Nenhum personagem da Saga me pertence.
- Links no perfil: Vestido de casamento da Bella e Rolls Royce (anos 50). Obrigada por todas reviews!
O Grande Dia
E quanto mais eu esperasse, mais ela iria sofrer quando soubesse.
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{E_POV}
Sair com Emmett McCarty era pedir para ser crucificado, ainda mais quando ele queria escolher o filme por todos!
- Emmett, a Bella não gosta de suspense... - tentei argumentar, mas ele tapou minha boca.
- Eddie, me escute só um pouquinho, está bem? - ele falou como se eu fosse uma criança. - O filme Um Corpo que Cai fala sobre um policial aposentado que é contratado pelo ex-colega para seguir a esposa, que parece ter a intenção de cometer um suicídio! Alfred Hitchcock dirigiu maravilhosamente bem e James Stewart é único!
Bufei, arrancando sua mão que continuava sobre minha boca.
- Se você quiser assistir esse tal corpo que cai, eu não me oponho, Emm. Mas Isabella e eu vamos assistir outro.
A fila do cinema andava rápido e logo chegaríamos ao guichê.
- E o que é que vocês vão assistir? - ele cruzou os braços sobre o peito largo.
Eu e Bella olhamos os cartazes dos filmes disponíveis. Não eram muitas as nossas opções e a grande maioria era comédia.
- Que tal esse A Morada da Sexta Felicidade? - perguntei para Bella que estava com um braço passado pelo meu. - O diretor Mark Robson fez um drama fantástico sobre a simplicidade, a bondade e o amor.
- Qualquer um para mim estará bom. - ela respondeu e depois riu baixinho: - Duvido que eu preste muita atenção em qualquer um deles, mas...
Era apenas uma noite de sábado e, tecnicamente, nossa despedida de solteiro, mas Renée insistiu que viéssemos assistir um filme qualquer. A ideia dela era de que aproveitássemos o momento em família, mas ninguém estava concordando com ninguém e, no fim, acabamos por nos dividir entre os dois filmes. Junto com Bella e eu, Esme e Carlisle decidiram ver o drama. O resto iria assistir a nova sensação de Hitchcock.
Como Bella dissera, nós dois não conseguimos prestar muita atenção. Em minha defesa, digo que a culpa foi toda dela! Ela fazia círculos na parte de dentro do meu antebraço com as unhas, ou sussurrava no meu ouvido coisas que deveriam ser proibidas em local público.
- Garota, você virou uma pervertida! - murmurei, me esforçando para não rir alto.
- E a culpa é sua, senhor.
Na volta para casa, Esme e Carlisle vinham comentando as partes mais emocionantes do filme e ainda nos faziam perguntas. Ficou bem claro para todos que nós dois mal olhamos para a tela. Bella e eu não estávamos muito animados para sair de casa, ainda mais na véspera da nossa festa de casamento, quando 'deveríamos' estar checando os últimos itens da lista para que nada desse errado. Se ela e minha irmã tivessem dado o braço a torcer e aceitado minha ajuda na organização...Teria sido muito mais fácil. Duas teimosas, isso sim!
- Você não vai mesmo me dizer nada sobre a festa de amanhã? - implorei de joelhos, literalmente.
Bella já estava vestida com sua camisola branca e o robe azul, soltando as presilhas do cabelo.
- Edward! - ela riu. - Já deixei você estragar os planos da Alice e do Emmett para uma despedida de solteiro indecente! O que mais você quer?
- Eu também não sei. - confessei. - Só sei que a curiosidade está me corroendo.
- Oh, que bonitinho! - ela veio desfilando em minha direção e ajoelhou à minha frente. - Eu acho tão lindo quando você faz essa carinha de cãozinho sem dono!
No meio da madrugada, acordei com o barulho de um chorinho baixo. Eu sempre dormi como uma pedra e era difícil acordar com qualquer barulho, mas eu já tive dificuldade em dormir e estava bem nervoso com a festa do casamento no dia seguinte.
- Bells? - abracei sua cintura com firmeza. - O que foi?
- Eu estive sonhando com eles... - ela virou para me encarar. - Você era loirinho quando era bebê?
Eu não entendi sua pergunta, mas respondi mesmo assim:
- Pelo que Esme me contou, eu era sim, mas... Conforme cresci, meu cabelo foi escurecendo e virando essa cor estranha. - sorri, fazendo a tristeza sumir de seus olhos também. - Por quê?
- Sonhei com dois menininhos loirinhos e um deles tinha o seu sorriso. Às vezes, eu fico imaginando como seriam nossos bebês se eles...
- Eu também penso neles todos os dias. - sempre que tocávamos nesse assunto, o nó familiar apertava minha garganta. - Não fique triste, amor.
Ela abriu outro sorriso.
- Não estava chorando de tristeza, mas era de emoção por ter visto aquelas duas criancinhas tão lindas! Apesar de tudo, nós ainda vamos ter muitos outros, não é mesmo? Pense só: poderia ser o suficiente para encher uma mesa para, pelo menos, doze pessoas!
- Dez filhos? - arregalei os olhos, mas minha garganta voltou a comprimir.
Eu devia falar. Aquela era a hora.
- Bella... - comecei hesitante. - Vai ser um pouco difícil isso...
Ela acendeu o abajur que ficava ao seu lado da cama e voltou a me encarar.
- Pode-se saber do que está falando?
Engoli em seco.
{B_POV}
- Pode-se saber do que está falando?
Edward estava hesitando em me contar algo. Ele não costumava hesitar daquela maneira e isso estava começando a me deixar preocupada.
- Eu não vou saber te explicar direito, pois nem mesmo eu entendi o que o médico quis dizer...
