Capítulo trinta e sete: Se é Guerra que eles querem

Por Kami-chan

O ruivo andava, nem lento nem rápido, tinha pressa, mas aqueles que lhe olhavam com medo e curiosidade não deveriam ver isto. Sentia a movimentação, a aflição na energia da natureza em torno de si, e sabia da movimentação discreta de muitos homens em torno de si. Devia ser a polícia, ou a vigia daquela vila, mas sabia que eram apenas homens comuns, e sentia o medo de todos eles lhe dando força.

Aquilo aparentava ser fácil demais, não sentia nenhum chakra além dos de seus próprios homens em toda extensão daquela vila. Seria possível que mesmo após as poucas, mas sangrentas, batalhas travadas sobre suas terras não foram o suficiente para o líder se prevenir? Aquilo era estranho.

Viu o mar de homens se formar diante os seus olhos cerca de dez metros da porta de entrada da principal construção daquela vila, e parou. Eram muitos em número, mas ele sabia que nem se fossem cem shinobis seria muito para si em questão de força.

– Quero conversar com seu líder. – Disse em tom alto, mas muito mais baixo que um grito. Apenas uma voz firme e altiva.

Ela jamais chegaria atirando todo seu poder contra pessoas normais, a guerra que fora a sua primeira tinha lhe ensinado isso. A lição de não atirar sua ira sobre os ombros de quem não tinha uma chance justa de se defender estava cravada de maneira profunda sobre si.

– Akatsuki, vocês não tem permissão. – Um dos homens da linha de frente falou.

O ruivo portador do rinnegan achou aquilo engraçado. Eles sabiam que não tinham chance, sabiam a que organização ele pertencia, mas ainda assim estavam ali, dispostos a se colocar em seu caminho. Ele riu de forma debochada, não estava subestimando o inimigo, principalmente porque suas forças não eram sequer comparáveis.

– E quem aqui acha que pode me impedir? – Perguntou.

– Podem ser shinobis – O mesmo homem falou – Mas ainda são apenas dois.

Aquilo sim acabou com o pouco de paciência que Nagato tinha. Era uma insolência, eles estavam lhe subestimando, ele, Deus. Apenas deu de ombros e uniu as duas mãos espalmadas uma na outra, e no mesmo instante em que elas se separaram novamente, o mar de homens havia sido jogado ao longe.

Nenhuma palavra mais foi dita. O ruivo entrou no prédio imponente, se comparado às demais construções da vila, e fechou a porta deixando o corpo que tinha trazido consigo de guarda ali do lado de fora. Aquilo era cansativo, oh se era, por de veras cansativo.

– Hum.. eu sabia que era apenas uma questão de tempo. – Disse um homem de cabelos aloirados e mais alto que Nagato.

– Uma questão de tempo? – Indagou Pain.

– Para algum de vocês, shinobis em conflito tentarem tomar minha pequena vila. O que querem aqui? Não temos grandes riquezas, não temos grandes soldados. Somos apenas comerciantes de animais para abate. – ele disse após um suspiro, finalmente virando-se de frente para o seu visitante.

– Eu quero o seu hospital. – Disse sem querer se aprofundar muito no assunto.

– E por que veio pedir? Foi fácil demais apenas invadir e roubar medicamentos como fizeram da última vez, Akatsuki? – Fez menção a Ino, quando a mesma furtou equipamento e medicamentos para cuidar de Sakura.

– Você está muito calmo para quem nos conhece. A que vila shinobi pediu reforços? – O ruivo perguntou sem exceder o tom de voz.

– A todas cujos ninjas meu dinheiro podia pagar. Pântano, Céu e Estrela.

– Mas você continua sozinho aqui...

– Os três governantes largaram a missão quando souberam que Akatsuki estava envolvida numa guerra contra ninjas da folha.

Nagato nem perguntou o motivo para não ter requerido ajuda da própria folha, pois se a vila da Estrela era o melhor que ele poderia pagar, não conseguiria comprar nem missões rank A de Konoha. Apesar de que, tendo uma guerra no meio...

