Capítulo Sexto
-Sua Graça, esse é um jogo perigoso. –murmurou Sandor Clegane quando Catelyn cruzou com ele no caminho de pedras que levava à entrada do Castelo.
-Eu não lhe fiz nenhuma pergunta. –rispidamente ela entrou para o hall, onde Sansa parecia aflita a sua espera.
-Por onde a senhora esteve? –a menina foi até a mãe, segurando-a delicadamente pelos braços.
-Eu precisava de um tempo para pensar. Sozinha. –Catelyn respondeu- Você tomou conta do seu irmão?
-Sim... Sim, eu e Brandon estivemos com ele até instantes atrás. O Senhor meu pai está preocupado com você...
Catelyn resolveu ignorar qualquer menção feita a Tywin naquele momento. Ela ainda podia sentir o gosto doce do vinho que compartilhara com Lorde Stark e seu peito ainda estava aquecido pelas palavras ditas por ele. Não podia, de modo algum, permitir que sua raiva momentânea do marido lhe induzisse a uma falha de caráter como aquela, mas a verdade era que já fazia muito tempo em que seus lábios não sentiam um beijo como aquele. E ela teria repetido, caso isso não ferisse profundamente suas convicções.
Além de tudo, Lorde Stark a estimulava a voltar pros braços de Tywin, justificava as ações do homem colocando-se no mesmo lugar em que ele estivera no passado, mas ainda não era o suficiente. Não naquele instante. Catelyn jamais lidaria bem com rejeição, ou com o que quer que fosse aquilo que acontecia entre ela e seu marido.
-Você andou chorando? –Sansa perguntou, afagando carinhosamente o rosto dela- Minha mãe, você não quer conversar sobre isso? É sobre aquilo que ouvimos no dia do incidente do seu sonho?
-Meu amor... –Catelyn puxou a filha contra o peito e falou muito baixinho ao ouvido dela- Preocupe-se consigo mesma, com seu noivo e com seu matrimonio que não tardará a acontecer. Deixe que dos nossos problemas e aflições, cuidaremos nós mesmos. –e beijou o rosto dela.
Quando Catelyn começou a se afastar, rumo às escadas que a levariam para seus aposentos, Sansa a interrompeu.
-Eu devo espera-la para o jantar?
-Não. –Cat sorriu brandamente, olhando por cima do ombro- Eu não tenho fome alguma, querida. Mas não se preocupe, caso eu mude de ideia, as amas saberão.
Ela sentia que tinha areia por todos os lados, inclusive em seus cabelos. Ordenou que lhe preparassem um banho e foi ver Hoster enquanto a agua da piscina era aquecida. Ele parecia sereno, ainda que acordado, distraído com um brinquedo de pelúcia em forma de lua. Orientou as aias para que não deixassem que ninguém, com exceção do bebê, a incomodasse aquela noite e que os aposentos de Lorde Tywin deveriam estar prontos para ele. Estes aposentos eram raramente usados. Eram mais aquecidos, então nas noites mais frias, Catelyn e o esposo se rendiam ao aconchego daquelas paredes. Embora os aposentos de Catelyn fossem maiores e bem mais equipados com as coisas que ela usava, as grandes janelas de vidro faziam do ambiente muito frio. Mas ela ficaria ali aquela noite, próxima a Hoster e distante de Tywin.
Quando saiu do banho, de cabelos lavados e sentindo-se potencialmente mais relaxada, viu que Sansa ordenou a uma das amas que lhe servisse o jantar no quarto. Num pequeno bilhete escrito com a caligrafia perfeita dela: "Eu não ficarei em paz se a senhora não se alimentar. Amo-a. Sansa."
Catelyn comeu muito pouco e resolveu recolher-se. Ainda era cedo, mas todo o choro fazia com que ela se sentisse exausta. Deitou-se, puxando as cobertas de pele de lobo negro sobre si e adormeceu instantaneamente. Acordou pouco tempo depois, quando a voz profunda de Sandor Clegane informava que a Rainha não queria ser incomodada por ninguém que não necessitasse ser alimentado de seu seio. Tywin esbravejou uma serie de coisas que ela não pode distinguir, mas se retirou. Ou se calou como ela percebeu, quando uma das amas trouxe Hoster para o quarto. Ele entrou exatamente atrás dela e observou o menino ser entregue à mãe antes que ela notasse que ele estava ali.
