Capítulo 36 – Sete Meses

Lílian sorriu animada após sua primeira consulta com a ginecologista. Tiago e ela estavam super animados com o bebê a caminho.

Recebeu as orientações médicas e voltou para casa. Aquilo era mais do que ela poderia ter imaginado.

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O quartel general dos aurores parecia um abarrotado formigueiro naquela tarde, com homens correndo freneticamente de um lado para o outro, dezenas de corujas entrando e saindo do aposento e um mal-humorado Alastor Moody berrando ordens para todos os que o cercavam. Mas, mesmo com todo este movimento, dois aurores pareciam se destacar do resto dos colegas, pois, ao invés de se apressarem a cumprir as ordens dadas, conversavam a um canto, alheios à correria.

-Sirius, eu tenho uma pergunta importante para lhe fazer... – Tiago disse, ajeitando seus óculos, com um olhar sério.

-O que foi? Aconteceu alguma coisa com a Lily? – o outro perguntou, preocupado.

-Não! Por Merlin! – ele repondeu rapidamente, como se quisesse afastar tal pensamento de sua mente o mais rápido possível. – Eu só queria perguntar se você se compromete mesmo a ser o padrinho do meu do meu filho...

Sirius não pode conter uma risada diante da expressão séria do amigo.

-Você deve estar brincando, não é? Por que eu irira ter medo de ser padrinho do seu pestinha? A não ser que ele tenha impulsos homicidas ou nasça com duas cabeças, eu não tenho com o que me preocupar...

-Mas Sirius, falando sério, você vai ser mesmo o padrinho dele, não é?

-SEUS DOIS BÊBADOS PREGUIÇOSOS, DESENCOSTEM ESTE TRASEIRO DA PAREDE E MEXAM-SE! UMA CIDADE PERTO DE HOGSMEADE FOI ATACADA, E SE ESTES COMENSAIS FILHOS DE UMA MANTÍCORA NÃO FOREM DETIDOS EM DUAS HORAS, CONSIDEREM-SE DESPEDIDOS E LINCHADOS!- antes que Sirius pudesse responder, Alastor Moody percebeu os dois amigos conversando, e passava-lhe uma descompostura aos berros.

-Não se preocupe, amigo, eu não fujo de minha palavra – Sirius disse, antes de desaparatar para o local do ataque.

Linny estava arrumando a mesa para o jantar enquanto Remo assistia TV no sofá da sala. Mas seus pensamentos estavam em outra coisa, no por que de não ter sido escolhido padrinho do filho de Lílian e Tiago.

Linny encarou Remo com os olhos tristes, fazia um mês que ele se encontrava naquele estado de espírito. Nem mesmo a presença dela o animava.

-Remo, o jantar está pronto.

Remo sequer se mexeu, o olhar continuava fixo, vidrado na televisão. Linny suspirou e se sentou ao lado dele no sofá, falando novamente:

-Remo, o jantar está pronto.

E mais uma vez não houve reação da parte dele. Começando a ficar irritada, Linny tentou mais uma vez falar com ele.

-O que você está vendo na televisão, Remo?

-Um filme. – ele disse simplesmente, sem sequer olhar para ela.

-E você acha que este filme está tão interessante a ponto de você nem olhar para mim, aqui, ao seu lado? - ela disse, ligeiramente magoada.

Remo não respondeu. Não soube o que responder.

-Parece que sim. - ele falou querendo acabar com aquela conversa.

Não aguentando mais aquilo, Linny resolveu tomar uma atitude: foi na frente da TV e a desligou, forçando Remo a encará-la.

-O que está acontecendo com você? Você não é o mesmo de sempre. É algum problema comigo? Por que ser for, eu empacoto minhas malas e vou embora e, dessa vez, sem volta. Por que eu não estou mais aguentando isso.

-Não, Linny, não é nada com você... - ele respondeu simplesmente, olhando para baixo, evitando seu olhar

-Então me explique o que é! Por que eu não vou mais conseguir levar as coisas desse jeito. Se você não confiar em mim, eu vou embora. Eu preciso saber, e nós precisamos mudar isso... desse jeito, as coisas não vão continuar, Remo.

Ele simplesmente levantou o olhar, cansado, e, por um instante, ele encarou a esposa, antes de desviar o olhar para a janela.

-A lua está quarto-crescente... - ele começou, com um pesado suspiro. - dentro de poucos dias virá a lua cheia. Eu estou extremamente esgotado por causa do meu trabalho, já que tenho que trabalhar o dobro para compensar cada lua cheia, e além disso...

-Além disso o que?

-Eu estou magoado com Tiago. Pronto, eu falei! - ele disse irritado.

Ao ouvir isto, Linny não conseguiu conter uma gargalhada.

-Remo, seu crianção... Então você está assim só por que não foi escolhido como padrinho do filho de Tiago e Lílian?

-Sim... E eu não sou crianção, eu realmente fiquei magoado, você tirar sarro comigo por causa disso?

-Ah, Remo... - ela abraçou o marido, acariciando seus cabelos de leve. - você não precisa ficar assim só por que Sirius foi escolhido como padrinho. A Dynha também ficou de fora, e nem por isto está se lamentando pelos cantos...

-Mas você é minha mulher, nós deviamos ser escolhidos juntos, assim como Sirius e Dynha, juntos.

-Você nem está preocupado com isto, Remo, você só está com ciúmes do Sirius, não tente esconder...

-É, eu tenho ciúmes. Ciúmes de deixar a minha mulher junto com Sirius.

Linny suspirou, cansada, para depois dizer:

- Remo, eu começei a namorar VOCÊ, me casei com VOCÊ, e além do mais eu o amo! Isto já lhe diz alguma coisa?

-Não é em você que eu não confio. É em Sirius...

-Ai, você não tem jeito mesmo... - ela disse, balançando a cabeça. - Agora, vamos parar com esta enrolação toda e vamos jantar? Este mau-humor todo deve ser por causa da fome...

-Linny.

-O que?

-Me desculpe.

Thaís... Quem vai Ficar com Sirius Black? - Atualizada!... diz:

-Desculpado. Mas você vai ter que me compensar por esse mês em que você nem me deu atenção.

-E como eu poderia fazer isto? - ele perguntou, com um sorriso nada inocente

-Você sabe muito bem.. - ela disse, esquecendo do jantar e indo para o quarto.

Sem perder tempo, Remo a seguiu, fechando a porta.

Apertando a capa azul-escura contra o corpo, Lena aguardava pacientemente por ordens, encostada a uma coluna da Estação do Trem Bruxo. Ela e mais um pequeno grupo de aurores tinham sido designados para montar guarda no local, já que eles tinham recebido informações de que a Estação seria o palco de mais um ataque Comensal

Cada vez que ela era chamada para uma dessas missões, ela queria pegar Lúcio Malfoy. Assim teria sua vingança...

Só de pensar em seu desafeto, seus músculos se retesaram em raiva, mas ela tentou relaxar.

"Ficando tão tensa você não consegue se concentrar, muito menos ser rápida"... dizia uma voz em sua cabeça, que ela logo reconheceu sendo de sua antiga professora.

Ela ainda tinha as lembranças de suas aulas com a professora Dragonheart realmente nítidas na memória. Afinal, não era sempre que uma mulher não muito mais velha que ela fizesse pelo menos metade da turma tremer de medo sempre que entrava na sala...

Mas sua linha de pensamento foi totalmente interrompida quando pelo menos uma dúzia de homens encapuzados aparataram no meio da estação e começaram a atacar os passantes..

Saiu do esconderijo, a varinha em punho, e atacou o primeiro comensal que apareceu em sua frente. Devia ser um novato, pois caiu facilmente com um feitiço estupurante. Não fora nem um pouco divertido. Procurou por mais um com que pudesse lutar, esperando ter que se esforçar um pouco mais nesse.

E, de fato, ela acertara em dizer que aquele seria um esforço maior. Por alguns minutos eles trocaram feitiços em uma velocidade alucinante, até que Lena, apenas com um corte na face feito por um feitiço que passara de raspão, conseguiu jogá-lo longe com um feitiço expulsório, fazendo-o perder a consciência ao rachar a cabeça em uma das colunas.

"Um pouco melhor"- pensou ela, girando sobre seus calcanhares, a procura de mais comensais.

Aquilo era tão automático para ela, a ordem era não matar, apenas em emergência, pois os comensais poderiam dar alguma informação útil. Ela achava isso bobagem. Quem quer que você preso, prefereria ficar anos preso a contar algum segredo de Voldmort. Para esses, a morte era a melhor escolha.

Mas aqueles segundos de pensamentos lhe custaram caro. De repente, um feitiço atingiu suas costas, e ela logo se viu caída ao chão, se contorcendo de dor com a maldição Cruciatus.

-É realmente um prazer revê-la, minha cara... - disse-lhe uma voz conhecida por traz do capuz. Conhecida de mais...

Aquela voz... Lúcio Malfoy. Cada parte do corpo de Lena sofria com a dor, enquanto sua mente tentava resistir aquilo. Cada movimento, por mais pequeno que fosse, fazia tudo ser tornar mais doloroso. Então, ela juntou os últimos resquícios de força, e começou a mover-se lentamente, tentando apanhar a varinha atirada. Malfoy surpreendeu-se com o ato dela, e finalizou o feitiço por um segundo que lhe foi fatal. Lena apanhou a varinha e o estupurou, atirando-o contra um poste.

-Maldito - ela disse, cuspindo em sua cara.

-Agora você vai ter minha marca, pra saber pra sempre, que eu venci você. - e dizendo isso, ela pegou o braço esquerdo de Malfoy, e com um feitiço, queimou a pele dele, deixando um "L" em vermelho tatuado.

Virou-se para os colegas que a encaravam estupefatos e disse, autoritária:

-Prendam ele e levem para o Ministério, eu vou ter o prazer de fazer a entrevista com ele.

Sem ousar contrariar a garota, seus colegas o carregaram, e ela ficou para trás por um momento. Ela ia se virar para ir embora, quando outra voz conhecida sua falou, atrás dela.

