Eloisa: Pois é, finalmente a descendente das trevas, mãe da guerreira das sombras apareceu na história, espero que goste do restante dos acontecimentos. Bjusssss
Daniela Snape... tanks tanks tanks
Sandra Longbottom: Sim, finalmente a descendente das trevas foi descoberta, logo abaixo você vai ver a conversa que ela teve com o Snape, Gina vai ter um papel decisivo em um momento tenso...bjussss
Renata: Eu sempre quis saber como era o Snape como diretor, então matei minha vontade agora... ebaaaaaa
Tonks Fênix: Eu tenho que parar em momentos assim, só dessa forma que poderei prender vocês na história. Hummm, nem vou te dizer muita coisa sobre a descendente, pois está logo aqui embaixo. Vamos ter ainda muito Snape, depois Harry e quem sabe depois Harry e Snape... quem sabe... minha mente é doida... bjusss
Capítulo 36 – O casebre em chamas
Snape franziu a testa e olhou firmemente para a mulher ainda mantendo sua varinha apontada diretamente para o coração dela. Ela, no entanto, não aparentava preocupação com essa ameaça, mesmo estando completamente desarmada, apenas balançou seus cabelos e piscou batendo os cílios grandes um nos outros e sorriu abertamente mostrando dentes brancos e bonitos.
- Como sou mal educada. – Disse a mulher abrindo mais a porta. – Por favor, entre. – Snape permaneceu onde estava, ainda parado, ainda a observando e gravando em sua mente cada detalhe que talvez lhe fosse importante posteriormente. – Ora essa, se eu quisesse lhe fazer algum mal já teria feito antes mesmo de você entrar nesse prédio, então vamos deixar de besteira e começar a ser civilizados. Que tal? Eu vou tentar de novo. Por favor, entre.
Alexandra abriu a porta e entrou caminhando por uma sala ampla, Snape apertou os dedos na varinha e deu um passo a frente, automaticamente seus ombros tencionaram e sua pupila se dilatou, seu rosto endureceu e sua magia era sentida na ponta dos dedos das mãos. Era como os dias em que saia em missão por Dumbledore ou Voldemort, sempre correndo risco, sempre perto demais da morte que era capaz de senti-la fungar em seu pescoço. Ele a sentia, estava ao seu lado e naqueles momentos era preciso ser mais do que meticuloso, era necessário estar preparado para qualquer eventualidade, qualquer sinal de movimento, um cheiro diferente, um olhar entregador. Tudo deveria ser percebido pelo homem, processado e analisado rapidamente pelo seu cérebro.
A porta se fechou sozinha atrás de si, mas Snape não olhou para trás, sabia que não havia ninguém ali, era treinado para saber rapidamente onde estavam as pessoas escondidas e tinha completa consciência de que estava sozinho com a bela mulher que se sentava na poltrona confortável de sua sala. Era ela o perigo, era com ela que devia tomar cuidado.
- Sente-se.
- Acho que não.
- Sabe, para uma pessoa que exerce a função de professor, você não é muito educado. – Disse a mulher cruzando as pernas.
- Não costumo ser educado com inimigos.
- Mas eu não sou sua inimiga, Severus.
- Como sabe meu nome?
- Eu sei muito mais do que isso, posso te contar, mas só se você se sentar como um cavalheiro e me dar a devida atenção, pois não temos tanto tempo assim, logo ele voltará e se o encontrar acredito que ficará muito bravo.
- Quem voltará? O Lord?
- Bem que ele disse que o chamam de Lord, eu não acreditei, mas parece que é verdade. Bom, como eu disse, não temos muito tempo. Abaixe sua varinha e sente-se.
Snape cerrou os lábios com força enquanto pensava no que deveria fazer. Estava diante da descendente das Trevas, amante do Lord e mãe da guerreira das sombras. Sua mão ardia e seus dedos formigavam, todos os nervos lhe diziam que deveria continuar alerta, mas que deveria seguir a mulher, fazer o que ela estava lhe dizendo. Por isso abaixou a varinha, mas não a guardou. Devagar caminhou pela sala e se sentou na outra poltrona, era confortável e quente. Havia uma janela que estava aberta e por ela entrava uma brisa fria que era gostosa ao se misturar com o ar morno do local. Um lustre no alto continha lâmpadas acesas que deixava a mulher em maior evidência deixando-a mais bonita e encantadora o que ia completamente ao contrário do que havia lido na lenda. As Trevas era feia, horrível aos olhos dos homens mesmo com seu charme que os encantava, já Alexandra era tão bela que Snape não cansava de olhá-la.
