Lock 38: Mundo das Ilusões
- Confronto... -
Wakana nunca foi de tolerar recusas, muito menos o tipo de mulher que aceitava ser rejeitada. Qualquer homem cairia aos pés dela se assim ela desejasse, e, claro, ela estava acostumada a conseguir tudo o que queria, e agora não seria diferente. Nenhum homem jamais se atreveu a rejeitar Sonozaki Wakana, e ela estava convicta de que Kureshima Takatora não seria exceção. Como ele poderia ser, se Wakana é uma mulher linda, exuberante, sensual e rica? Mas Kureshima Takatora não era qualquer homem, e esse detalhe, com certeza, ela não estava levando em conta. Ele não era um homem fútil que se guiava pelas aparências e dava valor a coisas materiais. E para que ele ligaria para isso, sendo ele um homem lindo, elegante charmoso e rico, assim como ela? Ele tinha sentimentos nobres, e sendo um homem nobre, ele dá valor ao caráter da pessoa. E ninguém a sua volta estava livre de seu julgamento pessoal.
Takatora conhecia Wakana, mas Wakana não conhecia Takatora. Para Wakana, Takatora era um homem como todos os outros. Sujeito aos seus desejos e vontades masculinas, portanto, apenas uma mulher nua em sua frente já era suficiente para conquistá-lo. Triste engano o dela... O Príncipe, porém, tinha uma visão clara da vilã. A típica mulherzinha fácil que acha que pode ter qualquer homem sem esforço. A simples filhinha de papai mimada e acostumada a ter tudo o que quer. Mas com ele o buraco é mais embaixo, e se ela pensa que pode conseguir algo com ele, pode esperar deitada.
Agora, esses dois estavam frente-a-frente, prontos para acertar suas contas de uma vez por todas.
Mitsuzane continuava no chão. Embora ele não estivesse gravemente ferido, graças a experiência de seu irmão ao golpeá-lo nos lugares certos sem a necessidade de matá-lo, ele estava obviamente fraco e observava a situação apreensivo. Ele sabia que aquela víbora mataria ele e até seu irmão caso fosse necessário, mas também sabia que Hana era a maior causa de seu ódio. Sem poder fazer nada, ele apenas limitou-se a observar tudo.
- Então, querido? Como pretende resolver nossa situação? Eu tenho uma excelente proposta. Que tal se unir a mim, esquecer todos esses idiotas para desta forma controlarmos um novo mundo cheio de maldade e moldado de acordo com as regras dos Sonozaki?
Takatora apenas a encarou sem modificar sequer um centímetro de sua expressão séria e excessivamente calma. Essa tranquilidade irritava tanto Wakana quanto Mitsuzane, e os dois, e também Hana, esperavam receosos pela fatídica resposta que o Príncipe daria. Tal resposta não foi dada em palavras, mas sim em atos.
Zangetsu sacou sua espada e avançou em direção à mulher a sua frente que nem ao menos se deu ao trabalho de tentar se defender.
- Já devia saber qual seria a minha resposta. Se não se transformar agora mesmo, eu irei atacá-la do jeito que você estiver. – Ele disse, preparando o seu ataque.
- Seu imbecil! Idiota completo! Se fosse mais inteligente, concordaria em ser meu para o resto da vida! – Ela exclamou furiosa.
- Prefiro a morte! – Respondeu decidido, ao prosseguir com o ataque.
- Estúpido!
Wakana se transformou em Clay Doll antes de ser atingida pela espada de Takatora, mas não a tempo de desviar do ataque. O Musou Saber do Zangetsu atingiu a boneca de barro em cheio e a mesma se espatifou em inúmeros pedaços. O Príncipe sabia que não seria tão fácil assim, e ele já estava de guarda atenta esperando o contra-ataque da vilã. Os cacos se reuniram lentamente e mais uma vez formaram a figura da Dopant Clay Doll. Takatora esperava no mínimo um tiro em resposta, mas estranhou o fato de ela apenas ficar parada em sua frente.
Após recuperar sua forma de Dopant, Wakana voltou a sua forma humana. Takatora observou apreensivo, sentindo que o pior poderia vir daquele retrocesso. Suas suspeitas estavam certas depois que ele viu a mulher começar a se transformar diante de si. O cabelo com largos cachos preso em um rabo de cavalo lateral por um laço branco, a blusa de manga branca e o short de linho preto na altura do joelho acompanhado de uma sapatilha branca foram substituídos por um vestido preto longo com uma abertura lateral até sua coxa direita acompanhado de um escarpam vermelho. Na parte de cima havia um decote deixando metade de seus seios à mostra. Os cabelos, antes presos e cacheados, agora estavam soltos e escorridos e uma espécie de tiara negra adornava sua cabeça. O rosto limpo deu lugar a uma maquiagem carregada. Uma sombra negra em seus olhos e batom roxo em seus lábios. Wakana parecia uma bruxa. Após absorver os poderes de Raito através das memórias do planeta, ela adquiriu sua verdadeira forma maligna.
- Então é assim? Vai jogar pesado desde o início? Desta vez você conseguiu me irritar, Kureshima, querido. Desta vez... mergulhe eternamente nas profundezas da escuridão!
