N.A.: Pessoaaaal! *o* Que alegria voltar! Depois de um hiatos de quase 5 meses, volto para encerrarmos esta novela mexicana! XD Sim, pessoal, a fic está na reta final! E que bom, não é? Já temos 3 anos de publicação aqui no . ^^ Quero agradecer muito aos que se preocuparam com meu sumiço! ^^' Muito obrigada mesmo! Estive muito concentrada nos meus estudos e impedida de escrever, mas graças a Deus, a recompensa do esforço está surgindo cada vez mais! Quero dedicar este retorno ao meu querido noivo Jorge André, meu braço direito nesta fic, pois segunda-feira, dia 23 de Abril, fazemos 5 anos de namoro e dia 24, no dia seguinte, 2 anos de namoro. Devo a ele toda inspiração que tenho para essa fic, a pessoa que realmente me mostrou o que era amar de verdade! ^_^

E muito, muito, muito obrigada a todos que estão acompanhando e aos fofos que deixaram reviews (alguns deixaram mais de uma preocupados, amei tanto, gente! #^^#): DalilaC, JJDani, Samy, Pamila, Kynn-chan, Mjer Odindottir, Paulo23, Mili Black, Fe Neac, Jheni, e Megumi Sakurai (quanta geeeeeente! *_*/ Que alegria!)

E vamos ao que vocês estão loucos pra ler: A FIC! Até breve!

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Entre o Amor e a Razão

Capítulo 36: Perdão

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Uma semana passou desde que Inoue havia recebido alta do hospital. Por incentivo de Ishida, há dois dias ela frequentava o curso de corte-e-costura e havia voltado a frequentar as aulas de culinária. Ela voltava solitária naquela tarde onde o céu alaranjado lhe trazia lembranças de alguém a qual a cor caracterizava tão bem. Mas ao notar aquilo e sentir uma batida no peito falhar, Inoue deixou um sorriso conformado escapar de seus lábios, balançando a cabeça e retomando seu caminho.

Não tinha como agradecer ao quincy. Aquela distração e as amigas estavam ajudando-a bastante a esquecer daquela angústia em seu peito. Aquela culpa. Culpa que trazia uma dor tão forte, maior que a perda de seu grande amor.

A morte daquela criança que ainda pesava em suas costas e que a fazia contorcer o lábio em tristeza e dor. Será que seria capaz de, algum dia, assumir sua culpa e pedir desculpas a Ichigo e Rukia? Aliás, fazia semanas e semanas que o rapaz de cabelos laranja não voltara à aula. Semanas que não o via. Será que ele decidira ficar para sempre na Soul Society?

Decidiu parar de pensar sobre o rapaz quando seus olhos passearam, sem querer, pelo chaveiro pendurado à bolsa.

"– Eu que fiz para você, Inoue-san.

Ela recebeu o que o rapaz de óculos não mostrou, apenas mergulhou na palma da mão da garota, encobrindo-a na sua. Com tanta delicadeza e proximidade era impossível para adolescente não corar.

- Ishida...

E quando abriu a mão, a surpresa lhe fez abrir um sorriso de ponta-a-ponta. Era um gatinho de pelúcia cor-de-rosa. Tão lindo e delicado. Tinha um lacinho amarelo em uma das orelhas e era nítido que, no trabalho feito a mão, todo o cuidado havia sido investido.

- Mas é lindo, Ishida-kun! – ela exclamou, os olhos brilhando ao ver o pequeno mimo.

- Que bom que gostou! – o sorriso de Orihime era um presente, uma dádiva ao quincy. – É um chaveiro. – ressaltou.

- É mesmo, é lindo. Mas é tão pequeno! – disse a jovem segurando com dois dedos o aro de metal que suspendia o bichinho. – Como conseguiu costura-lo? Tem muitos detalhes sendo tão pequenininho! – sorriu.

- Não è à toa que uso óculos. – Ishida riu. – Costurei durante muitas noites.

- É incrível. Adorei! – disse, abraçando o chaveiro. – Vou levar sempre comigo!"

Sorriu ao lembrar-se de quando ganhou o pequeno mimo que segurava a chave de casa. Retirou-o da bolsa e escolheu a chave correta. Direcionou a fechadura quando viu uma sombra se projetar, escondendo aquele belo tom alaranjado que a banhava com sua luz.

- Qu...?

Olhou para cima e viu. O homem robusto e de aparência grotesca. Como lamentava conhece-lo. Melhor, como lamentava dever algo a ele. Dever algo muito caro que só pagaria quando lhe desse o que ele queria.

- U... Ushio-san?

- E aí, gatinha? Que tem pra hoje? – e com violência, o rapaz de cabelo moicano e piercing nos lábios puxou a bolsa da pequena.

- Ai! – a garota gemeu, fazendo a chave cair. – Droga!

Agachou-se com destreza para pegar o bichinho que pendurava as chaves de sua casa, mas assim que estendeu sua mão, um pé que calçava o sapato da mesma escola onde estudava pisou sobre o chaveiro, esmagando o pequeno gatinho.

- Não! – Inoue exclamou, erguendo o rosto. – Ryu... Ryuuichi-kun? – gaguejando, ela inconscientemente engatinhou para trás.

