Discleimer: Inuyasha e Cia. Não me pertencem, mas a história sim.
O dinheiro não traz felicidade. Me de o seu e seja feliz. :D
Ela é o cara.
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O lado negro de Kohaku.
Por ter dormido com gelo sobre o joelho batido – como Kohaku sugeriu – ele estava dormente quando acordei e minha coordenação motora também não estava funcionando direito ainda mais pela forma abrupta com a qual fui acordada – nem tive tempo de amarrar os cadarços! – então acabava tropeçando a cada sete passos mais ou menos, enquanto Inuyasha me puxava implacável pelo longo corredor do dormitório masculino.
_Para! – falei enquanto era arrastada naquela caminhada rápida quase corrida – Para! Para! Inuyasha para!
_Sh! – ele respondeu – Vai acordar o resto do pessoal!
_Mas pra onde... Ai. – fiz quando tropecei, mais uma vez – Pra onde esta me l...?!
Choquei-me contra suas costas quando ele parou abruptamente de andar, e cambaleei alguns passos para trás.
_Chegamos. – Inuyasha avisou.
Passei a mão pelo rosto, como se para arrancar o sono dali a força, já que Inuyasha obviamente não me permitiria voltar a dormir.
_Onde? – perguntei.
Ele não respondeu ao invés disso deu uma serie de batidas baixas numa porta a sua frente, como uma espécie de código que seria meio difícil de explicar sem usar sons, franzi o cenho quando ele terminou.
_O que esta tentando fazer afinal? – perguntei – Todos devem estar dormindo, e ninguém vai acordar com essas batidinhas fracas que você deu.
Mas mesmo assim a porta se abriu para nós dois.
_Kohaku? – pisquei, nem tinha percebido que estávamos parados em frente á porta do quarto dele.
Kohaku nem de longe parecia te acabado de acordar, sua cara não estava amassada de sono e seus cabelos, embora soltos, não estavam despenteados, parece até que ele já estava nos esperando. Mas afinal o que esta acontecendo aqui?
Ele me viu e sorriu.
_Ah você também veio, que bom! – disse meio sussurrando e então se virou para Inuyasha – Você trouxe?
Inuyasha assentiu, sorrindo diabolicamente e ergueu uma fronha de travesseiro, que só agora eu percebi que ele estava carregando.
_O que esta havendo? – perguntei.
Inuyasha voltou-se com aquele seu sorriso diabólico em minha direção.
_Vingança, Higurashi, simples e doce vingança! – respondeu.
Franzi o cenho, mas não tive tempo de perguntar nada, porque Inuyasha agarrou meu braço e puxou-me repentinamente para dentro. Kohaku fechou a porta atrás de nós.
_Tá legal, chega de mistério, o que esta acontecendo aqui? – sussurrei impaciente – E o que tem dentro dessa fronha de travesseiro na sua mão?
E por que estou sussurrando?!
Inuyasha sorriu de novo daquele mesmo jeito diabólico de antes e enfiou a mão dentro da fronha de travesseiro, para tirar dali pelos cabelos uma horrível e vermelha cabeça decapitada de Oni.
Arregalei os olhos e tropecei para trás, mas quando abri a boca para gritar Kohaku surgiu atrás de mim e colocou a mão sobre minha boca para me impedir, sua outra mão estava segurando em meu braço para que eu não caísse só então me dei conta de que Inuyasha não segurava uma verdadeira cabeça decapitada de Oni, mas sim uma máscara – muito realista por sinal – e respirei aliviada, e Kohaku percebendo que eu tinha me acalmado acabou por se soltar.
_Desculpe. – murmurou se afastando.
_Certo. – sussurrei agora zangada – O que esta acontecendo aqui?!
_Você deve se lembrar de que há pouco mais de um mês Miroku nos pregou uma peça. – respondeu Inuyasha também sussurrando.
Forcei um pouco a memoria para me lembrar disso, o que foi que ele fez mesmo? Ah, sim!
_O episodio da risada do coringa!
E só pra economizar palavras, e não ficar muito repetitiva saibam que tudo o que falamos esta sendo na base dos sussurros.
_É. – Inuyasha balançou a máscara de Oni a altura do rosto – Chegou a hora da revanche.
_Mas por que agora? – cruzei os braços quando Inuyasha deu-me as costas.
_Porque a vingança é um prato que se come frio.
