N/a: Aos que leram e por alguma razão ainda lêem, obrigada por não desistirem.

Acreditem, eu não desisti da história, eu amo os personagens originais e amo os meus personagens com todas as minhas forças...

mas além das merdas, a vida acontece.

mais uma vez obrigada por continuarem comigo.

este é o último capítulo, mas juro, ainda há um epilogo.

tudo acaba bem, senão não há graça, certo?

beijos, e acompanhem o picasa!

Vic Zanini

29/01/14


PARTE 4 (VI)

BLEEDING LOVE

Capítulo 36 – Recolhendo Pedaços

La Push, início da manhã.

EmmPOV.

Quando Bernard chegou ao Centro Médico, ainda de madrugada por aqui, ele foi limpo, minuciosamente examinado e de Woody acabou por receber uma grande quantidade de sangue por transfusão. O que deixou o garoto fraco, e sendo assim, Robert foi chamado para doar um pouco do sangue dele para o irmão e agora ambos estão em observação recebendo paparicos de suas apaixonadas garotas.

Carlisle, Edward e Seth estão cuidando do meu amigo, e preferiram deixa-lo desacordado, como num coma farmacológico, mas isso não funciona em Byrdie, então Zack foi chamado para auxiliar. Já fazia algum tempo que não nos reuníamos assim, nós cinco quero dizer. Aqui estavam eu, Bernard, Edward, Zack e até mesmo o elfo que nos observava do lado de fora da sala porque devia saber que a batata dele conosco estava muito mais do que assada.

Northman durante este tempo todo em que Helena esteve afastada de nós esteve com ela, recebendo todo o seu apoio incondicional, seu amor, seu corpo, podendo usufruir de tudo dela e logo minha mente estava na visão que tive dela ao chegar ao bar onde Bernard estava. Incrivelmente sexy e exalando poder, mesmo que de perto seu rosto estivesse transfigurado pela fome.

- Pela visão que estou recebendo de você, não faltava nenhum pedaço nela, não é? Estava de uniforme..- resmungou Edward, aquele intrometido.- Apesar da cara estranha.

- Seth, vamos verificar os nossos pacientes em observação?- disfarçou Carlisle, que estava mais do que claro que também já pouco suportava o azedume de Edward.- Edward é médico, pode cuidar do ferido sozinho.

Seth e Zack trocaram um olhar que dizia que passava a responsabilidade pela segurança de Bernard para o bruxo e logo saiu com Carlisle. Não que eles tivessem ido muito longe e nem que não estaríamos longe da vista de todos que estavam circulando por ali, já que a sala onde esperávamos por Helena era mais parecida com um aquário.

- Vou ficar com você, guardião.- falou Northman entrando logo que os dois saíram, postando-se ao lado de Zack na cabeceira de Bernard enquanto eu fui fazer companhia a Edward aos pés dele.- Helena estava usando uniforme porque precisa impor respeito, ainda há rebeldes por aí e eles precisam saber que ela está sempre disposta a lutar pelo reino dela, pela raça dela.- bundão.

- E você o que faz mesmo? Pelo visto, nenhum pouco de força bruta...- falei.

- Quando minha rainha precisa da minha ajuda em força bruta, ela simplesmente pede e eu a deixo decidir quando precisa disso, não cobro absolutamente nada dela...- disse o engomadinho e recebeu umas rosnadas de mim e de Ed, além de uma virada de olhos de Zack.- Eu sou um politico, mas não quer dizer que eu fuja da luta, eu e minha esposa formamos uma grande equipe.

- Pois o que você enche a boca pra chamar de politica não passa da mais barata manipulação.- falou Zack e confesso que fiquei surpreso com sua audácia, e não apenas eu. Ele tem passado a maior parte de seu tempo cuidando de seu restaurante da Vinícola Vivara na Califórnia. Tem sido raro vê-lo fora de lá e é mais raro ainda falar sobre o que pensa de nós sem nenhuma papa na língua. Fiquei orgulhoso, Zack é um cara bacana.- Desde que você pôs os olhos em Helena, já há tantos anos, você a quis e não descansou até poder prendê-la com aquele estupido tratado de casamento feito com uma maldita fruta!- exclamou.- Uma fruta! O que eu sei, é que isso..- falou apontando para Byrdie.- Isso não teria acontecido se não fosse por você! Tua mãe manipulou o pai de Bernard, fazendo com que Rolf e Rosalie se separassem... Anika planejou tudo e teve acesso à nossa família, será que você também não está metido nisso?- é obvio que Northman estava subindo nas tamancas, porém parecia que Zack ainda não havia terminado de falar.- Teu tio armou para você e Zara fazendo com que Helena fosse àquele primeiro encontro entra vocês e ela acabou saindo de lá marcada a você pra sempre! Nós soubemos sobre o affair de vocês na época e quando você simplesmente sumiu foi horrível vê-la com lágrimas nos olhos admitindo pra gente o quanto você mexia com ela! Duvido que qualquer um aqui tenha gostado de ouvi-la admitir isso, mas pra ela, deve ter sido muito pior ter de admitir isso pra nós! Mas aí você volta, a amiga de Helena está morta, há uma criança envolvida e você desperta nela um enorme sentimento de culpa, fazendo com que ela não seja mais a mesma, de novo. Você é cruel.

- Vocês não sabem nada sobre crueldade porque não passam de crianças mimadas pelo excesso de amor e zelo que Helena tem com cada um de vocês! Helena jamais vai poder voltar a ser a mesma porque a cada dia ela está mais forte, mais poderosa, mais adulta! Vocês parecem não perceber que ela é uma rainha, rainha dos elfos, dos lobos, das veelas, a mais poderosa bruxa e também a mais incrível vampira, enquanto cada um de vocês não passam de chorões assustados!- exclamou Northman.

