A/N: Viram só, nos capítulos anteriores todo mundo ficou falando: "você ama todos os capítulos..." e "todos os capítulos são os seus favoritos...", mas eu aposto com vocês que, esses últimos 3 capítulos são os favoritos de muita gente!! Sobre isso eu só posso dizer duas coisas, esperem pelos próximos capítulos!! O 37 e o 38, que são imensos, são tão bons, mas tão bons… Vocês não perdem por esperar!


A Cada Outra Meia-Noite

Capítulo 36: A Última Meia-Noite

"Nós temos que contar para ele." diz a Lily, depois que o James relata o encontro com o cachorro de três cabeças.

"E dizer o quê? 'Eu estava conversando com o Fofo um dia desses, e ele me disse a coisa mais estranha...'"

"Pára com isso. Nós não podemos não contar para ele. Ele tem que saber. Nós podemos estar colocando ele em mais perigo, por mantê-lo na ignorância."

"Nós podemos conversar com o Hagrid, contar para ele o que nós suspeitamos. Explicar como uma teoria, e fazer com que ele tome as precauções necessárias. Não é o plano ideal, mas é a única opção que nós temos."

"E o Dumbledore?"

"Nós podemos deixar o Hagrid contar para o Dumbledore. Talvez o diretor possa dizer o que ele deve fazer."

A Madame Pomfrey se sente levemente inoportuna quando ela 'bate' na cortina que envolve a cama do James. Nenhum som vem dela há quase uma hora, e ela assume que eles colocaram um feitiço silenciador em volta dela, para garantir a privacidade na qual ela sabe que está interrompendo agora.

"Hora de comer, Potter, você precisa de nutrientes."

O James olha para o prato que a Madame Pomfrey oferece, e entorta o nariz em desgosto. Ele dá uma mordida hesitante, e pensa que a Lily descreveu a comida de hospital bem acuradamente quando ela comparou a bosta de Hipogrifo.

"Melhor ir para a aula de Feitiços, Evans." diz o James, olhando para o relógio dele. A hora do almoço está terminando agora, e as aulas vão começar logo. "Tenha a certeza de passar na cozinha no seu caminho para comer alguma coisa." Ele espera que ela entenda que isso significa para ela trazer alguma comida comestível para ele também.

Tendo se reassegurado que ele está bem, ela sai para a aula de Feitiços. Ela realmente não deveria mais perder nenhuma aula. Ela vem perdendo muitas, nessas últimas semanas.

O Sirius está descendo a escada, enquanto ela está subindo. O James não tem aula depois do almoço, então ela deveria ter assumido que o Sirius iria visitá-lo.

O Sirius muda de direção para caminhar com ela até a aula. "Como está o namorado?" ele pergunta, tentando mascarar a preocupação dele com um golpe brincalhão nos sentimentos dela. A Lily ignora, ou melhor, confirma o comentário insolente do Sirius por responder.

"Ele está acordado, e passando bem. Eu acho que ele gostaria de te ver."

O rosto do Sirius muda para um sorriso aliviado. "Graças a Merlin por isso. Eu não sei o quanto ele te contou, mas não foi a culpa dele que o Fofo atacou. Eles estavam se dando relativamente bem, até ele se transformar de volta para a forma humana, para pegar a varinha dele. Eu acho que o Fofo deve tê-lo confundido por um Comensal da Morte. O Hagrid é o único 'homem' que ele realmente vê, seria natural para ele ver uma pessoa do tamanho normal em casacos pretos, e chegar a conclusão errada. Eu não acho que ele confie nas pessoas… Eu senti isso, você sabe, de cachorro para cachorro."