E foi se aproximando da cama de Miroku, que dormia tranquilamente inconsciente do que se passava ao seu redor.
Kohaku sentou-se em uma cadeira giratória ao meu lado.
_Mas e você? – perguntei, enquanto Inuyasha ajeitava a máscara de Oni na cama de Miroku de forma que ficasse exatamente de frente com o rosto dele – Nunca achei que fosse do tipo que fizesse esse tipo de brincadeirinhas.
Kohaku cruzou as pernas, apoiou um cotovelo no braço da cadeira e a mão sobre o rosto.
_Não sou. – falou – Mas mana me contou que ela e... Esse cara estão meio que saindo.
Meio que saindo?! Espero que seja muito mais que isso! Porque não posso acreditar que ela tenha me traído por um cara com o qual esta "meio que saindo".
_E ela também disso que se eu espantar mais esse ela vai chamar a mamãe. – ele franziu o cenho incomodado. – Então decidi que não vou atormentá-lo... Muito.
Ah, agora entendi porque ele também esta nessa, francamente Kohaku é um amor de pessoa, mas, convenhamos, ainda assim ele continua sendo o gêmeo de Sango.
Olhei novamente para Inuyasha, ele tinha acabado de arrumar a máscara no lugar e agora puxava um cabo de vassoura de debaixo da cama de Miroku, e veio se aproximando cuidadosamente de nós.
_Horas?
_3h24min. – Kohaku respondeu segurando na mão um rádio relógio que tinha pegado da mesa.
_Perfeito. – ele me entregou o cabo de vassoura – Você o cutuca bem de leve.
_O que? Eu? – surpreendi-me.
_É, você. Kohaku?
Kohaku tinha devolvido o rádio relógio á mesa e em seu lugar pegado um notebook, ele ergueu o polegar para Inuyasha.
_Tudo pronto. E são 3h25min agora. – então me lançou um olhar preocupado. – Tente não se assustar, o áudio do meu computador é realmente alto.
_O.K.
_Vai Higurashi, o cutuca! – Inuyasha me incitou – Mas cuidado com a máscara!
_Tá bem! – irritei-me um pouco com ele.
A vontade que eu tinha era de bater em Miroku com aquele cabo de vassoura, afinal ele me roubou Sango, mas como não sou violenta – nem quero ser processada por agressão física – eu apenas limitei-me a cutuca-lo.
Cutuquei-o varias vezes na barriga e nos braços, até que finalmente pareceu que ele estava despertando.
_3h29min! – exclamou Kohaku.
Ele apertou uma tecla em seu computador.
Não tenho certeza se posso descrever o meu susto. Kohaku não estava brincando quando disse que o áudio do computador dele era alto. E aquela risada sinistra então? Por que carga d'água ele tinha uma risada daquelas arquivada no computador?
Eu quase enfartei!
De fato minhas mãos largaram o cabo de vassoura, e eu quase caí, mas esbarrei em Inuyasha.
O pessoal dos quartos ao lado devem ter se assustado também, quer dizer, se não morreram de vez, mas ninguém se assustou tanto quanto Miroku, e só por isso já valeu, de fato, muito a pena.
Ele acordou gritando e deu de cara com a máscara de Oni, tentou levantar e se enroscou nos lençóis de tal forma que caiu todo enrolado de cabeça no chão, e de alguma forma levou a mascara de Oni junto com ele, então ficou lá no chão gritando e lutando com os lenções e a mascara como se estivessem tentando possui-lo.
E nem mesmo as duas dúzias de garotos irados que apareceram na porta tiraram a graça da situação.
Inuyasha e eu voltamos correndo as gargalhadas para a toca do lobo, com a sensação triunfante de finalmente termos sido vingados, e acabamos acordando todo mundo que ainda não tinha acordado antes inclusive nosso generoso anfitrião.
O dia seguinte era domingo, acordei cedo pela manhã como sempre faço, e fui até a cantina comprar meus ovos crus diários, a moça da cantina já até me conhece – devo ser a única pessoa em todo o campus que quebra o jejum com ovos crus – comprei também umas coisas para Inuyasha, afinal foi ele que me deu o dinheiro tanto para os ovos quanto para o resto, e voltei para o quarto, hoje nós tínhamos planejado passar o dia todo na toca do lobo jogando com o Xbox de Kouga que tínhamos recém-descoberto escondido no guarda-roupa dele.
