Prisioneira

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Prisioneira

\Capítulo Trinta e Quatro\

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Naraku riu ainda mais, quando Inuyasha tentou se afastar e atacá-lo. Tentativa que se provara inútil uma vez que suas forças estavam se esvaindo por causa do veneno a se espalhar com uma velocidade assombrante, por seu corpo Youkai.

# Você é fraco Inuyasha! – sussurrou em seu ouvido, enquanto o Hanyou, deixava sua espada cair no chão, por não ter forçar para segura-la. – Nunca será capaz de me vencer! Nunca será capaz de proteger Kagome e sua filha. Elas são minhas! – Inuyasha praguejou mentalmente, ao tentar se livrar e não conseguir. – E tenho algo para lhe dizer, Inuyasha! - sorriu, aproximando os lábios do ouvido dele. – Sua filha com Kagome… - retirou a mão de dentro do corpo de Inuyasha, se afastando. – Tenho certeza que as coisas serão bem mais divertidas com ela.

# Maldito! – o Hanyou disse, tentando se manter de pé.

# Sim! – riu ainda mais. – Eu até poderia lhe dar a criança, por necessitar mais de Kagome do que ela. E porque ela tomará em demasia atenção de minha Deusa, mas não quero você vivo, para, mais uma vez, ser um estorvo em minha vida. Afinal, um lado de Kagome ainda lhe ama!

Deu um passo adiante. E Inuyasha caiu no chão sentindo o veneno que existia no corpo de Naraku, ir apoderando-se de seu corpo o deixando completamente imóvel. Sentiu o liquido quente molhar sua mão e fechou os olhos, achando-se fraco, por mais uma vez, ter sido incapaz de salvar Kagome. E sua filha, que agora estava nas mãos de Naraku.

# Maldito! Irei lhe matar!

# Me diga… como irá fazer isso, se neste momento não pode nem se mover? – chutou a espada para longe. – Você é patético Inuyasha! Não passa de um simples, e patético, Hanyou… incapaz de proteger a si mesmo, a mulher que ama, e sua pequena filha!

Naraku parou de rir e desviou a atenção para a entrada do salão onde lutava com Inuyasha, para ver o corpo de Kagome ir, lentamente, saindo do chão. Os olhos negros olharam desde Naraku, até o Hanyou caído, segurando seu ferimento aberto.

O vilão sorriu satisfeito ao sentir a energia corrompida emanada pelo corpo dela, mas não deu nenhum passo em direção à morena naquele momento, devido a grande quantidade de poder a envolver seu corpo, e que ia, aos poucos, destruindo alguns pedaços do piso sob ela.

Inuyasha virou-se para a mulher que amava e sentiu seu coração se comprimir violentamente, quando seus olhos se encontraram com os, agora negros, dela. E ela deve ter percebido sua dor, pois, manteve o contato visual com ele, por longos minutos.

Naraku olhou para ambos, sentindo ódio pela maneira como Kagome olhava para Inuyasha, significando que o ritual para corrompê-la não havia sido concluído. Ela se recordava do homem que amava e ainda nutria tal sentimento por ele, seus olhos preocupados refletiam isso. E chamou-se de idiota por ter ferido Inuyasha. Fora aquilo quem a despertara para a realidade. Ela podia sentir tudo o que acontecia a ele. Se houvesse esperado um pouco mais, tempo o suficiente para Kagome terminar de matar Ayame e começar a sugar a vida de Rin, sua parte corrompida ultrapassaria a pura, e ela seria incapaz de sentir Inuyasha.

Fechou os punhos com força, tentando se controlar para não fazer nenhuma besteira na frente da menina, e recuando alguns passos. Se Kagome visse o sangue de Inuyasha em suas mãos poderia ter problemas com ela.

# Kagome… - Inuyasha sussurrou.

# Kagome, minha querida! – Naraku o interrompeu, pronunciando o nome da jovem Miko, num tom mais elevado, e conseguindo que ela virasse o rosto para encará-lo. – Você não sabe como me alegro em perceber que já despertastes de seu sono! - colocou uma barreira ao redor de sua mão, a limpando do sangue. – Aguardei ansiosamente por isso… afinal, não posso ficar muito tempo sem você! – estendeu a mão para a moça, numa oferta de que ela a pegasse e se aproximasse mais dele.

