Capítulo XXXVIII: A Última Batalha

Enquanto entrávamos no canal de gargantula o sol ainda não havia nascido e tudo estava claro.

Mas naquele momento o Sol havia resolvido aparecer. E o calor tomou o meu rosto como uma força que conforta e que anima.

- desça, Crys, rápido! – pedi. E ela fechou as asas fazendo com que a descida se tornasse uma queda.

Eu pulei do dorso dela e me virei apressada para Sesshoumaru.

- Você sabia... Como você não avisou?! – reclamei em duvida entre chorar e esbofeteá-lo.

Mas Sesshoumaru não mostrava reação alguma.

- eu não sabia como eles iriam agir! - ele estava tão sério. Como se tivesse se escondido novamente na própria bolha.

- Nós vamos morrer! – e escondi os rostos nas mãos.

- o que está acontecendo? – perguntou Inuyasha e eu expliquei para ele.

Ele ficou sem reação.

- Eu e Mailon desconfiamos que eles fariam isso... – comentou Sesshoumaru – por isso os elfos não estavam aqui quando chegamos... Eles vão entrar no canal após Os Vanvorins... – aquilo foi um certo alivio.

Os rumores foram se espalhando e logo todos sabiam o que estava acontecendo.

Zack se aproximou e ouviu aquela ultima parte da conversa.

- mesmo assim! – falou Zack pensativo – Qual a diferença de esperar no final do canal e nos acuar nele? –

- Ah, não ser que eles não queiram que saiamos do canal... – Falou Inuyasha olhando para o mar.

Sesshoumaru acenou afirmativamente.

- lembrem-se que dois terços do exército do Naraku ainda está em navios! – comentou Sesshoumaru – e a maior parte do exército de Elpard está aqui! –

- isso... – Falou Inuyasha – Mas o que ele ganharia prendendo-nos aqui? – mas nossa atenção foi dispersa quando ouvimos os tambores dos Vanvorins.

Eles haviam parado a uns quinhentos metros do nosso exército e esperavam o nosso movimento.

Afinal... Naraku estaria com eles?

O sangue corria tão rápido dentro das veias que eu me sentia febril.

Havia uma coisa que eu odiava acima de tudo: Não estar no controle da situação.

E aquela era uma soberba amostra do amargor.

- precisamos chegar a frente do exército! – falou Zack assustado – eles vão atacar!

Como os Vanvorins chegaram pos trás de nós os comandantes estavam longe da "frente" da batalha.

Subi no dorso de Crys e estiquei a mão para Sesshoumaru para ele subir também.

Kirara se transformou em uma gata gigante e Sangô subiu junto com Rin e Fkake nela.

Cada comandante foi se acomodando em um guardião da Shikon no Tama e com a velocidade deles logo estávamos na frente do exército.

Sabe quando seu sangue parece gelar?

Aquilo aconteceu comigo naquele momento.

Eu não era uma guerreira de primeira viagem. Mas aquela era a batalha mais importante de todas. E parecia tão... Importante.

- por enquanto é conosco! – Miroku subiu no dorso de Giant – não vou deixar aqueles malditos nos atacarem primeiro! –

Sesshoumaru desceu de Crys e segurou minha mão.

- Não vai morrer! – pediu ele.

- Eu não vou deixar! – resmungou Inuyasha.

Sesshoumaru se afastou.

- Vamos Crys! – falei.

Kirara começou a voar ao lado de Crys e Yan dava saltos enormes apressado.

Giant tentava controlar a velocidade para não chegar antes de nós.

Aos poucos o nosso exército foi ficando para trás. E eu me sentia mais insegura, Os Vanvorins estavam logo a frente, e Naraku não estava com eles.

Paramos a uns vinte metros deles e como não havia lideres entre os Vanvorins, podíamos esquecer um contato com eles.

Fiquei parada por alguns instantes.

Uma vez, Inu Taisho havia me falado que os Vanvorins tinham motivos para atacar os magos... Mas isso não escondia o fato que eles eram nossos inimigos.

Mas me peguei pensando se eles não teriam família esperando por eles nas terras dos Vanvorins. E por um impulso entrei na mente de um deles.

Não era nada muito coerente, mas recebia imagens de um vilarejo rústico.

Suspirei. Era verdade!

- Vamos acabar logo com isso! – pediu Inuyasha. Eles não tomavam iniciativa, por que diabos?

- Ok, Vamos! – e tirei uma flecha da aljava – vou quebrar a formação deles! –

- eu te ajudo! – falou Inuyasha tirando a Tessaiga da bainha, que se transformou.

Respirei fundo e vagarosamente. A magia que eu usaria me deixaria mais exausta do que eu já estava.

Mirei a flecha para o flanco esquerdo.

E, naquele momento, a guerra começava.

- jagysyvuųüe! – a flecha ficou tão brilhante que tive que fechar os olhos.

- Kaze no Kizu! – ouvi ao meu lado e ao mesmo tempo eu soltei a flecha.

Aqueles dois poderes devastaram bastante o exército dos Vanvorins.

Coloquei o arco nas costas e esperei a ataque deles. Tirei a espada da bainha e deixei a guarda levantada.

Mas o meu arco nem ao menos brilhava, e eles nem se mexiam.

- o que diabos está acontecendo? – exclamou Miroku vendo os Vanvorins retomarem à formação por cima dos corpos dos Vanvorins mortos, mas eles não deram um misero passo na nossa direção.

- eles não estão aqui para nos atacar? – e olhei para os outros, surpresa.

- claro que estão! –

Ouvi um barulho de flechas sendo lançadas.

- Jgedoųüe! – ergui as mãos quando o campo de proteção se formou.

Os barulhos de flechas continuaram, mas nenhuma se chocava ou passava por cima de nós.

- desça o campo, Kagome! – pediu Giant.

- venha! – chamou Crys e eu subi em cima dela.

Kirara e Sangô vieram comigo.

Quando estávamos no alto notamos que as flechas não eram dirigidas a nós. Mas sim aos Vanvorins.

Eram os elfos.

Milhares a pé, e muitos mais em cavalos alados.

Um cavalo alado castanho sem companheiro passou por cima de minha cabeça.

- é o Klaus! Deve estar procurando a Fkake! – explicou Crys, e olhei para o cavalo alado castanho que voava depressa para o exército.

Olhei novamente para os elfos e senti o alivio me percorrer.

Tínhamos chance de vencer.

- avise os outros, Sangô! – pedi, ela acenou afirmativamente e Kirara saiu apressada para o chão.

Foi quando senti uma barofada forte desequilibrar Crys.

Ela tentou fechar as asas, mas foi impedida pela força do ar, e foi jogada com força contra o chão em uma queda de quase quinze metros.

O corpo dela amorteceu a queda, mas tive a impressão de ouvir um estralo. Levantei-me com dificuldade, sem ar nos pulmões e olhei meu corpo, não havia nenhum osso quebrado.

Crys se levantou.

Mas caiu no chão novamente e gritou de dor.

- Crys! – gritei preocupada e correndo ao seu encontro – o que foi? –

- Minha asa! – ela gemeu e eu vi a asa esquerda que estava dobrada no meio, estava quebrada.

- AI, Crys! – eu olhei para ela e vi lágrimas escorrerem de seus olhos azuis – eu vou usar a magia de cura! –

- Você está maluca? – ela se levantou com dificuldade, mas avistei os músculos da perna dela tremerem.

- De jeito nenhum! – falei tentando alcançar a asa dela, a qual ela tentou deixar o mais longe possível do meu alcance – Você mal está conseguindo se mexer com a dor! –

Eu sentia que ela tentava fechar o elo entre mim e a mente dela, mas eu sabia que ela estava sofrendo.

- deixe-me ajuda-la! – pedi nervosa.

- você quer mesmo desmaiar aqui no meio do campo de batalha? – gritou Crys, mal controlando a dor.

- não importa! – gritei.

- Sua tola, acha que é de alguma valia inconsciente? – ela estava com raiva.

- Já disse que não me importa, sua teimosa insuportável! – ela via que eu estava preocupada.

Vi algumas sombras enormes passarem ao meu lado, mas nem liguei, estava preocupada demais com aquela 'burra-empacada-alada'.

E o vento forte continuava a soprar de vez em vez.

Cliah e Mailon pousaram ao nosso lado com dificuldade por causa das barofadas.

- Crystal! – falou Cliah se aproximando dela – você quebrou a asa? –

Mailon fez um careta de dor.

- isso é como um chute nas partes intimas de um homem! – Mailon falou se aproximando dela.

- convença-a a me deixar usar a magia de cura! – pedi a ele.

- do jeito que você está isso pode matar você! – ele falou preocupado e observou Cliah convencê-la a se encostar a ele para dar apoio – depois eu que sou o tolo apaixonado! – se queixou Mailon.

- vai para o inferno, Mailon! – esbravejou Cliah – ajude logo! –

- cavalo-alado ingrato! - e ele se aproximou de Crys – fique calma, certo? –

Ela acenou afirmativamente – ele fechou os olhos e encostou a mão na asa dela lentamente e sussurrou: - Kirious Kluiê, naiju Lafun octirius – e uma tenra luz se formou em volta deles e quando se apagou, Crys mexeu a asa aliviada.

- obrigado, Mailon! – ela sussurrou agradecida. Ele sorriu e se afastou.

- Espera! – pedi – aquela magia que você acabou de fazer... – ele me olhou atento – na ultima vez que eu usei a magia de cura eu precisei de um dia inteiro para recuperar minha força mágica... Você... Acabou de consagrar o mesmo feitiço e não parece nem cansado! –

Ele riu.

- você acha que seu lindo irmão se transformou general à toa? – ele arqueou uma sobrancelha – uma vez eu lhe disse que eu era um zero a esquerda quanto a arcos, lembra? Em compensação desde pequeno eu sempre tive poder mágico dez vezes maior do que meus pais! – ele abaixou a cabeça agora sem sorriso nenhum – foi por essa causa que meu pai se matou! – e ele voltou a me olhar.

- como assim? – perguntei.

- sei lá, talvez ter um filho prodígio não caísse bem para o elfo mais forte de toda uma geração! – e ele chamou Cliah que se afastou de Crys preocupado – Agora, tente cuidar dos navios... –

- que navios? – perguntei confusa.

- os navios que nos trazem a maior encrenca da nossa vida – e enquanto falava ele apontou para algo atrás de mim.

