Aviso: Inuyasha e Cia. ainda não me pertencem, ainda por que um dia pelo menos o Kouga!
The fury in the snow.
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Parte dois: A poderosa Agome.
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Crianças.
Kagome olhou a escuridão ao seu redor, tudo tão quieto... Tão... Em paz.
Não sabia quanto tempo havia se passado, ali naquele lugar as horas não existiam, Agome ia e vinha com noticias sobre o mundo exterior, mas isso pouco importava, na maior parte do tempo ela se encontrava mesmo era sozinha, devia sentir-se solitária, mas isso não acontecia, na verdade ela não sentia nada.
_Eu pensei em uma coisa.
Virou-se para encarar Agome através do espelho, que havia chegado silenciosa como sempre.
_O que? – perguntou.
Agome colocou os braços por dentro das mangas negras.
Eram roupas gêmeas como sempre, de um negrume que se confundia com a escuridão daquela imensidão infinita, era um agasalho negro de mangas muito compridas que ultrapassavam seus braços e capuz com orelhas de gato, da parte de baixo do casaco pendia uma cauda felina, e por baixo podia-se ver uma faixa de tecido de uma saia negra, as pernas eram vedadas por uma meia calça, e usava botas sem salto de cano alto que lhes batiam quatro dedos abaixo dos joelhos.
_Você precisa voltar para a luz.
_Não. – respondeu de imediato.
_Se você não voltar, corre o risco de desaparecer Kagome.
Kagome franziu o cenho.
_Como assim?
_A escuridão irá consumir você.
_Você está mentindo. Esteve aqui por anos, e nem por isso deixou de existir.
_Porque eu nunca deixei de ser parte de você. – Agome explicou retirando as mãos das mangas e baixando o capuz de gato – Sempre fui a parte que você renegou a parte sombria e raivosa sem coração. Eu era a sua metade escura. Você era o coração e eu o poder. Continuo a ser o poder, mas agora também tenho o coração, o que eu sou?
_Completa. – percebeu.
_ Eu tinha a raiva para me sustentar, mas você não tem qualquer sentimento Kagome. O que vai impedi-la de ser consumida pela escuridão?
Kagome deveria estar assustada com a perspectiva de desaparecer, mas não estava, pois até mesmo isso ela havia entregado a Agome, suspirou e passou os braços ao redor da própria cintura.
_Se for para que eu desapareça que seja então. Vai conseguir o que sempre quis: ser a única...
Ela não viu a mão de Agome chegando, mas o lado direito de seu rosto explodiu em dor quando ela a atingiu com as costas da mão, e derrubou-a.
Olhou-a espantada, com a mão sobre a face machucada, Agome quase sorriu finalmente uma emoção! Mas estava irritada demais para sorrir.
_Você me bateu! Você nunca tinha me batido antes!
_Sua estúpida, nunca mais diga que algum dia eu quis ser a única, nunca! – gritou Agome sua própria face avermelhando-se como se ela houvesse batido em si própria, o que basicamente havia feito. – Uma! É o que quero que sejamo que seremos! – Agome ajoelhou-se atravessando os braços pelo espelho e agarrando Kagome para sacudi-la – Eu já me cansei disso Kagome! Reaja! Reaja sua idiota! Reaja!
*.*.*.*
Cinco dias.
Foi esse o tempo que Rin levou para perder completamente a paciência com Miroku e "mexer seus pauzinhos" para obriga-lo a cumprir com sua palavra, em outras palavras: Ela havia contado tudo para Sesshoumaru.
E este não havia perdido tempo em ameaçar a vida de Miroku, indiretamente é claro, se alguém fosse preso por assassinado por ter ameaçado a felicidade de sua preciosa garotinha ele é que não seria.
_Ele invadiu meu quarto, para cobrar de mim a estupida promessa que você fez à Rin. – Inuyasha rosnou um pouco mais do que irritado, mas menos que furioso. – Você disse que a levaria para ver Kagome. Eu lembro.
_Bem sim, mas... Ela não tem vindo à faculdade, e sabe como é difícil falar com Sango? Eu precisei de alguns dias para...
_Rin vai te esperar hoje na saída da escola – Inuyasha avisou – Você vai passar lá para busca-la e leva-la a casa de Kagome, ou então ela vai ficar muito triste, e quando Rin está triste Sesshoumaru não fica feliz...
_Eu vou levar Rin hoje. – interrompeu.
Inuyasha estudou seu rosto cuidadosamente.