# Ele é o inimigo, Kagome! – Inuyasha olhou com raiva para Naraku.

# Não! Ele é o inimigo, doce Kagome! – rebateu Naraku. – Foi ele quem lhe abandonou a hora que mais necessitava! Ele fez a mesma coisa que sua família lhe fez! Tratou-lhe com carinho, para no final, você não se incomodar com o fato de ser apenas uma mercadoria. – Kagome se virou para Naraku e aceitou a mão que ele lhe estendia, o fazendo sorrir. – Isso mesmo, Kagome! Mostre a ele, que você sabe em quem confiar.

# Você me traiu também, Naraku! – disse em tom baixo, soltando a mão do vilão e o fazendo desfazer seu sorriso enquanto recuava um passo. – Tentou matar a mim. E matou minha filha! – deu um passo a frente, o fazendo recuar dois passos. – O que devo fazer a você por causa disso?

Ao ouvir a segunda afirmação, a respeito da morte de sua filha, Inuyasha sentiu seu sangue congelar por completo. Não acreditava que Naraku havia conseguido se livrar de sua filha. E com aquele pensamento abaixou a cabeça, sentindo uma raiva intensa crescer dentro de si. Ele não tinha direito de tocá-la. Sua filha não podia estar morta.

# Não tentei matar você e a criança, Kagome! – falou, a fazendo cessar os passos. – O que fiz foi para lhe fazer acordar para o que realmente acontecia ao seu redor, minha querida. Quem matou sua filha foi Ayame, como o que quer que ela tenha colocado naquela injeção que lhe dei, apenas para lhe acalmar e mostrar-lhe a verdade! – sorriu, para dar mais veracidade a suas palavras. – Eu nunca lhe trai! Entreguei-lhe quem queria seu mau e realmente lhe traiu. Tentei salvar a vida de sua criança, mas não consegui! – sorriu.

Inuyasha tentou se erguer, mas o veneno que ainda estava em seu corpo, simplesmente bloqueava seus movimentos e lhe causava uma dor imensa. Encarou Naraku nos olhos, e pode perceber que ele se divertia com isso, enquanto evitava que Kagome se aproximasse dele.

Praguejou mentalmente olhando o inimigo tornar a pegar a mão de Kagome, e beijar-lhe de forma galanteadora. E o não recuar de Kagome, mostrava que a menina estava, novamente caindo na armadilha dele, o decepcionando. Afinal de contas, como Kagome, sendo tão inteligente e capaz de ver o que podia ou não acontecer no futuro, deixava-se ser controlada de tal maneira. Mas talvez, o fato de, desta vez, estar corrompida, auxiliava naquela atitude de Naraku.

# Que bom que confia em mim, meu amor! – colocou sua mão sobre a dela. – Me machucaria descobrir que você não confia mais em mim por causa das mentiras contadas por eles! Por quem prometeu te proteger e quando chegou a hora, lhe deu as costas! – Kagome olhou para Inuyasha, abaixando o olhar ao notar para o ferimento em seu estômago. – Por causa das mentiras de sua irmã mais velha! Por que Inuyasha disse lhe amar, mas sempre esteve ao lado de quem lhe traiu. – passou as mãos no cabelo dela. – Portanto, ele também é um traidor!

# O traidor é ele, Kagome! – Inuyasha conseguiu dizer, ficando de pé. – Foi ele que por anos lhe usou e tratou como objeto! Foi ele quem lhe violentou! – Naraku mandou-o se calar, soltando Kagome, no intuito de ficar entre ela e o Hanyou. – Você sabe, não sabe, Kagome? Você não vai deixar que ele te engane novamente! Você é mais esperta que ele!

# Não me faça ter de arrancar sua cabeça na frente de Kagome, Inuyasha. – disse, em tom baixo para que a moça não ouvisse suas ameaças.

# Por que não o faz, então? Acaso teme a maneira como ela vai se comportar com relação a isso? – desafiou, rindo no final. – Vamos Naraku! Não tenha medo, afinal de contas… você é o único que consegue dobrar Kagome! Não foi isso que me disse? Não é isso que adora dizer para se fazer de superior? – abriu os braços, e riu.

