Harry Potter sentou em sua mesa e começou a trabalhar, estava somando algumas parcelas. Terminou e ele olhou a soma. Estava errada. Tinha de estar errada.
O que estava acontecendo com ele? Ele costumava ser capaz de somar números muito maiores em sua cabeça. Multiplicar e dividi-los, também. Porque parecia que ele não podia fazer mais? Porque ele não podia se concentrar?
Ele sabia o porquê, é claro.
Mas ele se recusava a pensar nisso. O que tinha para pensar?
Era melhor assim. Ele estava melhor sem ela. Olhe o que ela tinha feito com ele: ele não conseguia mais fazer uma simples soma. Se ele tivesse ficado com ela por mais tempo, ela podia ter acabado com cada pedaço da inteligência que ele possuía. Isto, aparentemente, era o que acontecia quando alguém se apaixona. O cérebro das pessoas se torna gelatina, ou atrofia. Pelo menos, era assim que sua cabeça se sentia no momento.
Isto era amor, então? O que tantos poetas tinham gastado paginas e paginas descrevendo? O que Shakespeare tinha exaltado? Se era isso – e ele tinha varias razões para acreditar nisso, baseado em sua completa incapacidade para pensar em alguma coisa, qualquer coisa mesma, exceto ela – ele não queria mais continuar com isso. Não se ele tivesse que viver o resto de sua vida com esse nó no estomago, com esta dor no peito.
Houve uma batida na porta.
Como, ele se perguntou, acontecera isso? O Lothario de Londres deveria estar sentado em sua mesa, ansiando pela única mulher em todo Inglaterra que ele não poderia ter? Quantas mulheres, ele se perguntava, haviam sentindo por ele o mesmo que ele sentia agora? Ele não soube. Ele não soube como era se sentir assim. Agora ele entendia as longas cartas, implorando para ele mudar de ideia. Agora ele entendia as ameaças, as lagrimas.
O amor doía.
O que doía mais que tudo era que ele sabia que, embora muitas vezes tivesse dito a si mesmo que era melhor ele ir embora - que se ela não podia acreditar nele agora, ela nunca iria – não era verdade. Ele não estava melhor. Ele precisava dela. Precisava da bondade dela, de sua honestidade, seu humor, sua bondade. Precisava dela, droga. Precisava senti-la perto dele, seu calor, seu perfume, seu...
Outra batida na porta.
E era culpa dele ela não ter acreditado nele. Por quanto tempo ele soube desse apelido – Lothario de Londres – e não tinha feito nada para mudá-lo? Ele era notório por seus muitos casos, seu charme, seu poder com as mulheres. E ele não tinha feito nada para mudar isso, insistido que ele não queria machucar essas mulheres, longe disso. Apenas nenhuma dessas mulheres – nenhuma delas – tinha se transformado naquilo que ele procurava, a que teria sido certa para ele.
Até agora.
Quando era muito tarde.
-Dead. - Crutch apareceu no portal, parecendo impaciente. -Bati várias vezes, e você nunca dizia para entrar...
-Porque eu deveria me incomodar? Eu sei que você entraria de qualquer maneira.
Crutch olhou para ele atentamente através da semi escuridão.
-Esta escuro aqui, Dead. Você quer que eu acenda as lâmpadas?
-Não - Harry disse, percebendo, mesmo enquanto dizia isso, que Crutch estava certo. A luz infiltrando através do vidro da porta francesa que dava para o jardim tinha mudado do dourado do por do sol para o crepúsculo. Não admira que estivesse somando errado. Mas podia distinguir coisas que estavam diante dos seus olhos.
Mas como sempre, seu mordomo não o ouviu. Lentamente, a sala foi se iluminando com o brilho róseo dos candelabros ao longo da parede. Cutch até acendeu as luzes a gás que iluminavam os estojos que continham vários modelos da pistola Potter lançados através dos anos.
-Assim é melhor - o mordomo disse, com satisfação. Então adicionou - Alguém quer vê-lo, Dead. Foi por isso que bati.
-Eu lhe disse. - respondeu Harry, suspirando. - para dizer que eu sai. E se for Cho...
-Não é - Crutch disse. -É Lady Hermione...
