde ver um aposento cheio de bruxos sentados ao redor de uma grande mesa e, na ponta da mesa, estava seu avô. A excitação de ver Lúcio sentado ali fez com que ela esquecesse sua promessa de ficar onde estava.

Ela entrou na sala, gritando enquanto corria através do aposento, "Avô!"

O aposento ficou em silêncio, com exceção dos gritos de Angel enquanto ela se jogava contra Lúcio e subia em seu colo, passando os braços ao redor de seu pescoço e dando um beijo molhado em sua bochecha.

"Avô, hoje é nosso aniversário," ela exclamou enquanto quicava em seu joelho.

"Angelique, onde está a sua mãe?"

"Ela levou Drake no banheiro."

Empalidecendo levemente, Lúcio a corrigiu, "Toalete, Angelique."

"É, no banheiro."

Do lado direito da mesa, uma risada sufocada pôde ser ouvida, Angel e Lúcio se voltaram para a direção do som.

Angel sorriu largamente ao reconhecer o bruxo que tentava disfarçar sua diversão. "Papai!"

"Olá, princesa."

Lúcio ergueu uma sobrancelha para seu filho, questionando o comportamento de seu filho sem dizer uma palavra, para o quê recebeu como resposta um muxoxo displicente e um sorriso atrevido usualmente reservado para quando estivesse na lista negra de sua mãe.

"Olha, avô, estou usando a pulseira que você me deu, não é bonita?" Angel ergueu a manga de sua veste para que todos pudessem ver a jóia de platina que ele lhe comprara na segunda-feira.

"Fica esplêndida no seu pulso," Lúcio a elogiou da mesma forma que elogiaria sua esposa.

Outra intrusão fez com que todos olhassem para a porta. "Ah céus, Lúcio, mil perdões- eu disse a ela que ficasse onde estava enquanto eu levava Drake ao banheiro."

Enquanto ela adentrava no aposento para apanhar sua filha, Lúcio se levantou, como ditavam suas maneiras aristocráticas, apoiando Angel em seu quadril, e o resto dos homens o imitou.

"Ginevra, um prazer revê-la," Lúcio disse em voz arrastada.

"Eu realmente sinto muito pela interrupção," Ginny tentou se desculpar mais uma vez.

Lúcio ergueu sua mão livre para interromper suas desculpas. "Isso não é necessário."

"Vamos deixar que vocês terminem. Angelique." Ginny chamou sua filha rispidamente.

"Eu quero ficar com o avô."

"Agora, mocinha, não vou dizer de novo."

Apertando ainda mais os braços ao redor do pescoço de seu avô, ela começou a uivar, "Eu quero ficar aqui."

"Angel," Draco rosnou, o que só serviu para aumentar o volume de sua lamúria.

Ginny foi até Lúcio e tentou tirá-la de seus braços, mas seu aperto era tão firme que as tentativas de Ginny foram infrutíferas.

"Talvez ela possa ficar aqui, já estamos terminando," Lúcio ofereceu.

"Se você tem certeza," Ginny disse hesitantemente.

"Ela vai ficar bem; a traremos conosco quando terminarmos."

"Muito bem e obrigada," Ginny murmurou baixinho.

Levando um Drake de olhos arregalados para fora do aposento, Ginny voltou para a sala de espera, se perguntando se o comportamento de Angel poderia ter repercussões quando Lúcio não estivesse sob o olhar de seus subalternos. Ela sabia que ele havia punido Drake na segunda-feira, mas o garoto se recusara a falar sobre aquilo- tudo o que ele dizia era que havia conversando com seu pai e que estava bem; Draco também não quisera se aprofundar nas explicações sobre o castigo aplicado por seu pai.

Dentro da sala, Lúcio e os outros membros das diretorias voltaram a se sentar assim que a porta se fechara firmemente atrás da bruxa ruiva. Angel estava sorrindo largamente para todos os homens de seu lugar no joelho de Lúcio, satisfeita consigo mesma- tendo conseguido o que queria sem muito esforço.

"Angelique, você deve ficar quieta enquanto terminamos a nossa discussão; de outra forma, você terá de sair e esperar com a sua mãe," Lúcio lhe explicou baixinho.

Sorrindo docemente, ela se virou em seu colo e disse, "Sim, avô," e deu um beijo em seu nariz.

Vários dos homens ali presentes limparam a garganta e evitaram contato visual com os dois Malfoy. Eles nunca haviam presenciado tal comportamento vindo de ninguém na presença de Lúcio Malfoy e não sabiam qual seria a reação aceitável.