Kagome franziu o cenho apos ouvir a frase de Inuyasha. E Naraku o olhou com mais ira, conseguindo, a muito custo, conter a vontade de matá-lo, desaparecendo e reaparecendo atrás de Kagome, enlaçando sua cintura com um dos braços, e o seu direito passou na frente do corpo dela, a segurando por seu ombro esquerdo.

# Vai acreditar nele ou em quem sempre lhe deu tudo o que quis? – sussurrou em seu ouvido. – Ele nunca esteve perto enquanto você chorava!

# Não o ouça Kagome! – deu um passo a frente.

# Mate-o! – mandou. – Ele não merece viver.

# Eu te amo!

# É mentira!

# Parem! - Kagome mandou, fechando os olhos. Mas antes que eles pudessem fazer algo, a menina abraçou a própria cabeça e gritou, erguendo uma imensa camada de energia ao seu redor, atirando Inuyasha e Naraku para longe, e causando uma enorme explosão.

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Kikyou segurava a menina Rin Chyo, desmaiada e com a cabeça deitada em seu ombro, enquanto acompanhava Miroku, com Sango deitada em suas costas, e Sesshoumaru, a carregar Ayame e segurar a mão de sua filha, que havia despertado a pouco e se acalmado após uma breve conversa com seu pai.

Estava esgotada e preocupada com Inuyasha e Kagome, a desaparecerem, juntamente a Naraku, por algum tempo. Pedia para que tudo desse certo, e sua irmã não fizesse nenhuma besteira. Especialmente, estando grávida.

Há pouco haviam abandonado a sala de Naraku, trazendo as duas consigo, assim que Kikyou utilizou seu pode para cessar o sangramento dos ferimentos de Sango e de Sesshoumaru, impedindo o agravar do caso da primeira, e permitindo o locomover do segundo. Caminhavam, guiados pela criança Sarah, a conhecer cada ponto do castelo, perfeitamente bem.

Viraram em um corredor, e Sesshoumaru parou, franzindo o cenho, e obrigando aqueles que lhe seguiam, a fazer o mesmo, o encarando com curiosidade, desejando saber a razão pela qual ele cessara seus movimentos daquela maneira.

# Impossível! – disse depois de farejar o ar encontrando um cheiro que se assemelhava ao de Kagome e Inuyasha ao mesmo tempo.

# O que é impossível, Sesshoumaru? – perguntou Miroku.

Mas o Youkai nada disse, enquanto voltou a caminhar, modificando o rumo deles, e entrando num corredor, onde, não somente ele, foi capaz de ouvir o choro alto de uma criança. Choro a trazer curiosidade aos outros dois, afinal de contas, não haviam tomado a ciência de que Naraku mantinha outra em seu domínio.

Caminharam até a porta no final do corredor, e com um único chute, Sesshoumaru conseguiu fazer com que ela cedesse e caísse no chão, revelando a mulher Youkai que se encontrava em seu interior, tentando acalmar, um bebê recém nascido a chorar. E ao perceber a presença de Sesshoumaru, a largar Ayame, cuidadosamente no chão, recuou um passo, apontando as garras afiadas para o bebê.

# Não se aproximem, ou eu mato a criança! – afirmou, mesmo sabendo que jamais poderia tocar a criança, uma vez que Naraku a proibira de fazê-lo, por ser filha de sua amada prisioneira. – E eu falo sério!

Sesshoumaru ignorou a fala da mulher e avançou contra ela, a matando com velocidade e destreza, e capturando a criança em seus braços, antes que a mesma caísse no chão. Analisou o bebê a chorar, e notou que a menina, embora Hanyou, não apresentava nenhuma característica de Youkai. E se não soubesse que ela era filha de seu irmão, cometeria o erro de achar que ela era, por completo, uma humana.

# Quem é a criança, Sesshoumaru? – perguntou Miroku, se aproximando juntamente a Kikyou.

# Pelo cheiro dela… filha de Inuyasha e Kagome! – disse, observando os olhos incrédulos de Miroku e Kikyou. – Sei que é estranho… mas esta criança é sim filha de sua irmã com o meu irmão!

Kikyou passou Rin para os braços de Sesshoumaru, com cuidado, e com o mesmo cuidado, pegou o bebê recém nascido no colo, sorrindo para ele, enquanto tentava fazê-la parar de chorar, e ao conseguir, voltou os olhos para Sesshoumaru.