- E você parece não perceber que ao invés de uma máquina de guerra cheia de poderes mágicos ela é também uma mulher que está cansada de lutar em guerras que não são necessariamente suas! Helena quer ficar mais tempo com a família, até mesmo conosco! Ela também está muito assustada, ela tem muito medo de se perder no meio de tantos poderes ainda desconhecidos por ela, vocês já pensaram nisso? Que qualquer dia ela pode se perder de vez? Chega de cobranças e mais cobranças! Vamos dar um tempo pra ela!- exaltou-se Zack.

- E como você pode saber sobre tudo isso a respeito dela, Zackery? Fazem semanas que você sequer passa alguns dias por perto!- falou Edward.

- É responsabilidade minha e de Bernard conhece-la, lembram-se?- respondeu Zack.- Eu posso estar concentrado em meu restaurante e na vinícola, mas estou sempre disponível para ela, enquanto vocês três...- falou apontando para mim, Edward e Bernard.- Enquanto vocês parecem simplesmente estar querendo fugir, não é? Você Emmett está concentrado na reforma do complexo em Londres, você Edward só sabe disparar seu rancor e ocupar o resto do seu tempo atendendo aqui em La Push, está na clínica em Londres ou em Saint Mungos e Bernard estava até a raiz dos cabelos em seu luto e bebedeira! Eu tenho meus compromissos, mas também como cada um de vocês, tenho um desses.- então puxou seu colar de proteção para fora e acho que eu e Edward queríamos buracos pra nos esconder.- Toda a vez que eu sentia falta dela, ela vinha até mim assim que eu a chamava. Eu sou incrivelmente feliz com ela e sei que ela é feliz comigo e toda a vez que nos encontramos simplesmente nos amávamos, porque é isso o que um casal que se ama faz quando se encontra, simplesmente se ama...

Senti inveja dele, assim como me senti um idiota, porque Zack estava certo, todos estavam ocupados, mas fomos nós quem nos afastamos de Helena ao mesmo tempo em que ficamos resmungando que ela está longe. Que bosta de maridos que somos! Ao meu lado com as mãos socadas nos bolsos do jaleco Edward suspirou com cara de cachorro que caiu do caminhão de mudança e encarou Zack por uns instantes.

- Zackery, eu te invejo. Eu quero ser mais uma vez o melhor amigo de Hell, quero ser de novo seu namorado, mas parece que nos perdemos...- confessou Ed.

- Mas Edward, eu ainda estou aqui. Eu ainda quero você como meu melhor amigo, como meu gêmeo, como meu marido. Minha mão ainda está estendida pra você, é só alçar a tua na minha direção também.- aquela era Hell falando muito docemente, mas aparecendo do nada no melhor estilo "BU!" que sempre faz com que eu me peide de medo.

Edward saiu rapidamente de onde estava, cruzou o quarto e a abraçou apertado como poucas vezes eu o vi fazer na nossa frente. E o negócio foi tão entusiasmado da parte dele que aposto que não houve um ser vivo que não tenha ouvido os ossos das costelas da Hell estalarem, sorte que ela não é nada frágil.

- Eu sinto tanto, meu amor. Sinto muito. Sinto muito mesmo.- disse Edward amorosamente espalhando dezenas de beijinhos pelo rosto, pescoço e ombros de Hell, enquanto segurava-a com suas mãos. Ele estava felicíssimo, ela só parecia emocionada e apaixonada por ele, mas ela logo levantou a mão no meio deles e parou aquela sessão de beijos adolescentes.

- Fico muito feliz que você esteja feliz por eu estar de volta, mas existem muitas coisas que precisamos acertar entre nós dois, você não acha?- disse ela para Edward para depois voltar-se pra mim.- Quero me apaixonar por você de novo também ursão, mas primeiro eu preciso trazer o meu lobo de volta são e salvo.- ela pediu para que saíssemos, mas Edward se ofereceu pra ficar e ela deixou. Eles ficaram se olhando por um tempo, parecia quando eles estavam no início do namoro deles, tímidos, ou talvez eles só quisessem um quarto.

Edward riu.

...

EdPOV.

Comecei a sentir um pouco de esperança, daquelas que te dão a certeza de que no fim tudo vai dar certo. Porém logo no nosso clima romântico foi quebrado pelo lado profissional de Helena e sua gelada quietude, ela começou a agir como se eu não estivesse ali, concentrou-se totalmente em Bernard, acabou por me dar algumas ordens, mas eu soube que era para me distrair, comecei a achar que ela havia me deixado ficar para que eu visse de camarote o quanto ela amava o lobo dela e o quanto a relação deles corria bem, às mil maravilhas.

Estava me roendo de ciúmes.

- Sinto muito pelo meu atraso meu amor, me desculpe.- disse Hell para o paciente, com os olhos marejados e voz embargada, enquanto acariciava seu rosto agora limpo. Aquele pequeno toque apenas fez com que o coração do lobo disparasse e mesmo que o meu já não batesse há mais de uma centena de anos, eu sabia exatamente como ele estava se sentindo naquele instante.- Vai ficar tudo bem a partir de agora...

- Você precisa de algo?- perguntei mais para quebrar aquele clima de amor entre eles do que pela vontade real de ajudar, confesso. Ela deve ter notado que eu estava de birra, então simplesmente ficou me olhando, quieta, acho que ela estava começando a ficar impaciente comigo. – Vejo que se alimentou, já que seu rosto parece diferente da visão que tive da cabeça de Emmett, mas bebeu o suficiente? Quer um pouco mais?

