Para quem tava com saudade do Shaka...
CAPÍTULO XXXVII – Outra Dimensão
Os primeiros minutos da viagem foram sofríveis para Jim. Ela sentiu tonturas, enjoos e uma terrível confusão mental. Hermes apertou sua mão e diminuiu a velocidade da viagem, olhando-a com preocupação.
- Feche os olhos, Jim. Concentre-se. – disse o mensageiro dos deuses. – A primeira etapa é sempre a mais difícil.
Jim esforçou-se para seguir as instruções. Pouco a pouco foi se recuperando. Abriu os olhos e olhou em volta. O espaço ao redor era completamente incompreensível. Estavam protegidos por uma bolha do cosmo de Hermes. Do lado de fora da bolha, o espaço entre as dimensões conhecidas era uma profusão de luz, sons, cores, formas, ora se movendo, ora parando, cores fixas e misturadas, formando paredes, lagos, montes. O disforme tomando formas que surgiam sem parar, quadrados, círculos, triangulos, por vezes tudo isso formava uma estrada, ou um túnel de luz e cor, o que dava a impressão de estarem percorrendo um caminho, noutras vezes tudo se difundia, fluía, culminando na infindável profusão impossível de compreender.
- Por que é tudo tão confuso? – indagou Jim.
- Por que não é tempo, nem espaço, nem começo, nem fim. – respondeu Hermes – São meros espaços entre os mundos conhecidos. Jim, quero que se concentre no cosmo da sua mãe. Você disse que ouviu dela mesma que vocês estão ligadas...
- O cosmo vermelho dela ficou gravado na minha mente. Sei que posso rastreá-lo.
Hermes tocou sua lira. O som parecia impulsionar a bolha de cosmo divino. Agora viajavam na velocidade da luz. O espaço ao redor da bolha chacoalhou e se transformou em um único traço de luz colorida. "incrível!", Jim pensou maravilhada. Então lembrou que tinha trabalho a fazer. Procurou por em prática todas as lições de Shaka de como rastrear cosmo.
Procurou pensar apenas na mãe, fixando-se em seu cosmo vermelho, isolando tudo o que não fosse Nya. Afastou cada pensamento, cada lembrança. Esqueceu-se de tudo, da presença de Hermes, da viagem dimensional. Então viu o traço vermelho. Era como uma fita vermelha pairando no céu. Abriu os olhos. Seu poder se expandiu, foi tão longe que ela sentiu os mundos distantes, seu cosmo atravessou todos eles e esbarrou na fonte do fio vermelho.
- Eu a vi Hermes! – exclamou sobressaltada.
- Aponte a direção, Jim.
- Lá. – e Jim apontou um vasto espaço onde inúmeros pontos de luz que se chocavam envoltos numa nuvem de poeira brilhante. – Ela está lá. Depois daquela nuvem de poeira. Hermes parou a bolha. Observou a região apontada por Jim, respirou fundo. Jim leu receio no coração do deus – O que há de errado com aquele lugar, Hermes?
- Você tem certeza que ela está além daquela nuvem, Jim?
- Tenho. O que é aquele lugar?
- Universos paralelos. – Hermes respondeu – São regiões bastante hostis, até para os deuses. Cada ponto de luz representa um mundo diferente e ao mesmo tempo igual ao que conhecemos. Reconhecemos nosso mundo devido uma linha temporal que moldou nossa realidade. Naqueles mundos a mesma realidade se encontra alterada.
- Isso significa que num desses universos paralelos eu posso estar lá, tipo, pode haver uma Jim completamente diferente de mim?
- É uma boa analogia. – disse Hermes como um professor – E nesse mesmo universo paralelo você pode, digamos, ser amiga, ou até apaixonada pelo Kanon.
- Que loucura. – sussurrou Jim, incomodada – Podemos passar por esses universos paralelos?
- A chance de cair em algum mundo alternativo é grande, então vamos torcer para o tal mundo não ser tão hostil. – Hermes advertiu. Passou um braço sobre os ombros de Jim – só para garantir eu vou reforçar a proteção e você não pode se afastar de mim, entendeu?
Jim concordou, o coração batia forte, estava com medo. Viagem reiniciou. Ao se aproximar da nuvem de poeira brilhante a bolha foi acometida por uma forte turbulência, uma tempestade de raios cósmicos castigou-os. Foram engolidos pela nuvem. A luz foi rareando e a turbulência piorando. De repente uma explosão cósmica forte demais para o corpo desprotegido de Jim os atingiu em cheio. Ela caiu inconsciente se separando de Hermes. Uma nova e mais poderosa explosão cósmica veio. A rajada titânica fez a bolha se dividir em duas. A que estava Hermes suportou o impacto, mas a que Jim estava acabou caindo num universo paralelo...
