Demorei de novo? kk
Sorry!
Capitulo passado teve poucos comentários! :(
Mas obrigada aos quem continua acompanhando a fic, quem comenta por aqui!
então sem enrolação!
Enjoy, Kids!
Ps: Não revisei o capitulo, com toda certeza deve ter erros. desculpe!)
Ryder fala em sua manga novamente.
- Puck, a Srta. Fabray entrou no apartamento. – Ele tem um sobressalto, afastando o fone da orelha, provavelmente recebeu uma bronca de Puck.
Ah, não, se Puck está preocupado...
- Por favor, deixe-me entrar – imploro.
- Desculpe, Srta. Berry. Isso não vai demorar muito. – Ryder ergue as mãos em um gesto defensivo. – Puck e os outros estão entrando agora.
Ah, sinto-me tão impotente. Imóvel, permaneço escutando, avida pelo menor ruído, mas tudo o que ouço é minha respiração acelerada. Está alta e curta, meu couro cabeludo coça, minha boca está seca, e eu me sinto fraca. Por favor, que Quinn esteja bem, rezo em silêncio.
Não tenho ideia de quanto tempo se passou, e continuamos sem ouvir nada. Claro que o fato de não haver som algum é bom: não há tiros. Começo a caminhar ao redor da mesa no saguão e a examinar as pinturas nas paredes para me distrair.
Nunca tinha olhado de verdade para elas antes: são todas figurativas, todas religiosas – Nossa senhora com menino, em todos os dezesseis quadros. Que estranho.
Quinn não é religiosa, é? Todos os quadros na sala de estar são pinturas abstratas, já estão tão diferentes. Mas eles não me distraem por muito tempo. Onde está Quinn?
Olho para Ryder, e ele me observa, impassível.
- O que está acontecendo?
- Sem noticias, Srta. Berry.
De repente, a maçaneta se move. Ryder vira-se com um salto e saca a arma do coldre no ombro.
Fico paralisada. Quinn aparece na porta.
- tudo certo – diz ela, franzindo a testa para Ryder, que baixa a rama depressa e dá um passo para trás para me deixar entrar. – Puck está exagerando – resmunga Quinn ao me estender a mão.
Fico ali de pé, olhando para ela, incapaz de me mover, assimilando cada pequeno detalhe: o cabelo rebelde, a tensão ao redor dos olhos, a mandíbula rígida, os dois primeiros botões da camisa abertos. Acho que devo ter envelhecido uns dez anos. Quinn franze a testa para mim, preocupada, o olhar sombrio.
- Está tudo bem, baby. – Ela se move na minha direção, envolvendo-me em seus braços e beijando meu cabelo. – Vamos lá, você está cansada. Cama.
- Eu fiquei tão preocupada – digo, regozijando-me em seus braços e inalando o perfume doce, a cabeça em seu peito.
- Eu sei. Estamos todos nervosos.
Ryder sumiu, presumivelmente está dentro do apartamento.
- Cá entre nós, essas suas ex-namoradas estão se mostrando um desafio e tanto, Srta. Fabray – murmuro ironicamente.
Quinn relaxa.
- Sim. Estão.
Ela me solta e segura minha mão, conduzindo-me ao longo do corredor até a sala de estar.
- Puck e sua equipe estão verificando todos os closets e armários. Não acho que ela esteja aqui.
- Por que estaria? – Não faz sentindo.
- Pois é.
- Ela conseguiria entrar?
- Não vejo como. Mas Puck às vezes é cuidadoso demais.
- Você já conferiu o quarto de jogos? – sussurro.
Quinn me olha de soslaio, a testa enrugada.
- Já, está trancado, mas Puck e eu checamos.
Respiro fundo para me acalmar.
- Você quer uma bebida ou alguma coisa? – pergunta Quinn.
- Não. – O cansaço toma conta de mim, tudo o que eu quero é ir para cama.
- Venha. Deixe-me colocar você na cama. Você parece exausta. – A expressão de Quinn se suaviza.
Franzo a testa. E, ela, não pretende dormir também? Será que ela quer dormir sozinha?
Fico aliviada quando ela me leva para seu quarto. Coloco a minha carteira sobre a cômoda e a esvazio. Dou uma olhada no bilhete de Mrs. Robinson.
- Aqui – entrego-a a Quinn. – Não sei se você quer ler isso. Eu prefiro ignorar.
Quinn dá uma olhada rápida e contrai a mandíbula.
- Não sei bem que duvidas ela poderia esclarecer – diz com desdém . – Preciso falar com Puck. – Ela olha para mim. – Deixe-me abrir seu vestido.
- Você vai dar queixa do carro para policia? – pergunto, virando-me de costas.
Ela afasta meu cabelo e abre o zíper, os dedos roçando de leve em minhas costas nuas.
- Não. Não quero envolver a policia. Ashley precisa de ajuda, não de intervenção policial, e não quero a policia aqui. Só precisamos redobrar nossos esforços para encontrá-la. – Ela se inclina e beija meu ombro com carinho. – Vá para acama – ordena ela, deixando o quarto.
EU ME DEITO, olhando para o teto, esperando que ela volte. Aconteceu tanta coisa hoje, há tanto para assimilar. Por onde começar?
Acordo num sobressalto, desorientada. Estava dormindo? Piscando por causa da luz tênue vinda do corredor, que invade o quarto pela porta entreaberta, percebo que Quinn não está comigo. Onde ela está? Ergo os olhos. Há uma sombra de pé a beira da cama. Uma mulher, talvez? Vestida de preto? É difícil dizer.
No meu estado confuso, estico-me e acendo a luz da cabeceira. Volto a olhar, mas não há ninguém ali. Balanço a cabeça. Será que foi só a minha imaginação? Um sonho?
Sento-me e passo os olhos pelo quarto, um mal-estar indistinto e insidioso tomando conta de mim, mas estou realmente sozinha.
Esfrego o rosto. Que horas são? Onde está Quinn? O despertador marca duas e quinze da manhã.
Saio da cama meio tonta e começo a procurá-la, desconcertada por minha imaginação fértil. Dei para ver coisas agora. Deve ser uma reação aos ventos dramáticos da noite.