- Bebi mais do que o suficiente, obrigada. – respondeu ela sem me encarar, para em seguida procurar uma roupa hospitalar no armário.-Demorei para chegar porque estava faminta.- pigarreou. - Obrigada por ter ajudado a cuidar dele...

- É minha obrigação como médico, quer ver os exames?- perguntei desconfortável com a atitude evasiva dela, mas logo quem ficou nervoso foi eu enquanto a via trocar de roupa sem nenhum tipo de pudor. Aquilo estava me excitando, mas sabia que eu tinha um trabalho a fazer antes do prazer.

- Relaxe Edward, cada coisa a seu tempo, ok...- falou. Sim, ela definitivamente estava na minha cabeça.- No momento eu só preciso da sua parceria e de silêncio...- então olhou por cima do ombro muito serenamente para os demais que se aglomeravam do lado de fora e que só não haviam a visto nua por causa de um fino biombo, mas que se mantiveram incrivelmente estavam quietos, deviam estar tão excitados e encantados por ela quanto eu.- No momento Byrdie é a minha prioridade, mas logo estarei com vocês...- disse para logo depois se inclinar novamente sobre seu lobo.- Trate de ficar bom logo meu amor, em breve quero tentar fabricar a nossa menininha...

Engoli seco, e creio que desta vez foi tão audível e tão intencionalmente irritado que ela novamente desviou os olhos de Bernard pra mim. Como é que ela poderia estar pensando em mais um filho? E a nossa filha Marie como fica? Ela também precisa de uma mãe, não?

- Outro filho?- cutuquei, mesmo sabendo que meus pensamentos estavam sendo ouvidos.

- Acaso eu disse que era para hoje?- respondeu ela rispidamente, que logo com pouca paciência me mandou providenciar uma boa quantidade de morfina que ela praticamente multiplicou por dez diante dos olhos de todos num instante, mas eu continuava irritado.- Ed, por favor, não faz isso com a gente...- falou com muito mais calma se aproximando de mim e quase chegando a me tocar, mas desistindo no instante final.

Este é um dos pontos de maior discussão do nosso relacionamento ultimamente, o fato de ela sempre parecer desistir de tentar resolver os problemas que temos, de não querer se aprofundar no assunto, discutir ambos os lados da moeda. Só que desta vez eu não deixei que ela se afastasse assim tão rápido e a agarrei pelo pulso.

- A culpa por esta situação, se há culpados ou inocentes, não é só minha, Helena!- falei rispidamente, porém a sério, o que causou nela um leve tremor e um estalar de seus olhos.- Eu não sei se depois de você deixar Bernard saudável de novo você não vai sumir mais uma vez, então chegou a hora, diz pra gente, diz pra mim, o que realmente há de errado com você? Você anda muito estranha, você têm de reconhecer isso também, um dia eu fui teu melhor amigo, mas hoje eu não te reconheço mais!- ela tentou se afastar e eu apertei-a, seus olhos marejaram e sua respiração acelerou e seu coração começou a martelar tanto nos meus ouvidos quanto na ponta dos meus dedos. Ela já não estava fugindo, estava exposta, com vergonha e nervosa por isso. Helena abriu e fechou a boca um par de vezes sem saber o que dizer e quando piscou grossas lágrimas caíram de seus olhos sobre o corpo de Bernard que ainda separava nossos corpos e logo em seguida ela suspirou, fechou os olhos e engoliu, como se uma grande bola estivesse descendo pela sua garganta. Foram instantes assim e o silêncio era tanto que podíamos ouvir as ondas batendo à praia. Até ela abrir novamente os olhos. Logo eu estava olhando naquelas esmeraldas de novo, as mesmas esmeraldas que vejo nos olhos de nossa filha e foi assim que eu soube que eu a havia tocado e que ela falaria sinceramente conosco, comigo. Larguei de seu pulso e peguei em sua mão com carinho.- Helena, somos a tua família e te amamos, fala com a gente.

- Há coisas das quais eu não posso falar, algumas agora, outras só daqui a algum tempo e de outras às quais talvez eu não possa falar nunca, porque são algumas coisas que não dizem nenhum respeito a vocês. Todo mundo têm segredos Edward, gostaria que você, que vocês todos – disse para mim e para os demais virando-se para os demais que estavam ali também – entendessem definitivamente isso. Porém também sei que existem muitas coisas que devemos esclarecer, façam as perguntas certas e vocês obterão de mim as respostas que desejam.- informou friamente.

Imediatamente as pessoas começaram a fazer perguntas falando umas sobre as outras e minha cabeça também encheu-se de dúvidas e questões alheias, enquanto eu estava tentando simplesmente tentando fazer minhas próprias perguntas, foi confuso.

- Helena, você não precisa realmente responder qualquer pergunta...- comentou Northman.

- Eu concordo com ele.- corroborou Indra e era mais do que óbvio que Joseph partilhava da mesma opinião que os dois.

Era muito fácil para aqueles três homens cujas opiniões sobre o certo e o errado, o branco e o negro, e o bem e o mal tinham várias interpretações dizerem à Helena que ela podia sim esconder coisas das pessoas às quais ela ama e convive quando isso afeta a maneira dos outros a verem. Há décadas eu já não podia ler a mente de Indra e Joseph e nunca pude interpretar direito a mente de Northman, mas sabíamos todos que eles, os três, juntamente com Bernard são as pessoas que mais sabem dos segredos de Helena e no momento era mais do que visto de que ela estava irritada com eles, principalmente porque o rosto de Helena dava grandes dicas de tal irritação.

Hell bufou e retirou sua mão da minha e virou-se de costas pra mim, de frente pra todos, seu corpo vibrava, acredito que a seu nível, cada um de nós a estava tirando do sério.

