CAPÍTULO 38

NARRADO POR DRACO MALFOY

O Patiens Longus era um feitiço maldito. Seu efeito se parecia com o opus penetrant e ao mesmo tempo não lembrava este outro em nada. O opus penetrant, embora também pudesse ser usado pra violentar alguém, era um feitiço que despertava tesão, vontade de ser penetrado, de fazer sexo anal. O Patiens Longus, embora fosse catalogado como uma magia das trevas de cunho sexual, eu não sei se tinha algo de verdadeiramente sexual nele.

Ele não despertava tesão, excitação ou qualquer tipo de prazer. O que Patiens Longus o fazia era despertar um comichão, uma espécie de pruído no ânus, que causava uma angústia horrenda. A pessoa atingida não tinha vontade de ser penetrada por uma outra, ela tinha uma aflitiva ânsia de fazer aquela sensação parar. Mas não conseguia. Então normalmente chegava a extremos com o próprio corpo, destroçava-se por dentro, até que a dor fosse maior do que aquela agonia. Ninguém saía com a dignidade intacta, ninguém saía inteiro, Philip sabia muito bem o que estava fazendo quando tinha escolhido justamente aquela maldição pra me atingir.

Não havia contra-maldição, nenhum feitiço que pudesse me ajudar, nenhuma poção. A única e mísera centelha de esperança que eu mantinha, é que aquela maldição demorava um pouco para começar a fazer efeito. Eu pretendia usar aquele tempo de sanidade que me restava impedindo que Harry me visse naquele estado, porque eu tinha certeza que se isso acontecesse, eu jamais conseguiria encará-lo do mesmo jeito. Se ele me visse assim, eu jamais conseguiria tocá-lo outra vez, ou deixar que ele me tocasse, como se eu fosse o mesmo homem de sempre. E Philip teria sua vingança.

- Harry. – eu disse, ansioso para que ele me entendesse. – Preciso que você me escute ok? Eu vou para o quarto de BDSM. Preciso que você me deixe lá por um tempo. Quando eu te mandar um sinal, mande alguém pra me ajudar. Mas, por favor, não entre. Mande Kim.

Harry me olhava como se eu estivesse louco.

- De jeito nenhum. – ele falou, taxativo. – Você vai se dilacerar todo por dentro.

Ele sabia. Sabia do que se tratava.

- Eu tinha esperança que você não soubesse. – eu disse, em desalento. – Achei que isso fosse um tipo de magia das trevas obscura demais, vil demais... até pra ser estudado no curso preparatório dos Aurores.

- E é. Mas eu sempre achei que a primeira coisa que um bruxo das trevas iria querer fazer com Harry Potter, sabendo que eu era gay, seria justamente esse tipo de magia. – ele respondeu. – Então eu estudei por conta, pesquisei muito, li relatos. Eu posso ajudá-lo, posso fazer tudo ser bem menos pior.

Eu percebia em suas palavras que a perspectiva de ser violentado o tinha apavorado ao longo dos anos, que ele tinha se esforçado pra aprender mais, pra fazer o possível pra se defender. Mas eu já tinha visto uma pessoa sob o efeito daquela maldição, a loucura era tão grande, o desespero que o garoto parecia sentir, o auto flagelo que ele próprio se infligiu... não me parecia que poderia ser ajudado.

- Harry... eu já vi a maldição. – eu falei, expondo aquela medonha lembrança. – Bastou um Comensal da Morte fazer o feitiço em um rapaz, colocar objetos em sua frente e montar o circo para que todos os outros assistissem, inclusive eu. O garoto enfiou tudo dentro de si mesmo, tinteiros, frascos de vidro vazios, tesouras, o cabo de uma vassoura... foi dantesco. Quando ele já estava sangrando, perfurado, jogaram-no na neve pra morrer.

Harry avançou pra mim, segurando as minhas mãos, como se estivesse morrendo de vontade de me abraçar, mas ao mesmo tempo tivesse medo de me assustar com um movimento brusco. Ele me olhou, os olhos verdes lindos como sempre, acalentando a minha alma.