-Eu estou quase me convencendo que a treinei bem de mais... - virando-se rapidamente, Lena percebeu que Miriam estava encostada em uma das colunas, carregando duas enormes malas e envolta em uma capa preta.

-Por que quase? - Lena perguntou curiosa.

- Você ainda pensa durante as batalhas... - ela disse, pacientemente, como se elas estivessem em uma sala de aula, e não em uma estação parcialmente destruída. - ocupar a sua mente com qualquer outra coisa que não seja o seu oponente e os modos de rachar o crânio do desgraçado pode ser a sua ruína... E você faz tudo por vingança, isso pode ser uma ruina também.

-E agora você virou santa, não é? - disse Lena, estreitando os olhos e sorrindo. - Mas, afinal de contas, o que você veio fazer aqui?

De repente, a professora pareceu ficar desconfortável. Ela não sabia como contar para Lena.

-Eu... - ela respirou profundamente, para depois dizer, não sem um tom de tristeza em sua voz. - Eu estava deixando o país.

Lena avaliou a professora antes de perguntar:

-O que?

-Eu estava saindo do país. -ela disse, com mais segurança.

-Por que?

Ela deu um sorriso triste. -Meus irmãos. - ela disse simplesmente, ao que uma de suas malas pareceu se remexer.

-Sua família? Vocês não haviam cortado relações?

-Por isto mesmo, - ela respondeu. - Eles vieram para Londres, os três, em uma missão diplomática. Você poderia até ler nos jornais a chegada do Ministro Karl Dragonheart e de seus dois irmãos. E, por motivos... Pessoais e mágicos, eu não posso estar sob o mesmo teto que um Dragonheart. E a humilhação seria maior ainda se eles me vissem por aqui... - ela concluiu, a voz mais amargurada do que nunca.

-Você tem medo disso?

-Desenterrar o passado só me traria mais dor - ela disse, evitando encará-la. E ver o ódio estampado no rosto de meus irmãos, que me eram caros, seria pior ainda...

-Então vá. Mas do mesmo jeito que a vingança me prejudica, enterrar o passado prejudica você.

Mesmo com a estação parcialmente destruída, um trem parou perto delas e, depois de alguns passageiros surpresos descerem, Miriam colocou suas malas para dentro, e, antes de desaparecer pela porta, ainda se virou e disse:

-Diga aos meus irmãos que você me conheceu, e você entenderá o que eu estou dizendo... E eu ainda espero ouvir falar de você um dia, Lena... - e, com o seu característico meio-sorriso, ela se encaminhou ao seu vagão, desaparecendo da vista de Lena.

Lena esperou o trem se afastar e virou-se para ir embora. Tinha que entrevistar Malfoy e agora fazia questão de encontrar os Dragonheart.

Ao aparatar no ministério da Magia, havia um grande rebuliço no Saguão de Entrada. Conforme Lena tinha visto, o trem de Miriam partira no exato momento em que seus irmãos tinham chegado no ministério, e o próprio Ministro se encarregara de recebê-los. Segundo Miriam lhe contara, relutante, quando Lena insistira por uma tarde inteira que lhe falasse sobre sua família,

ela dissera que tinha três irmãos: Karl, Lukas e Erwin Dragonheart. E, de fato, não era muito difícil de encontrá-los.

No centro de todas as atenções estava um homem alto, com cabelos castanhos bem penteados e olhos de um azul surpreendentemente escuros... Exatamente como os de Miriam. Ele tinha um olhar severo e autoritário, parecendo-se muito com a sua irmã enquanto dava aula.

Logo ao seu lado havia um outro homem, com cabelos pretos e óculos redondos, que segurava vários pergaminhos e conversava em voz baixa com o irmão. Alto e magro, aquele outro com certeza era o irmão do meio de Miriam. Mas, de tão entretida que ela estava em observar os dois, ela acabou trombando com alguém, que imediatamente soltou um palavrão em uma língua estrangeira.

-Ai, garota, olhe por onde anda! –disse o homem com quem Lena tinha trombado em um inglês quase perfeito, apenas com um leve sotaque.

-Me desculpe, Sr... – ao observá-lo melhor, Lena viu diante de si uma figura, no mínimo, interessante. O homem tinha vários furos em cada orelha, com um "piercing" no nariz e na sobrancelha, e com os cabelos castanhos escuríssimos presos em um rabo de cavalo frouxo. Mas o que mais chamava a atenção eram seus olhos azul-escuros, o que parecia ser a marca registrada de sua família.Antes que ele dissesse, ela já sabia quem ele era.

-Dragonheart – disse ele, olhando Lena de alto a baixo. – Erwin Dragonheart.

-Você não é o irmão do Ministro? -ela perguntou, observando-o com um olhar divertido.

-Pois é... - ele disse, coçando a cabeça. - Mas eu tenho a "leve" imprensão de que o Karl e o Lukas não estão muito interessados em ter o irmão doidão ao lado do pessoal do ministério...

-Se você não trabalha no ministério, então o que você está fazendo aqui? - ela perguntou, cada vez achando mais graça da atitude do rapaz.

-Sei lá - ele encolheu os ombros - estava a fim de sair um pouco da minha querida "Deutschland", e já que não tem a mínima graça ficar com uma mãe doente e um pai ranzinza em casa, é melhor viajar um pouquinho com os irmãos...

-Mas você parece morar aqui - ele continuou, agora fixando seus olhos azuis nos de Lena. - posso saber o nome desta dama encantadora? - ele disse, sorrindo. Ao contrário da irmã, cujo semblante parecia estar sempre carregado por más lembranças, o rosto de Erwin era liso, e o rapaz aparentava ter uma vida despreocupada e alegre, o que o tornava realmente atraente.

-Helena Adams. Lena para os amigos.

-Então eu suponho que você me considere alguém amigo para chamá-la assim, não é? - ele disse, seu sorriso se alargando mais. -Mas o que uma delicada donzela faz aqui, sozinha?

- A "delicada donzela" em questão é uma auror, e acaba de chegar depois de um ataque Comensal, tendo capturado pelo menos uns três malditos - ela respondeu, cruzando os braços. - Afinal, não são só os homens que se divertem...

-Falando assim, você até parece a... - mas de repente Erwin parou, deixando a resposta no ar.

Aproveitando a deixa, Lena o completou:

-Sua irmã, Miriam Dragonheart?

Em uma fração de segundo, seu rosto se endureceu.

-Eu não tenho nenhuma irmã, você deve estar enganada...

-Não, eu não estou enganada, eu sei que você tem uma irmã...

-Bem, eu tinha uma irmã, mas ela está morta. - ele respondeu, desviando o olhar.

-Se morreu, deve ter sido a dois minutos atrás, já que eu estava falando com ela a pouquíssimo tempo... - ela respondeu, friamente, deixando o outro extremamente desconcertado.

Depois de alguns minutos de um silêncio tenso, ele finalmente respondeu:

-Onde ela está?

-Nem mesmo eu sei. - ela tornou a responder com frieza. - ela acabou de pegar um trem, cujo destino eu desconheço, para fugir de vocês três.

Ele deixou escapar um suspiro.

-Ela fez bem em não cruzar o nosso caminho... Para nós três, Miriam está morta. - ele disse, com uma grande tristeza no olhar.

-Por isso que ela foi embora. - Lena falou séria.

-Mas o que ela foi fazer aqui em Londres? Cá entre nós, eu não tenho notícias dela desde que... Desde que... Desde que meu pai a expulsou de casa.

-Ela veio fazer o que fazia melhor. - Lena disse misteriosa.

-Nocautear qualquer idiota que passasse em sua frente? - ele perguntou, sem poder conter uma risada. - Mesmo sendo a mais nova, desde pequenina ela nos punha para correr... Eu ainda guardo as cicatrizes da vez em que eu tentei pegar o diário dela...

-Desafiar os homens. - Lena falou sem achar graça da brincadeira dele.

Eles ficaram em silêncio, até que Lena, parecendo sair de uma reflexão profunda disse:

-Eu tinha me esquecido que os homens eram idiotas. Então é exatamente o que você falou. - então ela riu.

-Mas, falando sério, o que ela fazia? - ele perguntou. - Além de brigar com todos à sua volta?

-Ela é uma auror. Era professora da Escola de Aurores antes de vocês aparecerem. Uma das mais reconhecidas. A primeira mulher nesse ramo.

-Ai, meu Merlin... - ele disse, passando a mão pelos cabelos novamente - o Karl vai ficar simplesmente furioso se souber que ela esteve aqui...

-Você tem medo do seu irmão, assim como Miriam tinha. O que esse Karl tem de tão perigoso?

-Ele não é uma má pessoa - Erwin começou, olhando para o irmão, que se dirigia para o gabinete do ministro. - Mas ele odeia Miriam mais do que tudo, e conhecendo o gênio ruim de nossa família, eu tenho certeza que eles iam sair na pancadaria...

-Isso seria muito interessante. - Lena disse, dando uma olhada para o caminho que Karl fazia e para seu relógio em seguida.

-Além disso, ela deve ter contado a você que não pode ficar sob o mesmo teto que um Dragonheart...

-Contou. Mas não o por que disso.

-Eu também não sairia contando se eu fosse amaldiçoado... - ele disse, dando um novo suspiro.

-Bom, acho que essa conversa não vai chegar a lugar nenhum... - olhou novamente para o relógio. - Eu devo ir...

Mas Erwin segurou o braço dela.

-Espere! - ele disse, um tom de desespero em sua voz. - é a primeira vez em anos que eu ouço notícias sobre ela fora os boatos que corriam pela cidade... - ele disse, mordendo os lábios. - Por favor, fique...

-Eu... - Lena parou um pouco, ainda tinha que entrevistar Malfoy. - Eu... ainda tenho que relatar o ocorrido na estação pro meu chefe. Você vai ficar quanto tempo por aqui? – ela disse, querendo não ter dito aquilo.