- Eu sou uma rainha! Não me digam o que fazer! Vocês são meus conselheiros, mas no momento, dispenso os conselhos de cada um de vocês!- exclamou Hell e sua tensão era tanta que podia se ver um campo de força ao redor dela, eu senti medo, todos sentiram...

- Ouch!- exclamou Hoyt Fonsi com uma risada estúpida enquanto folheava uma revista velha, obviamente, nem todos estavam com medo. – Quê? – perguntou quando percebeu os olhares irritados de todos. Rosalie deu um passo e ficou à sua frente. Ele recém feito sua doação de sangue para a "causa vampira", mas pela maneira em que Hell o olhou, parecia que ele iria perder todo o seu sangue muito em breve.

- Agradeço sua disponibilidade em doar sangue regularmente à Rosalie, mas este não é um assunto que diz respeito a você, Hoyt.- disse Esme tentando apaziguar. – É melhor você ir esperar lá fora, ir ao Shade's comer algo e recuperar suas forças, todo este assunto é coisa de família...

- Ele é meu companheiro, mãe!- exclamou Rosie.- Ele fica aqui comigo, e em todos os pedaços juntos!

- Que seja.- disse Hell dando de ombros.- Eu realmente não estou com saco pra discutir a presença do Hoyt ou a falta dele aqui, no momento o que me importa é a saúde de Bernard, é ele a minha prioridade aqui! Não é saudável que ele continue assim por um período prolongado...- falou acarinhando seu lobo.- Edward, Byrdie estará acordado quando eu extrair os projéteis, vai sentir dor, mas é preciso, porque a cura loba ocorre mais rápido com a consciência, entendeu?

É claro que eu tinha entendido, tinha entendido principalmente que aquele humano idiota tinha dado a ela um motivo pra ela nos enrolar, mas antes que eu pudesse dizer algo, Rosie estava batendo contra o vidro que separava os demais de nós três ali dentro daquele aquário desinfetado.

- Hell, foi Anika quem me separou de Rolf?- perguntou Rosalie.

- Existe aquele ditado, lembra? "O que um não quer"...- falou Hell.

- "... dois não fazem".- terminou Rosalie com a voz tremula e Hoyt se aproximou dela e para demonstrar seu apoio apertou-lhe o ombro e a tirou dali para um canto mais afastado.

- Rô, pensa que aquela monstrenga nos fez um favor, se não fosse por ela, hoje não estaríamos juntos...- disse Hoyt.

- Mãe, você realmente sofreu alguma influencia da Poção Aurora? Por que tivemos de ficar velando uma cópia sua? Por que você não confiou na gente?- perguntou Peter.

- É claro que sofri o efeito da poção, meu filho. E acredite, teria sido bem pior, quem sabe até o efeito teria sido irreversível se Violet não houvesse me encontrado logo depois de ter corrido quando Edward a beijou.- disse Hell me dispensando um olhar rápido e ríspido.- Por sorte ela localizou Joseph, que por mais sorte sempre carrega uma pedra Bezoar com ele... meu irmão me levou a um lugar seguro, acordei quando meu avô também já estava lá, pelo menos uns dias depois do ocorrido, eles me contaram o que fizeram, colocando a cópia dorminhoca no meu lugar.- então olhou para o avô e para o irmão numa mistura de carinho e irritação.- Peter, você bem conhece o senhor Ministro da Magia, nós conhecemos ele na intimidade, e por isso às vezes esquecemos o quanto ele é terrivelmente eficiente no seu cargo. Diz que eu sou a bruxa mais poderosa, no entanto é ele quem ocupa o cargo máximo de nossa raça há cinquenta anos. Ele estava me protegendo enquanto eu precisava ser protegida de verdade e continuou protegendo a vocês, quando eu fui atrás da minha vingança. Aquela cretina da Anika me transformou em veela, mas não sem antes tentar me matar!- disse com raiva.

- E eu acabei com a raça dela.- disse Northman.- Ela era minha mãe apenas por um acaso da biologia, ela abandonou tanto a mim quanto todos os meus irmãos assim que nascemos, porque éramos homens... Havia muito envolvido em tudo o que estava acontecendo e a princípio eu fui tão enganado quanto todos vocês, até a noite em que eu fui "atacado" por uma belíssima águia de fogo...

- Veelas são incrivelmente atraídas por elfos... você é meu marido, eu sentia a tua falta e precisava muito da tua ajuda.- disse Hell toda melosa. - Anika havia se juntado aos elfos rebeldes e junto às veelas que continuavam com ela eles tinham um exercito pequeno, porém letal. Eu fui atrás deles quando me senti hábil pra isso, tanto física quanto mentalmente e magicamente para fazê-lo. E tendo um "professor" tão qualificado e experiente tudo foi mais fácil...

- Então, quando começaremos os procedimentos em Bernard?- perguntei pelo simples prazer de interromper aquela seção ternura e o que recebi dela foi um longo suspiro.

- Helena, você faltou à nossa ultima consulta, você ainda tem blackouts?- perguntou Seth, o que me magoou, eu costumava ser o médico de confiança dela, obviamente não sou mais. Ficamos nos encarando por algum tempo enquanto Seth esperava por sua resposta e ela obviamente lia minha mágoa.

- Continuo na mesma situação que antes, Seth.- disse ela ainda olhando para mim. - Os blackouts vem quando tenho fome em excesso... Seth, falaremos disso depois, certo?- disse agora olhando pra ele por cima de seu ombro.

- Você está sentindo vergonha.- afirmou Jasper, e ao contrário de alguns presentes, eu sabia no que ele estava pensando.- Foram os nossos filhos os causadores destes teus blackouts, não?