_Então sabe mesmo onde ela mora?
_Sei.
_Quero que me leve junto.
Miroku olhou-o espantado, e recuou um passo, se levasse Inuyasha, Kagome era bem capaz de purifica-lo até a alma, em um piscar de olhos, isso se Sango não o pegasse primeiro, e claro depois as duas se voltariam para ele por ter levado Inuyasha até lá... Que coisa. Ele já estava até parecendo com Ayame.
_Como é?
_Você ouviu!
_Mas nem morto! – respondeu de imediato. E inventou uma desculpa – Se eu levá-lo Rin nunca mais me dirigirá a palavra!
Inuyasha contraiu o maxilar.
_Então vai me levar outro dia.
_Por que quer ir vê-la agora? Ela te odeia!
_Ela me ama.
_Isso foi antes.
Antes de você mostrar a ela como o mundo pode ser cruel e fazer seus olhos congelarem, fazendo-a finalmente perceber a quão perigosa ela pode ser.
Miroku realmente não entendia Inuyasha, ele sabia que o hanyou, em seu medo de sofrer da "maldição Taisho" – os homens de Taisho sempre faziam as mulheres sofrer intencionalmente ou não, mas quando se apaixonavam era um amor tão avassalador que poderia leva-los a loucura como aconteceu com o patriarca Taisho – Inuyasha preferia machucar o coração das mulheres antes que elas o machucassem primeiro.
Mas depois de feito isso, ele jamais voltava a olhá-las uma segunda vez. Por que então essa insistência dele em rever Kagome?
Quando encontrou Sango ela estava a caminho de uma aula.
_Sango! – chamou – Bela Sango espere!
Quando Sango virou-se, não havia qualquer coisa de amigável em seu olhar.
_Não me chame assim!
Ele afastou-se, erguendo as mãos cautelosamente. Havia algo naquela garota temperamental que o atraia, mas era melhor ser cuidadoso em aproximar-se dela. Masoquista? Talvez.
_Desculpe. – falou – Se te incomoda não vou mais te chamar assim, bela Sango.
Sango concordou sem perceber que ele a tinha chamado novamente daquela forma.
_Agora diga o que quer.
_Lembra-se daquela menina de quem falei? – começou – Eu estou meio que sendo ameaçado de morte se não levá-la para ver Kagome hoje.
Sango arqueou uma sobrancelha.
_Está sendo ameaçado por uma menininha?
_Não por ela. – ele sorriu sem jeito – Mas pelo tutor dela.
_Ah entendi. Sesshoumaru não é?
_É. E acredite você não gostaria de irritar alguém como Sesshoumaru. Eu vou sair mais cedo porque preciso ir pegá-la na escola hoje, e leva-la até Kagome.
Sango pensou um pouco.
Miroku era amigo de Inuyasha, e Inuyasha era o responsável pela libertação de Agome, mas Agome não parecia sentir qualquer raiva dele, e nem Ayame, a quem Inuyasha também tinha feito mal, então porque ela teria qualquer raiva dele?
_Agome gosta dessa menina... – considerou – E já concordou que você a levasse-a para uma visita, então... Bem vai precisar disso. – afirmou dando-lhe as chaves de casa – Ela costuma dormir a maior parte do dia, é possível que não os escute batendo na porta.
Mas Sango tinha suas dúvidas de que naqueles longos períodos que Agome permanecia imóvel de olhos fechados ela realmente estava dormindo, pois bastava que Sango tocasse seu ombro para que ela abrisse os olhos e nunca estava sonolenta, nem que fosse um pouquinho, não... Sango acreditava que nessas horas Agome estava "visitando" Kagome, escondida em algum lugar nas profundezas de seu ser, mas Miroku não precisava saber disso.
Miroku já ia um tanto longe, quando Sango lembrou-se de algo e voltou a chama-lo.
_Sim? – respondeu.
_Agome tem o mau hábito de... – Sango ruborizou – De andar seminua pela casa, sabe ela não gosta de usar roupas. Por isso quando você entrar com a menina, mantenha os olhos fechados até ter certeza que ela está vestida... – crispou os olhos – Do contrário é bom saber que eu tenho uma coleção de armas da guerra civil, mas ainda funcionais guardadas em meu quarto.