A sala está vazia, exceto pela luz que emana dos três lustres sobre o balcão de café da manhã. Mas a porta do escritório de Quinn está entreaberta, e eu a ouço ao telefone.
- Não sei por que você está me ligando a esta hora. Não tenho nada a dizer para você também... bem, pode me contar agora. Não precisa deixar recado.
Fico imóvel junto à porta, sinto-me culpada por estar escutando. Com quem ela está falando?
- Não, escute você. Eu já pedi, estou mandando. Deixe-a em paz. Ela não tem nada a ver com você. Entendeu?
Ela soa agressiva e irritada. Hesito em bater.
- Eu sei que você se preocupa. Mas estou falando sério, Charlize. Deixe-a em paz, merda. preciso dizer uma terceira vez? Você está me ouvindo?... Ótimo. Boa noite. – Ela bate o telefone na mesa.
Merda. Bato de leve na porta.
- O que foi? – Rosna Quinn, e a minha vontade é de correr e me esconder.
Ela está sentada atrás da mesa, a cabeça entre as mãos. Ergue o olhar, com uma expressão feroz no rosto que se suaviza logo que me vê. Seus olhos estão arregalados e cautelosos. De repente, ela parece muito cansada, e meu coração se comprime.
Ela pisca, descendo o olhar ao longo de minhas pernas e voltando até meu rosto. Estou usando uma de suas camisetas.
- Você só devia usar cetim ou seda, Rachel. – Ela solta um suspiro. – Mas até com minha camiseta fica linda.
Ah, um elogio inesperado.
- Senti sua falta. Venha para cama.
Ela levanta lentamente da cadeira, ainda está com a camisa branca e a calça preta do smoking. Mas agora seus olhos estão brilhando, cheios de promessas... ainda que haja também um resquício de tristeza. Ela está diante de mim, encarando-me atentamente sem me tocar.
- Você sabe o que significa para mim? – murmura ela. – Se alguma coisa acontecesse com você por minha causa... – Sua voz diminui, e sua testa se franze, a dor que perpassa seu rosto é quase palpável. Ela parece tão vulnerável, seu medo tão aparente.
- Nada vai acontecer comigo. – Eu a tranquilizo, mantendo a voz calma. Acaricio seu rosto, correndo os dedos pelo seu queixo.
Traço a linha de seu lábio inferior, em seguida, corro os dedos até a base do pescoço, para a mancha leve de batom que começa a desaparecer. Ela me olha, ainda sem tocar, e entreabre os lábios. Corro o indicador ao longo da linha, e ela fecha os olhos. Sua respiração suave se acelera. Meus dedos encostam em sua camisa, e desço a mão para abrir o próximo botão ainda fechado.
- Não vou tocar em você. Só quero abrir sua camisa – sussurro.
Ela arregalo os olhos e me encara assustada. Mas não se move nem me interrompe. Muito lentamente, abro o botão, mantendo o tecido longe de sua pele, e desço a mão com cuidado até o próximo botão, repetindo o processo devagar, concentrando-me no que estou fazendo.
Não quero tocá-la. Bem, quero tocá-la... mas não vou fazer isso. No quarto botão, a linha vermelha reaparece, e eu sorrio timidamente para ela.
- De volta a território seguro. – Corro os dedos ao longo da linha antes de abrir o último botão. Abro sua camisa e passo para os punhos, tirando as abotoaduras prestas de pedra polida, uma de cada vez. – Posso tirar sua camisa? – pergunto, em voz baixa.
Ela faz que sim com a cabeça, os olhos ainda arregalados, enquanto desço a camisa por seus ombros. Ela solta as mãos e então parada à minha frente, da cintura pra cima apenas com o sutiã. Sem camisa, parece recuperar o equilíbrio. Sorri para mim.
- E minha calça, Srta. Berry? – pergunta, levantando uma sombrancelha.
- No quarto. Quero você na sua cama.
- Quer, é? Srta. Berry, você é insaciável.
- Não imagina por quê. – Seguro a mão de Quinn, puxo-a para fora do escritório e a levo até o quarto. Está frio dentro do cômodo.
- Você abriu a porta da varanda? – pergunta ela, franzindo a testa para mim ao entrar.
- Não. – Não lembro de ter feito isso. Lembro-me de ter dado uma olhada ao redor do quarto ao acordar. Definitivamente, a porta estava fechada.
Merda... Todo o sangue foge do meu rosto, e encaro Quinn, boquiaberta.
- O que foi? – pergunta ela, olhando para mim.
- Quando acordei... tinha alguém aqui – sussurro. – Pensei que eu tivesse imaginando coisas.
- O quê? – Ela me olha horrorizada, corre para porta da varanda e dá uma olhada para fora, em seguida entra de novo no quarto e tranca a porta atrás de si. – Tem certeza? Quem? – pergunta, a voz firme.
- Uma mulher, acho. Estava escuro. Eu tinha acabado de acordar.
- Vista-se – rosna ela para mim. – Agora!
- Minhas roupas estão lá em cima – choramingo.
Ela abre uma das gavetas da cômoda e puxa uma calça de moletom.
- Coloque isto.
A calça é grande demais, mas é melhor não discutir com ela agora.
Ela pega uma camiseta e a veste depressa. Agarrando o telefone na mesinha de cabeceira, aperta dois botões.
- Ela ainda está aqui, porra – sussurra ao telefone.
Aproximadamente três segundos depois, Puck e um dos seguranças adentram o quarto. Quinn faz um resumo detalhado do que aconteceu.
- Faz quanto tempo? – pergunta Puck, encarando-me de forma profissional. Ainda está de paletó. Será que esse homem nunca dorme?
- Cerca de dez minutos – murmuro, sentindo-me culpada por algum motivo. – Ela conhece o apartamento como a palma da mão – diz Quinn. – Vou sair com Rachel. Ela está escondida em algum lugar aqui dentro. Encontre-a. Quando Mercedes volta?
- Amanhã à noite, senhora.
