Capítulo Trinta e Sete

The Cost of Freedom

(O Preço da Liberdade)

— Não consigo ver por que você me chamou, diretor — disse Snape, tenso. — O homem é seu prisioneiro, afinal...

— E meu prisioneiro, como você o chama — disse Dumbledore, calmo, olhando de Snape para Sirius, que se sentia tolo sentado em sua cama de hospital, mas estava cansado demais para se mover. Estava melhor do que na noite anterior, quando Monstro o levara ao hospital, mas ainda se sentia horrível, e os Curandeiros iam vê-lo a cada hora. Ainda assim, seu humor melhorara consideravelmente quando Dumbledore chegara com a notícia de que Harry estava acordado e bem o bastante para jogar cartas —, causou danos consideráveis a vocês dois; o seu foi pessoal, Severus — olhou para a perna de Snape, assim como Sirius —, enquanto, Sirius, foi seu afilhado que aguentou o peso da atenção de Quirrell. Se Harry fosse mais velho, eu levaria as opiniões dele em consideração, mas como ele não tem nem doze anos ainda e você é seu guardião, achei apropriado consultar você no lugar dele.

— Deixe-o para o Lorde das Trevas — rosnou Snape, cruzando os braços sobre o peito. — Ele morrerá em um mês.

— Se está preparado para que ele morra — disse Sirius, apoiando-se nos cotovelos com dificuldade —, então pelo menos faça isso ativamente; entregue-o ao Ministério. — Snape remexeu-se, parecendo um pouco desconfortável. — Foi o que pensei.

— Mas eu também não o vejo argumentar para essa escolha — ralhou Snape. Sirius podia ter brigado com ele, mas estava cansado demais e... bem, surpreso demais. A primeira vez que acordara no hospital fora para encontrar um Patrono em forma de corça parado ao lado de sua cama. Ele lhe contara que tinha sido Morton a atacar Snape... com a voz de Snape. Agora, ou Snape fora muito esperto ao esconder seus sentimentos por James, ou a sua obsessão com Lily durante seus anos escolares tinha uma raiz mais profunda.

— Eu não desejo os Dementadores para ninguém — disse Sirius em voz baixa. Snape o olhou, antes de desviar os olhos, mas não parecia mais tão bravo. — Com Azkaban eu ficaria feliz, mas depois do que ele fez, ele seria Beijado na mesma hora. — Snape, Sirius não ficou surpreso de ver, não parecia incomodado com essa ideia. — Ainda assim, as alternativas são deixá-lo no seu bolso pelo resto da vida, Dumbledore, ou deixá-lo ir, e nenhuma delas parece... certa.

— E você chegou ao meu dilema — disse Dumbledore, juntando as mãos. — Parece mais gentil matá-lo do que deixá-lo aprisionado... e se o libertarmos, não podemos acreditar que ele não voltará para o lado de Voldemort, apesar do que ele diz...

— Ele não voltaria, não se valoriza a própria vida — disse Snape. — O Lorde das Trevas odeia fracassos; Quirrell fracassou com ele e ele fracassou em matar Quirrell. Ele não aceitaria bem o fato de que Quirrell sobreviveu.

— Ele certamente sabe? — perguntou Sirius.

— Harry, Remus, Nymphadora, Alastor, Minerva e nós três somos os únicos que sabemos, e não é provável que um de nós queira compartilhar a notícia...

— Talvez não com o Lorde das Trevas, mas e o Ministério? — perguntou Snape. — Se o Ministério souber...

— O Ministério não saberá — falou Dumbledore.

— Mas como pode ter certeza...

— Porque eu confio nas pessoas a quem contei — disse Dumbledore, severo. — O Ministério ficará sabendo exatamente o que eu ou os Aurores envolvidos — assentiu para Sirius — decidirmos compartilhar, nada mais. — Juntou as mãos. — Isso, é claro, nos dá certa liberdade sobre como lidaremos com a situação.

— Bem, se temos certeza de que ele não voltará para Voldemort — disse Sirius lentamente —, que o Ministério não é uma opção que resulte em algo além de um Beijo e que Voldemort o encontrará, só restamos nós.

— Nós? — perguntou Snape, cauteloso.