- Meus irmãos vão ficar por aqui por cerca de duas semanas... - ele disse, ainda ostentando um olhar suplicante para Lena. - Mas eu queria vê-la novamente... Se estiver com mais tempo hoje à noite, eu posso levá-la para jantar... - ele disse, sorrindo brevemente.

-Eu não sei.

-Qualquer coisa, eu estou hospedado neste endereço - ele estendeu um cartão a Lena. - Eu realmente gostaria de descobrir o paradeiro dela...

-Se tudo der certo, podemos fazer alguma coisa. - Lena disse. - Agora eu realmente tenho que ir. - e dizendo isso, ela seguiu para a sala de Interrogatórios.

Assim que chegou na sala de Interrogatórios encontrou Moody e Bartolomeu Crouch numa discussão:

-Eu não acredito que você não manteve o maldito aqui para depor, Moody. – Crouch vociferou grosseiramente.

-Não vou minha culpa, Crouch. Ele ficou 5 minutos aqui e Cornélio Fudge apareceu dizendo que ele estava liberado e iria permanecer em liberdade até ser chamado pra depor.

-Isso é um abuso! O que o Fudge quer se metendo na nossa jurisdição? –Crouch recomeçou a vociferar. – Eu vou submeter esse caso a ministra Bagnold. Ele levou embora um dos comensais mais perigosos, agora ele terá tempo de inventar uma história qualquer.

Ao ouvir aquelas palavras, Lena sentiu um arrepio, não podia ser de Malfou que eles estavam falando, em passos rápidos, aproximou-se dos dois e, sem cerimônias, perguntou:

-Não é de Malfoy que vocês estão falando, certo?

-É dele que estamos falando sim, Srta. Adams. – Crouch falou. – Creio que foi você que o havia capturado.

-Isso mesmo. Eu não acredito que o maldito conseguiu se safar. – Lena falou irritada.

-Não se preocupe, Adams. Nós ainda podemos pegá-lo novamente. – Moody falou, um tanto discrente das próprias palavras. – Se serve para animá-la, temos dois comensais para serem interrogados ainda.

-Eu faço isso. – e ao acabar de falar, Lena deu as costas aos dois homens e foi para a sala de Interrogatórios.

Apesar dos acontecimentos do resto do dia, Lena resolveu que iria ver Erwin.

Sentiu-se um tanto quanto nervosa ao tocar a campainha do quarto de hotel onde ele estava hospedado.

Apesar do interesse pelo passado da professora, algo a mais a havia levado a aceitar o convite do irmão dela.

Mesmo que pudesse parecer besteira, ela não conseguia identificar o que a trouxera para lá, mas mesmo assim ela não deixava de ficar nervosa. Ajeitando suas roupas, (vc pode descrevê-las?)

A malha preta de lã, com gola e bem justa, e a calça preta, também justa. Era assim que ela estava vestida. Simplesmente preto.

Alguns segundos depois, a porta se abriu, e um par de olhos azul-escuros a fitando, o que não seria nada de mais, se ele não tivesse acabado de sair do banho, e estivesse apenas com uma toalha enrolada na cintura.

Lena avaliou o corpo do homem a sua frente sem perceber o que estava fazendo. Mas Erwin percebeu, e até gostou de ver o que ela estava fazendo.

-Quer entrar? Eu já vou me vestir... - ele disse, com um sorriso torto, para em seguida reparar na garota. - Você está realmente bonita assim...

Lena ergueu a cabeça, corando com o comentário, não era chamada de bonita desde de Jonas.

Ela entrou, e, depois de fazê-la sentar-se em uma poltrona na sala, o irmão de Miriam foi até o quarto, fechando a porta.

-Agora eu também vou ter que encontrar alguma coisa decente para vestir... - ele gracejou, enquanto Lena ouvia o som de várias roupas serem atiradas da mala para o chão

O tempo passava numa lentidão que fazia Lena querer levantar e ir embora, temendo o que viria em seguida.

Mas, alguns minutos depois ele reapareceu, vestindo uma calça preta bem alinhada e uma blusa azul-escura, parecendo ainda melhor com os cabelos relativamente compridos penteados para trás.

-E então, que tipo de lugar você recomenda por aqui?

-Eu não saio muito. - ela disse seca. - Não tenho uma vida social.

-Pois então você deveria sair mais... - ele disse, oferecendo seu braço a ela, bem-humorado.

Lena aceitou o braço surpresa demais para falar alguma coisa.

Os dois saíram do hotel, e, após caminhar um pouco pelo centro de Londres, eles logo encontraram um bar com um aspecto amigável, e lá se sentaram, em uma mesa para dois.

Lena ficou quieta, sem saber o que falar, internamente pensando se fizera o certo em aceitar a proposta de encontro.

Por um momento os dois apenas se encararam, até que Erwin finalmente rompeu o silêncio.

-Bem, eu acho que nós não estamos aqui só para ficar um olhando para a cara do outro... Então vamos ao que interessa.

-Como você chegou até mim, quero dizer, Miriam contou alguma coisa sobre nós, por acaso?

-Não muito. Ela era muito reservada quanto a esse assunto. Apenas que havia sido expulsa da família.

Ele suspirou. -mas pelo pouco que ela falou, eu acho que ela não falou muito bem de nós...

-Ela tinha uma raiva muito profunda de vocês.

-É claro que eu também ficaria com raiva, se estivesse no lugar dela... - ele lançou a Lena um olhar melancólico. - Mas, ao contrário do que ela deve ter dito a você, eu não a odeio pelo que fez...

-Eu fico... feliz de saber disso. E acho que ela ficaria também. Mas eu sequer sei o que ela fez.

Bem, para começar a explicar o que aconteceu, eu primeiro preciso dizer que a nossa família era uma das mais tradicionais de todo o país, e até uma geração atrás, com casamentos arranjados e tudo...

Karl já tinha entrado para a política, e seu status dependia muito da honra da família... Então imagine quando de repente a filha mais nova aparece grávida aos 17 anos, e o pai da criança simplesmente desaparece, sem deixar qualquer vestígio...

-Grávida? - Lena não pode deixar de ficar surpresa.

-Sim... - ele disse, balançando a cabeça. - a Miriam que você conheceu parecia ter alergia a homens, não? - ele fez uma pausa, para tomar fôlego. - E isto deve explicar boa parte do comportamento dela. Ela tentou esconder pelo maior tempo possível, mas, quando a barriga começou a crescer, papai não conseguiu deixar de notar.

-Oh, meu Merlin! Eu não consigo acreditar que homem algum possa ter feito isso.

-Então, Lena, eu acho que nós conhecemos, de fato, duas Miriams diferentes...

-Todos costumavam dizer que ela era maluca, ou que tinha nascido com um parafuso a menos... Mas o fato é que ela era o terror da família. Ela sempre foi muito boa em duelos, sim, mas era uma das mais "saidinhas" de todas as garotas que eu já conheci...

-Parece comigo... - Lena disse num fio de voz que quase não foi ouvido por Erwin.

-Ela era uma garota despreocupada e alegre, e rebelde ao extremo. Eu nem me lembro de quantas vezes nós íamos a festas e bares e tínhamos que ser carregados para casa de madrugada...

-Ela começou a sair com um amigo do Karl, cujo nome eu nem me lembro, e eu não preciso dizer que eles eram tudo, menos santos... E alguns meses depois, ela veio, aflita, me contar que estava grávida. Eu disse a ela que talvez ela conseguisse abortar, mas ela era mais teimosa do que uma mula, e quis levar a gravidez adiante... E, obviamente, enfrentar as consequencias. Mas nem mesmo ela sabia que papai reagiria tão mal... Ele ficou maluco quando viu o que estava acontecendo, e as coisas só pioraram quando o pai do bebê, ao ficar sabendo, simplesmente fugiu para o estrangeiro.

-Ela esperava até ser defendida pela minha mãe, mas ela ficou do lado de meu pai, dizendo que aquilo era uma vergonha para a família. Como seu futuro cargo de Ministro estava sendo posto em jogo, Karl também ficou furioso, e Lukas, que também não se dava bem com Miriam, apoiou o papai em suas ações... mas o pior de tudo foi a minha atitude - ele disse, baixando a cabeça. - Eu sempre fui o seu confidente e companheiro, assim como eu prezava minha irmã acima de tudo, mas ao ver a fúria de todos, eu simplesmente virei o meu rosto e não fiz nada... E eu entendo até que ela me odeie por isto desde então.

-Fraco. - Lena falou. - Você foi fraco.

-Exato. - ele disse, suspirando profundamente. - e então papai a amaldiçoou, proibindo-a de ficar sob o mesmo teto que um Dragonheart, sob pena de sentir dores terríveis, até a sua morte...

-E o bebê?

-Eu não sei... - ele disse, ainda olhando para o chão. - A única coisa que eu soube é que era uma menina... E depois não tivemos mais nenhuma notícia dela.

-Miriam nunca falou dela. Nem apareceu com ela. Acho que isso será uma ingonita pra sempre.

-Pois é... - ele disse, ainda com um tom melancólico na voz. - Mas e a Miriam que você conheceu? Conte-me um pouco mais sobre ela...

-Ela foi minha professora na Escola de Aurores. Sempre severa e "massacrando" os homens. Eles pareciam crianças perto dela. Ela nunca sorria. Mas era a melhor professora lá, o realismo das aulas era mágico. E nós nos tornamos amigas, ela me apoiou nos momentos em que eu precisei. Porém, eu não devo ter conquistado a confiança dela pra ela não ter me contado nada sobre isso.

-Mas eu acho que ela deve ter passado por um trauma realmente profundo para ser assim... Pelo que eu conheço minha irmã, ela... - e por horas e horas os dois conversaram, e logo pareciam ter a intimidade de velhos amigos. A postura, o tom de voz brando e o jeito divertido de Erwin inspiravam uma grande confiança em Lena, uma espécie de atração por aquele homem, e ela se permitiu falar de coisas que ela não ousava discutir com ninguém. Como ela fora sozinha na infância, como Jonas a traíra...