– O que você solicitou a essas vilas, afinal? – Perguntou sem demonstrar curiosidade.

– Que mantivessem qualquer ninja longe desta vila.

Ele era um tolo, tinha um hospital e era uma vila focada em gado para abate. Poderia oferecer abrigo e comida em troca da segurança de sua vila. O que ele tinha para oferecer era muito mais precioso em uma guerra do que dinheiro.

– Bom, não estou interessado no seu dinheiro, apenas no seu hospital. E posso garantir que sua vila se manterá intocada.

– Você faz parte do lado que todos temem, do lado que ninguém quer ficar...

– Está errado. Eu estou do lado que todos têm medo de enfrentar.

– Correto, você é o bandido. – Acusou o homem de fios claros.

– O mocinho só pensou no dinheiro que você não tem. Eu só quero usar o seu hospital.

– O que fará com as pessoas que necessitam dele?

– Quem estiver internado se manterá em tratamento normalmente. Ele se manterá aberto para urgências e emergências, minha equipe precisa apenas do bloco cirúrgico.

– Vão fazer experiências no meu hospital! – acusou.

– Não. Mas se você quer que essa guerra acabe, me deixará usar o seu hospital.

– Como pode me garantir que essa guerra se manterá longe da minha vila?

– Pergunte aos seus homens corajosos lá embaixo, eles sabem que é fácil pra mim manter qualquer coisa longe. – disse já dando com desdenho, para si era evidente que tinham um acordo. – Mas é claro que se romperem com o nosso acordo, essa vila e seus habitantes deixarão de existir em segundos.

– Esta é uma vila pacifica, não quero o sangue sujo de vocês ninjas manchando nosso passado impecável.

– OK, então eu vou mudar o meu discurso. Ou você colabora comigo, ou eu vou extinguir essa vila e assim você poderá ficar tranquilo, seu passado glorioso não será manchado quando não houver mais uma vila ou aldeões para você liderar.

– Você joga sujo.

– É culpa do meu sangue shinobi sujo.

– No fim, eu não vou ter escolha. Não é mesmo?

– Sabia que você era inteligente o suficiente para entender.

– Então me diga por que veio até aqui, somos uma vila que não é capaz de oferecer resistência. Era só entrar e fazer o que bem entendesse.

– Está certo, esta não é uma vila shinobi. Se você colaborar comigo e permitir que meus ninjas usufruam livremente daquele hospital enquanto estiverem aqui, sem fazer a besteira de tentar comprar alguns ninjas para nos atrasar, eu não vou ter interesse nenhum em prejudicar esse lugar.

– Você fala como se importasse para vocês nossas vidas simplórias.

– Temos um acordo? – disse em resposta ao comentário.

– Vou solicitar aos aldeões que não saiam de suas residências. Vocês podem usar o meu hospital.

– Está fazendo a coisa certa. Não se arrependerá disso depois.

E sem nenhum aviso o corpo que havia ficado guardando a porta daquele lugar invadiu a sala. Silencioso, se postou ao lado do ruivo e de frente para o governante.

– Esse cara vai ficar com você. Não invente de fazer nenhuma gracinha, requisitar a ajuda de alguma outra vila ou coisa do tipo, pois eu vou saber imediatamente. – disse olhando para o loiro e apontando para o corpo que ele deixaria ali. – Mostre-se um bom governante e de as ordens a sua vila agora, por favor. Se quiser me encontrar, estarei no hospital.

Assim saiu, deixando o jovem governante para trás. No caminho passaria por Hidan, e chamaria mais duas pessoas para colocarem um selamento em torno da cidade. Ninguém poderia sair ou entrar ali, mas para isso tinha que esperar Ino, Konan, Sakura e Deidara.

.:.

– Avise ao líder-sama! – Gritou uma enfermeira para uma menina mais jovem, que deixou a pequena bandeja que trazia em mãos cair quando saiu correndo.

A mesma enfermeira tratou de seguir os homens uniformizados com capas negras cheias de nuvens vermelhas. Já tinha visto aquilo antes quando uma menina loira invadiu seu hospital, não deixaria que fossem roubados novamente.