Olhei para trás confusa, surpresa eu vi no Rio Toark em média de vinte grandes navios.

Então entendi as sombras e as barofadas de ar que passaram por nós.

E também entendi todo o plano de Naraku como que em um relance de inteligência. (N/a: ela se auto se chama-se de burra, Oh, muié!)

Estava tão na cara.

Ele deixou que achássemos que vencendo as tropas que estariam no final do canal teríamos ganhado a guerra.

Então havíamos ido em peso para o canal e deixado os outros lugares desprotegidos, aquele exército de Vanvorins que estava ali era só distração, o que Naraku queria era chegar nas cidades do deserto e subjugar todo o povo e a rainha.

Por isso os Vanvorins não atacavam, eles estavam ali só para nos impedir de sair do canal e ir às cidades do deserto.

Maldito, ele sabia de todo o nosso plano e usufruiu disso.

Mas havia algo que ele não contava, e que somente nós sabíamos.

Aonde as sereias entravam naquela batalha...

-

(...)

- a parte mais difícil são os navios! – falou Zack – por isso as sereias iram destruí-los antes que eles aportem em qualquer lugar! –

- elas irão destruí-los? – falei surpresa.

- Você não conhece como as sereias realmente são! – sorriu Natasha – só falta a rainha aceitar! –

-... E como eu ainda não sei sobre o que a rainha dirá dessa ultima parte – falou Zack se referindo a própria mãe – eu não irei apresentar a idéia ao conselho! Se acontecer, melhor! –

- o melhor seria que nem mesmo a rainha Ônix soubesse que as sereias vão fazer isso! – respondeu Sesshoumaru – temos que manter esse plano B realmente como surpresa... –

Zack o olhou e acenou afirmativamente.

- Ok, então esse será um segredo somente entre nós! – então ele voltou a desenhar indicando as tropas – e é aqui que nós pegamos eles... –

(...)

-

E pensar que eles sempre souberam.

Mas realmente aquela seria a nossa cartada.

- Crys! – chamei – já consegue voar? – ela balançou a crina loira.

- melhor do que nunca!

- Então vamos atrás dos outros! – e sorri mais uma vez – era questão de tempo!

Quando ela levantou vôo eu consegui avistar o convés de uns dos navios.

E lá estava o dragão de Naraku, com uma figura negra do lado.

Era ele.

Eu senti a raiva subindo pelo meu corpo.

Naquele momento todas as incertezas, duvidas e medos foram deixados.

Eu estava me transformando naquele momento.

Como se outra pessoa estivesse dentro do meu corpo eu fui vendo meus objetivos.

Eu iria vencer aquela luta nem que fosse a ultima coisa que eu fizesse.

Crys pousou ao lado de Inuyasha e Yan, perto do nosso próprio exército.

- Vamos ganhar logo essa luta e ir atrás daqueles malditos! – Falou Inuyasha visivelmente irritado.

- então, deixem-me dar o primeiro passo! – pediu Miroku.

Ele e Giant correram para o meio entre o nosso exército e o de Naraku.

- quem quiser ficar vivo, é melhor ficar para trás! – ele gritou tirando o colar de pérolas – Heil – e o buraco de vento se abriu.

Foram ouvidas algumas exclamações do exército.

Apesar dos Vanvorins tentarem se segurar de todo jeito, era impossível contra a força da Kazana.

E os navios passavam do nosso lado. Despreocupados, vendo a batalha que começava a se desenrolar.

Um sorriso sinistro apareceu no meu rosto.

- elas estão vindo! – falou Zack.

Olhei para trás e vi os milhares de vultos vindo do mar.

Três navios já haviam passado por nós.

Começou então o barulho de madeira se despedaçando, de gritos sufocados. Os Vanvorins que caiam no rio eram imediatamente mortos pelas sereias.

O primeiro navio se transformou um monte de madeira flutuante e a água se tingiu de vermelho do sangue dos Vanvorins.

Elas estavam tão ferozes que me deu medo e agradeci mentalmente por elas estarem do nosso lado.

E uma força sanguinária me fez sentir satisfação com aquilo.

- o que está acontecendo com você, Kagome? – perguntou Crys, que sabia tudo o que eu estava sentindo.

- Não sei! – respondi sem olhá-la, e com o queixo levemente erguido – talvez o contentamento dos yokais! –

- isso é bom... – ela falou – se for realmente isso se prepare para lutar como você nunca lutou em sua vida! –

Cruzei os braços.

- Se esses Vanvorins nos atacassem... – resmunguei. Eu via que eles estavam com raiva, tremendo, excitados. Esperando o mandato para nos atacar, pois até lá não podiam. Eu sentia vontade de dar língua para eles.

– Se eu soubesse que ficaria parado teria trazido uma cesta de piquenique! - reclamou Miroku.

- estão esperando os navios passarem para nos atacar! – explicou Inuyasha – Havíamos esquecido que o rio Toark daria praticamente em cima de Esteblac! Ele pensou em tudo! – essa ultima parte Inuyasha praticamente esbravejou.

- vamos ver se esses navios vão sair desse canal! – falou Sangô ao ver o segundo navio praticamente ser despedaçado. – estou tremendo para lutar! – Miroku sorriu em consentimento.

- ei, pivete! – falou Crys alfinetando Yan – notei que você está mais lento ultimamente... o que está acontecendo? – ele nem se irritou, somente revirou os olhos.

- a Kirara me deu um fora! – ele respondeu.

- quê? – perguntou Miroku rindo.

Kirara se transformou em uma gata grande.

- não – ela respondeu parando na frente dele – eu disse que não queria nada AGORA! –

- mesma coisa! – ele disse se levantando e se transformando em um majestoso gato de dois rabos de pelugem preta e manchas amarelas – talvez assim você me queira! -

- está melhor, mas não quero nada agora! – e ela voltou para o lado de Sangô tentando ignora-lo.

- legal, briga de casal em um campo de batalha! – Giant resmungou.

- alguém quer jogar uno? – perguntou Sangô.

- trouxe baralho de uno? – perguntei. Ela acenou negativamente.

E eu fiz expressão magoada.

Mailon pousou com Cliah perto de nós.

- os elfos não querem atacar até os Vanvorins tomarem alguma iniciativa! – falou Mailon se aproximando.

- é um pouco desonesto, mas precisamos ganhar essa batalha! – falou Miroku pensativo.

- Não quero ser como o Naraku! – falou Inuyasha abaixando a cabeça.

Mailon me olhou como que perguntando se eu não havia contado para eles a verdadeira história de Naraku.

- Não! – respondi, e ele se lembrou que quase não houve tempo, e contou para todos. A história da traição dos conselheiros e que ele iria se casar com Lorena.

- Por isso aqueles malditos nos traíram! – rosnou Inuyasha – Naraku atacou Elpard por causa deles e agora eles querem tirar os deles da reta! –

- o único conforto que eu tenho é saber que perdendo ou ganhando essa guerra aqueles salafrários vão se lascar... Naraku vai usá-los e depois descarta-los! - Mailon observou os navios passando lentamente. E observou que mais de sete navios já haviam sido destroçados.

Os Vanvorins tentavam lutar contra as sereias, jogando lanças, bombas de magia, e objetos pesados na água.

Mas elas submergiam o mais fundo o possível e atacavam a parte debaixo do navio. Não havia saída.

O rio de sangue se dirigia lento para o oceano. Onde água vermelha se diluía com a salgada do mar.

Era realmente questão de tempo.

Em terra, na margem esquerda. O exército dos Vanvorins, o mais volumoso, estava acuado entre o nosso exército.

Os dois exércitos tinham vantagens, faltava saber qual vantagem era maior.

Em compensação, os enormes navios, infestados de Vanvorins, que se dirigiam a Estenlac, estavam sendo destroçado um a um.

Como os navios destroçados eram os de trás, Naraku ainda não havia visto o que estava acontecendo.

Uma hora ele sairia de seu lugar.

Nove navios destroçados. E nós observando.

- isso está tão chato! – bocejou Mailon – vou dar uns pegas na Fkake! – e saiu andando na direção do exército.

Miroku olhou surpreso para Mailon.

Na verdade ele estava indo falar com Sesshoumaru.

Miroku suspirou aliviado.

- Esse Mailon me prega cada susto, o Ohan ia bater nele! –

- ou ele no Ohan! – sussurrou Sangô.

- Nem sei... Os dois são fortes para burro! – comentei.

- O Sesshoumaru também, né? – comentou Crys.

- e o Weslley, pago um pau danado por ele! – falou Miroku.

- e o Zack... – falou Giant – ele é o cara! –

- verdade, o Shaaron tb! – falou Kirara.

- meio arrogante! – comentou Yan – mas é legal –

- e todos mais lindos que o outro! – falou Crys suspirando.

- legal... Só macho com que eu não vou com cara! – disse Inuyasha, com um dar de ombros – por que não falam das mulheres que são gostosas e fortes? A Fkake encabeça a lista! –

- depois a Rin! – falou Yan.

- e a Polly, aquela mulher é linda! – falou Miroku.

- Laymê... – falou Sangô.

- e a Kagome... – suspirou Yan – não sei o que você viu no Inuyasha! E não consigo acreditar que você se entregou para ele, homem para você é do Sesshoumaru para cima – senti vontade de que a terra se abrisse e me engolisse.

Miroku, Sangô, Kirara e Yan me encararam pasmados.

E o pior de tudo. Mailon se aproximava no momento e ouviu.

- QUÊ? – ele gritou paralisado – Eu... Você não teve coragem de mexer com minha irmãzinha... INUYASHA! – e pegou Inuyasha pelo pescoço.

Inuyasha segurou o braço de Mailon.

- não se intromete na vida dela, Mailon! – ele reclamou fazendo cara feia para Mailon.

Os dois estavam prontos para entrar em uma briga.

- vou me intrometer na sua vida, ela acaba agora! Me fala que não aconteceu nada ou eu não me responsabilizo por meus atos – ele rosnou. Eu nunca tinha visto Mailon daquele modo, ele estava possesso e os olhos ficaram escuros. Eu estava para intervir quando vi o dragão sobrevoar acima de mim.

- Parem com isso. E eu já sou grandinha o bastante para saber o que quero, Mailon! – falei olhando para o dragão. Finalmente Naraku havia resolvido sair da toca.

