Memória XXXV: Palavras Cruzadas

Donos: Remus Lupin & Emmeline Vance

Música: Theatre of Tragedy - ...A Distance There Is...


Quantas vezes é preciso repetir o mesmo erro até que ele se torne um acerto?


Meu sobrenome me irrita um pouco. Não que eu simplesmente não goste de minha família: longe disso. O que acontece é que o sobrenome Lupin, para mim, é um tanto quanto descarado. Estranho é ouvi-lo na boca dos outros: parece uma acusação. "É ele! Lupin!" Acredite, não é divertido o seu nome ser uma brincadeira com sua condição. Sirius também... Aliás, ele deve gostar de ser chamado de cachorro. Ou gostava. Enfim...

Minha vida estava legal. Mas eu insisto, sou um cabeça dura de merda que não pode ficar feliz. Pelo menos é o que James e Lily me disseram. Eu simplesmente abaixo minha cabeça toda vez que eles falam isso. No fundo, eu sempre soube que era verdade. Por que eu ainda me preocupo com isso? Não está na hora de eu pensar um pouco em mim? Abandonar minhas malditas preocupações?

Sim, eu briguei com a Emme de novo. Lua cheia, hormônios... Quem sabe. Tantas desculpas que, dessa vez, eu não sei se realmente acredito nelas. Talvez eu simplesmente continue esse otário egocêntrico, às palavras de Sirius, que não consegue pensar no que os outros estão sentindo. E quando Sirius diz isso, realmente alguma coisa deve estar errada.

Como eu posso errar tanto? Eu erro tentando evitar erros. Realmente deve haver algo errado comigo, porque eu sou o tipo de pessoa que para de dançar para não pisar no pé de ninguém. Mas sempre esqueço que também tenho pés e que também podem ser pisados no meio da multidão. Esqueço que também tenho o direito de dançar. Mas dessa vez eu simplesmente não posso chegar na Emme e dizer "sinto muito". Eu simplesmente não posso dizer que tudo aquilo que falei foi apenas para afastá-la de mim.

Dessa vez eu consegui: eu realmente afastei-a de mim.


Nunca pensei em Remus como algo além do que ele é: uma pessoa amável, cheia de zelos, companheira... E talvez por isso eu sempre me esqueça de vestir minha armadura durante as luas cheias. Sei que ele fica irracional, mas dessa vez ele simplesmente racionalizou demais.

Ele não é tudo aquilo que ele disse. Tampouco é tudo aquilo que eu disse. Ele não é uma arma que pode disparar a qualquer momento, nem mesmo um babaca estourado. Nós dois perdemos a cabeça e nos perdemos no meio dessas palavras cruzadas. Nos enchemos de adjetivos que nunca deveriam ser ditos.

Eu sou uma estúpida. Ele é um estúpido. Talvez seja por isso que as coisas quase sempre dão certo entre nós. Assim como a Lene com o Sirius, ou a Lily com o James. Ambos possuem diferenças — e muitas —, mas suas semelhanças conseguiram aproximá-los. E então as diferenças fizeram deles o que são hoje: apaixonados.

Como as nossas diferenças poderão nos apaixonar se toda vez que elas aparecem, simplesmente começamos a brigar? Eu não sei... Na verdade, talvez essas "diferenças" sejam as nossas semelhanças. Engraçado isso... Nós realmente somos estúpidos.


N/A: Depois de algum tempo, venho postar. Confesso que mal olhei meus projetos durante o carnaval. Bom, cá estou e peço que continuem lendo. Pretendo postar com mais frequência. Pretendo, não garanto que conseguirei.