-Saia. –Tywin ordenou para a aia, e a moça prontamente obedeceu, fechando a porta quando passou.
-Eu disse que não queria ser incomodada, Tywin.
-Eu sou um incomodo? –ele desafiou, sentando-se na cama. Ela instintivamente recolheu as pernas para longe dele e o encarou com frieza.
-Não me faça gritar com você ou ordenar que você seja retirado daqui. –ameaçou.
-Cate...
-Não diante de Hoster, Tywin, eu lhe peço por favor. Eu preciso de espaço.
Ele podia ver que toda aquela raiva na verdade era mágoa. Ela tinha chorado durante muito tempo, seu rosto denunciava isso, talvez tivesse adormecido dessa forma, num quarto frio e sozinha.
Ele não pode se impedir de sentir pena dela, reconhecia que não devia jamais ter proferido as palavras do modo como fizera. Catelyn estava sensível e sofrendo e a culpa era dele. Ela se sentia pouco amada, afinal, como se sentiria uma mulher cujo esposo ainda alegava amar mais uma morta do que a ela mesma? E tantos anos vividos juntos, tantas coisas compartilhadas, tanta plenitude e felicidade... Ele dissipara isso com uma serie de palavras mal organizadas. Por outro lado ele queria estapeá-la por estar sendo estupida. Como ele não a amaria, como ela consideraria não ser o alvo de todo o amor que ele tinha em si naquele momento, como depois de tanta agonia para tê-la de volta em seus braços, depois de tantas declarações, tantas noites em que ele não dormia se não pudesse sentir o peso do corpo dela sobre o seu, provando sua presença ali, ela duvidava do amor dele? Como duvidar de todo um amor se os piores pesadelos dele baseavam-se num mundo onde Catelyn já não existia mais? Sua Cate, sua amada...
Mas aquelas coisas existiam na mente dele, para ele. Ela não tinha como saber, e quando ele resolvia declarar algo, ele fazia um imenso discurso idolatrando Joanna. Então Tywin odiou a si mesmo, imaginando se Brandon, o noivo morto, a colocaria em tal posição.
Ela estava concentrada em alimentar Hoster, que calmamente sugava sem retirar os olhos dela. Ele a amava, Tywin podia notar. Sempre que presenciava aquela cena, ficava cada vez mais seguro disso. Ele sorria para ela, ainda com o mamilo entre os lábios, agarrava seu dedo e quando por fim se fartava, aninhava-se contra seu peito sentindo que aquele era o melhor lugar do mundo para descansar. Tywin concordava plenamente.
-Tywin, por favor... –ela repetiu com uma suave tristeza, indicando a porta com os olhos.
-Eu levarei nosso filho de volta ao berço, quando ele estiver pronto.
Ela concordou com um aceno de cabeça. Algo dentro dela esperava que Hoster se fartasse imediatamente, enquanto outro pedaço de si mesma queria poder agarrar-se a Tywin e chorar, acusar e brigar por longas horas. Aquilo certamente terminaria com os dois despidos e fazendo amor até a aurora, aquela seria sempre a consequência. Parecia, muitas vezes, que apenas o imenso apelo sexual que tinham um com o outro era o que sustentava aquela relação.
-Ele está pronto pra ir. –ela disse, arrumando a manta em torno do bebê e entregando-o aos braços do pai.
Tywin se aproximou, pegando Hoster no colo e tocando a testa dela com seus lábios. Catelyn olhou para cima, para ver o que ele estava fazendo, mas ele foi mais rápido e a beijou. Com a mão que não segurava o bebê, ele acariciou seu rosto, mantendo-o junto ao seu.
-Eu te amo, não seja tola. Não durma aqui sozinha, este quarto está frio...