Dito isto, Wakana lançou um poderoso raio de energia em Takatora. O ataque o pegou de surpresa e ele foi lançado em uma espécie de buraco negro em sua própria mente. Sua transformação em Zangetsu não existia mais. Tudo em volta dele era negro. Ele não via nada, não sentia nada. Até mesmo o chão que o sustentava pareceu deixar de existir. Certamente tratava-se de uma outra dimensão. Seu corpo parecia flutuar naquele espaço, e era mesmo disso que se tratava. Ele abriu os olhos. Ficara inconsciente por algum tempo, tempo este que ele não fazia ideia de quanto foi. Sua preocupação era sua amada Hana, que com certeza estaria à mercê da loucura de Wakana, e também Mitsuzane. Mesmo depois de tudo o que aconteceu, ele ainda se preocupava com o irmão e não queria que nada de mal o acontecesse.
No mundo real, Takatora estava desmaiado aos pés de Wakana. Mitsuzane conseguiu sentar no chão e Hana estava de pé um pouco mais distante. Os dois não entendiam o que tinha acontecido e Hana estava prestes a entrar em desespero novamente só de pensar na possibilidade de ter perdido seu amado pela terceira vez.
- Desgraçada! O que você fez com ele?! – A Princesa perguntou nervosa.
- Cale essa maldita boca! Ou prefere que eu te mate neste exato momento?
- Não se atreva a encostar na Hana. Você é um demônio, Sonozaki Wakana. Diga logo o que você fez com o Nii-san! – Mitsuzane gritou, incrivelmente demonstrando indignação.
- Não me faça rir, pirralho! Você foi o primeiro a me trair quando tentou matar o meu Takatora. Quem é você para me chamar de demônio? Só falta dizer que está arrependido e que de repente despertou seu amor fraterno por seu irmão. – Rebateu a vilã.
- Não seja ridícula e diga de uma vez por todas que diabos você fez! – Hana gritou sem paciência.
- Já que insistem eu vou dizer. Eu lancei um ataque psíquico na mente dele. Neste momento, Kureshima Takatora deve estar tendo um lindo sonho e dependendo do desempenho dele, ele poderá voltar... ou não. – Explicou.
- O que quer dizer com isso, sua maldita?! Liberte o Kureshima-san agora mesmo! – A Princesa ordenou, apontando seu arco ameaçadoramente para a vilã.
- Não seja abusada, pirralha! Já estou farta de vocês dois! Permaneçam como devem ficar... presos! E compartilhem com seu adorado Kureshima o lindo mundo do interior de sua mente!
Em seu excesso de fúria, Wakana lançou um ataque de ambas as mãos. O golpe prendeu Mitsuzane e Hana em uma espécie de redoma de energia de cor negra, porém transparente, onde ambos permaneceram flutuando de pé com os olhos fechados, inconsciente, presos em suas mentes, assim como Takatora estava, mas de um jeito um pouco diferente. O corpo do Zangetsu, porém, permanecia no chão, do jeito que estava, e ele ainda não podia ver nada além de trevas. Ele abria os olhos, mas não via nada. Não ouvia nada nem sentia nada. Era como se tivesse desaparecido. Instantes depois, ele sentiu seu corpo cair. Suas costas atingiram o chão sobre grama fofa e ele pôde sentir o cheio do mato tomar conta de si. O lugar era o mesmo, a mata que havia virado grama graças a lâmina de sua própria katana, tempos atrás, mas nada mais era igual. Ele pôs uma das mãos sobre seus olhos, incomodado com o brilho do sol que invadia suas retinas. Mas como o sol poderia o estar incomodando, se por causa da intervenção maligna de Ryuube a Lua encobriu o sol e desapareceu logo em seguida? Essa foi a primeira pergunta que veio à mente do Príncipe naquele momento. Esperto, ele logo percebeu que estava preso em outra dimensão.
- Despedida... -
Ren estava no meio da cidade. Ele ainda procurava por Hana desesperadamente. Ele sequer fazia ideia de onde sua irmã poderia estar, e o rapaz estava ficando irritado, pois mesmo depois de tanto tempo percorrendo a cidade, ele ainda não tinha nenhuma pista sobre Hana. Por causa da barreira de Wakana, foi mais difícil ainda localizar Hana, Takatora, ou quem quer que fosse. Ele desceu do Ginjiro e começou a andar pelas ruas. Ele chegou a uma praça onde sentou em um banco. Ele estava cansado de tanto andar, e baixou a cabeça fechando os olhos, apoiando o peso dos braços em suas pernas. A angústia e o cansaço eram grandes. Quando maus pensamentos invadiram sua mente, lágrimas escaparam de seus olhos sem que ele percebesse. E ali ele ficou. Minutos depois, ele sentiu que alguém lhe tocava o rosto e secava suas lágrimas. Ele ignorou tal fato e continuou com os olhos fechados. Ren não tinha cabeça para nada. O céu poderia desabar sobre sua cabeça que ele não estava nem aí. Ele também ignorou quando sentiu seu rosto sendo acariciado e em seguida seus lábios foram capturados em um beijo. Obviamente se tratava de Saeko. Ela ergueu a cabeça de Ren, e sentada ao lado dele o beijou. Ele não estava no clima para esse tipo de coisa, e nem em sonho ele conseguiria corresponder, especialmente se tratando de Saeko, mas ele também não resistiu e Saeko se aproveitou da situação para literalmente agarrá-lo. Em poucos segundos a vilã já havia explorado toda a boca de Ren num beijo quente e sensual. Mas a indiferença dele incomodava e ela interrompeu o beijo. Os dois ficaram de pé, mas ela o abraçou em seguida. Ele, por sua vez, permaneceu quieto. Saeko pôde sentir o corpo de Ren tremer. A alma dele estava cheia de pavor. A preocupação com sua irmã era maior do que qualquer coisa, e ele não sabia se tremia de medo por sua irmã, ou de raiva por estar nos braços de Saeko.