- Grandinha demais? Você deveria pedir autorização para mim antes desse tipo de passo... –

- eu ia chegar para você e perguntar se eu poderia fazer amor com meu namorado, fale sério! – e revirei os olhos.

- estou falando sério! – ele falou se aproximando e com uma expressão tão genuína que eu comecei a rir.

- idiota! – reclamei, subindo em cima de Crys – ninguém me siga! – e Crys já sabia o que eu queria e alçou vôo.

Olhei para trás por um instante e vi-os olharem embasbacados, estavam surpresos demais para me impedir.

- Cliah me falou que você é um dos cavalos-alados mais rápidos que ele já viu... - falei me inclinando para frente, Crys movimentou a orelha esquerda para trás – consegue alcançar aquele dragão? –

Ela balançou a cabeça, fazendo com que a bela crina loira balançasse mais ao sabor do vento.

- moleza! – e ergueu a asa esquerda mais acima do que a direita, fazendo uma volta brusca e ganhando altitude até se esconder entre as nuvens.

O dragão voava rápido na direção do ultimo navio, para tentar impedir que as sereias fizessem estrago maior do que o que já acontecia. Peguei a jóia de quatro almas de dentro da armadura e apertei-a na minha mão, pedindo conforto e me perguntando se aquilo era o certo.

- se segure! – Crys falou, fechando as asas e descendo em um vôo rasante, como quando uma águia faz para pegar a sua presa. Eu soltei a jóia e me segurei fortemente nela.

E enquanto ela se aproximava rapidamente em direção do dragão, eu vi Naraku em cima dele, na junção entre o pescoço e a cabeça.

Ele olhou para cima e Crys desviou no exato momento em que ela e o dragão se chocariam.

Crys girou mais abaixo voltando para cima e diminuindo a velocidade para ficar ao lado do dragão.

- Olá, guardiã! - falou Naraku, sem parecer nem um pouco perturbado.

- Naraku... – resmunguei.

- não deveria vir aqui sem os seus amigos! – ele garantiu.

- eu não vim para lutar... – falei encarando-o – desista, Naraku... – pedi.

Ele ergueu uma sobrancelha, por eu ser tão direta.

- e por que eu faria isso? – ele riu alto.

- por que Lorena já está morta, essa guerra causou a morte dela... Por que continuar! – ele parou de rir.

- Acho melhor você ir embora! – ele afirmou.

Aquilo era perigoso... Mas eu tinha que saber a verdade. Eu não conseguiria lutar contra ele sem ter certeza que era o certo.

- você a amava, não era? – perguntei.

- o que você pensa que está fazendo, garota? Em uma batalha as pessoas lutam, e não tentam convencer o inimigo! – ele falou com um traço de riso.

- você a amava ou não? – gritei.

Ele riu mais uma vez.

- sim, amei! – ele respondeu sorrindo ironicamente – e ela morreu... –

- por ela, vamos parar essa guerra! – pedi – Eu sei o que os Conselheiros reais fizeram... Que te traíram e inventaram aquelas mentiras! – ele escutava sem mostrar reação alguma – eles fizeram errado e podemos fazer eles pagarem... Mas não faça Elpard pagar pelos erros deles... –

- entendo... – ele abaixou a cabeça – Os conselheiros reais vão morrer! – aquilo era uma afirmação e não uma pergunta – vou lhe explicar para satisfazer a sua curiosidade, garota! Naquele dia em que eu invadi o palácio, eu iria roubar as escrituras de vocês... E também iria seqüestrar Lorena para viver comigo, para tirá-la do inferno em que Elpard se tornaria. Mas ela leu as escrituras e achou que o que eu queria era que ela se transformasse na jóia! – ele explicou – Ela não está morta, eu absorvi a alma dela e ela vive dentro de mim! –

- mas não está ao seu lado! – e abaixei a cabeça – se você sabia que Elpard se tornaria um inferno... Por que está continuando com isso? –

Ele fechou os olhos por um instante.

- Kagome, é esse o seu nome, não? – Não respondi e ele começou – essa guerra não está acontecendo por vingança, nem por amor, e nem mesmo por poder... Eu simplesmente gosto de guerra. É na guerra onde os sentimentos florescem... Onde a sensualidade renasce e se torna indispensável. Onde os homens se preocupam mais na guerra do que nos problemas que há em casa. Onde as mulheres se preocupam mais em satisfazer seus maridos do que notar seus defeitos. Onde as moças acham o amor, desesperado e quente, em sua verdadeira forma. É onde os grandes heróis nascem, os grandes pintores descobrem, os grandes poetas descrevem. Esse é o combustível que mantém o mundo funcionando... –

Eu o olhava bestificada.

Que tipo de visão era aquela?

A guerra trazia fome... E dor. Ele estava fazendo guerra só por gostar do efeito que ela causava??

- você é doente! – eu cuspi aquelas palavras.

- provavelmente! – ele respondeu – e vocês caíram na minha armadilha! –

Nesse momento uma grande explosão foi ouvida.

Uma realmente enorme, que fez eu me desequilibrar momentaneamente de Crys.

Olhei para trás e vi que a entrada do canal havia sido explodida.

As paredes do penhasco haviam sido destruídas e as grandes pedras haviam tampado a saída e também caído na água e obstruído o rio. Com uma grande represa. E o pior. Cinco navios de Naraku estavam do outro lado do paredão.

Olhei horrorizada para Naraku.

Ele havia nos trancado dentro do canal, enquanto os navios já haviam passado.

As sereias não poderiam segui-los, já que o rio estava obstruído e que, sem abastecimento, começava a secar, e mostrar o fundo lamacento. Onde várias sereias ficavam presas e provavelmente seriam mortas pela falta de água.

- Sinto Muito! – Naraku sussurrou e ergueu a mão aberta em minha direção – mas o poder que Lorena me concedeu me fez virar em um ser invencível! –

Vi que Crys estremeceu, e fechou as asas para que caísse e ficasse fora do alcance dele.

Mas já era tarde demais. A estaca de gelo que saiu da mão de Naraku veio certeira para o meio do meu peito.

Em câmera lenta eu vi aquilo estraçalhar minha caixa torácica e furar meu coração.

Ainda demorou algum tempo para a dor se mostrar.

Foi o tempo que levou para eu cair de Crys com a pancada. De cabeça eu comecei uma queda livre de quase cinqüenta metros.

Meus olhos se encheram de lágrimas com a dor.

Vida passando na frente dos olhos?

Que mentira, a única coisa que eu conseguia sentir era a dor, e a tristeza.

- Gomen, Mina! – falei enquanto segurava a estaca de gelo com força e a puxava para fora do meu peito.

No momento em que ela saiu eu bati no chão com força.

Vários dos meus ossos se quebraram como palitos de dentes.

Mesmo que meu coração já não estivesse parado antes do choque eu morreria só do fato de meus órgãos se tornarem pudim e eu ter sentido minha coluna quebrar.

E apesar de tudo eu ainda estava viva, meu cérebro ainda raciocinava apesar de meu corpo estar sem qualquer utilidade.

Antes de eu chegar a morrer se passaram em média de três segundos.

E com os olhos turvos de lágrimas de dor e alto desprezo (e eu não sabia como eu ainda conseguia sentir algo) vi aquele fragmento da jóia de quatro almas escorregar para dentro do ferimento aberto no meu peito.

Que ironia.

A sombra de um grande dragão passou por mim.

E fechei os olhos.

Foi quando senti uma força estranha tomar conta do meu corpo.

Será que eu estava sendo puxada de meu corpo?

Aquilo seria a morte?

A tal luz no fim do túnel?

A energia era muito mais forte que qualquer coisa que eu já tivesse sentido.

Alívio, amor, alegria... Tudo junto.

'Não está na hora de você morrer' Asuka falou em minha mente.

Eu sentia meu corpo se curar com que em um milagre. Sentia-me como se eu possuísse todo o poder do mundo nas minhas mãos.

Senti algo me agarrar pelos ombros.

- Kagome! – foi o grito desesperado.

Era Inuyasha.

- você não pode morrer! – ele gritou, e tentou não me movimentar muito. Pois viu quando meu braço se movimentou de um modo que nunca se moveria normalmente.

Agora posso conseguir lamber meu cotovelo...

Pensei, lembrando de um filme que eu assistira que dizia que era impossível uma pessoa lamber o próprio cotovelo.

E eu ainda estava conseguindo fazer piadas...

Abri os olhos lentamente.

- o que está acontecendo comigo? – perguntei.

Inuyasha estava chorando.

Ele vira minha queda, sabia que era impossível eu sair viva.

- a magia de cura! – ele falou – talvez eu consiga! –

- espere! – pedi. Por algum motivo, eu sentia meu coração bater dentro do meu peito. E sentia meu braço afundado na lama.

Eu estava me curando?

Foi quando senti aquela explosão dentro de mim.

Eu gritei desesperada e acima de mim um grande redemoinho começou a se formar.

Um redemoinho muito maior do que qualquer um que eu tivesse feito em minha vida.

Muito maior do que meu poder permitia.

Eu arqueei meu corpo com a dor. O ferimento em meu peito começou a se curar.

- Kagome... O que está acontecendo? – foi quando eu vi Mailon se aproximar pálido - a jóia... – ele falou aliviado – ela está absorvendo o poder da jóia! –

Eu ouvi aquilo muito longe. Apertei o braço de Inuyasha e tudo parou, qualquer espécie de barulho.

Vi um vulto branco ao meu lado, brilhante.

Parecia ser um homem.

Ele me olhou.

- eu sou Roan! – ele sorriu. Roan? O antigo guardião do ar? – para absorver o poder da jóia é preciso fazê-la entrar em contato com seu coração. É sofrido, mas você conseguiu. Parabéns, você acaba de se tornar a maga mais forte de toda uma era! –

E desapareceu junto com o enorme redemoinho.

Droga, ele deveria ter me dito o CPF dele...

Que diabos estava acontecendo comigo? Eu me sentia outra pessoa.

A dor cessou. E senti o suor escorrer por entre meus seios, onde o ferimento estivera antes.

Sentei-me.

- o que aconteceu, Kagome? – Inuyasha perguntou exasperado.

- para vencer essa guerra Inuyasha, vocês também terão que absorver o poder da jóia! – falei firmemente e me levantando.

Eu estava tão fria, tão direta, Tão... Irreconhecível.