Agome era realmente a pessoa mais complicada do mundo, primeiro ela dizia que não usava as roupas de Kagome porque não gostava delas, e depois do vexame que passara ao mostrar-se desavergonhadamente em frente à Kouga e a Ayame, Sango tratara de rapidamente lhe providenciar roupas, aparecendo no dia seguinte mesmo com um pequeno punhado de roupas – dois pares de blusas, uma calça comprida, uma calça Capri, uma saia, um par de sapatos Al Star, e um vestido, tudo negro – não era muita coisa, mas serviria para ela manter-se coberta.
E não só isso, no terceiro dia, após a visita de Ayame e Kouga, a ruiva havia aparecido ali com uma trouxa de roupas escuras, segundo ela, precisava esvaziar um pouco seu guarda-roupa para que coubessem mais roupas quando o cartão de Kouga finalmente liberasse, e aquelas roupas eram todas do ano passado. Não faria falta.
Sango achava que Ayame e Kouga deveriam se casar, pois do contrário o lobo estaria fardado ao divórcio, pois mulher nenhuma aceitaria as quantias altíssimas de dinheiro que seu marido esbanjava com Ayame.
E ainda assim volta e meia Sango pegava Agome zanzando seminua pela casa.
Miroku sorriu nervoso.
_Considere-me avisado.
Depois que ele foi embora, Sango franziu o cenho e entrou resmungando em sua sala de aula.
O pior é que o filho da mãe era bonito!
Ora ele havia a convencido a entregar a chave da casa dela para ele sem sequer fazer esforço, Sango perguntava-se sobre mais quantas garotas já teriam caído no encanto daqueles fascinantes olhos azuis.
*.*.*.*
Agome tinha a música em um volume alto em seus fones de ouvido enquanto dançava loucamente na sala de casa, quase completamente despida, pois estava apenas em trajes íntimos, no começo ficava daquela forma porque não gostava das roupas de Kagome, depois passou a ficar daquela forma para irritar Sango, mas agora, ela havia ficado acostumada com a falta de roupas simplesmente se sentia mais confortável daquele jeito, tão distraída estava com sua música que nem sequer percebeu que dançava em cima da mesa agora e cantava junto também.
_Bem... Ela com certeza não esta dormindo. – constatou Rin com o cenho franzido.
_O que ela está fazendo? – Miroku tinha os olhos fechados, pois não queria que sua cabeça virasse um troféu no quarto de Sango – Ela está vestida?
_Tendo um ataque epilético em cima da mesa eu acho. – respondeu inclinando a cabeça de lado, Agome estava de costas para eles, balançava os quadris e sacudia os punhos acima da cabeça – Não está nua.
Agome virou-se no exato momento em que Miroku abria os olhos, ela gritou surpresa ao vê-lo ali, pisou em falso e caiu de cima da mesa, fazendo-a virar.
_Desculpe! – ele exclamou apressando-se em alcançá-la – Eu não queria assustá-la! Desculpe! Desculpe mesmo! Kagome você está bem?
Agome balançou a cabeça meio atordoada, havia a batido na estante onde estava a televisão, mas não estava ferida, sorte a dela a televisão não ter caído, quando ergueu os olhos, havia não um Miroku, mas três a sua frente piscou meio zonza e arrancou os fones de ouvido.
_Quando foi que você...? Por que está aqui?
_Eu não queria assustá-la! – ele repetiu erguendo-a do chão – Eu bati na porta, juro, mas como você não abria, e Sango já tinha me avisado que você dorme a maior parte do dia...
Ele parou de falar, só então se dando conta de que Kagome estava quase completamente despida. Era bonita aquela moça, Inuyasha tinha bom gosto, perguntava-se se ela também havia andado assim na casa de Sesshoumaru... Mas o que Sango havia dito mesmo sobre aquilo?
Armas... Alguma coisa relacionada a armas da antiga guerra civil.
De repente lembrando-se do aviso de Sango, ele desviou os olhos. Será que havia câmeras ali?
Agome poderia ter rido, mas ela estava mais interessada era em saber a razão da visita inesperada.
_Sango o mandou aqui? Por que ela...?
_Agome! – alguém gritou abraçando suas pernas.
E só então, quando olhou para baixo e viu a escura cabeleira de Rin, foi que percebeu a presença da criança ali, sorriu e tocou a cabeça de sua pequena irmãzinha postiça.
_Ah, entendi, mas assim tão depressa?
Miroku, que observava a parede, deu de ombros.
_Ela ficou impaciente, ela é... Bem convincente.