- Eu não suporto te ver assim. – Disse a vilã enquanto o abraçava.
- E eu não suporto mais você. – Respondeu direto ao pegá-la pelos ombros para separá-la de si.
- Você... como pode dizer isso? Por que não assume de uma vez por todas que você me ama? Eu sinto isso em cada beijo seu. – Saeko protestou.
- Como sentiu agora, posso imaginar. – Rebateu frio.
- Está mentindo. Você pode tentar, mas não vai conseguir ser indiferente a mim para sempre.
Enquanto os dois discutiam a 'relação' que nem sequer tinham, Ryuube os observava de longe. Ele ouvia cada palavra deles. O velho teve a ideia de seguir sua primogênita ao notar sua mudança de mentalidade desde o dia em que ficou com Ren. Ele já suspeitava que o garoto azul fosse o responsável por isso. Ele continuou observando para ver até onde os dois chegariam. Nesse meio tempo, Ryuuji havia terminado o conserto do Xtreme Memory de Raito, e também estava à procura de Ren. Ele ainda não tinha chegado à praça, mas estava bem próximo de onde Ren e Saeko eram observados por Sonozaki Ryuube.
- Eu te falei da última vez em que nos vimos que acertaríamos nossas contas.
- E eu respondi que nunca mais iria rastejar aos seus pés de novo. E eu não estou cumprindo, tudo por que eu não desisto de te convencer do meu amor. Eu já disse inúmeras vezes que te amo e que faria qualquer coisa por você. Por que diabos você não acredita?
- Por que insiste em acreditar na própria mentira? Esse amor que você diz sentir por mim é incapaz de existir neste seu coração cheio de maldade.
- Acha mesmo? Mas está enganado. No começo eu pensava que só te desejava como homem. Claro, já que você é lindo, atraente... você salvou a minha vida no nosso primeiro encontro e desde então eu não consegui mais parar de pensar em você. Mas você está certo. Eu não sabia o que era o amor até aquela noite na qual você me ensinou o que esse sentimento significa para os humanos. Eu me senti uma mulher verdadeiramente feliz em seus braços quando você me envolveu em seu amor e bondade tão doces.
- Mesmo que isso fosse verdade, não muda o fato de que somos inimigos.
- Inimigos, inimigos. É só isso que você sabe dizer. Dane-se se somos inimigos. Eu já falei que nunca faria mal a você, e eu nunca fiz. Estou errada?
- Chega de conversa. Eu não tenho tempo a perder com você. Preciso fazer algo urgente.
- Você está angustiado. Eu sei o que o aflige. É a sua irmã, não é?
Ren deteve o próximo passo que daria. Pela primeira vez as palavras de Saeko o interessavam.
- Se quiser, eu posso te contar onde ela está. Mas tenho uma condição: Você terá que ficar comigo de novo.
- Tem ideia do que está dizendo? Você está tocando no que é mais precioso para mim. Se você me enganar, esteja certa de que eu vou acabar com você. – Ele disse ameaçador.
- Você quer saber ou não?
- Tudo bem. Eu aceito, mas já sabe. Se você me enganar...
Saeko não deu importância a ameaça. Ela apenas voltou a se aproximar dele, apoiou suas mãos nos ombros dele e falou em seu ouvido...
O Kureshima mais novo levou a sua irmã para uma casa que pertencia ao pai dele localizada em uma mata fechada perto da área onde o Kureshima mais velho caiu quando o pirralho o atirou penhasco abaixo. Certamente você a encontrará lá. Mas tem um problema... Wakana também foi para lá, e certamente ela vai matar sua irmã.
- Nem vou perguntar se posso confiar em você, pois está claro que não, mas desta vez eu me vejo obrigado a checar a informação.
Ambos continuavam sendo observados por Ryuube, e naquele momento, Ryuuji havia acabado de chegar. Estranhou ao ver os dois juntos, mas decidiu não interromper. Saeko abraçava Ren para se aproveitar da situação, mas ele apenas queria se livrar dela e ir atrás da irmã.
- Viu só como eu te amo? Quer prova de amor maior do que essa? Eu te contei onde sua amada irmã está. Agora eu quero a minha recompensa.
Assim, Saeko agarrou o pescoço de Ren e o puxou para um beijo. Ryuube olhava tudo enfurecido, pois ela contou os planos de Wakana para um inimigo. Agora ele entendia muita coisa. O comportamento estranho de Saeko nos últimos dias era mesmo por causa de Ren. Ela traiu sua família contando a um inimigo o plano de um parente, e isso ele não iria perdoar.