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Lucy subia os degraus das 12 casas lentamente. Sentia uma inquietação no peito inexplicável. Estranhou o fato de Jim não ter decido até o porto para se despedir de Helena. Decidiu-se a parar na casa de Aquário, talvez Camus soubesse onde ela estava, ou Jim estivesse com Camus. Talvez eles estivessem se acertando como sempre torceu...
O símbolo da casa de Câncer surgiu diante de seus olhos. Ergueu o queixo e se preparou para passar pela quarta Casa. Suas passadas lentas deram lugar a um andar imperioso. O som de seus saltos predominava até que não os ouviu mais. Assustou-se ao perceber que estava flutuando. Gritou. Um cosmo pesado se expandiu, como se a própria morte a estivesse espionando de longe, do inferno, ou o inferno subia carregado de almas pecadoras. Aquele cosmo só podia ser de um cavaleiro.
- Mask... – a sombra do teto se esticou dando passagem a Mascara da Morte de Câncer. -Você voltou para casa...
- Você não tem permissão para passar pela minha casa. – disse o cavaleiro.
- Que estória é essa? Não sou inimiga de Athena. Você tem que me deixar passar! – Lucy bradou. – E me coloque no chão agora!
- Não. – disse Máscara friamente – Você não pode passar.
Revolta Lucy tentou atacar o cavaleiro, tentou gritar e xingar, mas não pode. Não era mais dona de seus movimentos. A boca não lhe obedecia, o corpo não lhe obedecia. Ela estava paralisada. Então entendeu o que estava acontecendo. Ele esperara ela passar sozinha pela casa de Câncer, já que das outras vezes estava acompanhada de Helena, Afrodite ou de Erika. Ele esperou que ela não tivesse defesa. Lágrimas de um profundo desapontamento brotaram de seus olhos.
Ele sempre foi um canalha. E ela sempre foi um tola.
Máscara da Morte trouxe Lucy para mais perto de si usando seu poder telecinético. Primeiro acariciou seus cabelos rosados para então abraça-la lentamente, sussurrando próximo ao ouvido da aprendiz:
- Vou te levar para o meu lugar favorito. O Sekishiki.
Um portal se abriu sobre eles e os sugou para o mundo dos mortos.
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Shion meditava em seu trono na sala do mestre quando sentiu a segunda distorção no espaço tempo. Mais Alguém atravessara para outra dimensão. Abriu os olhos violeta e expandiu seu cosmo. A onda de poder apagou as chamas das tochas ornamentais do salão mais importante do templo de Athena.
Seu poder não identificou quem passava para outra dimensão, nem o destino da viagem dimensional, apenas detectava aberturas de portais. O único que poderia ter mais detalhes da travessia era Saga de Gêmeos. Infelizmente ele estava debilitado e resguardando suas energias, logo não poderia chama-lo.
Shion suspirou ruidosamente, preocupado com a filha. "Eu sempre fiz vista grossa as suas más ações mesmo sabendo o quanto era impulsiva e indisciplinada. Deuses justos! Se minha própria filha não me respeita o que esperar dos outros..." , pensou irritado.
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Ouvia o lamento das almas se dirigindo ao buraco final. Era um som que causava arrepios na alma. Jamais imaginou que terminaria seus dias como prisioneira naquele lugar. Lucy estava sentada numa pedra, as pernas contra o tronco, a cabeça apoiada nos joelhos. Chorava baixinho. Já havia gritado e esperneado por tempo demais dentro daquela caverna úmida e escura. Agora estava muito cansada e decepcionada consigo mesma. Se tivesse escutado seus amigos não estaria presa no mundo dos mortos, não teria sido jogada no inferno por um homem que um dia fora seu amante.
Ouviu-o se aproximar, sentiu o maldito cheiro de bebida que o acompanhava.
- Vá embora. – disse revoltada. - Eu odeio você.
- Lucy, me escute... – começou Máscara da Morte. Abaixou-se e tocou os cabelos de sueca.
- Não me toque! – gritou Lucy, os olhos flamejantes – achou que me arrastar para o inferno ia me fazer voltar para você?
- É claro que não pensei isso, não sou idiota. – disse Máscara sem elevar o tom de voz – sei que você não combina com esse lugar. Você merece um palácio cheio de luxo e beleza. A verdade é que essa é a única maneira de te afastar do Afrodite e daquela, daquela... – a expressão de nojo de Máscara falou por si só. Agarrou os braços de Lucy e a trouxe para um abraço. Ela não teve forças para empurra-lo. – Eles estavam te afastando de mim. Não quero te dividir com ninguém, quero você só para mim. Minha amada Lucy...
- Isso não é amor! – gritou, empurrando-o. – É só um capricho...
- Não! Capricho é entregar você a uma mulher só para me afrontar! Foi isso o que o Afrodite fez.
- Ele me apresentou a novos prazeres e você não sabe o bem que ele me fez, Mascara da Morte. – declarou Lucy. – Goste você ou não, eu sou bissexual.