- Que pose mais instigadora... – o que estava por trás aproveitou, agachando-se e levantando a saia de pregas da princesa que, imediatamente, virou-se, sentando-se no chão e com os olhos temerosos o encarou.

- Que querem comigo? – Inoue balançou a cabeça, receosa, vendo-se cercada. – Eu já paguei a vocês tudo que devia!

- Pagou não, princesa. – respondeu Ryuuichi chegando por trás do pescoço da jovem, fazendo-a sentir sua respiração quente. – Você sabe que só vai pagar... – e tão próximo ele não hesitou em roçar os lábios pela pele suave da nuca de Orihime que se arrepiou em uma mistura de asco e temor. – Quando eu tiver seu corpinho na minha cama. – riu. – Ou acha que eu dou droga para qualquer uma? Dei porque era você. E quem não te quer em toda escola? Acha que essa sua pose de boazinha cola? Ou você não acha que não vimos suas fotos com o Kurosaki?

O coração de Orihime saltou pela boca. Levaram suas coisas, haviam visto as fotos que estava no denreishinki.

- Saiam! – ela tentou se levantar, mas o rapaz incomensuravelmente mais forte que a pequena a derrubou. – Abre logo essa porta! – sussurrou no ouvido. – Você não tem para onde fugir.

Inoue se sentiu tonta ao ver que os outros amigos estavam à espera na esquina. Todos esperavam ansiosamente o momento que entrariam e um por um, ali mesmo, triam-na. O pagamento por ter pedido a droga para dopar Ichigo e tê-lo para si, para provocar a dor de Rukia... Aquela dor que tirou o filho deles.

Orihime tremia, os olhos freneticamente varrendo aqueles homens que exalavam cheiro de álcool, cigarro e outras drogas. Com que tipo de pessoas havia se misturado? Tudo em nome de sua obsessiva paixão... Tudo que havia matado o filho de Ichigo e Rukia, seus amigos. Chegou a pensar merecer aquilo. Será que se passasse por aquele sofrimento purificaria sua alma, livrar-se-ia de seus pecados que a condenavam? Seria capaz de sorrir sem culpa?

"- Continue sorrindo..." O cartão que Ishida havia lhe dado. Aquele sorriso... Ele não sabia do que tinha sido capaz. Ou sabia? E mesmo assim ele ainda acreditava nela...

- Sem perda de tempo, vamos que eu to doido pra te devorar todinha... – Ryuuichi a puxou para levantá-la, mas quando o fez, um brilho emanou das presilhas da princesa, assustando o delinquente. – Que droga é essa?

- Não vou permitir que façam o que querem comigo! – a jovem exclamou, estreitando os olhos.

- Que... que merda é essa? – Ushio, o corpulento garoto que a cercava deixou o cigarro de sua boca cair, dando um passo para trás. – Essa mina é uma bruxa!

As seis entidades que protegiam Orihime a rodearam, ela estava pronta para se defender e por que não atacar?

- SAIAM DAQUI! – a garota gritou, contendo sua vontade de chorar.

Não havia saída. O medo fez o bando dispersar, realmente ficaram impressionados e temerosos pelos poderes que ate então eram desconhecidos aos demais no colégio.

Orihime deixou o grupo se afastar para então as presilhas voltarem a brilhar e os seis feixes de luz voltaram na direção do prendedor. Deixou os joelhos enfraquecidos pelo medo fazerem seu corpo deslizar, caindo sentada no chão.

Tremia. Sentia medo. Sentia-se sozinha.

Sabiam onde ela morava. E pior, por ter manifestado seu poder perto deles, provavelmente espalhariam coisas terríveis sobre ela... Deu de ombros, estalando a língua. O que poderia ficar pior?

Ergueu o rosto então o viu. Do outro lado da rua.

O rosto masculino que era moldado pelos fios rebeldes de tom laranja, os olhos castanhos e aquela expressão severa de quem devia estar com muito mal humor. Mas não, era a expressão natural do jovem. Era ele. Apenas ele. Aquele pelo qual seu coração ousava palpitar, acelerar até perder o ritmo.

- Kurosaki-kun! – chamou, sustentando-se em um joelho sobre o chão. – Kurosaki-kun!

E quando piscou os olhos viu que não havia ninguém.

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- Não, Ukitake-san. EU já disse que a Rukia não vai voltar para seu esquadrão! ... Não tem como! Eu não permito que minha futura esposa seja transferida de volta!

E quem ouvisse com que entusiasmo Ichigo travava aquela batalha podia crer que o pobre capitão adoecido estava coagido naquela... 'discussão'. Mas não. Tudo aquilo era Ichigo que, em um acesso de raiva, andava de um lado a outro ditando o documento que assegurava que Rukia não seria mais transferida de volta para o 13º esquadrão, apesar da mesma, há algumas semanas, ter pedido tal transferência. Quem sofria com isso era Hinamori. A terceira oficial do Gobantai se apressava em escrever o que, com tanta empolgação, era ditado por seu capitão.