Enquanto se beijavam, Ren sentiu uma imensa aura maligna, e o chão começou a ficar negro debaixo dos seus pés. Ren empurrou Saeko para longe de si e do alcance daquele poder maligno. Ryuube já apareceu transformado em Dopant Terror, assustando o Go-on blue e até mesmo Saeko.
- Saeko! Como se atreve a se envolver com um de nossos inimigos? Mais ainda! Você contou para ele os planos da Wakana. Como pôde ter feito isso? – Ele disse histérico.
- Papai! O que faz aqui? Não é isso que está pensando. – Ela tentou se defender.
- Não seja mentirosa, sua desgraçada! Agora mesmo você vai pagar por me fazer de idiota!
O patriarca dos Sonozaki lançou um poderoso raio negro em direção a sua própria filha, que desviou com dificuldade do ataque por que conseguiu se transformar em Dopant Taboo no último instante. Ren ficou besta com o que presenciou. O pai estava mesmo tentando matar a filha? Bem, já que Mitsuzane estava obcecado em matar seu irmão, com os Sonozaki não poderia ser diferente. O rapaz sentiu seu corpo gelar e uma gota de suor frio escorreu pelo canto de sua face ao perceber o olhar assassino que o Dopant supremo lançou sobre ele.
- Você é o culpado! É o único responsável pela traição da Saeko. Se você não tivesse conquistado o coração dessa idiota, ela não teria me traído. Você deve ser o primeiro a desaparecer!
- Não, papai! Não encoste no Ren. Ele não tem culpa de nada. Fui eu que me apaixonei por ele.
- Cale a boca, sua vagabunda! Como se atreve a falar isso na minha cara?!
Ren não conseguia dar sequer um passo. Seu corpo estava congelado de pavor. Aquela aura maligna era sufocante para ele, e a energia do mal de Ryuube fazia mal ao corpo de Ren, mas pior ainda fazia a atitude que o velho estava tendo.
- Pare com isso agora. Nenhum pai tem direito de tentar matar a própria filha. Você ficou louco? – Ren disse impulsivamente.
- Está preocupado comigo? Isso significa que eu estava certa e que você me ama? Eu sabia que era verdade. – Saeko disse aparentando felicidade.
- Não seja estúpida. Não tem como eu concordar com tamanha monstruosidade, sendo quem seja. – Explicou.
- É. Esse moleque tem razão, Saeko. Minha intenção era matar você pela traição, mas o seu maior castigo... vai ser ver esse seu amado santo ser morto bem na sua frente.
- NNNNNNNÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOO! – Saeko gritou desesperadamente.
Mas já era tarde. Saeko só teve tempo para se transformar em Dopant novamente ao atirar-se na frente de Ren e receber em cheio uma enorme rajada de energia negra que o velho Ryuube lançou sobre o inimigo. Seu corpo de Dopant se despedaçou e ela voltou a sua forma humana, caindo nos braços de Ren, que ficou chocado ao sentir o sangue da mulher lhe atingir a face. Ryuube observou o tamanho da merda que havia feito. Parou por alguns segundos analisando a cena. Sua própria filha gravemente ferida. Todo o seu corpo sangrava. Suas roupas viraram trapos. Ela estava realmente muito mal. Ela abriu os olhos com dificuldade e pôde vislumbrar os belíssimos olhos azuis de Ren que a olhavam preocupado. Aqueles olhos azuis maravilhosos como o céu, maravilhosos como o mar e a cor que o representava. Por um lado, ela se sentiu aliviada por poder contemplá-los pelo menos mais uma vez, nem que fosse a última. A jaqueta de Ren ficou manchada com o sangue de Saeko, que agonizava em seus braços. Ele estava desesperado. A presença de Ryuube não o preocupava. Sua maior preocupação era com Saeko, que aos poucos ia morrendo. Sem hesitar, ele a envolveu com sua energia calma e cheia de bondade. Uma enorme cúpula de luz azulada se formou em volta de ambos e ele tentou curar os ferimentos da vilã usando seus poderes mentais. O pai apenas via tudo de onde estava depois de desfazer a transformação. Transtornado, ele levou as mãos ao topo da cabeça e deu um forte grito, desaparecendo em seguida de dentro de uma nuvem negra e densa de enxofre. Ryuuji viu tudo aquilo sem nem ao menos sentir as suas pernas, tamanho o choque. Assim como Ren, ele também não acreditava no que acabara de ver.
Ren tentava com todas as suas forças curar os ferimentos de Saeko, mas ele logo percebeu que seus poderes não estavam fazendo efeito. Um dano causado por Sonozaki Ryuube não era fácil de curar e certamente Saeko não resistiria por muito mais tempo. Ele apenas sentiu os dedos trêmulos dela tocando seu rosto com dificuldade, deixando sua face ainda mais suja de sangue.
- Não se esforce. Eu estou tentando curar seus ferimentos. – Ren disse cauteloso.
- Está tudo bem. Você não pode me curar. Eu fui ferida pelo meu pai. A energia maligna dele é muito poderosa e venenosa. Eu já entendi que nem mesmo seu grande poder pode me curar. Eu apenas... estou feliz por pelo menos poder morrer em seus braços. Eu acredito que... finalmente consegui te convencer da veracidade dos meus sentimentos por você.
- Eu... não queria que as coisas terminassem deste jeito. Eu juro que não queria. Se eu tivesse acreditado antes... – Ren lamentou.
