Disclaimer: O universo de Harry Potter foi criado pela JK Rowlings. Não tenho nenhum direito sobre a história. Escrever sobre esse mundo mágico e maravilhoso é apenas um passatempo sem nenhum fim lucrativo.

Agradecimentos: A todos vocês que vêm deixando recados e comentários, tanto aqui como no meu e-mail! Infelizmente, e pra variar, estou com uma pressa danada. Mas espero que vocês gostem do novo capítulo, que mais uma vez termina num baita suspense! XD Finalmente, descubram a identidade do homem misterioso. E para aqueles que acertaram o nome: Dracos de chocolate pra vocês!

Cap. 35 – O colapso de Harry

Era como estar num sonho surrealista, uma realidade alternativa onde o que ele achava que era real na verdade não era. Justo quando Harry achara que sua vida não poderia ficar mais complicada, algo vinha e a deixava de cabeça pra baixo de novo. Harry vagamente pensou ter ouvido Draco perguntar a ele se estava bem, mas seus olhos estavam grudados no homem a sua frente; um homem que ele pensara estar morto há muito tempo. Lá estava o homem cuja morte nunca parara de assombrá-lo. Algo ficou entalado em sua garganta, e seus olhos queimaram com lágrimas não derramadas. Recusava-se a chorar, no entanto. Primeiro queria entender o que estava acontecendo.

- Sirius? – Harry perguntou num sussurro.

- Harry... – disse Sirius com um sorriso débil. Ele tentou se aproximar de Harry e tocá-lo (Sirius estivera morrendo de vontade de fazer aquilo por muito tempo), mas Harry deu um passo para trás de imediato e sacou sua varinha.

- Potter, abaixe a varinha! – disse Severus aborrecido, sacando sua varinha também.

- Severus, não faça isso! – Sirius o advertiu. – Ele já está assustado! Não torne a situação ainda pior!

Enquanto os olhos de Severus e Sirius se digladiavam silenciosamente, Draco não disse nada. Estava tão surpreso quanto Harry. As pessoas próximas a Harry sabiam do quão traumática havia sido a morte de Sirius para ele. Ver Sirius Black vivo era um choque imenso, e Draco só podia imaginar o que estava se passando na cabeça de Harry naquele momento.

Finalmente, Severus baixou a varinha com um suspiro resignado. Depois se voltou para Draco e disse:

- Vamos fazer um chá, Draco. Eles têm muito que conversar...

Draco não sabia se era uma boa idéia deixar Sirius e Harry sozinhos. Bastava olhar para Harry e confirmar suas suspeitas. Draco podia sentir toda a confusão e dor do moreno; mas acima de tudo, podia sentir a raiva de Harry. Mas justo quando Draco havia decidido ficar, Severus o agarrou pelo braço e o arrastou para fora.

- Que merda! – Draco reclamou, soltando o braço do aperto forte de Severus. – Não quero deixar Harry sozinho com aquele homem! O que você está pensando? Você me machucou!

Severus suspirou.

- Desculpe, Draco, mas Sirius vem esperando por esse momento desde que eu o resgatei daquela antiga passagem. A conversa é entre ele e Harry. É um momento só deles. Não posso interferir por mais eu que queira. Entendo o que você está sentindo. Está preocupado com Potter, e eu estou preocupado com Sirius. Mas... tudo que podemos fazer agora é esperar.

Draco franziu o cenho.

- Ele é mesmo Sirius Black? – Draco precisava se certificar daquilo, porque sabia que Harry devia estar se perguntando a mesma coisa.

- É claro que ele é Sirius! – Severus respondeu com uma careta. – Acha que eu deixaria Potter sozinho com alguém se fazendo passar por ele?

- Como isso é possível? – Draco perguntou sem acreditar muito. – Ele estava morto! Vocês todos disseram a Harry que ele estava morto! Deixou Harry passar por toda aquela dor por nada? E o que há entre você e ele? Achei que você o odiasse!

- E odiava. – Severus sentiu as palmas das mãos suadas. A conversa estava lhe deixando inquieto.

- Então por que ele está aqui com você? Por que...? – Draco parou abruptamente e arregalou os olhos ao máximo ao ser se dar conta de algo. – Oh, meu Deus! Você se casou com ele? Como isso é possível?

- Ah, me poupe, Draco. Você, mais do que qualquer outra pessoa, deveria entender. Afinal de contas, você odiou Harry Potter com todas as suas forças por boa parte da sua vida. Você até mesmo quis vê-lo morto. O mesmo aconteceu comigo e com Sirius. Estávamos atraídos um pelo outro, mas éramos muito teimosos pra perceber e aceitar. Além do mais, éramos de Casas opostas, e éramos homens. Essas coisas eram o bastante para deixar qualquer um louco. Nossas personalidades terríveis também não ajudavam... Mas tenho certeza de que você entende o que é amar e odiar uma pessoa ao mesmo tempo.