- Médico? - voltei a perguntar. - Edward, você está me deixando nervosa com todo esse suspense! Você está falando sobre o doutor Gerandy?
Ele assentiu e sentou de frente para mim, seus dedos foram para o meu queixo, mantendo minha cabeça firme.
- O doutor Gerandy explicou que, devido ao tempo que nossos filhos ficaram depois de... Depois do que o Hastings fez... - ele próprio abaixou o rosto. - Bella, eu realmente não sei como te contar isso, mas só quero que você se lembre de que eu não me importo com nada, só quero você.
- Por favor, pare de enrolar...
- Além do tempo que eles permaneceram... Mortos... - ele cuspiu com dificuldade e eu já sentia as lágrimas se acumulando em meus olhos: nunca admitira nem para mim mesma essa palavra. - James Hastings te machucou muito. Seu útero está machucado, Bells. E o médico disse que pode ser bem difícil você engravidar outra vez, mas nem ele tem certeza se você seria capaz de segurar um bebê ou não... [N/A: Você quase acertou, Vitória]
Meu coração martelava em minhas têmporas e as lágrimas que estavam ameaçando cair, rolaram soltas, molhando meu colo.
- Eu não vou poder te dar filhos...? - era doloroso perguntar isso.
- Eu disse que seria difícil, não impossível. - ele me abraçou, afagando meus cabelos e eu senti algumas lágrimas de Edward caindo no topo da minha cabeça. - Eu já disse que não me importo com isso, amor. Nós já tivemos dois!
- E onde é que eles estão agora, Edward? Me diz!
Ele não respondeu minha pergunta, apenas continuou me abrançando bem apertado e mostrando que estava ali por mim.
{R_POV}
- Não faz essa carinha de choro, Kate. - pedi, vendo as lágrimas se acumulando em seus olhos. - Lembre-se que ainda tem a dona Reneesme Black!
- Você não entende, não é? - ela me olhou. - É horrível para uma mulher receber a notícia de que ela não pode ter filhos. Quantas mulheres você não vê tentando ter filhos de todas as maneiras possíveis?
Parei para pensar um pouco naquilo. Sempre achei que essas mulheres eram apenas desesperadas para arrumar problemas. Porque era isso que um filho representava para mim: problemas e mais problemas. E, claro, eu não pretendo ter mais problemas em minha vida adulta.
- É um golpe terrível para elas. - Kate continuou e eu me atentei ao fato de que ela não se incluíra nesse grupo de mulheres. - E não são todas que conseguem aceitar uma adoção.
- E você? - perguntei.
- O que tem eu?
- Não quer filhos também?
- Sinceramente? Eu não creio que tenha capacidade de criar uma criança, mal consigo cuidar de mim mesma! - ela riu. - E não é apenas dar à luz, tem que educar, por de castigo, ficar em cima o tempo todo... Dá muito trabalho e eu não sei se consigo lidar com isso...
Essa era a minha garota. Sorri de lado e ela corou, como sempre fazia.
{B_POV}
Filhos nunca foram minha prioridade, mas quando se cresce em uma sociedade que dá importância à quantidade de filhos que você tem, essa questão se torna inevitável. Porém, quando você encontra a pessoa que ama e com quem quer passar o resto de sua vida, você quer ter filhos, quer compartilhar essa alegria com a pessoa. Eu queria isso... Mas eu não poderia dá-los à Edward.
Realmente não foi fácil dormir depois daquela notícia. Não preguei os olhos uma única vez na noite e eu sabia que Edward também não. Ele ficou sussurrando a música que havia composto especialmente para mim até que o sol decidisse iluminar o quarto através das cortinas brancas e compridas.
- Logo Alice virá socar a porta para brincar de salão de beleza comigo. - suspirei.
- Você não precisa fazer o que não quer, Bella.
Minhas costas estavam contra o peito de Edward e seu braço envolvia minha cintura. Da melhor maneira que consegui, virei-me sem acertar o cotovelo nele e o encarei.
- Sempre pensei que fosse incapaz de amar... - nossos narizes estavam quase se tocando. - Antes de um certo cavalheiro dar as caras, abrindo o tempo ruim de Forks, eu pensava estar fadada a me casar sem amor e achei que não havia saída. Mas eu não estava totalmente infeliz com isso, simplesmente acabei aceitando.
- Não estava infeliz? - ele ergueu uma sobrancelha. - O certo cavalheiro poderia jurar que a bela dama não estava nada contente com a vida que lhe fora imposta.
- Porque o cavalheiro conquistou a tal "dama" desde o início, mesmo ela sendo estupidamente teimosa para admitir. Não estava infeliz por não conhecer a verdadeira felicidade. Mas quando ele a fez descobrir que queria viver, que queria amar e ser amada... Ela descobriu que o que estava por vir, era pior que a morte. Ele a fez ver que ela não precisava se impor uma vida cheia de tristezas e torturas... Ela também amou o cavalheiro, não por um único olhar, mas foi eterno depois disso. E posso ser incapaz de te dar bebês com sua carinha e dividir esse mundo com você, mas... Eu te amo, meu lindo cavalheiro, e não quero mais pensar nas coisas que não podemos ter ou fazer ou o que já passou, só quero imaginar o que nos espera lá na frente...
De onde tirei tudo isso? Eu nunca fora do tipo sentimental ou que sabia ser carinhosa, aprendi desde pequena que se manter afastada era a única maneira de não se machucar. Renée amou Charlie, mas ele a deixou quebrada para sempre. E falar de mim mesma na terceira pessoa chegava a ser meio doentio.
Edward ficou por mais uns segundos sem reação nenhuma, apenas ali: parado com uma cara de paisagem enquanto eu fiquei à espera de uma confissão de amor bonitinha. Uma confissão que não veio.
- Você está bem? - perguntei.