- Você não sabe o que está dizendo... – novamente Mascara agarrou os braços de Lucy, obrigou-a a olha-lo nos olhos. – Entenda de uma vez: você é só minha. Te trouxe para o mundo dos mortos, meu mundo, para que se convença disso. E você vai ficar aqui até entender.
Ela se debateu, furiosa como um peixe na boca de um urso. Máscara tentou beija-la. Lucy sempre gostou de sua brutalidade, mas algo estava diferente. Ela fechou os lábios e quando ele tentou abri-los a força ela mordeu-o. Máscara da morte se afastou reclamando, tocando o lábio machucado, irado ergueu a mão para esbofeteá-la.
- Vá em frente! Bata-me! – exclamou Lucy - Eu prefiro a morte a permitir que me toque.
A mão que queria esbofetear Lucy baixou lentamente. Máscara cambaleou de embriagues e desespero. Na sua frente estava o único ser no universo que ele não conseguia fazer mal. Lucy Renard percebeu o arrependimento consumir a alma do cavaleiro.
- Me tire daqui, Mask. – pediu – você não quer fazer isso. Não quer me manter aqui. Se me ama, me leve de volta para casa, por favor.
- Não. – disse Câncer, torturado – Não vou te devolver para os joguinhos do Afrodite. Ele quer te transformar numa réplica dele, mas eu não vou deixar. Você é minha...
- Não sou! – Lucy gritou, e teve a impressão que sua voz calou os lamentos das almas do Yomotsu por alguns instantes – Sou uma pessoa, uma mulher que ama dessa forma que você não entende, ou melhor, a sua cabeça machista não aceita.
Máscara da Morte riu sarcasticamente.
- Já que é tão liberal porque não tenta ao menos entender a minha forma de amar? No fundo você só sabe me rotular de machista...
- O machismo não tem nada de bom, Mask. – respondeu Lucy, com calma – é opressão, posse, ausência de liberdade. É arrancar a liberdade da mulher, o direito de escolha, aponta-la como um ser inferior só pelo fato de ser uma mulher. Sabe porque não posso ser sua? Porque não sou uma coisa. Sou uma mulher. Sou uma mulher que ama outra mulher, a Erika, o Afrodite e... – não pode conter o choro – e você também, apesar de tudo. Como sou tola! Mas não consigo evitar de me preocupar com você, de te querer por perto, de te amar. Seu idiota! Senti sua falta. Me dói ter que admitir isso, mas eu preciso. – soltou o ar dos pulmões – Mask, eu ainda te amo apesar de tudo, mas se você não mudar, pelo menos um pouco, vai matar esse sentimento frágil que sinto por você. – Máscara baixou a cabeça e Lucy soube na hora que suas palavras sinceras causaram impacto. Foi até o cavaleiro, segurou gentilmente seu rosto – Leve-me de volta, por favor. Vamos recomeçar.
Máscara sorriu para ela.
- Não posso. – afastou as mãos de Lucy de seu rosto e deixou-a sozinha na caverna.
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Kanon foi ao Templo de Athena após ser convocado com urgência por Shion. O Patriarca o esperou na entrada, seu amplo manto branco se agitando com o vento. Kanon parou diante do lemuriano notando sua expressão preocupada. Imaginava o motivo da convocação, apenas não compreendia porque Saga não foi chamado em seu lugar.
- Vim o mais rápido que pude, senhor. – disse o general.
- Quero que investigue as duas anomalias dimensionais que ocorreram hoje. – ordenou o patriarca – está autorizado a trajar a armadura de Gêmeos para cumprir a missão.
- Receio não ser possível, senhor. Saga e eu brigamos, ele me expulsou de casa. Certamente não permitirá que use sua armadura...
Kanon parou de falar ao notar a aproximação de Shion. Os olhos violeta caíram sobre ele. Mais uma vez Kanon desejou que Saga estivesse em seu lugar, pois detestava ter o coração lido por Shion.
- Saga ainda é um cavaleiro subordinado a mim, portanto se eu disser que você pode usar a armadura dele, você usará. – disse Shion firmemente – além do mais, Saga esta bastante debilitado para esta missão. Sabemos que prometeu a Athena ser o cavaleiro de gêmeos na ausência de Saga.
Kanon esperou a pessoa que caminhava atrás de Shion se aproximar mais um pouco para responder.
- Exatamente, me comprometi com Athena, não com você. – olhou para o lado, fez uma reverência – Sei que ela gostaria que eu o ajudasse, por isso vou aceitar essa missão. – nesse momento Shion se deu conta de quem o seguira até a entrada do templo, era própria deusa Athena. – Antes de ir adianto que o segundo portal dimensional aberto teve como destino o Sekishik. Certamente fora aberto por Máscara da Morte de Câncer. O primeiro eu não tenho ideia de que caminho seguiu, mas vou descobrir.
Kanon pediu licença e saiu para cumprir a missão. Athena foi até Shion.