- Por que você diz isso?- perguntou Hell com um sorriso amarelo.

- Por que o veneno vampiro que corre em suas veias é meu, e porque eu sempre consegui sentir você... e desde o primeiro dia da sua gestação senti seu organismo todo mudar, nossos filhos desencadearam algo em você...- disse Jasper evidentemente abatido, enquanto Hell o olhava com os olhos marejados e mordia o lábio inferior que tremia.- Você sacrificou tanto por nós, por eles, mas você deve saber tão bem quanto eu... eles só bebem sangue humano..

- Você tem razão, Jazz.- murmurou Hell antes de render-se ao choro.- O primeiro blackout aconteceu quando eu quase comi meu Zack... e desde então, mesmo agora depois de quase um ano do nascimento dos filhos de vocês eu ainda os tenho, especialmente porque eu não gosto do jeito que eu ajo quando eu estou sobre o efeito deles. Mas Darius me ajuda... então a situação não é mais tão degradável como fora antes...

Quando eu terminei de ouvir isso, saquei tudo, na verdade todos aqueles suficientemente inteligentes também haviam compreendido, mesmo que estivéssemos com medo de perguntar.

- Helena, o que você come quando sua fome passa do seu controle?- perguntei quando encontrei coragem, depois de um considerável silencio.

- Humanos. Eu como sua carne, ossos, músculos, órgãos, sugo sua alma e engulo seus pecados... tudo.- respondeu ela agora séria e olhando diretamente pra mim, me presenteando com sua sinceridade, àquela que eu tanto estava desejando há algum tempo.

Não reagimos, na verdade, mais uma vez pudemos ouvir as ondas baterem à praia, mas também não houve choradeira ou correria, acho que de certa forma era uma coisa esperada por todos, uma coisa com a qual... sei lá, uma coisa com a qual poderíamos conviver?

- Você realmente se sente mal quando se alimenta desta maneira, mãe?- perguntou Claudia com os olhos sérios, porém emocionados.- Você pode parar de fazer isso? Quer parar com isso? Você quer ou vai voltar pra casa e para nós para ser apenas filha, mãe, esposa, irmã e amiga?

- É vovó, você vai? Eu sinto saudades...- choramingou Greice.

- Grey, eu vou sim voltar pra casa, mas eu gostaria muito que você compreendesse que eu tenho uma responsabilidade sobre meus ombros, que eu tenho uma missão muito importante a cumprir...- disse Hell tremendo o queixo.- E Claudia, eu não posso parar o que faço na hora de me alimentar, porque eu não quero parar. Porque eu torno o mundo um lugar mais seguro e melhor cada vez em que me alimento, e me desculpem, mas eu não me lamento por isso, eu não gosto, mas eu não lamento.- Com certeza foi ali em que eu me apaixonei por ela de novo, e desta vez muito mais forte, porque eu sempre soube que a mulher que eu amava jamais pedia desculpas por aquilo que havia de ser feito. A mulher que eu amava, seguia em frente. E com o passar dos segundos e minutos todos voltaram a amá-la, tanto quanto eu, apesar dos segredos, meias verdades e inseguranças. Só que aquilo era um problema nosso, ela provara já uma vez e muitas mais que ela nos amava, simplesmente por voltar e mais ainda por nos proteger. Ela nos amava, mas será que ela ainda me amava? Apesar de tudo? Apesar de mim? Recebi um novo suspiro, mas este não soou irritado, soou mais como um de alívio, talvez eu pudesse ter alguma esperança.. – Acorde meu dorminhoco...- disse ela sussurrando melosamente no ouvido de Bernard e mais que imediatamente seus batimentos cardíacos bateram novo recorde. Aumentei a quantidade de morfina injetada em seu sangue e novamente seu coração se tranquilizou. Logo ele estava de olhos abertos e a encarando com as pupilas muito dilatadas. Parecia que eu já não estava mais ali, eles só tinham olhos um para o outro e sabe-se lá quantas juras de amor não foram trocadas enquanto eu era apenas aquela terceira pessoa incômoda no ambiente... Eram muitos sorrisos, muitas lágrimas silenciosas, muitas respirações aceleradas e muitos batimentos cardíacos ensurdecedores. Era a visão e o som do amor. Eu os invejava profundamente, porque mesmo separados, brigados, magoados e como no momento, feridos, eles nunca deixavam de se amar, nunca.

- Hell, só quero que você saiba que eu não culpo mais você pela morte do meu pai.. eu sabia, sempre soube, desde que eu era pequeno, que ele não queria ser salvo não importava a circunstancia... mas ainda é difícil aceitar, ser impotente... Eu nunca tive a chance de conhecê-lo de verdade... achei que ele viveria tempo suficiente para que um dia...- disse Bernard com a voz embargada, quando quebraram aquele longo silencio.

- Eu sei como você se sente meu amor, me senti durante muito tempo assim em relação ao meu próprio pai...- disse ela. – Mas tenha certeza de que Rolf amava você, Bernard, porém ele, como o meu pai, escolheu viver uma vida só.

- Compreendo agora...- disse ele acenando em consideração.

- Você me assustou um bocado..- disse ela com um sorriso doce.- Você não estava nada bonito quando te encontrei.

- Hell, por que eu não sinto nada do meu pescoço para baixo?- perguntou Byrdie.

- Destruíram algumas vértebras suas, peludo.- falei quando ele finalmente olhou para mim.- Você só não sente nada porque está recebendo mais morfina que um batalhão...- nem preciso dizer que logo eu era aquele que foi ignorado novamente, certo?