- Não se preocupe. Eu... eu vou morrer de qualquer forma. Estou feliz, pois pude fazer alguma coisa boa... pelo menos uma vez na vida. Salvar sua vida. A vida do meu amado. Ren, eu te amo. E não consegui pensar em outra forma de morrer... senão em seus braços. Obrigada... por me fazer feliz. – Saeko dizia baixo e pausadamente.
- Saeko... me perdoe... por não ter acreditado antes. Se eu tivesse acreditado...
- Não diga nada. Apenas... – ela tentava falar, ao passar o indicador suavemente pelos lábios dele.
Ren entendeu a mensagem, e, pela primeira vez, deu um beijo sincero em Saeko. Ela se esforçava para corresponder, mas Ren a acalmou como podia. Pela primeira vez eles compartilharam um beijo de amor. Não que eles nunca tivessem feito isso antes, mas naquele momento, Ren podia acreditar que os sentimentos dela por ele eram verdadeiros. Quando eles se separaram do beijo, ele viu a felicidade no roso dela em seu pequeno sorriso. Depois disso, os olhos dela se fecharam para sempre.
- Adeus...
Um último suspiro foi sentido e a última palavra foi dita. Lágrimas desceram pelo rosto dele ao mesmo tempo em que ele abraçava o corpo já sem vida. Instantes depois, ele sentiu uma mão pousar sobre seu ombro.
- Eu não pude dizer. Nem sequer pude dizer... que eu... – Ren dizia chorando.
- Não fique assim. Tenho certeza de que ela entendeu com suas atitudes. Ela se foi feliz. Deu para perceber. – Ryuuji tentou confortá-lo.
- Senpai... você viu tudo? O que faz aqui?
- Senti que a situação piorava cada vez mais e me apressei ao máximo para terminar o conserto do Xtreme Memory do Raito. Estou certo de que esse artefato poderá nos ajudar em alguma coisa.
- Mas infelizmente o Raito está morto. Depois que Saeko o levou para a mansão Sonozaki, eles usaram o corpo do garoto para conectar as memórias da Terra com o próprio poder deles.
- Não se preocupe com isso, Ren. Tivemos sorte por Sonozaki Ryuube ter se retirado, caso contrário, nós não estaríamos vivos para contar. O que precisamos fazer agora é ir atrás da Princesa.
- Vou procurá-la onde Saeko me disse.
Desta forma, Ren pegou o corpo de Saeko nos braços e o levou até um enorme chafariz localizado no centro da praça onde estavam. Uma onda de energia azul envolveu o corpo dele e os olhos azuis do mesmo brilharam intensamente. O corpo de Saeko flutuou até o topo do chafariz, e Ren colocou uma das mãos dentro da água e seu poder começou a congelar toda a construção do chafariz, formando uma enorme escultura em forma de uma flor. Ryuuji olhava admirado, vendo finos flocos de gelo voarem pelo local, e lágrimas escorriam insistentemente pelo rosto de Ren, que também observava sua obra.
- Este esquife de gelo nunca se quebrará. Não importa quem ou o que... tente quebrá-lo.¹
- Ren...
- Vamos embora... Senpai.
- Corrigindo as lembranças... -
Enquanto isso, Shinji e Yuuto chegavam a casa de Akira. Ela estava preocupada e assustada, prestes a ter um ataque de nervos. Ryuki sabia que tinha uma conversa séria pendente com ela, e que a presença de Yuuto era fundamental. Apesar do momento delicado e da pressa que ele tinha, não dava mais para adiar tal diálogo.
- E então, Akira? Pelo visto você fez o contrário do que eu aconselhei, certo? Eu te falei desde o começo que você não deveria se envolver com o Takatora, mas ao invés disso você fez o oposto.
- Sinto muito, Shinji-san. Não fique com raiva de mim. É que acabou acontecendo. Não tivemos culpa de nada. – Justificou-se.
- "Tivemos?" Tivemos é muita gente. Você era a única pessoa sã naquele momento. Isso não é desculpa. Era você quem não devia ter cedido.
- Eu sei. Shinji-san tem toda a razão. A culpa por tudo isso é minha, e não faz ideia de como estou arrependida. Se eu pudesse voltar no tempo... não teria...
- Entendi. Não se preocupe. Você não vai mais sofrer por causa desta lembrança. – Shinji concluiu.
- Eh? O que quer dizer? – Akira perguntou surpresa.
Sem responder, Shinji posicionou sua mão direita aberta na frente da testa de Akira. Uma luz vermelha pôde ser vista e apenas um segundo foi suficiente para que ela perdesse os sentidos e caísse nos braços de Shinji.
- Yuuto, cuide disso. Você já deve ter entendido que não tem como ela conviver com esta lembrança em sua mente.
- Nossa... isso é o que eu chamo de fazer uma mulher cair em seus braços. – Brincou.
- Já reparou em como suas piadas são inoportunas e sem graça? – Perguntou sério depois de levar Akira para o quarto e colocá-la na cama.
Yuuto fez o que deveria fazer, e usou seu cartão do Zeronos para apagar aquele determinado dia da mente de Akira. Aquilo parecia cruel, mas seria melhor para ela do que viver sofrendo por algo que não deveria ter acontecido e sentir algo que era melhor não sentir.