- Você disse isso mesmo?
Quando rolei os olhos, um sorriso bobo foi nascendo no canto de seus lábios e os olhos de um verde tão magnífico cintilaram em minha direção.
- Te espero no altar, minha bela dama? - não era bem isso que esperava ouvir...
Levantei da cama rapidamente ou a preguiça me faria ficar ali para sempre, na roda dos braços de Edward. E eu sabia que não iria adiantar ficar chateada com ele, pois até onde eu o conhecia, ele devia estar aprontando alguma. Acho que ele não deixaria essa passar. Peguei a barrinha da minha camisola e fiz a pose que me ensinaram desde pequena, como se o cumprimentasse.
- Sim senhor! - sorri. - Agora, é melhor você zarpar daqui imediatamente e procurar o Jasper para que ele o distraia a manhã toda.
- Pelo que me lembre, este era o meu quarto!
- Você falou muitíssimo bem: ele era seu. Agora... Vá!
Ele bufou alto e se enrolou nos lençóis, resmungando coisas sobre eu pagá-lo mais tarde. Saiu dando passadinhas curtas, limitadas pelo lençol quase enrolado em seus calcanhares. Segurei o riso até que ele estivesse totalmente fora do quarto e então tentei rir baixinho daquela cena: ele com o peito nu, enrolado no lençol branco da cintura para baixo e quase tropeçando nas pontas, o cabelo ainda mais bagunçado que o normal e o rosto com as marcas da fronha do travesseiro. Se Esme o pegasse no corredor...
Tomei um susto quando ele voltou correndo para dentro do quarto e fechou a porta.
- O que houve?
- Carlisle. - foi o bastante para que eu entendesse. - Posso, pelo menos, colocar alguma roupa?
- Tudo bem, metade do quarto ainda é seu, aparentemente. - ele continuou me olhando. - Eu juro que não vou espiar enquanto você troca de roupa!
- Bom mesmo, porque agora quem vai fazer greve sou eu. Você vai ter isso aqui - apontou para o próprio corpo. - só depois que a festa acabar!
Era inacreditável. Edward fazendo greve? Em que ponto chegamos, meu Deus? Homens...
Logo que ele saiu, Alice entrou no quarto como um tiro. Suas mãos estavam sobrecarregadas com toda sua parafernália de maquiadora e o pior: ela tinha um sorriso diabólico nos lábios. O que ela chamava de momento mágico, eu chamava de tortura.
- Edward está fazendo greve. - resmunguei e ela riu. - O quê?
- Só espero que Jasper não se junte à causa dele!
- Não tem sentido...
- Bells, eu pedi para que os homens se arrumassem na casa de Emmett, assim vamos ter mais privacidade em arrumar o vestido e tudo o mais. - ela explicou. - E tem mais.
- Manda, nada mais me assusta depois de ver Edward fazendo greve de sexo. - assim que disse isso, corei fortemente, fazendo minha cunhada rir alto.
- Eu ousei.
Não entendi o que ela quis dizer com aquilo. Aliás, eu tive medo de entender.
- No seu vestido... - ela cantarolou e só pude arregalar meus olhos. - Sim, sim, sim! Eu ousei, usei e abusei! Mas não se preocupe, não ficou nada muito diferente do seu primeiro vestido de noiva...
- Allie, eu disse que não queria nada parecido com o primeiro para que não me lembrasse daquele casamento com James!
- O que ela quer dizer é que... - Esme entrou no quarto carregando o vestido ainda embalado e minha mãe entrou atrás com a caixa do sapato. - É que ele ficou tão aberto quanto o primeiro.
- Não sei se estou gostando disso, Esme.
- Calma, bebê. - Renée sorriu de lado. - Tenho certeza que você vai adorá-lo! Eu mesma quase chorei quando o vi!
E eu? Choraria de emoção ou de aflição?
Alice tinha as mãos tão delicadas quanto Renée e eu quase pude tirar um cochilo enquanto ela me preparava. O ritual não mudara desde a última vez. Quando terminou, Alice quase implorou para que eu evitasse me olhar nos espelhos enquanto ela ia se arrumar antes de me ajudar com meu próprio vestido. Ficar encarando as paredes pode ser incrivelmente monótono, então saí para o corredor - apenas de cinta liga e lingerie - e fui até o quarto da minha madrinha, aproveitando que estávamos sozinhas na casa.
- Oh, meu Deus! Isabella! - uma voz masculina berrou atrás de mim e eu quase me senti desfalecer ao reconhecer a quem ela pertencia: Carlisle.
- Me desculpa! - berrei, já correndo e entrando na primeira porta que avistei; o coração martelando nos ouvidos. - Achei que Alice e eu estivéssemos sozinhas... Perdão.
- Eu voltei para buscar a gravata que o Edward esqueceu... - ele murmurou, provavelmente ainda envergonhado em flagrar a nora desfilando seminua no corredor. - Eu vou indo e, não se preocupe, trancarei a porta da frente e vocês duas terão privacidade.
Encostei contra a porta, rezando para que ele saísse logo.
- E... Isabella?
- Sim?
- Me desculpe por isso. Até mais.
Contei seus passos sumindo e a porta da frente ser batida. Era só o que me faltava!
Cheguei ao quarto de Alice e contei-lhe meu embaraço e ela nada disse, pois estava mais ocupada rindo da minha trapalhada. E eu estava ocupada demais olhando seu lindo vestido de madrinha que, claro, era totalmente diferente e ainda assim lhe caía perfeitamente bem. Alice estava, para todos os efeitos, maravilhosa e me perguntei como Heidi poderia ser. Poderia ela ser tão linda quanto todos os outros Cullen que eu conhecia?
