Capítulo 37 - Help

Pov Edward

"Lembre-se que se algum dia você precisar de ajuda, você encontrará uma mão no final do seu braço. À medida que você envelhecer, você descobrirá que tem duas mãos - uma para ajudar a si mesmo, e outra pra ajudar aos outros."

(Audrey Hepburn)

O dia estava se passando mais arrastado do que eu havia imaginado. Por mais que eu evitasse olhar para o relógio, ele sempre cismava em continuar com os mesmos minutos... cansativos, pesados e incessantes. Ainda era meu primeiro dia na empresa, e eu não tinha muitas coisas para fazer a não ser atender telefones e anotar recados. Carlisle tinha ido resolver alguns problemas com clientes e quando ele voltasse, poderia ter mais tempo de me explicar o que eu teria que fazer para ajudá-lo;

A idéia inicial de meu pai foi me colocar trabalhando somente até três da tarde, que era a hora que Bella saía da escola. O horário era muito bom, o salário era muito bom, mas ao mesmo tempo, eu sabia que eu não pertencia ali. Eu via o diploma de Carlisle na parede, as centenas de livros de Direito em suas prateleiras, as pastas com processos, e me sentia um peixe fora d'água.

Apesar de Carlisle não entender, se eu não fiz Direito, foi por uma razão. Era porque eu odiava Direito. Engenharia Química foi minha escolha, era a minha vida e eu já sentia falta de todas aquelas fórmulas com as quais eu trabalhava no laboratório da faculdade. Era incrível você passar horas e horas estudando composições que no final poderiam resultar em um remédio, um produto químico do qual fosse importante para as pessoas... aqui, apesar de Carlisle ajudar muita gente, não era o meu local preferido. Não era onde eu me sentia bem. E somente o que me mantinha sentado nessa cadeira em frente à esse computador, era o fato de que eu sabia que Bella e Anthony precisariam que eu fizesse isso. Eles precisavam que eu fosse responsável.

Porém, naquela tarde, uma ligação fez todo meu marasmo mudar. Eu estava praticamente cogitando a possibilidade de começar a jogar paciência no computador, quando o telefone de Carlisle tocou. Era a primeira vez que eu atendia o telefone do escritório, e me senti aliviado por pelo menos estar fazendo alguma coisa.

- Cullen Associates. - respondi com uma voz monótona.

- Por favor, eu gostaria de falar com o Senhor Cullen? - a voz rouca e nem um pouco estranha falou do outro lado. Eu conhecia essa voz de algum lugar, mas quem disse que eu lembrava quem era?

- É o filho dele, Edward. Posso ajudar em alguma coisa? Quem está falando?

- Edward! - a voz pareceu aliviada por me ouvir. - Sou eu, Steve! - o nome me bateu junto com um sorriso, ao realizar quem estava do outro lado da linha. Como eu podia esquecê-lo se eu devia muito a ele? Ele foi minha grande companhia durante a prisã havia sido a pessoa que mais me ajudou, não só fornecendo o celular mas conversando comigo quando eu mais precisava. Sua prisão tinha sido forjada por seus próprios filhos, por uma briga absurda sobre dinheiro, e era uma grande mágoa que ele guardava consigo, apesar de não admitir.

- Steve! Como você está? - Será que ele estava precisando de ajuda? Porque ele estava ligando para o escritório de meu pai, sendo que o número que eu tinha dado a ele quando fui embora foi apenas o do meu celular?

- Estou indo, meu filho. Na realidade, não muito bem. E estou ligando para saber justamente se você poderia me ajudar... - sua voz era cansada e rouca. Eu podia sentir que ele não estava bem. Decepcionado, talvez.

- Pode falar, Steve. O que foi que te disse quando nos despedimos? - me lembrei do dia que eu deixei a prisão, onde disse a ele que poderia contar comigo para tudo que precisasse.