Mas me sentia tão revigorada, tão forte. Era com se o poder estivesse junto com meu sangue, percorrendo as veias – e para absorver o poder da jóia é preciso... –

OooOooOooOooOooOooO

Inuyasha caiu no chão com o corpo arqueado. Ao lado dele a espada ensangüentada dele repousara com um tinir em cima da parte de cima da armadura de Inuyasha.

O próprio Inuyasha havia perfurado o peito e absorvido a jóia.

E agora ele estava ali, agonizando de dor.

Ajoelhei-me ao lado dele e coloquei sua cabeça em meu colo.

Ele mordeu o lábio inferior tão fortemente que pensei que se cortaria.

A terra começou a tremer em baixo de mim, e cada vez mais forte.

Olhei para trás e vi quando os Vanvorins partiram para atacar nosso exército.

Teríamos no máximo uma hora até Naraku chegar à Estenlac.

Inuyasha abriu os olhos e o tremor de terra acabou.

Fora tão rápido, enquanto que quando acontecera comigo me pareceram minutos.

Ele se levantou lentamente, mas sua expressão estava tão compenetrada.

- o que é isso que estou sentindo? – ele falou puxando o ar fortemente – é tão bom! –

Mailon estava em pé ao meu lado.

- acho que o poder mágico de vocês deve ter se multiplicado umas cinqüenta vezes, o poder de controlar o elemento também, e provavelmente qualquer outro que vocês tenham... – ele sorriu exultante – finalmente temos chance de ganhar essa guerra! –

- nosso poder mágico aumentou? – perguntei – eu quero ter certeza... Mas antes, temos que achar Sangô e Miroku... – a guerra já estava bastante adiantada e eu não podia me dar ao luxo de testar meus poderes - onde está Crys? – perguntei.

- Eu vi o dragão tentando atacar ela assim que você caiu dela. Depois ela caiu também – falou Inuyasha. Sem se importar em colocar a parte de cima da armadura, e estava um gato, tinha que admitir.

Crys! Onde você está?

Perto... do... rio

O que está acontecendo? Você está machucada?

Um pouco... Eu quase fui envenenada pela aquela maldita garra daquele dragão filho da mãe, e você sabe... Na garra de um dragão existe um dos venenos mais poderosos do mundo. Pode matar alguém em quinze segundos...

- eu tenho que achar ela! – falei para Mailon.

- Eu tenho... Uma amiga, que é uma arqueira de elite... Lohanna Sophie... Ela é a maior rastreadora por magia que eu conheço! – ele deu de ombros.

- e como podemos achá-la? – ele fez um sinal para Cliah e esse que tinha ouvido tudo saiu voando.

- Inuyasha... Ache Sangô e Miroku! – pedi – e diga como absorver o poder da jóia! – ele acenou afirmativamente e encostou os lábios aos meus levemente – eu vou achar a Crys! – e sai andando rapidamente em direção do rio, seria difícil achar a Crys, mas se a tal Sophie aparecesse rápido seria fácil.

Cliah pousou ao meu lado junto com outro cavalo alado de pêlos brancos e manchas marrons. Em cima dele estava uma elfa bonita de cabelos loiros, lisos e cacheados nas pontas. Olhos prateados e rosto anguloso. Nas costas dela haviam duas espadas em bainhas.

- eu sou Lohanna Sophie! – ela se apresentou sem delongas – você precisa achar alguém? – ela perguntou enquanto descia do cavalo alado.

- minha companheira – expliquei brevemente.

- você tem algo dela ai? – ela perguntou com um sorriso.

- não... – suspirei – mas há um laço mental entre nós... –

- serve! – e fechou os olhos enquanto colocava a mão em meu ombro – Fougvq – e senti a mente dela entrar forçadamente na minha, procurando algo. Era tão rápido que eu mal conseguia sentir realmente.

Ela tirou a mão do meu ombro.

Olhou em volta e falou: - por aqui! – e começou a andar em direção a Foz. Eu a segui pelo terreno acidentado.

O cavalo alado dela seguia voando acima de nós enquanto Cliah voltava para onde Mailon estava.

A minha preocupação era que Crys estava usando armadura, que amassara bastante na queda em que ela quebrara a asa, em outra queda ela podia estar sufocada entre os ferros.

Enquanto eu seguia Sophie pelo lugar eu pensava em como eu havia escapado da morte momentos atrás. Oh, Céus, eu quase havia morrido. Foi quando a ficha caiu.

Eu respirei fundo e soltei vagarosamente.

Puxa... Isso não acontecia todo dia.

E a lembrança da dor ainda estava vivida em meu corpo.

- chegamos – falou Sophie apontando para Crys que estava caida na lama. A linda pelugem bege cheia de pingos escuros de terra úmida. A parte debaixo da armadura havia entrado para a dentro do peito dela, e estava enfiada entre as costelas.

- Crys! – falei me aproximando preocupada e tentando tirar a armadura de dentro do ferimento.

Ao qual começou a sangrar logo consegui.

Olhei Sophie tirar as duas espadas da bainha e colocar em forma de ataque para o caso de aparecer Vanvorins.

Virei-me novamente para Crys.

- não se atreva a não me deixar usar a magia de cura! – falei convincentemente.

- nem pensar! – ela falou levantando a àbeça – eu estou dando mais trabalho do que se estivesse fora da batalha! –

Esperei um segundo e revelei:

- eu absorvi o poder da jóia! – falei de forma solene.

Ela parou de reclamar.

Parada, me encarando.

E quando voltou ao normal ela acenou afirmativamente.

Eu coloquei a mão em sue peito e fechando os olhos murmurei:

- Kirious Kluiê, naiju Lafun octirius – era a primeira vez que eu sentia aquela magia realmente. A magia de cura gastava muita energia por ser a magia mais perto de ser o tabu que era 'reviver pessoas', mas naquele momento... Eu não conseguia explicar. Era como se eu estivesse invocando luz, tão fraca era a energia que eu estava usando.

E em menos de dois segundos o ferimento havia se fechado, e eu não sentia o MINIMO cansaço.

Tenho que admitir, eu fiquei muito feliz comigo mesma.

Crys se levantou e respirou fundo.

Depois me encarou com seus grandes olhos.

- isso é incrível! – ela falou surpresa – com esse poder você seria capaz de teletransportar todo o exército se quisesse! –

Aquilo foi um choque... Opa, opa! Como eu não havia pensado nisso antes?

Era como procurar um prego para furar uma vasilha com tampa. (N/a: lembrei do Livro 'amanhã' agora ^^, Edu)

Eu fiz uma expressão tão estranha que Sophie se aproximou.

- algum problema? – ela perguntou solicita.

- temos que voltar agora para onde o exército! – falei rapidamente.

Ela acenou e subiu no cavalo dela.

- Crys, se apresse! – pedi enquanto me livrava do resto da armadura dela e subia em seu dorso. Nós havíamos nos afastado bastante do exército, mas Crys e o cavalo alado de Sophie, Benjamin, os alcançariam rápido.

Olhei surpresa para o lado quando vi uma enorme quantidade de água se deslocar do mar para o rio, dando possibilidade das sereias voltarem para o oceano.

Aquilo foi o aviso de que Inuyasha havia achado Miroku e Sangô e que eles já haviam absorvido o poder da jóia.

Dez minutos depois chegamos a eles.

O exército de Vanvorins já havia se chocado com o nosso em uma briga acalorada e barulhenta.

Muitos Vanvorins caiam... Mas muitos elfos, yokais e humanos também.

Flechas disparadas de todos os cantos. Corpos se chocando com outros.

Clavas gigantescas voando acima de todos.

E os gritos de guerra eram impressionantes, todos forjados para intimidar o inimigo.

- droga, eu tenho que falar com os comandantes! – reclamei tirando a espada da bainha e tentando me defender enquanto abria caminho.

Sophie tomou a minha frente com as duas espadas em mãos.

- então eu abro caminho por você! – ela falou por sobre o ombro.

Foi com admiração que eu vi aquela elfa eliminar os Vanvorins a sua frente, habilidosa, ágil e leve.

Eu me defendia dos ataques diretos enquanto a seguia.

- me diga uma coisa.. – pedi para Sophie enquanto impedia uma clava de me acertar -... Você não é nenhuma ex-namorada do Mailon, não né? –

Ela riu enquanto acertava um Vanvorin com os dois pés.

- eu sou irmã do Biondha... Aquele peste do Mailon só serve para fazenda de pulgas e olhe lá! –

Eu ri.

- acho que é a única que acha isso! – ela riu.

Por mais incrível que parecesse pouca parte dos Vanvorins entrara em luta, e a enorme maioria (que redundante) havia ficado parada no meio do campo.

Inuyasha se aproximou de mim, e suspirou aliviado ao ver Crys.

- tudo bem? – ele perguntou.

E acenei afirmativamente.

- pelo jeito achou Sangô e Miroku! – e foi quando vi eles se aproximarem com Yan, Giant e Kirara.

Eles também pareciam diferentes.

Era como se de meros guerreiros principiantes tivéssemos nos transformado nos verdadeiros lideres que todos queriam que fossemos.

- podemos teletransportar todos aqui! – falei.

Eles olharam surpresos.

- verdade! – exclamou Sangô.

- mas iríamos chegar tarde... Não dá para acabar com todos esses Vanvorins, sairmos vivos, e teletransportarmos a tempo de pegar o Naraku... – pensou Giant – lembrem-se que o rio está obstruído, ou seja, não há correnteza. Em meia hora ele deve estar em Estenlac –

Eu e Inuyasha nos entreolhamos, sabíamos o que fazer. Mas ainda hesitávamos.

E Miroku e Sangô logo entenderam nossas olhadas.

- poucos Vanvorins estão em lutas! – comentou Miroku, mais para si mesmo que para nós.

- então vamos impedir que os outros entrem na luta! – falou Inuyasha se virando para o grande batalhão de Vanvorins restantes.

Com um só olhar de esguelha ele fez todo o chão à nossa frente desabar em mais de dez metros.

Somente a parte em que os Vanvorins estavam, claro! Pois haviam os elfos atrás deles.

A balburdia foi grande.

Eles ficaram literalmente sem o chão deles.

Na verdade, nenhum deles morreu com isso. Inuyasha somente os impediu de entrarem na luta.

Agora a duvida era dar ou não o passo final.

Matá-los!

Aquilo nunca me pareceu tão difícil.

Ainda estava vivida em minha mente a lembrança de um vilarejo.

- Devemos matá-los? – hesitou Sangô.

