No último capítulo…

Trowa vai em missão solo fazer o reconhecimento do chateau Romefeller. O trajeto é hostil e só piora com o anoitecer. Depois de algum tempo de cavalgada, ele se instala no alto de uma colina, e observa a troca de guardas e outros movimentos interessantes. Ao medir distâncias lançando flechas, acaba sendo percebido e precisa fugir. Ele escapa por pouco e volta a taverna do Dragão de Duas Cabeças, onde está sendo esperado por Akane. Ela cuida dele, vendo que uma das flechas inimigas ficou presa no ombro dele na hora da fuga. No chateau, Dorothy e Commodore conversam sobre as decisões precipitadas de Decker, procurando um modo de evitar que Relena seja morta. Relena está um pouco abatida, olhando a noite. Ela pensa nos encorajamentos de Akane, incerta sobre sua capacidade de ser seu próprio cavaleiro, desejando que aquele que seu coração escolheu, Heero, venha resgatá-la. E ainda assim, está decidida a se manter firme.

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Capítulo 37 – Nostalgia

Tinha amanhecido sobre o Reino de Sanc, tudo parecia muito calmo, aos poucos as ruas da cidade de veraneio da família real começaram a ficar movimentadas com as carroças, os comerciantes e as crianças. Era sexta-feira. Os cavaleiros que restaram faziam competições não-oficiais entre si, usando as arenas. Zechs mesmo os tinha aconselhado a agir assim, para não se entediarem e aproveitar a ocasião para treinarem. As competições nem eram abertas ao público popular, apenas os parentes dos cavaleiros ou pessoas que com eles viajavam iam assistir. Tudo estava muito parado desde que Relena fora levada e os "Formidáveis" tiveram de partir em busca dela, o clima triste de preocupação permeava o povo por causa da princesa que eles tanto estimavam. Ela era importante para eles, era o símbolo de que tudo estava bem, era reconfortante saber que a princesa estava lá, trabalhando por eles. Era um sinal de paz.

Os raios de Sol entravam pela porta e através das janelas no teto do salão na taverna Barge que parecia muito diferente toda iluminada daquela forma. Embora estivesse funcionando, algumas cadeiras estavam sobre a mesa enquanto as empregadas varriam. Dois ou três homens estavam no bar, conversando baixo, e Lady Une circulava pelo estabelecimento envolta em uma capa de verde vistoso, cumprimentando os fregueses e conferindo o trabalho dos empregados como se fosse uma militar de alta patente, olhos sérios e postura perfeita. O verde a embelezava muito, já que seus cabelos eram de um tom castanho quente quase ruivo e seus olhos amarelados ganhavam nuances de verde, deixando-a com um olhar ainda mais perscrutador e penetrante, além de dominador, sinal de sua personalidade forte. Os cabelos longos, lisos e soltos revelavam-se em mechas escorrendo pela frente, amontoando-se dentro do capuz abaixado ou escapando para fora dele. Dando as costas para o interior da taverna, ela foi à direção da entrada e encostou-se ao portal, olhando o máximo possível além dos prédios que prendiam a Barge num beco discreto. O céu estava muito, muito azul, e a luz do Sol, cálida, e ela suspirou com um sorriso, meditativa. De longe acompanhou a aproximação de um alto cavalo cinza que vinha num passo relaxado direto em direção da Barge, e sorria divertida enquanto observava, sem acreditar em quem vinha chegando.

O cavaleiro estava coberto de um manto cinza muito claro, o capuz levantado fazendo uma sombra sobre o rosto, e ele segurava as rédeas imponentemente. Une conseguia ver que ele sorria do mesmo modo que ela, mas na verdade ela não via o sorriso, apenas adivinhava, conhecia bem a peça que se aproximava. O cavalo parou diante dela, ela continuava encostada no batente com os olhos postos diretamente na face dentro do capuz, sorrindo de um modo intrigante.

_Falcão cinzento! Quem diria você por aqui! –ela exclamou com sua voz felina e o cavaleiro riu. Ele era ninguém menos que o príncipe coroado de Sanc, Zechs Merquise. –E desacompanhado! Pensei que vivesse cercado de seus "pardais". –ela continuou provocando-o e brincado e Zechs abaixou o capuz.

