Olha o milagre do capítulo adiantado acontecendo! Hahaha... Espero que gostem gente, esse capítulo exigiu bastante de mim e eu realmente espero ter conseguido passar todas as emoções que eu pretendia.
Comentários respondidos (desculpem a demora), olhem o inbox ^^
Comentário Guest:
Lindsay: Meu Deus, por um momento pensei que você estava me xingando hahahaha, já estava "nossa o que eu fiz?" hahahaha... Aí apareceu o outro comentário e fez todo sentido xD Fico feliz que tenha se emocionado, foi um capítulo difícil de escrever :)
A Lenda da Lua
Paola B. B.
Capítulo XXXV. O despertar de Bella
PDV Edward
Nada é tão ruim que não possa piorar um pouco mais. Parece ditado de pessimista, mas é mais pura verdade. Eu nunca estive sob tanto estresse. Pensei que o pior momento de minha vida tinha sido quando Bella começou a convulsionar em meus braços, o sentimento de impotência, o desespero... E então a cirurgia, ninguém tinha certeza que aquilo a ajudaria. Ela sobreviveu, mas ficou em coma. Acordou, mas ainda estava doente. As transfusões de sangue com seu irmão lhe deram um pouco de força, mas era apenas uma medida paliativa. Cada pequena notícia boa era como uma lufada de ar em meus pulmões, porém o oxigênio era limitado para que eu não me enganasse com alívio.
Eu me sentia andando na beira de um precipício, cada passo era uma vitória, mas o perigo não passava com o meu avanço, parecia só piorar.
O clima pesava a cada dia que passava. Bella brigou para sair do hospital logo após a primeira transfusão. Ela se sentia melhor e realmente parecia com mais vida. Surpreendendo a todos Charlie concordou com sua filha, mas seu argumento era diferente, o hospital não era o melhor lugar para mantê-la longe de James.
Minha família também estava comprometida em manter minha companheira viva então ninguém iria se afastar dela por muito tempo. Nós tivemos trabalho com a logística, mas achamos melhor ficarmos todos na casa de Charlie. Não é como se nós vampiros precisássemos de uma cama para dormir.
O príncipe ainda estava irritado comigo, ele só direcionava suas palavras para mim se fosse estritamente necessário. Todavia eu sabia que eu não era o alvo de seu ressentimento, pelo menos não o verdadeiro. Bella odiava o que estava acontecendo entre nós, ela achava estúpido e queria com todas as suas forças que aquilo acabasse, mas infelizmente aquilo não estava sob o poder dela. Daniel era teimoso como uma porta, ele não iria dar o braço a torcer tão cedo.
Os dias foram passando e tudo foi piorando. A tensão era palpável na casa e nem mesmo Jasper conseguia suavizar todo aquele sentimento. Os vampiros não precisavam de camas, mas os lunares, que pareciam se multiplicar exponencialmente, precisavam. Daniel convocava cada vez mais guerreiros, o problema é que nem todos eram de sua confiança e ele tentava a todo custo manter fora da vista deles. O jeito foi deixar os lunares de confiança cuidando estritamente da segurança da princesa, e estes eram os únicos com acesso a casa, enquanto isso os outros tentavam capturar James e proteger os humanos, a falta de sucesso no segundo objetivo indicava claramente que tínhamos um traidor, ou vários.
Então, quando Alice previu um verdadeiro banho de sangue durante a reunião do FBI com os adolescentes da escola e seus pais, nós tivemos que tomar uma decisão perigosa. Tínhamos que proteger os humanos. Tínhamos que pelo menos tentar proteger o sigilo de nossa existência. Então, reunidos como uma grande família feliz decidimos por participar da reunião. Imediatamente as visões de minha irmã desapareceram, entretanto, infelizmente, não podíamos entender isso como uma boa notícia.