- Pronto Shinji. Terminei o procedimento. Ela não vai se lembrar de nada.
- Ótimo.
- Mas ela deveria ter acordado agora. Geralmente a pessoa recupera a consciência assim que eu termino. Por que ela não acordou?
- Não se preocupe. É o efeito que meus poderes causaram nela, mas ela deve acordar logo. Dentro de uma ou duas horas ela estará bem.
- Menos mal. Agora precisamos descobrir para onde o Takatora foi.
Shinji e Yuuto partiram mata adentro à procura de Takatora, mas naquele momento, algo muito grave acontecia com ele, Hana e Mitsuzane. Por todo o trajeto a calopsita Luz ficou no ombro de Shinji, dirigindo expressões e insultos contra Yuuto, que já estava visivelmente irritado.
- Que saco! Qual é a dessa maldita ave mocoronga?! Eu vou te jogar numa panela e te comer frita! – Ele protestou.
- Seu grande bobão. É muito fácil irritar você, seu besta. – Rebateu a ave.
- Qual é o seu problema? Não passa de uma ave, mas se comporta pior do que um demônio. Você se derrete pelo Takatora, o Ren e o Shinji, mas trata todas as outras pessoas em volta como lixo. Não seja ridícula, pássaro estúpido. – Brigou.
- Já chega vocês dois. Para começar, Yuuto, a Luz é o animal de estimação do Takatora. Além disso, ela não é apenas uma ave, ela é muito importante. – Shinji disse, para apartar a briga.
- Eu não vejo como esse bicho pode ser importante. Você só pode estar zoando com a minha cara, Shinji. – Yuuto duvidou.
- Viu, Yuuto bestão. Eu não sou uma ave qualquer. Sou uma ave de classe. Então você vai ter que me engolir. – Luz provocou.
- Pássaro besta. Seu nome deveria ser "Trevas", isso sim.
- Chega! Vocês dois vão me deixar doido! – Shinji gritou.
- Frieza: Derrotando os Demônios... -
Preso na armadilha de Wakana, Takatora continuava no mundo das ilusões criado pela vilã. Vários cenários passavam pela mente dele. Nisso, Hana e Mitsuzane só podiam observar o que acontecia sem poder fazer nada. Ele não podia ver nem ouvir ninguém naquela dimensão. O local desta vez era uma das ruas da cidade em frente a um galpão abandonado. Mitsuzane estava caído e Wakana, transformada em Clay Doll, estava prestes a matá-lo. Ela ia lançar um raio de energia contra ele que certamente o mataria. Ela estava há centímetros de distância de Mitsuzane e prestes a atacar, quando Takatora usou de sua hábil velocidade e a deteve, mirando a lâmina de sua espada no pescoço da Dopant. A malvada Sonozaki desfez a transformação no mesmo instante e o encarou surpresa.
- Mas olha quem temos aqui... se não é o homem mais lindo que eu já vi na minha vida e aquele que eu quero que seja meu para sempre. – Ela disse cinicamente.
Takatora limitou-se a ignorar qualquer coisa vinda daquela mulher louca. Ninguém tirava Kureshima Takatora do sério, e Wakana não seria a primeira a conseguir. Não, esse gostinho ele nunca daria a ela. Ele a encarou com um olhar frio, e a lâmina de sua espada pressionava o pescoço da vilã. Ele se pronunciou claro e apenas uma vez.
- Nem pense em encostar no meu irmão, caso contrário, eu esqueço meus princípios, esqueço que você é mulher e apenas lembrarei que você é minha inimiga. Eu vou te cortar ao meio. Estou avisando.
Uma gota de suor escorreu pelo rosto de Wakana. Pela primeira vez na vida a mulher sentiu medo. Ela percebeu que ele seria mesmo capaz de cumprir a ameaça e cedeu. Ela deu um pulo para trás, ficando longe dele e de Mitsuzane, que permanecia desmaiado. O Príncipe ficou esperando para ver qual seria o próximo passo dela. A Sonozaki, porém, apenas limitou-se a falar...
- Você é idiota? Por que veio aqui salvar a vida desse imprestável que nem serve para ser um cúmplice? – Perguntou.
- Esse "imprestável" é meu irmão. E mesmo que não fosse, é um ser humano. Não é nada mais nem menos do que isso. – Respondeu direto.
- Humano? Você chama de "Humano" uma pessoa que teve a frieza de tentar te matar duas vezes, ter matado sua esposa envenenada e ainda tentar violentar a sua noiva? Pelo visto você é tão ingênuo quanto burro. Neste caso, você deveria me amar e casar comigo, já que trata seus inimigos tão bem assim. – Wakana rebateu, surpresa com a breve afirmação do Kureshima mais velho.
- Direi mais uma vez: Mitsuzane não é meu inimigo. Ele é meu irmão. Vou protege-lo com a minha vida quantas vezes forem necessárias.
- Não acredito no que estou ouvindo. Querido, você é mesmo um completo idiota. Mesmo que você diga que ele não é seu inimigo, ele não pensa o mesmo. Tome cuidado, pois se ele se levantar atrás de você, com certeza ele é capaz de cravar um punhal em suas costas.