# Vamos embora daqui!

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Naraku, por encontrar-se mais próximo da menina, acabou sofrendo ferimentos mais graves em seu corpo, mas mesmo assim, colocou-se de pé, antes de Inuyasha. E praguejou mentalmente, enquanto imaginava o que estava dando de errado na menina. Não era para ela estar hesitando tanto para obedecer a suas ordens, e matar Inuyasha.

Inuyasha fechou a mão ao redor de seu ferimento, e olhou preocupado para a morena que tinha o corpo envolto por uma grande camada negra de ar, a se erguer até o teto, e que começava a destruir o solo ao redor dela. Se continuasse daquela maneira, ela iria acabar por se matar.

Naraku pegou uma seringa que havia escondida em sua mão, e saltou, atravessando o circulo erguido por Kagome, ignorando os cortes a surgirem em seu corpo. Retirou a tampa da mesma, e ouvindo o grito de Inuyasha, enterrou a agulha na base do pescoço da menina. Não queria ter de recorrer aquilo, mas era a única maneira.

Aguardou alguns minutos, e o poder de Kagome cessou. Naraku a ajudou a ficar de pé, sorrindo ao perceber que a droga havia surtido o efeito desejado.

# Mate-o Kagome! – mandou.

Inuyasha negou com a cabeça, mas a menina obedeceu Naraku. Estendeu a mão e jogou o corpo dele contra a parede, repetindo o que fizera a Kouga, Houjyou e a muitos outros, queimando-o com seu poder.

Naraku sorria de maneira maníaca atrás da morena, enquanto ela estendia a mão em direção a Inuyasha, que estava com o corpo preso a pilastra que suportava o peso do teto do castelo, sabendo que seus objetivos, finalmente estavam se concretizando. Em breve Kagome mataria Inuyasha, e isto ocorrendo, mostraria que ela desistiu de seu amor, e mataria, qualquer um que ele desejasse, sem precisar da droga que a aprisionou por anos.

Inuyasha gritava com a dor, enquanto ferimentos iam se abrindo em seu corpo, fazendo mais e mais sangue escorrer em direção ao chão. Já havia sentindo aquela dor por duas vezes, mas daquela vez, ela estava sendo mais intensa, e talvez não sobrevivesse.

Abaixou o olhar para Kagome, a ter os olhos negros e completamente sem brilho, voltados para ele, e incapaz de falar, engoliu um grito de dor, e derramou uma lágrima de seus olhos, por saber que havia perdido e agora, Kagome, ficaria para sempre, nas mãos de Naraku.

# Isso Kagome! – Naraku disse, enlaçando a cintura da morena. – Mate quem não merece viver! Isso Kagome… - sorriu.

Kagome mordeu os lábios e uma única lágrima caiu de seus olhos, ao notar aquela que escorria dos olhos de Inuyasha. E neste momento, Naraku sentiu-a fraquejar. E praguejou. Não era possível ela estar fraquejando daquela maneira, uma vez que ela se encontrava sob o efeito da droga Prisioneira. Droga que ele pedira para ser aprimorada, para ser capaz de controlar a Miko, mesmo que todo o poder dela fosse liberado. E o bracelete no punho dela, estava permitindo, que apenas metade dele viesse à tona.

# O que há Kagome? Não há razão para hesitar!

Naraku disse passando a mão no rosto da menina, que cessara o ataque a Inuyasha, embora o mesmo ainda se encontrasse preso à parede.

# A caso está sentindo algo?

Questionou o Hanyou, não gostando do fato de estar sendo tão difícil assim, se livrar daquele que já deveria estar morto por causa do veneno que ele havia espalhado por seu corpo ao feri-lo gravemente no estômago. Ninguém havia durado tanto tempo assim, então por que, com ele haveria de ser diferente?

Mas Kagome, não respondeu sua pergunta, abaixando o braço, deixando com que Inuyasha caísse no chão, incapaz de mover qualquer parte de seu corpo. Naraku tornou a praguejar mentalmente, mas antes que dissesse algo para estimular a menina Miko a continuar, notou que a atenção dela fora voltada para uma das entradas do salão principal, onde Sesshoumaru e os outros acabavam de aparecer.