- Deixo claro que não permitirei prosseguimento nesta transferência. Assinado: Capitão Kurosaki Ichigo! – exclamou.

- Errr... taichou, eu não posso assinar por você! – Hinamori, tímida, explicou com um sorriso.

- Ah, tem razão! – o jovem parou em sua caminhada que durava muito já e foi até a mesa de mogno, sua mesa, na qual a tenente se sentava. – Vamos ver. – observou o final da página e assinou o documento. – Por favor Hinamori-san. – voltou-se à menina, ainda apoiado a superfície da mesa. – Entregue isso hoje mesmo ao Ukitake-san. Sei que hoje é sexta e está na hora de ir embora, mas, por favor... Leve isso.

- Claro. – Hinamori sorriu, levantando-se. – Posso ir para casa depois disso?

- Com certeza. – Ichigo sorriu. – Obrigado por estar me ajudando tanto. – o jovem fitou as mais de dez pilhas de documentos nos quais ele e sua oficial haviam trabalhado o dia inteiro.

- Não há de que. Fico muito feliz em ver o senhor tão animado com o serviço, Kurosaki-taichou. – a pequena desviou os olhos timidamente. – Vê-lo deprimido era muito doloroso.

Ichigo sorriu, dando a si mesmo a permissão de apoiar a mão na cabeça da pequena ex-gerente e afagar os cabelos negros.

- Obrigado, Hinamori-san.

- E a Kuchiki-san? Volta segunda mesmo? – perguntou animada.

- Ahan. A Unohana-taichou finalmente permitiu que ela voltasse ao serviço. – o Kurosaki respondia com animação.

- Que bom! E como ela esta de saúde?

- Está muito bem! Bem melhor do que antes! Não ouve mais coisas, está muito tranquila. – sorriu o capitão. – Mal vejo a hora de tê-la por aqui.

- O melhor é não terem que esconder mais... – Hinamori corou. – o que há entre vocês.

- Essa é a melhor parte, Hinamori-san. – Ichigo riu, recostando-se a mesa e cruzando os braços quando fitou o relógio. – Sete e meia? Minha nossa, tenho que ir correndo a mansão do Byakuya! Amanhã tem uma prova na escola e não posso faltar de jeito algum! – exclamou.

- Prova no sábado? – Hinamori piscou confusa.

- É para ingresso na universidade.

- Universidade? – a confusão foi esboçada mais uma vez no rosto da menina.

- É... Bem... Depois eu te explico. Mas não posso faltar de jeito nenhum! – explicou enquanto recolhia algumas coisas. – Até, Hinamori-san! – recolheu o haori do pendurador, vestindo-o. – Não se esqueça de entregar a carta! – exclamou, saindo da sala.

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Não havia ninguém no colégio de Karakura. Passava das nove da noite e as ruas desertas anunciando a chegada do inverno afastava qualquer um que fosse.

Não foi difícil. Apenas uma pedra bem mirada e o vidro da janela foi estilhaçado em mil cacos que caíram pelo corredor da escola. O corredor principal onde o mural de avisos era o foco das atenções dos alunos todo dia. Especialmente dos estudantes do último ano da escola.

Os quatro rapazes que traziam uma fumaça que provinha de um cigarro feito com uma erva ilícita pularam a entrada feita com o ato vandalista da quebra da janela e pronto, tinham o mural a sua frente. Os avisos de notas e provas foram rapidamente rasgados, ficando ao chão do corredor e no lugar deles... Algo que mudaria, com certeza, a rotina do colégio de Karakura.

- É amanhã, Ushio! É amanhã! – Ryuuichi anunciou com um sorriso cheio de maldade em seus lábios ao contemplar aquilo pelo qual nutria desejo exposto da forma mais vulgar possível.

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Chegou ao salão da mansão de Byakuya e se surpreendeu com o que encontrara. Ele estava vazio, diferente do que esperava encontrar sempre que chegava ali. Rukia pronta para receber a corte de seu futuro marido. Não havia ninguém a não serem os serviçais. Será que ela havia chateado por ter se atrasado e já tinha ido dormir?

- Rukia? – ele chamou insistindo.

- Ela não está aqui.

Virou-se para trás, sabendo já o interlocutor da resposta que recebera. Com um kimono de seda verde-musgo surgira Kuchiki Byakuya. O nobre que tinha os cabelos úmidos, sem estarem adornados por seu habitual Kenseikan, surgira do corredor que dava ao salão principal.

- Disse que queria rezar pela irmã hoje. – completou ao parar defronte ao jovem e em seguida se postar a almofada pronta diante da mesinha baixa.

- Ela está no altar da Hisana-san, Byakuya? – Ichigo perguntou enquanto algumas serviçais já traziam o jantar requintado do capitão.

- Sente-se para comer. – Byakuya ofereceu quando um dos homens que trabalhavam para ele veio arrastando uma almofada até a frente da mesa.

- N-não, obrigado. Eu só vim falar com a Rukia e...

- Sirva-se e depois vá encontra-la. – o nobre insistiu sem alterar um músculo de sua expressão fria e indiferente.

Ichigo estava impaciente. Mas por que não aceitar o bom grado do cunhado? Devia erguer mãos aos céus e agradecer. Então se sentou diante do nobre e começou a degustar o soba e os sushis diversos.