"Ele me contou; mas obrigada, Sirius." A Lily está satisfeita que o Sirius foi com ele, e teve senso o suficiente para fazer o que era necessário. Como o James havia dito, eles estavam discutindo o que tinha acontecido (embora seja levemente errado chamar isso de discutir. As comunicações entre os animais é muito diferente do que a fala humana, não tem palavras que possam descrever o processo) quando um grito distante o fez se transformar de volta em humano para pegar a varinha dele. Como o Hagrid não usa uma varinha (guarda-chuva rosa não conta), o Fofo associou isso com o casaco preto, com os únicos outros humanos que ele encontrou na floresta. Comensais da Morte. Sabendo que os Comensais da Morte machucaram o Hagrid, o Fofo não recebeu a forma humana do James com muita bondade. 'Rasgado em pedacinhos' foi a interpretação dramática do Sirius. Na verdade, o Fofo deu uma patada (bem como um gato), fazendo várias e longas aberturas pelo corpo dele, enquanto ele foi derrubado para o outro lado da clareira. O Sirius correu para o James, que agora já estava fora do alcance do Fofo, se transformou de volta, e levou o James imediatamente para a Ala Hospitalar. A Lily perguntou porque eles não ficaram àquela distância segura o tempo todo, mas o James respondeu que era muito distante para uma conversa desse jeito… como tentar gritar um para o outro de lados opostos de um campo de Quadribol. Pode ser feito com muito esforço, mas não é o melhor jeito. Por sorte, o Fofo ainda é um 'filhote'. Caso estivesse completamente crescido, aquele ataque poderia ter significado uma morte muito repentina e dolorosa. Em vez disso, é somente um ferimento muito repentino e doloroso.

"Então, o que vai acontecer agora?" pergunta o Sirius.

"Imediatamente? Eu vou para a aula. Mas nós decidimos uma boa conversa com o Hagrid vai acontecer hoje a noite. O James pode te contar mais, eu realmente tenho que ir." Eles estavam parados do lado de fora da sala de aula de Feitiços. Alguns poucos alunos correm para dentro (mas não antes de pararem para encarar o par, esperando ver sabe-se lá o quê).

"Certo então. Te vejo na cozinha hoje a noite para o jantar?" pergunta o Sirius, sem esperar a audiência deles saiam. A Lily dá um olhar 'vocês se importam?' para algumas garotas, e elas entram na sala de aula.

"Eu te vejo lá." ela responde, antes de seguir as garotas para dentro da sala de aula.


"Tudo certo, Pontas?" pergunta o Sirius casualmente depois de entrar na Ala Hospitalar, alguns minutos depois.

"Completamente, Almofadinhas! Nunca me senti melhor, exceto por um leve caso de halitose causado por essa coisa que estão enfiando pela minha garganta."

"Excelente, excelente."

"Como foi a aula?"

"Fora de série, como esperado. Você discutiu a aula com a Lily antes, ou ela é somente intuitiva por natureza?"

"Eu disse o assunto para ela, nada mais. Por que, ela explicou melhor que você?"

"Ela não estava na aula, cara. Foi o Ferris, Rupert Ferris que fez o discurso. Ele confessou, depois da aula, que ela havia explicado o assunto para ele na noite anterior."

"Ela não estava na aula?"

"Ela não passou da porta. Ela me viu, me ouviu explicando para a turma que você estava na Ala Hospitalar, e marchou diretamente para fora da sala."

"Quando eu acordei, ela disse que não estava aqui a muito tempo." O James achou que ela tinha somente vindo durante o almoço.

"Quatro horas não é muito tempo, é?" diz o Sirius, enquanto ele inspeciona as unhas dele diplomaticamente, dando um momento para o amigo dele esconder o sorriso, que automaticamente apareceu no rosto dele. Quando o Sirius olha, um instante depois, o James tem o sorriso estúpido dele quase que sobre controle.

"E falando na sua cara-metade, como estão as coisas?" O James atira um olhar levemente feio para o Sirius, mas responde de qualquer jeito, escolhendo não argumentar sobre o comentário da 'cara-metade'.

"Ela gritou comigo." ele diz. 'Vamos garota, me ajuda um pouco.' pensa o Sirius. Ela não deveria gritar com ele, ela deveria estar toda chorosa e preocupada, como ela estava com ele no corredor. Isso com certeza teria resultado em alguma ação do Pontas. Aparentemente a Evans não é romântica, mas o amigo dele ainda aparenta estar satisfeito com a memória. O Sirius treme mentalmente. 'O que quer que ferva a poção dele...' ele pensa.