- Estou desconfiando que meus filhos chantagearam meu advogado para piorar ainda mais meu caso. - ele falou com a voz bem baixa e já pude imaginá-lo escondido dos policiais que ficavam observando nosso horário de intervalo. - Ele vêm tendo umas conversas estranhas comigo, falando que eu devia assumir o que eu fiz... e isso não está me deixando à vontade... você sabe que eu não fiz nada, Edward, eu não fraudei nada, foi tudo armado...- ele respirou fundo.

Eu já imaginava o que ele queria. Na realidade já tinha até oferecido esse tipo de ajuda antes, mas ele negou.

- Tenho certeza que meu pai pode te ajudar, Steve. Nem precisa se preocupar. Vou falar a ele para dar uma passada aí ainda essa semana, e vocês conversam.

- Olha, eu faço questão de pagar todos os honorários dele. Eu só quero alguém de confiança. Alguém que eu possa contar de verdade e sei que seu pai é um homem muito íntegro... - ele respirou fundo. - Você sabe que eu não pediria sua ajuda se eu não estivesse realmente precisando, e... - percebi desconforto em sua voz, e fiz o favor de cortar.

- Não se preocupe com isso. É um prazer te ajudar... - sorri, me lembrando das palavras de conforto que Steve sempre me dava quando eu sentia que o desespero ia me consumir. Quando eu sentia que poderia morrer de tanta saudade de Bella. - Vai dar tudo certo.

- Mas e você? Como estão as coisas com sua menina? E o bebê?

Sorri à pequena e curta menção das duas únicas pessoas que faziam com que eu me sentisse o cara mais feliz do mundo. A partir daí, conversamos o tempo em que ele pôde falar.

Desliguei o telefone prometendo a presença de meu pai o mais rápido possível, e assim que Carlisle chegou no escritório, contei a ele toda a história. Ele me prometeu que visitaria Steve na manhã seguinte e me contaria tudo o que tinha se passado na reunião entre os dois, só que ele queria contar com a minha ajuda. Apesar de saber que Carlisle queria me colocar no caso apenas para me incitar a gostar de Direito, eu não ia hesitar em fazer o que fosse preciso para ajudar alguém que me ajudou muito quando eu mais precisei.

Peguei o carro e fui o mais rápido que pude para o colégio de Bella, esperando que o trânsito cooperasse e eu pudesse chegar um pouco antes de terminar sua aula. Pensei em surpreendê-la, então assim que estacionei, atravessei a rua e fui à uma delicatessen que tinha logo em frente. Comprei um cupcake repleto de M&M's e mandei embrulhar, já ávido para vê-la.

Era impressionante como Bella me fazia falta. Eu sabia que tínhamos nossos afazeres, mas se eu pudesse, se me fosse permitido, eu faria de tudo para que pudesse ficar com ela o meu dia , acariciando seu cabelo tão macio e cheiroso, dizendo o quanto eu a amava, e olhando para aqueles olhos castanhos lindos, tão serenos, que me passavam toda a paz do mundo... os mesmos olhos dos quais avistei pela primeira vez aquele dia em Monrovia e me apaixonei. Olhos que se espremiam docemente quando vinham junto com aquele sorriso, formando um pacote tão perfeito, que me fazia ter certeza de que eu era um homem de sorte. Mas assim que a vi, com os braços cruzados e vindo que nem um furação em direção ao carro, notei que algo não estava bem. Bella não estava bem. O que tinha acontecido?

- Meu sorriso.. o que foi? - perguntei preocupado.

- Nada.. só quero ir para casa.

Ela abriu a porta do carro e entrou, sentando-se e colocando o cinto de segurança. Corri para o meu assento, desesperado para saber o que a deixava tão chateada e antes de colocar a chave na ignição, resolvi perguntar.

- Meu amor... por favor, me fale. - passei a mão em seus cabelos e ela continuou calada, olhando para suas mãos, que estavam levemente pousadas em cima da mochila. Peguei a mochila de seu colo e coloquei no banco de trás, junto com a embalagem do cupcake. Pelo jeito ela não devia estar com a mínima vontade de comer.