"Mas esses desgraçados não morrem!" pensou consigo mesmo, afastando-se de Kagome, quando ela, girou o corpo na direção dos recém chegados, olhando de Sesshoumaru até Kikyou, e na irmã, fixando a atenção.

Sesshoumaru pousou a atenção em Kagome e Naraku, sendo capaz de sentir o cheiro de sangue de Inuyasha em ambos, antes de virar para encarar o irmão semi-inconsciente no chão, onde uma pequena poça de sangue se formava. Olhou com ódio para ambos, e sentiu ódio de si mesmo, por não ter conseguido fazer o que Kagome lhe mandara fazer, afinal de contas, ela lhe disse, que aquilo iria acontecer se por um acaso continuasse viva.

# Por que ainda continuam tentando? – perguntou Naraku, olhando com raiva para Sarah, a retribuir o olhar. – Não posso exigir Rin de volta… mas Sarah… – chamou a menina, com um sorriso nos lábios. – Você não vai embora daqui com seu pai, embora o pense em fazer. – sorriu, sob o olhar de Sesshoumaru, e o assustado da menina. – Sua mãe morreu e agora… você pertence a mim. Você vai tomar o lugar dela ao meu lado. – estendeu o braço para ela. – Então venha comigo!

Sesshoumaru colocou o braço que não segurava Rin, diante do corpo da filha, para que ela não caísse na besteira de ir até ele. Kagome havia lhe contado a respeito da possibilidade de Kagura morrer, e Sarah acabar sendo posta em seu lugar, mas não iria deixar isso acontecer. O mataria antes de deixar o coração de sua filha ir parar nas mãos dele.

# Não tente me impedir, Sesshoumaru! – Naraku disse, dando um passo a frente e colocando a palma da mão direita voltada para cima. – Kagura não existe mais, então o coração de filha é meu!

Sarah gemeu e acabou caindo de joelhos no chão, perdendo completamente seu ar, enquanto, nas mãos de Naraku, uma névoa vermelha começava a se formar. Sesshoumaru olhou para a filha e então para o inimigo. Iria matá-lo naquele exato momento, mesmo que tivesse de passar por cima de Kagome.

# Shinzui!

A voz calma de Kagome retirou a todos de seus pensamentos, os obrigando a voltar a atenção para ela. E Naraku abaixou a mão, rompendo o ritual que tomaria o coração de Sarah, para si.

# O que disse? – Naraku perguntou, sentindo suas entranhas se contorcerem, enquanto Kagome olhava vidrada para o bebê nos braços da irmã. Bebê, que até então, Naraku não havia percebido estar na sala.

"Maldição!" pensou, fechando os punhos com tanta força, que conseguiu cortar a pele de sua mão. Não acreditava que Kikyou havia conseguido encontrar a criança que ele mandara esconder, após mostrar para Kagome que o bebê havia nascido morto, aumentando ainda mais sua depressão e sua raiva de Ayame.

Deveria ter matado a criança assim que abandonara o cômodo, mas tivera de pensar em tê-la como escrava juntamente a mãe. Havia cometido o mesmo erro, por duas vezes, antes, ao deixar Kagura dar a luz a Sarah e Kikyou sair viva daquele depósito no dia em que lhe revelou o segredo de seus pais. Mas não pensara nas conseqüências disso, e agora, pagava por este erro.

# Shinzui! – repetiu, dando um passo a frente e estendendo a mão em direção a irmã, como se quisesse alcançá-la.

Entretanto, Naraku agiu e enlaçou-lhe a cintura, cruzando o braço direito diante do corpo dela e segurando-a pelo ombro esquerdo, no intuito de imobilizá-la no mesmo lugar, impedindo que se aproximasse muito de sua filha.

Kikyou olhou para o bebê em seus braços, percebendo, assim como todos, que Shinzui, fora o nome que Kagome dera a criança. Bebê que havia despertado de seu sono, no momento em que ouvira a mãe chamar seu nome.

# Ela sentiu a filha! – disse Miroku.

Kikyou realizou um gesto afirmativo, observando uma lágrima surgir nos olhos de Kagome. Mas antes que a lágrima pudesse escorrer em direção a sua face, ela abaixou o braço, se seu corpo tornou a ser envolto pela energia negra e avermelhado. Porém, ao contrário do que Naraku pensava, fora ele quem acabara sendo atingido, e atirado contra a parede.