- Não acredito que pensou isso. – Disse Alexandra antes de soltar uma gostosa gargalhada. – Todos pensam isso.
- Então você lê pensamentos.
- Na verdade um pouco mais do que isso. Eu posso ler mentes, memórias, sentimentos, almas. Eu sei tudo sobre você, eu sei o porquê está aqui, sei sobre Harry e sobre sua filha.
Snape franziu a testa e apertou mais a varinha na mão, quase imediatamente ao ouvir a mulher falando ele se levantou. Ela sabia da existência da menina e nesse caso o Lord também saberia e isso era algo que não só comprometia Harry e a menina, mas seu papel como espião. Voldemort o caçaria e o torturaria para que lhe contasse toda a verdade sobre sua traição e quando terminasse iria matá-lo sem lhe dar a chance de ajudar Harry a derrotá-lo. Ele morreria em vão.
- Acho que cansei de ser educada, eu disse para sentar-se.
Alexandra levantou a mão em sua direção e Snape sentiu seu corpo ser empurrado por uma força invisível que o fez cair sentado novamente na poltrona. Com um movimento de dedos da mulher sua varinha voou de sua mão e foi parar na dela que a analisou atentamente rodando-a entre os dedos finos com unhas muito bem feitas.
- Sempre achei interessante o fato de precisarem usar varinha para poder exprimir seus poderes, mas também achei muito frustrante, sabe, ter que depender de algo tão fútil como esse pedaço de madeira. Mas acredito que depois de um tempo isso vira algo tão pessoal que seria uma lástima destruí-la. – Ela sorriu vendo Snape tentando se mexer. – Eu vou te soltar. – Disse Alexandra devolvendo a varinha para o colo do homem. – Mas você vai ficar quieto e me ouvir, já disse que não temos muito tempo e sei que tem perguntas para mim. Então as faça e vá embora o quanto antes.
Snape estava morto de raiva enquanto olhava para a mulher, seus braços estavam presos ao lado do corpo e sua varinha estava deitada em sua perna, inútil sem a possível manipulação de sua mão. Estava vulnerável nas mãos daquela mulher, entregue ao destino que ela desejasse para si. Todos os anos de espião e treinamento, tantas missões bem sucedidas não o prepararam para alguém como ela. Devagar assentiu lentamente com a cabeça e a viu levantar a mão fazendo com que seu corpo ficasse livre daquela força.
- O que é você? – Perguntou Snape segurando a varinha na mão.
- Sou quem você tanto procurou, a descendente das trevas. – Disse ela simplesmente. – Vou pegar um chá enquanto formula suas perguntas. Mas receio que seu tempo esteja se esgotando.
Alexandra se levantou e foi até a cozinha. Snape ouviu barulhos distintos de panelas se batendo e logo depois a voz dela chegando até a sala pelo corredor.
- Ficaria muito melhor para conversar se viesse até aqui.
Snape se levantou e devagar caminhou até a cozinha que nada mais era do que uma cozinha simples e branca, clara como a neve com armários bonitos e singelos e uma mesa no centro. A mulher indicou a mesa com a mão e levantou uma sobrancelha lembrando-o o que aconteceria se não se sentasse. Snape não se negou, apesar de todos os seus pelos da nuca se arrepiarem somente com o mero pensamento de ficar em um estado tão vulnerável como sentado em uma mesa com alguém poderoso andando de um lado para o outro a sua volta.
- Ok, vamos começar as diversas perguntas. Comece.
- Tudo bem então, senhora Morsteng.
- Senhorita. – Disse a mulher segurando um pote cheio de ervas. – Não me casei, ainda sou uma senhorita, na verdade nem teria como me casar, não dá para conhecer muitas pessoas quando se fica trancada em uma caverna, não é mesmo?