Draco entendia. Sabia exatamente como era amar e odiar alguém. Até mesmo agora tinha problemas em admitir seus sentimentos.

- Certo. Então você ama Sirius Black. Isso não responde à pergunta principal. Todo mundo achava que ele estava morto! Como ele sobreviveu?

- Na verdade, meu amor por Sirius responde a sua pergunta... – disse Severus, corando levemente e parecendo terrivelmente embaraçado. – Arrisquei minha vida para trazê-lo de volta. Irônico, não é? Rezei tanto para que ele morresse que quando finalmente aconteceu, o fato só me causou mais dor.

- Então ele estava morto.

- Não exatamente. Venha comigo. Vou lhe contra tudo o que você quer saber. Mas primeiro, vamos tomar um chá. – Severus fez um gesto para que Draco o seguisse até a cozinha.

Draco o obedeceu após hesitar um pouco. Enquanto Severus preparava o chá, ele disse a Draco:

- Sente-se, Draco, porque isso vai demorar um pouco...

----------------------------------------------------------------------------------------

Harry nem reparou quando Severus arrastou Draco para fora da sala. Estava preso num pesadelo, e sabia que não poderia despertar daquele. Sentiu a dor crescer dentro do peito. Estava de volta mais uma vez ao dia da morte de Severus, e mais uma vez era impossível respirar. Ao ver Sirius agora, a horrível verdade o acertou em cheio. Ele nunca havia superado aquele momento no Departamento de Mistérios. Não importava quantas vezes tentara convencer a si mesmo de que nada daquilo era verdade, ele sabia que não era bem assim. Era sua culpa. Nunca havia deixado o sentimento de culpa de lado. Era um machucado que nunca iria sarar completamente.

Harry não conseguia entender quem era esse homem. Era um fantasma? Não, não podia ser. Nick-Quase-Sem-Cabeça havia lhe dito que Sirius morrera e fora pra outro lugar. Então quem era aquela pessoa parada na sua frente? Ele parecia muito com Sirius. Talvez fosse uma piada doentia ou um jogo para destruí-lo. Harry ainda tinha muitos inimigos. Em sua perturbação mental, pensou até mesmo que Draco e Snape haviam se juntado para derrotá-lo. Seu coração doeu.

- Quem é você? – Harry perguntou, apertando a varinha em suas mãos trêmulas.

- Sou Sirius, Harry. – respondeu Sirius.

- Não. – Harry balançou a cabeça com uma careta zangada. – Não pode ser Sirius. Ele está morto. Ele morreu há muito tempo. Eu vi com meus próprios olhos! Eu vi aquela maldita mulher acertá-lo, e vi quando ele caiu atrás do véu! Todo mundo me disse que ele estava morto! Por que está aqui? É um fantasma?

Sirius suspirou, cansado. Sabia que não seria fácil convencer Harry de sua existência. Precisava ser paciente com ele.

- Não sou um fantasma, Harry. Sou eu mesmo. Sirius.

A mente de Harry começou a rodar, e ele se sentiu tonto.

- Então... Foi tudo uma mentira? Todos mentiram pra mim?

- Ninguém mentiu pra você. Ninguém sabia.

- Não acredito em você! – Harry gritou. – Você é um maldito mentiroso! Me prove que você é Sirius! Me diga algo que somente eu e Sirius saberíamos!

- Eu costumava ser Padfoot pra você. Te contei tudo sobre minha árvore genealógica, lembra? Quando fiquei preso naquela casa horrível... aquela casa que costumava me deixar maluco... Nós conversamos sobre minha família. Naquele mesmo dia você me perguntou se poderia viver comigo se fosse expulso de Hogwarts. Você se lembra de quando perguntou a mim e a Remus sobre seu pai? Você não gostou do que viu na Penseira de Severus, então quis saber mais sobre o assunto. Você não gostou da nova imagem que teve de seu pai como um brigão idiota. Me disse que sentia pena de Severus, e que não conseguia entender como sua mãe havia se apaixonado por seu pai se ela o odiava tanto.

A varinha de Harry escorregou de seus dedos e caiu no chão. Ele sentiu os joelhos ficarem fracos e a visão levemente embaçada. Ainda não conseguia entender o que estava acontecendo.

- Você estava morto. – ele murmurou debilmente.

Cautelosamente, Sirius deu outro passo na sua direção. Harry não se moveu dessa vez, mas sobressaltou-se.

