Chapter 38:
Cinco minutos depois já se encontravam na Mansão. Narcisa estava a lhes esperar no salão, e rapidamente começou a caminhar para a habitação de convidados, enquanto Lucius baixava ao pequeno laboratório que tinham na casa para procurar algo para baixar a dor. Severus se recostou na cama, enquanto Narcisa esboçava um sorriso terno, sem perguntar-lhe sobre a Iniciação.
Ao dia seguinte, não foi ao trabalho. Levantou-se tarde, com o braço vendado e a mão adormecida, e Severus andou lentamente até o salão, procurando a alguém na enorme casa. Mal levava posta a camisa do dia anterior, arrugada e suja e as calças negras, que lhe iam um pouco folgados devido a que não levava o cinto. Entrou na sala de estar, encontrando a Narcisa, vestida com roupas mais caras e elegantes que de normal, e perguntou:
- Passa algo, Narcisa?
- Não, nada em especial. Acho que deveria ir a casa, pode que daqui a pouco vingam a te procurar. - Severus olhou-lhe, estranhado por sua conduta.
- Quem? Por que?
- Algum muggle terá que te dar a notícia de que seu pai tem morrido, não? - Severus soltou uma pequena exclamação de surpresa, piscando várias vezes, enquanto caminhava fora da sala. No entanto, Lucius parou-lhe, obstruindo a saída:
- Olá, Sev. Sentes-te melhor já?
- Sim. - contestou. Começava a doer-lhe a cabeça. Lucius sorriu-lhe, mostrando seus perfeitos dentes, enquanto passava um braço pelas costas do jovem. Empurrou-lhe fora da habitação com delicadeza, enquanto guiava-lhe de novo a seu quarto.
- Alegro-me, porque assim que vista-te vamo-nos ao sanatório muggle. - Lucius pronunciou as duas últimas palavras com soma lentidão, como se lhe resultassem estranhas. Seguramente a um sangue puro se resultar-lhe-iam estranhas, pensou Severus.
Severus não reclamou, e encontrando seu cinto, se abrochou as calças e se colocou a túnica do dia anterior, enquanto se atava os sapatos com rapidez e um pouco de torpeza, devido à insensibilidade no braço esquerdo. Lucius e Narcisa sorriram-lhe, enquanto os três desapareciam em uma pequena explosão.
Severus seguiu ao casal fosse do beco no que tinham aparecido, e caminhou atrás deles até o enorme edifício do final da rua. Em seu interior, ordenou-lhes esperar por cinco minutos, até que um médico muggle, ataviado com uma bata branca, saiu a lhes dar a notícia.
- Lamento muito sua perda, senhor Snape. - folheou os papéis que levava na mão, e continuou falando. - A causa da morte foram dois tiros no peito, produzidos por um revólver. Se quer, pode passar a ver ao defunto.
Severus negou com a cabeça, confuso. Olhou a Lucius quando o médico se deu a volta, e este só sorriu, assentindo com a cabeça e contestando a sua pergunta: Lucius tinha-lhe disparado após deixar na Mansão para fazer uma tampa. Não disse nada, mas lhe sorriu de volta, lhe agradecendo silenciosamente, enquanto saíam do edifício.
- Meus advogados já estão a trabalhar no testamento de seu pai, não tinha muito dinheiro, mas a casa será sua, sem lugar a dúvidas. - comentou Lucius, enquanto desapareciam-se novamente. Rapidamente chegaram à Mansão novamente e Severus escreveu uma curta nota para seu chefe, na que lhe informava da morte de seu pai como motivo para não ir ao trabalho.
O resto do dia enclausurou-se em sua habitação na Mansão, procurando paz para pensar. Lucius marchou-se ao trabalho e Narcisa saiu a compara roupa, pelo que a casa ficou para ele. Sorriu, horas depois; tinha-se passado a manhã tendido na cama, sem vontades de mudar-se de roupa, sequer. Lucius chamou à porta e entrou, sem esperar resposta. Se tombou a seu lado, na cama de casal, e perguntou:
- Está bem?- Severus assentiu com a cabeça. - Narcisa disse-me que não tens saído em todo o dia.
- Estou bem. Só um pouco… comissionado, mas bem. - confessou finalmente.
- Merecia-se o que lhe fizeste. - asseverou Lucius, pondo-se em cima de Severus.
- Sim, mas…
- Não há birras que valham, Sev. - lentamente lhe beijou profundamente, enquanto sua mão acariciava seu custado, seu corpo em cima do menor.
Lucius sorriu com macieza, enquanto Severus se revolvia vagamente, tentando que Malfoy deixasse de beijar-lhe. A perna do loiro colocou-se entre as suas, e suas mãos se colaram por embaixo da camisa. Dentro do beijo, Severus sentiu como seu acompanhante se tensava, antes de se levantar apressadamente. Sem dizer nada, Severus só viu como se marchava, se sujeitando o braço esquerdo, onde Lucius tinha a Marca Tenebrosa, e suspirou lentamente, enquanto fechava os olhos.
