THE MAN I LOVE
O coração dele batia tão forte e tão intensamente toda vez que ele era tocado por seu amor. Ele o tocava sem tocar, apenas o fato de estar perto dele fazia seu corpo tremer. Ele fechou os olhos e ao abri-los estava tudo em preto e branco, parecia um sonho. Era um sonho, tudo era um sonho. A vida dele era um sonho, Jensen também.
-Um sonho...
Jensen passava as pontas dos dedos sobre a pele de Jared. O rosto, o peito, as pernas, o sexo. Jared sentia seu corpo flutuar, sua alma se deslocando de seu corpo. Era tão mágico, tão metafisico. Jensen começou a beija-lo. Primeiro todo o rosto, mas não os lábios. Depois o pescoço, o peito, as pernas. A parte interna da coxa. Gemidos dos dois lados. Depois ele voltou para o rosto. Beijou-lhe a testa, o nariz, as bochechas. E tocou levemente seus lábios. Foi um beijo doce e suave no começo, só os lábios se tocando. Depois foi ficando mais intenso. Forte. Possessivo. As línguas dançavam dentro das bocas. Um gemia dentro da boca do outro. Jensen sobre o corpo de Jared esfregava-se, devagar, numa cadência que deixava o outro querendo mais. Jared gozou, só com o beijo, que não era apenas um beijo, era uma conexão.
-Oh mon amour...
Jared sentiu todo seu corpo estremecer e não era por conta de seu orgasmo. Ao abrir os olhos, ele enxergou tudo em preto e branco e Jensen tinha uma áurea, uma luz. Eles estavam em Paris. Não, eles estavam em Orleans em 1945. E também estavam no presente, em 2013 e em algum lugar do futuro. As almas deles estavam em todos os tempos, lugares e espaços. Eles eram imortais, almas que se completavam.
-Vous êtes si tre beau! Mon homme…
Jared não conseguia falar. Ouvir Jensen dizer que ele era lindo, que ele era seu homem. Sentir-se em outra época, em outra dimensão. Ele havia acabado de gozar e já estava ficando excitado novamente. Só de ouvir Jensen. Só de sentir seu cheiro. Só de sentir o calor do corpo do outro, que parecia em êxtase. Ele estava tão imerso nas sensações que nem notou que Jensen preparava seu corpo. Jensen queria se sentir dentro de Jared. Não importava quem conduzia o sexo. Não havia regras. Eles faziam o que seus corpos e almas pediam no momento. E sempre era perfeito, sempre era mágico, sempre era especial. Desde o primeiro beijo, na França do século XIX. Desde a primeira vez em que transaram em 1945. Desde a primeira vez em que se tocaram em 2012.
Eles se moviam no mesmo ritmo, forte, intenso. Gemiam alto, ao alcançar o orgasmo, gritaram um o nome do outro. Foi tão forte que Jared apagou por alguns minutos. Ele sempre perdia os sentidos após um orgasmo forte, como o de agora. Jensen ficava com falta de ar, mas não igual aquela da asma. Era uma mistura de falta de ar, com batimentos acelerados. Era como se toda a paixão fosse exteriorizada. Ele se acalmava sempre primeiro que Jared. Ele não tinha preocupações com os desmaios pós-orgasmos de Jared porque ele sempre sentia o que o outro sentia. E agora ele sentia paz.
Someday he'll come along, The man I love
And he'll be big and strong, The man I love
And when he comes my way
I'll do my best to make him stay
Jensen observava enquanto Jared dormia. Tão alto e forte. Jensen faria tudo por ele, e sempre o manteria a seu lado.
He'll look at me and smile, I'll understand
Then in a little while, He'll take my hand
And though it seems absurd
I know we both won't say a word
Jared sorria enquanto dormia. Jensen sabia que ele sonhava com os dois. Sempre. Jensen pegou uma das mãos de Jared e entrelaçou seus dedos. Nada precisava ser dito. Eles sentiam um ao outro, e isto bastava.
Maybe I shall meet him Sunday,
Maybe Monday, maybe not
Still I'm sure to meet him one day
Maybe Tuesday will be my good news day
A verdade era que eles se encontravam todos os dias. A cada segundo eles se descobriam. Cada vida, cada existência de suas almas. Não tinha uma data marcada. Seria sempre e pra sempre.