Um dos bruxos se levantou. "Sim, bem... Onde estávamos...," mexendo em pergaminhos, ele subitamente olhou diretamente para Lúcio. "Como eu estava dizendo antes da interrupção, caso esse departamento da empresa seja extinto, isto significaria perda de empregos para mais de uma centena de famílias- seria impossível recolocar tantas pessoas. Peço que considere os impactos de tal decisão no nosso mundo."

"Isto não me preocupa."

"Como isso seria possível, essas pessoas dependem de seu emprego aqui, na Propriedades Malfoy."

"Este departamento vem dando prejuízos de milhões de Galeões por mês- não é mais possível mantê-lo. Ele vai ser extinto."

"Sr Malfoy, peço que reconsidere. Talvez nós possamos..."

"Eu disse que ele vai ser extinto," Lúcio rosnou em uma voz perigosamente baixa.

"Você não tem consciência!" O bruxo gritou raivosamente para a cabeceira da mesa.

Angel fixou firmemente o olhar no bruxo, seus olhos cinzentos furiosos. "Não grite com o meu avô. Você é muito mal educado!"

"Angelique- basta," Lúcio ordenou baixinho.

"Mas, avô, esse homem é mal educado, ele gritou com você."

"Sim, ele é muito rude," Lúcio concordou, fixando seu olhar de aço em seu empregado impertinente.

"Ele precisa levar a varinha da mamãe no bumbum," Angelique murmurou cheia de desgosto.

Uma risada surgiu no lado direito da mesa onde Draco estava sentado e os risos rapidamente se espalharam pelo aposento; nem mesmo Lúcio conseguiu suprimir um sorriso divertido.

"Reunião encerrada," Lúcio anunciou.

Os homens saíram, ainda rindo e comentando sobre o comportamento da jovem bruxa Malfoy.

"Você está bem, avô?"

"Sim, por que eu não estaria?"

"Aquele homem foi malvado, ele podia ter machucado os seus sentimentos," Angel disse enquanto afagava gentilmente a sua bochecha.

"Eu lhe garanto, Angelique, meus sentimentos estão intactos."

Draco limpou a garganta, tentando controlar seu divertimento. "Hey, aniversariante, o que você acha de irmos buscar a sua mãe e o seu irmão e então termos um almoço especial de aniversário?"

"Okay, papai. Avô, você vem com a gente?"

"Eu adoraria, mas, infelizmente, tenho de ir a outra reunião."

"Você não pode faltar?"

Tentando disfarçar seu divertimento com a sua sugestão travessa, ele declarou, "Não, Angelique, isso não seria muito responsável, seria?"

"Mas o papai faltou."

"Sim, bem, eu não creio que essa seja uma hora apropriada para discutirmos a contínua irresponsabilidade do seu pai."

"É, eu acho que não, mas vai ser legal."

"Vamos, princesa, acho que você deve ser a única, com exceção da sua avó, que poderia convencer o seu avô a faltar em uma reunião, então vamos tirar você daqui antes que você consiga," Draco estendeu a mão para ela.

"Okay, papai," ela respondeu. "Tchau, avô." Ela passou seus pequenos braços ao redor de seu pescoço e deu um beijo molhado em sua bochecha antes de descer de seu joelho e dar a mão para seu pai.

"Vejo você à noite, pai."

"Sim, divirtam-se durante a tarde."

-"-

Draco conduziu sua família pelas multidões no Beco Diagonal até um pequeno restaurante que ele visitava de tempos em tempos. Assim que chegara ao escritório naquela manhã, ele pedira que sua secretária tomasse as providências para um almoço especial naquele estabelecimento.

"Boa tarde, sr Malfoy," A recepcionista cumprimentou Draco quando eles entraram no pequeno restaurante.

"Boa tarde, creio que temos uma reserva," Draco declarou pretensiosamente.

"Sim, senhor, por favor, sigam-me."

Draco conduziu Ginny e as crianças enquanto seguiam a recepcionista até uma mesa elegantemente posta para quatro pessoas. Ele afastou a cadeira de Ginny para ela, então ajudou Angel a subir em sua cadeira e indicou para Drake que ele devia se sentar diante de sua irmã; Draco sentou-se diante de Ginny.

"Vou avisar ao chef que vocês chegaram."

"Obrigado," Draco disse brevemente.

Ginny franziu a testa em incompreensão, "O chef?"

"Providenciei um almoço especial," Draco respondeu travessamente.

"Ah, certo, e a sua secretária se incomodou em organizar a sua vida pessoal?"