O James dá ao Sirius um resumo da última semana, já que ele não o espelhou. Estranho, isso. O James sempre foi rápido para pegar o espelho, para discutir qualquer coisa remotamente problemática. No passado, o James teria espelhado logo depois daquela aula terrível com o Profeta e o bicho papão, mas ele não espelhou. Em vez disso, ele conversou com a Lily. Esse pensamento é tanto excitante quanto desanimador.

"Uma pena que o Fofo não poderia saber os nomes deles. Sabia, eu acho que o Hagrid tem razão sobre ele, ele é uma coisinha realmente doce quando você o conhece. Eu quero dizer, ele protegeu o Hagrid dos Comensais da Morte."

"Ah, sim, um verdadeiro coelhinho fofinho." diz o James, apalpando cuidadosamente os lados dele. "Mas eu devo dizer que ele é um senhor cão de guarda."


A Lily está na cozinha, depois da aula de Feitiços, tentando escolher qual das comidas favoritas do James é a mais fácil para contrabandear para dentro da Ala Hospitalar. Ela morde uma coxinha de galinha, enquanto espera a comida dele ser preparada, e então a descarta no momento que a comida do James está pronta. Ela quer entregar para ele o mais rápido o possível, e a mãe dela a ensinou a não andar e comer ao mesmo tempo (porque somente os animais roçam). Uma regra de etiqueta antiga e boba, mas como muitas das regras que ela recebeu quando era muito nova para protestar, ficou com ela.

"Ah, Srta. Evans, eu estou feliz que você chegou." diz a Madame Pomfrey, no momento que a Lily entra na Ala Hospitalar (com uma pequena cesta de comida escondida atrás das costas dela). "Eu preciso ir até as estufas para falar rapidamente com a Professora Sprout. Você pode tomar conta da Ala Hospitalar enquanto eu estiver fora? Eu não devo demorar."

"Certamente."

"Se qualquer coisa séria aparecer, você sabe aonde me encontrar." ela diz, enquanto sai pela porta.

"Bom, isso foi sorte. Agora você não tem que se preocupar sobre comer escondido, quando ela estiver de costas, como eu tive." ela diz, entregando o almoço dele.

"Maravilhoso, excelente, garota geniosa." diz o James, enquanto come alegremente o seu banquete miniatura de comida de verdade.

A Lily imagina justamente quanto sensível as feridas dele estão. Ela está tentada a dar um daqueles abraços 'eu estou feliz que você não está morto' nele, mas ela não quer arriscar machucá-lo.

A Madame Pomfrey retorna mais tarde (depois que a evidência incriminante de comida externa foi destruída) e deu um resumo para a Lily de como tomar conta do James.

"As ataduras dele no mínimo só vão ser retiradas na sexta-feira. Até então, elas vão precisar ser trocadas e recolocadas diariamente. Certifique-se de começar de baixo e ir subindo até em cima. Aqui, eu vou te mostrar como." diz a Madame Pomfrey, desabotoando a camisa do pijama do James, e fazendo ele estender os braços como um espantalho. "Do que você está rindo, Potter?" ela pergunta friamente.

"Eu só estou pensando por que você está dizendo isso tudo para ela, em vez de contar para mim." ele observa divertido.

"Porque então eu vou saber que foi feito corretamente. A Srta. Evans mostrou um interesse e uma aptidão para ser uma curandeira." Isso, e ela acha que ele ficaria muito relutante em voltar para a Ala Hospitalar toda vez que ele precisasse trocar, ou recolocar as ataduras dele. Ela sabe que ele vai ficar mais disposto a fazer isso, se a Srta. Evans estiver fazendo, em vez de desistir e jogar tudo no lixo no dia seguinte.

Então, o James fica sentado ali, com os braços esticados enquanto a Madame Pomfrey retira e recobre os ferimentos dele para mostrar a Lily, que então tenta copiar o que ela foi ensinada. Ele não consegue deixar de perceber que, enquanto as mãos da Madame Pomfrey são mais rápidas e mais eficientes, as da Lily são mais quentes, suaves, e gentis. Ele prefere a última qualquer dia.


A Lily vai para a cozinha para o jantar, como ela havia prometido ao Sirius. Ele está esperando pacientemente, quando ela chega, tomando um cálice de vinho.

