A Lei da Sexualidade por Rakina
Tradução: Rebecca Mae
Beta-reading da tradução: Ivich Sartre
Capítulo Trinta e Oito: Uma raridade
Ponto de vista do Harry:
Os visitantes ainda não chegaram, então dou um suspiro de alívio e me sento, a ponto de comer o sanduíche de bacon que Remus fez pra mim. Sirius está sentado, muito quieto, me assistindo enquanto toma chá. Fico um pouco triste por ele quando me lembro do seu comentário sobre não ter muito o que fazer, exceto preparar o chá.
Vejo uma pilha de envelopes e presentes esperando.
"Quando chegaram?", eu pergunto, com a boca cheia de bacon.
"As corujas começaram a chegar às seis horas", Sirius diz. "Acordei com as batidas infernais na janela. De qualquer forma, queria estar de pé cedo pra poder falar com você antes que fosse. Pensei que fosse se levantar mais cedo..."
"Hummmm..." Na verdade, eu estava batendo punheta no chuveiro. "Devo ter ficado muito cansado. Talvez tenha sido o licor?"
"Duvido," Sirius diz "Remus e eu não dormimos muito e bebemos bem mais que você."
"Verdade, mas estamos acostumados a beber", Remus diz com um sorrisinho.
Comemos e bebemos e eu começo a abrir os envelopes. Cartões de Ron, Hermione, Neville, Hagrid (esse tem o dobro do tamanho dos outros cartões), os outros Weasley, e Luna – cartão este que foi obviamente feito por ela: tem uma figura minha voando no Bicuço e embora não esteja anatomicamente fiel, demonstra bastante entusiasmo. Bicuço voa de um lado para o outro, numa onda determinada. Não me atrevo a olhar muito, corro o risco de ficar tonto. Mas meu eu do cartão não parece se incomodar tanto. No fim da pilha, tem um de Sirius e Remus.
Tem quase tantos presentes quanto cartões e eu começo a abri-los, animado pra ver o que me deram, mesmo que eu não vá me concentrar muito nisso esta manhã.
'Para Harry, com amor, de Hagrid' está escrito num presente cheio de calombos que não é, surpreendentemente, o maior da pilha. Rasgo o papel, que é forte e prático, mas não parece muito com o embrulho de um presente, e uma escova surge. Parece feita para engraxar sapatos. Checo a nota dentro do pacote.
A melhor escova do mundo, ela proclama modestamente. Eu olho mais de perto. Por quê?
Qualquer tipo de animal – mágico, trouxa ou mestiço – que você queira manter, essa escova dá conta! Dá? Esfrego na minha palma e sinto uma espécie de cócega, não é desagradável e sim... Estimulante.
Esta maquiavélica escova encantada se transforma numa estimulante massagem para qualquer criatura! De um hipogrifo a um explosivin! De um testrálio a um rato! Você escolhe a quem escova deve agradar! Garantia contra problemas de fábrica, esta escova dura uma vida. Duração da sua vida, não a de uma formiga. Com a qualidade da Companhia Mágica das Escovas, número 111 no Beco Diagonal, em Londres.
"Útil", Remus comenta, olhando a etiqueta sobre meu ombro. "Se algum dia você tiver agum bicho, tenho certeza que terá onde usar."
"Humm… Um presente típico de Hagrid. Queria ter dado algo a ele neste Natal."
O próximo pacote é grande e esponjoso, pensei que esse seria o de Hagrid. Em vez disso, eu leio 'Para Harry, dos Weasley'. Rasgo o papel verde (verde sonserina, Weasley?) e encontro uma variação do suéter Weasley, um chapéu Weasley. Parece um coador de café e tem um H bem grande na frente. E sim, também é verde e a letra é branca. Estão tentando me dizer que eu sou um sonserino agora? Ou talvez Molly simplesmente tenha saído pra comprar um novelo, suas opções de cores são sempre mais 'interessantes' que atraentes, pelo que notei. Acho que eu poderia usar isso se eu estivesse perdido no meio de uma montanha coberta de neve no meio da Mongólia ou qualquer lugar assim, onde ninguém nunca chegasse a ver.
Quando vou colocá-lo de lado, sinto algo rígido dentro, e abro o chapéu como uma bolsa. Outro presente cai de dentro, rudemente embrulhado num papel vermelho. Uma escrita pequena diz 'De Ron'. Estava me perguntando se ele mandaria um presente separadamente e o fato de ter feito isso me agrada imensamente. Ainda melhores amigos, eu acho.
É uma capa de vassouras laranja, 'com sistema eficaz de aderência' conforme diz o rótulo e 'encantada para se adaptar ao formato da vassoura. Uma capa serve para todas!'. É laranja porque tem o emblema do Chuddley Cannons.
Não posso deixar de sorrir. É de um gosto tão duvidoso, especialmente pra uma Firebolt, mas é tão a cara do Ron.
O próximo presente é obviamente um livro, sei disso mesmo antes de abrir o papel vermelho e dourado – então ainda sou de Gryffindor para Hermione. Presumo ser dela e estou certo. Quando as Trevas vêm para a Luz: os usos benignos da Arte das Trevas'. Uau! Quando abro o livro, a primeira página me surpreende ainda mais: por Severus Snape, MP, MDCAT. Onde Hermione conseguiu isso? Quem publicou? Publicado pelo Instituto de Defesa Contra Arte das Trevas, Edimburgo, 1990.
Ainda estou pasmo enquanto encaro. Sirius? pede o livro. "O que Hermione mandou desta vez, Harry?"
"Err…", murmuro, mas entrego o presente assim mesmo.
Sirius parece bestificado.
