N/A: Laarc – A Serena que não abra o olho dela... rsrsrs
A marca
– Chamar Nyx? Como assim? – Perguntou Haruka.
– Isso é uma loucura! – Alertou Lita.
– Depois de tudo o que aconteceu? – Questionou Mina.
– Não daremos conta disso sozinhas. É essa a verdade. Estamos lidando com os deuses e não com inimigos comuns. Se não conseguirmos ajuda, temo que nossos príncipes se tornem prisioneiros eternos. Precisam entender a real gravidade da situação – Concluiu Setsuna.
Rei assentiu com a cabeça e andou na direção de Setsuna, pegando de leve nas mãos da amiga.
– Como fazemos pra encontrar Nyx?
Setsuna olhou para cima. Com certeza, no grande véu de nuvens a recobrir os céus estaria Nyx, a poderosa deusa da noite.
– Vamos ter que chamá-la. Não é possível que simplesmente tenha desaparecido.
– Tem certeza de que essa é a decisão correta? – Perguntou Seiya – Nyx foi uma grande inimiga.
– Se tiver medo, pode voltar para o seu planeta... – Provocou Haruka.
– Eu não tenho medo! – Respondeu o jovem com firmeza.
– Pare de implicar com ele, Haruka. Mas que coisa! – Interveio Rei.
Haruka nada respondeu. Simplesmente bufou.
– Então, eu acho que a gente pode tentar chamar a Nyx pra ela ajudar a gente! – Disse Mina, a fim de descontrair.
Setsuna tossiu com o fito de chamar os olhares para si.
– Vou tentar alguma coisa pra chamar Nyx.
A jovem sailor ergueu, então, seu imponente cetro. Raios e trovões começaram a cortar a paisagem, deixando até mesmo as demais sailors um tanto assustadas, já que nunca tinham visto essa faceta da amiga.
Setsuna chamou pelo nome de Nyx, enquanto um pequeno raio dourado saiu do Garnet Orb, o talismã no cetro fixado, rumo aos céus, como que alterando as relações espaço-temporais.
As sailors permaneceram estáticas por um breve intervalo de tempo, até perceberem uma nova alteração na paisagem.
Tímidos flocos de neve começaram a cair.
Uma bola de energia desceu do céu numa incrível velocidade. Quando pousou no chão, deixando de transparecer o imenso brilho, puderam reconhecer a deusa da noite.
Nyx estava de volta com o chamado de Setsuna.
Não deixou de provocar espanto nas sailors a mudança de semblante no rosto da deusa. Longe de inspirar medo, ela transmitia paz, serenidade. Em sua expressão, havia um quê de tristeza que a fazia ainda mais bela.
Definitivamente, em nada lembrava aquela Nyx da batalha passada.
– O que querem comigo, guerreiras? Por que me chamaram dessa forma, interrompendo meu descanso?
Nenhuma das sailors se atrevia a falar. Apenas Setsuna parecia saber o que dizer e foi justamente ela a dialogar com a deusa.
– Precisamos de sua ajuda! Os deuses estão interferindo na vida dos humanos. Selene e Hades, que, por sinal, fechou o portal que guia as almas a seu reino simplesmente para aprisionar nossa princesa. Nyx, nós...
– Sinto muito, mas não devo me intrometer nessa batalha! – Sentenciou a deusa, interrompendo a fala da jovem e afastando-se das sailors.
– Selene está com Darien, Nyx! – Disse com a delicadeza de sempre Sailor Pluto.
De súbito, as feições da deusa se modificaram. E ela se virou para Setsuna em angústia.
– Que tem o guardião?
– Selene o levou, Nyx. Contra a vontade dele. E, agora, na tentativa de libertá-lo, Serena também está presa no mundo de Hades. A situação é muito grave.
– Mas... não é certo eu me intrometer...
– Entendo... – Disse Mina – Você, então, não vai nos ajudar a libertar o Darien...
– Não é isso... É que eu... – A deusa cerrou os punhos e se retraiu.
– Precisamos de sua ajuda, Nyx. Sei que estivemos em campos opostos, mas sem você não vejo o que poderemos fazer para ajudar nossos príncipes.
Nyx fechou brevemente os olhos e refletiu.
Tudo culpa sua, guardião.
Mais uma vez.
– Expliquem-me direito o que de fato aconteceu – Sentenciou a deusa.
Darien observava Tristia em seu berço. Ele não parecia se cansar de olhar a menina e tentar encontrar a melhor forma de cuidar dela. Ele estendeu os dedos que a pequena tentava segurar com suas pequenas e frágeis mãos.