- Você sempre fica transtornado quando Jim está envolvida. – disse Athena - Parece que perde completamente o rumo.
- Perdoe-me, senhorita Athena.
- Não há nada para perdoar. – Saori sorriu – Você é pai, Shion. É compreensível.
- Meu coração parece que vai sair pela boca! – confessou Shion. – A essa hora ela pode estar perdida em alguma dimensão desconhecida... Deuses! O que custava ela ter me ouvido? Por que correr tantos riscos? Desta vez ela foi longe demais. Eu não sei mais como agir com a Jim. Não sei.
- Que tal começar a confiar nela, Shion? – Athena sugeriu ainda sorrindo bondosamente.
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Assim que abriu os olhos, veio a dor de cabeça. Virou de barriga para cima gemendo. Massageou a testa. Não tinha a menor ideia de onde estava. Ordenou a si mesma a se levantar. O céu logo lhe chamou a atenção. Era como se o firmamento tivesse se transformado num abismo terrível. Sem nuvens ou brilho de estrelas, apenas o breu profundo.
Tudo a sua volta parecia ter perdido as cores naturais. As plantas agonizavam pretas e secas, a terra estava arenosa e fria. Deu alguns passos desconfiados, sempre observando tudo a sua volta. Reconheceu as colunas gregas caídas, estava no Santuário! estava em casa! Precisamente na área de acesso a subida das doses casas. Se seguisse para o norte chegaria a primeira casa. Porém, alguma coisa lhe disse que Mú não estaria lá para defender o templo de Áries.
Correu aflita e deparou-se com uma arruinada casa de áries, as casas acima estavam em mesma situação. Muitas não possuíam se quer as paredes, eram meros espaços vazios. Sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Toda aquela destruição só podia ter sido resultado de uma terrível batalha. E pelo visto, os cavaleiros não levaram a melhor.
- Não... – murmurou olhando em volta, o coração batia forte, apavorado. – Onde está todo mundo? Athena, Shion...
Não sentia os cosmos de ninguém, como se o santuário estivesse desabitado a muito tempo. Correu até a destruída casa de áries. Deparou-se com a armadura de áries montada em frente a casa, ou melhor o que sobrou dela, que consistia no peitoral rachado ao meio e o elmo estruído em cima. E não era o único. Ao lado da armadura de áries estava uma triste armadura de Touro, completamente arruinada, seguida da de Gêmeos e assim por diante.
"O que aconteceu aqui...?" perguntou-se.
Engoliu em seco e começou a subir os degraus rachados da casa de áries. Ao fim da subida suas pernas fraquejaram e ela caiu de joelhos, não por estar cansada, e sim pelo horror. Da casa de áries, restou apenas umas poucas colunas e em frente as colunas o cadáver da deusa Athena dentro de um grande vaso de sangue. Só era possível ver a cabeça, Jim se aproximou e tocou os cabelos finos que caiam das bordas do vaso. Concluiu que Athena fora presa naquele vaso, o qual sugou todo o seu sangue a levando a morte. Afastou-se do vaso chorando e tropeçou numa parte de armadura de bronze. Viu mais partes dispostas na base do jarro.
Começava a entender. Passara por um monumento macabro. Um aviso aqueles que chegassem. Os cavaleiros de ouro e bronze morreram defendendo sua deusa. Não havia mais esperança para o mundo. No fundo ela não queria acreditar em tudo o que via, desejava ardentemente que tudo não passasse de um sonho, mas quando olhou para o céu, percebeu que não havia sol, lua ou estrelas. O santuário estava destruído, mergulhado nas trevas, os cavaleiros e Athena estavam mortos. O grande eclipse se estabeleceu. Hades venceu a guerra santa.
Lágrimas brilhantes pingaram de seu rosto. Não aguantava olhar mais em volta, queria viver de olhos fechados.
- Hades venceu. – disse sem a menor energia – Eu li sobre o fim da guerra santa, Athena venceu. Shion me contou. Todos sabem. Porque eu estou aqui? Porque fui a única sobrevivente... – deu dois passos trôpegos – Não é real. Não... – parou ao sentir uma presença. Um cosmo imenso, divino. Queria gritar, mas viu-se paralisada de medo.
- É bem real. Todos estão mortos. – disse uma voz carregada de tranquilidade.
Jim se virou lentamente. Sua mente gritava "saia correndo!", mas não conseguia se mexer diante dele, diante de Hades, o imperador do submundo. Reconheceu-o pela armadura negra, adornada por asas de todos os tamanhos. O par das costas era magnifico. Era a armadura divina mais bela e sombria que já vira. Havia uma gravura em um livro da biblioteca do santuário de Hades, mas aquele desenho era um rascunho infantil diante da realidade. Hades era imponente em todos os sentidos. Alto, talvez quase dois metros de altura, o cabelo negro caia-lhe até a cintura. O corpo bélico contrastava com o rosto de traços perfeitos, angelicais, impressionantes olhos azuis a fitavam de cima a baixo. Lembravam um lago profundo...