"Aí está você, cariad. Eu estava começando a pensar que tinha tomado um bolo."

"Não, não tomou. Você sabia que eu viria. Você só está tentando me sentir culpada por estar atrasada."

O Sirius solta um latido de uma risada. "Não consigo deixar nada passar despercebido por você, não é?"

"Eu espero que não. Eu não gosto nenhum pouco da idéia de ser susceptível as farsas da sua pessoa." Isso tem o potencial de ser uma avaliação cruel, mas o jeito que ela disse isso, faz soar como o maior dos elogios. O Sirius sorri ao elogio.

"E como que você descreve a minha pessoa?"

"Aah… pescando por elogios agora, é?"

"Seja uma boa menina, e faça a minha vontade."

"Você é o tipo de homem cuja personalidade é tão cativante, a aparência é tão hipnotizante, e o carisma é tão viciante, que você poderia, não, iria, não, provavelmente galanteia com sucesso qualquer mulher que você quer."

"Ah, não pára, você está fazendo um esplêndido trabalho." ele encoraja.

"Muito bem, você pode controlar e manipular quase que todo mundo, para fazer quase que tudo que você queira."

"Mmhmm..."

"E essa é a sua verdadeira força."

"Sim, sim..."

"E a sua verdadeira fraqueza."

"O quê? Lily, você fugiu do objetivo do exercício."

"Bem, isso precisava ser dito. É muito melhor quando você não seduz as pessoas para fazerem o que você quer, mas que elas façam isso quando verdadeiramente querem te ajudar."

"Qual é a diferença?"

"Alguém que faça algo só para você gostar deles, não é uma fonte segura de alguma pessoa que vai te ajudar consistentemente porque eles se importam."

"Várias pessoas se importam comigo. Eu recebo cartas toda semana, de mulheres declarando o amor delas por mim."

"Para o que serve esse amor, tanto para você, quanto para elas? Se realmente é amor, o que eu duvido. É somente uma paixão tola, uma obsessão que logo vai passar. Em um piscar de olhos, você preferiria ter alguém que realmente se importa com você, ao seu lado. Alguém que você realmente se importa com."

"Merlin, Evans, você sabe como tornar uma conversa decente, em sentimental, em uma frase. Um talento excelente, eu tenho certeza, mas desanimador para os seus parceiros de conversar mais sensíveis, como eu."

"Perdoe-me, Sirius, será que eu devo te contar uma piada suja, para fazer você se sentir melhor?"

"Não, está tudo bem. Vamos mudar de assunto, ok?"

"Muito bem. Eu recebi uma coruja do Moody no sábado."

"E o que o velho Olho Tonto tem a dizer?"

"O julgamento do John está pendente indefinidamente, assim como o dos pais dele."

"Bom."

"Mas se o julgamento deles foi protelado, quem sabe de quantos outros também vão ser."

"Qual é o seu ponto?"

"Não é justo, os prisioneiros sendo mandados para Azkaban sem um julgamento..."

"Quem se importa? Eu diria para a gente deixar os vermes cozinharem na própria sujeira deles."

"Você não estaria dizendo isso se fosse você."

"Bom, não sou eu, não é?"

"Seu bruto egoísta. Tenha um pouco de decência e justiça!"

"Não posso. Vai contra os meus princípios, concedendo que eu tenha algum. Melhor, diria que vai contra a minha falta de princípios."

"Se você não tem princípios, então por que você quis ser um auror?"

O Sirius pensa que com certeza tem um problema em não ser capaz de deixar nada passar despercebido por ela. "Eu posso ter tido, em alguma época, eu acho." ele diz, de dentes cerrados.

"Se é assim que você se sente, então eu me arrependo de te convidar para a Ordem. Um jogador sem princípio, ou fraco, pode ser uma responsabilidade perigosa para todos."

"Você pode ser bem irritante as vezes, sabia disso?"