- É complicado... – começou Sirius, movendo as mãos nervosamente. – Não sei como te explicar sobre o que aconteceu comigo depois que eu caí atrás do véu. Foi tudo muito confuso. Houve períodos de escuridão intensa, seguidos de momentos de paz e quietude... Eu me sentia como se estivesse perdido em um sonho sem fim. Pensei que estivesse morto, mas não havia ninguém conhecido para me dar boas vindas como eu achava que seria quando eu morresse. Eu não tinha nenhuma noção de tempo. Um dia vi seu pai. Ele sorriu pra mim, e eu achei que o momento finalmente havia chegado. Estava feliz por partir, mas então alguém me chamou de volta. Meu coração ficou dividido.

- Queria ir com seu pai, mas ao mesmo tempo havia essa outra voz me chamando de volta incessantemente. – Sirius continuou, sorrindo ternamente ante a lembrança. – No começo eu só pude ouvir palavras carinhosas. Era uma declaração de amor de cortar o coração, e ficou reverberando em meu coração e me fez hesitar da minha decisão. Então a voz suave mudou. Ela começou a me amaldiçoar... Foi então que eu percebi quem era, e aquilo me chocou profundamente. Era Severus. Eu o vi. Mesmo me xingando, ele tinha lágrimas nos olhos. Nunca o vi chorar por nada. Eu estava muito cansado. Queria descansar. Quase escolhi ficar com James. Mas no fim, a persistência de Severus me ganhou.Sabia que tinha que voltar, não só por ele mas por você também. Enquanto estive preso entre a vida e a morte, ele me lembrou que eu tinha muito pelo que viver. Então eu dei a volta e fiz o doloroso caminho de volta a vida. Escolhi a vida ao invés da morte. Não foi fácil, mas eu consegui.

Harry sacudiu a cabeça e piscou algumas vezes. Como ele sentiu que iria desmaiar a qualquer minuto, sentou-se no sofá, encostou os cotovelos nos joelhos e cobriu os olhos com as palmas das mãos. Sirius se aproximou dele imediatamente com uma expressão preocupada. Harry sentiu um toque suave em seu ombro e o repeliu violentamente. Ele encarou Sirius e sibilou:

- Fique longe de mim.

- Por favor, Harry... Sei que é difícil digerir tudo isso de uma vez, mas...

- Mas o quê? – Harry gritou, todo seu corpo tremendo de raiva. Ele sentia-se traído. – O que eu deveria entender? Como todo mundo me enganou todos esses anos? Como me deixaram sozinho pra lidar com a dor de perder você? Passei todo esse tempo pensando que era responsável por sua morte! Nunca me perdoei por aquilo. Aquele momento mudou completamente minha vida. Meu coração morreu com você. E agora descubro que foi tudo mentira...

- Não foi uma mentira, Harry. – disse Sirius com uma dor profunda em seu coração.

- Todos esse anos... Você estava vivo e nem se importou em me dizer!

- Não foi assim! – Sirius havia prometido a si mesmo que se manteria calmo enquanto estivesse falando com Harry, mas era difícil. – Se Severus não tivesse me resgatado, eu não teria voltado.

- Ah, então você voltou por ele. – Harry brigou, sua voz cheia de acusação. – Porque o órfãozinho idiota não valia o esforço, não é? Você voltou por um homem que desejou a sua morte! Um homem que você odeia e que te odeia também! Eu... eu realmente não entendo mais nada! Não entendo mesmo. Por que ele te salvou? Pensei que ele estivesse feliz com sua morte! Poderia entender se estivéssemos falando de Remus te resgatando, mas não do Mal-cheiroso Snape!

Sirius correu os dedos entre seu cabelo e segurou a urgência de puxar tudo.

- Isso também é muito complicado... Vai ser difícil pra você entender que...

- Então me faça entender! – Harry exigiu com os olhos injetados.

- É verdade que a gente se odiava com todas as nossas forças. Ele era meu inimigo declarado. Mas... em algum momento nós percebemos que apenas nos odiávamos tanto porque nos amávamos. Severus...

- Pare de chamar ele de Severus! É nojento!

Sirius suspirou.

- Nós éramos muito parecidos, eu e Se... Snape. – Sirius se corrigiu a tempo, antes que Harry pudesse ter outro acesso de raiva. – É irônico se você pensar bem, mas foram nossas similaridades que nos mantiveram separados.

Harry fez uma careta e Sirius lhe deu um meio-sorriso. Ele se sentou ao lado de Harry, mas deixou uma distância segura entre eles para que Harry não sentisse que Sirius estava se impondo sobre ele.

- Eu te disse que ia ser difícil de entender. – Sirius continuou. – Sei que sempre projetei idéia de ser muito confiante, mas a verdade era que no fundo eu era muito inseguro, e devido a minha história familiar, passei um longo tempo me odiando. Toda aquela confiança excessiva era só uma fachada para esconder as minhas inseguranças das outras pessoas. Era um escudo. O mesmo acontecia com Se... Snape. – Sirius fez uma pausa, irritado com o fato de que agora que finalmente havia se acostumado a usar o primeiro nome do amante, não podia por causa de Harry. – Eu tenho mesmo que chamar ele de Snape?