Rin não era o problema, Agome bem sabia disso, o problema real era a grande sombra branca que pairava acima da menina... Um sorriso um tanto maldoso apareceu nos lábios de Agome, Sesshoumaru sim é que devia saber como ser "bem convincente".
_Ei Rin, da forma que está me abraçando, parece que não nos vemos há meio século! – comentou alegremente – E então, como você está?
Rin olhou-a de olhos marejados, mas ela não queria chorar, se chorasse estaria sendo só uma menininha fraca, e isso não podia acontecer, o Senhor Jaken havia dito isso a ela, o amo Sesshoumaru não podia estar cercado de fracos, Rin precisava ser forte para agradá-lo... Mas ela estava tão feliz em ver Agome novamente!
_Você me odeia Agome? – Teve de perguntar, afinal ela era a sobrinha do homem que Agome amava... E que havia brincado com seu coração.
Não fora difícil descobrir isso, considerando-se o tempo que Rin tivera para pensar.
Agome amava alguém de quem se lembrava sempre que olhava para o amo Sesshoumaru, porém sofria por essa pessoa, seu tio Inuyasha se parecia com o amo Sesshoumaru e gostava de fazer garotas chorarem.
Realmente não era difícil de ligar as peças.
_O que? – Agome surpreendeu-se – Não seja besta Rin! Por que eu odiaria a minha querida irmãzinha postiça?!
Ah que se dane! Rin começou a chorar feito um bebê.
E Agome ficou completamente sem reação.
Miroku nunca pensou que veria uma mulher tão apavorada com as lágrimas de uma criança, quer dizer, supunha-se que as mulheres tinham um instinto maternal natural, e que certamente saberiam o que fazer quando uma criança começasse a chorar na sua frente, não é?
Mas não era apenas isso, Kagome não estava só desconcertada, ela estava apavorada, como se alguém tivesse colocado uma bomba em suas mãos, prestes a explodir, a não ser que se cortasse o fio vermelho, mas não houvesse nenhum fio vermelho.
Pegou Rin suavemente pelos ombros e puxou a menina para trás.
_Esta bem Rin. Por que não deixamos Kagome se vestir agora?
Rin secou as lágrimas de seus olhos, quase como se estivesse com raiva por ter chorado.
_Certo. – disse – Isso não vai mais acontecer. E o nome dela é Agome.
_Me vestir, eu acho que... Eu tenho... Que me vestir. É. Vestir-me... Sim. – Agome disse consigo mesmo, um tanto alienada.
Ela esticou as mãos tremulas em direção ao sofá, e pegou uma roupa negra que estava toda embolorada ali, quando ela vestiu, Miroku percebeu ser um casaco, com orelhas de gato no capuz e uma cauda pendurada.
Ele conhecia aquele casaco... Já vira Ayame usando-o.
A constatação daquilo trouxe a sua cabeça uma lembrança que o incomodou:
Ayame estava escorada ao muro do lado de fora do pequeno "prédio" – se é que aquela construção decadente podia mesmo ser chamada de prédio – onde morava, tinha as mãos juntas atrás das costas, e fitava o chão, os cabelos ruivos escondidos em baixo do capuz negro com orelhas de gato, o rosto meio oculto pelas sombras.
_É uma loba em pele de gata isso que eu vejo? – perguntará se aproximando da ruiva.
Ayame ergueu a cabeça, e empurrou o capuz para trás, a ruiva já não parecia mais a mesma, o rosto estava pálido, os cabelos desgrenhados e havia profundas olheiras debaixo dos olhos, o sorriso parecia quebrado.
_Oi Miroku. – disse fracamente – Kouga me levou para fazer algumas compras.
_Compras é?
_É. – ela fitou o chão – Acho que ele não sabia como lidar com a situação. Não sabia o que falar ou como agir, então me levou para fazer algumas compras.
Miroku moveu-se desconfortável, Kouga não era o único que não sabia como lidar com a situação.
_E então?
_Quando nos sentamos para descansar um pouco, eu abracei-o e chorei. Ele não disse nada. – chutou uma pedrinha no chão – Só me abraçou de volta... E me beijou. Ele beijou-me na boca Miroku. Eu sei que ele também está sofrendo, mas não quer demonstrar, quer que pelo menos um de nós pareça forte nessa situação... Mas não sei por que ele está sofrendo. – fungou – O filho nem era dele.
É claro que era. Miroku pensou consigo mesmo, você não sabe disso, mas aquele bebê era de Kouga também, não biologicamente, mas na cabeça dele o filho era dele, porque ele ama você, e amava Hajime também.