Harry sentiu como se seu mundo, que parecia ter se desintegrado, tinha repentinamente voltado a terra firme. Ele se levantou rapidamente, tão rapidamente que bateu no seu tinteiro.
- Mande-a entrar - ele disse, se curvando para limpar a bagunça. - Não se incomode, eu cuidarei disso. Mande-a entrar de uma vez. Não a faça esperar mais.
Crutch, parecendo surpreso, saiu. Harry usou seu lenço para limpar a mancha, dizendo a si mesmo o tempo todo: "Ela sem dúvida só está aqui para pedir algo para seu irmão. Não tem nada a ver com você. Ela odeia você. E ela tem muitas razões para isso, por que apenas um idiota completamente cego como você poderia não ter adivinhado que era Ron o homem que ela protegia esse tempo todo..."
E agora ela estava ali, parada em frente dele, mordendo seu lábio nervosamente e parecendo tão linda como ele a tinha visto pela ultima vez.
-Olá, Harry - ela disse gravemente, naquela voz baixa que ele passou a adorar.
Ele se achou sem palavras, e isto era um fato surpreende. Muito raramente ele tinha sofrido de língua-amarrada.
Com medo de que ela pensasse que ele estivesse sendo grosseiro, ele se apressou atrás de sua mesa e indicou uma das confortáveis cadeiras de couro na frente dele.
-Você não quer se sentar? - ele perguntou, e ficou desapontado quando sua voz saiu estranhamente irregular.
No entanto, se Hermione notou, não deixou que isso transparecesse. Ela sentou, ainda com suas luvas e chapéu com uma bolsinha pendurada em seu pulso. Á luz do gás, ele podia ver o rosto dela claramente. Havia ansiedade naqueles profundos olhos marrons.
Com que freqüência, ele se perguntou, ele tinha entretido mulheres um milhão de vezes mais sofisticadas que Hermione, e ele tinha feito isso calmamente e com bastante confiança? Porque desta vez, quando realmente importava, ele se encontrava como um colegial desastrado, e com dificuldade para pensar no que fazer.
Um drinque, ele pensou. Ofereça um drinque.
Parecia incabível para ele que um pouco mais de doze horas atrás, ele tinha segurado esta mulher nos braços, e deixara manar para dentro dela o que parecia ser uma vida inteira de necessidade.
-Você não gostaria de um sherry? - ele perguntou a ela.
-Sherry? - ela ecoou, em uma voz estrangulada. -Sherry? Não, eu não quero nenhum Sherry. Oh, Harry, porque você não me contou?
Ele olhou para ela confuso.
Ele devia, ele supôs, ter sentado na cadeira ao lado da dela, mas ele não estava certo que, a tal proximidade, ele teria sido capaz de resistir a agarrá-la...
- Contar o que? - ele perguntou, tendo ouvido apenas metade do que ela falou. Sua concentração traidora tinha fugido mais uma vez, deixando-o apenas com a habilidade de olhar para a garganta dela, e relembrando a maciez de seda quando o tocava com os lábios e a língua.
-Sobre Tommy.
Isto o trouxe de volta e pestanejando ele perguntou:
-Tommy?
-Sim, Tommy - Hermione disse. -Ele me contou tudo. Oh, Harry, se você apenas tivesse me contado que este era o motivo pelo qual você atirou em Ron. Como você pode ficar lá, e me deixar pensar que era por causa de Cho?
Ele estava muito surpreso para disfarçar.
-Você falou com o conde?
-Sim. -Repentinamente, Hermione levantou o braço e, como se eles estivessem incomodado ela, desfez os laços que seguravam seu chapéu no lugar. Então ela removeu o chapéu, atirando-o no chão descuidadamente. -Ele me disse tudo. Eu não pude dizer a ele sobre... bem, sobre eu e você, é claro. Então eu não pude perguntar a ele a questão que esta me perturbando muito. Harry, porque você não me disse?
Ele contraiu os pesados ombros.
-Seu irmão me fez jurar que não contaria.
-Ele fez você... - Hermione olhou para ele curiosamente. -Isto é tudo? Tommy te fez prometer que não me contaria?
Ele abriu os lábios, mas novamente, nenhum som veio entre eles. O que estava errado com ele?
Ele sabia. Ele sabia o que estava errado. O impulso de pega-la nos braços, de abafar aquela pequena boca com um beijo, era tão forte que seus braços estavam tremendo com isso.