- Ela não deve voltar até que este lugar esteja seguro. Entendido? – diz Quinn
- Sim, Senhora. A Senhora vai para Belleveu?
- Não vou levar esse problema para a casa dos meus pais. Faça um reserva para mim em algum lugar.
- Certo. Eu ligo para a Senhora.
- Não estamos todos exagerando um pouco? – pergunto.
Quinn olha para mim de cara feia.
- Ela pode ter uma arma – rosna.
- Quinn, ela estava ao pé da cama. Teria atirado em mim naquele momento, se quisesse mesmo fazer isso.
Quinn faz uma pausa para assumir um instante, talvez para conter a raiva. Numa voz ameaçadoramente baixa, ela diz:
- Não estou preparada para assumir o risco. Puck, Rachel precisa de sapatos.
Quinn entra em seu closet e o segurança fica de vigia. Não consigo me lembrar o nome dele... Ele me olha alternadamente para o corredor e para a porta da varanda. Quinn retorna dois minutos depois com uma bolsa de couro, vestindo um calça jeans e o paletó de risca de giz. Ela coloca uma jaqueta jeans sobre meus ombros.
- Venha. – Ela aperta minha mão com força, e eu praticamente tenho que correr para acompanha-la até a sala de estar.
- Não acredito que ela poderia se esconder aqui dentro – murmura, olhando para fora pela porta da varanda.
- O lugar é grande. Você ainda não viu tudo.
- Por que você não liga para ela... não diz que quer conversar?
- Rachel, ela está instável, e talvez armada – diz ela, irritada.
- Então a gente simplesmente foge?
- Por enquanto, sim.
- E se ela tentar atirar em Puck?
- Puck conhece e entende de armas – diz, com desgosto. – Vai ser mais rápido do que ela.
- Leroy foi do exercito. Ele me ensinou a atirar.
Quinn ergue as sobrancelhas e por um momento parece perplexa.
- Você, com uma arma? – pergunta, incrédula.
- Sim – digo, ofendida. – Sei atirar, Srta. Fabray, então é melhor tomar cuidado. Não é só com as suas ex-submissas que precisa se preocupar.
- Vou me lembrar disso, Srta. Berry – responde ela secamente, mas acha graça, e é bom saber que mesmo nesta situação ridiculamente tensa, sou capaz de fazê-la sorrir.
Puck nos encontra no saguão de entrada e me entrega uma pequena mala e meu all star preto. Fico surpresa de que tenha separado algumas roupas para mim. Sorrio timidamente para ela com gratidão, e seu sorriso de resposta é rápido e tranquilizador. Antes que eu possa evitar, o abraço com força. E ele é tomado de surpresa, e quando o solto, vejo que está com o rosto vermelho.
- Tenha cuidado – murmuro.
- Sim, Srta. Berry – balbucia ele, envergonhado.
Quinn franze a testa para mim e depois volta a olhar interrogativamente para Puck, que sorri de leve e ajusta a gravata.
- Avise-me para onde estou indo – diz Quinn.
Puck enfia a mão no casaco, tira a carteira e entrega um cartão de credito a Quinn.
- Talvez precise disto quando chegar lá.
- Bem pensado. – Quinn concorda com a cabeça.
Ryder se junta a nós.
- Os outros seguranças não encontraram nada – diz a Puck.
- Acompanhe a Srta. Fabray e a Srta, Berry até a garagem – ordena Puck.
A garagem está deserta. Bem, são quase três da manhã. Quinn abre a porta do carona do R8 para mim e coloca minha mala e sua bolsa no bagageiro da frente do carro. O Audi ao nosso lado está uma bagunça completa: todos os pneus cortados, cobertos de tinta branca. É arrepiante, e fico feliz que Quinn esteja me levando daquele lugar.
- Vai chegar outro na segunda-feira- diz Quinn, desolada, ao se sentar ao meu lado.
- Como ela sabia que o carro era o meu?
Ela me olha nervosa e suspira.
- Ela tinha um Audi A3. Eu compro uma para todas as minhas submissas. É um dos carros mais seguros da categoria.
Ah.
- Então, não foi bem um presente de formatura.
- Rachel, ao contrario do que eu esperava, você nunca foi minha submissa, então, tecnicamente, é um presente de formatura. – Ela liga o carro e acelera até a saída do estacionamento.
Ao contrario do que ela esperava. Ai, não... Meu inconsciente balança a cabeça, com tristeza. Este é o ponto ao qual a gente sempre retorna.
- E você ainda espera por isso? – sussurro.
O telefone embutido do carro vibra.
- Fabray – atende Quinn.
- Fairmont Olympic. Em meu nome.
- Obrigada, Puck. E, Puck, tenha cuidado.
Puck faz uma pausa.
- Sim, senhora – responde calmamente, e Quinn desliga.
As ruas de Seattle estão vazias, e Quinn corre pela Quinta Avenida em direção à Interestadual 5. Uma vez na rodovia, ela pisa no acelerador, no sentido norte. Está correndo tanto que por um instante sou jogada contra o encosto do banco.
Olho de relance para ela. Está mergulhada em pensamentos, irradiando um silêncio mortal e taciturno. Não respondeu a minha pergunta. Ela dirige o olhar para o retrovisor com frequência, e percebo que está verificando se não estamos sendo seguidas. Talvez seja por isso que estamos na I-5. Achei que o Fairmont ficava em Seattle.
Olho pela janela, tentando raciocinar com minha mente exausta e hiperativa. Se Ashley quisesse me machucar, teve uma oportunidade mais do que suficiente no quarto.
- Não. Não é o que eu espero. Pensei que fosse óbvio. – Quinn interrompe meus pensamentos, a voz macia.
Pisco para ela, apertando a jaqueta jeans em volta de mim. Não sei se o frio que sinto vem de mim ou de fora.
- Eu me preocupo que, você sabe... que eu não seja suficiente.
- Você é mais do que suficiente. Pelo amor de Deus, Rachel, o que eu tenho que fazer?
Fala-me de você. Diga que me ama.
- Por que você achou que eu a largaria quando disse que o Dr. Evans tinha me contado tudo o que havia para saber a seu respeito?