Inuyasha tinha acabado de instalar toda a fiação – e eu de comer meu segundo ovo – quando Kouga saiu do banheiro, ele usava bermudas e uma blusa branca de gola polo, os cabelos estavam presos para trás como sempre, e na mão tinha uma sacola de viagem em formato cilíndrico de onde sobressaia-se uma raquete de tênis, e pareceu surpreso em nos ver ali, em seu quarto, como se tivesse esquecido que éramos seus hospedes.
_O que estão fazendo? Por que ainda estão de pijama?
Só para constar, sim eu fui de pijama comprar o café da manhã, mas pelo menos o meu pijama é um conjunto folgado de calça e camisa de manga comprida de tecido moletom, e não igual ao do Inuyasha, que é uma cueca boxe e uma camisa velha e desbotada de alguma banda qualquer – quanto mais quente as noites vão ficando menos roupa ele vai usando pra dormir, é impressionante, mesmo com o quarto de Kouga tendo ar condicionado.
_Íamos jogar com seu videogame. – respondi, mas de repente me dei conta de que não tínhamos pedido permissão – Podemos?
Kouga franziu o cenho.
_Eu tinha esquecido que tinha essa coisa, sim podem jogar, mas não aqui.
Inuyasha levantou-se confuso.
_Que quer dizer?
Apesar de ter reclamado tanto no inicio, em pouquíssimo tempo ele acabou ficando tão acomodado aqui quanto eu.
_Eu não contei a vocês?
_Não. – respondi.
_Hoje é dia de Jackotsu vir limpar o quarto, ele vem sempre um dia sim dois dias não, e ele não gosta de ninguém aqui quando ele esta limpando, então vocês devem evacuar o quarto das 09h30min até as 14h00min.
_E agora que você nos diz?! – Inuyasha reclamou.
_Acho que tinha esquecido. Desculpe. – ele encolheu os ombros e foi em direção à porta.
_E você? – perguntei – Onde vai passar o dia inteiro?
_Eu vou jogar tênis. – respondeu abrindo a porta.
_Aqui não tem quadra de tênis. – Inuyasha comentou.
_Eu sei, vou ao Club, e é melhor eu ir logo porque não quero pegar trânsito. – ele olhou o relógio de pulso – E meu pai odeia quando me atraso, "Ou você esta aqui na hora ou não esta Kouga!" É o que ele sempre diz.
Girou os olhos e foi embora resmungando algo como "Eu devia ter ligado para o meu piloto, de helicóptero é mais rápido!".
Então enquanto Inuyasha desconectava tudo e reclamava eu calcei meus tênis, coloquei as chaves e o celular num dos largos bolsos da calça moletom, duas revistas Passa-Tempo e uma caneta no outro, peguei minha tigela ainda com quatro ovos restantes e sai.
Fui direto para a enfermaria.
_Eu peguei uma queda ontem no treino de futebol, e bati o joelho, agora ele esta latejando, será que posso ficar um tempo descansando aqui? – perguntei à enfermeira.
Ela pediu para que eu sentasse numa maca porque queria ver meu joelho, e como eu estava com uma calça moletom bem folgada dessa vez foi fácil subir a perna dela até o meio da cocha, e como tinha um hematoma enorme nele, ela acreditou na minha história, deu-me uma sacola com gelo e alguns analgésicos e me mandou deitar em um dos leitos vazios, embora tenha parecido mais preocupada com o fato de eu estar comendo ovos crus do que com o hematoma roxo no meu joelho.
Na verdade meu joelho não estava latejando, dolorido sim latejando não, mas eu disse aquilo para que ela me deixasse ficar,
Duas horas mais tarde, eu já tinha terminado meu café da manhã, e lá estava eu confortavelmente com as costas apoiadas nos travesseiros da cama, e uma sacola de gelo sobre o joelho, tranquilamente resolvendo umas palavras cruzadas quando a cortina que cercava meu leito repentinamente se afastou.
_Ei Higurashi finalmente te achei! – era Inuyasha.
_Taisho! – surpreendi-me sentando-me ereta. – Como sabia que eu estava aqui?
Eu não tinha dito a ele que vinha para cá porque se Inuyasha comentasse com o Kohaku, ele ia acabar tentado me levar para o pronto socorro achando que o baque no meu joelho é mais serio do que eu quero admitir.