- Podemos conversar em casa? Eu não quero ficar aqui. - ela falou baixo, me encarando pela primeira vez. Seu olhar era de decepção, mas ao mesmo tempo eu conseguia enxergar um pouquinho de raiva. Na hora cheguei à conclusão que devia ter sido alguma coisa com aquelas meninas insuportáveis que conhecemos, mas preferi respeitá-la e dei partida no carro, saindo de frente da escola.

Chegamos em casa quase uma hora depois, por conta de um acidente na ponte. Bella permaneceu todo esse tempo calada e preferi não perguntar mais nada para que não se sentisse pressionada nem muito menos forçada a falar quando não tinha vontade. Comigo ela teria uma liberdade que não tinha com Charlie, e eu queria que ela tivesse a certeza de que eu sempre a respeitaria.

Estacionei o carro na garagem e observei enquanto ela saía do carro silenciosamente. Peguei sua mochila no banco de trás, o cupcake, tranquei o carro e fomos andando juntos em direção à porta de casa. Cacei as chaves no bolso, e assim que entramos, a primeira coisa que ela fez foi deixar os sapatos no hall e subir rapidamente, sumindo de minha vista.

Por mais que eu não quisesse me chatear nem me irritar, o comportamento dela estava me deixando muito angustiado. Eu tinha certeza que ela tinha suas razões, mas o silêncio estava começando a me deixar cada vez mais aflito. Subi as escadas, indo para nosso quarto, e vi que ela não estava lá. Achando que ela tinha ido ao banheiro, resolvi colocar sua mochila na cadeira e sentei na cama, esperando que aparecesse, mas nada. Chequei o banheiro, e nem sinal de Bella.

Abandonei o quarto para começar a procura, mas assim que vi uma pequena luz escapando da porta do quarto de Anthony, abri um meio sorriso. Era bom saber que ela achava um refúgio no quarto de nosso filho. Um local em que ela poderia ficar em paz.

- Hey. - falei baixo, ainda no canto da porta, vendo-a sentada na poltrona, com um coelhinho azul em seu colo.

- Oi.. - ela respondeu em um tom de voz ainda mais baixo que o meu, e mantinha seus olhos fixados no chão.

- Quer conversar? - não ousei me mexer, querendo dar a ela todo o espaço do mundo.

- Não sei. - ela pegou na orelha do coelhinho e fungou. Ela estava chorando? - Me desculpe se estou sendo grossa, só estou tão confusa... - uma lágrima nova caiu de seu olho e foi justamente o empurrão para que eu me aproximasse. Me ajoelhei a seu lado, e ajeitei uma mecha de cabelo atrás de sua orelha, mas a mecha cismava em cair toda vez que Bella abaixava a cabeça e isso era uma constante.

- Você sabe que você pode me contar tudo, não sabe? - passei as costas de minha mão por sua bochecha macia, um pouco molhada por lágrimas. - Que eu vou estar sempre e literalmente ao seu lado em tudo que você precisar?

- Claro que sei... - ela começou a dedilhar a orelha do coelhinho. - Eu não tenho dúvidas disso, é só que... - ela hesitou.

- Fale comigo. - assegurei. - Fale tudo o que quiser, desabafe... o dia na escola não foi bom? - continuei fazendo carinho em seu cabelo e abaixei minha cabeça, procurando ver seu rosto.

- Mais ou menos. - ela respondeu. - Até uma hora sim, mas depois...

- Depois.. - continuei. - O que houve?

- Edward... você acha que eu vou ser uma boa mãe? - pela primeira vez ela levantou a cabeça e me olhou, seus olhinhos tão marejados que a primeira coisa que consegui antes mesmo de responder foi segurá-la em meus braços. Ajeitei sua cabeça em meu ombro e a posição estava tão estranha que achei melhor sentar na poltrona e colocá-la em meu colo. Ela se aninhou ali, com o coelhinho entre a gente, e continuou a fungar bem baixinho, ainda esperando minha resposta.

- Eu não tenho dúvidas de que você será a melhor mãe do mundo. - falei passando o dedo por seu nariz afilado. - Porque está falando isso?