- Você não é daqui. Como passou pelos espectros? – questionou Hades. – Não importa. Vejo que é uma guerreira de Athena, terá o mesmo destino de seus amigos.
Jim cerrou firmemente o punho. Pesadelo ou não, não assistiria o fim de seu mundo pacificamente. Lutaria. Vingaria seus amigos. Hades percebeu sua fúria.
- Você se quer está de armadura e ainda quer me enfrentar? – disse entediado. – Primeiro vou acabar com você, depois tratarei de descobrir o responsável pela sua passagem, torturarei os 108 espectros se for preciso... – caminhou na direção da jovem, analisando-a. Jim escondia seu cosmo, objetivando lançar um ataque surpresa. Claro que Hades percebeu a manobra e percebeu também outra coisa. – Espere. Você... sei o que você é. – parou subitamente e começou a andar em volta de Jim – não é uma humana comum. É uma Hanzo. Reconheceria esse cosmo em qualquer lugar. É o mesmo da ruiva que passou por aqui há algum tempo...
- Ruiva? – Jim não ousava se mexer – Por acaso ela possuía um cosmo vermelho?
- Sim. – Hades ensaiou um sorriso maldoso. – Um belo como vermelho e ainda uma habilidade muito interessante. Rara. – Hades agarrou o braço de Jim e a fez encara-lo. – talvez você seja como ela, talvez você seja um Oráculo.
- Oráculo?
- Sim, não se faça de inocente, nem minta para mim como a outra! – irritou-se Hades – Desisti de te matar. Você é mais útil viva.
Jim usou seu cosmo telecinético para provocar um desabamento de colunas que desviou a atenção de Hades, nesse momento ela aproveitou para se teletransportar para longe dele. Assim que reapareceu, o deus estava diante dela, olhando-a zangado.
- Sua valentia é inútil, não percebe? Não há como se defender de mim, nem como obter ajuda. Todos estão mortos, os cavaleiros e sua deusa patética. Eu tomei seu santuário e seu mundo. Olhe para o céu e veja o resultado do grande eclipse.
A resposta de Jim foi queimar seu cosmo, seus olhos brilharam violeta e seus cabelos se agitaram. Ela teria atacado se o som de uma lira não tivesse começado de repente.
- Já chega Hades. – exclamou Hermes – Ela não é um oráculo. É só uma garota. Não tem utilidade para você.
- O mensageiro dos deuses. Isto está ficando interessante – disse Hades cinicamente – Por que está defendendo essa garota Hanzo? Por acaso ela é sua?
- Estamos de passagem. Nossa missão nada tem a ver com você.
- É claro. Vieram de outra dimensão, como eu suspeitei. – refletiu Hades – Não me importa sua missão estúpida. Eu quero a garota. Ela fica. Ela é um oráculo.
- Ela não é um oráculo. Eu posso garantir. – rebateu Hermes – Represento deuses poderosos, você não vai querer contrariá-los.
O imperador do submundo refletiu por um momento. Em seguida decretou:
- Já que ela não é um oráculo, realmente não tem utilidade para mim. – fez um gesto de desdém com a mão. – Desapareçam da minha frente, sigam seu caminho.
Hermes tocou sua lira e um portal dimensional se abriu ao seu lado. Voou até Jim e agarrou-a pelo braço.
- Espere! Eu preciso saber... – interrompeu Jim – A ruiva. Para onde ela foi?
- Melhor ficar longe dela, garota. – Hades advertiu.
Antes que Jim pudesse protestar, Hermes a segurou firme e a puxou para além do portal dimensional. Reapareceram dentro da bolha.
- Temos que voltar! Ele sabe onde está minha mãe! – Jim berrou. Hermes a ignorou e usou seu cosmo para tirar a bolha da inércia – Não está me ouvindo? Temos que voltar...
- Não seja absurda! – ralhou Hermes, perdendo a paciência pela primeira vez – Se você voltar lá em pouco tempo sua mente aceitaria aquela realidade e você ficaria presa naquele universo paralelo para sempre. Deseja mesmo terminar os seus dias como uma escrava de Hades?
- Só ficaria até descobrir o paradeiro de Nya... – tentou Jim.
- Hades jamais lhe diria, ele é um deus perverso como nenhum outro. Acredite em mim, Jim. - a garota se afastou, levando a mãos a cabeça, vendo sua chances de encontrar a mãe diminuírem. Começava a se questionar se toda aquela viagem tinha valido a pena. Poderiam ficar vagando por dimensões para sempre. Suspirou. Hermes foi até ela e tocou seu ombro, sempre teve compaixão pela humanidade. – Eu sinto muito pelo que viu, Jim, mas não deve perder a fé...