– Hey... hey... – Tentou chamar sua atenção enquanto os seguia, mas nenhum deles lhe deu bola. – Isto é um hospital, não podem entrar assim! – Disse realmente zangada.

O homem com cara de tubarão bufou cansado, a voz daquela enfermeira lhe causava asco, era aguda demais. Virou-se de súbito e encarou a mulher bem no fundo de seus olhos, vendo com prazer, ela tremer sutilmente de medo.

– Isto é um hospital, faça silencio. – Disse Kisame com aparente raiva na voz baixa e controlada.

Aqueles corredores claros demais, aquele cheiro de soro no ar e mais aquela vozinha irritante estavam o deixando muito perto do descontrole. Aquele lugar era insuportável. O tubarão se virou novamente para frente para voltar a seguir os companheiros, tentando não se importar com cada rosto apavorado das jovens enfermeiras que passavam por seu caminho.

Não saberia fazer o caminho de volta exatamente por onde tinham passado, mas ficou satisfeito ao ver Kakuso e Itachi seguirem as placas de indicação até, finalmente, chegarem no que aparentemente era o tal do bloco cirúrgico. E se possível, o ambiente ali era ainda mais incomodo. Havia uma bancada barrando a passagem, que dava uma vista ampla de alguns corredores dali.

A direita da bancada havia uma porta e Kakuso colocou a mão no trinco sem nem se dar ao trabalho de se apresentar para uma mocinha que já os olhava com ar de reprovação. Era óbvio que não lhes era permitido entrar ali, mas também não era permito entrar no hospital sem ser estar em tratamento ou para fazer visitas a amigos doentes.

– Com licença – Aquela enfermeira que os seguiam se fez ouvir mais uma vez, com a mão espalmada na porta que Kakuso tinha aberto, empurrando a mesma para fechá-la antes que eles entrassem ali. – Já disse que vocês devem sair, não tem permissão para estar aqui.

– Ahh como a voz dessa mulher me irrita... – Reclamou Kisame.

– Itachi, resolva isso sim. Explicações fazem parte das tarefas de Pain, nós temos que deixar tudo pronto sem essas pessoas nos incomodando. – Disse Kakuso levemente irritado.

E no minuto seguinte, o corpo da enfermeira caía amolecido. Safo de tocar o chão com violência ao ser seguro pelo moreno. O que ela viu, ninguém jamais saberia, eles conheciam apenas o guia daquela viajem que ela faria, orientada pela luz rubra de seu sharingan. Ao acomodar o corpo desfalecido no chão, foi a vez da menina que estava além da bancada.

Ela tinha tentado um grito alto e agudo ao ver a colega simplesmente desmaiar, mas não tivera tempo nem mesmo de fechar a boca, pois fora igualmente calada pelos olhos rubros que a colocaram em outro mundo. O corpo dela fora igualmente seguro por Itachi antes de tocar o chão. Ambas foram deixadas para trás quando Kakuso finalmente conseguiu abrir a porta.

Ao entrarem naquele ambiente, Kakuso foi logo ditando as regras. Permitindo que os outros dois visitantes pudessem ter uma ampla vista daquele corredor. Estavam em um lugar quase apertado demais para três pessoas, mas era proposital, pois ninguém podia passar daquele ponto sem se prevenir com os objetos dispostos em ordem em uma estante. Mais adiante havia duas portas, uma indicando o feminino e a outra, o masculino.

– Aqui dentro, nada que teve contato com o lado de fora é permitido. Devem tirar suas roupas por aquelas – Disse apontando para um dos compartimentos da estante, onde havia vários rolinhos de um tecido fino e leve. – Também devem usar as mascaras e os pro pés. Itachi-san, como tem cabelo comprido deve usar a toca. Kisame-san como tem cabelos curtos pode usar essa aqui – disse lhe indicando um gorrinho de amarrar.

– Hehe, to me achando o médico. – Vrincou o tubarão pegando todas as coisas indicadas por Kakuso.