- Eu me lembro de beber muito, pra mais de oito garrafas de uísque, até chegarem um torcedores chatos... acho que acabamos brigando, no fim fui atingido muitas vezes, vi muito sangue sair de mim... Alguém morreu?- perguntou inocentemente,

- Fedido, você devia ter perguntado se alguém sobreviveu!- exclamou Emmett do lado de fora, mas apesar de procurar com o olhar, Bernard não conseguiu encontrar seu melhor amigo.

- Pete sonhou com você, foi diretamente atrás de Woody, Emm não ficou para trás nem um instante. Quando cheguei à Irlanda eles já haviam encontrado você..- disse Hell. – William ajudou a repor teu sangue, você realmente estava em estado crítico.

- Então ele soube...- falou Bernard.- Ele deve ter ficado realmente bravo conosco.

- Ficou, mas vai passar. Ele sabe que não há nada de desonroso em repassar o nosso poder lupino para os merecedores dele. Você sabe bem que se não tivesse sido o nosso filho, eu jamais teria te deixado escapar, não é?- disse ela sorrindo.- William é um ótimo menino, tal como Robert e o nosso Eric...

- Nunca duvidei disso. Tenho certeza de que eles serão os melhores irmãos mais velhos para a nossa menininha...- disse Bernard todo bobo, com a voz embargada e os olhos emocionados.- Eu ficarei sempre de olho nela, mas eles serão minha retaguarda... Você falou sério, não é? Finalmente falou sério sobre...

- Claro que falei sério sobre a nossa filhotinha, Bernard! E eu tenho a mais absoluta certeza de que ela será tão cabeça dura quanto o pai dela...- disse ela se inclinando sobre o rosto dele.

- Já eu, tenho a certeza de que ela será tão irresistível quanto à mãe dela.- respondeu ele.- Te amo Lelê.

- E eu te amo muito mais, DeeDee...- murmurou ela antes de beijá-lo.- Porém..- disse ela quando o beijo apaixonado teve fim.- Posso garantir que nos próximos instantes e até que tudo esteja totalmente bem de novo, você já não vai me amar tanto assim..

...

- Meu trabalho acabou, vou deixa-los agora.- disse eu, quando pelo menos duas horas depois eu me desfazia de minhas luvas e aventais sujos e fétidos de sangue de lobo.- Você logo estará bem novamente, só não tente virar uma peneira de novo.- disse me despedindo da dupla de pombinhos.

- Vou fazer o possível.- balbuciou Bernard.- Mas é sempre bom ter os melhores e mais hábeis curadores na família, certo?

Ele estava exausto, eu estava evidentemente cansado, e Hell estava exaurida, mas tudo foi mais que compreensível. No decorrer daquele período nós três trabalhamos duro para expelir dezenas de projéteis de seu corpo.

O cheiro fétido de seu sangue em minhas roupas e narinas não chegou nem perto à tortura que ele infligiu às minhas orelhas, porque cada bala retirada era uma gritaria. Eu injetava morfina em doses de elefante, porém nada parecia ajudar e sinceramente desconfiei de que ela me queria era por perto, o que fez meu coração aquecer-se um pouco, talvez. Mas a verdade era que eu estava me roendo de ciúmes de Bernard e Helena, do quão perfeitos eles eram juntos.

- Desejo sinceramente que a filha de vocês se torne médica, assim mais nenhum vampiro hábil na arte de curar terá que ficar preso num cubículo com você.- falei e acho que meu tom soou tão irritado quanto eu me sentia. Bernard não deu muita bola para o que eu disse, porque estava extremamente cansado, mas Helena parou imediatamente de adulá-lo para olhar diretamente pra mim.- Você fede, cara!- falei para ele em tom de brincadeira. Hahahaha, só que não.

- Então vá embora de uma vez. Você tampouco cheira bem para mim, só que ao contrário de você, eu não posso me dar ao luxo de não respirar!- falou Bernard brincando, enquanto Hell continuava me encarando. Lobo besta, mal sabe ele que eu aguentaria o cheiro podre dele por milênios, apenas para poder sentir um pouco do cheiro dela em qualquer lugar que fosse. – Eu sou fedido pra você, meu amor?- perguntou ele todo meloso, mas Helena continuava me encarando, e ela me olhava como se estivesse olhando para uma folha em branco, olhando para o nada.- Amor?

- Você cheira a coisas gostosas, DeeDee.- disse ela quando voltou sua atenção para ele, sorrindo com carinho.- Você sempre cheirou desta maneira pra mim. Agora procure descansar, está bem? Durma, que assim que você acordar, eu estarei aqui de novo, com coisas gostosas para você comer..

- Então apareça simplesmente pelada, quando eu acordar.- balbuciou ele cheio de malicia. Esta foi à deixa para que eu saísse dali, mas pelo canto do olho vi enquanto ela se inclinava novamente sobre ele e eles trocavam mais um beijo apaixonado.

Lobo de merda.

Eu já estava quase no fim do corredor quando o vidro do "aquário médico" vibrou com uma batida.

- Edward!- Hell me chamou. – Você pode esperar um pouco, por favor? Nós precisamos conversar!

- Esperar mais?!- exclamei.

- Não precisa se exasperar!- respondeu ela.- Apenas me dê mais algum tempo para que eu resolva o que eu tenho que resolver por aqui ainda, uma hora, duas no máximo, eu gostaria...

- Vou estar no 'Shade's'.- informei, antes de sair pisando duro rumo ao bar.

Deus, preciso de um trago!

...

Shade's , aproximadamente nove e meia da manhã.

- Então, o que vai querer? Café da manhã?- perguntou um bem humorado Todd, para um extremamente mal humorado Edward, enquanto recolhia a louça usada das mesas do bar que no momento estava vazio.