_Eu fui perguntando até achar alguém que tivesse te visto.
Ele virou-se, afastou a cortina do leito ao meu lado, viu que estava vazio e jogou-se lá.
_Mas por que estava me procurando?
_Porque fiquei entediado, já reparou como esse lugar ficar deserto aos domingos?
_Na verdade... Sim.
Minha voz foi sumindo quando percebi a enfermeira parada entre nossas camas, ela colocou as mãos nos quadris e olhou seriamente para Inuyasha.
_Com licença, mas você esta sentindo algo?
_Eu? – Inuyasha olhou-a confuso.
A enfermeira apontou para ele, com uma unha perfeitamente pintada de vermelho... Sabiam que no Antigo Egito só Cleópatra é que podia pintar as unhas de vermelho?
_Sim, porque caso não esteja terei de pedir que se retire, porque do contrário você estaria aqui apenas ocupando o leito que outra pessoa poderia precisar.
Inuyasha olhou a volta para a silenciosa e quase vazia enfermaria, além da minha cama e da dele havia mais outras seis ali, e só uma estava sendo ocupada por uma garota adormecida – ela já estava aqui quando cheguei então não sei o que ela tem – depois encarou novamente a enfermeira. Achei que ia dizer alguma coisa mal criada, mas ao invés disso levou uma das mãos á cabeça e disse e um tom perfeitamente falso:
_Ai, eu estou com uma dor de cabeça horrível!
A enfermeira cerrou os olhos.
_Esta mentindo.
_Mas segundo as regras da universidade você não pode me recusar ajuda, pode? – Inuyasha perguntou – Nem me impedir de ficar aqui se eu disser que de fato estou sentindo alguma coisa.
_Não. – a enfermeira respondeu a contra gosto.
_Bem então... – Inuyasha inspirou – Ai minha cabeça! Ajude-me, por favor! Você não teria alguma aspirina por ai? Nossa que enxaqueca!
_Você podia ao menos tentar me convencer de verdade, não é? – ela reclamou se afastando – Não tem ideia do que eu já vi por aqui, especialmente em dia de prova, isso aqui lota!
Eu a observei mexendo no armário de remédios, provavelmente procurando algo para a "dor de cabeça" de Inuyasha, e voltei meu olhar para ele:
_Não tem problema você tomar remédio? – perguntei – Afinal você não tem nada!
Inuyasha deitou-se na cama, cruzando os braços atrás da cabeça.
_Tudo bem. – disse – Eu pelo menos nunca ouvi falar de alguém que morreu por tomar um simples remédio para dor de cabeça, e você?
_Não. – admiti.
A enfermeira retornou trazendo um comprimido e um copo de água para Inuyasha, ele tomou o remédio e depois, com um sorriso cínico, devolveu o copo ainda cheio pela metade com água.
_Garoto abusado. – a ouvi resmungar se afastando.
_Ela tem razão. – comentei – Você é mesmo um abusado.
Inuyasha olhou-me apoiado num cotovelo.
_Ora, e quanto a você?
_Eu?
_Também esta aqui.
Girei os olhos e voltei a recostar-me nos travesseiros.
_Isso é diferente.
Inuyasha bocejou.
_Sabe de uma coisa? Isso aqui me lembra dos meus tempos de crochê.
_Tempos de crochê? – Pisquei.
As bochechas de Inuyasha ficaram cor de rosa e ele pareceu ter se dado conta de que tinha falado demais.
_Não, é que... Quando eu tinha nove anos, peguei catapora.
Virei-me de lado e apoie-me em um cotovelo com o cenho franzido.
_E o que tem isso? Eu peguei catapora com doze.
Na verdade Sota tinha quatorze anos quando teve catapora, e ficou muito irritado comigo, porque fui eu que a passei para ele – acontece que tínhamos acabado de começar as férias de verão e por causa da catapora ele acabou perdendo a maior parte das férias.
_Bem é que... Bom, eu não sei a sua mãe, mas quando eu peguei catapora, a minha expulsou Sesshoumaru de casa e praticamente me amarrou na cama, eu não era uma criança muito fácil.
_Por que ela expulsou seu irmão de casa?
_Para ele não pegar, aquela seria uma péssima época para ele pegar catapora.
_Por quê?
_Porque ele tinha acabado de entrar na faculdade e estava em época de provas.