— Eu cheguei à mesma conclusão — suspirou Dumbledore. — E devo confessar que me sinto aliviado que seja esse o caso; talvez agora vocês não achem minha sugestão tão estranha.

— Vamos ouvir — disse Sirius, fazendo uma careta ao procurar uma posição mais confortável.

— Assumo — disse pesadamente — que vocês dois conhecem o conceito de Votos Perpétuos?

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— Você, Quirinus, jura que a partir de agora, até sua morte, nunca dirá ou fará qualquer coisa para ajudar o Lorde Voldemort ou seus Comensais da Morte?

— Juro — disse Quirinus sem hesitar. Fogo saiu da varinha de Severus e foi para sua mão. Ajudar Voldemort tinha tido potencial, mas Quirinus fora um Corvinal; não era tão leal a Voldemort que recusaria as condições de Dumbledore, não era teimoso demais para querer irritar Dumbledore, e não era perspicaz o suficiente para tentar achar uma lacuna. Ele era esperto. Eles lhe deram escolhas, e Quirinus era esperto o bastante para ver que era o melhor que ia conseguir; qualquer outra coisa acabaria com ele morto ou na prisão, e Quirinus respeitava mais Dumbledore do que o Ministério.

— Você, Quirinus, jura que a partir de agora, até sua morte, nunca dirá ou fará qualquer coisa para machucar física ou mentalmente alguém que não está ligado a Lorde Voldemort?

— Juro — repetiu sem hesitar. A expressão de Severus vacilou (era surpresa, talvez?), enquanto cordas de fogo saíam de sua varinha e se prendiam ao redor das mãos de Quirinus e Dumbledore. Black se remexeu na cama, tão vivo quanto Dumbledore falara que ele estaria.

— E você, Quirinus, jura que a partir de agora, até sua morte, fará o que puder para ajudar e proteger aqueles que Lorde Voldemort ou seus seguidores tentem machucar?

— Juro — respondeu, enfadado. — Você, Dumbledore, jura que não me entregará nem para Voldemort nem para o Ministério, direta ou indiretamente, enquanto eu seguir suas condições?

— Juro — respondeu Dumbledore lentamente, franzindo o cenho; normalmente, apenas uma pessoa impunha condições nos Votos, mas Quirinus não ia impor tantos limites à sua liberdade sem tomar suas próprias proteções.

A última corda de fogo saiu, expandiu, e então as quatro cordas sumiram. Dumbledore soltou Quirinus, estudando-o atentamente.

— Posso ficar com isso? — Gesticulou para o pergaminho na mão de Severus, no qual os termos do Voto Perpétuo estavam escritos. Julgando pela quantidade de rabiscos, eles tinham demorado para conseguir formulá-los. Severus olhou para Dumbledore, que acenou a varinha para o pergaminho, duplicando-o. Quirinus recebeu uma das cópias, enquanto a outra foi guardada nas vestes de Dumbledore.

— Agora, Quirinus — disse Dumbledore —, se puder...

— Não vou fazer nada — disse Quirinus. — Eu concordei com seus termos e, desde que eu não os quebre, devo ser livre para fazer o que quiser. Nunca jurei servi-lo, afinal. — Dumbledore franziu o cenho para ele.

— E aonde você pretende ir? — perguntou Severus, tenso, claramente dividido entre querer o maior espaço possível entre eles e querer Quirinus perto, onde pudesse ficar de olho nele. Uma Legilimência leve cutucou as defesas de Quirinus, as quais ele fortaleceu com um mero pensamento. Severus o olhou feio.

— Para onde eu quiser — respondeu Quirinus. — Eu falo onde poderão me encontrar assim que me estabelecer. Mas a discrição é essencial, como devem entender; não quero chamar atenção para mim mesmo, não é?

— Espero ter notícias suas até o fim da semana — disse Dumbledore.

— Entrarei em contato quando estiver seguro — corrigiu Quirinus. — Agora, se puder me emprestar sua varinha para eu mudar minha aparência para poder ir embora... — Dumbledore hesitou. — Vamos lá, Dumbledore; se eu sair daqui parecendo Christopher Morton, certamente serei descoberto e você acabou de jurar... — A expressão de Severus podia ter azedado leite, mas a de Dumbledore estava inescrutável. Infelizmente, ele não cedeu sua varinha a Quirinus. Parecia que não confiava tanto assim nele ainda. Mas ele acenou a varinha na direção de Quirinus (que ficou da altura de um adulto) e conjurou um espelho.