He'll build a little home, That's meant for two
From which I'll never roam, Who would, would you
And so all else above
I'm dreaming of the man I love
Eles estavam construindo sua família. Juntos. E sonhando sempre. Por que a vida é um sonho, e eles estavam sonhando.
No dia seguinte, Jared acordou e ficou um bom tempo olhando Jensen dormir. Lábios entreabertos, sardas que o deixavam mais lindo. Tão lindo, mas a beleza dele não é apenas física. Vem do seu coração tão sensível e tão amoroso. De seu jeito protetor, de sua falsa fragilidade que é causada por sua asma. De seus olhos verdes que eram realmente janelas para sua alma. Jared enxergava Jensen. Ele enxergava tudo nele, e a beleza de sua alma era infinitamente maior do que a física. Depois de ficar comtemplando o homem que ele amava mais do que tudo, ele levantou-se e foi até o banheiro. Chegando lá, ao olhar o espelho, viu que tinha algo escrito com creme de babear:
Quer casar comigo?
( )SIM
( )CLARO
( )COM CERTEZA
( )não
New Orleans, 16 de abril de 2018
Jared estava sofrendo mais do que nunca. Ele nunca imaginou que fosse doer tanto. Ele não dormia há dias, mal comia, e não conseguia se concentrar em seu trabalho. Teve até febre. Mas agora isto iria acabar. Ele iria atrás de Jensen, Chris e Hope. Não ficaria mais nenhum segundo longe deles, de seus amores. Não importavam as consequências, ele teria que lidar com isso de alguma forma.
O voo pareceu uma eternidade. Parecia que o tempo conspirava contra. Jared estava com medo da reação de Jensen, mas ele não iria mais ficar longe dele. Quando finalmente o avião chegou a seu destino, o coração de Jared batia tão forte em seu peito que lhe causava um pouco de falta de ar.
O caminho até a casa onde Jensen e as crianças estavam era lindo, mas Jared não conseguia reparar em nada. Durante todo o caminho em que esteve no taxi, ele esteve com os olhos fechados. Jensen já sabe que eu estou aqui... ele suava frio e a febre havia voltado. Ansiedade, medo e alegria.
Jensen sentiu aquele aperto no peito. Jared. Ele sentia a presença do outro muito forte, próxima. Sem contar a angústia dos últimos dias. Realmente não estava sendo fácil, mas a culpa era de Jared. Ele que havia começado toda esta história, apesar de Jensen ser contra.
-Papai! Papai! O Papa Sunshine está chegando! – disse Hope entusiasmada.
-Papai, eu não sei de onde a Hope tirou isso...desde manhã ela está falando isso. – disse Chris, um pouco irritado.
-Ele está chegando sim! Eu sei! E papai também sabe! É só fechar os olhos Chris, você também vai saber! – disse Hope sorrindo.
-Mas...papai, não era pra ele vir agora...ou era? – perguntou Chris, um tanto desconfiado. A verdade era que ele sabia que Hope não mentia e que sempre sabia o que iria acontecer.
-Não mas... ele... – Jensen se levantou e saiu praticamente correndo até a porta. Jared estava parado lá. Suando frio e tremendo. Jensen se aproximou dele e lhe deu um forte abraço. Depois o beijou, suavemente, enquanto passava as mãos em seu rosto. Jared respirava fundo e se deixava ser tocado e beijado. Ele estava em casa agora. Junto de seu amor.
-Jay, você está queimando de febre! E está tremendo, também. – disse Jensen, preocupado.
-Me desculpe Jen...eu...não consegui... me desculpe...
-Shhhh... fique calmo, nós vamos resolver, está bem? Eu nunca deveria ter aceitado esta sua ideia maluca!
Jensen fez Jared tomar um banho morno, lhe serviu uma sopa feita com a ajuda das crianças que estavam animadas e preocupadas ao mesmo tempo. Hope fazia carinhos em seu Papa Sunshine, e Chris lhe contava como estava sendo as férias. Sadie, que havia ido com eles, lhe lambia o rosto. Jensen observava a tudo em silêncio. Depois que os ânimos se acalmaram e as crianças foram dormir, Jensen se aproximou da cama e deitou-se ao lado de seu amor.
-Eu te disse que não era uma boa ideia eu e as crianças virmos antes pra cá.