Harry assentiu, sério. Sirius arqueou uma sobrancelha, mas não fez nenhuma reclamação. Não tinha o direito de negar nada a Harry, não importava o quão absurdo soasse. Ele já havia decepcionado Harry demais.

- Snape era como eu. Aquela atuação irritadiça dele era seu escudo. Ele era propositadamente rude com as pessoas porque não queria se machucar. Na verdade, ele era tão inseguro quanto eu. Mas enquanto ele escolheu ser amargo, eu escolhi ter o máximo de amigos que pudesse para poder esquecer dos meus problemas familiares. Eu não gostei de Snape à primeira vista, mas ao mesmo tempo havia uma centelha entre nós, uma atração muito forte que costumava me deixar louco. Ele sentia também. Foi o que o fez odiar James ainda mais. Ele odiava nossa intimidade. Tudo ficou pior quando uma série de coisas aconteceu e...

- Que coisas? – a voz suave de Harry tomou Sirius de surpresa. O fez imaginar se o afilhado finalmente havia se acalmado.

- Snape e eu meio que... saímos juntos... por um tempo. Por causa das nossas brigas constantes, tivemos que fazer juntos um trabalho escolar uma vez como punição... Mas porque eu não queria me encontrar com ele, deixei tudo pra última hora, então acabamos numa sala deserta tarde da noite tentando acabar nosso trabalho. A gente brigou como sempre... Mas porque estávamos sozinhos, uma coisa levou a outra e... Nós nos beijamos e... bem... – Sirius sentiu-se embaraçado. – Algumas coisas... aconteceram. Depois disso, não só nosso ódio aumentou, mas também nossa atração... Então cada vez que a gente se encontrava, brigávamos, nos beijávamos e...

- Coisas aconteciam... – Harry completou com um sorriso irônico, e não pôde evitar pensar que a rotina de Sirius e Severus lhe era muito familiar.

Sirius sentiu as bochechas esquentarem.

- É. Já que não éramos maduros o suficiente pra lidar com aquilo, era lógico que iria terminar um dia. Não esperava que fosse tão difícil terminar com ele... – Sirius sorriu, amargo. – Mas eu tinha uma reputação a zelar. Isso soa horrível, mas... eu era o ganharão do pedaço, sabe? Não ficaria bem se eu fosse pego com Snape, sem mencionar que nenhum dos meus amigos teria entendido, especialmente seu pai. James e Snape não se suportavam. Por um tempo, eu realmente achei que Snape tivesse uma queda por seu pai.

- Ele teve? – Harry perguntou com uma expressão de horror.

- Não. Ao menos é o que Se... Snape me diz. – Sirius fez uma careta. – Se ele descobrir que ainda tenho algumas dúvidas sobre o assunto, ele me mata.

- Foi aí que você decidiu matá-lo? – Harry perguntou.

- Não! – Sirius negou imediatamente. – Eu não quis matá-lo. Só quis... Eu fui idiota e inconseqüente. Queria assustá-lo, ensiná-lo uma lição. Sei lá! Eu estava muito zangado com ele. Meu ódio me fez ficar cego. Eu estava com um ciúme tremendo. Não percebe? Naquela época Severus era o cãozinho de estimação de Lucius. Todo mundo sabia. Ele tinha uma fixação medonha por Lucius. – Sirius sentiu o ciúme voltar ao pensar naquilo. – Lucius era alguém que ele gostaria de ser. Nojento, não? – Harry concordou, e Sirius continuou: - Pensei que eles estivessem transando. Isso certamente multiplicou minha raiva. Minha idiotice chegou à conclusão de que se eu não podia tê-lo, ninguém mais poderia. Então eu o mandei para o Salgueiro Lutador... Remus ficou tão zangado que ficou sem conversar comigo um tempão. Até mesmo James gritou comigo. Quando eu me dei conta do que tinha feito, era tarde demais. Fiquei muito aliviado quando soube que nada tinha acontecido com Severus. Ele ficou furioso comigo. Levou as coisas muito pro lado pessoal, sabe?

- É claro que ele levou! – Harry exclamou. – Você atiçou um lobisomem nele, que aliás era seu melhor amigo! O que você queria que ele fizesse? Que ele te mandasse flores? Além do mais, foi você quem o magoou. Não tinha o direito de estragar a felicidade dele, mesmo que ele tivesse escolhido Lucius Malfoy.

- Bem, infelizmente há diferentes tipos de amor, Harry, e o meu é do tipo possessivo e egoísta. É horrível, eu sei...

- E quanto a Remus?

- Remus? O que quer dizer? Remus e eu éramos apenas amigos.