- Alice? É verdade que essa sua prima, Heidi, é como Jessica me contou? – eu estava um pouco desconfortável por perguntar assim de sua prima.
- Não sei o que Jessica deve ter te contado, mas com certeza ela deve ter exagerado um pouco. – ela respondeu sem nem tirar o olhos das tiras de sua sandália de salto extremamente alto. – As duas nunca se deram muito bem por causa do Edward, mas é verdade que minha prima não é conhecida por ter uma reputação muito boa ou por ser uma mulher humilde, ela pensa que é um pouquinho melhor que os outros.
Imaginei o quanto seria esse "pouquinho" e voltei a atenção para o mais importante:
- O que Edward tem a ver com isso?
- Jessica é paranoica, acredita que todas as mulheres do planeta têm uma queda pelo meu irmão. – eu tive que rir, pois concordava com Jessica. – Você entendeu, mocinha... Ela só gosta de manter qualquer uma afastada de Edward e, é por esse mesmo motivo, que ela odeia Tânya. Afinal, como ela conseguiria separar a secretária do chefe?
Pigarreei, tentando mudar de assunto. O fato de Tânya conhecer Edward muito bem – como ela mesma dissera – era difícil de engolir. Eu tinha feito questão de não convidar a loira morango para o casamento, mas algo me dizia que ela não precisaria de um convite para arruinar minha festa na primeira oportunidade e, dessa vez, eu estaria preparada para ela.
- Agora que eu já estou pronta, vamos te vestir com o Coringa.
- Coringa? - inquiri.
- Exato. - ela deu uma piscadela inocente. - Para matar o jogo.
Rolei os olhos para o apelido do vestido. Ele podia ser lindo, mas... Combinaria comigo? Aliás, como ele era? Eu nem fazia ideia!
- Eu gostaria de poder colocar uma venda em seus olhos. O choque seria maior! – ela riu. – Seja uma boa menininha e fecha eles pela Tia Alice, está bem? Se você não obedecer, a Tia Allie vai ficar muito furiosa com você e vai te por de castigo depois!
- Quer parar de falar comigo como se eu fosse criança? – sorri.
- Minha menininha vai se casar! – ela fungou, tentando conter as lágrimas. – De novo!
- Alice! – resmunguei.
Fechei os olhos como ela mandara e ela colocou algo que identifiquei como um pequeno espartilho e o apertou tanto que eu quase tive dificuldade em respirar normalmente. Eu reclamei que aquilo nunca mais iria sair e ela apenas riu, sem diminuir o aperto.
- Ele vai te deixar com uma postura perfeita, Bella. Percebe que ele só vai do quadril até embaixo dos seios? Assim, ninguém vai vê-lo.
Ofeguei. O quão aberto seria o Coringa?
Senti quando ela o puxou pelo meu corpo e ele foi se adaptando às minhas curvas – não que fossem muitas ou salientes -, e eu fiz um movimento estranho com os braços, como se tateasse, procurando por algo. Algo que eu não encontrei.
- Onde estão as mangas, Alice?
- Fique quietinha e se comporte, preciso arrumá-lo.
Pelo que pude perceber, ele não tinha mangas e nenhum tipo de renda que escondesse meus ombros ou qualquer coisa acima do meu colo. Céus! Continuei de olhos fechados, mas a tentação de abri-los e me olhar no espelho era muito maior do que minha força de vontade. Pisquei ao ver meu reflexo. Quem era aquela ali, parada e me encarando daquela maneira surpresa?
- Isabella, sua curiosa! – Allie ralhou. – Eu disse para...!
- Eu... Eu...
Foi muito difícil formular alguma sentença. Eu estava perplexa comigo mesma e não deu outra: pela primeira vez, eu senti lágrimas se formarem por um vestido de noiva. Ergui a cabeça e encarei o teto, numa tentativa de não deixar as lágrimas borrarem a maquiagem perfeita que a minha linda cunhada, madrinha, estilista e melhor amiga havia feito. Estava completamente irreconhecível e, mesmo tendo o colo e os ombros desnudos, eu havia adorado cada mínimo detalhe daquele vestido.
- Você está perfeitamente... – Alice me avaliou com um sorriso brincalhão, à procura de uma palavra adequada. – Perfeita! Não há outra palavra para te descrever!
- Graças a quem? – ri. – Onde está o véu e a grinalda?
- Quem disse que você vai usá-los? – ela fez uma carinha sapeca. – Esme te deu isto aqui.
Ela procurou por algo em cima da penteadeira, que estava apinhada com seus produtos de beleza, e voltou com uma pequenina tiara, cheia de brilhantes. Prendeu-a no topo dos meus cabelos que estavam em um coque todo enfeitado e eu estava pronta.
- Não é de diamantes, mas ficou linda.
Como se eu estivesse preocupada se haviam ou não diamantes incrustrados na tiara que eu ganhara de presente da minha adorável sogra. Isso não mudaria nada.
- Ela usou no casamento? – perguntei.
- Não. Você nunca se perguntou por que Edward tem o sobrenome Masen e eu não? - na verdade, eu nunca tinha realmente pensado sobre aquele detalhe. - Masen era o sobrenome da mãe de Edward, Elizabeth Masen e essa tiara ela ganhou da mãe para usar no casamento com Carlisle...
Ela me explicou tudo o que sabia sobre a mãe de Edward e eu fiquei imaginando como seria Elizabeth Masen. Ela seria tão doce quanto Esme? Se estivesse viva, seria tão boa comigo quanto a madrasta de Edward? Sua história era triste e me peguei pensando o porquê de ele não me contar sobre sua mãe antes; talvez fosse doloroso.
Já passara do meio dia e eu fiquei ouvindo todos os detalhes da lua-de-mel de Alice, detalhes que ela achara melhor não contar para os pais.