# Você mentiu! – ela murmurou, se virando e caminhando em direção ao vilão. – Disse que Shinzui havia morrido ao nascer!

# Mas ela morreu, querida! – disse, se colocando de pé, ignorando os ferimentos que havia se aberto em seu corpo. – Aquela não é sua querida Shinzui. Deve ser uma armação deles para lhe enganar! Eles gostam de fazer isso.

# Não minta para mim! – mandou, jogando e prendendo o corpo de Naraku contra a parede, enquanto sua energia aumenta. – Não gosto de ser enganada Naraku! – falou, dando mais um passo a frente, e erguendo uma barreira ao redor deles, para evitar que alguém se aproximasse. – E você já me enganou muito, e viveu o suficiente para continuar o fazendo!

# Kagome, minha querida…

# Cale-se! – mandou, ocasionando mais ferimentos no corpo do vilão.

Naraku riu, fechando os olhos, e seu corpo foi envolto por uma energia num tom de vermelho, a quase se igualar ao negro. E assim que ele tornou a abrir os olhos, houve uma explosão, atirando Kagome com extrema violência, contra sua própria barreira. Naraku se libertou de seu feitiço, tendo seus ferimentos, imediatamente curados, enquanto avançava em direção a morena que caíra de bruços no chão, e aos poucos, se recuperava, com pequenos cortes em seus braços, que ela havia colocado diante de seu rosto para proteger-se.

Kikyou colocou uma mão sobre seus lábios, preocupada, enquanto Sesshoumaru tentava reanimar o irmão que havia desmaiado por causa da grande quantidade de sangue que perdera. Entregou o bebê nos braços de Sarah e voltou-se para o cunhado, colocando a mão sobre os ferimentos, tentando acelerar o processo de cicatrização, e evitar que algo pior lhe acontecesse.

Sesshoumaru deixou sua irmã tomando conta de Inuyasha e se levantou, retirando sua espada da bainha, para poder matar os Youkais que tornavam a surgir no salão, para matá-los.

# Acaso se esquece que sou o único que realmente lhe conhece, Kagome? – perguntou, observando os olhos castanhos o encararem com fúria. – Eu sei de todas as suas fraquezas! – ele se abaixou diante dela, e tornou a se erguer a segurando pelo pescoço. – Você não tem poder para me matar… - segurou o braço dela, mostrando-lhe o bracelete intacto em seu punho. – Ayame, fez, ao menos uma coisa de maneira correta! Por que se não tivesse tentado algo mais, sua filha não haveria nascido e você, agora, já haveria matado Inuyasha! – olhou para Kikyou e Inuyasha, sorrindo. – Embora não acredite que ele vá sobreviver ao que você já fez!

Riu, mas por dentro sentira uma ira imensa. Uma vez que Kagome havia visto a filha, não haveria mais condições de corrompê-la e controlá-la por completo.

Seus planos haviam ido, por água abaixo, mas não iria sair perdendo. Teria de se livrar de uma vez por todas de Kagome, sua preciosidade e obsessão, mas mataria a todos os outros, mantendo a filha dela, que após a morte da mãe, receberia todo o poder para si, tornando-se assim, a Shikon no Tama. E a julgar pelo fato da moça Miko, não ter curado os próprios ferimentos ainda, tinha certeza que o corpo dela, já havia sido corrompido o suficiente para anular sua capacidade de cura.

# Você vai pagar caro por isso, Naraku! – disse a morena.

# Será uma pena, sim… mas eu terei de lhe matar Kagome! – a menina colocou sua mão ao redor dos braços dele, lançando seu poder contra ele, o queimando, mas não a ponto de fazê-lo solta-la. – Eu tomei seu sangue! Precisará de muito mais do que isso, para me atingir! – a beijou nos lábios.

Kikyou suspirou aliviada, por ter conseguido cessar o sangramento de Inuyasha a abrir os olhos, e sorrir agradecido para ela, embora soubesse que o veneno de Naraku, ainda continuava correndo por seu corpo.