_Espere! – eu me sentei – Youkais pegam catapora?
Inuyasha deitou-se novamente e olhou para o teto.
_Mamãe apenas não quis brincar com a sorte, mesmo ninguém nunca tendo ouvido falar antes de um youkai que pegou catapora, eu peguei porque tenho parte humana.
_Ah entendi. – sorri – Espere, não entendi não, o que é que essa história toda tem haver com crochê?
_Hã... Isso. – ele voltou a corar.
_É. – inclinei-me um pouco mais na sua direção – Fala de uma vez!
_Eu falo. – ele se rendeu – Mas vai ter que fazer uma coisa por mim em troca.
_Certo. – concordei – O que?
Só que ao invés de me responder o que iria querer, ele começou a contar a história do crochê:
_Eu ficava muito entediado passando o dia inteiro na cama, eu dizia "mãe esta tudo bem, sou parte humano, mas também tenho parte youkai, não estou tão mal assim!", só que ela nem queria saber. E meu pai também não queria subir a televisão para o meu quarto, muito injusto se quer saber, porque eu estava doente então eu tinha prioridade sobre a televisão... Bem, em fim, no quinto dia eu tentei escapulir pela portinha do cachorro, nem sei por que tínhamos uma portinha para cachorro se nunca tivemos um cachorro... Ei por que você esta rindo?
_Nada. Continue.
Eu cobri a boca com a mão, e tentei me controlar, é que... A ideia de Inuyasha escapulindo por uma portinha para cachorros... Ai não dá!
Rolei na cama até ficar deitada de barriga, enfiei minha cara no travesseiro e comecei a rir.
_Feh! – ouvi Inuyasha – Quer ouvir o resto ou não?
_Certo desculpe. – eu levantei o rosto – Continue.
Inuyasha girou os olhos e resmungou algo como "idiota", mas depois continuou sua narrativa:
_Mamãe acabou me pegando em fragrante, não sei como, acho que foi sexto sentido de mãe. Já reparou como elas sempre parecem saber quando você esta aprontando? – concordei – Bem, ela me colocou debaixo do braço e me levou de volta para o quarto, jogou-me na cama e saiu, quando voltou trouxe um monte de rolos de lã... Acho que era lã, sei lá, e agulhas. Pensei que agora sim ela ia me amarrar na cama.
Arregalei os olhos.
_Mas e então? – perguntei – O que houve?
_Hum... Ela me ensinou a fazer crochê. Disse que a mãe dela tinha ensinado a ela quando ela pegou catapora com seis anos, e a mãe da mãe dela ensinou para ela quando ela pegou catapora aos quinze... – Inuyasha me olhou – Mamãe sempre quis uma menina.
Eu não conseguia conter meu sorriso zombeteiro.
_Então você faz crochê.
Com o rosto muito vermelho Inuyasha sentou-se e rapidamente falou:
_Não sei se ainda sei fazer crochê, já faz seis anos que eu não dou um ponto!
Inclinei a cabeça de lado.
_Seis anos? – repeti – Mas disse que pegou catapora com nove anos.
Francamente, não tem como o Inuyasha ter apenas quinze anos.
_Hum... É que tive caxumba aos treze anos. – Inuyasha fixou o olhar no teto. – Mas deixa isso pra lá, eu te contei dos meus tempos de crochê. Agora você vai me retribuir o favor.
_Isso esta me parecendo até a "lei da troca equivalente". – comentei.
_Não se preocupe. – Inuyasha estava sorrindo – Eu não vou querer a sua perna, nem o seu braço.
Ergui as sobrancelhas, surpresa ao perceber que ele também assistia FMA.
_Então o que vai querer?
_Quarta-feira o tal Jackotsu, que vocês ainda não me disseram quem é, vem limpar o quarto do lobo de novo.
_Sim, e daí?
_Eu quero sair com Kagome nesse dia.
Franzi o cenho, e tentei não ficar muito incomodada e nem ofendida por ele estar me usando, ou melhor, usando "minha irmã Kagome" como moeda de troca, mas, por alguma razão, acabei concordando.
Por causa do meu joelho – que não estava assim tão ruim, mas vamos deixar quieto – a enfermeira insistiu em dar uma liberação especial do treino de futebol pelo resto da semana, assim na segunda-feira apareci no treino só para me sentar na arquibancada e assisti, mas na terça-feira aproveitei minha liberação do treino para ir mais cedo à lavanderia.
