Disclaimer: Eu não possuo nada. Isto é apenas uma tradução da mui excelente estória de Lirenel, baseada na grande obra de J. R. R. Tolkien. Nenhum tipo de ganho material está sendo feito com esta estória.

NT: "" são falas. '' são pensamentos. Em itálico é em Sindarin.

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Capítulo 35

Aragorn estava frustrado. Por mais de duas semanas ele tentava falar com Faramir, sem sucesso. A agenda ocupada do Regente, bem como a sua própria, faziam quase impossível pegar Faramir sozinho. Mesmo quando ele conseguia, Faramir sempre achava uma maneira de evitar falar. Elladan e Elrohir encontraram o mesmo problema quando tentaram.

"Meu senhor, o Rei de Rohan e sua escolta entraram na cidade." Aragorn acenou para o mensageiro e levantou-se de seu trono. Logo abaixo ele viu Faramir pular do trono do regente em animação. 'Aparentemente ele estava ansioso em rever Eowyn.' O Rei e o Regente se postaram em frente à Torre Branca e Aragorn se entreteve contando quantas vezes Faramir rodava o anel da Regência em seu dedo. Ele já tinha passado de cem quando o Rei Eomer finalmente entrou na cidadela, Eowyn ao seu lado. Eles vieram à frente para serem recebidos por Aragorn e Faramir.

"Rei Elessar, Regente Faramir. É um prazer vê-lo de novo meus amigos." Eomer apertou suas mãos firmemente. Era a imaginação de Faramir ou Eomer estava tentando quebrar a sua mão? E ele estava o olhando feio?

"O prazer é nosso Rei Eomer. Se você e sua irmã nos seguirem, uma celebração de sua chegada foi preparada." Os dois reis avançaram e Eowyn tomou o braço de Faramir.

"Alegra-me vê-la novamente meu amor." Faramir murmurou para ela.

"Eu tenho contado os dias"

Eles avançaram um pouco antes de Faramir falar de novo. "Você contou a seu irmão sobre meu pedido de casamento, não?"

"Você notou. Não se preocupe, ele só está sendo um pouco protetivo. Ele vai superar isso."

Faramir relanceou Eomer e sua forma musculosa. "Eu espero que sim."

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Eowyn e Faramir caminhavam pelo quinto nível com as mãos dadas. Era final da tarde. Toda a manhã tinha sido tomada com encontros e protocolo, mas Aragorn tinha dado a tarde livre para Faramir, para que ele pudesse mostrar a cidade para Eowyn. Começando pelo primeiro nível, o casal caminhou pelas ruas, aproveitando a companhia um do outro.

Faramir apresentou Eowyn a alguns de seus amigos. A maioria deles era de baixo nascimento, mas Faramir ignorava o fato como sempre fez. Eowyn achava fascinante como ele tentava ajudar os camponeses. Ele viu que o povo amava Faramir por sua bondade e a lealdade dele não conhecia limite. Ela ficou especialmente encantada em ver como Faramir brincava com as crianças. Ele sempre tinha algo para dar para elas e as crianças o adoravam. 'ele será um ótimo pai um dia.' Eowyn sorriu. Logo eles estariam casados e as crianças com as quais Faramir brincaria seriam as deles. Eowyn se viu sonhando com uma família com o homem que ela amava.

Eowyn suspirou contente enquanto Faramir lhe falava sobre o quinto nível. "A maioria das pessoas morando aqui são mercadores e artesãos. Agora que a guerra acabou e Sauron foi derrotado a demanda por bens aumentou e a economia..." Faramir parou subitamente. Confusa, Eowyn se voltou para ele. O sorriso de Faramir tinha sumido, em seu lugar um olhar de ira, tristeza e algo mais. Reconhecimento? Os olhos de Faramir estavam duros e Eowyn se virou para ver o que ele tinha visto. Atrás dela uma ferraria e o ferreiro batendo em um menino, que parecia ser seu filho. O homem estava gritando.

"Seu desgraçado inútil! Você não consegue fazer nada direito? Você é um inútil você sabia disso?" o homem empurrou o menino contra a mesa de ferro, partindo as costelas do mesmo. "Como os Valar podem ter me amaldiçoado com tal filho? Seu estúpido miserável!" O ferreiro levantou a mão para acertar o filho novamente quando ele foi atirado contra uma parede, uma espada em sua garganta. Olhos acesos com ira o encaravam. Para a surpresa do homem, quem o atacou foi o Regente de Gondor, e o regente não estava feliz.

"Faramir!" Eowyn segurou a mão que portava a espada. O olhar de Faramir a impediu de dizer algo mais. O ódio, o puro e simples ódio em seus olhos a assustaram. Ela nunca tinha visto Faramir dessa maneira, mas seu toque trouxe Faramir de volta.

Ele encarou o ferreiro. "Você tem sorte que eu não o matei a sangue frio." Empurrando o homem, Faramir se voltou e ajudou o menino a se levantar. "Você tem uma mãe, algum irmão ou irmã?"

"Não senhor."

Faramir confirmou e pôs uma mão sobre os ombros do menino. "Venha comigo. Eu não vou deixa-lo com esse monstro." Ele começou a levar o menino, seguido por Eowyn.

"Aonde você vai levar meu filho?"

O regente se voltou e rosnou para o homem. "Eu vou leva-lo para um lugar aonde ele vai ficar a salvo de homens como você. Você nunca vai encostar nesse menino de novo, eu juro." Faramir saiu o mais rápido possível com o rapazinho.

Eowyn ainda estava trêmula do encontro, mas conseguiu pensar claramente. "Faramir, aonde você vai leva-lo? Nós não podemos ir até as casas de cura, lá é onde ele vai procurar primeiro."

"Eu vou leva-lo para o palácio. Você vai até as casas e traga um curador." Eowyn acenou com a cabeça e quando eles chegaram ao sexto nível ela foi até as Casas e Faramir levou o menino até o palácio.

Faramir levou o menino até seu quarto sem encontrar ninguém. "Você ficará a salvo aqui."

"Mas meu pai..."

"Seu pai nunca vai machuca-lo de novo."

O menino esta com os olhos cheios de lágrimas. "Mas você não entende. Eu mereci aquilo. Eu sou pequeno. Muito pequeno para ajudar meu pai. Eu sou inútil!" As palavras do menino eram tão sem esperança. Tão… familiares. Faramir não conseguia mais aguentar.

"Fique aqui. A Senhora Eowyn vai voltar com um curador. Eu tenho... Eu tenho que fazer algo. Não saia deste quarto." Faramir saiu do quarto tropeçando, fechando a porta ao sair. Ele se encostou contra a porta e fechou os olhos. Ele tinha que sair, ele tinha que pensar. Era demais, demais para aguentar. Abrindo os olhos Faramir começou a caminhar. Ele precisava de ar, de repente o palácio parecia sufocante.