Assim que Quirinus ficou satisfeito com sua aparência, despediu-se de Severus e de Dumbledore, ignorou Black — que adormecera — e foi para o corredor.

Sua mão ainda queimava com o leve lembrete do seu Voto, mas Quirinus estava livre.

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Harry desviou do carrinho de uma aluna do quarto ano — Hedwig guinchou em sua gaiola e bateu o bico para a garota —, olhou por cima do ombro para ver que Ron o acompanhava, e os dois foram até o pilar, onde podiam ver várias cabeças ruivas reunidas. Era óbvio que Percy ignorava os gêmeos, como fazia há semanas. Eles tinham perdido pontos por terem saído do Salão Comunal (apesar de terem ficado presos no chão e não terem ido muito longe) na noite que Harry e os outros tinham ido atrás de Morton. Neville ganhara pontos (aparentemente, ele tinha enfrentado os gêmeos), mas, apesar disso, os gêmeos causaram danos o bastante para que Grifinória ficasse em último lugar na competição pela Taça da Casa.

— Ron! — Ginny passou correndo por Harry (Hedwig guinchou pela segunda vez) e foi cumprimentar seu irmão, enquanto a senhora Weasley cuidava de Percy, e o senhor Weasley conversava animadamente com os gêmeos.

— Sai! — murmurou Ron, tentando empurrar Ginny.

— Oh, que legal — disse ela, franzindo o cenho. — Achei que você tinha dito sentir minha falta...

— Senti, mas já estou de volta, então...

— Olá, senhora Weasley — disse Harry, deixando-os conversar.

— Olá, Harry querido — disse ela. — Acabou bem o ano?

— Sim, bem — respondeu.

— Ai! — exclamou Ron atrás dele e, então, Ginny passou por Harry e foi ficar com os gêmeos. Ron se aproximou de sua mãe, olhando feio para sua irmã. A senhora Weasley o abraçou e examinou sua mão, que já estava completamente curada, para o desapontamento de Ron. Ele esperara poder usar a mão machucada como uma desculpa para não conseguir escrever e que, por isso, não precisasse fazer as provas.

— Sirius vem te buscar, Harry? — perguntou a senhora Weasley.

— Ele vai nos encontrar no Ministério, porque ele ainda não pode aparatar — respondeu. — Mas Moony vai chegar logo.

— Bem, vamos esperar com você — disse ela, sorrindo gentilmente para ele. Moony não demorou a chegar, parecendo cansado; a lua cheia tinha sido há algumas noites e ele precisara encará-la sozinho, já que Padfoot ainda estava de cama, ordens dos Curandeiros, e Moony se recusara a permitir que Harry fosse com ele.

— Certo, vocês — disse o senhor Weasley, fazendo o resto da família começar a se mover. — É melhor irmos, ou vou acabar recebendo uma daquelas mulas.

— Multas, Arthur — disse Molly, mas o senhor Weasley não pareceu ouvir. Com despedidas animadas, e uma promessa de Ron que Harry poderia visitá-los durante o verão, eles foram embora.

— Hermione já foi embora? — perguntou Moony. — E o Draco?

— Hermione precisava ir ao jantar de aniversário do primo dela, então ela foi assim que saímos do trem.

— E Draco? — perguntou Moony.

— Com a família — respondeu. — Hydrus foi buscá-lo antes mesmo do trem parar.

— Entendo — falou Moony, parecendo perturbado. — Bem, talvez eles deixem que ele venha nos visitar. — Harry duvidava, e, pelo cheiro, sabia que Moony também. — Aqui, me dê isso e aí podemos ir. — Moony pegou o malão de Harry, usou um feitiço para encolhê-lo e o guardou no bolso, que Harry podia apenas assumir ser onde ele guardou o próprio malão. Harry deixou Hedwig sair da gaiola com instruções de ir para casa, e, então, Moony usou o mesmo feitiço antes de colocar a gaiola com os malões. Então, Moony ofereceu um braço a Harry e o aparatou.