-Saia agora, Tywin. –eram ordens da Rainha.
Odiando cada centímetro do corpo dela, ele se retirou. Pôs Hoster no berço e rumou para o próprio quarto. Antes de abrir a porta, resolveu subir um lance a mais de escadas, que levava aos aposentos que foram ocupados por Joanna. Pegou a chave, sempre escondida numa saliência da pedra, e abriu a porta. Estava limpo, já que a ama designada para cumprir aquela função, era impecável. Estava frio, mas acendendo uma tocha pode iluminar todo o local. A cama de pedra, adornada com enfeites de ouro puro e coberta com a pele de vários coelhos, todos brancos, imperava num centro do quarto, diante de janelas que se abriam para o por do sol. A tapeçaria, predominantemente amarela e dourada, era macia e viera de Meereen, em Essos. O grande espelho, também de ouro, e os utensílios de cabelo e caixas de joias ainda estavam por ali, espalhados sobre a superfície polida de uma requintada mesa feita de madeira de represeiro. A porta semi aberta, que dava acesso ao quarto de vestir de Joanna, ainda mantinha todos os seus vestidos colocados em armações que imitavam o corpo feminino, mas como o ambiente estava escuro, ele não quis entrar. No meio do quarto, um lustre de velas e cristal esperava para ser aceso, e Tywin podia se lembrar de quando aquele lugar era iluminado pelas noites e parecia ter saído de dentro de contos fantásticos... E Joanna dourava tudo com seu sorriso fácil e seus cabelos longos, tão longos que a ponta de suas tranças geralmente tocavam a ondulação de suas nádegas.
Mas agora tudo aquilo havia desaparecido, e Tywin tinha outras cores em sua vida agora. O vermelho vibrante e o azul intenso daquela Tully que o moldara a seu bel prazer durante tantos anos... Aquela mocinha de dezoito anos que o encarava com a coragem de um titã ao despir-se para ele e que jamais se eximia de dar-lhe tudo o que ele precisava. Carinho, compreensão, prazer e até mesmo criticas. Catelyn, em beleza, superava Joanna. Era mais exótica, mais voluptuosa, tinha o rosto diferente daquilo que era costumeiro entre os Lannister. Tingira Casterly Rock com suas cores, gerou frutos ainda mais belos do que ela... Fizera de Tywin um homem melhor, posicionando-se contra as questões de sua personalidade que a feriam, estimulando as características mais dóceis que ele lutava para manter escondidas, despertando nele o pai que ele deveria ter sido naturalmente...
E ele estava magoando a mulher que fora sua fortaleza por não conseguir livrar-se do passado. Mas aquilo ia mudar, aquilo jamais se repetiria.
Sansa trançava os cabelos, observando a própria imagem no espelho. Sentia seu peito comprimir-se de dó quando pensava na mãe e na situação que ela enfrentava agora com seu pai. Tinha certeza de que tudo não passava de um mal entendido, e sofria por não poder interferir.
-Você não deve. –Tyrion disse, sentado no banco da janela, bebericando vinho- Eles jamais estiveram nesses termos antes, em nenhuma outra discussão. Mas isso não significa que as coisas não se resolverão.
-Não se supõe que mulheres devam discordar dos seus maridos. –Sansa disse com um leve tom de critica.
-Talvez não as mulheres normais, mas sua mãe foi sagrada uma Rainha sem rei, e ela pode fazer o que diabos ela queira. Se ela se sentir ofendida por algo, independente de onde parta a ofensa, ela irá se defender. E você deve pensar assim também. O Norte é selvagem demais para você, e se você não demonstrar que leões jamais se curvarão a lobos, será engolida por aquele sistema rude. E eu não me perdoaria se deixasse você virar uma daquelas mulheres submissas e que servem apenas para parir crianças.
-Mas esta é minha função, minha mãe me ensinou assim! –ela rebateu marota olhando para o irmão enquanto amarrava a ponta da trança com uma fita- Eu apenas jamais compreendi porque ela age tão diferente do que me diz sempre!