- eu gostaria de somente os que estão lutando... Parece injusto matá-los assim! – suspirei.

Miroku então segurou a espada firmemente nas mãos.

- se eu vou ter que teletransportar um exército mesmo, eu vou teletransportar os deles para o lugar de onde vieram! – ele falou.

- e como diabos você vai conseguir isso? – ele chamou Giant e com a velocidade dela ele poderia facilmente chegar ao meio deles.

- não... – falou Inuyasha – me dói falar isso, mas do mesmo modo que eles chegaram aqui eles podem voltar, mesmo que Naraku morra. Vai aparecer outro para seguir seu exemplo... Prefiro acabar o mal aqui... – o que ele falava tinha lógica, mas não tinha sentimentos.

- Mas... Isso é tão... Desonesto! – falei encarando-o.

- os fins justificam os meios! – ele recitou.

- sempre odiei Maquiavel! – falei soltando o ar pesadamente.

- mas é o certo a se fazer! – falou Sesshoumaru que ouvira a conversa. Pois quase não haviam mais Vanvorins lutando.

Ele pousou a mão em meu ombro.

- sinto muito, Kagome! – ele falou.

Engoli em seco.

- Se é o que temos que fazer! – as possibilidades eram poucas para matá-los.

Por afogamento, queimados, soterrados e por falta de ar.

Todas mortes terríveis, e infelizmente a mais rápida era a que eu executaria.

Sobrou para mim.

- Estou me sentindo como Hitler e isso ai na frente um campo de concentração! – gemi.

- foram eles que nos atacaram, Kagome! Foram eles que tiveram a arrogância de se achar vencedores... Eles procuraram isso! –

Enquanto conversávamos vários Vanvorins tentavam escalar as paredes da 'caixa' em que eles estavam.

Olhei para eles mais uma vez, e fechei os olhos.

Quando os abri, foi a sentença de morte deles.

Era difícil criar um vácuo em espaço tão grande, mas uma grande quantidade de poder corria dentro de mim.

Olhei enquanto eles notavam a falta repentina de ar.

Começaram a espernear, e apertar a garganta.

Um minuto depois caíram no chão de joelhos.

Aquilo era horrível, e eu me sentia tão mal.

Virei o rosto de lado quando vi Sangue escorrendo do nariz de um deles.

Os gritos que logo cessavam pela falta de ar.

Eu apertei os olhos com força e Inuyasha me abraçou.

- eu sinto muito por fazê-la passar por isso! – ele falou baixinho e me apertando contra o peito dele.

E mais algum tempo depois tudo tinha acabado.

Agora só haviam corpos sem vida.

Quando os guerreiros notaram o que tinha acontecida gritaram de tal forma que fez o chão estremecer.

E nos fizeram parecer heróis. Enquanto nos sentíamos exatamente o contrário.

Logo estávamos rodeados pelos os outros comandantes e generais.

E uma surpresa esperava Inuyasha.

Awnore.

Que pulou em cima dele quase derrubando-o no declínio que se tornara os tumulo dos Vanvorins.

- QUE? – gritou Inuyasha completamente atordoado.

Enquanto um sorriso aparecia em meu rosto.

- e quem diabos é esse? – perguntou Fkake surpresa, acompanhada pela risada de Weslley.

Ohan se aproximou olhando a cena.

- Hum... Sempre soube que essa coca era fanta! – falou ele suspirando limpando a espada na calça de malha de ferro da irmã, que deu um tapa nele – agora que ele assumiu, eu fico com a Kagome! – ele falou rindo.

Eu olhei para Ohan e sorri divertida.

- uia! Assim eu gamo! – ele avisou.

Awnore ainda estava em cima de Inuyasha que lutava desesperado.

- ei... – chamou Ohan. Fazendo Awnore o encarar – dá para soltar ele... o bofe já é meu! –

Inuyasha aproveitou para se desvencilhar.

- mas eu pensei que ele estivesse com a Kagome! – comentou Awnore se sentando, vendo Inuyasha correr para trás de mim.

- ela me emprestou ele! – falou Ohan rindo sonsamente – não é, Inu Meu Bem? – estava claro o esforço que Ohan fazia para não soltar uma gargalhada.

- eu te bato, Ohan! – rosnou Inuyasha.

- está vendo? – garantiu Ohan olhando para Awnore – ele até já sabe meu gosto por masoquismo! – e deu uma piscadela cúmplice.

Awnore fez uma expressão desolada, enquanto eu segurei Inuyasha para ele não partir para cima de Ohan.

Awnore se amuou com um muxoxo.

E Inuyasha respirou fundo procurando calma.

- Agora que o encontro do trio amoroso acabou... – comentou Zack – alguém dá para me explicar que poder era aquele? –

- eles absorveram o poder da jóia! – explicou Mailon por nós – a mana é fodona – colocou os braços em volta de mim e me ergueu em um abraço. Reconheço que me assustei quando ele sussurrou com uma voz séria em meu ouvido – Não se sinta mal. Quando eles saíram do país deles, sabiam que estavam correndo riscos. Eles quebraram as regras, não nós! – ele não imagina quanto me ajudou com aquelas palavras.

Quando ele me soltou o sorriso voltou para o seu rosto.

E finalmente notei algo que havia me passado despercebido.

Nós realmente havíamos virado irmãos. Irmãos mesmo, daqueles que conhecem um ao outro e sabem o que o outro sente.

E me senti triste pelo fato de há muito tempo eu não lembrar da minha família no japão.

Ele, Laymê e a duquesa elfa estavam se tornando minha verdadeira família.

Ele mais que ninguém.

Sorri para ele, e quando fui prestar atenção ao que os outros conversavam notei que Sangô já explicara a idéia de teletransporte.

- Não sei se os guerreiros agüentam outra transferência de energia... – comentou Rin.

- não vai ser preciso – explicou Miroku – se estivermos certos talvez possamos fazer a magia sem transferência! –

- vocês podem morrer... – falou Zack pensativo – e se faltar energia no meio do feitiço, vocês vão prender todos no 'nada' – falou ele se referindo ao local onde nada acontecia, onde nada existia, onde não havia tempo nem espaço.

- mas se não tentarmos, Naraku chegará a Estenlac e já era! – Inuyasha deu de ombros.

- Não sei se podemos deixar vocês fazerem isso! – falou Fkake momentaneamente séria.

- nós sabemos o que queremos! – Inuyasha retorquiu sem pestanejar.

- garoto decidido! – ela falou sorrindo e dando leves tapas no ombro dele.

A conversa foi interrompida quando o ultimo Vanvorin foi morto e os guerreiros começaram um alarde sem par.

Todos estavam arfantes, excitados e infinitamente otimistas.

Zack se virou para nós.

- Vocês venceram! – ele falou – quais de vocês iram teletransportar os elfos? –

- pode ser eu e a K-chan! – se disponibilizou Sangô – pois Kirara e Crys podem voar! – e ela lançou um olhar para a depressão onde estavam os Vanvorins mortos, explicando o que queria dizer.

- Agora não devemos ter mais que dez minutos! – alertou Giant.

- Vamos! – chamou Weslley enquanto Mailon subia em Cliah para ir aos elfos e faze-los entrar em formação.

Weslley começou a fazer o mesmo também.

- só tenho que fazer algo antes... – sussurrou Inuyasha e fechou os olhos. É um pouco difícil de explicar o que aconteceu a seguir. Dentro da depressão que Inuyasha havia feito a terra começou a tremer vagarosamente e subir como leite em ponto de fervura. Mas os Vanvorins não subiam junto com a terra, eram engolidos pela lama como que a terra estivesse sido revolvida. Logo todos os Vanvorins estavam enterrados e a terra ficou planificada à altura que estava antes.

Foi quando vimos o verdadeiro tamanho do buraco.

Era realmente ENORME!

Os elfos pareciam pequenos pontos do outro lado.

Subi em Crys.

Naraku que nos esperasse.

OooOooOooOooOooOooO

Rashid estava surpreso.

Não podia acreditar nos próprios olhos.

A menos de um quilometro o Exército de Naraku vinha serpenteando dunas, como uma grande cobra pronta a dar seu bote.

Ele não conseguia acreditar que o exército de Elpard tivesse perdido. Tantas pessoas fortes estavam defendendo o reino... E Rin.

O peito dele se apertou.

Rin também havia perdido?

Sua prima que era a mulher mais poderosa que ele já conhecera perdera?

Mas não havia muito o que pensar ali.

A sentença de Elpard estava a sua frente, monstruosa e sólida.

Esperando somente a hora certa de se dizer vencedor.

Os ciganos conseguiriam defender por algum tempo. Tempo suficiente para evacuar toda a cidade, mas ele sabia o que isso significava: que a raça de ciganos deixaria de existir. Seria totalmente massacrada, pelo bem dos humanos.

Era um pouco difícil de aceitar... Mas eles eram mais fortes. E para isso que os mais fortes serviam, para defender os fracos. Não o contrário.

Ele tirou o punhal do cinturão e esperou.

Logo os ciganos estavam a sua volta.

Em base de uns três mil.

Mulheres e homens, alguns adolescentes e alguns mais velhos.

Tarik ficou ao lado de Rashid, e Sheraz do outro lado.

- já estava chegando na minha hora mesmo... – sussurrou Tarik.

- seria melhor que o senhor fosse embora – falou Rashid sensato – não quero que a raça de ciganos acabe! –

- filho, eu não sei me duplicar! Mesmo que eu fuja nossa cultura irá acabar! – e ele riu alegre – que bom que vou morrer no deserto! -

- o senhor é maluco! – e Rashid esperou que o exército dos Vanvorins viessem ao encontro deles.

Ele engoliu o nó que estava em sua garganta e tentou aceitar pacificamente que seu fim se aproximava.

Havia um espaço de uns três quilômetros de onde eles estavam para Estenlac, pois queriam que mesmo depois que todos estivessem mortos as pessoas da cidade ainda tivessem um pouco mais de tempo.

E o primeiro tambor foi ouvido.

Era normal dos Vanvorins só atacarem no terceiro toque.

Mas no segundo eles já dispararam na direção deles.

Rashid esperou pacientemente, eram tantos Vanvorins, talvez uns cem mil.

Todos vindo ferozes contra três mil ciganos.

Rashid respirou fundo e rezou mentalmente, o que era normal.

Ele pediu força, e coragem. Pediu ajuda e clemência, e mais que tudo, justiça.