- Podemos começar desse ponto então. – Disse Snape seguindo-a com seus olhos negros e intensos cheios de perguntas e desconfiança. – Li que você é da linhagem de Mérlin, uma renegada pelas coisas que fazia quando criança. Você matava animais e pessoas apenas por diversão.
- Não, não era por diversão. Eu fazia aquilo que a pessoa queria. – Alexandra colocou uma caneca para esquentar com água e se virou para Snape olhando-o atentamente, havia um ar estranho naquele rosto, uma sombra difusa em seus olhos, atrás de sua pupila, algo esperando o momento certo para aparecer. – Eu sentia dentro deles os desejos e anseios, eu os ouvia sussurrando em minha cabeça, era como uma prece que eles sussurravam e que vinha diretamente para mim. Eu ouvia o desespero, a angústia, tristeza e conflito pessoal. O que eu mais sentia era o medo. No começo eu não sabia o que fazia, apenas ouvia os pedidos e dizia sim a eles. Eu gostava de dizer sim, de senti-los, era libertador , era gostoso. Fazia-me sentir viva. Você sabe o que eu quero dizer Severus. A sensação de ter uma vida em suas mãos e o poder de acabar com ela na ponta de seus dedos. A adrenalina correndo por suas veias e o olhar deles implorando uma clemência que você não tem. Você sabe o que é isso. Você sentiu, você gostou de sentir.
Alexandra estava tão perto de Snape que era capaz de tocar seu nariz no dele, Snape apenas a observava sem se mexer, a voz dela era como sino em sua mente trazendo a tona as lembranças mais devastadoras de seu papel como comensal, os momentos de angústia e medo desesperador de suas vítimas quando se encontravam frente a frente com ele na beirada do precipício da morte.
- Era delicioso assisti-los em minha mente e depois encontrá-los implorando de joelhos por mim. Eu tinha apenas cinco anos e eles imploravam como se eu fosse sua rainha. E eu dava a eles o que eles queriam, eu os matava e os livrava do sofrimento que tanto pesava em seus corações vazios e despedaçados. A morte deles era tão doce, Severus, eu era capaz de lambê-la e me excitar com ela. Com o tempo o sabor aumentou, a fome era devastadora. Eu odiava a todos, eu queria apenas fazer o que eu fazia, dar a quem me pedisse tudo o que eles queriam, a liberdade que pediam. Mas aqueles bruxos juntos foram mais forte do que eu, eles me doparam e me trancaram naquela caverna encantada.
Alexandra tocou o rosto de Snape lentamente com o indicador e desceu de sua testa para sua bochecha. A mulher estava com os olhos desfocados como se as lembranças a tivessem carregado para longe daquela cozinha, ela não estava mais diante de Snape, estava vagando por lembranças antigas.
- Eu tinha tanto poder e nem ao menos entendia. Todos me abandonaram, selaram meu poder dentro de mim e me jogaram naquele lugar dando-me as costas e indo embora. Mas um dos bruxos permaneceu comigo por alguns anos sempre me levando comida e me explicando o motivo de estar naquele lugar. Ele me ensinou a controlar as vozes. – Disse tocando o dedo da própria testa. – Ele me explicou minha linhagem e de quem eu era descendente. Eu li sobre ela, As Trevas, soube o que ela era e entendi o que eu era. Mas nunca soube qual era o motivo da minha existência. Por que somente eu herdei os poderes de Mérlin e das Trevas? Por que só eu era poderosa o suficiente para poder destruir uma pessoa? Por anos fiquei com aquela duvida. Eu perguntei para o bruxo, mais de uma vez, mas ele jamais me disse. Apenas ficava afirmando que eu era importante e que minha existência seria a saída para algo futuro que seria bem mais poderoso do que eu.
"Foi então que ele foi embora, jamais voltou e não sei o motivo. Ele simplesmente sumiu me deixando sozinha naquele lugar, a comida e roupa apareciam sozinhas na caverna, mas ninguém foi me ver depois disso. Passei anos apenas vivendo até que ele apareceu. Feio, de olhos vermelhos e um rosto tão desfigurado que o deixava com a aparência de uma cobra. Voldemort foi me visitar em minha caverna e me fez uma oferta tentadora. Eu não pude recusar, mesmo sabendo que poderia ser o fim do mundo existente, eu precisava da minha liberdade. – Finalizou com o dedo nos lábios de Snape.