"Porque eu não te digo sempre o que você quer ouvir. Por que você não admite simplesmente que você tem princípios, fortes, bons, para ter orgulho deles? Você não tem que ter vergonha deles, a não ser que você seja muito covarde para fazer qualquer coisa com eles, mas nós dois sabemos que esse não é o caso..." ele pausa por um momento, para olhar para os sapatos dela. Ela parece envergonhada repentinamente. Talvez ela ache (com razão) que ela irritou o Sirius com o desvairo dela. "Mas se você quer continuar a esconder a sua bondade, então o seu segredo está a salvo comigo."

O Sirius coloca uma mão no topo da cabeça dela.

"Fechado." A Lily olha para ele, causando a mão do Sirius escorregar para a frente, bagunçando o cabelo dela em um jeito infantil bonitinho.

"Você sabe o que é surpreendente? Eu estou na verdade, muito satisfeito em ouvir você dizer isso. Eu sei que é besteira, mas eu sinto como se eu tivesse você para mim, de algum jeito."

"Bem, cariad, de certa forma, você tem."

A Lily sorri timidamente.

"Você é muito bonitinha." ele diz, bagunçando o cabelo dela, mais ainda. Ele decide que fazer a garota ficar vermelha é uma boa diversão. Ele simplesmente não pode deixar de adicionar, "E eu tenho certeza que o Pontas também acha isso."

Sucesso. Sucesso completamente adorável e previsível. "Sirius, nós já conversamos sobre isso..." ela diz, com as bochechas com uma coloração charmosa de rosa.

"Nós conversamos, cariad. Mas as coisas mudam. Não negue que você espera que elas mudem."

"Você bebeu muito vinho." ela acusa, tentado explicar o relato descarado dele com a embriaguez dele.

"O quê? Você é permitida cutucar e espetar no meu caráter, e me deixar desconfortável, mas você não deixa eu fazer a mesma coisa? Não é muito correto, não é?"

"Só não diga nada para o James, por favor?"

"Não sonharia em fazer isso."

"Eu não estou brincando, Sirius, uma palavra e eu vou..."

"Sim, sim, certo, tudo bem. Estrague a diversão de nós dois. Você age como se não quisesse ficar com ele."

"Sirius!" ela diz, soando escandalizada.

"O quê? Você não seria a primeira..."

"Eu preciso de mais vinho." diz a Lily, balançando a cabeça.

"Não se preocupe, cariad. Eu vou manter o seu segredo. É como se eu tivesse você para mim, de algum jeito..." ele diz em um tom musical que não combina com a fala lenta usual dele. A Lily sabe que aquela foi uma personificação da voz dela.

"Vai a merda, Black." ela diz, se forçando não sorrir.


Naquela noite, a Lily espera na porta da entrada pelo Hagrid (ela mandou a Ebony para ele mais cedo dizendo que o James não poderia vir). Ela precisou de muita contenção para não contar tudo para ele naquele momento, mas ela resiste. Ela vai esperar pelo James, e contar para ele a meia-noite, como eles haviam planejado. Não tem como tirar o James da Ala Hospitalar antes da Madame Pomfrey ir dormir, então a meia-noite é a melhor opção. Embora a Lily não goste da idéia do James ficar fora da cama, quando ele não deveria estar, ela sabe que ela não tem direito nenhum de reclamar, porque ele iria jogar de volta na cara dela, caso ela reclamasse.

"Então, como estão os Testrálios, Hagrid?" ela pergunta, tentando fazer uma conversa fútil.

"Estão melhorando. A maior parte deles já se recuperaram. Mas parece que alguns estão sumidos."

"Alguns estão sumidos?" ela pergunta nervosamente.

"É, quatro deles sumiram. Eu não sei o que pode ter acontecido com eles." diz o Hagrid, igualmente preocupado, mas por razões diferentes.

"Isso… não é bom." ela diz, desejando que o James estivesse com ela aqui agora. Ela se conforta acariciando o pelo prateado do Mercúrio. Ela vai ter que deixar ele ir logo, mas como ela pode fazer isso? Como ela pode jogá-lo de volta na floresta, junto com os da espécie dele, quando ela sabe qual mal que pode estar ali? Como qualquer pai consegue deixar um filho fora de vista, em uma época como essa?

"Não é costume deles fugirem, eles são criaturas muito leais, e Hogwarts é um dos poucos lugares que eles podem viver com segurança. A maior parte das pessoas não gosta de vê-los, não os quer por perto."