Comeu rápido. Quase sem mastigar. Byakuya se manteve quase todo o tempo calado. Só respondia com monossílabos as perguntas de Ichigo até que enquanto bebericava seu chá, observou o rapaz pensativo que observava a chuva forte que caía do lado de fora.

- Está feliz?

Piscando o par de castanhas, ele se surpreendeu e até se constrangeu com a pergunta que veio de supetão.

- Anh? – ele que apoiava o cotovelo sobre a mesa enquanto tinha os hashis presos entre os dedos, voltou sua atenção ao nobre. – Eu... Anh...

- Está feliz com sua vida atual? E com a união com Rukia?

- Feliz, Byakuya... não estou.

A resposta surpreendeu o nobre que arqueou uma sobrancelha. Ficara confuso. Ichigo se encolheu, baixando a cabeça.

- Eu só vou estar feliz quando vir Rukia feliz de verdade! Eu não posso devolver o que ela perdeu. Sofro pelo que perdemos. E por mais que eu tente, todo dia eu penso naquela criança... – e ergueu o rosto para encarar um Byakuya complacente.

- Talvez... não era o momento certo. – Byakuya respondeu, desviando os olhos cianeto para não encarar o jovem. – Virá outro no momento adequado.

- Eu sei que era o momento errado... Mas era... Algo nosso. Uma vida. E quando penso em como tudo aconteceu!

- Por que se culpa tanto?

E as palavras de Byakuya pesaram mais que a chuva estrondosa sobre as telhas da mansão Kuchiki. Por quê? Porque Rukia havia o visto com outra. Não porque ele queria, mas a imagem... A cena... Viu-o despido na cama de Orihime, até então, sua melhor amiga. Aquilo havia feito perder seu filho. A traição. O desgosto.

- Não... Não sei. – ele mentiu, engolindo a seco. – Bem, vou ver a Rukia. – avisou, levantando-se. O desconforto quase que sufocante. – Obrigado.

- Não há de que. – Byakuya respondeu, observando o rapaz se retirar.

Em poucos shunpos ele estava lá. Atravessando o jardim da mansão e o pequeno lago paisagista que havia no caminho Ichigo chegara até a casa dedicada ao altar dos antigos Kuchiki que se foram. A porta tinha uma pequena fresta entreaberta.

A ventania forte fazia a chama das velas dançarem um ritmo violento e intenso, desenhando diversas formas na escuridão que era iluminada apenas por elas. Observou o altar a frente e a foto da mulher belíssima, idêntica a Rukia, talvez um pouco mais madura. Sobre o retrato dela, em uma prateleira acima, igualmente forrada por uma toalha branca trabalhada, estava a foto do avô de Byakuya, Kuchiki Ginrei. Ginrei... O nome que dariam a seu filho em homenagem ao tão querido mestre de Byakuya.

Ichigo deu um passo à frente e se alarmou. Onde estava Rukia?

- Rukia! – chamou, fazendo sua voz ecoar por todo o amplo lugar.

Nada. Não ouviu nada. Sua única tentativa era fazer o que realmente... Não era seu forte. Fechou os olhos castanhos e tentou sentir aquela presença tão conhecida. Imediatamente ao conseguir senti-la, abriu os olhos e correu para fora, escancarando a porta de correr.

Andou, correndo pela tempestade impiedosa que caía, pelos jardins da mansão. Estavam desertos em meio à tamanha chuva.

- Rukia! – gritou. Nada. Os olhos freneticamente varriam as imediações quando... – Rukia!

Ele a encontrou. Agachada entre arbustos de hibiscos amarelos, a morena que tinha os cabelos negros grudados no rosto de tão encharcada que estava. Em suas mãos havia um punhado de flores já colhidas.

- Rukia! – Ichigo gritou, correndo até a pequena garota.

Alarmada com o chamado, a shinigami virou-se imediatamente, um tanto quanto assustada.

- Ichigo? – Rukia piscou ao ver o jovem ir ao seu encontro rápido.

Ichigo, ao se aproximar, a segurou pelos ombros, levantando-a.

- Que está fazendo? - a baixinha perguntou confusa.

- Estou evitando que pegue uma pneumonia, idiota! – Ichigo retrucou zangado. – Que pensa que está fazendo aqui? – ele tinha quase que gritar para sua voz se fazer audível naquela tempestade.

- Eu vim colher flores.

- Ok, baka. Flores são colhidas em bom tempo, não no meio dessa chuva! Vem! – e a segurou pelo pulso.

- Mas...

- Mas nada!

Não a permitiu contestar. Em um único shunpo estavam na varanda da mansão. Ichigo estava preocupado, para não se dizer em pânico. Retirou o haori e cobriu o corpo minúsculo molhado que tinha o kimono de seda azul claro grudado nele, exibindo as belas formas.

- Está louco?

- Eu que devia perguntar isso! – Ichigo se exaltou. – Que você tem na sua cabeça pra ir a essa hora nessa escuridão e nessa tempestade colher flores?

Rukia bufou, fechando a cara.