_Meu vôo é quase sempre solitário. Pelo menos, quando consigo burlar a segurança! Ela anda especialmente alta estes dias e eu não sei por quê…

Une riu com o gracejo dele, mas ele apenas sorriu charmosamente, olhando-a sugestivo, e ela não gostou nada daquilo.

_O que veio fazer aqui, Alteza? –ela perguntou, mas deu as costas e entrou. Ele a seguiu, tranquilamente, seguindo-a com o olhar, o seu sorriso debochado. Ele devia ter sido uma pestinha quando criança.

_Não sei bem, talvez espairecer… Isto ainda é uma taverna, não é?

_Sim, é. –ela entrou atrás do balcão e fez recuar a capa para trás dos ombros. –O que vai querer?

_Ah, você mesma vai me servir? Achei que pagava criados para isso.

_Cale a boca, Zechs e não fique chamando a atenção! Você é um maldito falastrão!

_Você sempre me disse isso. –ele relevou a repreensão dela, sem se importar com o jeito rígido que ela mostrava.

_Porque essa é verdade. –ela apenas murmurou com um sorriso irritado, colocando um copo na frente dele. –Vamos, o que vai ser?

Ele colocou as duas mãos no balcão. Não sentou, apenas olhou baixo, fazendo luxo. Ela sorria nervosamente do jeito dele, tão moleque, e ficava esperando. Como ele podia ter aquele humor em tempos tão difíceis? Ela se perguntava isso enquanto o aguardava responder algo, reagir. Enfim ele se sentou e murmurou baixo que queria ale. E ficou torcendo as mãos, ainda olhando baixo, ouvindo o líquido ser despejado dentro da caneca de metal.

_Como vão indo as coisas? –ela perguntou enfim, sentando-se do outro lado do balcão, olhando fixo no rosto dele. Ele não parecia em nada afetado pela preocupação ou tristeza.

_Estou certo de que tudo vai ficar muito bem… eu confio naqueles rapazes.

Lady Une assentiu concisamente em total concordância.

_É difícil sem eles aqui. Sinto saudades, o lugar nem parece mais o mesmo. É só me lembrar de que eles não virão esta noite e parece que tudo perde a graça. E depois, ao pensar em porque eles partiram, fico mais entristecida. Tudo é muito lamentável, estávamos numa tranquilidade tão agradável…

_Eu posso até concordar, mas tenho de repreender seus lamentos: nós dois sabemos muito bem que a paz não pode existir, não adianta o que façamos. Assim é a vida e sabemos lidar muito bem com esta faceta desagradável dela, certo, "Magnífica"?

_Sim, você está certo, companheiro "Magnífico". Nós somos pessoas estranhas, Zechs… sem a guerra não somos nada. Isto é mau.

Ele ficou olhando-a pensando no que ela disse. Ela estava certa. Eles dependiam da guerra para viver, mesmo se não estivessem envolvidos diretamente no momento, seus passados pertenciam ao combate e através deste eles conquistaram a experiência pessoal, a filosofia de vida e as riquezas para garantirem uma velhice muito confortável. Havia um laço atando-os à triste realidade que eles aprenderam a apreciar.

_Você parece vestida para um passeio. –ele murmurou de repente, terminando de beber. Ela o olhou e franziu as sobrancelhas, confusa. –Estou me sentindo meio nostálgico hoje. Por que não vamos cavalgar?

_Ah, Zechs! Hoje é sexta-feira! É o dia mais movimentado da semana, eu tenho afazeres para o dia inteiro! –ela se opôs sem saber muito bem porque, apenas julgou aquilo imprudente no momento. E sorriu como se estivesse embaraçada, pegando a caneca vazia dele nas mãos.

_Deixe seus empregados trabalharem! Vai pegar um cavalo para irmos nos distrair um pouco, vai! –ele ia apelando e provocando ao mesmo tempo, jovial e brilhante, ela achava que Zechs parecia ser muito mais jovem que ela embora tivessem a mesma idade. Por fim ela riu timidamente, assentindo:

_Oh, está bem. –e foi em direção do interior para lavar a caneca e ir buscar o cavalo. Estava quase na porta quando ouviu:

_Não se esqueça da sela feminina! –Zechs pilheriou malvado e traquina e Une jogou a caneca em sua direção e só não o acertou porque ele desviou-se. O copo caiu no chão fazendo muito barulho e os homens no balcão e os empregados olharam-no espantados e confusos. –Bravinha ela, né? –ele olhou os presentes e simplesmente comentou, sorrindo travesso. Colocou a caneca em cima do balcão outra vez e foi para fora, esperar a lady.