- Eu sinto muito. – a voz dele era mansa. – Uma vez salvei um jovem que tinha sido amaldiçoado pelo próprio pai, por ser homossexual. Eu o levei pra um lugar seguro e consegui ajudá-lo. O Patiens Longus causa uma angustia muito forte na pessoa, ela não pode ser deixada sozinha, não pode ser ela mesma a se tocar, porque fica desesperada para fazer com que o efeito da maldição termine e acaba se ferindo gravemente.

Eu entendia onde ele estava querendo chegar. Respirei fundo, tentando me controlar, existia uma maneira, então. Existia um modo de ajudar alguém naquelas condições.

- Você tocou o garoto? – eu quis saber.

- Não. Seria invasivo, eu era um estranho. O rapaz tinha um companheiro. Eu o instrui sobre como fazer isso da melhor maneira. Demorou um tempo até que a maldição acabasse, mas ao final o menino estava bem e foi tudo bem menos traumático do que poderia ter sido. – ele explicou. – Se você não quer que eu te toque, podemos chamar alguém. Quem sabe Blaise ou Marcus... Ou se o toque de um homem nesse momento te fizer se sentir violentado, podemos chamar uma mulher. De repente Hermione, ela é medibruxa, vai tratar como uma questão de saúde.

- Não! – eu quase gritei, fazendo-o se sobressaltar. E então o puxei pra mim, abraçando-o como se minha vida dependesse disso. Enfiei meu nariz na pele do seu pescoço, inspirando seu cheiro reconfortante. Ele me abraçou de volta, segurando-me nos braços, mantendo-me junto de si. – Só você... eu só confiaria em você pra isso... eu... eu estou tão assustado, Harry.

Senti suas mãos acariciando meu cabelo, procurando me acalmar.

- Eu vou fazer tudo ficar bem. – ele prometeu, me acalentando. – Agora vou pedir que você me escute, ainda temos alguns minutos. Quero que você tome um banho quente, que relaxe os músculos, vai ajudar. Depois se deite o mais confortavelmente que conseguir. Enquanto isso vou pegar algumas coisas que podem nos ajudar.

Eu fiz como ele falou. Se tinha uma coisa que aquele dia tinha me ensinado, era não desconfiar de Harry Potter nunca mais. Ele estava certo quanto a Philip, se tivéssemos feito do meu jeito, a essa altura eu já estaria sendo horrivelmente violentado e torturado, para depois ser morto por aquele traidor miserável. Harry tinha me trazido pra casa em segurança, mesmo que sob o efeito daquela maldição.

E se ele dizia que podia ajudar, que podia tornar tudo mais fácil... eu acreditava na palavra dele. Entrei no chuveiro, deixando a água quente cair sobre meu corpo, tentando afastar a tenebrosa lembrança que eu tinha de um garoto sofrendo com aquela maldição. Harry disse que podia ser diferente... eu iria seguir suas instruções e tentar controlar o pavor.

Eu me sequei e fui pro quarto. Harry já estava de volta. Ele me guiou até a cama, pedindo para que eu me deitasse de bruços, colocando um travesseiro alto sob o meu quadril. Estar nu naquela posição fazia eu me sentir exposto e desconfortável, mas ele logo em seguida cobriu meu corpo com um lençol fino, numa tentativa óbvia de me preservar.

Ele se deitou ao meu lado, debaixo do lençol, e fez em mim um feitiço de lubrificação.

- Você vai prender as minhas mãos? – eu perguntei. – Pra impedir que eu me machuque?

- Não. – ele respondeu, calmo. – Vai deixa-lo mais desesperado. Nas minhas pesquisas notei que...

Mas antes que Harry pudesse me dizer qualquer coisa que fosse, senti os efeitos do Patiens Longus chegando. Tomou conta de mim, como se fizesse parte do meu ser, como se eu não pudesse mensurar onde a maldição terminava e a minha existência tinha início. O desespero era avassalador.

Meu ânus formigava, coçava, ardia, agonizava, pinicava horrivelmente. Eu queria fazer parar. Precisava fazer parar. Sentia que poderia fazer qualquer coisa para que aquilo parasse. Adiantei as mãos na direção das nádegas, mas Harry percebeu antes de mim que a maldição tinha chegado, e introduziu seu dedo mínimo na minha entrada.