Pôs as mãos nos ombros de Ayame, e beijou seus cabelos ruivos.
Aquilo havia acontecido alguns dias depois da morte do pequeno Hajime.
E agora, o mesmo casaco de gato estava sendo usado por Kagome, de alguma forma ele parecia sempre procurar mulheres em sofrimento para vesti-lo.
Agome fechou o zíper e pegou uma das mãos de Rin.
_Venha comigo pequena. – chamou – Vou te apresentar Kirara, ela é uma gata de duas caudas!
_Que legal! E Agome?
_O que?
_Por que estava dançando em cima da mesa? – perguntou enquanto subiam as escadas.
_Para extravasar, eu estava zangada.
_Com quem?
_Comigo.
*.*.*.*
Inuyasha recolheu seu material lentamente, não tinha vontade de voltar para casa, seu pai que havia apresentado recentemente uma surpreendente recuperação, já começava a demonstrar sinais de uma recaída – no dia anterior mesmo havia perguntado se Izayoi não iria jantar com eles por que saíra para fazer compras – e Inuyasha não queria passar novamente pela experiência de perceber que aos poucos o pai perdia a sanidade.
Mas bem, por mais que ele evitasse uma hora ou outra teria de voltar para casa. Essa é que era a verdade.
Enquanto ele se encaminhava para o estacionamento avistou um par de irmãs gêmeas conversando, uma delas tinha os cabelos tingidos de azul curtos e mal cortados propositalmente, a outra tinha os cabelos batendo na cintura e usava óculos, Inuyasha conhecia ambas, e estava surpreso que estivessem se falando, pois certa vez havia estado com as duas ao mesmo tempo, e quando elas descobriram ao invés delas voltar-se contra ele, voltaram-se uma contra a outra, cheias de acusações e "eu vi ele primeiro".
E já chegando ao estacionamento ele avistou uma ruiva solitária parada ali, ela tinha uma cintura fina e seios nem grandes nem pequenos demais, com lábios tão vermelhos quanto os cabelos, vestia uma saia amarela de folhos e uma blusa verde abacate de mangas compridas e ombros caídos, nos pés tinha botas marrons, três pulseiras douradas no pulso direito, e um relógio no esquerdo, as pernas cobertas por uma meia calça listrada laranja e preto, as roupas lhe eram familiares, porém ele nunca havia visto aquela garota antes.
Parou a sua frente.
_Por favor. – disse – Pode me dizer que horas são?
A garota piscou.
_Mas é claro meu bem. – Inuyasha achou que a voz dela parecia forçadamente fina – São 17h00.
Inuyasha agradeceu pela informação e afastou-se.
E a ruiva ficou observando-o se afastar, até que alguém veio correndo por trás, e lhe puxou pelo ombro.
_Ayame! – Kouga chamou – O que o cara de cachorro quer... Oh desculpe, confundi você com outra pessoa.
A ruiva deu uma risadinha.
_Não está me reconhecendo gostosão?
Kouga franziu o cenho.
_Nos conhecemos?
_Oh é claro que não me reconhece. Naquela ocasião eu usava outras roupas, e não tinha esses cabelos. – jogou os longos cabelos ruivos por cima dos ombros.
Aquela voz... Parecia-lhe familiar.
Mas Kouga não conseguia se lembrar de onde conhecia aquela voz.
_Jackotsu! – Chamou Ayame, vindo com sua bicicleta ao lado – Finalmente encontrei minha bicicleta, eu tinha esquecido onde a tinha colocado.
Kouga olhou Jackotsu espantado.
Jackotsu. Sim ele se lembrava. O garoto estranho que morava no prédio de Ayame.
Mas por tudo que havia de mais sagrado. O que é que ele estava fazendo ali vestido daquele jeito?!
E, deuses sejam bons, por que ele tinha mesmo que ficar tão parecido com uma garota de verdade? Ele tinha até seios!
_Kouga? – Ayame parou ao seu lado – O que faz aqui?
Jackotsu deu uma risadinha e respondeu em seu lugar.
_O bofe me confundiu com você.
O rosto de Ayame endureceu.
_Como assim? Você me confundiu com um garoto?
_Mas...! – Kouga ainda estava desconcertado, diabos, Jackotsu estava mesmo parecendo uma garota – Ele está usando essa peruca ruiva, e as suas roupas! Por que ele está usando as suas roupas?!
