Título: Os Corações Da Questão
Autora: Lab Girl
Categoria: Bones, B&B, 5ª temporada, romance/drama
Advertências: Os temas a serem abordados nesta história são de conteúdo adulto, com linguagem e situações muitas vezes inapropriadas para menores. Favor levar em consideração o alerta antes de prosseguir com a leitura!
Classificação: variando do R ao NC-17
Capítulo: 38/?
Status: Em andamento
Os Corações da Questão
por Lab Girl
Parte I: Graus de Aproximação
#38: Quase Lá
Ele sentiu a mão que segurava o papel tremer. Seu peito estava quente... disparado. Com a cabeça girando, ouviu sons abafados ao fundo, mas não foi capaz de distingui-los.
Não até que seus olhos se ergueram da carta e a encontraram... parada ali, à sua frente.
Havia algo brilhando no azul das duas esferas que o fitavam. E ele logo reconheceu – apreensão.
Seeley dobrou o papel, ainda com o olhar preso à figura de Brennan, que estava imóvel a apenas alguns passos de distância. Ele tragou em seco, umedeceu os lábios com a ponta da língua na esperança de dizer alguma coisa – a coisa certa.
"Você... encontrou a carta" a voz dela saiu antes que Seeley pudesse falar.
Era evidente que ela não esperava que ele a encontrasse.
"É, eu... estava folheando o livro" Seeley ergueu o exemplar que segurava em uma das mãos, a folha de papel em outra.
"Eu não esperava que isso acontecesse" Brennan tornou a falar, uma nuance de temor na voz. "Na verdade essa carta... não era para você encontrá-la, eu... eu escrevi num momento de fragilidade e não era realmente para que ninguém soubesse da existência dela, por isso eu deixei guardada e..."
Ela parou de falar.
Seeley depositou o livro e a carta sobre a mesa de mármore próxima a estante. Andou dois passos na direção da parceira.
"Essa carta era para mim" ele disse o óbvio. "E eu gostei de saber que ela existe."
Brennan não disse nada. Apenas o encarava em silêncio, porém os olhos – estes gritavam o medo da exposição de sentimentos que ela mantinha sempre tão bem guardados.
Seeley sabia disso. Ele a conhecia tão bem... um pequeno sorriso surgiu em seu rosto. Aproximou-se mais dela, parando a meros centímetros de distância, seus olhos presos aos dela.
"Foi muito bom saber disso, Bones... ler essa carta. Principalmente depois desse caso. Significa muito para mim" Seeley murmurou as palavras, pontuando-as com um leve sorriso.
Seu coração ainda batia com força e ele sentia uma vontade indescritível de romper a distância mínima que ainda os separava.
Seus corpos estavam próximos. Mais próximos do que ele conseguia se lembrar de estarem nos últimos dias. E lembranças de como tudo havia começado com aquela explosão no Jeffersonian quase dois meses atrás o fez se dar conta de que por pior que tivesse sido, aquele caso os havia unido de uma maneira diferente... os havia aproximado de alguma forma. De um modo que ele não sabia explicar, mas desde que Brennan levara aquele tiro que era para ser dele, as coisas haviam mudado ligeiramente de lugar.
Ou ele estaria tão enganado assim?
Seeley se perguntava isso enquanto ouvia o som da própria respiração, seus olhos imersos completamente na imensidão azul que o fitava de volta.
~.~
Não era como ela havia esperado... ele encontrando sua carta, uma que havia escrito num momento de desespero, mas que nunca se atrevera a entregar. Uma carta que mantivera guardada por tanto tempo...
Sua própria reação naquele momento era o que mais a surpreendia. Sentir-se tão vulnerável e exposta diante de Booth. Seu coração batia apressado, seus olhos presos no olhar escuro e certeiro dele.
Era como se ela não tivesse saída, como se simplesmente não conseguisse romper aquele momento... se afastar dali.
Mas ela não queria se afastar. Pela primeira vez Temperance Brennan queria fazer diferente.
E as palavras que ele havia dito uma hora atrás vieram à sua mente, com um sentido completamente diferente...
Vamos fazer diferente dessa vez...
Ela ouviu as palavras e se permitiu atender os apelos daquele novo sentido... apenas cerrou os olhos, inspirando... e sentindo o corpo tremer.
Não precisou esperar muito. Ela o sentiu.
Sobre si.
O calor dele. A presença.
O rosto roçando o seu... tão de leve, mas de forma tão tentadora que sentiu seu corpo inteiro despertar.