-Vamos esperar que este seu noivo não seja um bruto. Se ele não for, você poderá moldá-lo como quiser. Nosso pai era frio e insensível, mas sempre soube tratar uma mulher, por isso sua mãe tem uma boa vida. Lorde Stark é, definitivamente, um tipo diferente de homem do Norte, mas se esse rapazinho, Brandon, for um nortenho do tipo rude e que veja mulheres apenas como montaria, você deverá saber como lutar.
-Como montaria? –o rosto de Sansa contorceu-se em confusão. Tyrion fez uma careta, não imaginando que Catelyn ainda não tivera aquela conversa com a filha a poucos dias dos votos serem proferidos.
-Sua mãe saberá explicar. –ele ficou de pé e foi até a porta- E não mencione a ela que eu disse a palavra montaria relacionada a mulheres para você. –ele pediu.
-Tyrion! –Sansa chamou quando ele abriu a porta.
-O que foi, minha querida?
-Você não vai me deixar ir para a cama sem um beijo, vai? –ela perguntou meio ofendida.
Tyrion sorriu e veio até ela, segurando o rosto dela com as mãos pequenas e de dedos curtos, e beijando-a longamente na testa.
-Eu a amo, pequena San. E eu cresceria mais um metro para poder chutar o traseiro daquele nortenho caso ele te faça algum mal.
-Não será preciso. –ela o beijou no rosto, abraçando-o- Segundo você disse, minha mãe sabe se defender. Eu apenas devo aprender a ser exatamente como ela.
-Exatamente como ela. –ele concordou, retirando-se.
Catelyn realmente sentia frio. Ergueu-se da cama e foi colocar um pouco mais de lenha na lareira, mas aquilo não parecia bastar. Lavou o rosto, inchado de choro, e procurou algo para comer, já que seu jantar na noite anterior fora bastante negligenciado. Encontrou uma maçã verde e depois da segunda mordida, já não conseguia mais comer. Lembrava-se, repetidamente, das palavras de Eddard Stark. E o pior, do beijo dele e de como aquilo confortou seu peito por algum tempo. Olhou pela janela e viu os primeiros raios de sol banhando o horizonte, tingindo o mar e o céu de vermelho e tons de fogo. Lorde Stark partiria com o amanhecer.
Movida por algo que ela não podia conter, Catelyn correu a vestir um robe de peles e saiu do quarto. Encaminhou-se rapidamente para os estábulos, ainda descalça, e encontrou o homem exatamente como imaginou que encontraria. Ela segurou as rédeas do cavalo antes que ele percebesse sua presença ali.
-Minha Rainha! –ele se sobressaltou, deixando que a bolsa de couro que continha provisões caísse por terra.
-Meu nome é Catelyn. –ela murmurou apenas, e puxando a porta corrediça de madeira que isolava a baia onde estavam, trancou-se com ele.- Não vá embora.
-Minha senhora...
-Pelos seus deuses, não vá embora... –ela se aproximou alguns passos- Nossos filhos vão se casar em poucos dias, eles vão querer que o senhor esteja aqui... –e de repente, estavam tão próximos que as respirações de misturavam- Não vá... Não depois de ontem e de tudo o que foi dito.
-Eram palavras perigosas, minha rainha... –ele afagou seu rosto- Eu não posso ficar aqui depois de tudo aquilo.
-Não vá... –ela murmurou, suas bocas tão próximas que os lábios se tocavam.
Eddard Stark sabia que precisava resistir. Ela não estava agindo por mal, ela apenas se sentia ferida pelo comportamento do marido, mas ela parecia sincera ao pedir que ele permanecesse ali. Ela o queria de alguma forma, e aquilo era denunciado pelo modo como suas mãos entrelaçavam-se em seus cabelos e sua respiração ofegava junto a dele.
-Por favor, Catelyn. Você está descalça e fria. –ele pode sentir pela pele dos braços dela- Não me faça negar a mulher que eu mais quero no mundo...
-Não negue. –e o beijou.