- Como não perder a fé depois de ver aquele mundo terrível, Hermes? – ela questionou voltando-se para ele. – Diga-me, como pode ser real? Eu sempre ouvi que Athena havia vencido a última guerra santa.
- Você não está errada. Athena realmente venceu a guerra, no mundo de onde você veio. A vitória de Athena e a paz no santuário faz parte de sua realidade, de seu universo. O mundo que acaba de passar faz parte de outro universo paralelo ao que você conhece, e nesse universo Hades levou a melhor. Eu lhe alertei sobre os perigos dos universos paralelos, mas você acabou esquecendo quando caiu lá. É um efeito conhecido. Entende agora porque não podemos voltar?
Jim fez que sim com a cabeça. Conformada, procurou se recompor.
- Como Hades venceu? Os cavaleiros de bronze lutaram com Kamuis...
- Melhor não saber. – cortou o deus – Contente-se com sua realidade que vem a ser bem melhor. – sorriu para Jim. – Agora, devemos seguir caminho. A boa noticia é que atravessamos a zona turbulenta.
- Ainda corremos o risco de cairmos em outro universo paralelo?
- Sempre há esse risco a partir de agora. Porém, serei mais cauteloso e você deve continuar se concentrando no cosmo vermelho... Jim?
Ela estava de olhos fechados. Ficou assim por algum tempo. Hermes adivinhou o que estava acontecendo e procurou não interromper. Jim abriu os olhos e fitou um ponto distante:
- Ela está me chamando.
- Aponte-me a direção. – pediu Hermes.
Jim atendeu o pedido do Mensageiro, este não enxergou fio vermelho algum, nem cosmo vermelho. Voltou-se para Jim e notou seu olhar cada vez mais distante, hipnotizado pela emanação que só ela era capaz de sentir.
- Ela quer que eu vá sozinha. – olhou para Hermes com a calma de quem sabia exatamente o que fazer. - Hermes, por favor. Eu devo ir sozinha.
O mensageiro dos deuses deu um passo para trás, era inútil lutar contra aquela vontade de ferro. Confiou nos instintos de garota Hanzo e dividiu a bolha de cosmo em que estavam, deixando que Jim seguisse seu caminho até a mãe.
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Contou que ele estivesse tão bêbado que não desconfiasse de suas intenções. Chamou seu raptor para a caverna, várias vezes, desesperadamente. Segundos depois Máscara da Morte surgiu. Lucy ficou quieta, mas não se afastou quando ele se aproximou. Deixou que ele afagasse seus cabelos. Os olhos vermelhos e ébrios de Câncer se fixaram nos seios de Lucy. O calor da caverna a fez suar e molhar sua camisa de treino.
- Não quero mais brigar. – disse, a voz cansada de quem tinha chorado por muito tempo.
- Nem eu... eu só quero você, Lucy. – falou o cavaleiro, o desejo bem impresso na voz rouca, a puxando para si.
Lucy sentiu o hálito quente de álcool em seu pescoço. Sentiu vontade de vomitar, mas se manteve firme. Precisava de uma mínima distância para atingir seu alvo. Segurou a cabeça dele e começou a beija-lo. Máscara logo retribuiu, ambos atacavam os lábios um do outro. Aproveitando-se de sua distração, Lucy deu uma joelhada segura nos testículos do cavaleiro. Máscara se curvou, mudo de dor. Lucy correu para fora da caverna.
Correu o mais rápido que pôde, forçando as pernas. Procurando olhar apenas para frente. Subiu uma duna de areia negra e avistou a fila de almas errantes se dirigindo ao buraco do Yomotsu Hirasaka. Houve um momento de confusão, então soube o que fazer. Era uma "viva" na fronteira com o mundo dos mortos, se corresse na direção oposta as almas desencarnadas, poderia achar a saída.
Ouviu a risada de Máscara ecoando pelo Sekishik. As almas errantes se encolheram amedrontadas e apertaram o passo rumo ao abismo, mas Lucy não se abateu, continuou correndo.
- Não tem saída. – zombou Máscara. – Só eu posso te levar de volta ao mundo dos vivos.
Lucy continuou correndo margeando as almas errantes em direção contrária a marcha. Percebeu que a fila era imensa, parecia não ter mais fim! procurava não olhar seus rostos atormentados. Parou bruscamente ao avistar um brilho dourado em meio as almas. Era uma armadura de ouro. "estou salva!" pensou, eufórica. Correu na direção da fila, a pesada bruma a impedia de reconhecer seu dourado salvador. Quando chegou perto reconheceu a armadura de Peixes. Uma mão fria agarrou seu coração. "mestre Afrodite, se você está aqui andando com as almas, significa que..."
Agarrou o braço de Peixes e o arrastou para longe da fila, gritou por ele, mas ele não respondeu. Seu rosto estava pálido, seus braços moles, os cabelos sem brilho.