- Era para a... Hisana-onee-san. – desviou o olhar para falar o nome da irmã.

- Eu sei que eram. – o jovem se sentiu culpado em ralhar com a amada. Agachou-se, ficando diante dela. Pegou com delicadeza as mãozinhas que seguravam as flores de tons suaves. – Entregue-as a ela. – sorriu com ternura.

- Sim. – a morena assentiu com um sorriso no rosto, levantando-se com o auxilio do substituto de shinigami.

Ichigo manteve-se distante, apenas a observar a tão delicada mulher de sua vida. Admirava com os olhos castanhos brilhando, quase exibindo certo torpor no qual aquela imagem o deixava. Recostou-se a pilastra de madeira corrida, tentando deixar à vontade Rukia, que cuidadosamente depositava as flores em um jarro de cerâmica com uma pintura floral. Após arrumar o arranjo que fizera, Rukia deixou o jarro de fronte à fotografia da belíssima finada irmã e se ajoelhou, reverenciando-a e unindo as palmas das mãos em uma prece a ela.

Ichigo sorriu, desviando o olhar para não chamar atenção nem deixa-la tímida, mas se surpreendeu quando...

- Ichigo! – o sussurro da baixinha chamou sua atenção, sendo esse audível em meio à tempestade que ficava do lado de fora.

- Hm? – o rapaz piscou, tornando a atenção à amada. – Rukia?

- Venha. – chamou enquanto gesticulava com as mãos.

Um pouco corado, Ichigo apontou a si mesmo. Ficara envergonhado, mas sentiu-se honrado por Rukia pedir sua companhia.

O jovem se juntou a ela e ambos rezaram pela alma da irmã mais velha de Rukia. Assim que Ichigo terminou, envolveu os ombros da pequena com seus braços, deixando o rosto apoiado sobre a nuca da morena que voltou a abrir os olhos, encerrando sua oração.

- Rukia...

A shinigami conhecia aquela voz abafada e chorosa que lhe chamara.

- Diga, Ichigo. – ela deu permissão ao rapaz de falar, mesmo sabendo já do que se tratara.

- Me perdoa?

- Você me pergunta isso todo dia, Ichigo! – Rukia respondeu, levando a mão até a de Ichigo, que estava sobre seu colo e afagou com carinho a pele macia.

- Nunca vai ser o suficiente. – ainda mergulhado sobre os cabelos negros e o kimono molhado, Ichigo permanecia apoiado às costas dela.

- Mas você não tem culpa... – Rukia respondeu ao afagar a mão masculina.

- Se eu não tivesse ido... se não tivesse sido tão ingênuo... Você não teria...

- Ichigo, não é sua culpa. – ela sussurrou.

- Se você não tivesse me conhecido. – ele se ergueu e Rukia se virou de frente para encarar os olhos marejados. – Não teria perdido um filho!

- Mas se você não me amasse... – a expressão dela, terna e carinhosa, o fazia se sentir mais culpado. – Eu não teria esse filho!

Rukia viu o jovem balançar a cabeça. Ele não aceitava o que dizia.

- Não. Não é verdade! Se não tivesse me conhecido, se nossos caminhos nunca houvessem se cruzado eu jamais teria... Feito você sofrer tanto!

- Ichigo! – Rukia chamou severa. – Eu não sofro mais pela perda do Ginrei.

Ichigo piscou confuso. Secou um pouco das lágrimas teimosas e que, com vergonha, ele derramara.

- Eu sou feliz pelo tempo que o tive comigo... Mesmo que eu nunca pudesse nem vê-lo ou tê-lo em meus braços... – Rukia sorriu. – Sou feliz pelo tempo em que o carreguei comigo. Porque eu gerei uma vida com você, Ichigo. E por que... Eu sei que a Hisana-oneesan vai cuidar bem dele. – e se permitindo fitar o altar, Rukia deixou uma lágrima escapar.

- Rukia...

Sem hesitar, Ichigo a abraçou, envolvendo-a com tudo em seus braços. E por mais frios que seus corpos estivessem, encharcados pela chuva, o calor que o amor deles emanava era muito mais forte para aquecê-los. Rukia sentiu os braços fortes a envolverem novamente, dando-lhe uma sensação que havia sido tão ruim perder. Sair da proteção, daquele invólucro de amor, era algo fora de cogitação. Ichigo beijou o topo da cabeça da morena, apoiando-a em seguida em seu peito. As batidas fortes e ritmadas dele traziam mais segurança e calma a Rukia.

A morena ergueu seu rosto e os dois se fitaram. Azuis e castanhos em uma sintonia única fizeram os rostos se aproximarem e os lábios se entreabrirem. Tudo em um movimento instintivo. Então, sem hesitar mais, beijaram-se. Com paixão, Ichigo tomou os lábios da morena com voracidade e carinho. Tanta vontade de ama-la. A pequena retribuía da mesma forma, mas sentia-se rendida pelas carícias que as mãos de Ichigo proporcionavam em sua nuca e em sua cintura enquanto a língua quente e tenra invadia o menor entreabrir de lábios.

Amavam-se tanto.

Queriam-se tanto.

Que chegava a doer.