O cavalo cinza que tinha escolhido era um bom corredor, era leve e veloz. Zechs ficou brincando com o animal, pensando se por acaso Tallgeese tinha ciúmes do dono e ficava bravo por sair muito pouco do palácio. E depois Une apareceu na entrada do beco puxando pela rédea uma égua dourada pronta para a cavalgada.

_Vamos logo! –ela gritou de lá e subiu no animal e ele meneou a cabeça, imitando-a e apressando-se para alcançá-la. –Tomara que seja bom. –ela depois disse sorrindo astuciosamente, olhando para frente, como se na verdade falasse sozinha, enquanto dirigiam-se para a área rural da cidade. Zechs a olhou confuso:

_O quê?

_Qualquer que seja o assunto que você quer tratar. –e então ela o olhou de uma forma cúmplice e gentil.

_Eu não quero tratar nada, só precisava da companhia de um velho amigo.

_Já sei: está se sentindo nostálgico.

_Sim, não sei porque esta noite me peguei lembrando da nossa época. Muitos de nós podíamos estar competindo ainda hoje.

_Sim, é verdade, porém os caminhos divergiram diante de nós, cada um arranjou um motivo para parar.

_Na verdade os motivos nos arranjaram, certo? Porque por mim eu ainda estaria por aí… bons tempos, bons tempos… –Zechs comentou garboso olhando para frente no horizonte, onde via o caminho acabar e formar uma linha, junto dos gramados a volta, com o céu. Ela sorriu, mas pareceu melancólica. –Sinto saudades, não vou esconder, não há porque. Tenho saudade das tempestades passadas dentro das tavernas, sinto saudade da poeira das arenas e do cheiro do fogo nos destroços, tenho saudades suas, tenho saudades de Treize, mas eu acho que eu não devia estar falando isso para você. –ele comentou efusivamente, passional e depois a olhou com carinho, sabendo quão grande era sua perda.

O motivo de Une ter deixado a vida cavalheiresca fora a morte de Treize, seu companheiro de ordem, mas também seu cavaleiro privativo, o seu amor. Sim, Lady Une também foi um cavaleiro, mesmo sendo moça, e que cavaleiro ela era! Ela era um "Magnífico", e um dos mais destacados. Jamais teve a identidade descoberta, ocultando-a por trás de um nome falso, assim como Akane, e usava para isso o título de barão de seu pai falecido. Todos os outros "Magníficos" sabiam da verdade e jamais hesitaram em ajudá-la a manter o segredo. Quando Treize morreu em combate, a dor da perda que se apoderou dela não deixou mais espaço em seu coração para o ânimo para as batalhas, embora continuasse apreciando aquilo com o mesmo fervor de antes. No dia do funeral, ela prometeu para si mesma: era hora de aquietar e procurar modos alternativos de buscar a tão desejada paz. Com a fortuna que acumulou, estabeleceu a taverna, comprou uma bela casa e foi levar uma vida mais tranquila, longe dos campos de batalhas, das justas e das perdas irreparáveis. Escolheu Sanc para se estabelecer e, desde que chegara, o motivo de sua solidão era mistificado pela cidade, ninguém entendia bem porque ela nunca se casara, mas ninguém buscou entendê-la e ela agradecia por isso.

_Não se preocupe comigo, eu já me recuperei. Eu entendo muito bem o motivo da morte de Treize, eu estou bem. –ela disse para tranquilizar o amigo, que ainda parecia preocupado com ela, mas depois disto Zechs suspirou.

_E Commodore? –então indagou, recordando-se do outro companheiro. –Você o viu durante o torneio?

_Vi sim, mas só uma vez… –Une explicou. Só uma vez, antes de anoitecer, ele tinha aparecido na Barge e tomado um gole de vinho, conversado um pouco com ela e desaparecido, como lhe era natural. Ele parecia um personagem de folclore, sem jeito de pertencer ao plano real.

Commodore parecia ter ido a Barge apenas para cumprimentá-la, por causa de sua primorosa educação e cortesia e em honra a todas as lembranças queridas que partilhavam.