Eu enfiei a cara no travesseiro. Queria gritar. Aquilo não ia adiantar, não ia fazer parar.

- Draco, preciso que respire fundo e se concentre na minha voz. Sei que é desesperador. Mas se ferir não vai fazer a maldição parar, você precisa se concentrar nisso. Se machucar não vai cortar o efeito. – ele disse, e eu tentei me fixar naquilo.

Respirei contra o travesseiro, tentando me convencer de que a ânsia que eu tinha de me rasgar para que aquilo terminasse não resultaria em nada.

- A maldição demora algumas horas, independente do quanto você se machuque. - ele falou.

Horas? Eu tremi, torturado. Eu não podia aguentar aquilo por horas. Não podia.

- Preciso que se concentre no movimento do meu dedo. O que estou fazendo é o suficiente para abrandar os efeitos do feitiço. Concentre-se em sentir a ardência e o prurido diminuírem a medida que eu te estimulo. – ele me orientou.

O dedo dele entrava e saía de dentro de mim com leveza. Mas a maldição parecia horrível. Eu não a sentia nenhum pouco mais branda. Ao contrário, o desespero me tomava de uma maneira que parecia que eu era feito dele.

- É você quem pode controlar. – a voz doce de Harry me incentivava. – A sua mente pode controlar. É possível, eu já vi alguém se controlando. Você é forte, com certeza vai conseguir.

Eu fechei os olhos. Eu achava lindo o jeito que ele me via, como um homem capaz de superar qualquer coisa, de vencer qualquer obstáculo. E com ele, eu realmente sentia que podia. Ele tinha me ajudado a ultrapassar tantos problemas, tantas dores e medos que eu achava que morreriam comigo. Eu era um homem mais forte com ele.

Me concentrei. Respirei fundo várias vezes. Por quase uma hora inteira fiquei em silêncio, agarrando o travesseiro com força, o corpo todo contraído, sentindo seu estimulo delicado no meu interior. Os impactos da maldição sobre o meu corpo se tornaram mais moderados, mas sobretudo, os impactos sobre a minha mente foram ficando mais fáceis de lidar.

E foi então que eu entendi, a agonia do Patiens Longus não estava tanto no corpo, mas na mente. Uma vez controlada a mente, era possível suportar os efeitos no corpo.

Depois daquele longo tempo, eu enfim levantei a cabeça.

- Você conseguiu. – ele falou. – Agora o pior já passou. Você só precisa manter a mente controlada. Vamos continuar te estimulando até a maldição passar.

Eu assenti com a cabeça. Eu estava certo de que poderia tolerar aquilo desde que mantivesse o domínio sobre o meu consciente. Mas a sensação no meu ânus ainda era desagradável, sobretudo porque o movimento do dedo de Harry, por mais leve que fosse, começava a sensibilizar a minha pele. Já era uma hora daquele movimento repetitivo, incessante, na mesma região ardida do meu corpo.

Eu não disse nada a respeito disso, mas Harry parecia saber. Ele puxou um tubo de pomada debaixo do travesseiro, passou bastante do conteúdo no seu dedo mínimo livre, e trocou a mão usava para estimular meu corpo, introduzindo o dedo cheio do produto.

- O que é? – eu perguntei, com curiosidade.

- É uma pomada pra dor que pode ser usada no ânus. – Harry respondeu. – É trouxa. Qualquer poção que envolva magia teria o efeito cortado pela maldição.

Conforme ele massageava, fui sentindo um pouco de alívio quanto ao seu entre e sai constante dentro de mim. De repente me dei conta de que Harry não tinha tido tempo de sair para comprar aquilo. Ele teria que ter em casa.

- Por que você tem isso? – eu perguntei, franzindo a testa. – Tenho te machucado?

- Não. – ele se permitiu sorrir. – É de Kim. Ele disse uma vez que comprou no final da relação com Marcus, quando começou a se sentir muito intimidado e acaba se contraindo demais na hora do sexo. Então hoje me lembrei e pedi emprestado.

- O que disse a ele? – eu quis saber.

- Disse que nós tínhamos exagerado ontem e que eu estava com dor. – Harry se limitou a responder, sem explicar porque não tinha contado a verdade a Kim.