A Lily se força a não contar. Ela não vai dizer nada.

"Eu não quero mudar de assunto, Hagrid." ela mente, porque isso é precisamente o que ela deseja fazer. "Mas quanto tempo falta para deixarmos o Mercúrio ir?"

"Oh, eu acho que ele poderia ir agora, caso ele queira."

"Mercúrio?" ela pergunta, consultando o unicórnio no que ele prefere fazer. Como resposta, ele simplesmente pulou sobre a cerca do cercado dele, e correu para dentro da floresta, sem um som ou um aceno com a cabeça de adeus. Se foi. A Lily quer ser abster de chorar. Ela funga, mantendo as lágrimas firmemente nos olhos dela, sem piscar, não as permitindo cair.

Repentinamente, o unicórnio reaparece, pulando de volta para o cercado dele. Ela não consegue impedir. Ela pisca em surpresa, e consequentemente esmaga as lágrimas para fora dos olhos dela, e as deixa cair pelas bochechas. Ela envolve os braços dela em volta dele, apertando-o levemente. Ela não precisa ser uma corça para entender o que ele quer dizer. Ele pode ir embora, mas ele vai voltar.

"Certo, garoto. Eu vou vir te visitar freqüentemente, mas você tem que me prometer que vai ficar seguro." ela diz, sabendo que isso é uma coisa impossível para pedir para qualquer pessoa. O Mercúrio balança a cabeça para cima e relincha. "Eu vou voltar a meia-noite." ela diz para ele, acariciando o pescoço dele.

O Hagrid a acompanha de volta para o castelo com a segurança que ele vai ficar acordado para encontrar com eles mais tarde. Ela se despede, e entra, caminhando de volta para a Ala Hospitalar, limpando as últimas lágrimas.

"Você esteve chorando." diz o James abruptamente, quando a vê.

"Bem deduzido." ela diz sarcasticamente. Ela parou de chorar antes de entrar na Ala Hospitalar, mas ela não teve a oportunidade de olhar o rosto dela no espelho. Ela provavelmente está com uma aparência medonha. O James olha para a curandeira, e levanta as sobrancelhas. A Madame Pomfrey entende isso como a dica dela para ir embora, então ela sai.

"O que foi?" ele diz, colocando mais sentimentos na voz dele dessa vez.

"Não é nada, mesmo."

O Potter pigarreia de forma significativa. "Eu me lembro que você fez uma promessa, a algumas noites atrás… O que foi mesmo? Os detalhes me escapam." ele diz, indicando claramente que ele se lembra muito bem dos detalhes, e que ela está desconsiderando a promessa dela. Ela suspira derrotada, e então se senta na cama, ao lado dele.

"Vai soar besteira agora, mas hoje a noite é a minha última noite para alimentar o Mercúrio, e por um momento, eu achei que ele tinha ido embora e que não ia voltar mais..." As malditas lágrimas estão ameaçando reaparecer. "Você viu o que aconteceu com os pais dele, James!"

"Eu sei."

Não tem muito a ser dito nesse assunto, e o pouco que poderia não vale a pena ser dito, então ela muda de assunto.

"Quatro testrálios desapareceram misteriosamente." ela diz seriamente.

"Ah, ótimo..." diz o James soando estar lastimável. "Essa vai ser uma noite muito boa..." ele diz sarcasticamente.


"Hagrid, tem algo que nós gostaríamos de discutir com você." começa o James, cuidadosamente.

"O quê?"

"Você sabe Hagrid, que o Lorde das Trevas está continuando a aumentar o exército dele, e está sempre procurando por armas poderosas e intimidantes?" diz a Lily.

"É claro."

"E criaturas mágicas também?" continua o James.

"É por isso que o Dumbleore queria que a gente avisasse os centauros da floresta." ele responde concordando.

"Bom, e se..." começa a Lily, mas ela não quer ser a primeira a dizer isso.

"Nós achamos que o Lorde das Trevas, ou os seguidores dele, tem um interesse nos seus… é… bichinhos."

"Por quê?"