Mas no meio de tantas arfadas naquela luta entre os corpos dos dois, Rukia o afastou.

- Ichigo. – a jovem ofegante tinha a palma da mão no peito do jovem, quase exposto pelo shihakushou desalinhado. – Vamos continuar em outro lugar.

Ichigo olhou ao redor e... É, era melhor realmente saírem dali para prosseguirem.

Assentiu, levantando-se e levando a pequena consigo. Depositou mais um beijo em seus lábios e de forma maliciosa mordiscou o lábio inferior da pequena que sorriu.

- Não estamos no local apropriado. – Ichigo riu.

Ambos saíram, fechando as duas portas de correr reverenciando a irmã falecida. A chuva caía ainda com força. Não havia como fugir dela.

- Agarre-se em mim, vamos usar shunpo para eu te levar pra casa. – Ichigo avisou em um berro para que sua voz se sobressaísse em meio aos trovões, a ventania e a tempestade que caía com tudo.

- E quem disse que eu quero ir pra casa? – foi a vez de Rukia surpreendê-lo. O olhar decidido chamou a atenção do jovem. Será que ela realmente... Não. Desde que tudo acontecera e Rukia perdera seu filho, nunca mais haviam tido relações. Respeitava-a acima de tudo, mas seria possível?

- Pra onde quer ir? – Ichigo riu meio temeroso com a autoridade da jovem.

- Vem!

E dando a mão a Ichigo, os dois saíram a correr pela chuva. Rindo feito bobos, encharcados, os dois seguiram um caminho que Ichigo demorou a reconhecer, mas que não demorou muito a chegar.

- Aqui?

Ele piscou os olhos quando viu. Era a casa que Byakuya estava preparando para quando se casassem. Ampla e quase tão espaçosa quanto à mansão Kuchiki, a casa estava vazia, ainda em reformas. Mas havia um cômodo que estava pronto e sabia muito bem: o quarto e a casa de banho.

A morena abriu as portas e puxou o substituto para dentro. Ambos riram da própria situação. Os cabelos laranja de Ichigo quase cobriam sua visão e os negros de Rukia estavam todos desalinhados.

- Você... Rukia... – Ichigo tentou dizer algo, mas os dois dedos de Rukia cobriram seus lábios.

- Eu só quero... Que tudo volte a ser como antes, Ichigo! – ela franziu o cenho, recostando-se ao peito dele em um abraço. – Quero que esse pesadelo acabe! Quero que nossas vidas... Voltem a ser um sonho bom...

- Rukia... – Ichigo afagou os cabelos da morena. – Eu te amo! Por favor... Me deixa te fazer feliz novamente e dessa vez para sempre?

Ela ergueu os olhos e encarou aquele par de castanhas tão sinceras. Aquele olhar que a dominava, que a deixava rendida aos pés daquele homem que a tomou para si. E foi a sua vez de se entregar as carícias dele.

Intenso e gentil ele a beijou. Passo-a-passo, de olhos fechados, instintivamente se guiaram ao quarto trocando carícias que arrancavam de Rukia gemidos prazerosos e de Ichigo, a satisfação de novamente amá-la.

No seu quarto havia um futon imenso recoberto de almofadas e lençóis de seda, todos em vinho e branco. Uma lamparina acesa fez com que Ichigo, ao abrir os olhos, contemplasse o seio pouco amostra pelo kimono azul da jovem que, pelo atrito entre os corpos, já estava deixando seu corpo. Belíssima. A pele suave convidou seus lábios a abocanharem a curva do pescoço e a curva do seio pequeno e formoso da morena. Ela se agarrou aos fios laranja quando uma onda de prazer a invadiu.

Não havia como hesitar e Ichigo ergueu com as mãos as pernas de Rukia, enlaçando sua cintura com elas e deixando-a pendurada em seu corpo. Facilitou o caminho até a cama onde ele a deitou, desfazendo o enlace dos lábios apenas para os olhos manterem um link inquebrável. Podiam ver a alma um do outro. Aquilo que cada um sentia e que era exatamente o mesmo: amor.

As mãos sorrateiras logo trataram de despir o kimono da menina, exibindo aquele formoso corpo que o enlouquecia e que nem com a gravidez havia perdido suas formas belas. Pelo contrário, parecia que Rukia havia ganhado mais volume em seus seios e nos quadris, deixando-a ainda mais convidativa.

Deliciou-se ao beijar o colo da morena que deslizou os pés pelas costas de Ichigo as quais ela já despia do shihakushou, expondo o peito levemente musculoso e definido. Ele desfez o laço do hakama, provocando-a quando se deitou por cima de Rukia novamente.

- Te... Amo... – a voz esbaforida expôs enquanto a mão procurava pela de Rukia sobre o futon.

Agarrou-se a mão da pequena e a apertou, dando mais segurança a morena que, com as pernas delgadas e bem formadas, tratava de descer o hakama pelas pernas de Ichigo.

- Eu também... Ichigo... – Rukia tentava responder enquanto as carícias e beijos de Ichigo faziam seu corpo se contorcer.