- Sua mãe me disse que você e Remus eram... mais do que apenas amigos.

Sirius pulou ao ouvir aquilo

- Minha mãe?

- O retrato dela. Nós meio que conversamos algumas vezes. Foi ela quem me contou sobre você e Remus. Primeiro ela me contou sobre seu irmão, depois ela me contou que suspeitava que você tinha um relacionamento com Remus. Ela disse que vocês dois eram muito mais que amigos.

Sirius não gostou de ouvir aquilo

- Não sabia que o retrato dela podia fazer mais do que xingar as pessoas... Hmm... Por que tem falado com aquela mulher maluca? Está vivendo na minha antiga casa?

- Estou. Não sabia? – Harry ficou confuso.

- Não! Severus me falou que a última vez que ouviu falar de você, você estava vivendo com Ron em Londres e treinando pra ser Auror.

- Isso foi há anos! Não sou um Auror. Eu.. larguei o treinamento depois de seis meses. – Harry confessou com a voz fraca.

Sirius ficou chocado.

- Ah, Harry, eu não fazia idéia!

- Há muitas coisas que você não sabe. – Harry disse com amargura. – E você obviamente nem se preocupou em saber.

- Pensei que você tivesse seguido em frente com sua vida. Pensei que estivesse feliz. Severus me convenceu de que eu não precisava me preocupar com você...

- E você acreditou nele? Que tipo de imbecil você é? Eu não estava feliz, e não segui em frente com minha vida! Tenho vivido no inferno desde que saí da escola, e mesmo antes disso! Nunca superei a sua morte! Nunca superei a morte de Remus também. Foi um pesadelo. Ainda é! – Harry disse com ironia, lembrando-se do que o havia trazido para a casa de Severus. – Tem idéia de como eu me senti culpado? Sempre me culpei por aquele dia!

- Não foi sua culpa, Harry. – disse Sirius rapidamente. – Não pode ser responsável pelas minhas ações inconseqüentes. Não me forçou a ir ao Ministério naquele dia. Fui eu quem me descuidei. Se tivesse sido mais cuidadoso, Bellatrix não teria me atingido.

- Dumbledore e Remus tentaram me fazer acreditar nisso. Mas não importava quantas vezes eles me dissessem que não era minha culpa, eu não conseguia esquecer do fato de ter sido enganado por Voldemort... Se ao menos eu tivesse ouvido Hermione e esperado... Se não tivesse ido ao Ministério naquele dia, nada daquilo teria acontecido. Por isso, não pode tirar a culpa do meu coração. E a forma como eu tratei Remus depois... – Harry olhou para baixo e mordeu o lábio inferior. Ele começou a tremer de novo. – Nunca disse a ele o quanto ele significava pra mim... Nunca disse a você! – Harry não conseguiu mais segurar as lágrimas. Seu choro silencioso partiu o coração de Sirius. – Eu me senti tão sozinho e sem esperança. Me senti tão perdido...

Sirius tentou tocar em Harry mais uma vez, mas Harry se esquivou e o encarou com raiva.

- Eu te disse pra ficar longe! – Harry gritou. – Você ainda não me explicou nada! Tudo o que fez foi me contar sua tocante história de amor! Ainda não sei porque você está vivo e porque não me procurou!

- Aquele véu... era um portal. Era uma passagem entre a vida e a morte. Foi aberta há séculos. Como ninguém conseguiu destruí-la, o Ministério resolveu escondê-la no Departamento de Mistérios. Ninguém realmente sabia o que ela podia fazer ou aonde podia levar. Havia apenas alguns documentos sobre o assunto, mas nada substancial. Por isso eles supuseram que eu houvesse morrido quando cai nela. E de certa forma, eu realmente morri. Era como estar em coma. Fiquei vagueando pela escuridão por um longo tempo.

- Mas havia uma chance de resgatar você! Por que eles não me disseram?

- Apenas Dumbledore sabia e nem ele tinha certeza. Havia teorias e mais nada. Ele apenas contou a Severus sobre ela porque Severus insistiu bastante. Dumbledore não poderia ter dito nada a você, Harry. Nunca a você. Se você soubesse que havia uma pequena chance de me trazer de volta, teria tentado. Ele queria que você ficasse em segurança, e eu também. Ele sabia que eu nunca deixaria que você tentasse algo tão perigoso apenas pra me salvar. Não havia garantias de que você seria bem sucedido, e era bem provável que você ficasse perdido como eu.

- Eu tinha o direito de saber! – Harry persistiu.

- Não, não tinha! Você é como eu, Harry. Ignora o perigo quando se trata das pessoas que ama. Eu não suportaria se você tivesse arriscado sua vida por mim. Já fez isso tantas vezes...

- E da última vez eu matei você... – Harry engoliu o choro.

- Não! Eu escolhi meu destino, Harry, não você.