Kohaku não quis me deixar carregar muito peso com o meu joelho ruim – que, de novo, não esta tão ruim assim – e acabou dando um jeito de sair mais cedo para me acompanhar até a lavanderia.
Aproveitei essa chance para pedir um favor a ele.
_Não senhorita, por favor, não insista! – ele respondeu-me agoniado.
_Kohaku... Por favor. – implorei colocando a máquina de lavar para funcionar.
Isso normalmente não é necessário, porque devido a sua natureza solicita Kohaku geralmente não consegue dizer não á alguém que peça um favor á ele, mas hoje esta realmente sendo difícil convencê-lo.
_Mas eu não posso ir ao dormitório feminino pegar suas coisas de menina! – ele protestou.
Suspirei, eu realmente gosto muito de Kohaku e não queria, nunca, ter de usar isso contra ele, mas acho que não tenho opção.
Dei um passo à frente e o abracei, erguendo meu olhar mais doce em sua direção.
_Kohaku... Por favor. – implorei. – Eu preciso de sua ajuda e você sabe que na ausência de Sota você é o único irmão mais velho que tenho.
Kohaku ficou sem ação, e então finalmente se deu por vencido, Sota sempre disse que tenho olhos perigosos, e que é uma completa covardia usá-los contra as pessoas que me amam.
_Está bem. – concordou – Do que precisa?
_Jura? – animei-me, rodopiando para longe de Kohaku – Não é muita coisa, eu juro, só a minha maquiagem e peruca, e também alguma roupa... Mas tem que cobrir minhas pernas!
Kohaku olhou inquisitivo para minhas pernas, como se pudesse enxergar através do tecido da minha calça.
_Qual o problema com as suas pernas? – perguntou.
_Nenhum. – respondi, e toquei bem de leve o joelho direito – Só não quero que ele veja o hematoma. Seria dar muito na cara não é?
_É, tem razão. – Kohaku concordou.
_Ah Kohaku, tem mais uma coisa... – falei novamente com aquele olhar cheio de doçura.
E como se já não tivesse lhe pedido bastante, eu pedi também que ele desse um jeito de tirar Miroku do quarto deles, porque eu ia me trocar lá, já que agora me trocar no quarto da Sango não era mais uma opção... Mas devo acrescentar que ele não relutou nada em concordar dessa vez, na verdade enquanto voltávamos para a universidade tive a impressão de ter o ouvido comentar algo sobre espantar Miroku para fora do quarto pegando uma cobra no laboratório de biologia e jogando na cama dele.
Foi estranho, porque eu acho que já não usava os "olhinhos da irmãzinha" – como Sota chama – desde outubro, sei lá, é que sem meu irmão por perto, eu acho que não via muita necessidade de usá-los... Ainda mais porque Kohaku é tão gentil que geralmente sempre faz tudo o que eu peço.
Então, no dia seguinte, três horas antes da hora marcada com Inuyasha, lá estava eu sentada num dos longos bancos de madeira próximo aos telefones públicos esperando por Kohaku.
_A mana arrumou as coisas. – disse-me em tom de desculpas, parando a minha frente com uma sacola de papel, com o logotipo de uma loja cara, nas mãos – E também me mandou dizer que você tem que parar de comer tantos ovos crus, ou vai adoecer.
Eu peguei a sacola de suas mãos, e sem querer falar de Sango levantei-me sorrindo e disse:
_Bem, vamos indo não é?
Aparentemente Kohaku ainda não tinha se livrado de Miroku, então tive que esperar do lado de fora enquanto ele resolvia este último probleminha.
_Não sei por que esta reclamando! – ouvi a voz de Kouga se aproximando – Você nem sequer tem que lavar as roupas deles!
_E ai de você se tivesse! – respondeu uma segunda voz. – Eu ia cobrar a mais!
Kouga vinha andando pelo corredor aberto do dormitório empurrando um aspirador de pó com rodinhas, e carregando um balde com vários produtos de limpeza dentro na companhia de um garoto que usava avental, luvas e um lenço na cabeça.
_Eu só fique confuso. – disse o garoto desamarrando o lenço dos cabelos e o guardando numa bolsa de viagem que carregava pendurada num dos ombros – Afinal você me deu uma exorbitante quantia só para eu sumir da sua vista no dia em que me conheceu.