_Ele resolveu se recolher para os bastidores, não foi? Ele pode ser um Romefeller, mas ele é um excelente cavaleiro e um grande companheiro de viagem… Nunca nos deixou na mão, sempre se ateve ao código de honra… –Zechs lembrou-se saudoso, estranhando seu próprio comentário por que elogiava um Romefeller nele. Mas Commodore era diferente dos outros Romefeller, ele era como Treize.

Treize também era um Romefeller, que se tratava de uma linhagem muito longa e próspera. O parentesco dele e Commodore era de dois graus de diferença e apenas começaram a ter tratos íntimos quando foram nomeados na mesma ordem.

_Poucos sabem isto sobre ele, Commodore nunca revela que é cavaleiro da ordem dos "Magníficos". O que será que ele teme ou desgosta para sempre esconder este fato que o honra tanto? –Zechs seguiu dizendo, pensando nesta particularidade intrigante de Commodore.

_Eu não sei, Commodore é um grande ponto de interrogação… um ponto de interrogação charmoso e interessante, mas… –ela disse sorrindo e lembrando-se de como ele era, do jeito que ele lidava com as coisas e quase riu ao recordar-se de como ele enrolava quem ele desejasse com seu jeito sagaz, sutil e extremamente educado.

_Ele deve estar servindo Decker agora. –Zechs comentou, contrafeito. –Eu espero que ele tenha um bom motivo para fazer isso. É inaceitável que ele, muito melhor cavaleiro que aquele crápula, fique bajulando o insuportável!

Une riu do jeito burlesco e irritado de Zechs falar, embora ele falasse muito sério, mas ela concordava com ele. Ainda assim, lembrou Zechs, falando com um sorriso astucioso e vulpino:

_Commodore com certeza está tramando algo por trás do primo, porque ele só joga no time dele e de mais ninguém. –Zechs olhou-a impressionado pela declaração. Nunca tinha pensado assim, mas aquilo era tão verdadeiro! Une era mesmo perspicaz. –E já que o assunto chegou neste ponto, me diga para valer agora: como estão as coisas?

Eles cavalgavam, subindo uma colina verde num pasto, muito devagar, se esquecendo de que o tempo passava por eles. Olhavam a volta para o relaxante ambiente bucólico do país e era agradável sentir o vento, fitando lá longe um campo de margaridas brancas e amarelas.

_Se a guerra alcançar todas estas coisas… –Zechs se referia ao que eles viam naquele momento –…o que será de nós? Eu coloquei todas as minhas esperanças naqueles rapazes, nos "Formidáveis", e apesar de eles sabiamente declararem que a guerra não poderia ser evitada, mas adiada, eu acredito que eles podem terminar com ela antes de se iniciar. –e ele não parecia em nada alarmado ou ansioso, apenas determinado.

_Sim, nós acreditamos na juventude… –Une riu com ele, tiravam sarro da própria desgraça, não se importavam com nada. Eram mesmo pessoas muito excêntricas…

_Além do mais, eles não me parecem nada irresponsáveis… –Zechs continuou assisado, cheio de certeza e confiança, mas com empolgação também.

_Como nós éramos? –Une adicionou, divertida e ironicamente.

Os dois trocaram sorrisos joviais e depois Zechs olhou para frente e retornou a falar em tom sério, profundo:

_Mas quanto a Relena… eu sinto falta dela, de sua presença doce, de sua voz, de suas maneiras à mesa…

_É, realmente você está nostálgico hoje! –Une continuou avacalhando, mas no fundo compreendia-o bem e levava-o muito a sério, de algum modo compartilhando seus sentimentos. Sabia como uma pessoa amada fazia falta e a saudade podia ser tanta e o vazio era tão estranho que às vezes até se via vultos – as lembranças animadas diante dos olhos – que dava uma má-impressão triste e desagradável.