As mãos pela cintura, subindo até os seios os quais Ichigo abocanhava deixavam Rukia completamente fora de si. E foi num momento desses em que ele a invadiu. Arrancando um grito estridente da morena, o jovem teve a deliciosa sensação de se completar novamente com sua amada. Eram um só agora. A outra mão ainda segurava com força a de Rukia que, no momento em que fora invadida, cravou as unhas fortemente no dorso de Ichigo. Como era bom estar novamente no corpo da sua morena, ter aquele corpo esculpido pelos Deuses em toda sua formosura debaixo de suas protetoras asas.

Assim que Rukia se adequou ao que agora estava dentro de si, Ichigo a beijou com toda a paixão e amor que tinha pela jovem. Era o inicio de uma dança em um único ritmo em que os corpos trocavam as mais incríveis sensações até que ambos alcançassem o limite do prazer e, num gemido uníssono, pudessem compartilhar a forma máxima em que dois corpos de duas pessoas que se amam podem chegar.

Exausto, Ichigo riu, afastando-se do rosto da morena para encara-la. Os corpos molhados antes pela chuva, agora se banhavam em puro suor. Rukia riu e o jovem, exausto, caiu sobre o futon ao seu lado, aproveitando para envolvê-la em seus braços e fazer de seu peito travesseiro a sua amada mulher que voltava a ser sua.

Não demorou a adormecer em seguida à menina de fios negros de cabelo que faziam cócegas em seu peito e que ele brincava com seus dedos. Sucumbiu ao cansaço e naquele profundo sono Ichigo tinha a certeza de que havia despertado de um pesadelo e embarcado em um novo sonho.

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E como as coisas boas passam rápido e temos que aproveitá-las ao máximo, Ichigo teve apenas tempo de depositar um beijo na fronte da morena adormecida assim que o primeiro raio de sol penetrou o quarto. Tinha de correr para um novo dia e no qual devia cumprir sua responsabilidade como humano.

- Mais tarde eu volto, baixinha. – ele sussurrou no ouvido da pequena, ajeitando as cobertas sobre o corpo nu de Rukia.

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Enquanto isso, em Karakura, com os dedos apressados Inoue terminava, defronte ao espelho de seu quarto, a fazer um laço perfeito na fita vermelha que ficava na altura do pescoço. Com um sorriso no rosto e dando uma meia-volta, conferindo a perfeição das pregas da saia. Era o começo do inverno, então era necessário usar a sobreparte do uniforme, o colete amarelo que ela logo vestiu, voltando a ajeitar o laço.

- Está ótimo. – pontuou aproximando o rosto do espelho para se encarar e ver o cabelo desalinhado.

Pegou a escova sobre a penteadeira e passou a escovar as longas mechas arruivadas. Com cuidado para não quebrar o longo cabelo nas pontas, ela se concentrava até ouvir o celular tocar.

- Quem será? – piscou confusa, arremessando a escova sobre a cama e pegando o celular. Abriu o flip, abrindo um sorriso ao ver o nome: Ishida Uryuu. – Ishida-kun?

- Inoue-san? Tudo bem? Ohayo! – o quincy parecia apressado.

- Claro, Ishida-kun. Ohayo. E com você? – a princesa apoiou o celular entre o ombro e o rosto para prosseguir a escovar os cabelos enquanto falava ao telefone.

- Tudo bem. É que aconteceu um problema, não tenho material para a aula de costura hoje, então vou ter que ir comprar agora. – avisou. – Vou chegar mais tarde, não vou poder ir pra escola com você.

- Ah... – uma expressão triste estava para se formar, mas despojada, a menina sorriu. – Não se preocupe. É para nossa aula, então, tudo bem! Vou avisar a professora.

- Obrigado. – o quincy parecia satisfeito ao vê-la tão independente. – Mais tarde nos vemos então, até, Inoue-san.

- Ishida-kun! – ela chamou, fazendo o quincy ficar surpreso do outro lado da linha.

- D... diga, Inoue-san! – tímido o jovem gaguejou.

- Na... nada. – e repetindo o gesto de Ishida, Inoue hesitou. – Até logo.

- Até.

E quando o quincy desligou, Inoue fechou o telefone, abraçando-o contra o peito. O que será que a fez chama-lo assim? O que seu coração queria dizer a ele? Caminhou até a janela, deixando a brisa fresca esvoaçar seus cabelos. Os olhos cianeto perdidos no nada tentavam desvendar o que era aquele calor

Que sentimento estranho, mas não... era similar com o que sentira um dia por...

Ele.

Como uma miragem, Kurosaki Ichigo, o jovem de rebeldes cabelos laranja passava por sua rua. A expressão severa adornada em sua face típica dele. Os olhos castanhos semicerrados por uma fronte franzida e irritada.

Mas a princesa nada pôde fazer. Anestesiada pela adrenalina liberada apenas ao vê-lo, Orihime ficou imóvel, sem reação. Os olhos sem conseguir piscar, os lábios travados entreabertos sem conseguir emitir um som que fosse. Mentalmente ela clamou seu Kurosaki-kun, mas não. Seu corpo não respondia.

Talvez porque... ela poderia machucar ele novamente.