Ela suspira pesadamente, fechando os olhos por um instante, e demora muito tempo para responder.
- Você não pode nem começar a entender as profundezas da minha depravação, Rachel. E não é algo que eu queira compartilhar com você.
- E você realmente acha que eu a deixaria se soubesse? – Minha voz é alta, incrédula. Ela não entende que eu a amo? – É essa ideia que faz de mim?
- Eu sei que você me deixaria – responde, com tristeza na voz.
- Quinn... Acho que isso é muito pouco provável. Não posso imaginar ficar sem você – nunca...
- Você já me deixou uma vez... não quero passar por isso de novo.
- Charlize disse que encontrou com você no sábado passado – sussurro baixinho.
- Não encontrou, nada. – Ela franze a testa.
- Você não foi vê-la depois que eu sai?
- Não – responde ela, irritada. – Já disse que não, e não gosto que duvidem de mim – Ela me repreende. – Não fui a lugar algum no fim de semana passado. Eu me sentei e montei o planador que você me deu. Levei uma eternidade – acrescenta, em voz baixa.
Meu coração se contrai de novo. Mrs. Robinson disse que a viu sábado.
Viu ou não viu? Está mentindo. Por quê?
- Ao contrario do que Charlize pensa, não corro para ela toda vez que tenho um problema, Rachel. Não corro para ninguém. Você já deve ter notado, não sou muito de conversar. – Ela aperta as mãos no volante.
- Russel me contou que você não falou por dois anos.
- Contou, é? – Quinn pressiona os lábios.
- Eu meio que tentei obter informações. – Encaro meus dedos, envergonhada.
- Então, o que mais meu pai lhe contou?
- Que a sua foi a medica que a examinou quando você chegou ao hospital. Depois que a encontraram no apartamento.
A expressão de Quinn permanece vazia... cuidadosa.
- Ele disse que aprender a tocar piano ajudou. E Kurt.
Ao ouvir o nome, seus lábios se curvam num sorriso carinhoso. Depois de uma momento, ela diz:
- Ele tinha uns seis meses quando chegou. Fiquei muito feliz, Britt menos. Ela já tivera de aceitar a minha chegada. Kurt era perfeito. – A reverência gentil e triste em sua voz é envolvente. – Claro, não é mais tão perfeito hoje em dia – resmunga, e eu recordo suas tentativas bem-sucedidas de impedir nossas intenções lascivas durante a festa. O que me faz rir. – Você acha isso engraçado, Srta. Berry? – Quinn me lança um olhar soslaio.
- Ele parecia determinado a nos manter afastadas.
Ela ri sem alegria.
- É, e teve bastante sucesso. – Ela estica o braço e aperta meu joelho. – Mas no final a gente acabou conseguindo. – Sorri e, em seguida, olha novamente pelo retrovisor. – Acho que não estamos sendo seguidos. – E pega uma saída da rodovia, voltando para o centro de Seattle.
- Posso perguntar uma coisa sobre Charlize? – Estamos paradas em um sinal de trânsito.
Quinn me olha com cautela.
- Se for realmente necessário – resmunga, emburrada, mas não deixo sua irritação me deter.
- Você me disse há muito tempo que ela a amava de uma maneira que você achou aceitável. O que isso quer dizer?
- Não é óbvio? – pergunta ela.
- Não para mim.
- Eu estava fora de controle. Não suportava ser tocada. Ainda não suporto. Para uma adolescente de quatorze, quinze anos com os hormônios em fúria, era uma época difícil. Ela me mostrou uma maneira de colocar minha energia para fora.
Ah.
- Kurt disse que você arrumava muita briga.
- Meu deus, o que deu nessa família tagarela? Na verdade, é você. – Paramos em mais um sinal, e ela estreita os olhos para mim. – Você arranca informação das pessoas. – Ela balança a cabeça com um desgosto simulado.
- Kurt ofereceu essa informação livremente – resmungo, indignada. – Na verdade, ele foi muito comunicativo. Estava preocupado que você fosse começar uma briga na tenda, caso não me ganhasse no leilão.
- AH, baby, não havia esse perigo. De jeito nenhum eu deixaria alguém dançar com você.
- Você deixou o Dr. Evans.
- Ele é sempre a exceção à regra.
Quinn conduz o carro pela impressionante e arborizada entrada de veiculo do Hotel Fairmont Olympic e encosta junto à porta da frente, ao lado de uma exótica fonte de pedra.
- Venha. – Ela solta o carro e pega nossa bagagem.
Um manobrista corre em nossa direção, parecendo surpreso, sem dúvida pela nossa chegada tardia. Quinn lhe lança as chaves do carro.
- Está em nome de Puck – diz.
O manobrista acena com a cabeça e não consegue conter a alegria ao entrar no R8 e partir. Quinn pega minha mão e caminhamos em direção ao lobby.
De pé ao lado dela junto ao balcão de recepção, sinto-me completamente ridícula. Aqui estou, no hotel mais luxuoso de Seattle, vestindo uma jaqueta jeans larga demais, uma calça de moletom larda demais e uma camiseta velha, ao lado desta elegante deusa grega. Não é de se espantar que a recepcionista olhe de uma para a outra, como se soma de nós duas não fizesse sentindo. Claro que está intimidada por Quinn. Reviro os olhos enquanto ela enrubesce e gagueja. Até suas mãos estão tremendo.
- A senhora... precisa de ajuda com as malas, Sra. Puckerman? – pergunta ela, corando novamente.
- Não, a Sra. Puckerman e eu damos conta sozinhas.
A Sra. Puckerman! Mas não tenho aliança. Escondo as mãos atrás de mim.
- As senhoras estão na Suíte Cascade, Sra. Puckerman, décimo primeiro andar. O rapaz vai ajuda-las com as malas.
- Não precisa – responde Quinn secamente. – Onde ficam os elevadores?