– Lá dentro, a máscara até pode ficar abaixada enquanto não estivermos ajudando Sakura. Mas as tocas e os propés nunca devem ser tirados. Entenderam?

– Hai.. – Foi Itachi quem lhe respondeu. – Mas, se Sakura pretende... Kakuso-san Sakura quer trazer Deidara do buraco direto pra mesa de cirurgia pelo o que entendi.

– Como ela vai fazer isso eu não quero nem perguntar. Mas então teremos que manter tudo na sala longe de Sakura até que ela esteja adequadamente vestida. Vamos arrumar tudo logo. – Disse pegando mais um jogo de roupas e equipamentos para quando a rosada chegasse.

– Certo, vamos logo. Ela não saberá para onde vir enquanto eu não estiver na sala para lhe da a indicação.

.:.

– Como você está se sentindo? – A loira gritou.

– Bem. – Konan respondeu vagamente.

– Estamos perto, ainda lembro o caminho para o pequeno hospital.

– Acha que está tudo certo por aqui? Estou achando a cidade quieta demais. – Argumentou a azulada que ainda era carregada por Ino.

– Talvez você devesse entrar em contato com Pain pra saber se podemos simplesmente seguir para o hospital.

– Hai. Pare um pouco, por favor. Itai. – Disse segurando a barriga ao ser colocada no chão.

– Você vai ter um longo período de descanso Konan, e na sua situação, isso já está se tornando uma ordem.

– Como se estivéssemos em condições de perder tempo com repousos. – Respondeu o anjo, já se posicionando para se comunicar com Nagato.

Daquela forma ficou sabendo do acordo que tinham com o líder daquela vila, bem como grandes avisos foram vistos pregados nos postes que levavam a rua principal do centro. Em todos eles o pedido para que os aldeões apenas saíssem de suas casas em casos de urgência e o aviso de que os "ninjas de preto e vermelho" transitariam livremente pela vila nos próximos dias era claro.

Nagato também havia lhe informado que estava no hospital com os outros Akatsukis, mas que Ino e ela deveriam permanecer no chafariz do centro da cidade. Nagato estaria lá com mais um ninja e eles quatro colocariam uma barreira de proteção em torno da cidade. Ninguém poderia sair e nem entrar ali, salvo Sakura, que segundo Itachi se quer seria sentida por uma barreira física.

Com calma, Ino e Konan caminharam até o dito chafariz. Não fora nenhuma surpresa ver que Pain estava ali com Hidan, caminhar com calma e a passos lentos foi uma ordem explicita da loira para a amiga grávida, já tinham problemas demais para Konan entrar em trabalho de parto antes do tempo. O ruivo dos olhos em espirais não conteve o alivio na expressão séria ao ver a menina que caminhava com certa dificuldade, fazendo as mechas azuis balançarem de um lado a outro ante a face cansada.

Konan não entendia como podia estar se sentindo assim tão dolorida, cansada e pesada, mas deixaria que os outros percebessem o quão abatido estava. Era uma shinobi, e não deixaria a organização na mão em um momento desses, mas também não pode reprimir um gemido ambíguo que escapou seus lábios no momento em que o ruivo lhe abraçou com demasiada força. Era impossível por aquele gemido distinguir dor ou alívio por parte de Konan.

– Você está bem? – Perguntou o ruivo largando a amada, jamais se perdoaria por não ter ido atrás de Konan se algo estivesse errado.

– Tudo certo. – Respondeu-lhe tentando sorrir.

Havia uma cólica lhe incomodando desde que usara um jutsu para se afastar do soco carregado de Sakura, mas por certo que isso tinha acontecido por ter corrido e dado um pequeno pulo. Essa cólica até tinha passado até o momento em que Ino a colocou em suas costas e retomou a corrida, não era algo para se preocupar, agora que estaria novamente em repouso a cólica reincidente sumiria novamente, tinha certeza disso. Por isso não havia motivo para alarmar seu amado com coisas bestas como uma simples cólica. Quantas cólicas já não tivera na vida?