Inuyasha olhou para a luta ao seu redor, sendo capaz, de apenas distinguir alguns vultos, por causa da visão embaçada devido a perda de sangue, mas congelou seu olhar sobre o local onde Naraku se encontrava com Kagome, e mesmo sem poder ver direito, percebeu que o vilão acabara de beijar Kagome, e que a menina chorava durante o ato.

# Kagome!

# Não! – disse Kikyou o impedindo de se levantar, e conseqüentemente, recebendo um olhar irritado do rapaz. – Há uma barreira ao redor deles, Inuyasha. Você não poderá fazer muita coisa. E precisa ficar bem… - não continuou sua sentença, pois tudo ao seu redor pareceu congelar assim que viu o que acabara de acontecer. – Não… - sussurrou.

Naraku soltou o pescoço de Kagome, e antes que a menina pudesse realizar algum movimento, atravessou o peito dela com sua mão, perfurando seu coração. Kagome arregalou os olhos, sentindo uma dor que jamais pensar sentir anteriormente, enquanto o gosto de sangue surgia em sua boca.

Ouviu Inuyasha gritar por seu nome em desespero e fechou os olhos com força, tentando afastar a dor que lhe consumia. Não só pelo ataque de Naraku, mas por saber que em breve ele morreria, juntamente aos outros, e sua filha ficaria a mercê de Naraku.

# Disse que não adiantava fugir de mim, Kagome! – sussurrou em seu ouvido, enquanto o sangue dela escorria por seu braço. – Mesmo morta você sempre será minha prisioneira. – riu, a vendo tornar a abrir os olhos, e a beijando nos lábios, sentindo o gosto de seu sangue.

Arrancou a mão de dentro do corpo dela, e afastou-se, deixando com que ela caísse no chão, ao mesmo tempo em que a barreira criada por ela era rompida. Riu, olhando para Inuyasha e Kikyou. Agora mataria os dois e pegaria a criança Shinzui para si.

Inuyasha se levantou, ignorando os protestos de Kikyou, e avançou alguns passos, pegando sua espada, que havia sido esquecida num canto do chão. Iria morrer, mas mataria Naraku antes que aquilo acontecesse.

Respirou profundamente e tirou forças de algum lugar inexistente, avançando contra o vilão, a repeli-lo para longe, apenas com o estender de sua mão. Tomou magicamente a espada das mãos de Inuyasha e a apontou para seu pescoço.

# Você me importunou por tempo demais Inuyasha! – disse, estendendo a mão para repelir a bala que Kikyou havia atirado em sua direção. Fechou a mão e Kikyou sobressaltou-se quando a arma explodiu em suas mãos. – Você também Kikyou! – deu uma tapa no ar, atirando a mulher com uma perigosa violência, na parede.

Kikyou escorregou pela parede e sentiu lágrimas surgirem em seus olhos, tão logo veio à pontada dolorosa em seu ventre. Ergueu a mão diante de seu rosto e sentiu seu coração se partir em milhões de pedaços, ao ver seu sangue.

# Kikyou! – gritou Inuyasha, chamando a atenção de Sesshoumaru, que também sentira o cheiro do sangue da mulher. – Maldito!

# Kikyou! – Sesshoumaru matou mais um Youkai e correu em socorro a Kikyou.

# Está preparado para morrer agora, Inuyasha?

Naraku sorriu ainda mais, e ergueu a mão onde tinha a espada. O mataria e ele não poderia fazer nada para se defender. Já não mais possuía forças alguma para se mover e vingar a morte de Kagome. Mas então, se lembrou de sua filha, que ao contrário do que Naraku dissera, não estava morta. Filha que percebera estar nos braços de Sarah. Tinha de encontrar forças para poder salva-la. Ela ainda necessitava dele.

# Adeus! – Naraku abaixou a mão, mas algo o impediu de tocar no Hanyou. Uma força invisível o segurava. – Impossível! – se virou para olhar o lugar onde Kagome se encontrava desmaiada.

O corpo da menina estava sendo envolto por uma quantidade de energia surpreendente, mostrando que a moça ainda não havia morrido, e devido a isso, o bracelete que se encontrava em seu punho, contendo seu poder, foi completamente destruído.