A Srta. Bochechas Rosadas indica o caminho, e Quinn pega minha mão uma vez mais. Dou uma olhada de relance pelo saguão suntuoso, repleto de cadeiras estofadas e completamente vazio, exceto por uma mulher de cabelo escuro sentada em um sofá aconchegante, dando biscoitinhos a seu cachorro. Ela ergue a cabeça e sorri para nós enquanto caminhamos até os elevadores. Então o hotel permite animais de estimação? Muito estranho para um local tão sofisticado!
A suíte tem dois quartos, uma sala de jantar formal e até um piano de cauda. A lareira está acesa na enorme sala principal. Essa suíte é maior que o meu apartamento.
- Bem, Sra. Puckerman, não sei quanto a você, mas eu realmente gostaria de uma bebida – murmura Quinn, trancando a porta da frente.
Ela coloca minha mala e sua bolsa sobre o móvel ao pé da cama king size com dossel e me leva pela mão até a sala, onde o fogo arde reluzente. É uma visão bem-vinda. Fico diante da lareira aquecendo as mãos, e Quinn nos prepara uma bebida.
- Armagnac?
- Por favor.
Depois de um momento, ela se junta a mim diante do fogo e me passa uma taça de cristal com o conhaque.
- Foi um dia cheio, hein?
Concordo com a cabeça e seus olhos cinzentos me alisam, preocupados.
- Estou bem – eu a tranquilizo. – E você?
- Bem, neste instante gostaria de beber isto e, depois, se você não estiver muito cansada, gostaria de leva-la para cama e me perder em você.
- Acho que posso fazer isso pela senhora, Sra. Puckerman. – Sorrio-lhe timidamente enquanto ela tira os sapatos e as meias.
- Sra. Puckerman, pare de morder o lábio. – sussurra ela.
Fico vermelha por dentro. O Armagnac é delicioso, desliza suavemente por minha garganta, deixando um ardor cálido. Quando volto os olhos para Quinn, ela está bebendo e me observando, o olhar escuro e faminto.
- Você nunca deixa de me surpreender, Rachel. Mesmo depois de um dia como hoje, ou, no caso, ontem, você não está choramingando nem fugindo e gritando por aí. Estou impressionada. É uma mulher muito forte.
- Você é um bom motivo para ficar – murmuro. Já falei, Quinn, não vou a lugar algum, não importa o que você tenha feito. Você sabe o que sinto por você;
Sua boca se contorce, como se ela duvidasse de minhas palavras, e sua testa se franze como se fosse doloroso ouvir o que estou dizendo. Ah, Quinn, o que eu tenho que fazer para que entenda o que eu sinto por você?
Deixe que ela bata em você, meu inconsciente zomba de mim. Interiormente, faço uma cara feia para ele.
- Onde você vai pendurar os retratos de mim que Finn tirou? – tento melhorar o clima da conversa.
- Depende. – Ela contrai os lábios. Trata-se obviamente de um tópico muito mais agradável para ela.
- De quê?
- Das circunstâncias – responde com um ar misterioso. – A exposição ainda não terminou, então não tenho que decidir de imediato.
Inclino a cabeça e estreito os olhos.
- Pode fazer essa cara pelo tempo que quiser, Sra. Puckerman. Não vou contar nada – brinca ela.
- Posso arrancar a verdade de você sob tortura.
Ela ergue uma sobrancelha.
- Serio, Rachel, acho que você não deveria fazer promessas que não pode cumprir.
Meu deus, é isso que ela pensa? Coloco meu copo no console sobre a lareira, me aproximo e, para sua surpresa, pego o copo dela e a deixo junto ao meu.
- É isso que a gente vai descobrir – murmuro.
Muito corajosa, sem dúvida impulsionada pelo conhaque, seguro a mão de Quinn e a puxo na direção do quarto. Paro ao pé da cama. Quinn está tentando esconder seu divertimento.
- Agora que me trouxe até aqui, Rachel, o que vai fazer comigo? – brinca mantendo a voz baixa.
- Vou começar tirando sua roupa. Quero terminar o que comecei mais cedo – seguro seu paletó pelas lapelas, com cuidado para não tocá-la, e ela não recua, mas prende a respiração.
Gentilmente, tiro o paletó por sobre os ombros, e ela me encara, todos e qualquer traço de humor desaparecendo de seus olhos à medida que eles se arregalam, queimando dentro dos meus, cautelosos e... urgentes? Há tantas interpretações para esse olhar. O que ela está pensando? Coloco o paletó sobre a poltrona.
- Agora a camisa – sussurro e levanto-a pela barra. Ela me ajuda, erguendo os braços e recuando, para facilitar sua retirada. Uma vez sem a camisa, ela me olha intensamente, vestindo apenas a calça e o seu sutiã que pende provocativa de seus quadris, expondo o elástico da sua boxer.
Meus olhos movem-se avidamente por sua barriga musculosa até o que sobrou da linha de batom, desbotada e manchada, e então para o seu peito. Tudo o que quero é tirar seu sutiã é correr a língua em seus seios, saborear seu gosto.
- E agora? – sussurra ela.
- Quero beijar você aqui – deslizo o dedo de um lado a outro de seu quadril. – ela entreabre os lábios e inspira fundo.
- Não a estou impedindo – ela solta o ar.
Seguro sua mão.
- Então é melhor você se deitar – murmuro e a levo para junto da cama com dossel. Ela parece perplexa, e me dou conta de que talvez ninguém tenha tomado as rédeas com ela desde... ela. Não, não pense nisso.
Levantando as cobertas, ela se senta na beira da cama e olha para mim, esperando, a expressão cautelosa e séria. Fico diante dela e deixo a jaqueta jeans escorregar de meus ombros até cair no chão, depois tiro o moletom.
Ela esfrega o polegar nas pontas dos dedos. Sei que está se coçando para me tocar, mais suprime o desejo. Tomo fôlego e, reunindo toda coragem que tenho, tiro a camiseta por sobre a cabeça, ficando nua diante dela. Seus olhos não deixam os meus, mas ela inspira e entreabre os lábios.
- Rachel, você é a própria Afrodite – murmura.
Seguro seu rosto nas mãos, erguendo sua cabeça, e me debruço para beijá-la . ela solta um gemido grave, no fundo da garganta.