Kouga fez uma careta enquanto o garoto tirava as luvas e as guardava na bolsa de viagem junto com o lenço.
_Nem foi tanto dinheiro assim.
_Pra você. – afirmou desamarrando o avental.
_De qualquer jeito eles só estão lá por enquanto. – e deu a ele o aspirador de pó e o balde. – Quando você vem de novo agora?
_Sábado. – respondeu pegando as coisas e indo embora – Tente não emporcalhar tudo até lá, se bem que o quarto estava até bem limpinho nessas minhas duas últimas visitas.
Aquele só podia ser o famoso Jackotsu.
_Por causa do Higurashi! – gritou para o outro que já ia longe.
Cruzei os braços escorando-me á parede.
_Já que eu estou facilitando o trabalho de Jackotsu acho que eu deveria receber uma pequena comissão. – comentei – Não concorda?
Kouga virou-se surpreso.
_Oi! – disse vindo em minha direção – Não tinha te visto ai!
_Percebi.
Ele parou a minha frente.
_Falei com minha mãe sobre Kagura.
_Jura? – agitei-me – E então? E então?
Kouga suspirou.
_No começo ela se recusou a contratar uma modelo inexperiente, disse que não pode confiar no meu "olhar critico" para essas coisas, então eu falei que não conhecia a garota, o que é puramente verdade porque nunca vi a irmã de Naraku, e que ela na verdade tinha sido uma indicação de Higurashi Kagome...
_Higurashi Kagome?! – exclamei largando a sacola e o sacudindo – Como assim? Kouga você não colocou o meu nome nisso colocou?! Fale logo! – Parecendo meio zonzo Kouga deixou a cabeça cair para trás. E eu voltei a sacudi-lo gritando – KOUGA!
Ele ergueu a cabeça de repente e a sacudiu, tirou minhas mãos de sua camisa e se afastou alguns passos.
_Foi necessário. – falou tão baixo que pareceu quase um murmúrio – Eu não podia dizer que foi indicação de algum colega meu de time, porque ela ia dizer que não pode confiar no "olhar critico" dos homens para coisas assim.
_Ai não. Eu não queria me envolver ainda mais nisso. – murmurei cobrindo o rosto com as mãos e deslizando pela parede até me sentar no chão – E o que sua mãe falou depois que você contou de mim?
_Ela aceitou trabalhar com Kagura.
Fiquei de pé num salto só.
_Verdade mesmo?!
_É. – ele trocou o peso do corpo de um pé para o outro – Mas...
_Por que sempre tem um "mas"? – gemi.
_Ela também quer você. – Kouga completou.
Pisquei.
_Como assim ela também me quer?
_Minha mãe aceita trabalhar com Kagura, desde que, Higurashi Kagome seja a modelo principal da campanha.
Ah. Meu. Buda.
Eu ainda estava tentando me recuperar da noticia de Kouga, quando de repente ouvimos um barulho alto de água, e dentro do quarto Miroku gritou:
_AH! VOCÊ TÁ DOIDO?!
E Kohaku respondeu calmamente:
_Você esta com sorte de eu não ter te carregado até o lago e te jogado lá. – uau, quem diria que o gentil Kohaku poderia ter esse lado sombrio?! – Agora dê o fora daqui.
_Você era bem mais legal no começo. – Miroku reclamou, e ouvimos seus passos se aproximando.
A porta foi aberta com brusquidão, e Miroku saiu zangado e encharcado por ela, e foi embora sem perceber a minha presença ou a de Kouga, Kohaku veio logo atrás.
_No começo você não estava trocando saliva com a minha irmã! – falou zangado para as costas de Miroku.
E então Kohaku virou-se para nós, e por um segundo tive medo, mas ele sorriu e disse gentilmente, como o velho Kohaku de sempre:
_Já pode entrar agora, cuidado para não escorregar.
Concordei calada e entrei no quarto. Não sei o que me dá mais medo, o Kohaku sombrio ou a face sorridente e gentil dele que oculta esse lado sombrio.
Uma palavra para você: Medo! O.O
*.*.*.*
Pronto desde 19/08/14, eu achei que não ia acabar nunca!
Certo eu demorei muito dessa vez e admito... Ah! * correndo para me esconder das pedradas* Ei vida de vestibulando que ainda esta na escola não é fácil!