Naraku recuou um passo e arregalou os olhos, ao ver Kagome se colocar de pé, e o chão ser coberto por uma camada negra, matando a todos os Youkais que se encontravam lá. Seus olhos, agora, completamente negros, viajaram desde Kikyou até Naraku, e novamente para a irmã, que perdia mais e mais sangue, abortando os filhos que ela lutara tanto para ter.

Franziu o cenho e o corpo de Kikyou foi envolto por uma energia perolada e pura. A mais velha sentiu a dor passar juntamente ao sangramento, e olhou para ela, assim como Sesshoumaru, a suspirar em alivio, quando sentiu os corações de seus filhos continuarem a bater.

# Vadia! – disse Naraku.

Kagome desapareceu e tornou a reaparecer às costas de Naraku, passando os braços por trás dele o imobilizando.

# Sabe, Naraku! – sorriu. – Se você me conhece tão bem, não pensou que eu fosse desistir tão fácil, achou?

# Maldita! – tentou se livrar.

# Eu irei morrer, mas não irei deixar você tocar em Shinzui! – fechou os olhos, e o solo sob eles começou a se desintegrar, assim como as roupas de Naraku, devido a grande quantidade de energia a envolvê-los. – Você disse que precisava de muito mais que aquilo para lhe atingir… - continuou, enquanto Naraku gritava com a dor. – O que acha disso agora? Ayame não criou algo o suficiente forte para me segurar, e ela sabia disso! Irônico, não? A fez me trair, para ser traído por ela. – sussurrou. – Adeus, Naraku! – Kagome fechou os olhos.

Uma enorme explosão seguiu-se. Inuyasha cobriu o rosto com os braços, e Miroku, a se encontrar próximo do local, foi arremessado contra a parede. Sesshoumaru usou seu corpo para proteger Kikyou e Sarah, a segurar Shinzui firmemente em seus braços.

A poeira ocasionada pela explosão, aos poucos foi se dissipando, e Inuyasha abaixou o braço, levantando rapidamente para pegar Kagome antes que ela caísse no chão. Passou a mão no rosto dela, sentindo-o molhado e tocou o local onde Naraku a havia ferido.

# Me perdoe! – Kagome abriu os olhos a voltarem a ser castanhos, e sorriu levemente enquanto tocava seu rosto, com carinho. – Eu fui incapaz de lhe proteger. – sentiu algo quente, e aos poucos suas energias retornarem e seus ferimentos se fecharem. – O que está fazendo? Pare com isso Kagome! Já gastou muita energia. – segurou a mão dela.

# Não… - ela murmurou. – É a única coisa que posso fazer, depois de lhe ferir desta maneira. – sorriu.

# Antes eu do que você! – disse, e ela negou levemente com a cabeça. – Não vou lhe deixar morrer, Kagome! Não posso lhe deixar morrer. – disse, beijando a mão dela, e sentindo seus olhos se encherem de lágrimas. - Não quando eu acabei de lhe recuperar!

# Não há mais jeito para mim… Inuyasha! – falou ao ver as lágrimas abandonarem os olhos dele. – Sou prisioneira de meu passado e dos erros que cometi. E esta é a única maneira de me libertar disso. Sei que lhe fiz sofrer muito… mas espero que me perdoe por isso. – a voz dela falhou por causa da vontade de chorar. – Seja forte para cuidar de Shinzui… ela precisa de você!

# Ela também precisa de você, Kagome! Eu preciso de você! Eu te amo! – Kagome fechou os olhos e sorriu levemente, antes de tornar a abri-los.

# Eu também te amo, Inuyasha! Eu sempre te amei! – foi a última coisa que murmurou, antes de adormecer nos braços de Inuyasha.

# Kagome? – Inuyasha apertou a mão dela com força, na esperança de senti-la apertar a sua em retorno. – Vamos Kagome… viva para mim! – a trouxe para mais perto de seu corpo, a abraçando com força, deixando-se ser tomado pela tristeza, e permitindo que as lágrimas deixassem seus olhos, enquanto chorava.

Sesshoumaru abraçou Kikyou, e deixou que ela chorasse em seu ombro, enquanto o bebê recém nascido chorava nos braços de Sarah, a segurar as lágrimas, pelas duas mortes que presenciara. Tudo havia acabado, mas não era daquela maneira que ele desejava que fosse. Não era daquela maneira, que eles, desejavam que fosse.