Assim que minha boca toca a dela, ela me agarra pelos quadris, e, antes que eu possa me dar conta, estou presa sob o seu corpo, suas pernas forçando as minhas e se separarem, ela se aninha entre minhas pernas. E ela está me beijando, atacando minha boca, nossas línguas entrelaçadas. Sua mão corre de minha coxa até o quadril, e então para em minha barriga e sobe até meus seios, apertando e puxando meu mamilo sedutoramente.
Solto um gemido e flexiono o quadril involuntariamente contra ela. Ela para de me beijar e me olha perplexa e sem fôlego. Ela então move o quadril, empurrando contra mim... Isso. Bem aí.
Fecho os olhos e solto outro gemido, e ela repete, mas desta vez eu respondo, movendo-me com ela, deliciando-me com seus gemidos ao me beijar de novo. Quinn continua a lenta e deliciosa tortura, esfregando-se em mim, e eu me esfregando nela. E ela tem razão, nós nos perdemos uma na outra, e é inebriante ao ponto de me fazer esquecer todo o resto. Todas as minhas preocupações desaparecem. Estou aqui, neste momento, com ela, o sangue correndo em minhas veias, vibrando alto nos ouvidos, misturado ao som de nossa respiração ofegante. Enterro as mãos em seu cabelo, segurando-a junto à minha boca, consumindo-a, minha língua tão faminta quanto a dela. Corro os dedos ao longo de seus braços e da parte inferior das costas até o cós da calça jeans e enfio minhas mãos atrevidas e gananciosas dentro dela, instando-a continuar, mais e mais, esquecendo-me de tudo, exceto de nós.
- Você vai acabar comigo, Rach – sussurra ela de repente, soltando-se de mim e ajoelhando-se. Ela se desvencilha da calça num instante em cima de mim colocando nossos sexos em atrito. – Você me quer, baby, e eu com certeza quero você.
Quinn sorri para mim, a boca aberta, os olhos verdes nebulosos e cheios de promessas carnais. Debruçando-se sobre meu corpo, ela passar o nariz no meus olhos fechados, e, deliciosamente, bem devagar começa a se movimentar seu quadril.
Agarro seus braços e jogo o queixo para cima, entregando-me à plenitude extraordinária que é estar sob seu domínio. Ela corre os dentes ao longo do meu queixo, para seus movimentos e começa de novo, tão lento, tão gentil, tão carinhosa, seu corpo pressionando o meu, os cotovelos e as mãos dos dois lados do meu rosto.
- Você me faz esquecer de tudo. Você é a melhor terapia – suspira ela, movendo-se a um ritmo dolorosamente lento, saboreando-me.
- Por favor, Quinn, mais rápido – murmuro, querendo mais.
- Ah, não, baby. Quero devagar. – Ela me beija com ternura, mordendo suavemente meu lábio inferior e absorvendo meus gemidos suaves.
Passo as mãos em seu cabelo e me entrego ao seu ritmo enquanto meu corpo lentamente sobe mais e mais, até cair, rápido e pesado, atingindo o orgasmo.
- AH, Rach. – ela suspira, entregando-se, meu nome uma benção em seus lábios quando ela atinge o clímax.
SUA CABEÇA REPOUSA em minha barriga, os braços em volta de mim. Meus dedos passeiam por seu cabelo rebelde, e ficamos ali, por quanto tempo não sei. Está tão tarde, e estou tão cansada, mas tudo o que quero é desfrutar do sereno esplendor de fazer amor com Quinn Fabray, por que foi isso que fizemos: amor delicado e carinhoso.
Ela evoluiu, assim como eu, em tão pouco tempo. É quase coisa demais para digerir. Em meio a toda essa maluquice, estou perdendo de vista a jornada simples e honesta que ela está percorrendo comigo.
- Nunca vou me cansar de você. Não me deixe – murmura ela e beija minha barriga.
- Não vou a lugar algum, Quinn, e pelo que me lembro eu que queria beijar sua barriga – resmungo, sonolenta.
Ela sorri junto à minha pele.
- Agora não tem nada impedindo você, baby.
- Acho que não sou capaz de me mexer... Estou tão cansada.
Quinn suspira e, relutante, move o corpo, deitando-se ao meu lado, a cabeça apoiada no cotovelo, puxando as cobertas sobre nós. Ela olha para mim, os olhos reluzentes, cálidos e amorosos.
- Durma. – Ela beija meu cabelo e passa o braço em volta de mim, e eu apago.
QUANDO ABRO OS OLHOS, o quarto está iluminado, fazendo-me piscar. Estou tonta de sono. Onde estou? Ah, no hotel.
- Oi – murmura Quinn, sorrindo carinhosamente para mim. Está na cama, deitada ao meu lado, completamente vestida. Há quanto tempo está aqui? Estava me analisando? De repente, sinto-me incrivelmente tímida, e meu rosto esquenta sob seu olhar firme.
- Oi – respondo, feliz por estar de bruços. – Há quanto tempo você está me olhando?
- Eu poderia ver você dormir por horas, Rachel. Mas estou aqui só há uns cinco minutos. – Ela se inclina e me dá um beijo suave. – A Dra. Vai chegar daqui a pouco.
- Ah. – Eu havia me esquecido da intromissão da Quinn.
- Dormiu bem? – pergunta ela, com gentileza. – Deve ter dormido, com todo aquele ronco.
Ah, Quinn brincalhona e provocadora.
- Eu não ronco! – respondo petulante, fazendo beicinho.
- Não. Não ronca. – Ela sorri para mim. A linha tênue de batom vermelho ainda visível ao redor de seu pescoço.
- Você tomou banho?
- Não. Estava esperando você.
- Ah... tudo bem. Que horas são?
- Dez e quinze. Não tive coragem de acordar você antes, estava tão cansada... de partir o coração.
- Você me disse que nem sequer tinha coração.
Ela sorri com tristeza, mas não responde.
- O café da manhã está servido: panquecas e bacon para você. Venha, levante-se, estou começando a me sentir sozinho aqui. – Ela se levanta da cama, dando-me um tapa na bunda, o que me faz dar um pulo.