Mas eu sabia o porquê. Ele tinha dito isso porque sabia que eu estaria me sentindo horrível com essa maldição. Não é o tipo de coisa que se gosta de espalhar. Ser obrigado ao estimulo íntimo contra a vontade, os efeitos psicológicos da maldição, o impulso de se rasgar por dentro... tudo isso tinha o poder de fazer alguém se sentir bastante sujo, bastante degradado.

- Obrigado. – eu falei, simplesmente.

Ele não disse nada, só continuou me olhando com suavidade. Por Merlin, como eu o amava, estava disposto a qualquer coisa por ele. Minha entrega era tamanha, que ao mirar seus olhos, eu acabei me lembrando da conversa que tinha ouvido no dia anterior, entre Harry e Neville. E num impulso, sem parar pra raciocinar, perguntei:

- Você tem vontade de me tocar assim?

O rosto dele se fechou na mesma hora, tempestuoso. Harry me olhava como se eu tivesse dado um tapa em seu rosto, chocando-o, deixando-o furioso.

- Coloque sua mão no meu pau. – Harry ordenou, eu podia ouvir sua exasperação, embora ele falasse baixo.

Fiquei imóvel, sem conseguir expressar qualquer reação, os olhos arregalados encarando-o.

- O que? – aquilo não fazia nenhum sentido.

- Faça o que estou mandando. – sua voz era esmagadora.

Eu obedeci, tremulo, sentindo-me frágil com tudo aquilo. Ao encostar a mão no seu pênis, o encontrei completamente amolecido.

- Você pode ficar com a mão aí até essa maldição acabar, sentindo como estou mole, sem qualquer desejo. – Harry falou, frustrado. – Quem sabe isso te convença de que não sou esse tipo de ser humano. Que eu jamais seria capaz de ver o homem que eu amo sentindo-se magoado, humilhado, violentado, cheio de dor, de desespero, sendo forçado a ser tocado por horas, e pensar em prazer sexual.

- Eu... quando perguntei... eu não quis dizer agora. – eu gaguejei, tentando expressar o que diabos tinha ido na minha cabeça para que eu dissesse aquilo. – Eu não quis dizer que você estivesse sentindo desejo agora... nesse instante... foi uma pergunta geral... me veio na cabeça... na verdade estou pensando nela desde ontem... por causa de Marcus e Neville. É claro que não penso que você seria capaz de algo tão desumano. Eu sou louco por você, mas te visse sob o efeito dessa maldição, eu também jamais sentiria qualquer tipo de prazer em te tocar. Só ia querer cuidar de você, da mesma forma como está fazendo comigo.

Harry me encarou, sentindo a sinceridade das minhas palavras, parecendo compreender que tinha sido um mal entendido. Por Merlin, Harry me amava, estava cuidando de mim com todo o carinho e compreensão, claro que eu não o estaria acusando de algo assim.

- Foi uma pergunta impulsiva, feita em um momento idiota, eu não pensei. – eu disse, em tom de juramento. – Eu me sinto fragilizado... sei que não é desculpa... mas é como se minha mente não tivesse trabalhando direito.

Ele tocou meu rosto, afagando minha bochecha com o polegar.

- Desculpe. Na verdade, pelas minhas pesquisas, é bem normal que uma pessoa sob o efeito do Patiens Longus não se contenha e diga coisas desconexas, ou em momentos inadequados. Mesmo conseguindo controlar o desespero, seus sentimentos, inseguranças, tudo fica muito a flor da pele... afetado pelo feitiço. A mente dá saltos, fazendo com que lembranças de alguns momentos apareçam, isso pode ter acontecido exatamente agora, você acabou se lembrando do jantar. – Harry explicou, visivelmente arrependido. – Não se censure por isso, você não tem culpa. Eu é que deveria ter sido mais paciente.

- Tudo bem, Harry. – eu disse, enfim tirando a mão do seu membro, conseguindo relaxar um pouco mais. – Não é uma situação difícil só pra mim. Pelo contrário, no seu lugar, eu estaria enlouquecendo.

- Eu daria qualquer coisa pra ter sido eu, no seu lugar. – ele falou, tão honesto que encheu meu peito de ternura.