Abriu os olhos novamente e afastou um pé do outro.

Os Vanvorins estavam se aproximando rapidamente.

Foi com surpresa que ele viu os Vanvorins pararem assustados e confusos.

- CÉUS! Eles se teletransportaram! Eu vi! – disse Sheraz surpresa.

Rashid olhou para trás e foi com uma gratidão sem sentido que viu mais de cem mil soldados atrás de si.

Ele não entendia o que acontecera, só sentia a esperança se renovando em seu peito.

OooOooOooOooOooOooO

Kagome respirou lentamente.

Estava cansada, mas não chegava nem perto de quando teletransportara antes.

Sorriu, que diabos de poder era aquele?

- ARQUEIROS! – gritou Mailon.

E mais de dez mil flechas foram lançadas contra os Vanvorins, flechas tão rápidas e negras que surpreenderam até os ciganos.

Setas negras que derrubaram o front do exército inimigo.

- LANÇAR! – gritou Mailon novamente e mais uma seqüência de flechas foi vista.

Eu e os outros havíamos corrido para a frente do exército para ver se havíamos nos atrasado.

Paramos quando vimos os Vanvorins.

Tentaríamos de exterminar o máximo possível de Vanvorins antes deles entrarem em contato com nosso exército (e antes de Naraku conseguir ter alguma reação).

O ataque surpresa a Naraku me alegrou tanto.

Tentei fazer o ar pressionar os Vanvorins.

Mas uma barreira azul apareceu.

Era Naraku!

Maldito, já havia se recuperado do choque de nos encontrar ali.

- não podemos fazer nada! – rosnou Inuyasha – aquele maldito selou o exército! –

- se houvesse água ou árvores aqui por perto! – resmungou Miroku, se lembrando que Inuyasha também poderia controlar as arvores.

- mas tem larva muito abaixo de nós! – falou Sangô sorrindo – Inuyasha, abra caminho para a larva e eu faço o resto! –

Ele deu de ombros e fechou os olhos, se concentrando em uma rachadura que vinha das profundezas até o centro do exército Vanvorin.

Pois se não podíamos atacar por cima... Que fosse por baixo.

Que vem de baixo os atinge!

Ri sobre uma brincadeira infantil.

A larva que subiu dispersou-se dentro do circulo que era o campo de força dos Vanvorins, fazendo-os se afastarem do liquido 'quente'.

Foi nesse momento que o campo de força oscilou por alguns momentos. Sorri satisfeita, pois finalmente Naraku notara o que estava acontecendo.

Agora ele sabia que havíamos absorvido o poder da jóia. Eu imaginei em qual seria a reação dele quando me visse viva... Meu sorriso de satisfação aumentou. Chegou a se transformar em riso, mas depois respirei fundo tentando me controlar.

Mas era incrível como eu não me sentia eu mesma. Era como se eu fosse outra pessoa. E confiança era o que não faltava.

Balancei a cabeça, e parei quando vi o campo de força do exército dos Vanvorins desaparecer.

E só entendi o motivo quando vi várias lanças (sim, lanças!) virem em nossa direção.

Dei um passo a frente.

- Obrigado... Antigos guardiões... – Agradeci fechando os olhos, pelo poder que eles haviam nos dado. Um poder que nos possibilitava a vitória... E ter nossas vidas de volta.

- Jgedoųüe – e o campo de força impediu que as lanças nos alcançassem.

E outro ataque nosso foi dissipado pela barreira dele.

Aquilo era um jogo inútil, nossos poderes estavam balanceados. Pois apesar de eu e os outros termos absorvido somente um quarto da jóia, e Naraku uma jóia completa, ele era somente um mago, nada mais, e nós éramos: elfa, Yokai, Cigana e Tritão. Isso deveria ser o suficiente para nos deixar em um patamar igual.

E eu tinha certeza que Naraku sabia disso. Por que continuar com aquela besteira? O melhor era deixar acontecer (N/a: isso tah parecendo alguém ensaiando uma recusa) para ver qual de nós era mais forte.

Por esse motivo deixei o campo de força baixar.

E vi quando o Naraku fez o mesmo, ele entendeu o recado.

Era hora de dar uma ultima cartada, resolver as coisas como se resolviam antigamente. Através da força.

Todos se achavam prontos. Mas e nossos corações? Isso só saberíamos depois.

Com lentidão, mas não com hesitação, um exército começou a se mover contra o outro.

Aquela... Seria a Última Batalha!

OooOooOooOooOooOooO

- o que está acontecendo? – perguntou a rainha se adiantando para o soldado elfo que havia sido mandado por Mailon para avisar a rainha sobre os acontecimentos.

- o exército de Naraku chegou aqui! – ele informou friamente – os conselheiros reais lhe traíram, vossa majestade! –

A Rainha Ionesmera (ou Ônix para os mais próximos) paralisou ao ouvir aquilo.

Os... Conselheiros?

Aquilo não podia ser verdade.

Não que ela confiasse cegamente neles, mas... Parecia tão impossível.

- você tem certeza? – ela perguntou em voz branda, mas nervosa.

- sim, vossa majestade! – falou o elfo.

Kanirf, o chefe dos sacerdotes, e primo de Ônix se aproximou dela dizendo:

- Vamos, Ônix! Temos que ir embora rápido! – ela andou pelo salão que ficava no quinto andar de um enorme prédio que ficava no centro de Estenlac. Olhou pela grande janela.

Não que ela conseguisse ver o que acontecia no deserto, mas pôde ver a guarda pessoal dela ajudando as pessoas a saírem da cidade.

Como ela se sentia insegura.

Ela se virou vagarosamente para o elfo e para Kanirf.

- vocês acreditam em Deus? – ela perguntou.

- eu sou um elfo... Acredito nos meus próprios deuses! –

E ela se virou para Kanirf que somente acenou afirmativamente.

- Acho que agora é o momento para orar para ele! – ela falou começando a se afastar.

- talvez! – disse Kanirf seguindo-a.

OooOooOooOooOooOooO

Em um quadro geral a guerra seria bem mais explicável do que por alguém que estava lá embaixo no meio daquela algazarra, sangue e ferro.

Nesse caso, veremos a guerra pelos olhos de um mero observador, que na verdade era um garoto recém saído da infância, ele se chamava Shippou.

Ele via os elfos em cavalos alados, flechando o máximo possível de Vanvorins.

E duas vezes ele vira um dos cavalos alados serem atingidos por lanças, o que o fazia cair feito uma folha de papel. Mas apesar desses pesares os elfos acabavam com mais Vanvorins que os humanos. Que lutavam mais atrás usando magias complexas para matar seus adversários.

Os ciganos talvez fossem os mais fáceis de se ver, por serem os únicos a conseguirem saltar alto para passarem por cima de seus adversários com saltos mortais.

Os Yokais eram os que estavam na frente e eram os que mais matavam. Eram exímios guerreiros, matavam sem dó e sem se cansar.

Mas os Vanvorins eram insistentes, e fortes.

Avançavam cada vez mais.

- Senhor Shippou! – chamou um homem alto e magro, de barbas longas e em tranças. Ele era o professor de Shippou, que era o filho do prefeito de Estenlac.

- olha, Sensei! – chamou Shippou – eu pensei que essas raças eram inimigas! –

Comentou sorrindo.

- Na hora de proteger algo em comum, não há raças, filho! – falou o homem sorrindo e olhou para aquele deserto, onde havia mais pessoas que ele já vira reunida em toda a vida – só tenho medo de depois que a guerra acabar, aconteça com eles o mesmo que na guerra fria entre o EUA e a URSS, ideologias antagônicas nem sempre dão certo! – Shippou olhou de relance para seu professor. Ele era do plano da terra, e sempre falava coisas estranhas como aquela.

Coisas que Shippou o indagava depois.

- mas, enquanto isso! – falou o homem puxando Shippou pelo braço – temos que sair agora daqui! –

OooOooOooOooOooOooO

Dentro da batalha um sentimento era único, não importava de qual lado: o de sobrevivência.
O de proteger a própria vida.
Aqueles mais fortes eram mais confiantes e por conta dessa confiança conseguiam facilmente lutar com uma habilidade invejável.
Mas aqueles que não tinham essa confiança iam lutando aos trancos e barrancos, muitas vezes caindo em desgraça pela falta de vontade.
Mas a batalha continuava, infindável, parecendo que continuaria por dias a finco.
E talvez fosse até verdade, mas não importava. Lutariam até o fim.
(N/a: Sabe... eu nunca havia notado como OGDE tinha personagens quase principais... por isso vou colocar as partes de vários personagens lutando.)

8:46 da manhã (meia hora de batalha)

Zack arfou vagarosamente enquanto decepava um Vanvorin. Ele odiava quando ficava na forma humana por que precisava de água para sobreviver, e aquele deserto estava deixando-o cada vez mais agoniado.
Ele pousou a mão no cantil de água.
- Urau! – recitou a magia. E sentiu quando o cantil ficou mais pesado.
Ele o abriu e tomou um grande gole, sentiu pelo vento quando um Vanvorin se aproximava por suas costas.
Poxa, água naquele momento era um dos poucos prazeres dele, como um Vanvorin se atrevia a atrapalha-lo?
Ele afastou o cantil da boca e antes do Vanvorin ataca-lo ele começou a cantar uma música perfeitamente melodiosa.
O Vanvorin parou enquanto Zack se virava vagarosamente sem parar de cantar.
A música era uma habilidade de qualquer sereiano, uma habilidade que era capaz de hipnotizar com a música certa.

- Encantos e recantos, que vem e vão, poderes que nos dão mais poder. Mentes que desvelam, modos que refreiam, vidas que acabam. Poder que nem sempre é dádiva, que às vezes é morte. – ele sabia que aquela era a música certa para o que ele queria. E não foi com surpresa que ele viu o Vanvorin encostar a espada ao pescoço e impulsionar de tal forma que se decepasse.
Zack o olhou um pouco mal, ele odiava guerra, odiava qualquer coisa que envolvesse a necessidade de fazer sofrer.
Odiava como os valores se distorciam em uma batalha, o que era pecado virava ordem. Matar virava objetivo.
Ele balançou os ombros levemente e colocou o cantil novamente na boca, mais um grande gole e outro Vanvorin idiota.
Ele se resignou e daquela vez não cantou, sem afastar os lábios do cantil ele matou o Vanvorin somente com um golpe.