Com rapidez, levantou-se cinco minutos depois, sabendo que Lucius não estaria na Mansão. Pôs-se os sapatos e foi-se, sem alertar a Narcisa. Chegou cedo à grade de metal e saindo com discrição, desapareceu-se com uma pequena detonação, aparecendo em Spinner's End. Olhou sua casa desde fora e franziu o cenho com uma marcada careta de desprezo.
Severus entrou com cuidado, esperando que não tivesse ninguém dentro; a ferradura era fácil de forçar. Olhou a seu ao redor: os objetos muggles espalhavam-se pela casa, como se tivesse tido um forcejou na habitação. Com um passe de varinha, eliminou as garrafas de cerveja vazias e limpou a casa, passeando pelo solo de madeira velha e ruidosa.
Com curiosidade, abriu a porta de sua habitação, após tirar o pesado ferrejo; não recordava o ter visto a última vez que tinha estado ali. Encolhendo-se de ombros, subiu as escadas e olhou o interior de sua habitação de menino: tudo seguia tal e como o tinha deixado Severus, três anos atrás.
O armário pequeno ainda estava aberto de par em par, com as débeis perchas de metal pendurando na barra horizontal. A cama pequena e estreita estava feita, e o escritório tinha as gavetas abertos e vazios. Franziu o cenho, pensando que seu pai queimaria todo seu quarto quando ele se fosse; não esperava uma simples clausura sem tocar nada do que tinha.
Bufou, pensando no tonto que se via que Tobias não se atrevesse a tocar suas coisas por medo a contagiar-se de sua magia, e avançou um par de passos. O solo rangeu fortemente baixou seus pés como um enorme lamento, e ao terceiro passo, a tabela de madeira cedeu. Seu pé ficou preso, e com cuidado, Severus sacou-o, olhando o oco que tinha ficado.
O chão de cimento via-se por embaixo da tabela, e com curiosidade, arrancou a madeira, observando algo alvo no solo. Com sua varinha acendeu uma pequena luz e levou-a até o solo, enquanto apanhava o objeto. Severus pô-lo cerca de seus olhos, olhando o pergaminho dobrado com curiosidade. Não recordava ter perdido nenhum pergaminho.
Deu-lhe a volta, e surpreendeu-se ao ler seu próprio nome com a letra de sua mãe. Com um gesto de sua varinha, a madeira consertou-se, e Severus sentou-se na esquina de sua cama, abrindo o pergaminho. Só tinha uma frase escrita: Só o desejo mútuo proporcionará a descendência. Embaixo dessa frase, sua mãe tinha escrito: Quer-te, mamãe.
Por um momento pensou que quiçá era uma cita que tinha feito sua mãe antes de se casar com o muggle, mas a despedida dirigida a Severus lhe confundiu. Era uma carta para ele? Nada do que tinha lido tinha muito sentido, a não ser que fosse algum tipo de pista ou uma broma, mas sua mãe não costumava ser divertida.
Se tombou pesadamente em sua pequena cama de menino, levantando uma nuvem de pó, e começou a pensar: a descendência eram, obviamente, os filhos. O desejo mútuo… Que coisas podiam fazer duas pessoas que desencadeasse em um filho? Severus grunhiu, sabendo a resposta. Desejo… Que tinha que ver o desejo com tudo isso? Em uma violação também podia ficar uma mulher grávida.
Franziu o cenho; o pensamento muggle não serviria muito nesta ocasião. Portanto, devia pensar como um mago: todos eram criaturas mágicas. Seguiu essa linha de pensamento, considerando-a mais frutífera que a anterior: as bruxas também podiam ficar grávidas depois de uma violação, de modo que não podia estar a falar de mulheres.
Severus abriu os olhos inesperadamente, caindo na conta: Estava a falar de homens capazes de ficar grávidos? Fez uma diminuta careta de asco, pensando no estranho desse pensamento. Sacudiu a cabeça levemente, teria que pesquisar se isso era possível. Levantou-se com rapidez, e quando saiu da casa, conjurou a porta para que se selara com magia. Qualquer encantamento podia romper o feitiço, mas Severus pensou que não faria falta bem mais para manter aos muggles longe de sua casa.
Quando chegou a seu apartamento, se duchou com rapidez, sem perder de vista o papelito, e o guardou na mesa-de-cabeceira, baixo vários feitiços de proteção, antes de dormir. Os pensamentos não deixaram de estar em sua mente essa noite, e demorou bastante tempo em dormir, enquanto dava voltadas na cama, tratando de se tranquilizar.
Nota tradutor:
Mas o que será que Eillen queria dizer com aquela única frase?
Vejo vocês nos próximos capítulos
Ate breve
Fui…