Depois de um tempo, Harry puxou debaixo do travesseiro um pequeno vibrador. Era minúsculo como um dedo, ele tinha pegado no meu quarto de BDSM. Eu não tinha comprado para usar para penetração anal, mas para passa-lo sobre a glande do pênis. Harry o molhou com bastante lubrificante e introduziu no meu ânus, no lugar do seu dedo. Agora já tinha se passado cerca de uma hora e meia.

O vibrador fornecia um estimulo delicado. Era bom trocar o tipo de movimento dentro de mim depois de tanto tempo de entra e sai. O objeto, ao contrário, ficava sempre no mesmo lugar, apenas vibrando, de forma que algumas terminações nervosas já doloridas pararam de ser incessantemente estimuladas.

Feito isso, Harry me puxou pra si, e eu deitei de lado, gostando de poder mudar de posição, esticando alguns músculos já retesados pela tensão. Em alguns momentos parecia que o controle sobre a minha mente me escaparia e que eu mergulharia de novo no desespero, mas estar agarrado ao corpo de Harry me ajudava a ter forças para manter o foco.

Ficamos mais uma hora e meia, apenas abraçados, enquanto eu sentia o estímulo em meu interior amenizar o horrível comichão que a maldição causava. Todo o tempo, Harry acariciou minhas costas, meus cabelos, beijando meu rosto, minha testa... me enchendo de afeto e dedicação. Até que, finalmente, após três horas com aqueles efeitos sobre mim, a maldição finalmente cessou.

- Acabou. – eu murmurei pra Harry, em um profundo alívio.

Ele imediatamente se ergueu para tirar de dentro de mim o pequeno vibrador e em seguida fez um feitiço para tirar o excesso de sensibilidade daquela área.

- Você está bem? – ele perguntou.

- Graças a você, sim. – eu murmurei. – Obrigado.

Harry me deu um beijo leve nos lábios.

- Obrigado por confiar em mim. – ele respondeu. – Por acreditar que eu podia te ajudar.

- Me perdoe por não levar a sério quando você insistiu que Philip ainda era um perigo pra nós. – eu lhe devia aquelas desculpas. – Você salvou minha vida tantas vezes nesses últimos meses. Me sinto um crápula pela forma como agi nos últimos dias. Eu quis acreditar que finalmente tudo estava bem. Que finalmente teríamos um pouco de tranquilidade, depois dessa loucura toda com os Purificadores. Mas eu estava errado.

- Qualquer um de nós dois poderia estar certo. Philip é completamente perturbado, poderia ter fugido como você disse, ou ficado pra se vingar como eu achei que faria. – Harry argumentou. – Mas eu não podia arriscar com você entente? Olha... eu sei que as vezes sou um pouco exagerado com isso de te proteger. Eu também agi mal... eu menti pra você... não deveria estar te seguindo com a capa da invisibilidade sem você saber.

- Eu já sabia. Reparei ontem quando um livro se mexeu sozinho. – eu contei pra ele.

- Você não ficou irritado? – ele perguntou, inseguro.

- Fiquei, então me vinguei te arrastando pra fazer compras. – eu dei um sorriso travesso.

- Ah, eu deveria saber que aquela tortura tinha uma razão. – Harry riu, se dando conta. – Por que tantos galeões em roupas, oh Merlin?

- Você me acha assim tão bonito porque eu também sou elegante e bem vestido. – eu esclareci.

- Acho que não. – ele discordou. – Principalmente porque prefiro você sem roupa nenhuma.

- Engraçadinho. – eu brinquei.

- Agora vamos, se vista, temos um compromisso. – ele se levantou da cama.

- Qual é? – eu perguntei, erguendo-me também, caminhando em direção do armário para procurar uma roupa.

- Vamos até o Ministério prestar depoimento e ver aquele filho da puta. – Harry abriu um sorriso maldoso. – Mostrar a ele que você continua inteiro, que o plano dele não resultou em nada.

- Acho que vou gostar disso. – eu respondi, a sede de retaliação formando-se em meu âmago.

- Então se apresse, quero aquele desgraçado em Azkaban ainda hoje. – ele disse.