10:11 da manhã (duas horas de batalha)

Sesshoumaru não sorria nem demonstrava dor.
E para que fazer isso?
Ele segurou a Tenseiga firmemente na mão.
Ele estava cercado por três Vanvorins, não que se importasse realmente com isso. Acabaria com eles tão facilmente como acabara com os outros. Ele era bom, e sabia disso. E apesar dos Vanvorins serem fortes ele estava até aquele momento com somente um arranhão na mão, que se ele não estivesse enganado já estava sarado.
Girou a Tenseiga no lado esquerdo do corpo e defendeu a clava que deveria atingir sua perna. Segurou a clava do Vanvorin com a espada e se lançou para a frente levando a mão com garras afiadas até o pescoço do Vanvorin.
Ele viu o desespero do inimigo, mas não sentiu pena, nunca sentiria. Medo e pena eram algo que ele não poderia sentir, era algo que ele banira a muito tempo de seu ser.
Apertou as garras no pescoço do Vanvorin e quando viu que elas estavam enterradas ele puxou a garganta dele, arrancando metade do pescoço do Vanvorin. Sangue jorrou do pescoço dele e a cabeça pendeu para trás. E o corpo caiu em terra sem vida.

Ele viu uma sombra passando por ele e notou imediatamente que o outro Vanvorin estava atrás de si. Por isso ele jogou o braço para trás sem ao menos olhar, um leve urro foi o suficiente para lhe mostrar que o Vanvorin havia morrido. Ele puxou a espada e se virou mansamente, sentindo uma leve satisfação ao ver que a espada havia perfurado exatamente entre duas costelas. Ele limpou o sangue que ficara na espada no colete de couro peludo do Vanvorin morto.

Foi quando sentiu um arrepio. Um arrepio de sexto sentido, premonição, instinto... Não importava o que era. Ele só sabia que estava em perigo. E ele notou de relance um brilho no chão... Havia alguma arma feita de metal acima de sua cabeça.

Nem ele seria tão rápido para conseguir defender aquilo. Ele não sabia o que acontecia quando uma pessoa estava prestes a morrer. E sempre achara que seria o sentimento de glória por morrer em batalha. Mas ele não sentia NADA! E de certa forma se resignou por isso.

Em questão de um segundo ele viu algo passar rápido rente ao seu rosto. O instinto o fez olhar para trás e viu um punhal enterrado no peito de um Vanvorin, na verdade aquele que iria matá-lo, que piscava atônito e ainda não entendera que iria morrer.

Ele olhou novamente para frente e viu que quem havia jogado o punhal havia sido Rin, que acenou com um sorriso de deboche. E a idiota não via o Vanvorin enorme que estava atrás dela, erguendo uma pesada clava.

Ele nunca soube explicar, mas pela primeira vez ele sentiu medo de algo. No caso da morte... Dela.

E não gostou nada da sensação. A única vez que sentira algo parecido fora quando sua própria mãe morrera, muito tempo atrás.

Num ato de reação ele, sem olhar, puxou o punhal do corpo do Vanvorin atrás de si, que começava a cair naquele momento, e jogou na direção dela.

Ela arregalou os lindos olhos âmbar e pulou com graça para o lado, deixando a lâmina passar. Ela virou-se para ele com os olhos ardendo em brasa, retorcendo o rosto angelical.

Ela abriu a boca, depois a fechou novamente, depois tornou a abrir e dessa vez proferiu uma enorme quantidade de palavras chulas que deixaria qualquer um envergonhado.

Mas ele sentia vontade de sorrir, ele adorava isso nela. Ela era forte, mas ele não pretendia revelar isso.

- Ingrata! – ele gritou quando ela parou para respirar. Foi quando ela olhou para ver onde o punhal havia ido parar. E notou o Vanvorin. Ela não demorou a entender o que havia acontecido e se virou vermelha.

Tentando se proteger do escrutínio, gritou:

- idem! – mas ele já voltara a lutar.

Como ela era idiota, ficara tão pasma com a chance de Sesshoumaru morrer que esquecera de entrar na mente dos Vanvorins a sua volta.

Pois, como qualquer cigano ali presente, ela estava usando sua habilidade de ler mentes para descobrir os movimentos do adversário antecipadamente. Fora quando sentira o regozijo por conseguir pegar alguém desprevenido, e quando olhara, esse alguém era Sesshoumaru.

Ela se martirizou.

Era uma burra! Ele poderia se defender!

Com um rosnar de raiva ela tirou o punhal do pescoço do Vanvorin e o olhou encharcado de sangue.

Tentou se acalmar, pois se não fizesse isso, o sangue no punhal seria o de Sesshoumaru.

3:37 da tarde (sete horas de batalha)

Ohan se sentia satisfeito, mal podia acreditar que havia sido sua irmã caçula que havia proporcionado a oportunidade dele finalmente entrar em uma batalha.
Pois, apesar de ser um ótimo guerreiro (ele sabia que era, afinal fora treinado por um dos maiores guerreiros do céu), nunca tivera como participar de uma batalha no estilo medieval, pois no plano da terra se quisesse entrar em uma batalha só se fosse para largar bala para cima...
E o pai dele sempre lhe contara histórias sobre as grandes batalhas dos homens. Pois como nas guerras dos céus só eram alguns anjos contra alguns demônios, a maioria dos anjos assistiam as guerras dos humanos. (E por raras vezes, os anjos se intrometiam nessas guerras, a não ser quando a guerra envolvia o nome do Soberano, e assim eles interferiam contra aqueles que usaram o nome do altíssimo em vão.)

Ohan adorava passar horas ouvindo seu pai contar detalhes e batalhas que ele só poderia ver nos livros de história.
Como na batalha dos persas contra os gregos, e quando os gregos se viraram contra eles próprios. Ou quando os Unos atacaram a parte setentrional da Europa, forçando os bárbaros germânicos a entrarem no Império Romano, e assim desfazendo-o. O pai de Ohan, Lucius, também havia visto os mulçumanos se deslocarem pela áfrica em direção à Europa, e serem derrotados por Carlos Magno. Ohan também se lembrava das histórias sobre as cruzadas – principais guerras onde os anjos interferiram. Lucius também vira a Inglaterra lutando para impedir a liberdade das treze colônias, que originaram os Estados Unidos. E esse mesmo país lutando entre si para se emancipar. E havia também histórias sobre Napoleão, Dom Sebastião, Rei Henrique...

Ohan adorava aquilo tudo, não era a toa que era o melhor aluno de história da escola. Ohan sorriu consigo mesmo.
Claro que nunca esqueceria das histórias menores sobre Elpard e Erase, dois planos ligados ao da terra. Ou das batalhas que Lucius travara ao lado de um mago chamado Dolphymallus, em uma missão de reconquista... Mas, infelizmente, houve a guerra franco-prussiana... Quando os anjos deixaram de assistir batalhas da terra. Pois a partir dali os anjos notaram que por trás das guerras agora só haviam motivos distorcidos, e não havia mais batalhas por motivos honrosos, não havia mais fé... O Soberano estava sendo deixado de lado.
A partir da Primeira Guerra Mundial, aquilo que antes era admiração pelo modo cego que os humanos se agarravam àquilo que lhe faziam bem, se transformou em um aula estilo: "Coisas Que Um Anjo Nunca Deve Fazer".
Mas pelo menos Elpard ainda não havia chego ao estado da Terra, ainda havia salvação para aquele plano.
Ohan sorriu sonsamente. Pensamentos estranhos aqueles. Pois enquanto pensava ele havia lutado com dois Vanvorins e nem havia notado isso.
Cravou as duas espadas que usava para lutar na areia e deu um mortal para frente apoiando as duas mãos no chão e prendendo a cabeça do Vanvorin entre os pés. Com uma leve guinada para o lado ele ouviu o estralo do pescoço do Vanvorin se quebrando.
Levantou-se e pegou as espadas que estavam cravadas, olhando em volta para saber qual seria seu próximo inimigo.
Mas seus olhos bateram em uma linda elfa de cabelos loiros e olhos prateados que pousava com um cavalo alado de pêlo manchado.
Ele deu um assobio baixo e a elfa olhou para ele, afinal ela estava a menos de três metros.
- você não se parece com um Vanvorin... – ele gracejou.

Ela já o olhou séria.
- claro que não... – ela respondeu descendo do cavalo alado – eu luto bem melhor que um! – ele ergueu uma sobrancelha.
- Hum... Prova! – ela franziu o cenho. Que diabos era que ela estava fazendo ao dar moral para um desconhecido? Um desconhecido lindo, mas ainda um desconhecido.
Suspirou.
Levou as mãos as costas e puxou as duas espadas que estavam presas a bainhas.
Em dois minutos cinco corpos jaziam mortos.
E ela estava com um dos joelhos apoiado no chão e os braços para trás, segurando as espadas.
Ela se levantou e tirou uma mecha de cabelo da testa.
E Ohan assobiou novamente.
- que garota! – ele falou sorrindo enquanto ela se aproximava e ele ergueu a mão – prazer, eu sou Ohan! –
- Sophie! – ela respondeu apertando a mão dele brevemente – sua vez de mostrar do que é capaz! –
Ele fez uma expressão desgostosa.
- você quer mesmo que eu faça isso? – ele perguntou. Ela deu de ombros e quando o olhou novamente viu a sutil mudança da cor dos olhos dele, que passaram para um prateado puro.
Ela se assustou com aquilo, ela já ouvira falar naquele tipo de transformação, mas nunca pensara que veria alguma.
Mais dois segundos e ele mostrava do que era capaz.
Ela fechou a boca com um muxoxo.
- ele é um descendente direto de um anjo! – ela murmurou.

4:58 da tarde (oito horas de batalha)

- a galinha magricela... – cantava Mailon enquanto lutava –... E bota um e bota dois e bota três... A GALINHA MAGRICELA... –

- pára de cantar essas malditas músicas que você aprendeu quando foi para o plano da terra – pediu Cliah mal-humorado – Sinceramente, quem te vê acha que você não teve infância! –

- ao contrário... – falou Mailon rindo – minha infância foi tão boa que eu estou prolongando ela até hoje! –

- admitindo que é uma criança? – perguntou Fkake que estava atrás de Mailon e ele só notara naquele momento. Ele olhou por sobre o ombro sorridente, e ao se voltar atirou uma flecha no olho de um inimigo.

- Claro que sim... Nunca notou minha cueca de ursinhos? – ele perguntou.