E ele apenas escutou, sem julgá-la por nenhum dos atos, o que a fez sentir-se mais a vontade ainda com ele.

E logo ela também se viu ouvindo sobre sua família problemática e pomposa, sobre as expectativas que tinham dele, e cada vez mais se surpreendendo por tudo que ele também já havia passado.

De tão entretidos que estavam conversando, mal notaram que Erwin tinha sua mão sobre a de Lena, e que eles estavam praticamente debruçados sobre a mesa, cada vez mais perto um do outro.

E mais e mais perto, até que... seus rostos estivessem a centímetros de distância, Lena absorvendo cada detalhe de seus olhos profundos, como que hipnotizada...

E Erwin esperando que algum contato pudesse ocorrer.

A um certo momento, ele apenas parou para contemplá-la, como se esperasse por uma iniciativa vinda dela...

Mas Lena não queria aquela atitude, aproximou-se mais, quase acabando com a pequena, porém ainda existente distância entre eles, e esperou que aquilo servisse para que ele tomasse a iniciativa.

Com um pequeno sorriso nos lábios, ele finalmente fez contato com seus lábios macios e quentes, quase hesitante, no começo, mas logo que viu que Lena não se opunha, aprofundou o beijo, pousando uma mão no rosto da mulher.

Lena sentiu a mão dele no seu rosto, e os lábios dele pressionando os seus, possessivos. Aquela sensação que ela não sentia a muito tempo.

Ávida por mais, ela colocou ambas as mãos por na nuca do rapaz, puxando- o para mais perto, mas a mesa entre eles os impedia de chegarem mais perto, o que acabou ocasionando uma desagradável colisão de ambos com a mesa.

As pessoas lançaram um olhar aos dois jovens, que colidindo com a mesa, causaram um enorme barulho.

Com o susto, os dois se separaram, enquanto Erwin tentava ao máximo reprimir o riso.

Lena estava irritada com todos os olhares que recebia, mas ficou ainda mais ao ver a expressão de Erwin que tentando reprimir o riso.

-Não sei por que você se preocupa assim com os olhares das pessoas... Contanto que não tirem pedaço, não há o que fazer a respeito disso... - ele sussurrou para Lena, enquanto levantava-se da cadeira, puxando Lena pela mão.

Lena apenas suspirou. Esperando que Erwin sugerisse algo para fazerem ao sair de lá.

Ao saírem do ambiente aquecido para o frio noturno, Lena não pode deixar de tremer um pouco com o frio, e, percebendo isso, Erwin passou seu braço pelos ombros da garota.

-Como você costuma ocupar o seu tempo livre? - ele perguntou, enquanto os dois caminhavam, sem nenhum destino fixo.

-Quando eu quero ter tempo livre, saio com as minhas amigas. Mas é raro, a maioria delas já está casada ou com compromissada.

-Você gosta de dançar? - ele perguntou.

-Não saio muito pra dançar. Acho que não danço desde o baile de formatura.

-Não me diga! - ele disse, incrédulo. - eu acho que você poderia aproveitar um pouquinho mais a vida, sabe? - ele disse, descontraído. - Se você não sai com as amigas muito e não dança desde o baile de formatura, como você se diverte?

-Caçando comensais.

-Então veja se consegue me achar! - ele disse, e, com um sorriso maroto, saiu correndo, se perdendo no meio da multidão.

Lena deu um suspiro resignado e começou a procurar por Erwin no meio da multidão. Era algo relativamente fácil pra ela. E não demorou para que ela subisse em lugar mais alto e encontrasse-o olhando por cima, correu então pra baixo e tocou no ombro dele, mas mostrar que o havia encontrado.

-Na minha opinião, você conseguiria em menos tempo... - ele se virou, enquanto contava em seu relógio. - um minuto e meio é bastante tempo...

-É, eu conseguiria em menos tempo, mas acho que temos coisas mais importantes pra fazer além de brincar de pega-pega.

-Como por exemplo...? - ele disse, olhando fundo em seus olhos...

-Uhm... o que nós começamos no restaurante.

-Agora sim você está falando a minha língua... - ele disse, e, abraçando-a pela cintura, ele a beijou, levantando-a alguns centímetros no ar.

Lena passou os braços em torno do pescoço dele, e entregou-se ao beijo de Erwin.

Ao contrário de suas atitudes, seus beijos eram possessivos e seguros, como se ele quisesse absorver para sí cada traço de Lena, como se quisesse algo além de seus lábios, como se cada vez ansiasse por mais...

E ela parecia sentir do mesmo modo, a cada instante ela tentava, aproximar mais os corpos, como se todo o contato corporal atual não fosse o suficiente para que ela se sentisse completamente satisfeita.

Assim que se separaram, totalmente sem fôlego, a própria Lena o conduziu para seu apartamento, que não ficava muito distante do lugar onde eles estavam.

Nervosa, ela levou tempo para conseguir finalmente colocar a chave no buraco da fechadura.

-Você mora sozinha? - ele perguntou, quando eles finalmente entraram no apartamento.

-Moro sim. Não tenho nenhum companheiro.

-Tanto melhor... - ele disse, começando a beijá-la com seu jeito possessivo, acariciando os cabelos de Lena.

Lena novamente parou de pensar em qualquer outra coisa para apenas beijá-lo.

Ela também não se deu conta do que fazia enquanto começava a tirar o casaco e a camisa de Erwin, e nem quando os dois seguiram para o quarto de Lena, ainda se beijando.

Na manhã seguinte, quando Lena acordou, o sol já entrava pela janela entreaberta. - maldito sol... ela pensou, ao tatear em busca do relógio que ficava na mesinha de cabeceira, e assustando-se profundamente ao perceber que não estava encostando-se a seu relógio, e sim em algo quente.

Abriu lentamente os olhos, tentando se habituar à claridade, e se surprendeu ao encontrar um corpo masculino ao seu lado.,

Ao notar a agitação ao seu lado, o "corpo" abriu seus olhos azuis, arregalando os mesmo para Lena, antes de fechá-los de novo, suspirando.

Lena tentou buscar na memória os acontecimentos da noite passada, e deu um profundo suspiro ao relembrar tudo.

-Bom dia... - ele murmurou, beijando o rosto de Lena de leve.

Lena se assustou com a demonstração de carinho, com certeza era algo que não esperava de Erwin..

-O que? -ele disse, ao ver sua expressão surpresa - é diferença cultural ou tem alguma coisa de errado em dizer bom dia a alguém quando se acorda?

-Não tem problema nenhum. Bom dia.

-Você parece incomodada com alguma coisa... - ele comentou, ao olhar fundo nos olhos de Lena, causando-lhe arrepios.

-Eu só não estou acostumada a todo esse.. carinho.

-Então talvez seja apenas disso que você esteja precisando... - disse ele, puxando Lena para mais perto de sí, encostando sua cabeça no próprio peito protetoramente.

-Talvez eu fique surpresa no inicio.

Ele apenas riu, beijando o topo de sua cabeça.

E Lena relaxou, deixando que ela a segurasse daquele modo tão protetor.

-Por alguns minutos eles ficaram assim, apenas vendo o tempo passar, até que Erwin quebrou o silêncio.

-Lena... Sem querer estragar o momento, mas já estragando, pelo que você me disse, você deveria estar no QG dos Aurores a cinco minutos atrás...

-É mesmo. Droga! Moody vai me matar. - e dizendo isso ela levantou num salto da cama e foi se vestir.

-Nestas horas é bom que ninguém sinta a minha falta... - ele murmurou, enquanto saía a procura de sua camiseta.

Lena se vestiu rapidamente e foi despedir-se de Erwin.

-Tenha um bom dia, minha linda... - ele disse, beijando seus lábios rapidamente. - e, se eu conseguir achar o caminho de volta para o hotel, me procure por lá quando sair do trabalho... - ele disse, segurando suas mãos.

-Certo. - Lena disse desnorteada com o jeito carinhoso dele.

Ao ver sua cara desconcertada, ele não pode deixar de rir. - Até hoje à noite, se o seu chefe não a estraçalhar...

Ela apenas assentiu com a cabeça, aparatando em seguida.

Ainda ajeitando as roupas, vestidas apressadamente, Lena foi correndo até o Quartel General dos Aurores, rezando para Moody estar de bom humor naquele dia.

Entrou silenciosamente, esperando não ser notada, até que Sirius Black a viu.

Lena! É um milagre a Rainha da Pontualidade e Responsabilidade como aurora estar chegando atrasada! Que cara estranha é esta? Viu passarinho verde por acaso?

Sirius! - Lena disse irritada ao ouvir alguém se aproximando. - Assim vão saber que eu cheguei atrasada. - ela disse quase num sussurro.

E eu posso saber por que? - ele piscou um olho, com um sorriso maroto nos lábios.

ADAMS! - Moody disse ao vê-la lá.

Viu o que você fez... - ela murmurou entre os dentes para Sirius, enquanto se preparava psicologicamente para a bronca que se seguiria...

Adams, achei que depois do ocorrido com Malfoy, você seria mais responsável. - Moody disse. - Posso saber o que a fez se atrasar deste

jeito? - ele continuou, erguendo as sobrancelhas.

Na verdade não.

Um tanto quanto surpreso com a atitude da auror, Moody apenas deu de ombros, com um sorriso sarcástico.

Mas já que se atrasou, eu não vou poder mandar você para o grupo de busca e patrulha por Londres hoje...

Lena esperou temerosa que ele acabasse a setença:

... Mas como eu não admito que alguém fique sem nada para fazer, eu vou designar você para um trabalho... Peculiar.

Ai, meu Merlin! - Lena não pode deixar de exclamar.

Como estamos em guerra, os diplomatas podem ser possíveis alvos de Comensais... E por isto, você vai ser, pelo menos por hoje, a guarda-costas do Ministro da Magia alemão, que está em nosso país agora...

Merlin, tudo menos isso!

Por que? - ele perguntou, seu sorriso sarcástico aumentando.

Por que eu não posso.