Seriamos 8 vampiros, 10 lobos e 17 lunares. Batalhas na Lua foram ganhas com menos guerreiros. Nossos números eram nossa maior vantagem, ou assim esperamos. A cegueira de minha irmã também não ajudava a nos deixar confiantes, todavia não aceitar a ajuda dos lobos seria suicídio. Daniel optou por manter sua irmã e filha, que eram as mais frágeis de nosso grupo, junto a todos. Seria mais fácil protegê-las desta maneira, se nós nos separássemos em dois grupos acabaríamos fragilizando ambos e mais uma vez o final poderia não ser bom.
Ainda tínhamos um pingo de esperança de que nossa presença volumosa faria James e Victória mudarem de planos, quer dizer, tínhamos na penumbra do perímetro da escola 9 lobos prontos para o ataque junto a 8 guerreiros lunares, mais 6 lunares a vista de todos no perímetro próximo aos humanos. Sem contar é claro com nós vampiros que rodeávamos Bella e Bruna junto aos futuros soberanos do povo da Lua que eram guerreiros exemplares... Eu deveria saber que me agarrar com todas as forças na esperança de que pela primeira vez as coisas dariam certo para o nosso lado não era uma boa ideia. Eu deveria ter me preparado para o pior, deveria ter me preparado para o inevitável.
Quando James apareceu seus olhos foram diretos para Bella. Eu a segurei com força contra o meu corpo e ele simplesmente sorriu para mim. Enquanto parte de sua mente se ocupava em brincar com os humanos, a outra parte se preocupava em me provocar. Senti meu estômago embrulhar com cada imagem que invadia minha mente, meus pensamentos eram assombrados com cada fantasia doentia que ele tinha em usar o corpo de minha companheira como se ela fosse algum tipo de brinquedo sexual.
- Ela deve ser deliciosa... Não vejo a hora de prová-la por inteiro. – suas palavras eram quase um murmúrio obsceno. Eu iria acabar com ele!
- Edward! – o grito mental de Jasper trouxe-me de volta para o presente. – Você precisa se controlar! Preste atenção nos guerreiros! Todos estão se preparando para abatê-lo, se concentre em ficar junto de Bella. Ele não vai escapar vivo daqui hoje! Nem que tenhamos que nos expor para o mundo nós iremos derrubar James!
Meu corpo se encheu de coragem. Jazz estava certo, todos realmente estavam se movimentando lentamente para cercar o psicopata. Eu enxergava na mente de cada um a determinação e foi nesse momento que notei que a mente de um dos agentes do FBI entregava sua identidade de lunar. Imediatamente lembranças me fizeram reconhecê-lo como o melhor amigo do rei, ele era um de seus conselheiros. Sua preocupação era tirar seus colegas do caminho para então interceptar James. Ele não veio aqui hoje por estar sob comando de Daniel, veio por estar sob o comando de Rei Arthur.
Antes que eu pudesse refletir sobre essa descoberta James se pôs a atacar e imediatamente o lunar usou seus poderes para proteger os humanos. As pessoas a minha volta gritaram e começaram a correr apavoradas com o que viam. Já minha família se movimentou para melhor proteger os possíveis alvos do vampiro. Esme pegou Bruna no colo e se aproximou de mim e Bella. Ao nosso redor Alice, Rose, Emm e Jazz também se posicionaram enquanto Carlisle se colocava a nossa frente ao lado de Charlie. Daniel e Nat se separaram ficando cada um em uma lateral do nosso grupo. Ninguém passaria por nós.
Observei Jacob se desvencilhar daqueles mais apavorados para ter uma visão limpa do caminho até James. O corpo do Quileute tremia das cabeças aos pés e quando ele percebeu que humanos estavam longe o suficiente ele permitiu que a transformação explodisse. Imediatamente a mente unitária da alcateia se fez presente.
- Merda! – grunhi ao perceber que a vantagem numérica que imaginei termos era pura ilusão. James e Victória não estavam sozinhos, eles trouxeram seu próprio exército de fantoches.