- Sua sedução não funciona comigo, senhorita. – Disse Snape fechando suas mãos nos braços dela e a afastando de seu corpo onde já estava sentada em seu colo. – Não vou ficar com pena de você e me deixar seduzir, então vamos apenas passar essa parte.
- Realmente você é diferente dos outros que me procuram. – Disse Alexandra sorrindo e se afastando. – Me desculpe, é da minha natureza fazer isso, acabo não conseguindo me controlar.
- Que seja. – Disse Snape desinteressado. – O que o Lord te prometeu exatamente?
- Liberdade. Ele poderia me tirar daquela caverna se eu aceitasse fazer um servicinho para ele.
- Você chama gerar um filho como servicinho?
- Ora, Severus, não me venha com sermões. Eu sei que no início você também odiou a ideia e a fez apenas por obrigação, apenas para cumprir com sua promessa a ela.
- Como sabe tudo isso?
- Já lhe disse que apenas sei, as coisas aparecem na minha mente, eu as vejo. Sempre foi assim, porém com você e com Harry é bem mais intenso. Acho que devido ele ser um descendente da Luz eu tenha uma sintonia bem maior com ele, não que isso me agrade. – Riu-se. – Mas é importante, sempre é bom ver meus inimigos.
- Então, resumindo, você gerou a filha de Voldemort através de um ritual. – Alexandra assentiu. – E ela é como você? Uma descendente?
- Uma descendente não, uma reencarnação. A luz e as Trevas estão reencarnando em nossas filhas, a diferença é que a minha nasceu de um feitiço e a sua nasceu do amor.
- E onde está essa criança? – Perguntou Snape seguindo a mulher para a sala.
- Ele a levou.
- Para onde?
- Não sei. Eu a gerei e a alimentei até onde dava, mas ele é muito exigente e queria levá-la embora, faz pouco mais de uma semana que ele a tirou de mim.
- E você a entregou?
- Claro que sim, acha mesmo que eu iria perder minha oportunidade de liberdade por causa de um ser que para mim é insignificante?
- Liberdade? – Ironizou Snape levantando-se e indo até a janela onde era possível ver o véu fino dos poderosos feitiços do Lord. – É isso que você chama de liberdade? Ficar presa nesse prédio caindo aos pedaços, sozinha.
- É melhor do que aquela caverna.
- É a mesma coisa, Alexandra. Será que não percebeu? Você é uma prisioneira dele, ele lhe devolveu apenas alguns poderes seus quando fez o ritual de concepção, mas os seus reais poderes, aqueles que todos temiam ainda está aprisionado ai dentro de você, preso por feitiços antigos e poderosos.
- Ele vai me devolver.
- Acredita mesmo nisso? – Riu-se Snape. – O Lord só pensa nele, minha querida. Acha mesmo que ele vai devolver seus poderes para que se torne mais forte do que ele? Ele elimina as ameaças, qualquer um que possa no fim lutar contra ele e que tenha o mínimo de possibilidade de derrotá-lo. Ele mentiu, te enganou e você é agora apenas uma prisioneira idiota nas mãos dele.
- Não! – Gritou Alexandra estendendo a mão e fazendo Snape bater o corpo fortemente contra a parede, ele estava preso novamente.
- Pare de se enganar Alexandra. – Disse Snape aumentando a voz e vendo a mulher se aproximar devagar com o olhar homicida. – Ele mentiu para você, é isso que ele faz, isso que ele sempre fez. O Lord usa as pessoas ao seu bel prazer, ele pega o que quer e joga o resto fora. Mas você pode acabar com ele.
Por um momento Alexandra parou seu caminhar e franziu a testa. Parecia estar pensando nas palavras de Snape, analisando-as devagar em sua mente.
- Como?
- Me ajude a achar a criança.
- Já disse que não sei onde está.
- Mas pode encontrá-la.