_É para um trabalho querido. – explicou Jackotsu.
Kouga espantou-se.
_E que trabalho é este onde os homens se vestem de mulheres?!
Jackotsu mexeu nos cabelos.
_Na verdade precisávamos de uma garota, mas na falta de uma eu me ofereci para o papel. E de que homem vestido de mulher você está falando? Eu aqui, só estou mostrando a todos o que há em meu interior!
_É tipo exteriorizar o seu interior? – Ayame perguntou arqueando uma sobrancelha.
Jackotsu piscou para ela.
_Isso mesmo querida.
_Então por dentro você e ruiva? – questionou ceticamente.
Jackotsu deu de ombros.
_Você sabe como é meu bem, os homens gostam das loiras, e se casam com as morenas, mas eles preferem mesmo são as ruivas.
Kouga afastou-se um passo incerto.
_Sim, mas as ruivas que são mulheres de verdade. – murmurou.
A falsa ruiva lançou um olhar direto a ele.
_O que você disse querido?
Ele afastou-se mais um passo.
_Ah. Eu...
_Já chega disso. –Ayame disse com ar cansado – Estou indo para casa, Jackotsu venha comigo, Ou então fique ai, quem sabe depois Kouga lhe der uma carona.
_O que?! – ele olhou-a numa mistura de desamparo e desespero – Mas eu...!
Porém Ayame já estava indo embora, e para seu alivio Jackotsu a seguiu, mas não sem antes soprar-lhe um beijo no ar, que o fez estremecer e ter a certeza de que teria pesadelos aquela noite, e prometer-lhe que ainda se veriam outro dia.
Só podia ser maluco, aquele tal de Jackotsu, só assim mesmo para aceitar uma carona de Ayame, a garota era um terror sobre rodas!
*.*.*.*
Já passava das 18h quando Sango finalmente chegou a casa.
Havia um carro preto parado na rua em frente a casa, e Sango estranhou aquilo, Miroku ainda estaria ali com a tal menina Rin? Mas por tanto tempo assim?
_Já cheguei. – anunciou, mas exceto pelas risadinhas vindas da sala não houve resposta.
Sango estranhou aquilo.
E foi em direção ao sofá, de onde vinham as risadas, a televisão estava ligada em algum canal qualquer, quando olhou por cima do sofá viu Miroku esparramado ali profundamente adormecido, e Agome e Rin estavam bem a sua frente, pintando sua cara, com maquiagem e tinta guache.
_O que estão fazendo?!
Ambas ergueram os olhos, e Sango ficou confusa, os olhos de Agome brilhavam como safiras, como os de Kagome quando ela estava feliz, então aquela seria Kagome que havia retornado?
A criança foi quem lhe respondeu:
_Não faça barulho, vai acordá-lo!
_Oh-oh é tarde demais! Ele já está acordando! – alertou Agome, ou Kagome?
Ambas recolheram suas coisas rapidamente e saíram correndo escadas acima.
Quando Miroku abriu os olhos, a primeira coisa que viu foi Sango, mas ela olhava em outra direção, sorriu sonolentamente.
_Ah bela Sango, estou tão sozinho, por que não se deita aqui e me faz alguma companhia?
Sango o olhou, ele tinha o olho esquerdo maquiado com um chamativo tom de rosa, e um sol desenhado ao redor do olho direito, na bochecha esquerda estava um gato em uma nuvem, e debaixo do nariz um bigode no maior estilo Hitler, um coração torto com asas, havia sido pintado no meio de sua testa, uma estrela de dez pontas estava em seu queixo e uma borboleta torta tinha sido desenhada com lápis de olhos na bochecha direita e pintada com tinta guache azul, o lábio superior estava meio pintado de verde.
_O que ainda fazem aqui?
Miroku sentou-se bocejando.
_Rin recusa-se a ir para casa. Eu já estou preocupado, não sei até que horas deveríamos ficar. Sesshoumaru não disse nada sobre horários a Inuyasha, e Rin também não comentou nada...
_Inuyasha? – Sango repetiu – Como assim Inuyasha?!
_O que?
_Você disse Inuyasha! – ela disse – O que Inuyasha tem haver com essa menina e o homem que cria ela?
*.*.*.*
Pronto desde 24/06/13, finalmente, pensei que não fosse acabar nunca!
Hoje estou meio sem tempo, por isso não poderei responder as review's do capítulo passado, mas prometo que no próximo capitulo eu respondo as review's deste e do capitulo anterior também.