"Claro que não, ela faz isso o tempo todo..." Sua voz se extinguiu quando ele percebeu que Ginny acabara de fazê-lo confessar que não fora que arranjara tudo aquilo.

Ela sorriu, "Foi o que pensei."

"Bem, a idéia foi minha," Draco insistiu indignado.

"E foi uma ótima idéia," ela lhe garantiu.

Não demorou muito para que um grupo de garçons aparecesse, carregando grandes pratos do que poderia ser melhor descrito como comida de festa.

"Draco?" Ginny arqueou uma sobrancelha para ele.

"Achei que as crianças fossem gostar, e eu gosto desse tipo de comida," ele confessou.

Ginny olhou para os gêmeos, que estavam absolutamente encantados com a comida nos pratos diante de si.

"Podemos começar, mamãe?" Drake perguntou, ávido por se servir da comida, majoritariamente composta por doces.

Ginny suspirou, "Sim, vão em frente, mas se vocês passarem mal- vocês serão problema do seu pai até melhorarem."

"Eles podem passar mal se comerem isso?" Draco perguntou, olhando confuso para o prato.

"Mmm... Muito açúcar e comidas gordurosas geralmente não fazem bem a ninguém; bem, com exceção do Rony, mas ele come qualquer coisa."

"Então, o que acontece?"

"Bem, açúcar demais os deixa hiper-ativos, mas também pode fazer com que eles passem mal, chega um momento que o estômago deles se revolta."

"Oh, crianças, comam devagar e umm..."

"Tudo bem, papai, prometo que não vou passar mal," Angel sorriu largamente antes de enfiar um doce na boca.

"Bom- eu acho," Draco parecia decididamente preocupado enquanto começava a comer.

O almoço transcorreu rapidamente, cheio de risadas assim que Draco relaxou um pouco, ainda que ele observasse atentamente as crianças em busca de sinais de um mal estar. A sobremesa foi um enorme bolo com cobertura branca; o topo fora dividido em duas partes- a de Angel fora decorada com rosas de açúcar e pequenas fadas enquanto a metade de Drake fora decorada com pomos de ouro e vassouras.

"Oh, papai, é tão lindo," Angel exclamou, seu encantamento evidente em seus olhos faiscantes.

"Wow- tem pomos de ouro, a gente pode comer os pomos de ouro?" Drake perguntou entusiasmado.

"Sim, os pomos de ouro são doces, Drake," Draco respondeu, satisfeito com a reação evocada pelo bolo.

Ginny se inclinou para examinar o bolo. "Draco, é tão perfeito, e como você o conseguiu tão rapidamente?"

"Eu sou um Malfoy," ele lhe respondeu atrevidamente.

Ginny riu de sua arrogância, "Merlin proíba que eu jamais esqueça disso," ela provocou.

Draco esperou até que o bolo fosse servido para abordar o que planejara, ou não, para o restante da tarde.

"Há algo que vocês queiram fazer esta tarde?" Ele perguntou pensativo.

"Não, achei que você talvez tivesse planejado algo," Ginny respondeu.

"Eu estava pensando se poderíamos levar as crianças para ver a minha mãe, ela adoraria vê-los hoje."

"Não vejo porque não- eles gostariam disso."

"Ótimo- isso também vai impedir que meu pai se gabe de tê-los visto antes."

Antes de pagar a conta, Draco pediu que o resto do bolo fosse entregue na Toca, para que as crianças pudessem comê-lo nos dias seguintes. Levando sua família até o Beco Diagonal, eles voltaram para a Propriedades Malfoy para que pudessem usar a lareira para irem até a Mansão.

Ao entrar na construção majestosa, Draco foi até as lareiras localizadas no térreo. Em uma das paredes do saguão, havia seis lareiras. Em três delas, havia fila de bruxas e bruxos esperando para partir- as outras três eram, obviamente, para chegadas, visto que em intervalos regulares alguém saía de uma delas. O saguão a lembrou do Ministério da Magia, mas em uma escala menor. Draco fora até o começo de uma das filas e já estava estendendo a mão para o pó de Flú quando Ginny o alcançou.

"Draco, você devia ter esperado a sua vez," ela o reprimiu baixinho.

"Bobagem, eles não se incomodam de esperar para que possamos ir."

"Draco, não é educado."

Draco olhou para as pessoas por que acabara de passar, "Alguém aqui se incomoda se eu levar minha família para casa o mais rápido possível?"

Ginny olhou ao seu redor ao ouvir várias respostas de "Não, sr Malfoy" e "Claro que não, sr Malfoy". Ainda inconfortável com a idéia de furar a fila, ela só queria sair dali o mais rápido possível.