- Eu sei disso. Estou ciente do tipo de pessoa que o Mitsuzane se tornou, e por isso mesmo, meu dever é guiá-lo para que ele se preocupe com mais com ele e não com os outros. Ele ainda tem muito o que aprender, e eu não permitirei que ele morra de jeito nenhum.
- Esse mimimi entre irmãos não me interessa. Eu quero saber de nós dois, afinal, você foi o homem que me deliciou com o melhor sexo da minha vida. O homem mais delicioso que já passou pela minha cama. Aquele que, só de colocar os olhos, já senti que queria que fosse meu para sempre. Vai aceitar o seu destino e governar o novo mundo ao meu lado?
- Tenho pena de você. Que mulher mais patética. Veja o seu linguajar... não tem vergonha de ficar rastejando aos pés de um homem? Minha resposta é, e sempre será, não.
- Imbecil! Como ousa se recusar a mim? Logo eu que sou uma mulher atraente, bela e poderosa. Qualquer homem ficaria honrado se estivesse em seu lugar. – Ela reclamou revoltada.
- Este é o seu erro. Eu não sou "qualquer homem". – Respondeu frio.
- Desgraçado! Então terei que acabar com você antes de acabar com ele. Ótimo! Acabarei de vez com os dois irmãos Kureshima. Já que não posso ter você para mim, prefiro que você morra pelas minhas mãos. Adeus, querido! – Ela gritou, preparando-se para atacá-lo.
De dentro de sua cápsula no que sobrou da casa da floresta, Mitsuzane observava toda aquela situação. Hana também estava muito preocupada. O Kureshima mais novo ficou comovido pelas palavras de seu irmão, e ao ver o modo como ele se empenhava em salvar sua vida causou um enorme impacto de culpa sobre ele.
- NII-SAN!
O grito dado por Mitsuzane no mundo real chegou até Takatora. Tal 'impulso' fez com que o Melon Defender aparecesse na mão de Takatora bem a tempo de evitar o ataque enfurecido de Wakana. Ele golpeou a vilã com o escudo, fazendo-a bater contra uma árvore. Furiosa, ela estava prestes a ter um ataque.
- Filho da puta! Como se atreveu a tocar no meu corpo? Vai pagar por isso. Vai pagar! – Ela gritou enfurecida.
Sem demora, a mulher lançou um Gaia Memory na direção de Mitsuzane. O artefato "espetou" o braço dele, e uma aura densa de cor vinho surgiu em volta dele, desaparecendo instantes depois. O garoto levantou-se do chão e abriu os olhos. Ele tinha uma expressão inerte e um olhar vazio, inexpressivo. Ele estendeu sua mão direita, e uma espada exatamente igual ao Musou Saber de Takatora surgiu na mão do Ryugen.
- Já que não pretende ceder as minhas vontades, vamos ver como você lida com isso... Kureshima Takatora. – A vilã disse insana.
De repente, Mitsuzane caminhou lentamente em direção ao irmão com a clara intenção de mata-lo. Takatora logo concluiu que o irmão mais novo estava sendo controlado por Wakana. Logo, a única coisa que ele conseguia fazer era desviar dos ataques que Mitsuzane desferia contra ele e fazer de tudo para não revidar nem machucar o irmão que já se encontrava ferido. Vendo que aquilo não daria em nada, uma vez que as habilidades de Mitsuzane eram muito inferiores que as de Takatora, a Sonozaki resolveu jogar ainda mais sujo. Distraído com o combate forçado contra o irmão, Takatora acabou sendo atingido por um espinho de metal que Wakana sustentava em um colar em seu pescoço. Este colar possui cinco espinhos, cada um com uma função específica. O espinho feriu o braço esquerdo de Takatora, e uma letra S de cor branca se formou por cima das roupas dele. O rapaz encarou a vilã com notória irritação ao perceber que seu braço começava a se mover contra a sua vontade.
- O que significa isso, Sonozaki Wakana? – Perguntou em um tom calmo, apesar da situação.
- Ah, você não sabe? Então limite-se a saber que o espinho que eu acabo de atirar em você permite que eu controle partes do seu corpo. Como eu acertei seu braço esquerdo, agora ele irá se mover de acordo com a minha vontade.
- Você é um monstro. Mais uma vez você acha que pode me controlar? Achou pouco ter controlado a minha mente?
- Não fique assim, meu amor. Agradeça ao seu irmãozinho ali por isso, afinal, foi ele quem me ajudou nisso.
Enquanto os dois dialogavam, Mitsuzane mais uma vez se preparou para atacar o irmão. Takatora obviamente apenas se defenderia, mas subitamente sua mão esquerda puxou a espada de sua mão direita e acertou Mitsuzane do lado direito do rosto. Indignado, o garoto revidou e conseguiu fazer um corte de raspão no ombro direito do Zangetsu.
No mundo real, Mitsuzane estava desesperado ao ver alguém que não era ele atacando seu irmão novamente. O pior de tudo aquilo é que ele não podia ajudar. Ele apenas gritava o quanto podia, mas em vão.
- Não! Este desgraçado não sou eu! Eu estou aqui. Aquele é um impostor. Nii-san! Não tenha pena dele! Mate-o! Aquele não sou eu... não sou eu... - ele gritava desesperado.