"Nós acabamos de dizer. Você-sabe-quem está montando um exército, com uma legião de criaturas das trevas e poderosas, com as quais ele possa assustar, intimidar e coagir. E bem, Hagrid, você é bem famoso pelo sua coleção de criaturas fantásticas."

"Não, você não está dizendo que você-sabe-quem está atrás..."

"Isso é exatamente o que nós estamos dizendo." diz a Lily. Então ela adiciona suavemente, quase com vergonha pelo Hagrid, por dizer isso na frente do James. "Não se esqueça, Hagrid. Têm várias pessoas aí fora, comensais da morte, e não comensais da morte, que acreditam que você foi o responsável por aquela tragédia no seu segundo ano. Que você possui e controla um monstro que mata os nascidos trouxas..." Sendo nascida trouxa, e sendo amiga do Hagrid, esse pensamento a faz tremer com raiva suprimida e indignidade.

"Você acha… que eles podem estar atrás de mim por causa disso?"

"Vamos, Hagrid, isso é tão surpreendente assim? Testrálios, Acromântulas, Fofo, Explosivins, e incontáveis outros! Parece que você tem um acúmulo inteiro de criaturas das trevas a sua disposição. Para alguém que queira construir uma legião terrível de criaturas intimidantes, a sua coleção seria muito tentadora."

"Eles não são criaturas das trevas!" ele defende.

"É claro que nós sabemos disso, Hagrid, mas esse não é o ponto. Com certeza você deve ver como você é atraente para os propósitos do Lorde das trevas. Por que ele gostaria de ter você ao lado dele."

"Eu jamais vou..."

"Nós sabemos que você jamais iria voluntariamente, mas existem outras maneiras. Ou talvez ele vai deixar você e pegar os animais. Como o Fofo ou… ou os testrálios..."

O Hagrid entende o que eles estão querendo dizer.

"Vocês acham que eles estavam na verdade atrás do Fofo naquela noite."

"Sim." diz o James firmemente.

"E eles pegaram os testrálios, e estão atrás de todos os outros." a voz o do Hagrid está profunda e fixa.

"Sim." expressa a Lily tentando consolá-lo.

O silêncio prevalece por vários instantes inoportunos, antes que o Hagrid solte um grito de frustração, que teria feito justiça aos seus parentes de tamanho gigante, e corre como um trovão para dentro da floresta sozinho. O Mercúrio, assustado pelo som aterrorizador, corre na direção oposta, e tanto o unicórnio quanto o gigante estão longe deles, na floresta… sozinhos.

A Lily se move para ir atrás de um dos dois, ela não sabe qual dos dois, mas o James coloca um mão no ombro dela, e balança a cabeça dele.

"Mas..." ela implora.

"Não… deixe-o ir. Ele provavelmente foi checar cada uma das criaturas da floresta."

"Mas, James, foi assim que ele foi atacado da última vez!"

"Eu não acho que nada possa pará-lo agora..." diz o James decisivamente.

Não foi assim que ele queria que a última meia-noite deles fosse…

A Lily fica parada ali, olhando para as profundezas escuras da floresta, procurando por qualquer sinal de pêlo prateado, ou altura gigante, mas ela não vê nada além de quietude e silêncio. Estranho para a Floresta Proibida, que sempre está se movendo ou fazendo sons misteriosos. A quietude a preocupa. A imaginação terrível dela a diz que é porque tudo está se escondendo, porque eles sabem que alguma coisa terrível está vagando por ali.

"Vamos." diz o James, colocando um braço em volta dos ombros dela, direcionando-a de volta.

Eles caminham silenciosamente de volta para o castelo, e sobem as escadas para o quarto da Lily. O James não acende a lareira. Eles simplesmente cruzam a sala comunal, e entram no outro quarto.


Esse não é o fim da fic, somente a última meia-noite!! Ainda tem MUITA coisa para acontecer!! Bom, próximo capítulo é ótimo, como sempre, mas imenso. São em torno de 30 páginas, sendo o maior até agora. Vamos ver se eu consigo postá-lo amanhã. Eu tremo com o de depois de amanhã, que tem mais de 40 páginas!! Aiaiai meus dedinhos…

Ahh sim, capítulo que vem temos o Remus aparecendo...