- Responda-me, mestre, por favor... – pediu Lucy, chorando se recusando a acreditar que ele estivesse morto. – Acorde, acorde e nos tire daqui. Não se deixe levar pelas garras da morte. – ela sabia que ele só ouvia o chamado do buraco, mas determinou-se a desperta-lo. Abraçou-o apertado. – não vou deixar que se atire naquele buraco, não vou! Meu amado mestre Afrodite...
- Lucy, eu estou aqui. – disse Afrodite, sua voz era débil.
Lucy levantou a cabeça e fitou o rosto do santo.
- Mestre Afrodite, graças aos deuses justos... – pulou no pescoço do cavaleiro – Eu sabia que não estava morto.
- Sim, ele está morto! – a voz cheia de escárnio de Máscara da Morte ecoou atrás de mestre e discipula. – Não passa de uma alma penada! Não há outra maneira de chegar ao Sekishik sem abandonar a vida.
- Mas eu ainda posso sentir o calor de seu corpo. - sussurrou Lucy, afastando-se.
- O fato de ser um cavaleiro faz com que o espírito se desprenda da carne mais devagar que o normal – esclareceu Máscara da Morte se aproximando de mestre e discípula – Mas logo ele se juntará as outras almas...
Lucy Renard lançou um olhar interrogativo e angustiado para Afrodite.
- Quando você desapareceu eu suspeitei que Máscara havia te trazido para cá. – contou Afrodite – e ele está certo, Lucy. A única forma de chegar ao Sekishik é morrendo. – e Afrodite se lembrou do golpe que deu no próprio peito que rasgou a armadura de ouro e parou seu coração. Seu corpo jazia no salão de lutas da Casa de Peixes coberto de sangue e rosas. - Nesse momento me encontro no limiar entre a vida e a morte.
- Você se sacrificou para me salvar... – sussurrou Lucy tocando carinhosamente o rosto de Peixes.
Afrodite balançou a cabeça e sorriu para Lucy.
- Vou usar o pouco tempo que me resta para lutar por você.
- Mortos não lutam, Afrodite. – interrompeu Mascara – O máximo que você pode fazer é andar até o buraco da morte. – com uma mão empurrou Lucy e com a outra agarrou o pescoço de Afrodite, erguendo-o do chão. – Terei prazer em ajudá-lo a chegar a seu destino final.
- Deixe-o em paz, desgraçado! – gritou Lucy.
Câncer a calou com uma rajada de cosmo que atirou o corpo de Lucy a vários metros de distância. As pedras pontiagudas do terreno rasgaram a fina carne. Lucy gritou de dor e desespero. Após o golpe covarde, a armadura de ouro de Câncer reagiu emitindo um brilho difuso. Em seguida abandonou o corpo de cavaleiro, se desmontou e montou-se sozinha longe da luta.
- De novo! Mas que merda. – reclamou Máscara.
- Você sabe que a sagrada armadura de Câncer não tolera atos de crueldade e covardia, Carlo. – lembrou Afrodite, a voz entrecortada pela pressão imposta ao seu pescoço.
- Porcaria! Não preciso dela para acabar com você. – rosnou Máscara – continuo bem vivo e ainda tenho o meu cosmo de cavaleiro e você continua bem morto. O Sekishik me deixa mais forte.
Afrodite tentou falar, mas sua voz saiu engasgada. Máscara ignorou a agonia de Afrodite e o continuou rindo e esganando cruelmente até Peixes perder os sentidos. Máscara berrou um palavrão. Seu braço estava repleto de rosas brancas, mais rosas brotaram em pernas. Rosas brancas que se tornavam vermelhas rapidamente e possuíam um perfume intenso.
- Acabou, Carlo. – disse Afrodite, de olhos fechados como se falasse dormindo – Ergam-se, Marinete de Rosas!
Após a ordem de Peixes, as inúmeras rosas se moveram, puxando o corpo de Máscara.
- Mas o que significa isso?! – berrou Máscara.
- Seu poder e sua vontade me pertencem – falou Afrodite. – trata-se de uma nova técnica de luta que venho desenvolvendo há algum tempo. Eu chamo de Marionete de Rosas. Agora largue-me.
Máscara soltou Afrodite lentamente, os dentes cerrados, rosnava de dor e raiva. Via-se perdendo toda a vontade própria, agora não conseguia mais falar nem controlar seu cosmo, as rosas entortavam seus membros como um boneco de madeira. Afrodite chamou Lucy, esta foi ate ele cambaleando, machucada e suja. Afrodite a abraçou paternalmente. Lucy mal podia olhar para o corpo sem domínio próprio de Máscara.
- Mestre, que técnica terrível. – a jovem falou.
- Não se preocupe com ele, minha querida. – tranquilizou Afrodite – Os efeitos da técnica são passageiros. Escute-me com atenção. Assim que voltarmos, minha alma vai voltar para meu corpo, mas eu ainda estarei morrendo. Você deve correr para a casa de peixes e usar cosmo curativo.