- O carro já está pronto. Vamos, segunda noiva mais linda do mundo?
- Segunda? – perguntei.
- A primeira sou eu, claro! Quer dizer, nós duas podemos dividir o primeiro lugar, que tal?
Novamente eu senti aquela sensação de efervescência no estômago e a boca do mesmo se comprimiu. Desta vez não era um enjoo de gravidez - infelizmente -, era apenas o nervoso em imaginar o que estava me aguardando, em tudo o que eu faria naquele dia... E se eu tropeçasse em direção ao altar, como fizera há algum tempo atrás?
Alice me entregou o buquê de frésias e me ajudou a entrar no Rolls Royce alugado,que era a febre dos anos 50, e sentou ao meu lado. Ela tagarelou o caminho todo - da residência dos Cullen até o salão de festas -, sem me deixar respirar, o que eu agradeci em silêncio: precisava me concentrar em outras coisas para que não acabasse correndo ou dando um grito histérico. O portão de entrada estava entreaberto e eu pude ver o caminho ladeado com arranjos de flores brancas e algumas vermelhas.
Havia um parque maravilhoso do outro lado da rua, muito parecido com as fotos que Charlie me trouxera de suas viagens à Nova Iorque - fotos do Central Park. Eu sempre fora encantada por aquelas imagens e, se pudesse, viajaria até Big Apple apenas para conhecer Central Park, que ficava no centro de Manhattan. Respirei bem fundo algumas vezes e notei Renée correndo de um lado para o outro enquanto carregava um dos arranjos. Seu vestido rosa claro era um pouco infantil, mas ficara bonito nela.
- Está pronta? - Alice perguntou.
- Não.
- Então vamos! - ela sorriu, fingindo não me ouvir.
Carlisle me levaria até o altar, sob o som da marcha nupcial de Felix Mendelssohn. Senti as orelhas e todo o rosto esquentar demais ao olhá-lo nos olhos, a recente vergonha ainda viva em minha mente. Ele também parecia um pouco desconfortável, mas continuou sendo todo educado comigo, como se nunca tivesse acontecido absolutamente nada naquela manhã. Avisou que todos estavam preparados e que Edward estava quase tendo um acesso de tão nervoso que estava. Ri; nem sempre ele conseguia manter a pose de calma.
Meu sogro me estendeu a mão e eu me enganchei nele, mais uma vez me concentrando em minha respiração.
- Carlisle? - murmurei. - Se eu tropeçar, não me deixe cair.
- Eu estou com você, não se preocupe.
Lágrimas quase saltaram dos meus olhos ao ver que Carlisle estava ali para substituir meu pai. Ainda que Charlie não tenha sido o melhor pai do mundo, ou o mais compreensivo, ele ainda era o meu pai e eu sempre tivera o sonho de ser levada ao altar por ele, mesmo sendo umas cinquenta vezes.
- Bella, você está um pouco pálida... - ele falou. - Quer esperar mais um pouco?
- Só... Me entregue à Edward, por favor.
Ele assentiu e começou a me conduzir em direção ao grande salão. Paramos nas portas e deram sinal para que a marcha começasse. Enquanto íamos entrando, preferi olhar os detalhes ao redor antes de olhar diretamente nos olhos de Edward. O teto possuía uma abóbada linda e haviam poucas cadeiras - apenas para a família mesmo - e era tudo num misto de branco e vermelho-sangue. Devo admitir que ficara muito bonito, ainda mais com as frésias ao longo do caminho que eu e Carlisle seguimos.
Rosalie também estava lá, assim como Angela, Ben e... Billy Black? Olhei melhor ao redor e notei que tinham mais algumas pessoas que vieram de Forks. Sorri ao vê-los reunidos ali.
Mas meus olhos não se depararam por muito tempo nesses detalhes; corri o olhar rapidamente para quem me importava: Edward Anthony Cullen. Ele estava mais lindo que o normal - se isso fosse possível! - com seu smoking e seu maravilhoso sorriso de lado, como se estivesse orgulhoso com o que estava vendo... Seus olhos verdes cravados nos meus. O homem que eu amava estava me esperando. Eu seria capaz de correr até ele, sem me importar com os outros olhando, nem com meu salto ridiculamente alto; apenas correria até cair em seus braços e ali ficar para o resto da eternidade.
E, para minha maior surpresa, quem estava no altar para reger a cerimômia era o padre Berton, o mesmo do meu casamento com James. Num passado agora distante.
Carlisle me entregou para Edward e os dois se cumprimentaram com sorrisos cúmplices e a cerimônia começou. Não que eu quisesse comparar um casamento com o outro, mas nesse eu chorei sem parar, como se fosse para compensar as lágrimas não derramadas no primeiro. Meu coração estava acelerado e não tinha sinal de diminuir a velocidade tão cedo.
Padre Berton me perguntou se eu aceitava Edward e eu respondi com a voz embargada pelo choro, mas quando a pergunta foi feita à ele, ouvi um sonoro e orgulhoso "Sim, eu aceito!".
- Eu os declaro marido e mulher. - ele sorriu com suas bochechas gordinhas que lhe davam um ar infantil. - Pode beijar a noiva.
Era para ser apenas um beijo rápido e singelo, mas eu - sem querer - me esqueci de que estávamos em um 'local público' e fiz cara feia quando Edward se afastou, rindo junto com os outros convidados. A meu pedido, Alice cancelou a chuva de arroz, então apenas saímos para o jardim que estava todo decorado e possuía uma pista de dança, junto com todas as mesas dos convidados. Mais frésias pendiam das redes sobre a pista onde dançaríamos a valsa.
- Eu vou tropeçar, Edward. - sussurrei enquanto ele me guinchava até a pista. - Sabe como sou desprovida de coordenação motora!
