Sorri e passei meu braço em torno dos seus ombros. Dirigi em silêncio até o local. Era uma Igreja Católica pequena e muito antiga, mas nem por isso menos deslumbrante. A decoração esbanjava luxo entre paredes rústicas. Foi minha primeira vez em tal ambiente e certamente me impressionou.
- Você já tinha visto algo assim? – Bella cochichou sem soltar minha mão.
- Não. Nunca. Você?
- Infinitamente mais simples. Eu frequentava a Igreja aos domingos com minha mãe. Ela sempre dava um jeito de escapar da casa da vovó por uma ou duas horas se estivesse trabalhando.
Me senti um pouco culpado por instigar as lembrançsa da mãe de minha garota. - Desculpe – pedi, sinceramente.
- Por quê? – sussurrou.
- Por fazer você se lembrar de sua mãe. Não quero que se chateie.
- Hey! – chamou minha atenção. – Estas são boas lembranças. Elas não me chateiam. Trazem saudades, apenas.
Nossa conversa foi encerrada quando um abalado Seth Clearwater se aproximou de nós. Eu não esperava o abraço triste e apertado que ele me deu e só pude retribuir silenciosamente.
Por outro lado, Bella acariciou o ombro de Seth e ofereceu-lhe algumas palavras de conforto. – Nós realmente sentimos muito por sua perda, Seth. Confie em mim, apesar de doer tanto agora, com o tempo você ficará feliz ao lembrar os bons momentos. Talvez demore um pouco e garanto que você nunca esquecerá seu pai, mas as lembranças boas vão aquecer seu coração.
Vi duas lágrimas escorrerem pelas bochechas de Seth pouco antes de ele voltar para junto de sua família. Eu estava certo de que o que Bella disse à Seth tinha a ver com seus próprios sentimentos em relação à sua mãe.
Assistimos à missa de corpo presente e voltamos para casa sem acompanhar o cortejo e o enterro do corpo daquele senhor que mal conheci.
Apesar de Renesmee nunca mais chamar pela mãe, Bella e eu estranhamos o fato de Tanya não fazer mais nenhuma chamada telefônica. Imaginamos que seria difícil se comunicar com frequência estando embarcada e cheia de trabalho, mas não que isso seria impossível. A filha era um bebê ainda e estava sob os cuidados de dois adolescentes inexperientes. Seria normal um pouco de preocupação.
Estávamos os três deitados no tapete felpudo da sala de TV quase um mês após a chegada de Nessie. Bella tinha feito chocolate quente cremoso e aproveitamos o clima mais frio do Outono para acender a lareira.
- Sinto que não terei tempo de me acostumar com a partida de Nessie – Bella lamentou acariciando os cabelos do bebê, que estava tomando sua mamadeira e balançando as pernas de um lado para o outro.
Esses quase trinta dias em que Renesmee estava conosco realmente tinham feito diferença. Além do evidente ganho de peso, Nessie cresceu cerca de cinco centímetros, ganhou mais dentes, aprendeu novas palavras, passou a andar sem apoio e conquistou nossos corações. Ver Bella falar sobre sua partida iminente apenas me lembrava que nosso apego não seria bom para ninguém.
- Me diga como ignorar esta preciosidade? – minha garota não respondeu. Ela sabia que minha pergunta era retórica, pois não havia meios de não se encantar com a pequena.
- Se Tanya nos desse um prazo, pelo menos eu poderia tentar aceitar que Nessie vai embora. Agora, imagina se sua prima chega aqui amanhã cedo e leva a menina.
Certamente não seria um quadro bonito de se imaginar. Bella seria a mais afetada. Mas e quanto a Renesmee? Será que ela sentiria nossa falta? Choraria quando tivesse que ir embora?
Passei o mês evitando este tipo de preocupação, mas tinha chegado a hora de tentar ser adulto mais uma vez. Eu faria o possível para que Bella sofresse o mínimo. Só não sabia como.
Fiquei feliz ao descer as escadas e ouvir um borburinho vindo da sala de jantar. Apesar do tempo que nossa família não se reunia para uma refeição, a cena era vívida em minha mente: meu pai na ponta da mesa com minha mãe à sua direita e meu lugar reservado à sua esquerda. Ao meu lado direito, a minha garota, a razão da minha alegria. Bella.
Conforme me aproximava do cômodo, à passos lentos e com um sorriso no rosto, identificava cada voz familiar.
"- Bella, experimente este cozido", minha mãe insistiu.
"- Esme, meu bem, pare de deixá-la constrangida. As garotas preferem seguir dietas hoje em dia e você não dá margem para que Bella diga 'não'", foi meu pai tentando conter a euforia gastronômica de Esme.