Ele lhe sorriu humildemente e assentiu:

_Sim, ela faz muita falta. O sonho de todo irmão mais velho é se livrar da peste do irmãozinho, mas neste caso, eu a quero de volta! Relena é preciosa não só para mim. Se ela morrer, parte da crença das pessoas na paz irá junto com ela. O palácio está vazio sem ela e sem sua ama, Lady Noin. –e então ele pausou, como se lembrasse de algo muito importante e querido, e suspirou com um brilho diferente no olhar que Une ia observando com reserva crítica. –Sim, é deprimente ficar sem vê-la para cima e para baixo pelos corredores no seu impecável vestido, parece que o palácio morreu, que me abandonaram lá…

Une olhava para ele sorrindo maliciosamente, mas nada disse. Ele se referira a Noin de um modo muito afetivo, embora ela fosse a dama de companhia da irmã dele, alguém que na verdade não era para lhe significar tanto. Mas pelo jeito que ele a citou, ela estava presente na vida dele. Muito suspeito, Une pensou, tentando segurar o riso, por causa do jeito ingênuo dele. Mas não seria ela quem estragaria a surpresa dele.

Resolveram voltar, o Sol estava subindo avisando que logo seria hora do almoço e Zechs não queria preocupar muito seus soldados, dado o seu sumiço rebelde contra sua fiel escolta. E enquanto faziam o caminho de volta, continuaram conversando. Em certo momento na conversa, Zechs murmurou:

_Tem uma coisa que me intriga ainda.

_E o que é?

_Será que Sir Arcus também foi à missão de resgate? –Zechs perguntou e olhou Une como se ela lhe pudesse responder, mas ela não podia, não sabia bem do que o príncipe falava na verdade.

_Por quê? –ela pediu mais explicações, interessada.

_Bem, ele não compareceu na reunião que eu convoquei, mas mandou um representante, e no momento da partida ele não estava junto dos outros cavaleiros. Será que ele não se interessou na missão? Seria isso possível? –Zechs não parecia insultado com o fato de o cavaleiro poder não ter querido ir salvar sua irmã, mas sim pelo cavaleiro ter rejeitado uma missão. Os olhos dele eram intrigados e Une o ficou mirando depois das perguntas sem responder nada, pensando, pensando. Aquilo lhe soava familiar.

_Isso me lembra… –mas ela parou antes de dizer "a mim". Ficou na dúvida, será que era possível que aquilo se repetisse? Ela sorriu olhando para frente embora não visse nada e Zechs ficou ainda mais confuso:

_O que foi? –quis entender, já que não via sentido no que começara a ouvir.

_Não é nada, não se incomode. Eu acho que o rapaz Arcus não ia deixar de se juntar aos companheiros. Ele dever ter feito isto mais adiante…

_Sim, é possível, mas nada usual.

Une deu de ombros. E enquanto a conversa prosseguiu sobre outros temas, ela ficava meditando naquilo, intrigada por sua vez, mas não pelo mesmo motivo que tanto intrigou Zechs.

Raciocinando melhor, Akane não aparecia na taverna desde que os "Formidáveis" partiram, e considerando que ela era muito próxima dos rapazes… Não, não é possível!, imediatamente Une pensou repelindo a conclusão que se formara nitidamente, assustada e animada ao mesmo tempo. Zechs lia na fisionomia dela que ela pensava em algo interessante, mas resolveu não perguntar nada. Ele não fazia a mínima ideia do que se passava com a amiga.

Sim, era possível. É parte de um provérbio: o que acontece uma vez pode acontecer de novo. Tudo sempre pode se repetir, a vida é na verdade uma sucessão de repetições: todas as gerações compartilham pelo menos um momento em comum, nem que breve. Une gostava de imaginar que aquele seu espírito rebelde contra tudo – até mesmo contra as virtudes cavalheiresca, o que é muito irônico – sobrevivia num outro coração inconsequente e continuava forte, chamejante como um fogo eterno, que queimava em tributo seu e de sabe-se mais quantas outras moças que tinham se aventurado na mesma escolha audaciosa.

Mas Une não ousaria falar nada a Zechs, outra vez não queria estragar a surpresa. Ademais, ela não desejava arriscar-se em levantar algo que podia depois ser provado falso, não queria deixar Zechs com uma expectativa que poderia ser adiada e fazer muito constrangimento acontecer. Era cautelosa, discreta e, sobretudo, muito paciente. Abandonou as arenas, mas não o código de virtudes.

Apenas ia guardar para si mais este segredo e deixá-lo se resolver por si só.


Boa-noite, aqui é a autora!

Demoro, mas não tardo!

Espero que gostem!

Quero voltar logo!

Perdoem qualquer erro de revisão!

Muito obrigada por lerem! Fique à vontade para comentar!

Beijos e abraços!

26.07.2018