- Quero uísque.- falou o vampiro, sentando-se ao balcão do bar.

- Já?- respondeu Vick saindo da cozinha para servir uma dose ao vampiro.

- O café da manhã dos campeões!- gozou Todd indo em direção à cozinha para largar a louça suja.

- Vick, separe a garrafa para o nosso amigo...- falou mais alguém entrando no bar.

- Vai me acompanhar?- perguntou Edward sem desviar sua atenção do copo que tinha em mãos.

- Não. Mas pelo que vejo, está mais do que na cara que você não vai ficar só nesta dose, não é?- disse o homem se sentando ao lado dele.- Precisamos ter uma conversa de lobo para vampiro, saca?

- Na verdade não precisamos, mas desembucha de uma vez, Seth.- disse Edward irritado com o amigo, antes de beber em um gole só o uísque que havia em seu copo.

- Ainda irritado comigo? Achei que ainda fossemos amigos... Você, pra mim, é meu amigo.- disse Seth magoado.- Devemos lealdade aos nossos pacientes. Helena é minha paciente.

- Eu sei disso. Agora vá direto ao ponto, cara.- disse Edward esfregando suas têmporas como se sentisse dor de cabeça.- Eu continuo sendo teu amigo, e um dos teus sogros, então, corta o papo calcinha, por favor.

- Eu vim saber como você está. E eu quero saber disso desde.. Desde muito tempo. Desde suas férias coletivas com os outros maridos e Hell na Ilha Esme há mais de um ano, antes mesmo de Marie. Antes de Bella voltar, e de Buccanner, de Eric e Kath Ford, daquela sósia... faz muito tempo que não temos horas de amizade ininterrupta e eu quero, realmente quero saber por que você ultimamente vem sendo tão escroto com todo mundo?

- E você me diz que eu sou um escroto porque está querendo me ajudar?- disse Edward debochado, servindo-se de outra grande dose de uísque.

- Ser amigo não inclui apenas dizer coisas boas... E você sabe que eu quero ajudar, você pode me ler...- disse Seth relaxado. – Mas antes de tudo, de qualquer coisa que possa sair da minha boca ou da sua daqui por diante, eu preciso saber e ter certeza de que você realmente quer continuar a fazer parte desta família maluca que criamos no decorrer destes anos, e além disso, se você ainda quer estar casado com Helena, se você ainda à ama.

- Por que eu estou com a impressão de que de certa forma você está repassando estas informações pra ela através da telepatia lupina de vocês?- perguntou Edward apesar de ter sido comovido pelas palavras do amigo.

- E se eu te confessar que nem eu, nem ninguém, tendo sangue lobo ou não consegue saber quando ela está escutando algo? Eu provavelmente jamais saberei, você muito menos...- falou Seth. – Assim como não há garantia nenhuma para você de que esta pessoa grande, cabeluda, fedida e com comichão no saco no fim não é ela...- riu. – Hein? Eu não sei, você também não, mas ainda estou esperando tua resposta.

Edward olhou detalhadamente para o amigo por uns instantes, respirou fundo por algumas vezes, então riu. Realmente riu, como não fazia há muito tempo. Riu até parar.

- Eu amo nossa família torta, Seth. E a amo também, amo muito a minha Hell e estou por fim, pronto pra recomeçar tudo, mais uma vez.- respondeu Edward.

...

EDPOV.

E eu falei com Seth como se além de estar falando com um dos meus melhores amigos, eu estivesse falando diretamente com ela. Quase que com a certeza de que ela, desta vez, fosse finalmente me ouvir.

Falei sobre a minha angústia de perdê-la de uma hora para outra, baseado na ideia de que foi assim como perdi Bella, mas finalmente pondo em palavras que mesmo sabendo que isto não iria realmente acontecer realmente, não tirava da minha cabeça as imagens horríveis que presenciei nem a realidade de que eu não consegui defende-la.

Falei do medo que eu tenho de que ela descubra finalmente o quão infantil eu sou. Eu morri aos dezessete anos em uma época em que ter dezessete anos fazia de você um adulto em inúmeros sentidos, mas eu ainda tinha dezessete anos, afinal. Eu sou por fim um cara antiquado, infantil, machista, ciumento... praticamente, tudo de ruim.

- Eu nunca vi você como sendo 'tudo de ruim', tio Ed. O que você jamais entendeu é que você é e sempre foi uma parte muito importante deste todo, você sempre foi uma parte importante da vida da minha mãe, você é uma parte dela.- disse-me Claudia enquanto se juntava a mim e Seth durante a minha confissão. – Espelhe-se no meu exemplo...- falou com um doce sorriso relembrando-nos de sua chegada à família.- Edward, se ela apesar de tudo me ama como uma filha de verdade, continua amando o meu pai, como ela não amaria você?

- Eu sufoco ela, Clau.- respondi.

- Talvez sim, talvez não, mas na verdade a minha opinião não interessa em nada. E você, só vai saber o que realmente interessa na opinião dela quando vocês conversarem sem receios, como adultos.- disse Claudia.

- É, e você já tem uns duzentos anos, né?- gozou Seth. Mas não, eu tenho 154 anos, quase, não 200.- Você já deveria ter aprendido a ser adulto, ao menos a fingir ser um...

- Sabe, mamãe estava fazendo Marie dormir no colo dela enquanto despachava com a assistente, e pelo que eu vi havia toneladas de documentos pra ela assinar.- disse Claudia já cutucando Seth. – Querido, eu vim porque acabei de deixar os gêmeos dormindo, lembre-se de que você prometeu ficar de olho neles enquanto eu ensino nossa Grey a surfar... ela está terminando de passar a parafina na minha prancha já, ela não merece que a deixemos esperando...