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— Tonks, Nymphadora — chamou Scrimgeour, e Tonks se levantou tão rápido que tropeçou. Harry riu com os outros, e o cabelo de Tonks ficou num tom chamativo e envergonhado de rosa, antes de ela subir no palco, apertar a mão de Scrimgeour, receber um certificado e um par de vestes formais dos Aurores. — Quer dizer algo, Alastor? — perguntou Scrimgeour a Moody, que parecia tão mal-humorado quanto sempre. Tonks o olhou, parecendo ansiosa; Finch tinha soluçado enquanto parabenizava seus Recrutas, e Robards tinha feito um discurso emotivo sobre a formatura de Marlene, apesar de todos os desafios que ela enfrentara, e Padfoot ajudara Hemsley a contar anedotas engraçadas sobre Brown.

— Estou muito orgulhoso — disse Moody rispidamente. Tonks se apressou a abraçá-lo, e Moody lhe deu tapinhas desajeitados nas costas, antes de mandá-la para seu lugar para que o próximo formando pudesse ser chamado. Harry distintamente o ouvir murmurar: — Vigilância constante. — A celebração que se seguiu foi animada e barulhenta, e Harry finalmente pôde se aproximar de Padfoot, que que tivera que ficar com os Aurores durante as apresentações.

— Vou deixá-los — disse Marlene, sorrindo para Harry, e foi conversar com outra pessoa. Padfoot puxou Harry para um abraço e os dois acharam um lugar para se sentar.

— Como está se sentindo? — perguntou Harry a ele.

— Bem — disse Padfoot. — Só não consigo ficar em pé por muito tempo; honestamente, o que eles estavam pensando ao me fazerem ficar na cama por tanto tempo?

— Provavelmente que você precisava de tempo para melhorar — respondeu.

— Eles podiam ter me levado para dar umas voltas, no mínimo — resmungou ele. Harry sorriu. — Então, quem ganhou a Taça da Casa?

— Sonserina — contou.

— Ah, bem — falou Padfoot. — Ano que vem, eh?

— Desde que ele e seus amigos não se metam em problemas — disse Moony, aproximando-se deles com um sorriso. Ele sentou-se em uma cadeira com um suspiro agradecido.

— Não é questão de não se meter em problema — disse Padfoot —, é questão de não ser pego. — Esticou o braço e pegou uma bebida da bandeja flutuante.

— É muito provável que qualquer problema em Hogwarts tenha sido causado por eles — disse Moony — ou pelos gêmeos. — Riu. — Se algo der errado, acho que a pobre da McGonagall vai acabar descontando pontos da Grifinória por princípio.

— Professores — disse Padfoot, revirando os olhos para Harry, que riu. — Como foram as provas, garoto?

— Bem — respondeu. — Transfiguração foi fácil, e Defesa também...

— Tem um rumor de que Harry tirou 160 em Defesa — falou Moony com o rosto sério.

— Oh, mesmo? — perguntou Padfoot com a mesma expressão. — É verídico?

— Não tenho certeza — respondeu Moony, sério. — Aquele professor de Defesa dele é meio irresponsável...

— Falta uma ou duas vezes por mês — comentou Harry, sorrindo.

— E aí ele foi e faltou quase uma semana — falou Moony, estalando a língua —, porque, aparentemente, ele estava correndo pelo Ministério, colocando o nariz nos assuntos dos Aurores, tentando achar um cachorro perdido.

— A ousadia — disse Padfoot, ofegando, antes de rir. — Ah, bem. Espero que ano que vem ele se acalme um pouco. — Um sorriso travesso apareceu em seu rosto, acompanhado por um cheiro divertido. — Falando de se acalmar... Onde Dora se enfiou? — Moony, por qualquer motivo, corou e sibilou algo para Padfoot que nem mesmo os ouvidos de Harry conseguiram escutar. Harry olhou de um para o outro, confuso.

— O que...

— Não é nada, Harry, de verdade — disse Moony, firme, rosnando para Padfoot o tempo todo. — Mas Dora, já que você perguntou, Sirius, está conversando com Olho-Tonto e uns antigos amigos dele.