"Pela bengala de Merlin! Snape escreveu isso? Eu não sabia! Bom, ele sabe tudo sobre Arte das Trevas, mas usos benignos? Eles não existem! Não existe uso seguro disso aqui, as Trevas sugam você. Você devia queimar essa coisa, Harry, fazer um bem ao mundo!" Ele se vira e parece a ponto de atirá-lo à lareira da cozinha.
"Accio livro!", eu grito e seguro firme quando ele retorna às minhas mãos. Fiz isso automaticamente e sem varinha, mas não tenho certeza se notaram e nem se se importam, caso tenham. "Não seja tão estúpido, Sirius!"
Cacete, mas ele tem me deixado tão bravo ultimamente! Posso sentir meu coração feito um trovão e minha cabeça se contraindo.
"Não posso pensar em nada mais útil ou mais importante pra eu estudar. Acha que eu vou lutar contra Voldemort usando feitiço da perna-presa? E, mesmo assim, é um presente e aborreceria muito Hermione se eu jogasse ao fogo, não é?"
"Sente-se, Sirius", Remus diz, colocando sua mão no braço dele. Sirius fica desolado.
Odeio isso, esse olhar abatido. Mas odeio essa atitude ainda mais. Sev escreveu isso, é parte da mudança. Parte dele, tentando mudar sua vida, das trevas para a luz. É precioso.
Todos sentamos novamente e Remus serve mais chá. Eu bebo agradecido, querendo que meu coração se acalme. Para evitar abrir o presente de Sirius e Remus, que eu não consigo encarar agora, pego outro pacote. É uma caixa prateada pequena, com um laço preto sobre ela. O cartão diz: Para Harry, que é uma raridade, de Luna. Sou uma raridade! Perto de Luna Lovegood, sou tão comum quanto a grama perto de uma orquídea. Intrigado, abro o presente.
Uma mecha de cabelo longo e negro. Eu a apanho e imediatamente me lembro de Severus. Tanto faz, tudo me lembra ele ultimamente, então não é muito estranho. Um pedaço de pergaminho sob ela diz: Cabelo da crista de um unicórnio negro das cavernas. Certo. É a mesma coisa que eu dizer que sou o herdeiro da Sonserina, só que isso parou de ter graça há quatro anos.
"Ah." Remus se aventura.
Bom, não tem muito o que se dizer. Vou mostrar ao Sev. Aposto que ele sabe dizer que animal é esse. Só espero que ele não tenha uma hemorragia interna de tanto rir.
Sirius estica a mão e eu passo a caixa pra ele, que balança a cabeça e resmunga. "Quem é essa garota?"
"É uma Ravenclaw. É um pouco... Estranha. O pai dela publica O Pasquim".
Sirius ri. "Bom, isso explica muita coisa. Maluquice deve ser de família!"
Abro o pacote final. Uma caixa de madeira sem papéis, mas o cartão diz ser desses dois homens aqui presentes com seu amor. Levanto a tampa e vejo três itens dentro: um relógio de bolso, uma colher e um anel. Analiso o relógio primeiro: parece uma peça trouxa qualquer. Olho para Sirius, questionador.
"È um relógio de alarme. Diz se você está em perigo. Pode tocar ou vibrar, ou pode até mesmo falar e contar qual é o perigo. Responde de acordo com a situação em que você se encontra. Ótimo se estiver se esgueirando e não puder ser notado. Salvou-me de Filch algumas vezes antes de eu ter o mapa!" Ele sorri agora, lembrando daqueles dias dos Marotos.
"Obrigado, eu vou..."
"Você pode deixar nos seu bolso, ou usar como um broche, é bastante flexível. E você não vai perdê-lo, a barulheira é insuportável se você deixá-lo cair, acredite!"
"Okay," eu digo, e enfio o relógio no bolso da calça.
"Sinto-me melhor sabendo que você tem isso com você, Harry. Vai correr mais riscos que eu, preso aqui..."
Eu assinto, sem querer enveredar por esse assunto novamente, e apanho o próximo item. Uma colher de prata, do tamanho de uma colher de chá.
"Você está imitando Albus de novo!", eu digo com um sorriso.
"É uma colher para venenos, Harry, e pode ser muito útil também. Se alguém lhe der uma bebida, ou algo para comer e você estiver desconfiado, basta dar uma mexida com isso. Ela detecta qualquer veneno e a maior parte das poções. Não duvido que Snape possa preparar uma poção que mascare um veneno, mas não posso protegê-lo dele, se você não deixar..."
"Por favor, Sirius, hoje não", eu imploro. Sei que não devo ter esperanças, mas eu queria mesmo que ele superasse isso. "Obrigado, mesmo assim", acrescento. E estou agradecido. São presentes muito úteis para alguém na minha posição.
Apanho o anel.
"Esse não parece tão especial agora que você tem outro", ele grunhe.
Este anel também é prateado, mas mais elaborado que o elegante anel que Sev me deu. Tem nós ornamentados, um brasão bastante celta, envolvendo uma pedra oval escura. Ônix, como os olhos de Severus.
"É uma jóia de família, meu avô me deu quando completei a maioridade", Sirius diz.
"Obrigado, Sirius." Fico feliz que ele ainda me considere família, apesar das nossas diferenças recentes. Sirius e Remus são a coisa mais próxima de uma que eu já tive até hoje. Ponho o anel na mão direita, perto do de Severus. Levanto e o abraço, beijando-o na bochecha de barba por fazer.
Nesse momento, a campainha soa e eu dou um pulo, como se tivesse sido eletrocutado.
N/B: 1, 2, ele vai te pegar... 3,4...