Logo nenhum dos dois estava ali, e eu podia voltar-me novamente para a minha infelicidade e para a minha inveja, também direcionada ao amor deles. Claudia Tannat morreu inocentemente pelas mãos dos Volturi, mesmo assim voltou para ficar com Seth, algo que eu no fundo espera que acontecesse comigo e Bella.

Mas não foi bem isso o que aconteceu.

Não, não se engane ao pensar que eu não amo Helena! Eu sou absolutamente maluco por ela, mais e mais a cada dia, acredite em mim, do fundo do meu coração e alma, é verdade, o meu problema com Helena não é a minha falta de amor por ela.

Na verdade, é um pouco de amor sim, no caso, eu penso que seja a falta dele em relação ao que Helena sente por mim. Acho que ela já tem maridos demais e bem sei de sei lá quantos mais não gostariam de entrar para o clã, como no caso Darius, o próprio pai do irmão dela, que paga de fiel escudeiro, mas gostaria e muito de estar metendo seu pinto milenar entre suas pernas... E aí está a merda do meu ciúme de novo. Eu sei que ela apesar de tudo o vê como um amigo, um protetor, mas no fim ela passa um grande período de tempo com ele também.

E tudo o que eu quero é que ela passe mais tempo na minha companhia, na minha cama e com a nossa filha. Queria que ela precisasse mais de mim, tanto quanto eu preciso dela, mas eu sempre soube que ela não precisava e ao mesmo tempo era isso o que me encantava nela. Helena nunca foi uma chorona, medrosa e estagnada... Bella até se tornar vampira era assim, e devo dizer que até mesmo depois dela ser uma vampira ela continuava assim, sempre precisando de mim, eu era tudo pra ela. Bella me acostumou mal. E eu queria aquilo de novo, mesmo que eu não admitisse em voz alta.

- Sabe o que mais me magoa?- disse a voz plácida de Helena me tirando de meus devaneios. – O que mais me magoa é que você conseguiu exatamente aquilo que você tanto desejou. Seu desejo foi atendido, Edward.- então ela sentou-se ao meu lado no mesmo banco em que Seth havia se sentado há instantes, segurando nossa filha adormecida placidamente em seus braços. Olhando para as duas eu senti vergonha, porque ali estavam as duas mulheres que eu mais amava além da minha Nessie, mas por alguma razão, perto delas, eu perdia qualquer habilidade de expressar-me.- Qual é o seu real problema Edward? Porque aqui em meus braços está a sua amada Bella e segurando ela, estou eu. Mas é mais do que óbvio pra mim de que você me culpa por isso. Você não passou anos desejando a nós duas!? Você acaso não percebe o quão apaixonada eu sou por você? Você não vai poder leva-la para a cama, mas isso não significa que ela não precise de nós dois! Ed, ela escolheu voltar porque estávamos juntos, será que não entende? Eu estou aqui em plenos pulmões exclamando o quanto te quero! E tudo o que sai da sua boca e dos seus pensamentos é lamentar-se o quanto você foi injustiçado!- exaltou-se, fazendo todas as garrafas do bar tremerem, o que ajudou a minha vergonha aumentar ainda mais.- Edward, o fato de eu ser mais independente e a mais 'poderosa' de todas, não faz de mim uma criatura destemida! Quantas vezes eu já não disse pra você que a coragem não é a ausência do medo? Pelo amor de Merlin, essa é uma frase de Nelson Mandela, você deveria conhecê-la!- quase gritou de novo.- Edward, toda a vez que eu me afasto de vocês eu literalmente deixo o meu coração para trás! Eu realmente morro de medo de algum dia não ter nada para o qual voltar, você parece se esquecer que um dia serão vocês que não vão me querer mais!- seremos nós? Sério? Ela tem essas visões toscas do futuro, mas certamente isso é um assunto para o futuro.

- Hell, eu sinto que eu sou dispensável pra você...- confessei.

- Mas você não é!- respondeu ela exaltada.

- Helena... Emmett já é o seu vampiro, eu sei...- tentei expor minha opinião.

- Que porra você quer dizer com isso?- exigiu ela.

- Você sabe o que quero dizer. Bernard é o seu lobo. Emmett é o seu vampiro, Zackery é o seu bruxo e Northman é o seu elfo... sempre achei que eu estivesse sobrando... eu não tenho um papel real na tua vida!- exclamei.

- Você está me gozando? Você está querendo dizer que agora que eu sou uma veela também eu devo arranjar um 'veelo'!? Não existem seres masculinos para veelas! E você tem sim um papel na minha vida! Você acha que pelos últimos quinze anos em que eu tenho ido pra cama contigo eu na verdade estava fazendo o quê? Diversificando? Fazendo caridade?- perguntou irritada e tudo o que eu fiz foi ficar calado, e você a esta altura bem sabe sobre o que dizem àqueles que ficam calados, certo?- Por Merlin, Edward!- gritou ela atirando meu copo longe quando finalmente percebeu que eu achava que no fundo, todo este tempo, nossa relação não passasse de caridade, pelo lado dela, ao menos. Depois disso ela segurou minha mandíbula com força, me obrigando a olhar pra ela e seus olhos marejados.- Pois saiba que você, neste enorme grupo que divide minha cama, é o mais importante, porque você é uma parte importante da minha alma. E por ser tão importante à minha alma, você me machuca profundamente toda a vez em que você não acredita nisso.

Então ela se levantou, para logo depois ir embora do 'Shade's' com a nossa filha no colo, fazendo o que eu sempre temi, me abandonando.