A barreira externa já lutava ao redor da escola e honestamente eu não conseguia dizer quem estava ganhando. Tentando tirar minha cabeça do caos de pensamentos eu me concentrei na lunar tremendo em meus braços. Ela estava assustada e não era a única. Puxei seu rosto para mim, eu precisava tentar acalmá-la, quem sabe sugerir que fugíssemos, apesar de não enxergar muitas rotas de fuga.
Olhei para os seus olhos chocolate e deles tirei forças. Eu iria protegê-la. Nem que fosse a última coisa que fizesse na minha vida.
Abri minha boca para dizer que tudo ficaria bem, mas as palavras ficaram presas em minha garganta, pois tudo a minha volta sumiu inclusive a sensação da minha namorada em meus braços. E nesse momento eu percebi, havíamos caído em uma armadilha.
O completo mausoléu cobriu meus sentidos por eternos segundos, o primeiro sentido a retornar foi minha audição e o som de vidros estilhaçando congelaram meu corpo. Imediatamente eu me lembrei da visão que Bella teve logo após o ataque no Halloween e para o meu completo desespero eu pude reconhecer o meu nome sendo chamado por ela no meio de tantos gritos de humanos aterrorizados. Neste momento minha visão voltou. Ela não estava mais sob a proteção dos meus braços. Victória havia passado por nós. Por todos nós. Eles estavam com Bella.
- NÃO! – gritei, rugi. A raiva tomou conta de meu corpo e em segundos eu desviava de humanos para atacar James.
Minhas pernas paralisaram ao notar que minha companheira estava sob completo controle da vampira. Eu não podia me aproximar de maneira precipitada. Pela minha mente notei que minha família havia passado pelo mesmo apagão e agora, com exceção de Esme e Rose que permaneceram protegendo Bruninha, todos se aproximavam para o ataque.
Eu olhava fixamente para minha namorada em perigo. A vampira tinha um braço ao redor do tronco de Bella impedindo que ela pudesse mexer seus braços, já a outra mão tapava quase metade do rosto da lunar eliminando qualquer possibilidade de ela falar. Os olhos de minha companheira ainda estavam castanhos, mas eu podia vê-los trocar de cor como uma lâmpada em curto-circuito. Havia medo neles, mas também havia dor.
Rosnei ainda mais alto. Meu corpo automaticamente se preparando para a ofensiva. Agucei meus sentidos tentando planejar a melhor rota de ataque, eu precisava ter em mente que eu não estava sozinho e que se eu usasse minha vantagem de conhecimento eu poderia ser bem-sucedido. Notei rapidamente que a luta a volta começava a se aproximar da escola, nós não estávamos ganhando, mas por algum motivo que ainda não estava claro, os fantoches de James que conseguiram ultrapassar a barreira estavam em standby.
Jacob estava em frente dos humanos, ele estava preocupadíssimo com Bella, mas ele sabia que nós faríamos de tudo para resgatá-la. Sua prioridade era manter os humanos seguros, alguém precisava ter isso em mente. Nat estava ao lado dele, ela se concentrava em criar um grande campo de energia ao redor do grupo para impedir que a luta, que não demoraria a acontecer, pudesse ferir algum inocente. Ela estava prestes a pedir que os policiais, que ainda estavam perigosamente perto dos vampiros, se juntassem aos outros humanos, porém Alice foi mais rápida e cochichou para Carlisle e Emmett cuidarem daquilo. Em segundos todos os humanos estavam embaixo de uma grande redoma fortalecida pela futura rainha do povo lunar. Rose ficou fora do campo de energia, ela se comprometeu em impedir ataques diretos à Nátalie.
Havia ainda as mentes do jornalista e do câmera-man. Eles estavam tão apavorados quanto qualquer um, todavia tinha certeza que ganhariam um grande prêmio por conseguir transmitir aquela loucura. Os dois rezavam para que a câmera continuasse firme no tripé e não parasse de transmitir. Pelo celular o jornalista falava com seu chefe, algo sobre entrar ao vivo em rede nacional. Ótimo! Eu estava curioso para saber como os Volturi lidariam com isso.