- Você só foi ao Ministério por minha causa. – Harry apontou num sussurro.

- Ainda assim, foi minha escolha.

- Então eu também deveria ter tido a chance de escolher ir atrás de você!

Sirius não retrucou. Suas palavras ficaram presas na garganta. Ele havia infligido tanta dor a vida de Harry que não sabia como consertar a bagunça que havia criado. Sirius sentiu a raiva crescer. Severus mentira pra ele. Era óbvio que Harry não havia seguido em frente. Podia sentir a solidão e a dor de Harry com tal intensidade que doía. Sirius deixara Severus lhe convencer de que Harry estava bem vivendo sozinho, e que a súbita presença de Sirius iria apenas aborrecê-lo. Sirius cerrou os punhos.

'Harry tem sua própria vida agora. Ele é um Auror. Tem amigos. Acredito que tenha até uma noiva', Severus havia dito. 'Você ainda está fraco. Quando estiver totalmente recuperado, podemos ir atrás de Harry. Além do mais, será difícil explicar a ele sobre o nosso relacionamento.'

Severus estivera preocupado consigo mesmo, pra variar. Não havia levado os sentimentos de Sirius em consideração. Sirius não deveria ter acreditado em Severus. Devia ter ido atrás de Harry. Devia ter visto por si mesmo se seu afilhado estava bem ou não. Havia falhado com James ao se manter afastado só porque estava com medo. Mais que tudo, havia falhado com Harry.

- Como ele te salvou? – Harry perguntou em uma voz tão baixa que Sirius achou que havia imaginado a pergunta.

Foi somente quando Harry insistiu que ele respondeu:

- Ele criou um feitiço muito complicado que lhe serviu de mapa e que o protegeu ao mesmo tempo. Então ele entrou no portal. Sabia que estava arriscando a vida ao fazer isso. Sabia que poderia se perder lá e nunca mais achar o caminho de volta. Mas ele me disse que não se importava porque já não tinha mais nada a perder.

- Eu também não tinha mais nada a perder. – Harry disse para si mesmo, olhando o infinito.

- Não diga isso! – disse Sirius com violência. – É claro que tinha! Você é tão jovem, Harry. Tem muito pela frente! Sua vida é importante para muitas pessoas! Você trouxe esperança ao mundo bruxo.

- De novo essa porcaria de ser o herói do mundo... Eu trocaria tudo pra ter meus pais de volta e levar uma vida normal. – Harry disse com tristeza nos olhos. O coração de Sirius se partiu em pedacinhos. – Quando aconteceu? Quando Severus te salvou?

- Quando Severus me achou, eu já havia perdido três anos da minha vida. – Sirius disse. – Demorou mais um pra me recuperar. Eu estava muito debilitado quando ele me trouxe de volta.

Harry ficou chocado.

- Três anos?

Sirius assentiu.

- É. Ele só foi me procurar depois que Dumbledore morreu, porque Dumbledore o havia proibido de ir atrás de mim. Dumbledore tinha medo dos riscos que nós dois corríamos. Não há casos relatados sobre pessoas que escaparam do portal. Também não havia nenhum caso documentado sobre fugas em Azkaban. – Sirius sorriu para si mesmo. – Acho que tenho um talento natural para fugas difíceis.

- Faz sentido... – Harry disse, pensativo. – Snape largou do emprego um pouco depois da morte de Dumbledore e então desapareceu. Todo mundo pensou que ele finalmente houvesse enlouquecido.

- Ele estava cuidando de mim... – Sirius sentiu as palmas das mãos suadas. Havia muitas coisas que queria perguntar a Harry. Só não sabia se estava preparado para ouvir as respostas. – O que aconteceu com você?

Harry engoliu em seco.

- Por que se importa?

- Por favor, Harry... Você sabe que eu me importo. Pensei que estivesse bem. Fui levado a acreditar que você tinha achado seu caminho na vida, e que eu seria um empecilho se aparecesse na sua frente do nada. Não queria estragar as coisas pra você. Eu ia procurá-lo no final das contas, mas estava com medo da sua reação.

- Snape te mandou ficar longe de mim? – Harry podia sentir o sangue ferver.

- Não exatamente. Ele só... me convenceu que você estava melhor sem mim.

Harry deu um sorrisinho.

- Então ele realmente te mandou ficar longe de mim. O desgraçado idiota... – Harry rosnou. – E você o obedeceu como um cachorrinho, não? Você realmente achou que eu estava melhor sem você? Você o ama tanto assim? Você o escolheu a mim!

- Não é bem assim! – Sirius exclamou, angustiado. – Isso não é sobre escolher ele a você! Eu... eu achei que você estivesse casado! Pensei que tivesse filhos. Não queria atrapalhar sua vida.