Snape cerrou os lábios quando a força dela apertou seu corpo, seus ossos doeram e seus pulmões ficaram sem ar. A mulher cerrou os dentes com força e chegou mais perto até conseguir encostar a mão no peito de Snape. O homem olhou para ela firmemente e mais uma vez disse que podia ajudá-la, mas que ela precisava ajudá-lo. Alexandra apertou os dedos no peito de Snape queimando sua veste e chegando até sua pele.
- Você sabe que eu não estou mentindo. – Disse Snape entre engasgos e o esforço de respirar. – Você sabe.
- É, eu sei.
Alexandra se virou de costas e Snape caiu no chão com força machucando o joelho. Ele tossiu quando o ar entrou pelos pulmões rapidamente, estrelas apareceram em seus olhos fazendo-o demorar alguns segundos para se levantar, quando finalmente se pôs de pé viu que ela estava o encarando com o olhar fulminante. Por um momento Snape se identificou com a mulher. Era forte, dura, tinha um olhar firme e desprovido de sentimentos. Uma sombra.
- Não sei onde a criança está. Ele a levou para longe de mim, não tenho poderes suficientes para localizá-la.
Snape arrumou o cabelo e olhou para ela com atenção. No começou achou que Alexandra fosse uma mulher cruel e poderosa, talvez alguém tão desprovido de sentimento que não se importasse com nada além de seu próprio prazer, mas agora que estava ali, diante dela e a olhava nos olhos percebia que ela nada mais era do que alguém como ele. Sozinho e enganado.
- Ele não vai devolver meus poderes, não é? – Perguntou a mulher baixinho.
- Não. – Respondeu Snape sinceramente. – Ele nunca teve intensão disso.
- Mas ela será mais forte do que ele.
- Provavelmente o Lord vai querer moldá-la a tal ponto que ela fique submissa a ele.
Alexandra não chorou ou se desesperou como qualquer outra pessoa faria, apenas apertou os braços diante do peito e olhou firmemente para Snape como se quisesse lê-lo, como se estivesse entrando em sua mente. Mas ela não precisava disso, ela o conhecia bem o suficiente. Sabia seus objetivos e suas crenças, seus medos e suas ralas esperanças. Ela sabia que era ele o portador da verdade que faria toda a diferença na guerra.
- Eu não posso te dizer onde ela está. Mas posso te entregar uma coisa que Voldemort quer muito.
- O que ele quer? – Perguntou Snape franzindo a testa. – Ele já tem sua filha.
- Eu sei e sei que ela futuramente será muito poderosa, mas ele quer os meus poderes para ele.
- Está querendo dizer que o Lord quer tomar seus poderes? – Perguntou Snape surpreso. – Ele não pode, se isso ocorrer será um desastre.
- Exatamente. – Disse Alexandra dando alguns passos a frente e sorrindo de leve para o homem. – Ele vai chegar logo, precisamos nos apressar, já perdemos tempo demais. Sua filha está bem e seu marido também. – O alivio no rosto de Snape foi visível. – Mas não há nada que você possa fazer para impedir o futuro dela, não está em suas mãos. Então, quanto a isso, esqueça seus pedidos e suas rezas. – Snape abriu os lábios para dizer alguma coisa, mas Alexandra postou seu dedo em seus lábios. – Voldemort não pode pegar meus poderes, pois está selado dentro de mim. Os bruxos foram muito inteligentes quando me prenderam, eu tinha a possibilidade de sair.
- Então por que ficou presa durante tantos anos. – A pergunta foi quase um sussurro. Alexandra estava colada em seu corpo.
- Porque eu só podia sair de lá se eles me tirassem ou se eu não tivesse mais poder algum. O poder, a magia ainda está em mim, selada, é minha e eu posso dá-la a quem eu quiser. Eu posso aumentar os poderes e a magia da pessoa que eu quiser. Somente assim poderei me libertar. Será que entende o que eu quero dizer, Severus? – Snape assentiu sem, no entanto, dizer nada. – Não vou servir de fantoche para ele e não darei meus poderes para ele.
- Você quer dizer que...
- Faça bom uso deles, meu caro.