- Largue a minha irmã, James! – rugiu Daniel. Os lunares tremeram ao sentir o poder na voz de seu príncipe e caminharam ainda mais para perto do casal de bandidos. Os guerreiros olharam ansiosos para o soberano buscando algum comando, mas não houve nenhum.
- Mantenham a calma. – o sussurro veio de Ângelo que olhava fixamente para o lunar sob o comando de Rei Arthur. – Se Maximiliano está aqui, isso quer dizer que Rei Arthur e Rainha Anna estão cientes dos acontecimentos. Eles não ficarão inertes enquanto sua filha corre esse perigo. – pensou esperançoso, contudo eu não conseguia captar a mente de nenhum deles.
- Oh! Majestade! – James parecia uma criança em dia de Natal, o sorriso se alargou em seus lábios e ele se inclinou numa reverência debochada. – Se você não percebeu, meu príncipe, eu não estou segurando sua irmã. Vic está.
Rosnei. Rosnamos. Charlie a esquerda de Daniel e eu a sua direita. Por incrível que pareça meu cunhado manteve a frieza em tentar jogar com o vampiro.
- Como se ela não estivesse sob o seu comando...
Victória gargalhou, James sorriu.
- Não é fofo, Vic? Ele está tentando nos jogar um contra o outro.
- Adorável. – concordou e um crác foi audível por nós.
Os olhos de Bella arregalaram antes de as lágrimas começarem a escorrer. Eu quase caí de joelhos ao chão ao saber que seus ossos estavam quebrando.
- Largue-a! – rugiu Charlie.
- Bella! – preocupou-se Daniel, ele começava a entrar em desespero. Ele não era o único.
- O futuro rei. O futuro soberano de todas as espécies... Acho que não mais nos tempos de hoje, não é? – debochou James, ele caminhava em volta de Bella e Victória. – Antigamente vocês lunares eram respeitados pelos lobisomens, temidos pelos vampiros, endeusados pelos humanos. Mas é engraçado como as coisas mudam. Pleno século XXI e os cachorros foram extintos, devo admitir que Aro fez uma jogada incrível... Os vampiros criaram sua própria bolha social e os humanos... Bem, eles não enxergam mais em vocês a conexão divina, eles só enxergam os alienígenas, os invasores... Hilário.
James jogou um braço ao redor dos ombros de sua parceira e então tocou o rosto de Bella com a ponta de seus dedos. Ele capturou suas lágrimas e as lambeu em seguida. Meu corpo tremia com a raiva. Tudo dentro de mim gritava para tirá-la de lá. Mas eu não podia fazer isso agora, Victória simplesmente as teletrasportaria para outro lugar.
- Ah princesa! Você recebeu o meu recado? Não sabe o quanto demorei para te encontrar... Tentei te substituir com outras, mas nenhuma tinha o seu gosto.
Bella se debateu, as lágrimas aumentaram e ela piscou com força mantendo seus olhos azuis. Ela iria tentar se soltar. Mas ela não podia usar seus poderes, isso a mataria mais rápido que James.
- Bella, não! – gritei e isso aguçou a curiosidade do vampiro. Olhando de mim para ela ele deixou seu sorriso se alargar quando notou o sangue escorrendo pelo nariz dela.
- Você ainda não despertou! – constatou rindo. – Tudo isso deve ser muito confuso, não é princesa? – perguntou com falso pesar. – Você não deve nem entender porque fico a chamando por este título. Não se preocupe, eu vou contar sua triste história.
- James! – rugiu Daniel. – Eu estou perdendo minha paciência! Largue Bella agora!
Pela primeira vez a raiva brilhou nos olhos vermelhos do vampiro. Ele formou uma bola de fogo em sua mão e aproximou do rosto de Bella, porém ele ainda olhava para o príncipe.