- Bem, eu não me casei. Não tenho filhos. Fiquei tão de saco cheio de tudo depois de Voldemort e Hogwarts que eu desisti de tudo. Meu futuro brilhante como Auror, os convites pra jogar Quadribol, minha namorada, meus amigos... – Harry respirou fundo. Ele enxugou algumas lágrimas mas elas continuaram caindo. – Tive que agüentar uma batalha judicial com os Malfoys pela posse da sua casa.

- Sério?

- Sério. Foi difícil provar que você estava mesmo morto e que tinha deixado a casa pra mim em seu testamento. Lucius Malfoy queria mesmo aquela casa... Mas eu ganhei no final. Fiz daquele lugar meu refúgio. Me escondi do mundo ali. Se não fossem pelas visitas constantes de Hermione e Ron pra checar como eu estava, não sei o que teria feito... – Era a primeira vez que Harry confessava aquilo em voz alta. – Eu não estava bem. Estava deprimido e patético. Não tinha mais forças pra nada.

Sirius sentiu algo esmagando seu coração.

- Mas... Quando eu o vi hoje, não notei nada. Pensei que você estivesse bem. Você parecia tão feliz e bonito. Não pensei que você estivesse deprimido.

- É por causa do... – Draco. Harry ficou surpreso ao ver como era fácil chegar àquela conclusão. Nos poucos dias que passara com Draco, o loiro havia mudado sua vida miserável. Ele havia feito com que Harry se sentisse vivo de novo.

Olhou ao redor, apenas para perceber que Draco não estava lá. De repente, ele sentia a falta de Draco imensamente, e o pensamento o assustava. Não queria sentir falta de ninguém. Harry não queria mais sofrer. Cedo ou tarde, Draco o trairia.

Sirius sentiu a inquietude de Harry e o chamou baixinho:

- Harry?

Harry olhou para Sirius. Seu padrinho estava lindo mas também cansado. Harry sentia-se cansado também. Nunca quis tanto ficar sozinho.

- Eu... – Ele se levantou e caminhou até a porta. – Não sei de mais nada. Preciso ficar sozinho.

- Você me odeia Harry? – Sirius perguntou ansiosamente.

Harry abriu a porta e fitou o chão. Ele não odiava Sirius, mas estava magoado. Não respondeu à pergunta de Sirius porque queria puni-lo. Queria que Sirius pensasse que Harry o odiava, mesmo que aquilo não fosse verdade. Sentiu uma dor intensa no coração que ele pensou que nunca fosse ir embora. A situação toda era insuportável pra ele. Precisava descontar a raiva em alguma coisa, e só conhecia um jeito de fazer aquilo.

- Eu sinto tanto. – disse Sirius tristemente.

- É, eu também. – retrucou Harry, saindo do aposento rapidamente e correndo para o segundo andar.

Ele bateu a porta do quarto com toda sua força, e antes que soubesse estava jogando na parede tudo o que conseguia colocar as mãos.

---------------------------------------------------------------------------------------------

Uma forte rajada de energia mágica veio rápida e inesperada, e fez com que Draco se sentisse tonto e levemente nauseado. No momento em que aquela forte onda mágica atingiu seu corpo, soube que algo estava errado com Harry. Ele devia ter previsto aquilo. Não havia como a conversa de Harry com Sirius terminar de outro jeito. Para Harry, que havia sofrido tanto naqueles anos, era traição descobrir que seu padrinho estivera vivo mas não havia se preocupado em procurar por ele, salvando-o de sua existência miserável. Aquela era a verdade sobre Harry. Ele estivera à espera de alguém que pudesse salvá-lo, assim como Draco.

Draco correu para o quarto de Harry rapidamente, não se importando em explicar a Severus onde estava indo. Mas ao chegar lá, não se atreveu a entrar. Sentiu que Harry precisava daquele momento de privacidade para descontar sua própria frustração e dor. Draco tivera um momento parecido há pouco tempo atrás, então entendia. Ainda podia sentir cada fibra da dor de Harry penetrar seu corpo. Podia sentir em todo o seu ser o quanto Harry precisava de um ombro pra chorar, mas ao mesmo tempo precisava ficar sozinho. Era como se Draco ouvisse os apelos suaves de Harry pedindo para que ele esperasse mais um pouco antes de entrar e deixar que Draco o abraçasse.

A espera pareceu demorar uma eternidade, mas então, do nada, o alto nível de magia ao redor de Draco diminuiu. Tudo ficou em silêncio. Draco caminhou lentamente até a porta e ficou escutando. Não havia nada a não ser silêncio. Draco bateu na porta suavemente, mas não recebeu resposta. Seu coração começou a bater mais depressa. Não podia sentir mais nada vindo de Harry, e aquilo o assustava. Bateu na porta com mais força, e deu um passo pra trás quando ela se abriu.