A mulher postou sua mão na nuca de Snape enroscando os dedos em seus cabelos negros e puxou seu rosto para mais perto selando seus lábios um no outro. Snape fechou os olhos sentindo a textura macia e a frieza daqueles lábios adultos tão diferentes dos jovens de Harry. A mulher desceu a mão pelo tronco do homem e arranhou seu peito com as unhas por cima das grossas vestes até que a parou em cima do coração. Uma luz se formou naquele local e um calor esquentou o corpo de Snape. Houve dor antes do grito sair por sua boca. Os belos móveis se mexeram e os enfeites de vidro caíram no chão quebrando em milhares de cacos, o tremor persistiu até que sumiu deixando o apartamento destruído. Alexandra jazia no chão com os olhos abertos, morrera levando consigo a memoria da visita de Snape que já não estava naquele local.
- Deus! – Gritou Snape quando seus olhos se abriram e ele puxou o ar para os pulmões levantando-se rapidamente e encontrando-se no meio do escritório do diretor. Rapidamente retirou as vestes e olhou para o peito nu, estava tudo como sempre fora, todas as cicatrizes, não havia nada que evidenciasse que a mulher fizera algo com ele. – Como cheguei aqui? – Se perguntou colocando a roupa novamente e se levantando. Todos os quadros estavam acordados olhando surpresos para ele.
- Eu não sei, Severus. Você simplesmente apareceu aqui. O que aconteceu?
- Nem eu sei direito, Alvo. – Disse Snape antes de se sentar na cadeira e começar a narrar os acontecimentos.
O tempo passou rapidamente e Snape ainda continuava intrigado com o que acontecera. Sabia que o Lord estava muito irritado, pois sua marca ardia e sangrava mostrando o ódio do homem, mas sabia que não haveria reunião, nenhum comunicado, pois Voldemort mantinha Alexandra escondida e uma reunião sobre a morte dela revelaria seus planos sobre a reencarnação das Trevas. Reencarnação, a maldita palavra que não saia da cabeça de Snape desde que se encontrou com Alexandra. Ainda não conseguia acreditar que era verdade, que sua filha era uma reencarnação da Luz. Aquela questão o deixou transtornado, principalmente junto com o fato de que ainda não entendia o que Alexandra fizera consigo, o que colocara em si.
Pensou que de repente seus poderes iriam aumentar, ficaria mais forte, mas nada acontecera. Sua magia continuava igual sempre fora, extraordinária, mas igual a antes. Consultou Dumbledore sobre essas questões, mas até mesmo Dumbledore ficara surpreso com a informação da reencarnação e não conseguira formular uma teoria sobre o que ela fizera com Severus. Snape começava a ficar irritado com aquilo tudo, estava perdido e ainda procurava uma resposta que não vinha. Sua administração da escola estava quase toda nas mãos dos Carrow e só entrevia quando chegava a uma situação muito séria.
Fazia meses que não tinha uma única notícia sobre Harry, não havia nem mesmo boatos sobre seu paradeiro e Snape fazia o possível para esquecê-lo, para simplesmente não se preocupar, mas já era feriado de Páscoa e suas tentativas de esquecer ficavam cada vez menores. Por sorte recebeu um pedido do Lord para cumprir uma tarefa em uma vila no interior de Londres. Pelo que lera no recado havia um artefato que precisava pegar naquele lugar, um colar de rubi que pertencia a uma família trouxa. Mesmo estranhando o pedido do Lord, não hesitou em obedecer, primeiro por ser uma ordem direta, segundo porque estava sedento por alguma ação que lhe trouxesse a sensação de vida.
Ele desceu para as masmorras no momento em que o sinal bateu, viu os alunos saírem organizadamente das salas de cabeça baixa, havia medo em seus corpos, medo das conseqüências de qualquer movimento, poderia haver dor se fizessem algo errado. Porém não havia medo maior para eles do que o diretor, por isso apenas abriam caminho enquanto Snape caminhava pelos corredores esvoaçando sua capa e com o rosto duro feito uma pedra talhada.