- Não seja rude príncipe Daniel! Eu estou falando, não me interrompa novamente!
A tensão era grande. Todos seguravam suas respirações. James relaxou e começou a brincar com a bola de fogo que corria envolta de seu corpo como se tivesse vida própria. Ele tinha a confiança de que ninguém daria um passo em falso, ele sabia o poder que tinha.
- Onde estávamos? Ah sim! Veja bem, minha cara, tudo começou com seu irmãozinho ali. – apontou para Daniel que se juntava a mim no coro de rosnados. – Ele foi uma criança muito frágil. Ele adoeceu e não havia uma cura. Seus pais entraram em desespero e então se esqueceram de suas obrigações com o reino, tudo para buscar a cura para o seu amado filho. Foi então que a solução apareceu! Tenham uma segunda criança! As células no cordão umbilical poderão salvar o pequeno príncipe!
James caminhava e balançava suas mãos como se estivessem em uma peça de teatro. Meus pés deram alguns passos para a frente a cada vez que ele caminhava para longe de Bella. Seus olhos brilharam com diversão em minha direção, ele sabia o que eu estava fazendo.
- Mas veja bem, princesa, as fêmeas lunares foram amaldiçoadas pelos grandes elementares. E então, ninguém sabe como, a rainha engravidou pela segunda vez. – jogou suas mãos para cima como se aquilo fosse uma loucura. – Você, Bella, é a primeira segunda criança em quase 6 mil anos! Não é incrível? O povo deveria ter comemorado, afinal você era um pequeno milagre! Não só salvaria o futuro rei da Lua como traria esperança para as mulheres lunares. Sem falar, é claro, que as crianças lunares são tratadas como criaturas sagradas. Nenhuma outra espécie trata suas proles de maneira tão amável e protetora.
Um sorriso maldoso cresceu nos lábios dele. Eu observava Bella com angustia. Ela não estava bem. Ela prestava atenção em James, mas eu conseguia ver a dor em seus olhos azuis. Ela estava sofrendo e eu tinha certeza que não era apenas por causa de suas costelas quebradas.
- Mas não foi isso que aconteceu. – o falso pesar estava me enojando. – A verdade é que o povo lunar é um povo hipócrita. É um povo invejoso e mesquinho. Se acham importantes, se acham poderosos, pisam em nós vampiros, desprezam os humanos... Pensam ser os grandes guerreiros, os soldados de Deus! - riu divertido. – Eles olharam para o pequeno e frágil bebê, e tudo o que enxergaram foi uma afronta. Afronta contra os grandes elementares, afronta contra Deus, afronta contra o povo. Uma segunda criança? Depois de tanto tempo? Aquilo não estava certo. A criança era a encarnação do mal! Ela destruiria tudo, ela aniquilaria o povo lunar... Eu tenho que confessar, o fanatismo religioso humano é extravagante, mas vocês lunares... Uau!
James deu as costas para nós e acariciou o rosto de Bella quase como se ele se importasse com ela. Tive que me segurar para não pular nele naquele momento. O vampiro ficou de lado, sorria maldoso para nós, mas olhava para ela.
- Você conhece a história do Caos, Bella? Não? Bem, Caos foi o primeiro grande mal entre os lunares. Ninguém realmente conhece a história de vida da criatura, ninguém sabe o seu nome ou se tinha família, só o que sabem é que essa criatura quase destruiu o planeta e quase extinguiu sua espécie, ela foi o motivo de sua espécie fugir para a Lua, ela foi o motivo da maldição do ventre e por todos estes horrores ficou apenas conhecida como Caos... E sabe o mais interessante? Uma profecia dizia que um dia ela iria voltar a vida e você não vai acreditar em quem o povo da Lua pensa que é a reencarnação dela!
O ar estava fugindo de meus pulmões. Eu sabia que ela não tinha lembranças em sua psique, mas eu via que aquilo estava a abalando da mesma forma que abalava no passado. James estava ativando a memória sentimental dela.