– Vamos fazer a barreira dos quatro pontos, assim ninguém entra e nem sai da vila. – Disse o ruivo olhando para a nova líder da sua organização.

– Certo. É a melhor garantia de que o líder dessa vila não banque o espertinho e tente uma aliança com Konoha, ou qualquer outra vila shinobi. Também impede que sejamos atacados de surpresa até compreendermos bem o que realmente está acontecendo. – Concordou Ino.

– Não penso que ele seja inteligente o bastante para negociar com Konoha, mas nunca se sabe. O principal é saber que vamos manter Sasuke longe enquanto estivermos focados em Deidara. – Completou o ruivo, fazendo os olhos de Ino se arregalarem no limite que sua anatomia lhe permitia.

– Sasuke está... vivo? – Perguntou chocada.

Como podia? Como podia Sasuke ter feito aquilo tudo com Deidara, exigido que o loiro usasse o limite extremo de suas habilidades shinobis, quase o levado a morte e ainda assim ter saído ileso?

Havia uma dor muito grande em si, a dor do filho que perdera, do homem que acreditava ter perdido, uma esperança quase esmagada em seu peito lutava para se manter acesa enquanto Sakura lhe dizia que estavam perdendo Deidara de verdade. Ahh sim, aquela dor era grande demais e não se convertia mais em desespero como quando tinha acordado, toda aquela dor estava convertida em raiva.

Como podia? Os olhos vorazes da loira se comprimiam, todo o silencio em seus lábios gritava nas íris azuis, escurecidas pela raiva. Era impossível Sasuke ter saído bem daquela explosão, e se era assim, aquela era a hora de encontrá-lo, aquela era a hora de acertar seus ponteiros com o antigo amigo.

– Vamos fazer logo essa barreira, depois nós dois vamos conversar sobre nossa estratégia até que Sakura chegue. Pois se é guerra que eles querem... – As palavras de Ino morrem ali.

– Eu quero ficar com o ponto norte. – Disse Hidan – Senti o cheiro de corpos em leve decomposição, é longe do campo de batalha, quero saber quem foi descartado assim.

– Certo, toda informação é lucro. Essa guerra tem cheiro de mal entendido desde o começo para mim. – Disse o ruivo.

– Principalmente porque não há nenhum interesse em evidencia nela. – Completou Konan.

– A nossa estadia aqui nessa vila nos deixará expostos mais cedo ou mais tarde, teremos que pensar com rapidez e agir com rapidez. Vamos colocar um fim nisso. – Disse a loira.

– Hidan norte, certo. O hospital é para o leste, Konan eu quero que você vá para lá, assim será um tanto menos que terá que andar. Eu fico com o ponto sul. – E terminou por ali, já se colocando na posição certa.

Cada um na posição de seu ponto cardeal específico, uns de frente para os outros, começaram a fazer a longa cadeia de selos todos juntos, ao mesmo tempo. Não podiam falhar, os íns tinham ser feitos com completa sincronia, bem como os passos deveriam evoluir ao mesmo tempo em cada direção. A luz azul que surgiu entre os quatro ninjas se intensificava e aumentava a medida que eles se afastavam, e em questão de tempo toda a cidade estaria dentro daquela cúpula de chakra.

.:.

Estava tudo certo, tudo preparado. Itachi sabia o que Sakura queria fazer, queria usar a comunicação que tinham através do Tsukuyomi para conduzir Deidara. Mas aquilo não passava de uma ilusão, que normalmente era letal aos seus adversários, mas ainda assim, apenas uma ilusão. Não entendia como ela conseguiria trazer o corpo físico de Deidara, mas tinha uma vaga noção, afinal até mesmo o Copy ninja Kakashi tinha aprendido, com um olho inferior, criar uma nova dimenção.

Itachi não sabia se sua Sakura estaria pronta para tanto, haviam treinado intensivamente, mas ainda assim havia uma grande diferença entre treinar e usar os olhos de Madara efetivamente. Ainda assim confiava na rosada, ela já tinha se mostrado muito mais capaz do que todos ali supunham sobre sua pessoa, e calmamente desenhou um kanji sobre o lençol da maca no centro da sala de cirurgia, em seguida sentou-se no chão por ali e se pôs a meditar para entrar de um modo único em Tsukuyomi.