E sem qualquer controle sobre seus movimentos, uma de suas mãos se ergueu, procurando e encontrando a nuca macia de seu parceiro.
Ela o sentiu liberar um suspiro quente sobre seu rosto... e se permitiu virá-lo, tocando os lábios de Booth com os seus.
O contato produziu um pequeno choque, uma leve onda de eletricidade varrendo sua espinha. E então sua outra mão uniu-se a que já se encontrava pousada sobre a nuca de Booth, seus dedos afundando por entre os cabelos dele, trazendo-o para mais perto, aprofundando o contato de seus lábios.
Ela o sentiu partir os dele de forma lenta e suave, e o hálito masculino invadiu sua própria boca assim que a abriu para recebê-lo.
Um suspiro trêmulo escapou de sua garganta, perdendo-se dentro de um beijo. As mãos dele contornaram sua cintura, envolvendo-lhe o corpo, uma delas apoiando firmemente o fundo de suas costas.
Temperance sentiu as pernas vacilarem por um instante e uma de suas mãos migrou da nuca do parceiro para o ombro dele, em busca de apoio. Suas unhas afundaram levemente, raspando o tecido da camisa.
E o mundo girou mais depressa por trás de seus olhos cerrados, a língua macia e gentil dele deslizando timidamente sobre a sua. Sem esperar mais, ela sugou de leve, imprimindo uma intensidade maior ao contato. E foi o que bastou para que ele perdesse as reservas... com um grunhido, Booth a apertou pela cintura, trazendo-a para mais junto do corpo firme e ela gemeu, sem romper o beijo.
Pelo contrário.
Suas respirações se misturavam, e ela tremia, deliciosamente entorpecida, sentindo o corpo dele enrijecer contra o seu...
Temperance sabia que se não parassem ali as coisas sairiam - ainda mais - de seu controle. E ela já estava exposta, já havia se permitido ir longe o bastante com aquele beijo, mas não tinha qualquer força para se afastar dos braços dele.
Por um minuto teve medo de que ele a soltasse e seu corpo caísse ao chão, tamanho era o tremor que sentia em seus membros. Ela não estava certa se conseguiria sustentar-se sozinha.
Por outro lado, tinha medo do que estava acontecendo... do que estava sentindo. Nunca antes se sentira tão fraca e tão vulnerável com algo tão simples quanto um beijo.
Mas ela não conseguia - e temia não saber - como parar aquilo. Como se impedir de ceder tão facilmente ao apelo do corpo dele, do calor... da firmeza e da segurança que sentia nos braços de Booth.
Nada era parecido com qualquer coisa que já havia experimentado antes.
E era o que ela temia, o que sempre temera esses anos todos... não resistir a ele... aos dois...
Com o resquício de força que lhe restava, ela apoiou uma das mãos no peito firme do parceiro. Mas antes que pudesse fazer qualquer movimento, sentiu o corpo – o calor – dele se afastando.
Atordoada, abriu os olhos devagar. Quando sua visão focou-se no rosto de Booth, sentiu-se perder o ar por um instante... os lábios dele estavam vermelhos, úmidos... os olhos vivos, brilhando com um desejo inegável e que, ela estava certa, refletia o seu próprio.
Sua própria respiração entrecortada fez registro em seus ouvidos, mas ela conseguia apenas fitá-lo. O rosto de traços fortes, masculinos e marcantes; cada nuance da estrutura óssea perfeita que seus olhos clínicos tanto admiravam; o modo como os olhos castanhos assumiam tonalidades levemente distintas enquanto a mirava. Ela admirava até mesmo o pequeno sinal próximo ao olho direito que conferia a ele um ar incrivelmente sedutor.
Perdida nos traços do rosto de Booth, Temperance mal pôde notar que tinha sido ele a romper o beijo, mas assim que o sentiu afastar-se alguns centímetros mais, a mão que lhe segurava as costas deslizando por sua cintura numa menção de soltá-la, foi incapaz de conter um murmúrio abafado de frustração.
Por quê?
Por que ela o queria tanto? Acima de qualquer racionalidade, ao ponto de sentir-se reduzida a uma massa confusa de emoções e sensações que sequer conseguia compreender...?
"Booth..." ela começou, tentando dizer algo que nem sabia o que era.
Mas, novamente, ele foi mais rápido.
"Eu preciso ir agora, Bones" a voz dele saiu rouca, despertando um arrepio involuntário na pele de Temperance, que queimava com desejo reprimido.