"- Não se preocupe, Carlisle. Eu amo a comida da Esme e faço questão de limpar o prato", Bella, como sempre, tão gentil.
"- Dá, dá, Béia!", gritou Nessie, o acréscimo à nossa família.
Quando entrei na sala de jantar, todos olharam para mim, sorrindo. - Olha quem resolveu dar o ar da graça – brincou Carlisle.
Dei um beijo no topo da cabeça de Esme, um na bochecha de nessie e o mais ansiado por mim, na boca de Bella. Foi rápido e sem malícia, mas o suficiente para me lembrar onde é o meu lugar.
- Conseguiu descansar? – Bella perguntou, preocupada e esquecendo-se de levar o garfo com um pedaço de cozido espetado até a boca de Renesmee.
Me sentei ao seu lado e sorri com seu interesse. Ainda estava meio aéreo, mas conseguia pensar e falar com coerência. – O suficiente por agora.
Ver como Bella sempre se preocupava comigo me dava certeza das minhas decisões, como, por exemplo, contar os dias para que um certo anel de compromisso deixasse o fundo de uma das gavetas do meu quarto.
- Edward? – assustei quando minha mãe falou meu nome um pouco mais alto. – Está sonhando acordado, filho? – todos riram. – Deste jeito você vai ter que desistir do Hospital.
- Jamais! É ó falta de costume – esclareci apressadamente.
A verdade é que eu estava morto de cansaço. Por volta de três horas da manhã, Carlisle foi chamado ao Hospital para uma reunião de emergência. Tratava-se da discussão sobre um procedimento caríssimo em carater Pro Bono. Meu pai sabia de meu interesse no assunto e propôs que eu o acompanhasse.
Incentivado por Bella eu o segui, mas não imaginava quão demorado e cansativo seria meu dia.
Voltamos para casa quase doze horas depois e, apesar do significante aprendizado, eu não conseguia ficar com os olhos abertos. Tomei um banho rápido e só tive forças para vestir uma cueca.
"Acordei, ou melhor, fui acordado, pouco antes do jantar por Bella. – prometo deixar você dormir a noite toda se você se juntar a nós durante o jantar", garantiu (chantageou-me) com beijos no pescoço, costas e boca.
E por mais que eu preferisse passar a noite acordado fazendo amor, não estava em condições de tal prática e atendi seu pedido carinhoso.
- E que horas vocês vão sair? – perguntou minha mãe. Eu não fazia ideia do que e com quem ela estava falando. Apenas procurei a pessoa que responderia seu questionamento.
- A Alice quer ir bem cedo. Disse que temops muita coisa para comprar e não quer perder tempo – Bella explicou.
Do que elas estavam falando?, me perguntei. - O que foi que eu perdi? – externei minhas dúvidas.
- Rosalie, Alice e eu vamos comprar os móveis dos apartamentos amanhã e, pela animação das duas, ficaremos fora o dia todo.
Como nós seis decidimos estudar em Darthmouth, as garotas ficaram empolgadas com a mudança. Ficou estabelecido que Alice e Rosalie morariam juntas, Emmett e Jasper viveriam em outro apartamento e meus pais não se opuseram quando Bella e eu mencionamos a vontade de dividir nosso próprio canto.
Nossos pais se encarregaram de escolher os imóveis e, no final das contas, os três apartamentos ficavam no mesmo edifício, há poucos quilômetros do Campus.
As garotas ficaram encarregadas da decoração. Alice e Rosalie tinham carta branca dos garotos (e dos pais deles) para decorar como bem intendessem cada habitação. Já Bella e eu fizemos questão que apenas ela fosse a responsável por tudo que tivesse a ver com nosso lar. O primeiro espaço realmente 'nosso'.
- Mas se vamos morar em New Hampshire, por que comprar a mobília em Nova Iorque? Vai dar trabalho fazer mudança, amor – tentei ponderar.
- Entendo sua preocupação, mas Alice está preparada para isso – riu. – Quero dizer, vamos escolher tudo aqui e a filial de lá da loja fará a entrega. Não se preocupe. Está tudo sob controle, eu acho.
- Faz sentido. Quer dizer que amanhã você vai ficar longe de mim o dia inteiro? Isso é cruel – fiz um bico e um pouco de charme.
Bella me beijou. – À noite eu compenso – sussurrou em meu ouvido e eu respirei fundo para não ganhar uma ereção à mesa, como já aconteceu no passado. – E você terá Esme e Nessie para te bajularem.