- Eu... - ela continuou brincando com a orelha do bichinho. - Eu escondi Anthony de todo mundo hoje... só que Gale descobriu e... e eu fiquei com vergonha. Muita vergonha. Senti vontade de sumir. - as lágrimas tomaram forma e começaram a cair mais pesadas de seus olhos. - As meninas começaram a me olhar com outros olhos, e eu fiquei me sentindo mal, mas eu não tenho vergonha do meu girassolzinho, sabe? - ela fungou. - Eu o amo mais do que tudo nesse mundo, e estou me achando uma péssima mãe por ter escondido, por não ter assumido logo.. sou uma covarde.

- Meu anjo, você não é uma péssima mãe por causa disso. É normal você ter vergonha. - dei um beijo em sua testa. - Você é uma linda menina que vai ser mamãe, mas só tem dezessete anos, e isso é um pouco incomum para as pessoas ainda... você é muito nova... - acariciei seu rosto. - Sem contar que é a primeira vez que você está agindo com gente da mesma faixa etária que a sua aqui em Nova York, e ainda por cima gente que não está acostumada com o estilo de vida que você levava e vice e versa. Pessoas que não estão acostumadas com diferenças, sabe? A maioria do povo de Nova York é assim...

- Você não é assim.. - ela falou baixo, pegando no nariz do coelhinho.

- Eu não sou assim porque minha mãe me criou decentemente... mas sabe lá o que a mãe daquela louca faz? - coloquei a mão em sua perna e pincelei sua pele com a ponta de meus dedos.

- É... - ela suspirou, com um tiquinho de sorriso tímido no canto da boca. - Pode ser...

- Se você não tivesse Anthony, tenho certeza que sentiria vergonha por algum outro motivo. - dei um sorriso, procurando confortá-la. - Você sempre foi uma menina tímida, eu me lembro muito bem de quando nos conhecemos... Agora, se essas meninas insuportáveis estão te olhando torto, ou desaprovando nosso girassolzinho... que se fodam. - sussurrei, sabendo que ela reprovaria meu palavrão.

Mas como Bella sempre me surpreendia, ela abriu um sorriso.

- Ele é a coisinha mais importante de nosso mundo, não é? - acariciei sua barriga por cima do tecido de sua camisa branca do colégio e ela assentiu. - Então.. não tem nenhuma menina naquela escola que faça isso mudar. - sorri, dando um beijo leve em seus lábios. - Não concorda comigo?

- Concordo. - ela respirou fundo, tentando se recompor. - Você está certo. Elas... que... que se fodam. - as últimas palavras saíram tão baixas que tive muita dificuldade em ouvir, mas se era aquilo mesmo que eu estava ouvindo...

- O que? - falei sorrindo. - Repete isso, meu anjo, por favor. - ri.

- Não. - ela deu um sorriso torto, suas bochechas começando a tomar um tom de vermelho cada vez mais forte. - Eu não falei nada. - ela escondeu seu rosto no vão de meu pescoço.

- Falou sim. - dei um beijo em sua bochecha, e fui descendo por seu maxilar. - Eu bem ouvi um palavrão saindo dessa boquinha maravilhosa... - sussurrei bem perto de sua orelha. - Vai, fala pra mim de novo..

- Pára. - ela riu. - Foi o calor do momento. Não falei nada, finge que não aconteceu. - ela soltou os dedos do coelhinho e segurou em minha camisa, respirando fundo. - Obrigada. - ela levantou a cabeça do vão de meu pescoço e tocou seus lábios nos meus, bem suavemente. - Eu não sei o que seria de mim sem você. Eu estava tão triste, e agora... meu coração tá inflado novamente... parece que nada aconteceu... - ela sorriu. - Estou pronta para encarar tudo amanhã.

Segurei seu rosto com uma de minhas mãos e olhei em seus olhos.