Mas eu juro que vou tentar postar no dia 31 de outubro ou mais tardar 03 de novembro. Alguém adivinha o porquê dessas duas datas em especial?
Respostas as review's:
Belle: O quarto do Kouga é um sonho né? Espere só até ver o banheiro!
Na verdade, Kohaku também tem seu lado maligno! *risada sinistra*
Esse Kouga... Sai por ai distribuindo montes de "doações generosas" e não dá nenhuma para nós. É triste. T.T
Ah, o meu vive dizendo que a minha idade mental é de oito ou nove anos KKKK.
Joh chan: Sabe de uma coisa? A sua resposta foi a que melhor me animou, porque tem vezes que o Serpente tira o dia para me azucrinar – ele admite isso na maior cara de pau – mas ai eu penso "Com a Joh chan é bem pior." Então valeu mesmo. ^^
Bem, a Sango daqui uns capítulos já volta para a fic, quanto ao Miroku... Esse está "comendo o pão que o Kohaku amassou" entendeu o trocadilho? KKKK.
Duvido muito o Inuyasha deixar o criado dele ir embora, ainda mais porque ele não tem dinheiro igual o Kouga para pagar um...
Kiaraa: Lento do jeito que ele e? Vai demorar.
O melhor é quando... Ops! Já ia dando spoiler aqui. E todo mundo sabe que ninguém gosta de spoiler. U.U
EllenChaii: Ah, isso é porque eu gosto demais do Kouga, e sempre colocam ele como um arrogante/estupido/ vilão em praticamente todas as fanfics que eu leio, então pelo menos uma vez eu quis que ele ficasse bem na fita. :D
Ai o Percy vai de mal a pior... Lá pra Janeiro eu aposento ele.
Sabe de uma coisa? Uma garota da escola me disse quase a mesma coisa. Porque ela e o irmão dela viviam brigando, mas agora que ele já ficou adulto e se mudou ela morre de saudades dele.
Agome chan: Jura que sente pena dessa Kagome? E, no entanto eu não tenho a menor piedade dela... Ah o Sesshy vai perturbar, e como vai!
Yogoto: Bem é que eu sempre trabalho com extremos – já me disseram isso uma vez ^^' – não sei colocar uma coisa no meio termo, ou elas estão muito próximas ou eu afasto de vez, mas não se preocupe, daqui uns dois capítulos Sango volta, e eu vou tentar equilibrar um pouco mais as coisas.
ThaliCarvalho: Bem... É que Kagome é uma pessoa um pouco complicada (Só mesmo tendo muita paciência para lidar com ela ¬¬') ela só vai recorrer novamente aos braços de Sango quando entrar em desespero. E conhecendo-a como a conhecemos isso não vai demorar.
O Inu já se acomodou na toca do lobo também KKKK Vamos ver como é que o Kouga tira esses dois hospedes parasitas do quarto dele depois.
É o Kohaku sempre fica mesmo no meio do fogo cruzado.
Naraku... Seja lá qual for a fanfic ele é sempre um cretino.
O Inu? Ah nada demais só uma vingancinha básica.
Priscila Cullen: E não é? Quer dizer, os únicos animes com os quais ele não implica são os que ele assiste também, porque fora isso ele arruma um motivo para reclamar de todos os outros que eu assisto/já assisti.
Então curiosa para o próximo? Teremos mais um encontro Inu/Kah.
Katrini Magnus: Pois é, esses personagens neuróticos são sempre os mais cômicos.
LuyCastro: Olha! Alguém que vê as coisas pelo meu ponto de vista: É perfeito demais e ainda por cima vem com o Kouga de brinde! Quem abandonaria um quarto desses, gente?!
Acho que todo mundo ficou bem chateada com a Sango. Não imaginei que ia ter essa repercussão toda. O Kohaku é fofo, mas nem por isso deixa de ter seu lado sombrio, afinal de contas de uma forma ou de outra ele ainda é o gêmeo de Sango!
Isso é porque o Sesshoumaru é demais, ele é tipo "I fuck!" então ele sacou logo de primeira!
Sabe você me deu até umas ideias de conversas dele com a Kah, tipo uma pelo webcam... E outra que a Kagome liga para ele e ele já vai atendendo assim "Kagome como você sendo tão esperta não sabe o que é fuso horário?" porque é madrugada lá onde ele tá enquanto que no Japão é dia KKKK.