Merlin, garota, eu não posso admitir que um de meus aurores me venha com frescuras. - o rosto de Moody endureceu, e ele começava a elevar sua voz. - Se você não me obedecer neste minuto ou me der uma razão convincente para isto, você está FORA!

Eu não posso fazer isso, Moody

Você não pode, você VAI. AGORA!

Não. Eu não posso por que...

Mas, ao ver que Moody realmente não entenderia, ela engoliu o resto da resposta, e, abaixando a cabeça, ela disse, derrotada.

Onde ele está?

-Me siga Adams.

Eles seguiram em silêncio por alguns corredores, Lena ainda se amaldiçoando silenciosamente por ter chegado atrasada, até que Moody parou abruptamente na frente de uma porta, e encarou Lena, estendendo-lhe uma pílula.

-Como você vai estar lidando com o Ministro Alemão, vai ser bem mais confortável para ele se você tomar esta pílula de linguagem, com a qual você vai poder falar e ouvir o alemão fluentemente por mais ou menos 24 horas... - e depois, ele acrescentou, em um sussurro. - e eu ainda quero que você fique de olho nele.

-E o que acontece se algo der errado?

Após pensar por um instante, Moody estendeu anel com um entalhe estranho para ela. -Se você achar que não pode lidar com eles, chame reforços...

-Lidar como?

-Depende. Se for algum maluco qualquer, apenas o deixe inconsciente... Agora, se for um comensal... Você já sabe o que fazer.

Mas, antes que Lena pudesse dizer qualquer coisa, a porta se abriu, e o Ministro da Magia alemão passou pela porta.

Karl logo lançou um olhar estranho a mulher parada junto ao chefe de aurores inglês.

-Eu pensei que você me mandaria um auror para me escoltar, Moody - ele disse, com um mínimo sotaque.

-E o que você acha que eu sou, Sr. Ministro? - Lena falou.

-Uma mulher - ele disse, polidamente, como se explicasse algo para um débil mental.

-Sim. Helena Adams, primeira mulher formada auror na Grã-Bretanha. - ela apresentou-se.

Ele olhou para Lena com um olhar de incredulidade, e depois se virou para Moody.

-Obrigada por ter atendido às minhas solicitações, sr. Moody, creio que você já pode ir cuidar de seus negócios.

-Claro, Sr. Ministro. Mas tenha certo pro senhor que a Srta. Adams é uma das melhores aurores que eu treinei em anos.

Ele assentiu com a cabeça, mas seu olhar ainda era de pura incredulidade. Assim que Moody se virou e saiu, ele se dirigiu a Lena.

-Minhas reuniões de hoje de manhã acabaram, e eu marquei de me encontrar com o meu irmão no hotel... - ele disse, seco, e começou a andar com passos largos em direção ao saguão de entrada do ministério.

-Irmão? - Lena deixou escapar.

-Não sei se você ouviu falar de Lukas... Ele também trabalha no Ministério da Alemanha, na seção de Cooperação Internacional da Magia, e eu não tive oportunidade de me encontrar com ele... Eu ainda tenho um outro irmão, mas ele não presta. A estas horas deve estar dormindo ainda, depois de sair para as noitadas dele... - ele murmurou a última frase para sí mesmo, mas Lena não pode deixar de ouvir.

Assim que eles aparataram na porta do hotel e entraram, Lena viu uma figura alta que esperava por eles.

Com os cabelos mais loiros do que os dois irmãos, Lukas Dragonheart era alto e muito magro, diferente dos dois outros irmãos, mas nem mesmo os óculos que usava escondiam os olhos que eram a marca registrada dos Dragonheart: azul escuros e expressivos.

-Vem acompanhado, meu irmão? - ele perguntou, com um sorriso torto. - Você não disse que viria acompanhado de um auror?

-E eu SOU uma auror... - Lena respondeu, mal humorada.

-Sério? - Lukas perguntou analisando a garota.

Reprimindo fortemente a resposta mal educada que pretendia dar, ela simplesmente murmurou um "sim".

-Erwin ainda não acordou. - Lukas falou mau-humorado.

-Aquele preguiçoso... - Karl sacudiu a cabeça. - Vamos acordá-lo, eu preciso que ele me faça um favor...

Com um espasmo de pânico, Lena pensou em falar alguma coisa para detê-lo, mas um segundo depois ela viu que era impossível. Assim, logo ela estava no elevador com os dois irmãos, que conversavam calmamente sobre o que tinha sido discutido nas reuniões, enquanto Lena suava frio. Se Erwin dissesse qualquer coisa, sua carreira poderia estar perdida.

Quando bateram na porta, Lena rezava para ele não responder, mas, para seu grande desespero, Erwin abriu a porta, já vestido, e, ao ver Lena, seu queixo caiu de espanto.

Ela virou-se rapidamente, como se houvesse algo errado, e Karl e Lukas encararam Erwin irritados.

-Algum problema? - Karl disse, inquisidor. Os dois irmãos olhavam para o mais novo fixamente, e, por sorte, não reparavam que Lena estava começando a ficar vermelha. "Fale alguma coisa!" ela disse apenas mexendo os lábios, desesperada.

-Algum problema? - Karl disse, inquisidor. Os dois irmãos olhavam para o mais novo fixamente, e, por sorte, não reparavam que Lena estava começando a ficar vermelha.

"Fale alguma coisa!" ela disse apenas mexendo os lábios, desesperada.

-Nenhum. - Erwin disse. - É que eu sei que quando vocês chegam aqui de manha querem alguma coisa. - ele concluiu.

-Sim, sim, e vai ficar boquiaberto por causa disso... - ela ouviu Lukas murmurar, mas Karl ignorou o comentário do irmão, e prosseguiu.

-Mas é óbvio... Se você vive de favores nossos, nós temos todo o direito de lhe cobrar favores também...

-É que eu não me acostumo com as intervenções matinais. O caso é que eu estou acompanhado, então seja lá o que quiser que eu faço, eu tenho que dispensar a moça antes.

Ao ouvir isto, Lena parou, estática. Seria verdade?

Os outros dois irmãos de repente ficaram desconfortáveis. - N-nós esperaremos no saguão – disse Karl, por fim. Os dois irmãos se viraram, mas Lena ainda encarava o Dragonheart mais novo.

E apenas ela viu o sorriso largo e a piscadela de Erwin, antes de Lena correr para alcançar os dois outros.

Enquanto esperavam no saguão Lena analisava os dois irmãos a sua frente, Karl era o líder, e de certa forma havia uma aura de líder envolta dele já Lukas parecia estar ansioso em agradar, talvez por ser o filho do meio entre os três irmãos. Ele não tinha o espírito de liderança de Karl e nem a beleza exótica de Erwin.

Quando o mais novo chegou, carregando uma mala preta, Lena não pode deixar de pensar em uma estranha mala que a professora carregava para a maioria dos lugares em que ia "Parece que esta família tem mania de carregar malas", ela pensou.

-Certo. O que vocês querem de mim? – ele perguntou, seco, erguendo as sobrancelhas.

-Queremos a ficha completa destas pessoas - Karl lhe estendeu um pergaminho com alguns nomes escritos nele. - E veja se existe alguma coisa que possa incriminá-las.

-Mas eu sou um fotógrafo, e não um espião - ele respondeu, encarando o irmão. Lena assistiu a um feroz duelo de olhares igualmente azul-escuros, mas, ao final, Erwin baixou a cabeça, desgostoso. - Para quando você quer?

-Para hoje mesmo.

-Certo. Mas antes de ir, poderia fazer o favor de me apresentar a Srta. que está acompanhando vocês? - ele perguntou galanteador.

-Na verdade, ela é o Auror que está nos acompanhando, Vinnie... - disse Lukas, zombeteiro.

-Uma auror? Pena que não permitem mulheres auror na Alemanha, se todas fossem como ela eu adoraria estar em situações de perigo. E por favor, Vinnie é ridículo, Lukinha.

Lena teve que se conter para não rir diante dos apelidos ridículos, mas Karl não parecia estar nem um pouquinho inclinado a rir.

-Parem com isso, vocês parecem duas crianças.

-Antes criança do que espião de meia tigela. - Erwin murmurou.

Ignorando o comentário do irmão, ele se virou para o irmão do meio. - Quanto a você, seria melhor se você ficasse no ministério e observasse se não há nada de estranho acontecendo por ali...Nos encontraremos para almoçar aqui ao meio dia e meio. - ele disse, e, sem dizer mais nada, se virou e saiu pela porta do hotel, fazendo Lena correr para acompanhá-lo.

Enquanto seguia Karl, Lena pensou se poderia consultá-lo sobre a programação do dia.

-Sr. Ministro, qual a programação do dia de hoje?

-Até a hora do almoço, como eu disse não tenho nenhuma reunião com o seu ministério - ele disse, sem parar de andar. - e vou aproveitar para fazer contatos com a Alemanha. Depois do almoço, aí sim eu irei me reunir. Eu creio que às seis horas da tarde eu estarei voltando para o hotel, e a senhorita estará dispensada.

-Pela manha vamos ficar aonde?

-Na sala que o seu Ministro gentilmente me cedeu... - ainda a pé, eles logo chegaram ao ministério. Ah, sim, e me desculpe pelo comportamento desagradável de meu irmão mais novo... Ele é um tanto quanto problemático.

-Entendo. Eu era problemática antes de sair do orfanato.

-Orfanato? - ele ergueu as sobrancelhas. - Entendo talvez seja a ausência de uma boa família que a tenha feito ficar tão... Brutalizada a ponto de vir a ser um auror... - ele disse, ao sentar-se em frente a uma

escrivaninha.

"Uma família como a sua teria me feito igual ou pior", ela pensou. Mas acabou respondendo:

-Na verdade os maiores responsáveis por isso foram os homens.

Lena sabia que as atitudes de Karl não passavam de um teste, uma batalha mental, então se esforçava para manter o controle e não perder a calma diante daquela figura desafiadora. Resolveu então fazer o jogo dele.