- Como foi que você disse aquela vez...? Que exerce uma atração forte sobre o chão?
- Apenas sobre ele. - corrigi.
- Mais uma vez, senhora Cullen, eu vou ter que discordar da senhora. - seu sorriso só aumentou e ele me guiou. - E a tiara da minha mãe só seria repassada para uma mulher que fosse digna de usá-la. Ficou linda, como sempre, Bells.
Parecia que eu não estava sequer tocando no chão, era mais como se eu flutuasse ou pisasse em uma nuvem. Suas mãos grandes e firmes em meu quadril eram o apoio que eu precisava para fazer passos antes nunca experimentados. Era uma delícia dançar com Edward Cullen. Pena que a valsa era curta demais.
- Vem, quero te apresentar para minha madrinha.
Suspirei ao ver aquela morena, alta e esguia, se aproximar de nós. Seu vestido era muito parecido com o de Alice, mas parecia ter sido feito sob medida para ela. Emmett também estava perto, porém, ele parecia compenetrado em alguma conversa com Rosalie Hale. Royce não estava com a melhor cara e eu não podia culpá-lo; sua namorada era simplesmente a mais linda da festa.
- Heidi! - Edward chamou. - Essa aqui é...
- Isabella Swan. - ela resmungou.
- Cullen. - eu corrigi, sem sorrir.
- Pois é, Tânya me contou sobre você. - ela me avaliou. - Mas creio que ela exagerou a seu respeito. No fim das contas, você não é verde e nem tem braços a mais.
Edward e eu ficamos desconfortáveis e ele ia protestar, quando eu o interrompi.
- Foi um prazer ter conhecido uma Cullen, mas se me der licença, eu tenho pessoas mais importantes que precisam da minha atenção. Obrigada por ter aceitado o convite e até mais tarde.
Sem esperar resposta, agarrei a mão de Edward e o puxei para longe da prima. Nem sequer me senti irritada com o comentário dela, apenas fiquei brava com o fato de Tânya ter falado a meu respeito. E o pior de tudo: Tânya Denali estava bem na minha frente.
- Olá, Edward. - ela sorriu, ignorando minha presença.
Instintivamente eu me encolhi internamente. Ela era a loira perfeita. Mas eu havia prometido...
- Tânya, por favor... - ele me olhou de lado e voltou a sorrir para a loira e repetiu o que eu tinha dito: - Obrigado por ter aceitado o convite e até mais tarde.
Foi a vez dele me arrastar, desta vez de volta para a pista de dança.
- Quem a convidou? - perguntei.
- Acho que ela mesma se convidou. Mas a 'imensa' população de Forks está aqui por minha culpa, devo confessar.
Todo o meu amor, eu te dou todo o meu amor...
O céu pode cair, meu amor,
- Creio que senti felicidade irromper da senhora enquanto dançava a valsa mais cedo... Estou errado?
Agora que você está finalmente aqui, meu coração pertence a você...
- Está. - fechei os olhos e encostei minha testa contra seu peito largo. - Não foi apenas na dança, eu estou muito feliz com tudo. Obrigada.
- Pelo quê, pode-se saber?
- Por me amar...
Eu esperei toda a minha vida para dar-lhe todo o meu amor!
- Não agradeça, meu amor é todinho seu, senhora Cullen. - ele riu. - Aliás, agora aquele pequeno lago não serve mais aos propósitos de Emmett...
- Que lago?
Ele me explicou que Emm havia colocado cisnes brancos no pequeno lago da propriedade apenas para fazer piada, dizendo que além do nome¹, eles andavam igual à mim. Tive que rir baixinho e escondi novamente meu rosto contra o peito de Edward, mas ele puxou meu queixo e olhou fundo nos meus olhos antes de me beijar, ao som de All My Love - Patty Page, antes de começar a tocar Fascination - Jane Morgan. E assim nós ficamos por alguns minutos: apenas abraçados e ouvindo as músicas mais tocadas nas rádios daquele ano. E era tão bom que, por um minuto, esqueci que estávamos rodeados de pessoas.
Fascínio virando amor,
Isso era fascínio, eu sei, e poderia ter acabado ali mesmo no início...
Apenas um olhar de passagem, apenas um romance breve,
E eu poderia ter seguido meu caminho com o coração vazio...
Sorri largamente, voltando a me apertar contra aquele que eu poderia chamar agora de 'meu marido'.
Vê-lo sozinho com a luz da lua acima,
Então, eu toquei sua mão e no momento seguinte o beijei,
O fascínio virando amor...
Era fascínio.
Incrivelmente, o dia passara rápido até demais. E, já de noite, Edward juntou os convidados para fazer um brinde. Enroscou os dedos nos meus e me puxou para perto de si antes de chamar a atenção.
Com uma taça de champanhe na mão, ele falou, sem tirar o sorriso de orelha a orelha que parecia pregado em seu rosto:
- Bom, antes de tudo, quero agradecer a todos e a cada um de vocês por esse dia tão prazeroso. Mas tenho umas palavrinhas para algumas pessoas em especial... - pigarreou. - Renée Swan, minha adorável sogra, e que me deu todo o apoio desde o início. Obrigado por aceitar vir para Londres comigo.
Alguns aplausos e Renée ficou toda corada, com seus olhos claros cintilando devido às lágrimas. Suas bochechas da cor do vestido.
- Ao meu pequenino anãozinho de jardim... - Edward falou, arrancando risadas e Alice o metralhou com os olhos. - Que organizou tudo, mesmo querendo leões e coisas malucas, e que sempre foi uma excelente amiga para Bella. Alice, você é a melhor irmã e amiga que alguém poderia sonhar em ter e eu estou grato por ter dividido toda a minha infância com você. Te adoro, meu chaveirinho, e "ai" do Jasper se ele não souber te tratar como a rainha que você é!