Na floresta, há quilômetros dali, Sakura já tinha feito tudo o que podia por Deidara ali. Pequenas lesões e lesões externas podiam ser curadas com pouco chakra, poderia acelerar o mecanismo de colagem dos ossos em algumas das fraturas mais simples, mas isso exigiria uma quantidade maior de seu chakra, e isso ela não podia lhe dar agora.

Tinha que se guardar para conseguir levar o loiro consigo. Coisa que nem mesmo Itachi sabia, era que além dos treinamentos, Sakura estava se auto examinando enquanto fiava presa na sala de enfermagem da Akatsuki cuidando de Ino. Tinha estudado Itachi e Madara, e em si podia comparar as diferenças que vira nos dois, consertando também em si a lesão que tirava aos poucos a luz daqueles olhos, bem como tinha feito com Itachi.

Mas o dom que Madara havia passado para si era diferente em alguns pontos, isso era claro para si após comparar o sistema nervoso dos dois Uchihas com o seu próprio após ter ganho esse dom de Madara. Se ela se concentrasse nos pontos certos...

A Akatsuki já devia ter chegado á vila, então tinha que averiguar se Itachi já estava lhe esperando, e a partir desse ponto, faria o que pudesse por Deidara no hospital. Principalmente suas lesões internas mais profundas. E sem deixar de mexer no corpo do loiro, apenas fechou os olhos, para logo sorrir de modo involuntário ao ver as costas do moreno naquele mundo completamente seu. Ele já estava desenhando um kanji no chão.

– Itachi. – Chamou, e o moreno se virou para si. – Como soubea o que eu pretendia? – Perguntou curiosa.

– A teoria é simples. – Ele respondeu vago. – Já vi Madara fazer isso com o corpo de um espião. Claro que eu não tive a oportunidade de observar isso de dentro do jutsu.

– Eu não tinha pensado em trazer o corpo de Deidara para cá. Tinha apenas pensado em usar a comunicação para pegar o selamento com você. – Explicou.

– Também da certo, mas exige muito mais chakra. O que você faz em Tsukuyomi não lhe consumirá nada. Depois nos o levamos para o hospital.

– Tsc.. ele tem um pedaço do baço esmagado e uma lesão grande em um dos rins, isso sem falar do trumatismo craniano que está deixando o cérebro dele inchado demais. Aí tem as múltiplas fraturas pelo corpo, que eu poderia curar com chakra, mas com o baço e um dos rins falhando eu o mataria.

– Isso quer dizer que...

– Não posso fazer nada por ele aqui, preciso operá-lo. Com pelo menos o baço regenerado eu posso exigir que o corpo dele reaja ao induzir a cura com chakra. Também vou ter que deixá-lo em hemodiálise, temo que aquele hospital pequeno não tenha isso.

– Se não tiver nós vamos dar um jeito. Mas eu insisto que será para você levarmos ele por aqui.

– OK, vou buscá-lo.

.:.

– Sakura-san, é sempre bom vê-la. – Disse Kakuso a recepcionando.

– Obrigada Kakuso-san. – Respondeu-lhe com um sorriso. – Eu agradeceria muito se você ajudasse Itachi a despir Deidara, não movimentem o corpo de forma alguma. Preciso também que se lave depois e me auxilie na cirurgia. Eu vou me trocar.

– Pensei que a Ino fosse te ajudar. – Disse o mais velho.

– Ino tem alguns conhecimentos médicos sim Kakuso-san, sabe jutsus de cura e faz tudo muito bem, mas nessa situação eu prefiro você. E também não quero a loira aqui dentro, por isso Kisame-san por favor, crie uma barreira na entrada desse ambiente. Ino não deve entrar aqui de jeito nenhum.

– Mas... – Ele tentou argumentar, sabia que assim que soubesse que Sakura já estava ali ninguém convenceria a loira a ficar longe.