- Eu sei que é difícil esse começo, mas pense que a escola não é para sempre. Se foque nos seus estudos, que é o que você mais quer, e esqueça essas meninas.. deixe que elas falem... nada vai atrapalhar o que temos, nem muito menos a alegria que Anthony vai nos dar quando chegar ao mundo... - sorri. - Lembre-se sempre que eu estarei a sua espera quando as aulas terminarem, e depois que ele sair da sua barriguinha, - ele acariciou minha barriga novamente, - ele será mais um para esperar a mamãe na porta do colégio.

Bella abriu um sorriso, me olhando com os olhos completamente marejados, mas dessa vez eu via a alegria que transbordava deles.

- Eu te amo tanto... - ela falou passando a mão em meu rosto.

- Eu também te amo muito... - passei meu nariz no dela, que estava bem geladinho. - Te amo tanto que chega a doer.

Ela me beijou novamente, com seus dedos finos e frágeis ainda tocando meu rosto, subindo e acariciando meu cabelo... Minha mão automaticamente desceu para debaixo de sua saia colegial, e então resolvemos parar afinal estávamos no quarto de Anthony.

- Sabia que eu comprei um cupcake de M&M's pra você? - minha mão voltou para seu joelho, numa promessa de continuar comportada, e naquele lugar.

- Comprou? - seus olhos brilharam. - Onde está?

- Está lá no quarto, em cima da mesinha...

- Preguiça de buscaaar.. - ela arrastou a voz e voltou para o vão de meu pescoço.

- Está ficando muito mal acostumada, acho que estou te mimando demais... - ri, aproveitando para voltar a dar beijos em sua bochecha. - Vamos os dois buscar. - levantei com ela em meu colo, e ela deu um gritinho involuntário.

- Edward, eu estou pesada! - sua voz saiu nervosa. - Me põe no chão!

- O caminho é curto. - falei já passando pela porta. - E eu não tô sentindo peso nenhum.

- Ai meu Deus. - ela escondeu seu rosto em meu ombro e segurou meu pescoço com as duas mãos. - Vamos parar no chão.

- Já estamos chegando.. - ri, empurrando a porta do quarto com meu pé. - Pronto. - fui até a cama e a coloquei sentada. Peguei o cupcake em cima da mesa e entreguei.

- Muito obrigada. - ela sorriu e tirou o cupcake de dentro do saquinho, dando logo uma mordida e respirando fundo, junto com um gemido de satisfação. Comecei a rir e sentei a seu lado.

- Porque não vamos dar uma volta? - falei olhando para a janela e vendo que o tempo não estava tão ruim, apesar de um pouco frio. - O que acha de tomarmos um chocolate quente?

Ela arregalou seus olhos e manteve o sorriso. Não precisava nem me responder.

Logo depois de ela terminar o doce, recolocamos nosso casaco, e fomos de carro até um café que tinha perto do píer. Era um pouco longe de casa mas era o chocolate quente mais gostoso que tinha em Long Island. Ficamos no píer, eu sentado em um banco de pedra e ela no meu colo, observando as garças e a Baía de Smithtown. Eu queria passar com minha menina um fim de tarde bem descontraído, para que ela não ficasse pensando besteiras sobre o dia seguinte no colégio. Apesar de ela falar que já estava preparada para encarar as meninas, eu sabia que não seria tão fácil assim.

Começamos a conversar sobre meu primeiro dia de trabalho, falei sobre Steve e ela ficou muito feliz de que eu teria a oportunidade de ajudá-lo. Afinal ela também era muito agradecida por ele ter facilitado nossa comunicação enquanto eu estava preso. Em um pequeno momento de silêncio observei que Bella olhava para a vista e respirava fundo, querendo prestar atenção em cada detalhe, em cada onda que batia no píer, em cada bandeira que balançava nas lanchas, nos barcos... ela simplesmente ficava atônita. E era lindo de se ver.

- O que achou da vista? - perguntei.

- É linda... - ela se aninhou em meu ombro. - Meio fria, gélida, e azul... diferente de todo o verde que me agrada... mas é linda... - ela respirou fundo. Respirei fundo sentindo o aroma gostoso que vinha de seus cabelos e dei um beijo em sua testa. Bella era perfeita. Mas a fragilidade dela para algumas coisas ainda me preocupava. Eu não queria que esses acontecimentos no colégio a desanimassem, fazendo-a desistir de estudar. Eu não suportaria vê-la frustrada.