Hum... Essa é a ideia que Quinn faz de afeto.
Ao me espreguiçar, todo meu corpo dói... sem dúvida, é o resultado de todo o sexo e toda a dança e de tanto tempo me equilibrando em cima de sapatos de salto alto caríssimo. Caio para fora da cama e me arrasto até o suntuoso banheiro, repassando os acontecimentos do dia anterior em minha cabeça. Ao sair, estou usando um dos roupões de banho supermacios que estavam pendurados no cabide de bronze no banheiro.
Ashley, a garota que se parece comigo, é a imagem mais surpreendente que meu cérebro invoca, isso e sua presença fantasmagórica no quarto de Quinn. O que ela queria? Eu? Quinn? Para fazer o quê? E por que diabo ela destruiu o meu carro?
Quinn disse que eu ganharia outro Audi, como todas as suas submissas. Não é um pensamento bem-vindo. Mas agora que eu fui tão generosa com o dinheiro que ela me deu, não há muito que possa fazer.
Caminho até o quarto principal da suíte: nenhum sinal de Quinn. Finalmente a encontro na sala de jantar. Eu me sento à mesa, feliz com o impressionante café da manhã que encontro diante de mim. Quinn está lendo os jornais de domingo e tomando café, já terminou de comer. Ela sorri para mim.
- Coma. Você vai precisar de energia hoje – brinca.
- Ah, é? E por quê? Vai me trancar no quarto? – De repente, minha deusa interior acorda num salto, toda desgrenhada e com uma aparência de quem acabou de transar.
- Por mais tentadora que seja essa ideia, achei que a gente podia sair hoje. Tomar um pouco de ar.
- E seguro? – pergunto com ar inocente, tentando afastar a ironia em minha voz, mas não consigo.
A expressão de Quinn se desmancha, e ela contraia boca em uma linha rígida.
- Para onde vamos, é. E isso não é assunto de brincadeira – acrescenta severamente, estreitando os olhos.
Fico vermelha e olho para meu café da manhã. Não estou com a mínima vontade de levar bronca depois de todo o drama que passamos, e de ter ido dormir tão tarde. Então como em silêncio, sentindo-me petulante.
Meu inconsciente balança para mim, em sinal de reprovação. Quinn não brinca quando o assunto é minha segurança. Eu já deveria saber disso. Minha vontade é de revirar os olhos para ela, mas me seguro.
Certo, estou cansada e irritada. O dia de ontem foi cheio, e não dormir o suficiente. Por que, meu Deus, ela tem que estar com essa aparência tão limpa e descansada? A vida não é justa.
Alguém bate à porta.
- deve ser a médica – resmunga Quinn, na certa ainda esta chateada com minha ironia. Ela se afasta da mesa.
Será que não se pode ter direito a uma manhã calma e normal? Suspiro com força, deixando metade do meu café da manhã e me levantando para cumprimentar a Dra.
QUINN FECHA A porta atrás dela e me olha com cautela.
- Tudo bem? – pergunta.
Em silêncio, faço que sim, e ela inclina a cabeça, o rosto tenso de preocupação.
- Rachel, o que foi? O que a Dra. Falou?
Balanço a cabeça.
- Em sete dias, meu organismo começará a funcionar normalmente. – murmuro.
- Sete dias?
- Isso.
- Rach, o que houve?
Engulo em seco.
- Não há nada com que se preocupar. Por favor, Quinn, deixe para lá.
Quinn surge na minha frente. Ela segura meu queixo, inclinando minha cabeça para trás, e me olha firme nos olhos, tentando decifrar meu pânico.
- Fale! – exclama.
- Não tem nada para falar. Quero me vestir. – Solto meu queixo de sua mãos.
Ela suspira e passa a mão pelo cabelo, franzindo a testa para mim.
- Vamos tomar banho – diz, afinal.
- Claro – murmuro, distraída, e ela torce a boca.
- Venha – diz ela, amuada, apertando minha mão com força. Ela caminha até o banheiro, arrastando-me atrás de si. Parece que não sou a única de mau humor. Quinn liga o chuveiro e se despe antes de se virar para mim. – Não sei se algo deixou você chateada ou se é so mau humor por ter dormido pouco – diz ela, abrindo meu roupão. – Mas quero que você me diga. Minha imaginação está dando voltas aqui, e não gosto disso.
Reviro os olhos para ela, e ela me encara de volta, fazendo uma cara feia.
Merda! tudo bem... lá vai.
- Perguntei da Dra. como fazia para fazer uma inseminação para engravidar de você misturando nossos genes.
- O quê? – Ela empalidece, e suas mãos congelam enquanto me encara, subitamente lívida.
- Mas não quero engravidar agora. Isso é futuramente. Não são tão burra ao ponto de querer ficar gravida agora.
Ela relaxa visivelmente.
- Tem certeza de que não quer ficar gravida?
- Tenho.
Ela exala profundamente.
- Ótimo. É, dá pra imaginar ouvir ela falando sobre misturar nossos genes e ter um filho meu seja perturbador.
Faço uma careta... perturbador?
- Eu estava mais preocupada com sua reação.
Ela franze o cenho para mim, confusa.
- Com a minha reação? Bem, naturalmente, estou aliviada que não queira ficar gravida...
- Não disse que não quero ficar gravida. Só acho que agora é muito cedo para engravidar. Mas sim, eu quero ser mãe algum dia. – Interrompo ela.
Ela me olha por um instante, perplexa, como se eu fosse algum tipo de experimento cientifico.
- Você acordou de mau humor hoje.
Segurando as abas do meu roupão, ela me puxa para um abraço, beijando o meu cabelo e pressionando minha cabeça contra seu peito. Eu me distraio com o quão suave seja a pele dela. Ah, se ao menos eu pudesse acariciá-la!
- Rach, não estou acostumada com isso – murmura ela. – Minha tendência natural é arrancar as informações de você a tapa, mas duvido seriamente que você queira isso.
Puta merda.