- Pelo jeito você não entende muito de psicologia feminina... você não teve nenhuma irmã?

O rosto de Karl ficou mais branco do que os pergaminhos em que ele escrevia.

-Eu acho que isso não é do seu interesse, Srta.

Lena apenas deu de ombros, até mesmo um pouco assustada com o tom áspero com que as palavras foram ditas. Com um suspiro, ela colocou as mãos nos bolsos das vestes, até achar um pedaço de pergaminho dobrado. Curiosa, ela o abriu, para achar um bilhete em uma letra bem inclinada, que ela desconhecia.

"Então você conheceu a minha "adorável"

família... Entende por que ela nos odeia? E.D."

Ela entendia. Eles eram cruéis.

O tempo passou devagar naquela manhã, e, finalmente, algumas horas depois, depois de ter enviado pelo menos umas cinco cartas endereçadas a pessoas diferentes, Karl Dragonheart levantou-se de sua cadeira, e, espreguiçando-se, ele chamou a auror.

-Devemos nos encontrar com eles daqui a cinco minutos... Vamos andando.

Lena o seguiu em parte alegre por sair daquela sala empoeirada.

Ao chegarem no restaurante, Lena logo pode avistar Erwin encostado ao balcão, entediado, com os braços cruzados.

Ele se deu uma piscadela discreta e ela correspondeu com um sorriso fraco.

-Pare de se encostar assim no balcão, você parece um indigente qualquer... - Karl disse rispidamente.

-Criança, indigente, inútil, o que mais eu vou ser hoje? - ele respondeu, com sarcasmo na voz, mas mesmo assim acompanhou os dois e foi sentar-se à mesa, ficando propositalmente ao lado de Lena.

Lena arrepiou-se com a próximidade de Erwin, fato que tentou esconder da melhor maneira possível.

Alguns minutos depois, Lukas chegou, sentando-se em frente a Lena, na outra extremidade da mesa, e logo todos fizeram seus pedidos.

-Vai querer vinho, senhorita? – Karl perguntou. Por mais que ele fosse ríspido e autoritário, não poderia se dizer que ele era mal educado.

-Eu não bebo em serviço - ela respondeu prontamente.

-Acho que você vai merecer um elogio ao seu chefe. - Karl murmurou educadamente.

"Não sou como um cachorrinho para ser recompensado por cada atitude correta minha", ela pensou, e abriu a boca para responder quando, por baixo da mesa, ela sentiu a mão de Erwin em seu joelho.

Tentou controlar as próprias emoções ao sentir aquele toque, e fuzilou o homem com o olhar. Ele sabia que estava brincando com fogo... E parecia até estar se divertindo com a situação.

Mas ela não estava. Podia perder o emprego por causa daquilo, se ele não paresse ela teria que tomar alguma atitude. Com um olhar expressivo ela tentou advertí-lo silenciosamente disto, mas, infelizmente, Lukas pareceu perceber a tensão, e encarava ambos com uma enorme curiosidade estampada em seu rosto.

-Algum problema Srta. Adams?

-Não - ela disse, porém o fez rápido de mais. - Não, não, eu só achei que tinha visto alguém... – ela mentiu, chutando a canela de Erwin em sinal de advertência.

Ele abriu a boca para falar algo, mas Karl imediatamente interveio:

-O que você já descobriu?

-Com uma careta de desgosto, ele abriu sua maleta, e tirou alguns pergaminhos, cada um anexado a uma foto.

-Dos dois primeiros da lista eu já consegui o suficiente, mas para descobrir algo sobre os outros vai ser mais difícil...

-Qual o problema com os outros dois?

- Não precisa me encher o saco, até às quatro da tarde eu consigo. Satisfeito?

-Se você está tão certo, pode deixar isso pra amanha de manha. Vou estar ocupado pela manha e provalvelmente a noite você terá companhia. Sempre querendo aproveitar tudo dos lugares para onde vamos. – Karl respondeu por fim.

Lena lançou um olhar inquisidor para Erwin, que murmurou um "ele exagera" para ela.

-Eu não deveria comentar isso na frente de senhoritas, mas digamos que Erwin sempre encontre alguém pra compartilhar suas noites durante as nossas viagens. - Karl disse como se estivesse falando de algo corriqueiro.

A estas alturas, Erwin estava mais vermelho que um tomate, e fuzilava o irmão com o olhar.

-Vamos Erwin, você fazia questão de deixar bem claro suas conquistas.

-Eu creio que você nunca perdeu UMA oportunidade de falar mal de mim na frente dos outros, não é? - ele disse, tentando ficar calmo.

-Acho que a senhorita não está incomodada, ela mesma falou que não acredita nos homens.

-E também você não pensaria em... – Lukas complementou, olhando sugestivamente para Lena.

-Não seja ridículo. - Erwin interrompeu o irmão antes que ele pudesse terminar a frase. - Eu nem mesmo pensaria nisto.

-Ok, agora eu estou ficando incomodada. Eu posso não acreditar nos homens, mas acho que não sou tão desprezivel assim. Com licença, eu vou ao banheiro. – ela desafiou os irmãos e se levantou.

Ao chegar lá, ela respirou fundo, mirando sua imagem no espelho.

Francamente, ela preferia não ter família alguma a ter irmãos assim... - ela pensou, respirando fundo para se acalmar.

E se Erwin era mesmo o que Karl estava dizendo, ela era apenas uma brincadeira. Como sempre. Mas, ao voltar para a mesa e lançar a Erwin um olhar gelado, seu rancor se dissolveu ao ver o olhar ferido que ele lhe lançou de volta. Não importa o quanto a razão lhe advertisse, aqueles olhos pareciam sinceros.

Por que com elas as coisas pareciam ser tão dificeis quando o assunto eram os homens? Mas ela tentou apagar os pensamentos de sua mente ao sentar-se novamente, e, felizmente, o almoço prosseguiu sem maiores incidentes, com Erwin observando-a atentamente enquanto os outros dois irmãos conversavam sobre negócios.

Quando Karl se deu por satisfeito, chamou o garçom para pagar a conta.

E, quando se levantaram, Erwin rapidamente colocou outro pedaço de pergaminho na mão de Lena.

"Assim que sair do trabalho, estarei te esperando... E.D"

Lena encarou-o uma última vez, antes de seguir Karl que parecia fazer de correr a segunda coisa mais importante da sua vida.

O resto da tarde foi extremamente entediante, ao que Karl estava em reuniões, mas o coração de Lena acelerava sempre que ela pensava em seu encontro com Erwin. "Ele tem muitas coisas para me explicar..."

Mas por que ela queria explicações? O que sentia por Erwin?

E eram estas mesmas dúvidas que ainda a atormentavam quando ela finalmente foi dispensada, ao deixar o Ministro novamente no hotel. Quase inconscientemente ela foi caminhando até a porta do quarto de Erwin, cuja porta se encontrava aberta. Não sem antes olhar para os dois lados para verificar se não tinha ninguém olhando, ela entrou, fechando a porta atrás de sí.

Erwin encarou Lena quando ela entrou, ela parecia de certo modo assustada ou irritada, num estágio em que ele não sabia definir.

-Bem... - ele quebrou o silêncio tenso que se formara, temendo alguma reação violenta por parte de Lena.

-Eu acho que nós temos muito a conversar. - ela falou se desarmando.

-Sim... - ele disse, sem saber por onde começar. - Karl já deve ter dito horrores sobre mim, e eu desmentirei o que puder...

-Karl apenas deixou bem claro seu sentimento pelas mulheres.

-Mas o quanto você acredita nele?

-Eu não sei, Erwin. Eu sempre fui maltratada pelos homens, eu não confio em nenhum, talvez seja certo você me explicar o que faz com mulheres em terras estrangeiras.

-Eu não nego que tenha tido alguns casos em viagens que nós fizemos... Mas eu não minto se disser que foi o próprio Karl quem fez questão de envenenar a mente de todas que pensavam em algo mais sério comigo... Ele me chama de inútil, mas eu lhe sou necessário...

-Erwin, o quão sério você chegou em algum relacionamento?

Ele ficou alguns momentos em silêncio, para depois responder - Eu já cheguei a ficar noivo uma vez, mas acabei sendo traído... E muitos de meus relacionamentos eram, de fato descompromissados.

-Noivo?

-Não gosto de falar muito sobre isto... – ele disse, mordendo os lábios.

-Erwin, eu também não gostava de falar sobre muitas coisas. Ser traído não foi uma experiência só sua.

-Assim como você pode ter certeza que eu nunca trairia você... - ele murmurou, aproximando-se de Lena.

-Erwin, me conte, eu preciso saber, eu quero saber... - ela disse permitindo que ele se acomodasse em seus braços.

Lena o viu suspirar profundamente, antes de começar.

-Não foi há mais de um ano, em minha cidade natal mesmo, eu achei que tinha encontrado a pessoa certa... Ela era ativa e de temperamento forte... E até as vezes me chamava de frouxo por não ser tão competitivo quanto os meus irmãos. Mas, apesar de tudo, eu achava que isto poderia ser superado... Até eu acabar descobrindo que ela me traía por acaso... - ele deu um sorriso amargo - Karl me mandou investigar o seu amante...

-Eu sinto muito... - ela falou passando a mão pelo cabelo dele.

Tudo bem... - ele disse, puxando-a ainda mais para perto de si. - Agora eu tenho você...

-É você tem a mim...

Ela permitiu que ele se aconchegasse mais ao seu corpo e, os dois ficaram lá, parados sem falar nada. Lentamente, seus lábios encontraram os de Erwin, e ela sentiu seus músculos relaxarem totalmente nos braços do rapaz, entregando-se totalmente ao beijo. Mas, quando eles se separaram, ela notou um brilho estranho nos olhos do outro... Mesmo não o conhecendo por muito tempo, ela sentia que havia alguma coisa de errado.

-O que houve? Meu beijo perdeu a graça?

-Não diga besteiras... - ele disse, enquanto a sentava em seu colo. - Por que?

-Você está distante...