Cautelosamente, Draco entrou no aposento. Tudo parecia uma bagunça. Imaginou que sua sala devia ter aquela mesma aparência revirada depois do seu colapso nervoso. Achou Harry num canto, sentado no chão. Os olhos verdes estavam vermelhos, inchados e distantes. O coração de Draco se comprimiu no peito. No passado, quando eles ainda eram estudantes em Hogwarts, Draco esperara muito para ver Harry como ele estava agora: quebrado. Mas agora ele só queria abraçá-lo e fazer com que tudo ficasse bem ao invés de humilhá-lo em público.

- Harry? – ele chamou baixinho.

Os olhos vazios de Harry continuaram a fitar longe. Draco engoliu em seco e tentou de novo. Não desistiria tão facilmente. Harry o havia apoiado quando ele mais precisara. Agora era sua vez de retribuir o favor. Mesmo que Harry não respondesse, Draco sentou ao seu lado e esperou.

- Devíamos acabar com isso. – Harry disse subitamente, pegando Draco de surpresa.

- Acabar com o quê? – Draco perguntou com medo da resposta.

- Com o que quer que a gente esteja fazendo. – Harry respondeu, distante. Não havia nenhuma emoção em sua voz. Draco sentiu uma dor no coração, mas disse a si mesmo para não entrar em pânico. Ao invés de retrucar, ele relanceou para Harry. Harry continuou falando: - O que ganharemos se continuarmos com isso? Nosso relacionamento está fadado a terminar, e nós estamos fadados a sofrer. Cedo ou tarde você ficará cansado de mim, ou iremos irritar um ao outro.

- Já fazemos isso. – Draco murmurou.

- É, mas... pode ficar pior. Você irá me deixar um dia quando perceber que não sou tudo aquilo que você pensava que eu fosse.

Draco suspirou. Sentia vontade de sacudir Harry.

- Eu sei exatamente o quê e quem você é.

Harry balançou a cabeça.

- Não me conhece nem um pouco. Quanto mais cedo perceber isso, melhor. Além disso, todos os relacionamentos acabam, e você fica com nada mais do que um coração partido. Está disposto a arriscar sua alma por um cara ferrado como eu?

Draco amaldiçoou Harry por deixar que a conversa chegasse naquele ponto. Não era sobre eles. Era pra ser sobre Sirius e o quanto ele havia magoado Harry. Mas pensando bem, talvez fosse sobre Sirius. O padrinho de Harry havia sido sua última esperança de ter algo parecido com uma família. Harry sempre fora sozinho no mundo. Ele sempre protegera seu coração. Claro que ele ficaria com medo de se arriscar num relacionamento. Era Draco quem tinha que provar a Harry que ele podia ser amado.

Draco sentiu as mãos trêmulas. Cerrou os punhos, engoliu seco e depois respirou fundo antes de ganhar a coragem necessária para expor seu coração.

Fitou Harry com determinação. Mesmo que seu coração estivesse batendo tão depressa que parecia que ia sair pela boca a qualquer minuto, ainda assim conseguiu reunir coragem para responder com firmeza:

- Que se dane tudo, Harry! Estou.

Harry olhou para ele com curiosidade.

- Está o quê?

- Estou disposto a arriscar minha alma. – disse Draco tentando não se apavorar.

A respiração de Harry ficou entalada na garganta. Draco aproveitou sua surpresa para continuar com sua confissão:

- Não me peça garantias. Não tenho nenhuma. Se alguém me dissesse no passado que um dia eu estaria transando com Harry Potter, eu teria rido à beça. Mas aqui estamos nós. Juntos. Até estamos nos entendendo, algo que eu nunca pensei que fosse possível, e eu tenho certeza que você pensava a mesma coisa. Não tenho todas as respostas. Não sei o que vai acontecer no futuro, mas eu conheço meus sentimentos. Tentei negá-los muitas vezes, é verdade. Mas seria muito idiota em descartá-los agora. Não importa o quão irritante ou teimoso você possa ser de vez em quando... Não vou te deixar. Vou ficar ao seu lado pra sempre se você deixar. Eu... Eu faço qualquer coisa por você. – A voz de Draco falhou.

Os olhos de Harry tremularam.

- O que está dizendo?

- Que eu te amo, sua besta! Eu te amo! – Draco sentiu tanto alívio por finalmente dizer o que sentia que quase não notou a expressão de choque no rosto de Harry. – Eu te amo. – Draco sorriu suavemente e disse mais determinado: - Pode tentar se livrar de mim quantas vezes quiser, Potter, mas não vou desistir de você.

Continua...

Nota da autora: Essas declarações de amor são tudo na vida! XD Finalmente o Draco se declarou! Yay! E agora? Qual será a reação de Harry no próximo capítulo? Apostas! Ele vai espanar ou se declarar também?