- E quanto a ele? – indagou Lucy dirigindo um rápido olhar para Máscara da Morte.
- Ele perderá os sentidos em decorrência do veneno das rosas, sem maiores consequências. – olhou para Máscara e ordenou. – Agora, nos leve de volta para o mundo dos vivos.
Debilmente e contra a sua vontade, Mascara da Morte ergueu o dedo.
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O cosmo de Jim de repente se distanciou e desapareceu. Perdeu-se. Como se não estivesse mais em um espaço tempo conhecido. Sentado em posição de meditação, com a espada apoiada sobre suas pernas, Hanzo apertou os olhos com força. Quanto mais analisava o fenômeno, mais se preocupava. Não saber onde a irmã estava era algo insuportável. Desde que ela nascera naquela época sabia onde ela estava, sentia seu tímido cosmo, desde que ela era só um bebê, acompanhou todo o crescimento de sua energia.
A ligação era tão forte que conseguia saber até quando ela estava triste, irritada, feliz. Deliciava-se com as emoções de Jim. Sentia sua confusão conforme ela crescia deslocada no seio de uma "família normal", tocou sua dor quando ela perdeu os pais no acidente que ele mesmo provocou. Ouvia seu choro, sofrendo por não poder consola-la. Ela jamais entenderia. Jamais entenderia que fizera tudo por ela, para forçar seu crescimento. "Tive que arrancar de sua vida todos que desviavam seu foco, irmã, para que você só tivesse a mim, seu irmão verdadeiro."
Aqueles minutos sem sentir o cosmo da irmã eram enlouquecedores. Só sabia que ela havia atravessado o véu dimensional, depois sumira. O que fora capaz de romper a ligação, ou melhor quem? Ouviu os passos do espectro que abrigava a alma de Kairos se aproximando. Abriu os olhos prateados.
- Você está ai sentado há horas em vez de sair para procura-la! – disse Youma.
- É impossível acha-la nesse momento. – disse Hanzo, sem olhar para o espectro.
- Como assim impossível?! – exclamou Youma – Não quero desculpas, quero que trate de encontrá-la! Preciso dela para sair do maldito quadro!
- Terá seu corpo de volta como prometi. – disse Hanzo com calma, apesar da alma estar em ebulição. Só queria cravar sua espada na barriga daquele deus mimado. – Está tudo sobe controle...
O som terrível de um trovão interrompeu a conversa. Hanzo olhou em volta, Youma bufou impaciente.
- Que chatice. Será que Zeus está tentando brincar de tiro ao alvo comigo usando seus relâmpagos estúpidos?!
O raciocínio de Youma não estava errado, pois o poder de Zeus era o único capaz de chegar aquela dimensão protetora onde viviam, mas Hanzo sabia que os trovões nada tinham a ver com o imperador do Olimpo. Tratava-se de outro deus, ou melhor, de um humano que se dizia o mais próximo de deus. Levantou e caminhou para fora do cômodo que usava como sala de meditação. Youma o seguiu.
- Para onde pensa que vai? – indagou – Tem que continuar procurando a garota.
Hanzo só parou em frente a porta principal do casarão.
- Para sua segurança, Youma, não saia da casa até que a luta termine. – advertiu.
- Luta? Mas que luta? – outro trovão, mais alto do que o anterior irrompeu. Youma paralisou de olhos arregalados – Não me diga que um cavaleiro conseguiu chegar até nós, mas isso é impossível. A minha proteção é perfeita. Nenhum humano pode penetrar na bolha sem meu consentimento.
- Nenhuma forma física de humano. – corrigiu Hanzo.
Youma viu seu aliado passar pela porta. Se ele disse para ficar dentro da casa, ele ficaria. Hanzo respirou fundo ao se ver ao ar livre. Esperou pacientemente o invasor se revelar. Ele era pura luz, como se um pequeno sol tivesse nascido dentro da bolha dimensional criada por Kairos. "Finalmente, vamos testar nossas forças", pensou o guerreiro. O espaço foi todo tomado por representações budistas. O pequeno sol, ao centro pulsava magnânimo, emanando a poderosa energia de seu portador. "A luz da criação do universo. É tão belo, quanto terrível", concluiu Hanzo. "é divino".
- Seja bem vindo a minha casa, Shaka de Virgem. – felicitou Hanzo. – Demorou mais do que esperava.
Toda a luz divina se condensou em um só ponto revelando o Santo. Hanzo acariciou o cabo de sua espada, o vento agitava suas vestes largas e seus cabelos negros presos num rabo de cavalo.
- Escolha. – Virgem falou sentado em sua conhecida posição de lótus. – Escolha qual sentido quer perder primeiro. Não espere uma morte rápida, não sou conhecido por possuir piedade.
- Eu também não. – Hanzo respondeu abrindo um meio sorriso.