-Estou? - ele perguntou, como que brincando, mas ainda sim desviando seu olhar para a parede.

-Foi algo que eu fiz?

-Não é nada com você, minha linda... - ele beijou o topo de sua cabeça, tentando tranquilizá-la.

-Erwin, se nós queremos levar isso a sério, temos que confiar um no outro.

Ela o encarou com tamanha intensidade que ele se viu sem saída. -Eu não quero envolver você nisso, Lena...

-Então acho que as coisas não vão funcionar por aqui... - ela falou se levantando.

-Isto é chantagem... - ele disse, segurando-a pelo braço. - Mas se você tanto insiste, abra a minha pasta. - ele disse, franzindo o cenho.

-Não é chantagem, Erwin. Eu sei o que faltou para os meus outros relacionamentos darem certo e não quero que isso falte entre nós dois.

Assim, sob um olhar preocupado de Erwin, ela abriu a dita pasta, onde havia vários pergaminhos soltos. Mas, entre eles, sobressaiu-se um nome conhecido. Arabelle...

-O que é isso?

Só então ela começou a ler. Grande parte do passado da amiga estava resumido na caligrafia de Erwin, e ele viu sublinhada as linhas que falavam de sua amizade com Lena.

-Ela é uma das pessoas da lista de Karl... Mas eu não tive coragem de bisbilhotar na vida pessoal de sua amiga...

-Erwin, o que Karl quer com ela? E obrigada por não bisbilhotar...

-Chantagem... - ele disse, simplesmente. -Conhecendo as fraquezas de muitos, ele pode estender suas influências internacionalmente...

-Mas porque chantagear a Belle?

-Eu acho que ele queria alguém da área dela para ser controlado, e tenha escolhido ela simplesmente por que ela parece ser uma pessoa sensível e um tanto frágil...

-Ela parece ser assim, mas não é.

-Karl tem uma tendência de subestimar mulheres...

-Percebi isso.

-Mas por que você faz o trabalho sujo para ele? Por que você não faz alguma coisa contra isto? – Lena disse, indignada.

-Por que eu estou nas mãos dele.

-Meu pai já está realmente velho, e é Karl quem está tomando conta de todo o capital da família...

E meu "querido" irmãozinho tem condições e poder suficiente para transformar a vida de alguém em um verdadeiro inferno... - Erwin estremeçeu. E assim, eu sou literalmente forçado a fazer o que ele quer...

-Isso não pode continuar assim.

-Mas o que eu posso fazer - ele sussurrou, exasperado. - Eu não tenho coragem de fazer qualquer coisa contra ele... No final das contas, nem que ele seja um demônio, ele é o meu irmão... E eu simplesmente não consigo fazer nada contra ele...

-Erwin, deixe vazar essa história.

É fácil falar... - ele disse, com um sorriso amargo. - Mesmo que eu tentasse, em quem eles acreditariam: No irmão mais velho, que obteve notas altíssimas na escola e era admirado pelos professores, Ministro da Magia, ou no irmão mais novo, desempregado e problemático?

-Eu estaria aqui pra ajudar você.

Foi até Erwin e o abraçou, ao que ele afundou a cabeça nos cabelos de Lena.

-É uma questão de escolher entre o forno e a frigideira... - ele murmurou. - se eu conseguir delatá-lo e sair ileso, eu vou ficar sem ter aonde ir... Como sempre, a família toda ficaria ao lado de Karl, e eu ficaria sem ter para onde ir... Mas as coisas não podem continuar assim...

-Você poderia ficar comigo.

Os olhos de Erwin se arregalaram em surpresa.

-Eu só não quero ficar vivendo às suas custas... - ele disse, um tanto quanto sem graça.

-Erwin, isso seria temporário. Eu nunca chamei ninguém pra morar comigo.

-Eu realmente não queria envolver você nisto tudo... - Erwin murmurou, ainda abraçado a Lena. - Mas eu aceito a sua proposta. Mas fique sabendo que eu vou arranjar algum trabalho por aqui, e vou tentar não causar problemas...

-Erwin, desde que você não arranje nenhuma outra mulher pra mim ta tudo bem.

-Como eu poderia arranjar alguma outra, se eu tenho você? Minha linda, você é única... E nenhuma mulher se iguala a você...

Lena se derreteu com aquelas palavras e pensou, havia convidado um homem que pouco conhecia para morar com ela. Onde ela estava com a cabeça? Mas nem precisou pensar muito para saber a resposta. Erwin.

Ela não podia negar que ele também tinha seus problemas - incluíndo uma família traiçoeira e uma passividade até irritante de vez em quando - mas ela também não podia negar que ele, mesmo conhecendo-a a pouquíssimo tempo, sabia exatamente como faze-la sentir-se bem. E ela gostava de estar com ele:

-Erwin, ta faltando alguma coisa.

O que, exatamente? - ele perguntou, mas, pelo sorriso em seus lábios, Lena viu que ele tinha uma idéia do que era.

-Não sei. Que tal um bebê? - ela falou em tom de brincsadeira.

-Você é apressada... - ele disse, mas mesmo assim foi chegando cada vez mais perto de Lena

-Eu quero você. - ela respondeu enquanto ele se aproximava.

-Estou a suas ordens, senhorita... – ele disse, enquanto conduzia Lena ao quarto.

-Ótima resposta. - ela falou finalmente beijando-o.

Já passavam das três da manha quando Lílian acordou. Sentia um desejo estranho de comer torta de mousse de limão. Devia ser coisa da gravidez.

Tiago dormia calmamente ao seu lado e, sem pensar duas vezes, cutucou-o, acordando-o:

-O que houve, Lily, querida? – ele perguntou sonolento.

-Eu estou com um desejo, Tiago. – ela respondeu.

-De novo? – ele perguntou. Naquela semana era a terceira vez que Lílian o acordava de madrugada para pedir alguma coisa.

-Você tem algum problema com isso não é? Você não gosta que eu esteja grávida. – ela falou em voz chorosa.

"Alerta vermelho.", Tiago pensou, malditas mudanças de humor de grávida.

-Isso é invenção da sua cabecinha. Eu quero que esse seja o primeiro do nosso time de quadribol. – Tiago murmurou sorrindo.

-Você quer sete filhos? Meu Merlin, Tiago, eu vou ser feia e caída depois de por sete filhos no mundo. Você não me acha bonita? – ela falou chateada.

-Claro que acho, Lily. E estou louca pra ver você daqui a um tempo, pra sentir nosso bebê se mechendo...

-Ai, que coisa linda. Então, você busca minha torta de mousse de limão? – ela falou bem mais alegre.

-Busco sim. – Tiago falou levantando e indo trocar de roupa.

Narcisa sorriu quando colocaram o pequeno bebê em seu colo. Seu filho. Bom, ele era também filho de Lúcio Malfoy, mas quem carregara aquele bebê por nove meses em seu ventre havia sido ela.

Seu filho, o filho que ela criaria para ser seu protetor. Seu vingador.

O garoto que vingaria tudo o que Lúcio a havia feito passar. O motivo da sua existência apartir daquele dia.

Observou os olhinhos azuis, a mecha loira de cabelos curtinhos, as mãozinhas, pezinhos, perninhas e apertou bem perto ao peito.

Seu bebezinho, seu Draco.

Lílian, Linny, Lena, Arabelle e Narcisa terminavam de arrumar a decoração para o chá de bebê. Haviam escolhido tons em verde pra combinar com olhos de Lílian, que segundo Tiago era o que ele mais queria que o filho ou filha tivesse.

Já que arrumavam tudo com magia, o serviço não demorara muito mais do que quinze minutos, e tudo logo estava pronto para a chegada das demais convidadas. Para a grande frustração de Tiago e os outros Marotos, Lílian fizera questão de que não houvesse nenhum homem na festa, e todos tinham sido literalmente "despachados" para o apartamento de Sirius e Dynha.

Entrementes, Tiago estava com medo que chamassem algum stripper para a festa, enquanto os outros garantiam que aquilo era em despedidas de solteiro.

Mas, voltando á festa das garotas, logo as outras começavam a chegar:

Emelina, Héstia, Alice, Bruna foram as outras garotas convidadas.

Inicialmente elas se sentaram no sofá, enquanto conversavam sobre suas pretensões para depois da guerra.

-Eu acho que prefiro esperar a guerra acabar para ter filhos... - Dynha disse, com um ar pensativo. - Mas, de qualquer jeito, antes ou depois da guerra, eu quero ter filhos...

-Eu também quero filhos. - Linny disse. - Mas Remo fica meio reseoso com isso.

Alice não disse nada, mas apenas sorriu. Naquele ponto, sua gravidez já era evidente, e ela própria já estava querendo planejar um chá de bebê para ela.

-Eu quero criar meu filho para ser diferente do meu marido. - Narcisa falou. Para uma mulher que havia tido um filho a dois meses Narcisa estava linda e esbelta.

-Ainda bem... - Lena murmurou para sí mesma, sentindo-se desconfortável a menor menção de Malfoy.

- E você, Lena?- ao ver o desconforto da amiga, Arabelle se dirigiu a ela. - eu vi que você estava andando com um rapaz estranho por estes dias...

-Eu quero ficar como ele muito tempo. - Lena falou boba.

-Eu não acredito que estou ouvindo isto de você, Lena... - disse Linny, com um sorriso divertido.

-Afinal, quem é ele? - logo, Lena todas tinham se virado para a garota.

-Eu o conheci por engano. Ele é alemão.

-E o que ele está fazendo aqui?

-Morando...

...comigo. - ela terminou, hesitante. - Ele é fotógrafo, e quer... quer arranjar um emprego por aqui - ela disse. Afinal, Lena pensou, ela não estava mentindo... Só ocultando um pouco da verdade.

-Morando?

-Sim... - ela disse, assumindo uma expressão desafiadora. Algo de errado nisto?

-Não. Thaís - Querendo falar com a Dynha... diz:

As outras mulheres apenas se entreolharam, desconfiadas, mas sem poder conter um sorriso no rosto.