- Meu anjo... me promete uma coisa? - passei a ponta de meus dedos por seu couro cabeludo e mantive minha boca em seu cabelo, dando pequenos beijinhos.

- Diga. - ela me ofereceu um pouco de seu chocolate quente, pelo qual neguei com a cabeça.

- Não deixe que ninguém te diminua naquele colégio. - dei outro beijo em sua cabeça. - Ninguém ali é melhor do que você. Se te falarem alguma coisa, responda à altura, encare de frente... eu sei que você é forte. Você é a mulher mais forte que eu já conheci em minha vida e sei que é capaz...

- Não sou tão forte quanto você imagina... - ela respondeu, seu sorriso esmaecendo por alguns segundos.

- Claro que é. Só não sabe ainda. - dei um beijo em sua testa. - Vai, me prometa.

- Tá bem, eu prometo. - ela revirou os olhos e deu mais um gole em seu chocolate.

- Não senti firmeza. - belisquei a lateral de sua barriga de brincadeira e ela deu um pulinho involuntário.

- Eu promeeeeeto, Edward Anthony Cullen, meu futuro marido! - ela falou um pouco mais alto, rindo.

- Repete isso. - falei sério.

- Ai meu Deus. Eu prometo! - ela deu um tapa em meu braço.

- Não, não isso... a outra coisa.

Ela me olhou sorrindo.

- Meu futuro marido? - suas bochechas coraram.

- É a primeira vez que você fala isso. - sorri. - É tão delicioso ouvir... - acariciei seus cabelos macios. - Não vejo a hora que isso aconteça. Não vejo a hora de ser seu marido de verdade.

Ela aninhou sua cabeça em mim, passando seu nariz por meu pescoço.

- Eu não vejo a hora de tudo acontecer... de Anthony nascer, de casarmos, de começarmos a viver nossa vida... eu nunca imaginei isso pra mim, Edward... eu nunca pensei que ia ter uma vida tão perfeita quanto a que você me deu... - ela suspirou. - Às vezes penso que as coisas estão tão boas que é obrigatório que aconteçam coisas ruins...

- Isso não tem nada a ver. - logo cortei. - Não vão acontecer coisas ruins, porque as coisas ruins já aconteceram por demais com a gente, não acha? Estamos na hora de aproveitarmos. - segurei em sua mão e entrelacei nossos dedos, a aliança tão visível que me enchia de felicidade. - Mas... meu anjo.. as vezes quando você fala que tem uma vida perfeita agora, eu fico pensando em certas coisas que você certamente deixou para trás... e quanto a Charlie? - fiz a pergunta que estava há muito tempo me segurando para não perguntar. Bella não falava de Charlie, não comentava nada sobre ele, e eu queria saber qual era sua posição sobre isso, porque quanto mais os dias se passavam, mas chegava o dia em que iríamos encontrar com ele.

- Não sei... - ela falou calmamente. - Não sei mesmo. Chega a ser estranho... parece que estou meio anestesiada quanto a ele... não consigo pensar nele, nem no julgamento, nem em nada... acho que vou deixar as coisas acontecerem...

- Certo. - encostei meu queixo em seu ombro . - O que você escolher, eu estarei do seu lado.

- Eu sei. - seus dedos brincaram com os meus.

- Fico feliz por você saber. Por saber que você acredita em mim e em todos os sentimentos que tenho por você... essa sua segurança comigo me faz bem.

- Eu só me sinto cem por cento segura quando estou do seu lado.. - ela trouxe minhas mãos ainda entrelaçadas nas suas para sua barriga e meio que nos abraçamos. - Ai, como eu queria te enfiar dentro da minha mochila e ter você comigo na escola... - ela suspirou.