- Eu e o Eddie vamos arrancar o couro do loirinho! - Emmett gargalhou e Jasper voltou a se encolher, como da primeira vez.
- McCarty! - Edward apontou para o grandão, fazendo ele suspirar algo como "Agora ferrou!" - Pois é, você não vai escapar hoje...! Sabe, foram tantas experiências de quase-morte com você, que já perdi as contas! Nós quase causamos ataques cardíacos em Esme e Carlisle, mas (me desculpe, pai e mãe!) valeu a pena. Você me tirou a sanidade, mas sempre esteve comigo. É um grande amigo, obrigado.
- Ah, assim eu vou chorar, Cullen! - eu tive que rir com essa imagem.
- Esme e Carlisle... Mamãe e papai. Apenas não há palavras para vocês dois. Meus exemplos de vida e razão de hoje eu ser quem sou. Vocês formaram meu caráter e me ensinaram como um homem deve agir, como um homem de verdade deve se portar. Me mostraram que a família vem acima dos negócios e me ensinaram os verdadeiros valores. Se hoje eu sou alguém digno, é por causa de vocês. Eu os amo e nunca vou deixar de dizer isso.
Mais uma vez eu fiquei totalmente sem graça. Edward era todo carinhoso com os pais e gritava para todos ouvirem que ele os amava e se importava com eles. No entanto, Renée nunca recebera uma declaração minha e, mesmo assim, nunca me cobrou e nem jogou em minha cara o quão desnaturada eu fui.
- E, é claro... Como eu iria me esquecer de você? - ele me olhou como se me reverenciasse. - A mulher que me deu um coração capaz de amar.
Antes que ele terminasse de falar, eu já estava chorando e sentindo as bochechas pegando fogo.
- Que me fez ver através das minhas falhas, que ganhou todo o meu respeito e admiração... A mulher que me deixou com um sorriso bobo, um olhar vridrado e um coração mole apaixonado. Isabella, eu já te disse uma vez antes: te amei por um único olhar, naquele parque onde você quase caiu, e meu amor foi seu desde então. Sei que meu sentimento por você é eterno, pois eu me preocupo com você acima de tudo, acima de mim mesmo. Dizem que um coração é capaz de amar mais de um pessoa, mas o meu não. Ele se entregou totalmente a você e jamais se entregaria para outra mulher. Você é a única que eu amo e é com você que eu quero construir uma vida, é ao seu lado que eu quero acordar todas as manhãs. Isabella, você aceitou ser minha esposa e eu juro que a farei feliz para o resto de nossas vidas.
A música When - Kalin Twins soou e eu fiz questão de dançar aquela última música. Meu corpo estava esgotado, mas o esforço valeria.
Quando você sorri, quando sorri para mim,
Bem, eu sei que nosso amor será para sempre
Quando você me beija,
Eu não quero jamais dizer boa noite.
Edward me rodava e nós, praticamente, dávamos piruetas, na medida do possível com o Coringa.
- E, para o caso da senhora não saber, eu adorei o detalhe azul no seu vestido... - ele riu, dando um beijo estalado no meu pescoço.
- Pelo visto, o Coringa matou o jogo. - brinquei, lembrando das palavras da minha cunhada maluca.
Eu preciso de você, eu quero você perto de mim
Eu te amo
Sim, eu te amo e espero que você me ouça
Quando eu digo que você será minha!
Se você quiser, eu sei que tudo vai ficar bem... Quando você for minha.
...Quando você for minha...
E eu era dele com a maior das alegrias.
Agora nós já não éramos mais o centro das atenções. Algumas pessoas ainda dançavam, presas com seus parceiros em sua própria bolha de amor, outras apenas estava sentadas enquanto comiam, conversam e davam gostosas risadas. Nós dois também ficamos alheios ao mundo.
- Sabe... Eu estava tendo um pensamento realmente tentador. - Edward murmurou, sem parar de me guiar.
A palavra 'tentador' me lembrou de sua recente greve e eu gemi com desgosto. Ele interpretou isso como um incentivo a falar mais.
- Que tal se eu sequestrasse a noiva...?
Olhei para ele, apenas para me certificar de que ouvira certo. Me sequestrar e levar para onde? Para fazer o quê?
- Acho que a noiva gostaria muito de ser sequestrada. Mas para onde o terrível noivo a levaria?
Ele olhou para os lados com a típica cara de suspeito por um crime, e seus olhos brilharam como os de uma criança que está prestes a fazer algo que sabe que é errado, mas que é incapaz de resistir, assumindo o risco de ficar de castigo. Pegou minha mão e saímos correndo.
Não dá para correr com um vestido de noiva e um salto alto, mas eu fiz o melhor que pude. Infelizmente, todos os convidados nos viram correndo para os portões.
- Bella! Edward! - ouvi Alice chamar. - Onde pensam que estão indo?
- Até mais, Allie! - Edward gritou por cima do ombro e, quando passamos pelo portão, ele o fechou às nossas costas. - Será que eles vão nos seguir?
- Provavelmente.
- Então vamos!
Ainda devia ser umas nove horas da noite, então haviam várias pessoas passeando pelo parque que ficava do outro lado da rua. Todos viraram as cabeças para olhar os dois malucos que corriam com trajes de noivos. Meu vestido ululando atrás de mim. Quase tropecei na minha própria saia e Edward me pegou no colo, seus cabelos úmidos pelo suor, já que a noite estava muito quente. Ele riu durante toda a nossa caminhada até os bancos de madeira que ficavam no lado mais escuro do parque.
Ele me colocou no chão e respirou fundo.
- Eu preciso voltar a fazer exercícios. - murmurou.