E a mão de Booth finalmente terminou de deslizar por sua cintura, liberando-a completamente das amarras que a prendiam a ele.
Ela sentiu frio.
Medo.
Confusão.
Ele, ao contrário, parecia estar em perfeito controle de si mesmo... um sorriso sutil iluminando o canto dos lábios.
~.~
A sensação era quente e gostosa. Um meio sorriso ardia em seus lábios ainda inchados... por causa dela.
E embora seu coração batesse apressado, contraditoriamente Seeley não sentia pressa alguma.
Cinco anos...
Foram cinco anos de espera, culminando naquele momento. Por iniciativa dela. E ele não tinha a menor pretensão de fazer um movimento precipitado. Não dessa vez...
A noite na escadaria do Hoover, sua precipitação em expor seus anseios sem que ela estivesse pronta para lidar com aquilo tinha sido lição suficiente. Agora ele tinha tempo. E tinha finalmente conhecimento a seu favor.
O tempo de Brennan era diferente do seu.
E ele jogaria pelas regras dela. Na noite em que havia ensinado a ela sobre as regras de baseball tinha decidido esperar... ajudá-la a abrir-se a seu próprio tempo. E as palavras de Sweets, por mais que o irritassem por vezes, ressoavam agora muito mais fortemente em sua lembrança... Ela tem medo de lidar com o que sente por você...
Mas ele mostraria a ela que não tinha por que temer o que sentia. Queria mostrar a Brennan que ela era capaz de se entregar, de amar e ser amada sem mudar o que ela era em essência. Até porque ele não queria nada mais, nada menos do que ela era.
Naquele momento romper o beijo, afastar-se suavemente e dizer que estava de partida tinha se convertido em sua melhor estratégia. Sabia que poderia continuar a beijá-la, que talvez aquilo os levasse a muito mais do que um beijo... mas Seeley não queria que fosse assim – não queria deixar espaço para que ela se arrependesse no dia seguinte e dissesse que tudo havia sido apenas uma 'descarga de hormônios acionados pelos últimos acontecimentos'.
Não.
Ele sabia que ela ainda estava frágil, o julgamento de Heather Taffet havia acabado de acontecer. E Seeley não queria que a primeira vez que fizessem amor fosse num impulso. Queria que ela estivesse completamente ciente dos próprios desejos, sem nenhuma emoção conflitante disputando espaço naquela mente brilhante. Ele queria que ela sentisse apenas o coração... e a hora certa chegaria. E agora ele estava seguro disso.
"Você teve um dia extenuante" Seeley murmurou, estendendo a mão até o rosto suave, deslizando as costas dos dedos sobre a pele, sentindo-a estremecer diante do contato; seu sorriso aumentou sem que pudesse evitar. "Precisa descansar..."
"Eu..." Brennan tentou responder, mas a voz falhou e ela deslizou a ponta da língua sobre os lábios.
O gesto o arrepiou, arrancando uma resposta rápida e inesperada de sua masculinidade. Ele tentou ignorar a pulsação leve e insistente que o percorria, focando-se em sua decisão – precisava resistir. Por ela. Por um futuro para ambos.
"Boa noite" ele disse, antes que seu instinto falasse mais alto do que sua razão; inclinando-se, beijou de leve a testa da parceira.
O contanto foi breve, mas o suficiente para que seus lábios queimassem. Céus... como era difícil resistir a ela. Seeley precisou de todo seu esforço para virar-se e pegar o paletó que havia deixado sobre uma cadeira da sala.
Quando já estava diante da porta do apartamento, virou-se novamente para ela. Sorriu...
"Se precisar de alguma coisa... qualquer coisa... sabe onde me encontrar."
E sem esperar resposta, deixou o calor de Brennan e do apartamento dela para trás. Mas com a sensação de que havia feito a coisa certa. Algo lhe dizia que o que tinham agora – aquele novo espaço criado pela aproximação dos últimos tempos – estava apenas começando. E mais do que nunca, Seeley queria acreditar em seu instinto.
O que dizer pra vocês que não desistiram dessa fic até hoje?
Muuuito obrigada!
Obrigada pela paciência - porque eu sei que tenho feito vocês esperarem muito pelas atualizações, em especial nos últimos tempos - mas diante desses comentários tão adoráveis eu só posso mesmo agradecer.
Vocês fazem meu trabalho como escritora de fanfictions valer *muito* a pena!