- Hahaha.. se eu pudesse eu ia, meu anjo... - passei meu nariz por seu maxilar. - Apesar de que assim eu teria certeza que você não ia prestar atenção nas aulas..

- Quem disse? - ela riu.

- Lembra de quando estudávamos juntos em Monrovia? - perguntei dando um beijo na pontinha de seu queixo. - Lembra como você ficava distraída? - ri baixo.

Bella então suspirou.

- É... não ia dar certo mesmo.

Resolvemos voltar para casa quando estava começando a querer escurecer. Como estavam fazendo manutenção em uma das ruas, acabamos pegando trânsito novamente, pela segunda vez no dia. Encostei minha cabeça no assento e fiquei olhando enquanto ela acariciava sua barriga com as mãos tomadas por luvas coloridas. Era uma cena linda de se ver, e pensar que aquelas duas pessoinhas eram minhas... só minhas... já me deixava nas nuvens.

- Porque estamos parados há tanto tempo aqui? - ela falou tirando a atenção de sua barriga e olhando para mim.

- Não sei. Não sei o que está acontecendo.. - falei tentando olhar por entre os carros que estavam à minha frente, mas sem sucesso.

Quando o carro andou mais um pouco, consegui ver que tinha um grande caminhão tampando quase metade da rua e alguns operários na esquina de uma casa bem velha. A grade estava meio quebrada, então dava para ver toda sua lateral.

- Acho que vão demolir alguma coisa... - falei andando mais um pouco para a frente.

- Será que vão demolir essa casa? - ela olhou para mim.

- Não sei. Acho que sim.

- Edward... ela tem um pomar na parte de trás... um POMAR... enorme! - suas mãos balançavam e ela se aproximava da janela para ter uma melhor visão. - O que vão fazer no lugar dessa casa? - sua voz aumentou.

- Não sei meu anjo. - meus dedos balançaram nervosamente no volante quando tive uma idéia. - Quer perguntar?

- Não tem necessida... - ela nem terminou de falar e eu já estava abrindo a janela que ficava ao seu lado, me inclinando e chamando um dos operários.

- O que está acontecendo aqui? - perguntei. - Vão demolir esta casa?

- Nããão, não... hoje não... - ele tirou o capacete. - Hoje só vamos arrancar as árvores, a casa será demolida no final de semana...

- O que? - Bella deu um grito dentro do carro, seus olhos arregalados e a boca em espanto. Parece que ela tinha ficado mais branquinha do que de costume. - Porque vão arrancar as árvores?

- A dona dessa casa morreu, o filho herdou, e quer transformar isso apenas em um terreno, para ver se o valor melhora. - ele apontou para os quase "escombros". - Vocês podem ver que essa casa não está nada boa. Ninguém vai querer dar dinheiro nenhum nela.

- Edward, não podemos deixar eles derrubarem as árvores! - ela pegou meu braço com tanta força, que eu mesmo não sabia que Bella tinha tanta força assim. - Elas não tem culpa de nada..

- Mas não podemos fazer nada, meu anjo... - peguei em sua mão. O desespero dela chegava a ser visível, e eu estava começando a ficar incomodado com isso. Não gostava quando ela ficava assim.

- Podemos falar com esse dono! - ela olhou para o operário. - Você sabe como podemos encontrá-lo? - ela perguntou esperançosa.

- Na realidade, ele está aí dentro.

- Edward, fala com ele, por favor! - seus olhos começaram a marejar e eu não sabia ao certo o que fazer. Me senti confuso. Ao mesmo tempo que eu não queria ver Bella chateada eu não sabia como me aproximar do cara e pedir para que ele não cortasse as árvores de seu próprio terreno. Achava loucura, mas por ela eu faria. Por ela eu sempre faria qualquer coisa, contanto que aquele sorriso não esmaecesse. Então estacionei o carro e olhei para ela enquanto tirava a chave da ignição.

- Vamos, meu anjo.

Saímos do carro e assim que encontrei com ela, segurei sua mão. Passamos por aquele portão quebrado, assim como suas grades, e andamos pela grama alta até os degraus da varanda, que também estavam quebrados. A casa realmente era um grande desastre.