Tristia sempre sorria ao ver o pai. Mesmo quando estava chorando muito, acabava se acalmando mal sentia a presença dele. Assim, muitas vezes, Darien escapava de Selene só para cuidar da menina.
Mas não podia deixar de pensar em Rini, no que aconteceria se as coisas continuassem assim. E também o afligia a situação de Serena. Ele contava os dias que estava junto de Selene na Lua a fim de saber há quantas horas a jovem sailor estava no mundo de Hades e pensava que hora menos hora ela regressaria com Endymion, conforme o combinado com a deusa.
E se depararia com a verdade.
Serena... Me desculpa, mas eu não eu não vou poder abandonar...
... A minha filha.
Era difícil mesmo para Darien se acostumar com a ideia.
Mas era preciso aceitar sua nova condição.
– Vai ficar tudo bem, Tristia, eu vou encontrar um jeito. Não vou deixar você sozinha. Eu prometo.
A menina sorria e batia palmas. Darien não deixava de se surpreender com a agilidade com que ela se desenvolvia. Ela já emitia sons, tentando falar, demonstrando que, efetivamente, não era uma criança comum.
A menina batia palmas com mais força e fez pirraça. Ele bem sabia o que ela queria, sempre sabia o que precisava ser feito, se o choro era de fome, sede, se queria colo ou estava suja... Dessa vez, a menina queria que ele cantasse.
Por que eu sempre sei? Por que eu me sinto tão ligado a você a ponto de nem me esforçar para descobrir o que precisa?
Ele sorriu para a menina e fez o que ela queria.
Cantou para ela.
– Ela dormiu... – Disse Selene, chegando por trás de Darien, que observava distraído o sono de Tristia.
– Sim... Dorme tranquila.
– Fico satisfeita que ela não esteja me dando trabalho...
Darien olhou para Selene com espanto. A deusa em nada cuidava de Tristia, sua atuação consistia em fazer caretas e apertar de leve a bochecha da criança – isso quando se dignava a vê-la. Seu entusiasmo aparente com a menina só durou um dia. Nem mesmo se tomava o leite na mamadeira a deusa estava se interessando em saber.
– Você dá muita atenção a ela. Espero que não tenha esquecido do nosso acordo – Prosseguiu Selene.
– Ela é só um bebê, é normal que eu dê atenção a ela...
– Não acho normal que dê mais atenção a ela que a mim... Talvez eu deva proibi-lo de vê-la...
Darien começou a rir discretamente a fim de não acordar a menina e puxou Selene para o corredor, trancando a porta do quarto atrás de si.
– O que há de errado com você? Que prazer mórbido é esse que tem em me atormentar? Que importa a você a minha atenção ou o que sinto? Eu respondo. Nada! Você diz essas coisas porque possui o instinto perverso de machucar os outros.
– Então, eu tenho "o" instinto perverso? Se eu quiser atormentar você, eu atormento. E é verdade que não ligo para o que dá atenção ou para os seus estúpidos sentimentos. Mas me importa que me obedeça, que seja submisso a mim.
– E de preferência deitado – Disse ele com o tom mais sarcástico que conhecia.
Darien esperava conseguir pelo menos dessa vez deixar Selene sem graça, mas a missão não era tão simples.
– Tem toda razão, meu caro. Afinal de contas, pra que mais você serve?
O jovem esboçou um protesto, mas Selene tapou sua boca com uma das mãos.
– Já falou demais por hoje, meu querido – Prosseguiu ela –, e, como você bem sabe, está na hora de se deitar...
Um fino choro, porém, cortou o fio daquele diálogo. Era Tristia que havia acordado. Darien de imediato desviou o olhar e virou o corpo já se preparando para ver o que estava se passando, mas Selene o segurou.
– Deixe a Harpia ver isso.
– Não, eu quero ver o que está acontecendo – Ele se soltou, voltando para dentro do quarto.
Selene foi atrás dele.
– Já disse que outra pessoa cuida disso! Não se aproxime dela!
O choro de Tristia se tornou mais intenso com os gritos de Selene.
– Pare de gritar, você está assustando a menina.
– E daí? Ela é minha filha, não é? É minha e faço o que eu quiser com ela! Selene lançou um olhar maldoso em direção à criança no berço, enquanto a menina chorava com cada vez mais intensidade.
A deusa, então, pegou a criança no colo.
– Talvez eu devesse dar a ela uma razão real pra chorar. O que acha, meu querido?
– Você disse que não ia fazer nada contra ela...
– E você tem um acordo comigo, mas parece que se esqueceu dele.
Selene atirou a menina no berço com muita violência, fazendo-a chorar de dor.