— Entendo — falou Padfoot, sem se deixar desencorajar. Harry esperou que ele falasse mais alguma coisa sobre o que quer que houvesse irritado Moony, mas ele disse apenas: — Então, quais são seus planos para o verão? Quadribol? Visitar seus amigos? — Padfoot franziu o cenho. — Falando em amigos, eu meio que esperava que Draco viesse com você.

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Narcissa olhou por cima do seu livro e para fora da janela da biblioteca. Um sorriso pequeno apareceu em seus lábios quando Hydrus passou voando, seu rosto alegre, e Lucius — também em uma vassoura — jogou algo para ele pegar. Os dois tinham planos para que Hydrus entrasse no time de Sonserina no próximo semestre, e Narcissa esperava que as preparações para isso durassem as férias inteiras. Eles iam até sair para comprar vassouras, ou era o que tinham lhe dito.

Seus olhos foram para as duas figuras no chão. Uma era Dobby, com uma cesta de ferramentas de jardinagem pendurada em seu antebraço magrelo, e a outra era Draco, que o seguia de arbusto a arbusto, parecendo um pouco perdido. Não conseguiu evitar se lembrar de que ele parecera confortável no hospital, quando estivera falando com a menina Weasley — uma traidora de sangue — e, ainda assim, aqui, em sua própria casa, ele parecia ansioso e mantinha-se quieto.

— Sinto muito, Draco — murmurou ela, brincando distraidamente com as orelhas do livro. Ela tinha ganhado de certo modo; Draco fazia as próprias escolhas e os próprios amigos e, quando estava com eles, ele era feliz... Mas não podia evitar pensar que perdera. Por mais que quisesse que ele fosse livre para escolher um lado (fosse o de Potter ou o do Lorde das Trevas), não esperara que ele o fizesse tão cedo ou tão claramente. Não tinha considerado o fato de que, ao moldá-lo para ser independente o bastante para fazer escolhas sozinho, acabaria o perdendo.

Ela assumira que tal escolha demoraria anos a acontecer e, aí, Draco tinha ido com Potter para tentar impedir o Lorde das Trevas. Isso era algo pelo que ele levaria uma bronca. Ela seria hipócrita se brigasse com ele por tal escolha — mas também não podia arriscar elogiá-lo —, mas certamente precisava se garantir de que Draco fosse sutil. Tinha tomado tais medidas com Draco para se garantir que ele fosse feliz, mas também para que ele sobrevivesse. Escolher um lado tão claramente e tão cedo era perigoso para ele, mas ainda mais perigoso para Narcissa e para o resto da família.

Mas como explicar isso a ele sem ser rigorosa? Draco era, se os últimos anos eram uma indicação, facilmente influenciável. Ela poderia mudar tudo com algumas palavras gentis. Sabia que podia e estava tentada a fazê-lo. Queria que ele fosse feliz, mas não queria perdê-lo, e era o que estava acontecendo, agora mesmo; só precisava olhar para ele para saber ver como ele estava desconfortável na própria casa. Certamente Narcissa não era uma pessoa ruim por querer ficar perto de seu filho?

Não, pensou ela, mas é arriscado continuar a me intrometer. Eu fiz de Draco um Grifinório, e agora ele aceitou isso. Não tenho que gostar, mas tenho que pelo menos respeitar... mesmo que eu o perca.

Ela conhecia os sinais; ela vira os esforços dos Black com Sirius. Narcissa e Lucius não eram tão rigorosos quanto Walburga e Orion tinham sido, mas, por outro lado, Hydrus não aceitava tanto seu irmão quanto Regulus aceitara.

Eu vou perdê-lo, pensou e ficou um pouco surpresa quando nenhuma lágrima seguiu essa percepção. Talvez não agora, mas um dia... Voltou a olhar pela janela. Pelo menos eu o tenho por mais um verão.

Fim.

N/T: Obrigada pelos comentários e por me acompanharem até aqui!

A continuação, Identity, começará a ser postada na semana que vem mesmo, no dia 02/11. Nesse mesmo dia eu vou mandar o PDF de Initiate pra quem pedir, então se você ainda não pediu e quer, me mande um e-mail em serena(ponto)bluemoon(arroba)gmail(ponto)com ou me procure na página do Facebook (link no perfil).

Mais uma vez, obrigada e até a próxima!