- Você Bella, eles acham que você é Caos! A grande destruidora! E eu acho que eles estão certos! Eu acho que todo esse seu poder é o poder de Caos. Um poder que espanta até mesmo sua família. Eu vou adorar fazê-la se juntar a mim. Junte-se a mim, Caos!
A loucura de James era imensurável, mas pela primeira vez eu pude entender sua lógica. Uma rápida lembrança tomou sua mente e eu vi com clareza que ele não era um vampiro tão poderoso a toa. Quando foi transformado ele não podia controlar o fogo, seu único poder era o da caça. Um poder provindo de sua personalidade deturpada de quando era humano, ele já era um assassino antes mesmo de ser transformado. Ele se divertia caçando humanos, mas lunares estavam fora de seu cardápio. Ele já havia cruzado com uma lunar e ela havia o colocado em seu lugar. Uma pena ela tê-lo poupado. Mas então seu caminho cruzou com um lunar de sangue doce, pelo menos era isso que James sentia, e o extinto caçador nunca esteve tão forte. Infelizmente o lunar era arrogante por ser um grande dominador do fogo e se permitiu brincar com James, ele não esperava que o vampiro fosse conseguir pegá-lo. Mas James conseguiu. Ele tirou cada gota de sangue do lunar e para a sua surpresa, além de transformar seus olhos vermelhos de volta para os azuis de quando era humano, James também ganhou os poderes do lunar.
Esse era o grande plano e o motivo de toda a obsessão por Bella. James enxergava nela a oportunidade de ganhar ainda mais poderes, afinal aquele lunar foi o único que James foi bem-sucedido em sugar todo o sangue. Lunares não eram tão fáceis de abater, principalmente aqueles que tinham poderes.
- Tudo bem se você não quiser. – continuou com a loucura. – Eu posso fazê-la se juntar a mim. – sorriu e então Victória forçou Bella a esticar seu pescoço.
Neste momento Daniel rosnou e saltou perigosamente perto de James, seus joelhos flexionados, seu tronco inclinado para frente, seus braços estendidos para o lado enquanto adagas apareciam em suas mãos, no mesmo momento suas asas se abriram imponentes. Pela mente de James eu enxergava os caninos proeminentes de Daniel e também notei o pânico que ele tentava esconder. Quase sorri ao notar seus pensamentos acelerando. Jasper também notou o sentimento e o bombardeou com ainda mais medo.
James rosnou ao notar a manipulação e lançou a bola de fogo em direção ao príncipe.
Me joguei antes que a linha de fogo me atingisse. Rolei no chão e me preparei para atacar. Os olhos de Victória estavam em mim e eu sabia que não conseguiria chegar sem ser notado. Tive que parar novamente.
Charlie também havia saltado para se defender, mas ele acabou por se afastar mais do centro dos acontecimentos. Já meu cunhado apenas ergueu-se esticando suas costas e adotando uma postura ainda mais imponente. Havia uma aura exalando de seu corpo que fazia algo dentro de mim tremer. E eu não era o único a senti-la. Eu nunca vi os olhos de Daniel tão frios e perigosos como eu os via agora. Ele não havia se machucado com o ataque, na verdade o fogo não o fez nada. Ele apenas cruzou os braços no peito e os esticou abrindo caminho entre as labaredas.
Contudo, antes que o príncipe se precipitasse em direção ao vampiro a luta que havia começado a volta da escola finalmente havia chegado até nós. Em um piscar de olhos os guerreiros lunares que também já tinham espadas nas mãos e caninos expostos em direção a James, agora se viravam para se defender dos ataques.
Tudo virou um grande caos de rosnados, uivos, granidos, espadas tilintando, fogo estalando e gritos de morte.