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A chegada até aquela residência não era nada atípica. Aquele par de crianças que varriam a entrada da loja que ficava na parte frontal da casa estava lá realizando seus afazeres quando chegou, apenas acenando aos dois. A pequena de marias-chiquinhas se curvou respeitosamente ao jovem enquanto o irritante garoto apenas virou o rosto.

- O Urahara-san está? – perguntou.

- Por que não entra e vê, cabeça de cenoura? – Jinta respondeu com outra pergunta, fazendo uma veia saltar na fronte do substituto.

Ichigo o fez, dando de ombros, apesar de ter vontade de estrangular a pequena peste, mas tudo que fez foi ignora-lo. Adentrou a casa, pedindo licença e deixando os sapatos à porta.

- Urahara-san?

- Pode entrar, Kurosaki-san. – ele ouviu ao longe.

Ichigo seguiu pelo corredor e presumiu de onde vinha a voz do ex-capitão. Deslizou a porta para o lado e viu o loiro que bebericava o chá que tinha em mãos.

- Sente-se. – simpático e sorridente como sempre, Urahara ofereceu o assento a frente da mesa.

- Não vou demorar. – avisou, sério.

- Deixou Kuchiki-san sozinha? Como ela está? – ele realmente parecia preocupado.

- Está bem melhor. – o jovem respondeu sentando-se diante do homem mais velho.

- Que bom! – o loiro suspirou aliviado. – Não deve ter sido nada fácil para ela. E presumo que... Está aqui para me pedir para assegurar que a Inoue-san não vá para a Soul Society, não é?

Ichigo piscou.

- Como sabe? – um tanto quanto chocado, Ichigo arregalou os orbes castanhos.

- Ora, ora, Kurosaki-san! – Urahara abriu o leque, divertindo, abanando-se com um sorriso. – É melhor você perguntar o que não sei! – a prepotência do cientista irritou Ichigo. – E de qualquer forma eu conheço você muito bem para conhecer suas razões. E não se preocupe. Fui muito severo, aliás, com a Inoue-san. – pontuou. – Ela não vai vir. De qualquer forma, não cederei a luxo algum dela. Nem que ela me diga que aconteceu algo muito grave, então – ele abriu um sorriso – cuide-se para não acontecer nada com você de verdade!

- Não tem jeito. Só posso afastá-la de nós... – Ichigo apertou o tecido que revestia os joelhos. – Não sabia que ela seria capaz de tanto! O que ela fez com a Rukia e tudo que fez para ela perder o filho... São imperdoáveis!

- Kurosaki-san. – Urahara o encarou. – Pessoas são caixinhas de surpresas. Mas fique tranquilo, daqui a Inoue-san não passa. Mas Ishida-san tem cuidado bem dela, acho que a menina está arrependida...

- Não me importo se ela está ou não arrependida! – Ichigo estava inflexível. – Não vou permitir mais que ela se aproxime de Rukia!

- Entendo. – o loiro assentiu, compreensivo. – Mas e seus preparativos para o casamento?

- Estão bem, Byakuya quer realizar a cerimônia em, no máximo, dois meses.

- Então se decidiu por ficar mesmo na Soul Society?

- Urahara-san... – os olhos castanhos o encararam. – Eu vou ficar onde a Rukia estiver!

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- Vem ver, está no mural!

- Que vadia!

- E quem diria que a princesinha, melhor aluna do colégio, era uma vagabunda!

- E ainda com quem? Nem dá pra acreditar que ela dava mole pra esse idiota!

- Eu soube que ela faz programas, cobra baratinho!

Orihime chegava à escola vendo o burburinho e a confusão dos alunos que já deviam estar em classe. Aproximou-se para, surpreendentemente, uma das garotas que estava em volta daquela multidão em volta ao mural apontou na mesma hora que a viu.

- Olha, ela tá aqui!

Inoue piscou confusa, ao ver todos os alunos do colégio terem suas atenções voltadas a ela.

- Que... Que aconteceu?

- E aí, vadiazinha, quanto é que vai ser seu programa hoje? – um dos garotos que estava próximo perguntou.

- Que? – a garota corou indignada.

- Peraí! – outro deu um passo à frente. – Eu que vou pedir hoje pra Inoue-san ficar comigo! Você também faz usando fantasias, hein? – o jovem perguntou animado.

- Que vulgar! – uma das garotas olhava com asco a garota que, desentendida, deu um passo para trás, agarrando-se a bolsa.

E em breve uma confusão estava formada sobre quem ficaria com Orihime naquela noite até que uma voz mais alta sobressaiu.

- Parem! Vamos leiloar a noite da Inoue-san, a garota mais... Dada do colégio de Karakura! – o garoto exclamou.

- Do que estão falando? Por que estão falando essas coisas?

Inoue, desnorteada e vendo seu corpo ser leiloado pelos rapazes que gritavam diversos valores, andou alguns passos e chegou até o mural onde ainda tinha alguns alunos observando e outras, enojadas, afastaram-se ao vê-la se aproximar.

E eis que seu mundo caiu quando viu suas fotos nua e nos braços de Ichigo expostas a todos. Seu castigo estava apenas começando.

Continua...