A bela aura de um anjo:

Dificultosamente abro os olhos, o chão poeirento e pedregoso não tem cor. Minhas pálpebras pesam como se há dias não dormisse, e não sinto os membros, embora reconheça caminhar. A cabeça também pesa, quero olhar o caminho à frente, mas não consigo erguer os olhos. Um frio gela meu interior, esmagando meu espírito, comprimindo o peito, enodulando a garganta.

Como num pesadelo, corrôo-me na vontade desesperadora de gritar, expulsando de meu íntimo tamanha angústia que drena todo sentimento que talvez houvesse. Na incerteza e amnésia perdem-se meus pensamentos, numa solidão e tristeza, num vazio sem fim.

"Quem sou eu...? Sou mesmo... Gente? Será... que eu existo...? É tudo tão... Vazio... O que sou eu...?"

Pergunto-me apenas se isso tudo foi, um dia, diferente... Se já fiz alguma diferença no mundo... Não sei, as respostas não vêm. Minha mente pulsa unicamente numa palavra: "Levante!Levante!" Não sei por que, ou como, mas imprimo forças para erguer o rosto.

Pessoas... São milhares... Cabeças baixas, sem expressão, sem cor, caminham inevitavelmente para o mesmo lugar, e a angustia só aumenta, sem aparente motivo. Uma enorme encosta se ergue, não muito longe de mim, para onde todos vão e onde, no topo, todos desaparecem. Dentro de minha alma nasce algo que chamo de medo, sem saber o que era, porém, além do angustiante desejo de me ver longe dali.

Medo... Frio... Angústia... Apesar de tudo isso, havia em mim um grande vazio, um vácuo...
Tudo sumiu de repente, uma cálida energia me enlaçou, e o lugar não mais parecia tão tétrico. Atrás de mim, uma voz soa agradável e conhecida, e algo pulsa forte em meu peito.

"Nala..."

"O que é Nala...? Um nome? Parece... Que já ouvi isso antes..."

Quero voltar... Quero encontrar o dono dessa voz... Mas não tenho forças, e continuo a ser arrastada para o topo. Um enorme abismo se abre à minha frente, onde desabam todos que estão entes de mim. Uma palavra mais brota me minha mente, novamente amedrontada: "Iomotsu..."

"O que é Iomotsu...?" Que palavra seria essa, soando tão... Terrível e inevitável?

Sem conseguir tomar o caminho de volta, sou ainda puxada para o abismo por uma força invisível. A energia perto da qual tanto desejo estar clama ainda a mesma palavra: "Nala..." que pulsa em mim junto de um novo nome, que me parece tão querido, como se o soubesse desde sempre, e consigo reagir.

-- HYOGAAAA!!

Sinto-me cair. Tudo se esvai... Tudo se espalha. Sem lembranças... Agora sem sentimentos. Nem mesmo o medo ou angústia resistem a tal queda... Só o vazio se expande...
Algo segura meu pulso... Os sentimentos, antes esparsos, invadem novamente este espírito, que tão confuso sente um calor extinguir o frio intenso que parecia congelar as chamas do sol. Ergo os olhos cansados, uma forte e alva aura puxa para cima este meu desgastado ser. Ajoelhado diante de mim, alto, forte, detentor de majestosas asas, enlaça-me em ternos braços, trazendo meu rosto junto ao peito.

Posso sentir seu calor, posso sentir a cor voltar a mim, as faces minhas queimam, me fazendo sentir bem. Seria um anjo...? Seu doce perfume lembra a incenso... Pareço conhecer tão bem esse perfume... Como se estivesse nos braços de alguém que eu conhecesse desde toda a eternidade.

-- Quem... É você...?

-- Não importa agora... Eu vim te buscar, como prometi...

-- ...?

Não entendo suas palavras, mas elas me trazem alegria, e sua voz me faz sentir tão bem, como se nunca houvera a angústia de antes. No conforto de seus braços, num leve suspiro, sinto-me adormecer, e num doce sonho afasto-me do peso daquele lugar. Sinto-me voltando para a luz.

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-- Sim... Este foi um capítulo bem reflexão. Eu acho q deu p/ entender bastante dele, foi lá bem sombrio e tal, mas nada de muito estranho e difícil de se entender. Bom... Tá certo q deixei o final e o q realmente aconteceu bem vago... Mas foi p/ dar akele efeito típico dos animes

Bom... Agora... P/ o próximo e último capítulo!! Ñ só o epílogo p/ desfecho do Olimpo, mas de toda a grande fic composta por estes quatro livros e o "prólogo do céu"