Meu foco ainda estava em resgatar Bella, porém quando os ataques vieram em minha direção eu a perdi de vista. Eu me livrava da melhor maneira possível de meus agressores. Joguei alguns vampiros no lastro de fogo que ainda crepitava no chão. O mais difícil era lutar com os fantoches. Os lunares que havia perdido sua alma se deixando controlar também não tinham pensamentos, seus atos eram puro instinto e isso tornava ainda mais difícil me defender deles.
Abaixei-me quando notei mãos vindo direto para o meu pescoço. Rosnando irritado me virei no exato momento para segurar a cabeça do fantoche e girá-la como uma torneira velha. O corpo caiu como um saco aos meus pés e eu o chutei em direção ao fogo. Rosnei irritado e busquei minha lunar no meio de tudo aquilo.
Gelei ao encontrá-la ainda nas mãos de Victória, mas desta vez James estava junto. Sorria doentio para ela e eu rapidamente captei em sua mente que ele estava prestes a pedir a sua parceira que eles saíssem de lá para aproveitar o momento com Bella de maneira mais tranquila.
- James! – rosnei me aproximando e ele mudou de ideia. James cairia por sua arrogância e sede de crueldade.
- Edward! – ele sorriu. – Eu confesso que fiquei surpreso por vê-lo... Vivo.
- Isso não vai acabar bem para você, James, você sabe disso. Deixe Bella ir e talvez eu te mate de maneira rápida.
Ele riu com diversão.
- Você nunca deixa de me entreter. Você já me prometeu morte uma vez, mas nós dois sabemos como isso acabou.
Nós caminhávamos em um círculo invisível. Eu tentando me aproximar de Victória e Bella, a vampira arrastando minha namorada para longe e James se divertindo com nosso pequeno duelo.
- Esse sorriso vai sumir de seu rosto, logo, logo. – rosnei pronto para atacar, mas eu deveria saber que a covardia de James me ataria as mãos.
Novamente ele usou de ameaçar minha companheira. A bola de fogo criada em sua mão esquerda começou a correr ao redor de seu corpo enquanto ele sorria para Bella. Rosnei colérico. Eu iria arrancar a cabeça do filho da puta!
- O que você acha, princesa, de eu acabar com seu companheiro? Será que um milagre acontecerá novamente? Será que você terá poder para salvá-lo? – atormentou. Minha lunar estava apavorada, seus olhos só seguiram em minha direção suplicantes, temendo minha morte. Então ele olhou para mim. – O que acha de virar pó novamente? – eu sabia o que vinha a seguir, a visão estava se concretizando e graças a esse conhecimento eu teria velocidade suficiente para impedir o pior. – Ou então seja melhor acabar com ela primeiro... O que você acha, leitor de mentes?
Antes que ele terminasse sua pergunta eu já corria para me colocar entre eles. Eu não olhava mais para James, apenas para minha Bella, a minha princesa, o meu anjo. O filme se repetia diante de meus olhos. Ela podia não se lembrar de nosso passado na Lua, mas memórias não eram necessárias para reconhecer o amor em seus olhos. Era engraçado como a vida parecia cíclica, tudo parecia se repetir do mesmo jeito que em minha última encarnação. Talvez esse fosse o meu destino, morrer para protegê-la.
Eu amo você, Bella. Pensei, rezei e esperei pela dor que queimaria pelo centro do meu corpo e se espalharia para as extremidades. Eu sentiria apenas uma ardência em minha coluna e essa ardência começaria a se alastrar, mas a dor acabaria antes que todo o meu corpo fosse destruído. Eu conhecia a dor. E eu passaria por ela um milhão de vezes se isso significasse que minha companheira ficaria bem.
No entanto eu não senti nada. Bella e Victória tinham os olhos arregalados. Pela mente da vampira notei que um terceiro corpo se colocou entre James e eu e me protegeu do ataque. Por um momento pensei que era Daniel, afinal ele controlava o fogo, ele não se queimaria com um ataque do vampiro, mas quando me virei percebi que não era Dan, mas sim o seu pai.