-Eu sei, mas você tinha tido mais um ataque de asma e estava tão cansado... as crianças já estavam de férias e você merecia este descanso, já que também estava de férias.
-Mas você não podia vir, tinha aulas com as crianças que ficaram de recuperação. E até onde eu me lembro, Sam disse que sua presença era imprescindível. E você também me disse que Zach ouviu que seu emprego na escola estava correndo riscos, por conta dos cortes que estavam sendo feitos. E por isso que eu iria vir pra cá, somente quando você pudesse, mas você me fez acreditar que ficaria bem.
-Eu pensei que ficaria...era só uma semana...
-Uma semana em que você não dormiu, não é? Isso eu sei porque eu sinto...todos os dias eu acordei cansado, como se tivesse passado a noite em claro, mas era você, não é?
-Jen...eu...me desculpe... e agora...bem, talvez eu não tenha mais emprego quando a gente voltar e...
-Nós resolvemos isso quando voltarmos, está bem? Agora durma. Eu estou aqui agora. Vou cuidar de você.
Jared dormiu instantaneamente. E sonhou, coisa que não acontecia desde que Jensen havia ido para o Havaí com as crianças para as merecidas férias. Esta dependência era em decorrência de todas as separações por que eles haviam passado no decorrer de suas vidas. Isto era algo que eles ainda teriam que superar.
A praia era linda. Chris corria atrás de Sadie na areia. Jensen e Jared observavam o quanto ele havia crescido e como ele sempre cuidada de Hope. Continuava sendo a criança amorosa de sempre, apesar de chamar Jensen de pai na frente dos amigos, afinal agora ele já tinha 11 anos, era um pré-adolescente como gostava de repetir. Mas para seus pais ele ainda era o mesmo garotinho que sempre tinha uma pergunta inusitada para fazer, como agora.
-Papai, o que é gozar?
Jensen ficou vermelho como um pimentão. Jared ficou sem graça e engasgou com seu suco.
-Filho, onde você ouviu isso? – perguntou Jensen
-Na escola...um menino disse que ouviu a irmã dele dizendo que o namorado dela nunca deixa ela gozar...o que é gozar?
-Oh meu Deus...Jay, me ajuda aqui!
-Bom...é...como eu vou te explicar... go...
-Papa Sunhine! – gritou Hope.
Jensen e Jared se sentiram salvos pelo gongo. Mas teriam uma conversa sobre o assunto com Chris mais tarde, quando eles estivessem mais preparados.
-Sim princesa, o que foi?
-Eu gosto daqui da praia, mas não quero mais brincar com a menina...
-Que menina? – perguntou Jared.
-A menina Papa! Você não a está vendo? olha ela lá! – Hope apontou para onde estava brincando na areia, sozinha.
Jensen, Jared e Chris não viram nenhuma menina, mas não estranharam, era natural Hope conversar com amigos imaginários. Bom, a verdade era que eram espíritos, mas eles não sabiam ao certo.
-Ok, mas porque você não quer mais brincar com ela?
-Porque ela não acredita que nós vamos ter um novo irmãozinho, eu o Chris! – disse Hope, animada.
-Outro irmãzinho? Sério papai?
-Eu...não...eu... não sei.. – Jensen sentiu seu coração acelerar.
-Sim! É verdade! Ele precisa ser amado igual eu o Chris somos... tadinho, o coração dele é doente.
Jensen e Jared trocaram olhares. Sadie apareceu na cena e começou a lamber o rosto de Hope, que dava gargalhadas. Chris notou o desconforto dos pais e chamou a menina para brincar na areia.
-E então, outro filho? – disse Jared.
-Pois é... será? – respondeu Jensen.
-Não sei o que o futuro me reserva, mas sei que estarei junto com você e isto é tudo o que importa.
-Eu te amo, meu Sunshine.
-Eu te amo pra sempre, meu Jen.
A vida ainda reservaria muitas surpresas pra eles, mas nada os separaria. Agora eles estavam juntos na vida, na morte, na eternidade.
Nunca é o fim.
Nota das autoras: Queremos agradecer a todos que acompanharam nossa história, que comentaram (àqueles que comentam, mas não tem conta aqui) e que não comentaram também! Como dissemos, nunca é o fim e eventualmente teremos mais histórias sobre estas duas almas gêmeas!