- E agora, o que fazemos? - perguntei, tentando ajeitar o vestido e a pequena tiara.
- Como nem todo plano é perfeito...
- O que quer dizer com isso, Edward?
- Bem, eu planejei a fuga, mas não arquitetei o "depois". Nem sabia se você ia aceitar fugir comigo!
Eu ri toda boba enquanto olhava ele. Como poderia cogitar que uma mulher seria capaz de não fugir com Edward Cullen. Cheguei pertinho dele e sussurrei:
- Mas eu te segui sem hesitar, meu marido.
- Pena que não podemos viajar em lua-de-mel antes de resolver tudo em Forks...
- Chega. Só pense no agora e em como é bom estarmos assim: sem pensar nos problemas.
Ele me olhou pelo canto do olho.
- Já disse que amo você?
- Já sim, mas não foi nem de longe o suficiente!
- Não se preocupe, meu amor. Temos toda uma vida pela frente e você vai ouvir isso todos os dias!
Nem consegui responder mais nada. Minha boca era cativa da sua, minha mente e meu coração estavam inflamados e consumidos pelo momento: Eu estava casada com o amor da minha vida.
{R_POV}
Chegava a ser opressor ler esses momentos cor-de-rosa entre os meus avós. Minha avó descrevia com tantos detalhes, que era quase impossível não se imaginar dentro da cena e Kate sempre derramava lágrimas solitárias. Eu não conseguia ser romântico com ela, como Kate merecia. Mas eu poderia mudar mais, não poderia?
Tinha deixado minha garota em sua casa e, apenas por querer um tempo sozinho, caminhei até o parque onde tudo havia começado, com Isabella tropeçando.
O burburinho das garotas falando sobre mim era irritante, mas eu ignorei como sempre fizera. As nuvens carregadas de Forks estavam escurecendo a tarde e me imaginei em um lugar com um Sol escaldante, com protetor solar e muita Coca-Cola gelada.
- Hey, Black! - era Jared.
Kate pedira que eu fosse legal com ele, mas era tão difícil!
- Oi. Tudo bem?
- Tudo indo... Bom, até mais.
- Já vai? - ergui uma sobrancelha.
- Tem gente me esperando, só vou dar mais uma volta na pista.
Ele nem esperou eu falar mais nada e já estava bem longe. Resmungando sozinho, caminhei até uma barraquinha de Pretzels.
- Ai, que porcaria! - uma mulher reclamou, bem atrás de mim e voltei para ver a velha pegando, com alguma dificuldade, as moedas que havia derrubado no chão. - Desgraçadinhas!
- Que mau exemplo, vovó! - ri alto e ela apenas sorriu.
Ajudei-a a pegar todas as moedas 'fujonas' e ela me olhou para agredecer. Seus olhos eram idênticos àqueles que eu vira em uma foto certa vez.
- Obrigada, rapaz. Aceita um Pretzel? É por minha conta!
Será que era ela...?
- Vó! A senhora disse que não ia mais comer pretzels! - Jared veio correndo em nossa direção. - Que feio, dona Alice!
Oh, meu Deus. Eu estava sem reação.
Tudo bem que o vestido da Bellinha não é exatamente o modelo com que as mulheres dos anos 50 costumavam se casar, mas estamos falando da Dona Alice, certo? ;)
Reviews:
Lu Bass: Vampiros? hahaha Não, não vamos ter criaturas sobrenaturais na Fic, mas o resto... Bom, só lendo mesmo! Beijos ;*
Linii iih: Você apareceu *-*' Colocar um flash sobre quem, exatamente? Acho que sobre a distância entre Alice e Robert trataremos no próximo capítulo :D Ainda nãp está acabando, acho que vai passar dos 50 capítulos rsrs Beijos e vê se consegue aparecer mais vezes \o/
Ssika: Seja bem vinda! Obrigada e... Oh, my Gosh! Você gosta de InuYasha? *o*
Rafaela: Olá e seja bem vinda! Muito obrigada pelo elogio e até o próximo, beijo! =)
Nanny: Agora guenta-coração! hahaha Beijos, minha frésia!
GabiBarbosa: Eita, outra leitora atenta! kk É, vou contar mais sobre esse 'silêncio' da Kate nos capítulos que estão por vir e você vai entender o porquê dela não falar com todas as letras ;D
DaysCullenB . S: Olá, leitora nova! Tudo bem? rs Obrigada por tudo e parece que vou sanar sua curiosidade no próximo capítulo ;D Beijo!
jojo: Estou sim, depois de muito remédio eu melhorei! rsrs Tudo o que posso dizer é que nesse 'angu' entre o Rob e John, tem uma garota envolvida, mas não é a Kate ^^ Beijinhos.
Criis: Acho que agora eu consegui mandar... Dê uma olhada e me avisa depois, okay? Beijo, minha cabrita!
Lyka: Não fale besteiras, dona Amanda! Cruzes! Eu jamais abandonaria vocês! *-*
Priscila Cullen: Logo, logo, eu resolvo esse enigma por vocês ;) No próximo já tem a Allie com o Rob =D
swan's: Ain, obrigadinha, Mel! Beijinhos fofos para ti também! =*
Vitoria: Separar, largar, fugir de casa, matar os pais... hahah Logo vamos ver o que realmente aconteceu! kk Titia Kate vai ter um treco, isso sim! Casamento de preto...? Sinistro =O Nem sei direito o que me deixou de cama, foi tudo ao mesmo tempo: febre alta, tosse, alergia e mais um monte de coisa o.o Mas eu sou feita de aço! hahaha Já estou tão bem como sempre, obrigada ;)
Até quarta-feira que vem com a tia-vovó Alice e nosso pequeno Robert Black Cullen *-*
Beijos e tenham um bom fim de semana! ;*