Eles mergulharam num universo em que nada mais, senão eles dois, existia. Enroscados em beijos, onde as pernas dela o enlaçavam pela cintura, e as mãos dele a sustentavam pelas nádegas enquanto um lutava mortalmente contra o folego do outro... Ele a colocou sentada numa superfície de madeira enquanto erguia o pouco de roupa que ela trazia posta. Logo suas mãos passaram a lutar contra o próprio cinto, mas quando ele a olhou nos olhos novamente, sentiu o corpo esfriar e a razão o atingir. Ela tinha grossas lagrimas escorrendo pelo rosto, ele pode apenas reajustar as vestes de ambos e puxá-la contra o peito, confortando-a em silêncio.
-Não é assim que você resolverá seu casamento. –beijou-lhe o pescoço, com ela rendida ao choro presa em seus braços- Não é assim que você deixará de amá-lo, você não deve pensar nisso de todos os modos...
-Oh...
-Chore, meu amor... Chore o que você tiver que chorar. –ele a confortava- Eu estou aqui e eu não irei embora.
-Não? –ela o olhou esperançosa- Não me deixe sozinha, é o casamento dos nossos filhos...
-Você não está sozinha, você tem Tywin. –ele segurou seu rosto e a fez olhá-lo nos olhos- Eu lhe disse ontem, e repito agora... Ele não pode evitar lembrar-se com amor da primeira esposa, mas ele não pode deixar de amar você também. Ele a ama, ele a venera. Você nunca estará sozinha, nunca.
-Eu... –ela gaguejou, olhando para a situação em que estava, tão indigna e destoante de seu comportamento rígido e honrado- Eu... Oh, pelos Sete! Perdoe-me... Eu não posso coloca-lo nessa posição, eu não tenho o direito...
-Não, não se desculpe. –ele a beijou suavemente- Abrace-me e conforte-se.
-Eu estou sendo tão leviana!
-Não, Catelyn! –ele disse categoricamente- Leviana não é uma palavra que se aplica a você. Isso tudo é fruto da sua mente confusa pelos recentes acontecimentos. Mas isso vai passar, vai passar...
-Eddard...? –ela ergueu os olhos para observá-lo.
-Sim, meu amor...
-Diga-me o que fazer agora e eu o farei.
-O homem a quem esses beijos pertencem está naquele castelo agora. Embora eu deseje de toda alma que esse homem seja eu, é Tywin Lannister quem merece sua devoção. E não é porque um dia vocês se casaram, mas sim porque vocês se amam. Vá até ele, jamais fale sobre Joanna ou Bran ou nada disso novamente. –a voz dele titubeou, ele pareceu muito inclinado em dizer algo diferente do que dizia- E esqueça que eu a amo. –sua voz soou esgoelada, como se ele estivesse contendo um grito- Afaste isso da sua mente. Sua vida não tem espaço pra mim, não dessa forma.
-Mas... –ela começou
-Catelyn... –ele a afastou de seu corpo cuidadosamente- Vá.
Ela ficou de pé, sentindo-se trêmula e envergonhada por sua atitude leviana. Não havia rejeição em nenhuma das palavras ditas por ele, era apenas alguém fazendo o que precisava ser feito. Ela não podia negar que queria continuar ali, que queria ter terminado o que foi começado, mas nenhuma mulher de respeito faria isso tendo um marido, e nenhuma mulher de valor o faria num estábulo.
Quando ela saiu e ele pode ver que ela estava longe o bastante, redirecionou toda sua frustração num único soco na porta de madeira, que pendeu de sua dobradiça. Observou os nós dos dedos, sangrando e doendo, mas não se comparava ao perder a chance de ter a mulher quer almejava para si mesmo.
-Estupido senso de honra! –esbravejou enfurecido.
E como não havia nada mais que pudesse fazer, voltou para os aposentos de hospedes preparados para ele e tentou reorganizar a mente, arrependido por prometer não partir antes do casamento de Brandon. Ele teria que ser forte e ela teria que ser compreensiva, e muitos diriam que aquelas eram as verdadeiras funções de homens e mulheres.