Quando chegou aos seus aposentos sentiu-o frio, há muito tempo não havia calor naquele lugar. Estava vazio e abandonado, não havia ali um motivo para o zelo, aqueles aposentos não eram mais seu lar. Não querendo pensar nisso Snape rumou para seu quarto e retirou sua capa jogando-a na cama. Abriu a porta do guarda roupa e retirou de lá suas antigas e pesadas vestes de comensal junto com sua máscara prateada. Fechou os olhos por um momento enquanto se vestia e sentia o tecido roçar em sua pele. Quando estava completamente vestido se permitiu um momento em que apenas se deixou sentir a sensação de familiaridade. Durante muito tempo não vestia aquela roupa, abandonara-a no canto escuro de seu guarda roupa na esperança de nunca mais usar, mais agora buscava ali o refúgio para o vazio que sentia. Precisava reviver tudo aquilo, passar pela adrenalina da morte. Precisava se desligar da humanidade que o menino o ensinara a ter. Ele estava sozinho novamente e precisava voltar a ser como antes, frio e vazio sem se preocupar com qualquer outra coisa. Ele tinha que voltar a ser o comensal. Um sorriso brotou em seus lábios quando ergueu a máscara e a levou até o rosto cobrindo-o e deixando apenas os olhos visíveis. O comensal queria voltar.
Chegou ao local no final da tarde, o por do sol ainda podia ser visível se olhasse para o horizonte, era apenas uma nesga de luz dourada que expandia-se pelo céu deixando-o laranja avermelhado, quente. Seria lindo se se importasse com isso. Mas um por do sol não era nada para ele naquele momento, a única coisa que importava ali era o artefato que estava naquela residência, mais precisamente no pescoço de uma inocente criança que o recebeu como herança de família.
A casa estava silenciosa, não havia nada mais do que o barulho do vento passando pelas janelas abertas como só uma casa de interior pode ter. Devagar circulou o lugar observando atentamente cada local e perímetro, garantindo que estava sozinho, arquitetando seus passos. Seus ombros estavam tensos e seus olhos penetrantes e atentos. A varinha pesava em sua mão preparada para lhe proteger, seu coração, porém, estava calmo, batia em um ritmo lento.
Devagar girou a maçaneta da porta e a abriu expondo uma sala simples com um sofá velho e uma televisão antiga que estava desligada. Havia um pequeno rack com porta retratos de uma família sorridente que Snape nem deu confiança, apenas passou reto por eles indo em direção ao corredor que levaria para a cozinha. Havia três portas no corredor, um lavabo e dois quartos. Silenciosamente abriu a primeira porta e viu a cama de casal com duas pessoas adormecidas em cima, abraçados e completamente entregues aos paraísos dos sonhos, seus corpos estavam banhados pelos últimos raios de sol que sumiam dando lugar a noite.
Passou para o outro quarto, seus passos eram tão silenciosos que era mais fácil ouvir o som do coraçãozinho batendo dentro do peito daquele pequeno menino esparramado na cama. Os cabelos dele eram loiro dourado cortado curtinho, brilhavam com o suor que ainda restava de uma tarde correndo possivelmente atrás de uma bola com os amigos. Deveria ter uns oito anos, dez no máximo, pequeno e magro. Simples e puro. Uma criança como outra qualquer que nesse momento sonhava com coisas que os adultos se esqueceram que existia, que Snape jamais aprendera a sonhar.
Se aproximou da criança, sua capa negra arrastava-se no chão rústico e entre os pequenos brinquedos de madeira que ele deixara espalhado. Olhou do rosto leve do menino para seu peito nu onde repousava o colar com a pedra de rubi que com toda certeza os pais não sabiam o quão valioso era e deixavam com uma criança que não tinha responsabilidade nem mesmo pelos machucados que teria ao brincar no campo com os amigos.
A noite chegou enquanto ainda olhava para o menino. Sabia muito bem o que deveria fazer, sabia quais eram as suas ordens e sabia o que precisava fazer. Devagar apontou a varinha para o corpinho dele e o colar se soltou de seu pescoço parando na mão estendida do comensal que o guardou no bolso da calça. Depois se abaixou na altura da cabeça do menino e tocou o dedo em sua testa. Ele era quente, o sangue corria em suas veias com vida e pureza. Snape respirou fundo apertando a varinha. A criança se mexeu, mas antes que pudesse acordar a varinha emitiu uma luz azul clara e o corpinho se acalmou ficando imóvel novamente. Agora faltavam os pais, precisava fazer tudo corretamente, não deveria haver nenhuma pista de seu envolvimento naquilo. Ele tinha que se preocupar com todos os passos, todos os mínimos detalhes que pudesse levar suspeitas a sua pessoa. Por isso nem mesmo permitiu que os pais acordassem, apenas executou o feitiço nos dois e saiu da casinha. Só faltava mais uma coisa.