– Tristia! – Darien correu para ver se a menina estava bem.
Dessa vez, porém, mesmo estando no colo dele, seu choro não cessou. Com mãos trêmulas, ele procurava ver se a criança não estava ferida.
– Não precisa se preocupar; ela não está com nenhum osso quebrado, mas obviamente sentiu a dor.
Darien olhou para Selene com mais desprezo que nunca. As coisas que fazia a ele até certo ponto ainda conseguia digerir, mas ter feito aquilo com a própria filha conseguia rebaixar ainda mais a deusa a seus olhos.
– Como pode ser tão cruel? Ela é sua filha, como pode machucá-la? Como pode ser tão desprezível?
– Você... Não tem o direito de falar assim comigo. Não tem o direito de romper com nosso acordo.
Uma aura obscurecida se formou ao redor de Selene, que lançou uma descarga de energia em direção aos dois, mas Darien se virou de costas para proteger Tristia, recebendo apenas ele o ataque.
Ele se virou, ainda protegendo a menina com os braços. E, novamente, a deusa lançou um ataque sobre os dois, fazendo Darien usar novamente o corpo para proteger Tristia.
– Pare com isso, Selene, vai acabar machucando...
– A menina? Tomara que ela se machuque também! É outra... Já percebi que também não gosta de mim, que prefere sempre você... Os dois traidores dos quais eu cuido tão bem!
E ela lançou mais um ataque. Dessa vez, Darien quase deixou a menina cair no chão, tamanha era a violência das rajadas de energia que Selene lhe lançava. Mas ele conseguiu mais uma vez segurá-la e evitar que fosse atingida.
– Selene...
– Muito bem, já chega... Coloque a pequena fábrica de choro no berço.
Darien caminhou receoso até o berço onde depositou Tristia, sem, contudo, deixar de colocar o corpo à frente. A menina estava mais calma e havia finalmente parado de chorar.
A deusa estendeu-lhe a mão e, pela forma como o olhava, ele pôde perceber claramente que, por enquanto, Tristia estava em segurança.
Mas ele não.
Ele segurou a mão de Selene e se deixou conduzir pelos corredores do palácio, até o já conhecido quarto. Ao redor da deusa, a aura sombria continuava a emanar ao redor dela e seus olhos emitiam um brilho estranho.
Ele permaneceu em silêncio aguardando o que ela pretendia lhe dizer. Sim, porque Selene sempre tinha algo a dizer. A pergunta que se fazia era, "qual a novidade macabra de hoje?".
– Você me surpreendeu lá dentro. Mesmo tendo eu retirado seus poderes, manteve-se de pé depois dos meus ataques. Isso só vem a provar que possui a alma de um verdadeiro guardião – Selene pegou na mão de Darien, acariciando-a de leve – Mas também é extremamente teimoso. Se tivesse me obedecido, se tivesse deixado outra pessoa cuidar do choro da menina, nada disso teria acontecido, eu não teria machucado nenhum de vocês.
– Eu sempre faço tudo o que você quer.
– Além de teimoso, agora deu pra contar mentiras? Você não respeita nosso acordo. Eu ainda posso sentir que pensa nela, na estúpida guerreira, no futuro que tinha ao lado dela. E eu avisei pra esconder esse sentimento onde eu não pudesse ver, mas você teima e teima... Acho que você ainda guarda uma esperança sem sentido de que algum dia voltará a ser dela. Talvez precise de um lembrete constante de sua posição aqui.
– Qual é a novidade agora, Selene? – Perguntou ele em tom de deboche.
A deusa apenas sorriu como resposta. Em sua mão, surgiu seu poderoso cetro com o diamante lunar. Faíscas brilhantes saíram da pedra em direção a Darien, transformando-se algemas que o prenderam contra a parede.
Selene posicionou o cetro na altura de sua face e dele começaram a surgir chamas negras que atingiram o antebraço de Darien. Ele gritava de dor, preso às correntes encantadas, enquanto a palavra "Selene" formava-se aos poucos sobre sua pele, marcando aquela parte de seu braço.
A deusa se limitava a sorrir ao observar as contrações de dor provocadas pelo percurso da queimadura a forjar seu nome. Após tanto vagar como os outros deuses, sem seus poderes, sem sua força divina, sentia um quê de excitação ao perceber que poderia novamente subjugar quem bem entendesse. Cada espasmo de dor naquele rosto era reflexo de seu poder e isso era uma satisfação inigualável.
– Agora meu nome está em você , meu querido. Ficou bem melhor assim... – Disse Selene, fazendo sumir as algemas e enlaçando-o como uma cobra a sufocar sua vítima – Não acha?