Draco sorriu para ela. "Depois de você, amor."

Ginny pegou a mão de Angel e entrou na grande lareira, dizendo "Mansão Malfoy."

Cambaleando para fora da lareira na sala de visitas da Mansão, Ginny rapidamente apanhou sua varinha e limpou a Angel e a si própria antes que Draco chegasse com Drake, então repetiu o procedimento nos bruxos antes que fossem procurar Narcisa.

"Millie," Draco chamou.

"Mestre Draco, você chamou Millie- como Millie pode servir ao Mestre Draco?" Millie guinchou enquanto se curvava o suficiente para que seu nariz tocasse o chão.

"Onde posso encontrar minha mãe?"

"A Senhora está no jardim de rosas..."

"Muito bem, dispensada."

Draco e Ginny foram com as crianças até o jardim de rosas para encontrar Narcisa dando uma caminhada entre suas preciosas flores.

"Avó... Avó," Angel gritou agudamente enquanto corria pela trilha.

"Avó, hoje é nosso aniversário," Drake a lembrou enquanto corria para cumprimentá-la.

"Céus, queridos, eu não esperava vê-los hoje," Narcisa sorriu alegremente. "Feliz aniversário!" Ela deu um abraço apertado em seus netos e um beijo na bochecha.

"Mãe, pensamos em fazer uma surpresa."

"Meu querido filho, tão atencioso- você sabe que eu adoro surpresas." Narcisa afagou a bochecha de Draco amorosamente.

"Narcisa, bom rever você," Ginny sorriu calorosamente enquanto se aproximava da outra e a abraçava brevemente.

"Ginevra, um prazer, como sempre," Narcisa respondeu.

"Avó, o papai levou a gente pra almoçar e eles fizeram um bolo muito grande pra gente e ele tinha pomos de ouro e fadas," Angel lhe disse rapidamente.

"É mesmo, parece ter sido ótimo, querida. Terei de providenciar um chá da tarde- não podemos deixar vocês com fome."

"Mãe, realmente acho que as crianças já tiveram o bastante por hoje; o almoço foi pouco mais que açúcar mal disfarçado."

Narcisa olhou confusa para seu filho antes de perceber que Ginny saíra da linha de visão dele e tentava furiosamente obter a sua atenção sem que Draco percebesse- de acordo com o que a jovem bruxa estava tentando indicar, Narcisa presumiu que deveria atender o que Draco dizia. Continuando, ela acrescentou, "Talvez um pouco de chá e suco de abóbora neste caso?"

Ginny respondeu antes que Draco tivesse a oportunidade, "Isso seria perfeito, Narcisa."

Narcisa fez com que o chá e o suco fossem servidos na sala de visitas assim que eles tivessem voltado para a casa. Quando eles chegaram à sala de visitas, Narcisa se sentou no sofá perto da janela, com Drake de um lado e Angel do outro. Os três conversavam animadamente sobre aquele dia; Narcisa já ouvira tudo sobre o almoço no restaurante e Angel agora discorria sobre o homem horrível que gritara com seu avô.

"Ele era um homem muito malvado, avó. Ele machucou os sentimentos do avô, mas não fica preocupada, porque eu disse pra ele que ele precisava de umas palmadas da mamãe."

Narcisa arqueou uma sobrancelha perfeitamente traçada para seu filho, "É mesmo?"

O assentir de Draco foi quase imperceptível. A confirmação da história de Angel trouxe um sorriso divertido ao belo rosto de Narcisa.

Draco e Ginny haviam se sentado no lado oposto do aposento e desfrutavam da semi-privacidade que advinha do fato dos gêmeos estarem entretidos naquele momento.

"Sabe, os presentes deles estão lá em cima- seria tão ruim assim se eu os desse agora em vez de esperar até domingo?"

"Seria."

"Mas... deixa, Gin."

Ginny suspirou em frustração, "Draco, nós já conversamos sobre isso de manhã- eu quero que as crianças aprendam que aniversários são mais que receber presentes. Eles são para passarmos tempo com a família e os amigos, é por isso que a festa não é no dia do aniversário, para que os presentes sejam dados em um cenário realmente festivo."

"É, eu entendo tudo isso, de verdade, mas eu só queria dar os meus presentes para eles- é o primeiro aniversário deles que eu estou presenciando."

"Mais um motivo para você fazer as coisas da forma com que eles estão acostumados, é menos confusão para eles."

"Tudo bem, eu espero até domingo- mas quero deixar claro que eu não estou feliz com isso," Draco se amuou.

Ginny riu de sua expressão, "Já percebi."