-Mas vamos falar do mais importante aqui - Arabelle começou. - O bebezinho da Lily.

-Sim... - disse Dynha, sorrindo largamente. - Aposto que ele vai ter os mesmos cabelos do Tiago... Todos os Potter até agora foram assim, e eu acredito que o pequenino não vai ser exceção...

-E com Tiago e pai e Sirius de padrinho, vai ser maroto até o último fio dos cabelos rebeldes. - Narcisa falou.

-Aiai... Como se um maroto em casa já não fosse o suficiente - Lílian disse, e todas riram. - Eu só espero que ele não seja TÃO maroto quanto o pai dele, ou eu vou ficar de cabelos brancos!

As mulheres caíram no riso com a brincadeira e, quando já haviam recuperado o folêgo, Emelina sugeriu:

- Vamos fazer a brincadeira dos presentes agora!

Com murmúrios de aprovação geral, todas se sentaram em círculo, com Lílian no centro, e logo a brincadeira começou.

O primeiro pacote era um saquinho verde amarrado com um laço amarelo.

-Eu acho que deve ser alguma peça de roupa. - Lílian disse.

Belle, que era a dona do presente, deu uma risadinha.

-Pode abrir. - ela falou ainda rindo.

-Mas, quando desfez o lasso, Lílian fez uma careta.

- Ah, Belle, não é justo usar magia para esconder o pacote! - e, ao som das risadas de todos os presentes, ela tirou um mobile onde estavam pendurados os sete jogadores de um time de quadribol.

-Se o meu filhinho ficar viciado em quadribol também eu vou poder culpar você, Belle... - Lílian disse, brincando.

-Agora eu pinto sua barriga. - Belle respondeu sorrindo e pegando o batom vermelho desenhando bem grande um coração na barriga da amiga.

-Agora é a vez do meu presente, disse Alice, estendendo para Lílian um pacote cilíndrico, enrolado com papel azul e um gracioso laço branco em uma das pontas.

-Eu acho que tem mamadeiras ai dentro. - Lilian chutou.

Mas a expressão triunfante do rosto de Lílian desapareceu quando ela percebeu que, dentro da caixa cilíndrica estava um lindo conjunto de roupinhas de bebê verdes com desenhos de abóboras.

-Isso está sem graça. Vocês ficam enfeitiçando os pacotes.

-Eu não enfeitiçei nada! - Alice disse, erguendo os braços. - Eu só coloquei as roupinhas em uma caixa... -ela fez uma cara de inocente, enquanto pegava o batom para desenhar na barriga de Lílian uma abóbora sorridente.

-Agora você vai abrir o meu. - Narcisa disse, estendo uma caixa baixinha e de formato quadrangular para Lília.

-Essa eu acerto! É o álbum do bebê!

Narcisa deu um sorriso derrotado. -Eu não tive tempo para enfeitiçar... - E logo Lílian tirava um lindo álbum do pacote.

-Finalmente! Alguém que não trapaceou na brincadeira. - Lílian falou sorrindo. - Qual é o próximo?

Dynha então se adiantou, e lhe deu um pacote consideravelmente grande, embrulhado com papel alaranjado. - Sirius fez questão de comprar isto... Ele não tem jeito mesmo...

-Não pode ser o que eu to pensando... uma vassoura de quadribol para nenê?

E, ao abrir o presente, ela notou que não estava totalmente errada. Juntamente com uma vassoura de brinquedo, estavam também um mordedor em formato de pomo de ouro, e um minúsculo conjunto de vestes de quadribol.

-Você não acertou totalmente... - Dynha disse, com um sorriso maroto nos lábios. - E eu vou ter que te pintar também...

-Meu Merlin! Além de ser pintada, tenho que agüentar o padrinho do meu filho tentando converter ele num jogador de quadribol antes mesmo dele nascer. Eu mereço isso?

Todas riram, e logo a brincadeira prosseguiu.

Depois de examinar os presentes de Linny, Lena, Emelina, Héstia e Bruna, Lílian falou:

-Vamos tirar uma foto!

-Mas quem tira? - Bruna perguntou.

-Enfeitiçem a máquina. - Héstia sugeriu.

E assim, logo todas as mulheres se juntarm em volta de Lílian, sorrindo, e a foto foi tirada.

-Obrigada por virem garotas, não poderia ter sido melhor. - Lílian anunciou sorrindo.

Lílian e Linny davam as últimas instruções para os Marotos:

-Vocês devem pintar as paderes sem magia. - Lílian disse. - De cor verde e depois colocar o papel de parede.

-Não esqueçam de colocar as lâmpadas na parede, também se magia. - Linny falou.

-Mas por que sem magia? - Sirius disse, contrariado. - Qual é o problema?

-É que alguém pode perceber. O lugar não é completamente bruxo, Sirius. - Dynha explicou como se explicasse para uma criança pequena que não se deveria por o dedo na tomada.

Sirius apenas resmungou alguma coisa inteligível, e, resignado, pegou as latas de tinta e se dirigiu para o quarto de Harry, junto com os outros marotos.

-Eu e Linny estamos indo lá ver Narcisa e o bebê, espero que quando voltemos tudo esteja pronto. - Lílian falou autoritária.

-Sim, general... - Tiago murmurou,fazendo continência.

-É mesmo, vocês vão pro bem bom e nos deixam aqui fazendo tarefa de empregados. - Sirius falou.

-Isto é serviço de homem, fofo... - disse Dynha, rindo. - Nós vamos visitar bebês, e vocês pintam as paredes...

-E levando em conta que Lúcio Malfoy talvez esteja lá... talvez não seja uma visita muito agradável. - Linny disse.

Então, após se despedirem dos rapazes, Linny, Lílian e Dynha saíram, deixando os quatro Marotos na casa.

-Ditadura feminista... - Sirius murmurou irritado.

-Mas não podemos fazer nada a não ser nos resignar... - disse Remo, mirando as latas de tinta com desânimo. - Então, vamos começar?

Começaram lentamente, pintando as paredes com os pequenos pincéis, já haviam feito metado do trabalho, quando Sirius considerou uma nova idéia.

Estou esmagado. Que tarefa sem graça. – ele murmurou.

Sirius, pintar o quarto do seu afilhado é sem graça? – Tiago perguntou.

É quando você tem que usar esses pincéis, mas com a idéia que eu tive... – ele deu o sorriso maroto, sua marca registrada.

Essa idéia envolve magia? – Remo perguntou temeroso.

Não... – Sirius completou, pegando o balde de tinta e o jogando na parede ainda não pintada, deixando, além da parede com grandes falhas de pintura, ele e os demais marotos encharcados de tinta verde.

SIRIUS! – os outros três marotos gritaram.

Desculpe. Acho que os pincéis vão ser a única saída. – ele respondeu, segurando o riso diante dos olhares furiosos dos amigos.

Quando finalmente acabaram de pintar as paredes, descobriram que Lílian também queria que o teto fosse pintado e passaram a pensar em como realizar aquele feito, não sem antes Tiago fazer um comentário sarcástico:

Lílian quer que o quarto do bebê pareça um limão. O que eu vou fazer se um dia meu filho me perguntar se nasceu de alguma árvore? – ele perguntou arrancando risos dos amigos.

Mas agora falando sério, como vamos pintar o teto? – Tiago perguntou.

Vassouras de quadribol? - Sirius sugeriu.

Olha que não é uma má idéia... – Tiago disse, seus olhos brilhando. E logo estavam os quatro Marotos em suas vassouras, Remo segurando a lata de tinta enquanto Tiago e Sirius voavam, pintando o teto com uma rapidez impressionante. Pedro quis participar também, mas, depois do quinto tombo da vassoura, ele desistiu.

Quando finalmente terminaram foram checar a lista de coisas que Lílian havia pedido para fazerem. Ainda falata um item: papel de parede.

Eu faço isto! Também quero ser útil! - disse Pedro, e, já cansados, os Marotos deixaram o gordinho tentar ajudar... O que foi um erro. Cinco minutos depois, ele já estava todo enrolado no papel grudento, e parecia uma múmia grotesca e gorda.

Merlin, Lílian vai ficar furiosa. Rabicho destruiu o papel de parede.

Bem, mas nestas horas, um pouquinho de magia não faria tão mal... - Sirius disse, pegando a varinha de dentro das vestes.

Sirius a Lily pediu... - Remo frisou.

Mas ela não precisa saber... – ele respondeu, girando a varinha nos dedos.

Executou o feitiço e logo o papel de parede estava na parede e não mais em Pedro. O único problema foi que Lily, Linny e Dynha estavam voltando e viram o feitiço pela janela.

SIRIUS BLACK, O QUE EU DISSE SOBRE USAR MAGIA!- Lily começou a gritar, seguida logo por Dynha.

Que não podia usar, Lily. - Sirius tentou usar sua técnica de parecer inocente.

Exato - ela disse, inspirando profundamente. - E se, neste momento, o nosso vizinho trouxa olhasse pela janela e visse VOCÊ USANDO MAGIA?

Ele é tão caduco que acharia que estava sonhando. - ele continua na falsa inocência.

Ah, você não tem jeito mesmo... – ela murmurou. - Eu só espero qe o serviço esteja bem feito, senão..

Ela parou de falar ao ver como o quarto ficara. Melhor do que ela imaginava, as paredes verdes, o papel de parede com jogadores de quadribol, escolha de Tiago, claro.

O sorriso formou-se em seus lábios, seu filho adoraria crescer ali, ela sentia.

Os Marotos esqueceram o cansaço de arrumar o quarto do bebê na hora que viram o sorriso de Lílian, aquele sorriso bastou para que todos se sentissem felizes.

N/A: Demorei com esse capítulo, foi meio difícil as idéias não vinham. Até a Lily Dragon aparecer... mil beijos pra ela que ajudou a escrever o capítulo quase inteiro.

E beijos pra todo mundo que esperou ansioso por ele.

E se você tem orkut, eu criei um comunidade pra discussões a cerca das minhas histórias o nome é "As Histórias da Thaís".