– Sem mais Kisame. Ino é minha amiga e líder dessa organização, mas é impossível pensar que ela entrará aqui e entenderá a forma como eu vou ter que trabalhar. Sem falar que o risco que temos de perder Deidara é grande demais para ela não me deixar trabalhar direito.

– Kisame, apenas faça o que Sakura está pedindo. – Disse Itachi usando de um tom, que mesmo após as claras mudanças que a flor de cerejeira tinha trazido a sua personalidade, ninguém ousava ir contra.

.:.

Sasuke andava impaciente de um lado a outro na casa que tinha invadido. Não fora grande trabalho para si seguir uma enfermeira saindo de seu turno no hospital e surpreendê-la em seu lar, na verdade a grande sorte foi ter aquela luta em uma vila com hospital. Nem todas tinham.

Foi fácil convencer a jovem técnica de enfermagem lhe ajudar. Quem não ajudaria quando sua própria vida e a vida de seu pequeno filho estavam em risco? Sim, fora assim que obrigou aquela moça a lhe fazer curativos e lhe trazer medicamentos furtados do hospital, com a lâmina gélida de sua Katana rente à pele delicada do pequeno Yuu. Um menino de cinco anos, filho da jovem técnica solteira.

Sasuke mantinha o menino em cárcere privado, amarrado a uma cadeira sempre ao alcance de suas mãos sujas. O trato era simples, a moça cuidava de si e matinha segredo sobre sua estadia ali ou mataria seu filho antes seus olhos. Desesperada, a técnica chamada Yuriko aceitou. Ele podia ser um samurai pela arma usada, mas ela sabia que aqueles que se envolveram em uma luta nas terras de sua vila eram ninjas. A mãe de Yuriko havia lhe ensinado a temer ninjas, pois eles não tinham honra.

A dor em seus ferimentos ficava mais forte, o efeito do analgésico com certeza estava passando e Yuriko não voltava daquele maldito hospital com mais. Devia deixar algumas cicatrizes em Yuu para que ela aprendesse a não o deixar esperando mais. Entretanto, entre os muitos pensamentos insanos do Uchiha mais novo, ele ouviu a porta sendo aberta. Seu chakra estava escondido desde que conseguira fugir daquela explosão idiota, sabia que os ninjas não o sentiriam ali, então, devia ser Yuriko.

– Você demorou demais! – Disse o moreno de forma ríspida, quase rugindo enquanto puxava a menina de corpo pequeno pelo queixo. – Da próxima vez que se atrasar assim, vou cortar uma das orelhas de seu filho.

– Desculpe. – A menina pediu rapidamente, se colocando de joelhos sobre os pés do invasor.

– Por que se atrasou? Espero que não tenha ido fofocar com ninguém sobre minha presença aqui, se eu ouvir o som de um graveto sendo pisado lá fora Yuu-chan estará morto. Morto entendeu?

– Eu já disse, me desculpe. Não faça nada com meu filho, eu estou fazendo tudo certo, por favor – Choramingou. – Atrasei-me porque o hospital foi tomado por um grupo de ninjas, o líder da aldeia chamou a todos do hospital e explicou que a tal Akatsuki comandará o hospital nos próximos dias, e que eles terão livre acesso a toda a vila.

– Akatsuki? Quantos deles vieram? – Perguntou já formulando ideias.

– Não sei senhor, não os vi. Apenas estou lhe passando o que o líder-sama nos informou.

– Aquele loiro deve ter se machucado bastante na explosão. – Disse baixo, mais como se estivesse pensando alto.

A Akatsuki estava ali, isso era bom. Itachi não devia estar ali se o motivo era salvar o loiro idiota, afinal, Itachi não se importava com mais ninguém além de si mesmo. Mas Sakura, ahhh esta com certeza estava.

Ninguém mais naquele grupo de usurpadores mobilizaria um hospital para cuidar de um membro ferido. Akatsukis em geral deixam os membros feridos para trás se fosse preciso. Aquele movimento tinha a cara de Sakura, e era justamente ela que ele estava querendo no momento.