Eu estava tão focado na pequena bolha de meu combate com James que não notei o acréscimo de dezenas de mentes a batalha. Arregalei meus olhos observando os guerreiros descendo dos céus com suas asas majestosas abertas, todos vestiam branco, alguns usavam túnicas e capuzes que cobriam suas identidades, mas todos tinham armas em suas mãos e de maneira brutal eles foram derrubando cada fantoche e aliado do casal psicopata. Minha família, os lobos e os lunares que já estavam em cena foram parando de lutar conforme os inimigos foram desaparecendo. E como se uma grande tempestade tivesse acabado de passar veio a calmaria.
O silêncio era gritante. James estava prestes a rugir irritado quando mais uma lunar desceu dos céus, bem em cima dele. A próxima coisa que vi foi a Rainha Anita com cada um de seus pés em um dos braços do vampiro. Ele até tentou se mexer, mas era como se ela pesasse toneladas. Os cabelos platinados estavam presos em uma trança complexa e sua pele tinha pinturas que reconheci serem de guerra. Com o braço esquerdo esticado a sua frente ela segurava um arco prateado incrustrado com pedras coloridas, rapidamente ela puxou uma flecha de fogo azul.
- Minha filha não é a reencarnação de Caos... Eu sou. – e sem permitir nenhuma ultima palavra ela soltou a flecha transformando meu inimigo em cinzas.
Todos os olhares se voltaram então para Victória que gritava com fúria, com pesar, com amargura... Ela podia ser a pior das criaturas, mas seu amor por James era real.
- Fiquem longe! – rugiu arrastando Bella. A dor da vampira pela perda de seu parceiro era tamanha que ela não conseguia pensar claramente em um lugar para se transportar, tudo o que ela pensava era nele.
Rei Arthur colocou uma mão em peito e deu um leve empurrão para trás. Ele caminhou para perto delas, mas suas palavras não foram direcionadas para a vampira e sim para a sua filha.
- Bella? – chamou amoroso. – É hora de se lembrar. – e então estalou seus dedos.
Observei horrorizado a tormenta crescendo em minha companheira. Eu podia sentir em minha alma. Era um turbilhão, como um enxame de abelhas... Talvez uma analogia melhor seria um cano d'água com alta pressão e agora a porta de saída foi simplesmente escancarada. E como um vulcão entrando em erupção o poder de Bella explodiu empurrando tudo e todos em toda a sua circunferência. Victória voou para longe e todos nós que estávamos mais afastados fomos jogados para o chão.
Me recuperei rapidamente e ergui minha cabeça. A lunar olhava para os céus, em seus olhos não existia mais irís, nem castanha e nem azul, seus olhos brilhavam completamente brancos. Não era a camada fosca de uma visão do futuro, era um brilho intenso que parecia crescer pouco a pouco. As asas dela estavam abertas e seu corpo estava alguns centímetros fora do chão. Seus cabelos e roupas pareciam flutuar como se estivessem sem a influência da gravidade. E então ela foi ao chão. Caiu de joelhos e rosnou, um rosnado desesperado, um rosnado dolorido, seus dentes expostos como um animal acuado. O brilho aumentou mais e mais até nos cegar completamente e nos transportar para um passado distante.
Bella estava despertando. Finalmente.
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Ufa... Esse capítulo me deixou exausta. Próximo capítulo penso em manter a tradição da primeira versão da fic e escrever o passado deles com PDV Narrador, acho que assim eu consigo cobrir a história como um todo. Então já aviso que como a narrativa vai mudar de estilo o capítulo vai demorar para sair e como aconteceu nesse capítulo se eu conseguir terminar antes eu vou postar antes, então paciência ^^
Agora me digam, o que acharam desse capítulo? O fim de James foi muito rápido? Foi o que vocês esperavam? Sei que ainda existem muitas perguntas e boa parte delas serão respondidas nos próximos capítulos. O ritmo daqui para frente só vai acelerar, estamos em completa reta final da primeira parte ;)
Próxima postagem: 08/04/2018