- Não, não quero. Isso aqui ajuda – aperto Quinn com força, e ficamos séculos ali, num abraço estranho, Quinn nua, eu de roupão, mais uma vez chocada com sua honestidade. Ela não sabe nada de relacionamentos, e nem eu, exceto o que aprendi com ela. Bem, ela me pediu para ter fé e paciência; talvez eu devesse fazer isso mesmo.
- Venha, vamos tomar banho – diz Quinn afinal, soltando-me.
Dando um passo para trás, ela tira meu roupão, e eu sigo até o chuveiro, erguendo o rosto para o jato d'água. A ducha é gigantesca e tem espaço para nós duas. Quinn pega o xampu e começa a lavar o cabelo. Ela me passa o frasco, e eu repito o gesto.
Ah, isso é bom. Fecho os olhos, e eu me entrego áquela água purificadora e cálida. Ao enxaguar o xampu, sinto suas mãos ensaboando meu corpo: ombros, braços, axilas,seios, costas.
Delicadamente, ela me gira e me puxa contra si, à medida que vai descendo: tórax, barriga, seus dedos hábeis entre minhas pernas – hum -, minha bunda. Ah, isso é tão bom, e tão íntimo. Ela me vira mais uma vez de frente para ela.
- Aqui – diz ela mansinho, entregando-me a loção de banho. – Quero que você limpe o resto de batom.
Meus olhos se abrem em um turbilhão e, afoitos, fitam os dela. Ela está me encarando atentamente, linda e encharcada, os olhos verdes maravilhosos e reluzentes sem revelar absolutamente nada.
- Por favor, não desvie muito da linha – resmunga ela com firmeza.
- Tudo bem – murmuro, tentando absorver a enormidade do que ela acabou de me pedir para fazer: tocá-la nos limites da zona proibida.
Ponho um pouquinho de sabonete nas mãos e as esfrego uma na outra, para fazer espuma as coloco sobre seus ombros e suavemente limpo a linha de batom em cada um dos lados. Ela fica rígida e fecha os olhos, o rosto impassível, mas está ofegante, e sei que não é de luxúria, mas de medo. E isso dói o coração.
Com os dedos trêmulos e com muito cuidado, sigo a linha ao longo da lateral de seu peito, ensaboando e esfregando suavemente; ela inspira, a mandíbula tensa, os dentes cerrados. Ah! Meu coração se aperta e minha garganta dá um nó. Droga, vou chorar.
Paro para colocar mais sabonete na mão e a sinto relaxar diante de mim. Não posso olhar para ela. Não posso suportar ver sua dor, é demais. Minha vez de inspirar fundo.
- Pronta? – pergunto, e a tensão é alta e clara em minha voz.
- Pronta – sussurra ela, a voz rouca, cheia de medo.
Gentilmente, coloco as mãos em cada lado de seu peito e ela se enrijece de novo.
É demais. Estou impressionada com a confiança que ela está depositando em mim, impressionada pelo seu medo, pelos danos causados a esta mulher bela, abatida e problemática.
Meus olhos se enchem d'água e lagrimas escorrem por meu rosto, perdidas na água do chuveiro. Ah, Quinn! Quem fez isso com você?
Seu peito se move depressa a cada respiração curta, seu corpo está rígido, a tensão irradiando em ondas à medida que minhas mãos se movem ao longo da linha, apagando-a. Ah, se eu pudesse apagar sua dor, eu o faria – eu faria qualquer coisa -, e tudo o que quero é beijar cada cicatriz que vejo, afastar com meus beijos aqueles terríveis anos de descuido. Mas sei que não posso, e minhas lágrimas caem espontaneamente por meu rosto.
- Não. Por favor, não chore – pede ela, a voz angustiada ao me apertar com força em seus braços. – Por favor, não chore por mim. – E eu explodo em um turbilhão de soluços, enterrando meu rosto em seu pescoço, enquanto penso numa menina perdida em meio a um mar de medo e dor, assustada, abandonada, abusada... machucada além de toda a resistência.
Afastando-me, ela segura meu rosto com as mãos, inclina-o pata trás e se aproxima para me beijar.
- Não chore, Rach, por favor – murmura ela contra a minha boca. – Foi há muito tempo. Estou doida para que você me toque, mas simplesmente não consigo suportar. É demais para mim. Por favor, por favor, não chore.
- Também quero tocar você. Mais do que imagina. Ver você assim... tão machucada e com medo, Quinn... me fere profundamente. Eu amo tanto você.
Ela desliza o polegar por meu lábio inferior.
- Eu sei. Eu sei – sussurra ela.
- Você é muito fácil de amar. Você não enxergar isso?
- Não , baby, não enxergo.
- Mas você é. Eu a amo, e sua família também ama. E Mrs. Robinson e Ashley também... elas têm um jeito estranho de demonstrar isso, mas elas amam você. E você merece.
- Pare. – Ela coloca o dedo sobre meus lábios e balança a cabeça, uma expressão angustiada em seu rosto. – Não posso ouvir isso. Não sou nada, Rachel. Sou a casca de uma mulher. Não tenho coração.
- Você tem, sim. Eu a quero para mim, por inteiro. Você é uma mulher boa, Quinn, uma mulher muito boa. Nunca duvide disso. Olhe para o que você fez... o que você conquistou – soluço. – Olhe o que você fez por mim... o que você deixou para trás, por mim – sussurro. – Eu sei. Eu sei o que você sente por mim.
Ela me olha, os olhos arregalados e em pânico, e tudo o que pudemos ouvir é o fluxo continuo da água que flui sobre nós no chuveiro.
- Você me ama – digo.
Seus olhos se arregalam ainda mais, e sua boca se abre. Ela sinpira fundo, como se tomasse fôlego. E parece torturada, vulnerável.
- Sim – murmura. – Amo.
Maldade terminar assim? kkk
Fabray tem coração.. e está amando *-*
Então pessoinhas já sabem o que fazer para ter o próximo?
Reviews? Não? kkk
Até breve babys!
XOXO
Então tenho outra adaptação de Faberry::::
.br/historia/650927/MyBiology/
quem quiser dar uma olhada :)