Mas ele não podia se permitir tocá-la. Toda a sua resolução de deixá-la ir desapareceria, ele sabia, no momento em que eles se tocassem.
E ele tinha que deixá-la ir. Ele sabia disso agora.
Eles eram de mundos diferentes. Para provar isso a ela, ele disse, andando em direção a porta francesa, sua cabeça baixa para não ter que olhar em seus olhos.
-Eu sei que nos círculos que você frequenta Hermione, é comum dar a palavra a alguém, e então quebrá-la quando não é mais conveniente. -Ele andou de volta em direção a sua mesa. -Mas no Dials, quando alguém faz uma promessa, eles a mantêm. - Ele rumou novamente para as portas francesas. -Mesmo sobre risco de morte.
Ela levantou e encontrou com ele enquanto fazia seu caminho em direção a mesa novamente. -Mesmo - ela perguntou, numa voz suave, enquanto levantava seu queixo para poder olhá-lo nos olhos. -sobre o risco de me perder?
Ela estava tão próxima agora que ele poderia agarrá-la, ele seria capaz de tocá-la, alisar os cachos marrons que tinham escapado de suas presilhas.
-Você não vê? É por isso que é melhor você e eu...
Instantaneamente dor transbordou de seus olhos.
- Que você e eu o que? - ela perguntou sua voz instável. -O que você esta tentando dizer? Que porque você mantém sua palavra, você é melhor do que eu? É isso? Harry eu sei que eu nunca deveria ter ido, mas...
- Hermione. - ele disse, sabendo que era para o próprio bem dela, mas sentindo que com cada silaba, ele estava pregando um prego em seu próprio caixão. -Você sabe que não é isso. É só que... eu não pertenço aqui. Aqui em Mayfair. Você não vê? Eu sou um impostor. Tudo isso, a casa, os negócios, estas roupas que eu visto... não são eu. Eu não sou quem você acha que sou. Eu não sou um cavalheiro. Eu não sou um homem de negócios. Eu sou do Dials, Hermione. Eu não sei a diferença entre uma faca de peixe e uma faca de manteiga. Eu não pertenço a este mundo, seu mundo, e nunca pertencerei. O que você pensou, quando você descobriu que eu tinha atirado em Ron... estava errado, mas não estava muito longe da verdade. Não realmente. Você entende?
Ele viu os olhos dela crescerem, e percebeu que por fim, ela tinha começado a entender. Ela nunca iria, ele sabia entender o quanto ele a amava – tanto que ele tinha que deixá-la ir, antes de deixá-la cair para seu nível.
Mas então ele notou que ela não estava olhando para ele. Ela estava encarando para alguma coisa sobre seus ombros. Alguma coisa que a fez colocar a mão na boca de horror.
Harry se virou bem a tempo de ver o Marques de Winchilsea abrir as portas francesas e entrar na biblioteca com uma pistola apontada na altura do seu coração.
(N/A): Heii gente tudo bom com vocês? Quando Hermione finalmente vai falar com Harry, Ron maldito atrapalha tudo, agr vamos ver no que vai dar, mais dois capítulos e a fanfic acaba :/
Muito obrigada a todos que estão lendo e principalmente a quem está comentando, muito obrigada pelo apoio.
Camila: OWN, Sério? Muito muito obrigada! Espero que tenha gostado da atualização e não deixe de expressar sua opinião sobre ela, beijoos.
LyraEvans: rsrs calma garota! Espero que esse capítulo tenha diminuido pelo menos um pouco sua ansiedade, tenho muito pena do Harry, mas a Mione vai conseguir remediar o coração dele, pode apostar nisso. Espero que tenha gostado, bjoos.
Mel Itak: Termina assim para dar um maior suspense, assim mantem os leitores interessados na história, senão, qual seria a graça? muito obrigada pelo elogio e espero sinceramente que esteja gostando e não deixe de mostrar sua opinião, bjoos.
Midinight: Já estava na hora de Tommy virar um homem de verdade e contar toda a verdade não? Acho que suas preces não foram atendidas em relação a Mione visitar o Harry na hora que o Ron chega, mas... vamos ver como as coisas se desenrolarão. Espero que tenha gostado do capitulo, bjoos.