A luz do fogo refletia em seus olhos negros dentro da máscara, o cheiro da carne queimada começava a exalar no ar, um cheiro forte e enjoativo que para ele era mais do que comum. Snape enfiou a mão no bolso da calça e olhou para o colar de rubi e depois para a casa em chamas. Sabia que aquele colar deveria ser muito valioso para o Lord para que lhe pedisse esse favor. Colocou novamente o colar no bolso e olhou para o céu já escuro com estrelas diversas espalhadas. Já fazia horas que tirara o colar do pescoço do menino e contemplara seu rosto tranquilo. Um avião passou no céu com suas luzes vermelhas e brancas, estava longe de si e voava para algum lugar distante carregando ali dentro várias pessoas entre elas um casal de mãos dadas e um menino de cabelos loiro dourado que perguntava em sua mente como seria sua nova moradia.
Snape olhou novamente para a casa e pensou se alguém iria sentir falta dos assassinos que encontrou em uma taberna suspeita em uma vila distante. Provavelmente não, as pessoas tendem a esquecer rapidamente daqueles que nada servem para si. Aqueles seres que queimavam naquele casebre não eram nada, apenas carne e osso torrados. Com uma virada o homem aparatou daquele lugar antes que alguém percebesse o fogo suspeito e chamassem os policiais. Quando chegou no perímetro da mansão Malfoy olhou para aquela casa com completo desinteresse, não havia nada ali que lhe chamasse a atenção e desejava não precisar pisar ali, mas precisava entregar o colar nos aposentos do Lord. Sentindo-se entediado rumou pela entrada da mansão passando pelo portão enfeitiçado.
Foi então que sentiu a sensação engolfante que espremeu sua alma. Alguma coisa acontecia. Rapidamente alcançou a porta e entrou no hall de entrada encontrando-o vazio, apenas a lareira estralava com o fogo conjurado. O lustre acima balançava com o vento que bateu no rosto de Snape dentro da máscara. Aquela sensação aumentava, uma sensação ruim de que algo estava muito errado. Devagar rumou para a escada e se dirigiu a sala de estar de onde ouvia-se vozes, algumas baixas e outras muito alteradas.
- Vamos Draco. – Disse a voz que claramente pertencia a Belatriz. – Diga se é ele.
Snape deu passos lentos até a porta da sala, seu coração antes calmo agora dançava dentro do peito com o desejo de que não estivesse acontecendo o que achava que estava acontecendo, mas a cada passo sentia dentro de si a certeza de que sabia o que encontraria na sala seguinte. Seus dedos tocaram na maçaneta exatamente quando ouviu Belatriz dizer:
- Vamos Draco, diga se é Harry Potter.
A porta se abriu e por ela entrou a figura alta e imponente que caminhou segura até os Malfoy, a máscara prateada ainda estava em seu rosto enquanto ele olhava para todos os presentes, inclusive o duende e as crianças ali amarradas. Seus olhos por dentro das fendas passaram devagar pelos rostos de Rony e Hermione, machucados, cansados, surpresos, mas vivos. Somente depois se depararam com o menino desfigurado entre eles. Seus olhos eram castanhos e seu rosto estava inchado emoldurado por cabelos grandes até o ombro. Não havia cicatriz e nem óculos. Estava horrível, mas definitivamente era Harry Potter. Snape olhou para ele que o olhava também e lhe reservou um olhar tão frio e intenso que era capaz de cortar sua máscara prateada assim como os feitiços que o disfarçavam. Era um olhar de raiva. Como ele poderia ser tão burro? Perguntou-se Snape antes de retirar a máscara e virar-se para Belatriz.
- E ninguém me convidou para a festa?