Bati na porta e olhei para Bella, que estava com um semblante apreensivo e ansioso.

- Meu sorriso, eu não prometo nada, está bem? - coloquei uma mecha de cabelo atrás de sua orelha. - Mas eu prometo que farei de tudo para que ele não tire as árvores.

- Eu sei. - ela sorriu. - Eu confio em você.

- Pois não? - uma voz forte de homem falou nos chamando atenção.

- Er.. Olá. - falei meio desconertado, achando isso uma grande loucura. Não sabia nem como começar a falar. - É, nós vimos que o senhor está preparando tudo para arrancar as árvores de sua propriedade, e... - cocei minha nuca. Bella olhou para mim e segurou minha mão.

- Nós queríamos que o senhor não fizesse isso. - ela complementou com segurança. - As árvores não tem culpa de nada, e a casa nem é tão ruim assim. O senhor poderia vender tudo como está. - ela disse com um sorriso sincero.

- Querida, você entende alguma coisa de imobiliária? - ele riu. - Isso aqui não vale nem o pão que você come todos os dias de manhã... e as árvores estão todas doentes. Pegaram algum tipo de fungo, erva doninha...

- Erva daninha... - Bella corrigiu. - Isso é fácil de se resolver com os remédios certos e colocando tiras de fumo em suas raízes..

- Eu não tenho tempo para isso, meu amor... - ele falou sacudindo a cabeça. - Eu preciso vender essa casa o mais rápido possível, já acho que estou perdendo tempo demais...

- Mas... o senhor não pode fazer isso! - ela refutou. - Eu recupero as árvores para o senhor, só não as derrube, por favor...

Bella estava tão chateada que meu peito estava doendo com sua persistência.

- Meu anjo, pode esperar por mim lá fora? Dá uma volta pelo pomar, veja as árvores... eu vou conversar com ele.. - falei acariciando sua barriga e dando um beijo em sua testa. - Eu juro que já já me encontro com você...

Ela olhou para mim e para o senhor, que já estava completamente impaciente, e saiu, sua postura corporal mostrando claramente como ela estava triste e cabisbaixa.

- Mulher grávida é um problema não é? - ele riu, com as mãos na cintura. - Elas se apegam a coisas que nunca imaginamos... sua menina parece que está louca por minhas árvores, mas infelizmente eu não posso ajudar. Eu preciso do dinheiro, meu filho.

- Deixe que ela trate das árvores para o senhor, por favor... - pedi. - Ela vem de um lugar no interior de Indiana, e aquilo ali é tudo para ela.. - apontei para o lado de fora. - Ela ama frutas,
ama o verde, e isso é tão importante que sei que seu coração vai ficar devastado se ela souber que essas árvores vão ser retiradas...

- Filho, eu [i]necessito[/i] vender essa casa o mais rápido possível... árvores doentes demoram para ser recuperadas. Não dá. Simplesmente não dá. Me desculpe.

Então num ato de puro desespero eu soltei minha última tentativa.

- Quanto o senhor quer por essa casa?

Encontrei Bella do lado de fora, acariciando a barriga e olhando para os galhos de uma árvore que eu não fazia a mínima idéia qual era, mas dava para ver que estava precisando de cuidados.

- É tão fácil corrigir isso... - ela falou olhando para mim. - Anthony também está solidário, ele não para de se mexer. Ele não quer que elas morram. Não quer que a gente desista.

Abri meus braços e a trouxe para bem perto de meu corpo, dando um beijo em seus cabelos.

- Não se preocupe, meu sorriso. As árvores vão ficar aqui.


Que saudade que eu estava de postar MT! Saudade daqui! Espero que o final de ano de vocês tenha sido muito bom!

Quanto ao capítulo, espero que gostem! Reviews? Obrigada pelas reviews do capítulo passado! Se vocês soubessem o peso que cada uma delas tem para mim...

Prometo respondê-las assim que puder ok? Amo vocês!

Um grande beijo e até semana que vem!