- Agora você está preocupado com seu irmão? Parece piada. Há menos de cinco minutos atrás era você quem estava tentando matar o Kureshima-san. Que ironia. Só falta falar que ficou bonzinho agora.
- Mesmo que não acredite... O que aconteceu nestes últimos minutos me fizeram refletir muito. Eu acho que fui muito injusto. Meu irmão não merecia nada daquilo. Eu fui mesmo um péssimo irmão.
- E mesmo depois de saber de tudo o que você fez, ele ainda está empenhado em salvar essa sua vida medíocre. Você não vale nada. Não merece o irmão que tem.
- Eu estou arrependido. Se eu pudesse voltar no tempo...
- Idiota. Como se arrependimento desfizesse tudo de ruim que você fez.
Mitsuzane abaixou a cabeça. Ele não tinha nem como contestar nada. Só podia ficar calado aturando todo e qualquer tipo de insulto que estivesse por vir, mas Hana não estava interessada em perder tempo com aquele moleque, ela estava muito mais preocupada com seu amado noivo que podia ser morto a qualquer momento.
A luta forçada entre os irmãos continuava. Takatora fazia de tudo para não ferir seu irmão e mesmo com um dos braços não obedecendo mais a ele mesmo, o Chefe da Yggdrasill ainda conseguia manter o controle da situação. Tal fato estava deixando Wakana cada vez mais revoltada, e ela decidiu pôr um ponto final na situação. Enquanto lutavam, ambos se afastaram, ficando de frente a uma certa distância. O Príncipe chocou-se com a próxima ação de Mitsuzane. O garoto apontou a espada que tinha em mãos para o próprio pescoço. Já que a vilã não conseguia a colaboração de Takatora por bem, ela estava disposta a conseguir por mal, não importa o quão sujo ela precisasse jogar.
- O que pretende fazer agora, querido? Vai me obedecer incondicionalmente ou prefere ver a cabeça de seu irmão rolar aos seus pés no sentido literal da palavra?
O Príncipe não respondeu. Ele continuou quieto e aparentemente calmo. Wakana surtava com aquilo. Como ele podia estar tão calmo diante de tal situação? Ou ele era extremamente calmo a níveis sobre humanos, ou era a pessoa mais fria do planeta.
- Já que não vai responder, eu decido por você. Solte sua espada agora. Solte a espada e admita a sua derrota.
Obedecendo a ordem de Wakana, Takatora jogou sua katana no chão. Depois disso, o Kureshima mais velho apontou sua mão direita em direção a Mitsuzane e apenas disse algumas palavras...
- Nível 94: Selamento de Luz.
Ao dizer isso, dez pilares de luz estreitos se formaram atrás do jovem. Por mais que Wakana tentasse controlar os movimentos dele, era inútil. O garoto não se mexia.
- Maldição! O que você fez? Por que eu não consigo mais controlar o pirralho? – Wakana perguntou nervosa.
- Não te interessa. Já falei que não vou permitir que você faça mal ao meu irmão.
- Já que é assim, sofra as consequências, Kureshima! Esqueceu que eu tenho o controle de um de seus braços?
- E daí? Pode controlar até meu coração, mas não irá me vencer.
- O que disse?! Maldito! Prepare-se!
Usando seu poder de manipulação, ela fez com que o braço esquerdo de Takatora se movesse. Com a mão aberta, tudo indicava que ele seria estrangulado por sua própria mão. Sem demora, o moreno usou a lâmina de sua espada e fez um corte em seu próprio braço. Ele fez o mesmo com sua perna esquerda. Seu sangue jorrava por seu braço e perna, mas mesmo com seus tendões cortados, ele não estava arrependido, pois desta maneira, seus membros não poderiam se mover. Tal reação deixou a mulher boquiaberta com tamanha coragem.
- Ficou louco? Você mesmo se feriu! Fez isso para não ser controlado? Como pôde ter coragem para ferir a si mesmo? – Perguntou chocada.
Antes que o Soberano da Lua pudesse responder, a dimensão onde eles estavam desapareceu. Takatora mergulhou novamente em um espaço escuro. Enquanto isso, no mundo real, Wakana gritava de dor, pois seu braço e sua perna esquerda estavam com os tendões cortados. Hana e Mitsuzane não entenderam nada. Como pode os ferimentos que Takatora havia feito nele mesmo terem aparecido no corpo real de Wakana? A Sonozaki estava prestes a ter um ataque.
- Maldito Kureshima! Se atreveu a me ferir! Não posso crer que ele tenha sido capaz de fazer isso. Mas agora... ele me paga.
Preso no mundo das ilusões, o Príncipe não enxergava nada além de uma profunda escuridão.
つづく continua...
Nota¹: Esta frase de Ren eu retirei da frase do Camus de Aquário do ep47, quando Camus enterra o Hyoga num esquife de gelo. É uma honra para mim poder usar uma frase de CDZ numa fic e acho que combinou muito bem com a situação e o sofrimento do Ren.
Nota²: A luta forçada entre os irmãos Kureshima e o controle de Wakana sobre partes do corpo de Takatora eu me inspirei na luta do Byakuya contra o Zommari. Não pude deixar de fazer algo parecido nesta situação, uma vez que foi uma luta que eu gostei muito! Também acho que combinou com a situação. Gomen. Minha mente insana não conseguiu pensar em algo melhor -apanha-