- O que você quer dizer com isso? – e ela se abaixou para se esquivar de um murro.

- Nunca viu!! – ele ficou ultrajado - Ow... Quer ver? – ela bateu nele com a lateral da espada.

- engraçadinho! – falou.

- Ei... Você me bateu? – ele reclamou.

- foi sem querer! – ela gritou se afastando para terminar de acabar com o Vanvorin com que ela lutava. A verdade é que Fkake se surpreendia com Mailon, mesmo depois de quase meio dia de luta ele ainda sorria incansavelmente e lutava como se estivesse acabado de descansar. Parecia mais um garoto em uma sorveteria... Ou seria um elefante em uma loja de cristais?

Ela deu de ombros.

- legdo – ela falou colocando a mão no rosto do Vanvorin. E ao afastar viu os olhos ensangüentados dele. Morrera.

Ela respirou fundo enquanto observava o corpo caído. Depois se voltou e se dirigiu para onde Mailon lutava, dessa vez com uma concentração e seriedade espantosas. Será que ele sabia como ele mudava de personalidade rapidamente? Ela achava aquilo o máximo. Um minuto sorria, no outro estava sério, e voltava a sorrir. Ele podia ser milhares de Mailon's em um único dia. Era como se existissem várias pessoas em um único corpo. E que corpo, ela pensou suspirando. Bom... Pelo menos ela sabia que seria impossível se entediar perto dele.

Por sua vez ela estava inquieta. Nunca se sentira daquela forma antes, angustiada... Estava preocupada, era essa a verdade. Ainda não se acostumara com a possibilidade de perder as pessoas que amava. Olhou para o céu... Faltava uma hora para o sol se pôr... E se perguntava o que aconteceria quando escurecesse.

O dragão de Naraku passou rápido por cima da cabeça dela. Voando rápido demais para um dragão.

Ela estreitou os olhos.

Ele parecia desesperado... E também parecia estar indo ao encontro de seu dono para salvá-lo. Aquilo fez um sorriso aparecer no rosto dela... Os guardiões haviam achado o cara-de-morcego-velho chamado Naraku.

No entanto Mailon deixou passar aquele detalhe despercebido, estava concentrado demais em pensar para prestar atenção a sua volta.

Parecia até um pouco descuidado.

- ei, bonitão! – chamou Fkake rindo – toma cuidado enquanto luta... Se não você fica sem o... –

- Boa idéia... – ele respondeu piscando – esse 'o...' é muito importante para mim... – ela riu novamente e virou as costas para ele para voltar a lutar.

Ficou alguns instantes parada... Como todo guerreiro, ela observava que Vanvorin lhe representava mais risco antes de atacar. Era um modo de reconhecer com quem lutar.

Mas Mailon havia parado e o olhar estava vago.

- ei.. Você está bem? – perguntou Cliah olhando-o brevemente – se você desmaiar no meio do campo de batalha os Vanvorins podem acabar com você... –

- isso mesmo... – inquiriu Fkake – você pode ser abusado, sabia? -

- Opa... Desculpa... Eu também não quero ser abusado! – ele riu – Fkake, você não deixa os Vanvorins abusarem de mim, não é mesmo? –

- Se você não ficar quieto quem vai abusar de você sou eu! – ela disse fingindo seriedade.

- Uia! – ele riu – será que eles têm motel em Estenlac? –

- Hum... Eu estou procurando algo casual... Nada de motel... Alguns rolos na areia talvez... Mas nada de motel! – ela replicou.

- malvada! – ele reclamou voltando a lutar. E se havia algo que ele odiava era quando os Vanvorins lutavam no estilo 'fila indiana' um atrás do outro e atacando a esmo. Parecia uma onda de Vanvorins e ele a pedra idiota que não sabia para onde ir.

E essa onda prendeu Mailon e Fkake entre eles.

Eles começaram a lutar em sincronia para acabar com mais inimigos possíveis. E se saíram bem... Eram perfeitamente compatíveis... Mas eles já sabiam disso.

Quando a onda acabou eles pararam completamente cansados.

Ela apoiando as mãos nos joelhos, e ele tentando estralar o pescoço, coisa que dificilmente conseguia.

- esses caras vão nos matar só no cansaço! - ela falou se endireitando.

Mailon sorriu, mas seu sorriso se desfez quando viu os Vanvorins correndo na direção deles.

- De novo não! - reclamou Fkake - cadê o juiz? Eu quero pedir tempo! –

Mailon se limitou a rir. Com os pensamentos que estavam em sua cabeça não sabia se seria capaz de falar.

- sabe Fkake, depois que essa guerra acabar, to pensando em sossegar... – Mailon deu um chute no abdômen de um Vanvorin. - você? Sossegar? Claro! - ela fala irônica olhando-o de esguelha. - é sério... – ele riu novamente - Que tal sossegar comigo? - ele pediu sorrindo. Ela parou por um momento e estudou as feições dele. - belo pedido de casamento... – ela replicou virando-se novamente e com o coração aos pulos. - você notou? Então, aceita?? – Mailon lançou um daqueles sorrisos que derretem tias viúvas. Ela ficou parada e se não fossem Weslley e Ohan que estivessem aparecido naquele momento para matar os Vanvorins provavelmente os dois seriam mortos. - você me ama?? - ela perguntou séria. Ela tinha que saber se ele sentia por ela o mesmo que ela sentia por ele. Um Vanvorin tentou atacá-la e ela somente cortou a garganta dele com um punhal. - Eu não te odeio... – ele responde igualmente sério. Ela enfia o punhal na perna dele - Ai... Belo modo de me fazer dizer que te amo... – gemeu ele passando a mão no ferimento e com uma expressão assustada. - ama ou não? – ela perguntou. - amo... – ele respondeu se endireitando, voltando a expressão séria. Ele sabia que não estava mentindo. Ela ficou calada por vários instantes até que ele comentou: - essa é a hora de você dizer: "Mailon eu também te amo... Te adoro, não vivo sem você" – - que brega! - ela suspirou e lançou um sorriso – mas eu aceito me casar com você... Você é lindo, é um general, tem moral... – - Eu beijo bem, isso não conta? – ele perguntou erguendo uma sobrancelha. - e beija? Nem notei! – ele estreitou os olhos e puxou Fkake de encontro ao seu corpo. Lentamente ele aproximou os lábios, fazendo com que ela tirasse a prova.

- Ei... Que filho da mãe... Tá agarrando a minha irmã! – exclamou Ohan lutando contra os Vanvorins para não atacarem a irmã e o futuro cunhado.

Weslley olhou e riu a solto.

Fkake se afastou de Mailon tentando respirar e com os olhos fechados.

Ele por sua vez apertou a cintura dela e viu que não segurou tão firmemente quanto queria. Droga... Ele sabia que ela era a garota certa. Pois várias mulheres já fizeram sentir desejo ardente, várias mulheres já o fizeram sentir dor, mas nenhuma mulher o fazia tremer. E ela conseguia isso somente com um olhar.
Ela abriu os olhos devagar.

- sabe... – começou sem fôlego - Não tenho certeza ainda se você beija bem... Preciso fazer mais teste depois, sabe? Avaliar bem o produto antes de aceitar... Vai que sua mãe não aceita devolução?! –

- virei mercadoria... – ele murmurou com um choro fingido. Ela riu e puxou ele pela nuca, colando novamente seus lábios.

- Ei, tem gente morrendo em volta de vocês, sabiam?! – riu Polly se aproximando e com os olhos arregalados e vendo que apesar da barulheira a volta deles eles não estavam nem aí.

Mailon se afastou novamente.

- ufa... – ele disse dessa vez sendo ele que estava sem fôlego.

- como era mesmo Mailon?... – ela fez expressão de quem tentava se lembrar – ah, é! Eu te amo, te adoro e não vivo sem você! Agora, será que você pode me deixar lutar, querido? –

Ele riu.

- nem pensar! – e ele a agarrou mais uma vez.

Sesshoumaru e Rin entraram na roda em volta deles que tentavam protege-los dos Vanvorins. Era nessa hora que era ótimo ter amigos.

Quando eles se afastaram Fkake começou a rir e falar:

- sabe aquela história de devolução? Esquece... Eu vou te roubar para mim, te trancar em um armário e nunca mais ninguém vai ver você! –

Ele ficou calado por alguns instantes.

- Mmm... Sabe aquela historia de sossegar? – ele perguntou imitando-a, e com uma expressão séria – estou pensando seriamente em reconsiderar... –

Ela fingiu uma expressão magoada.

- mal fiquei noiva e já estou levando um pé na bunda? – ele começou a rir e a abraçou mais uma vez.

- espera... – começou Sesshoumaru – noiva? – e olhou surpreso para Mailon.

Esse fez um gesto de descaso com os ombros.

- tenho cento e trinta anos... Já passei faz tempo da hora de casar... – e ele riu – e você também, Sesshy... Você é bem mais velho que eu, viu? –

Sesshoumaru fez uma expressão tão terrível que o Vanvorin que iria atacá-lo mudou de idéia e atacou Rin. Enquanto isso Mailon começou a beijar Fkake novamente. (N/a: botando os 'amassos' em dia ^^)

- Gente... – falou Rin – nós estamos em uma luta não em um Shopping! –

- amigos que me odeiam... – resmungou Mailon a contra gosto.

– Droga, logo hoje eu esqueço a câmera no palácio... – e ele sorriu para a irmã – quero só ver quando você for contar pro papai que vai se casar! – e começou a rir – ele finalmente vai se livrar de você... –

- Olha, irmão malvado e ingrato, quando que você se casar eu vou arranjar um amante para sua mulher! – e Fkake deu língua para ele.

- Olha, irmã sem graça e repetitiva, quando você se casar se não tomar cuidado o PAPAI vira amante do seu marido! –

E os dois começaram a rir das próprias piadas.

Depois pararam e ficaram com espadas em punhos.

- vamos logo acabar com esse malditos, por que eu não como desde cinco da manhã! -

OooOooOooOooOooOooO

Como eu odeio esse dragão. Fica sobrevoando a gente pronto para nos atacar. Se eu pudesse arrancar as asas dele eu faria com o maior prazer.

- eu vou cuidar daquele dragão... – resmungou Crys – Kirara, vem comigo? Com um dragão a gente não brinca! –

- Claro! – e Kirara saiu voando com Crys. Eu olhei preocupada Crys se aproximar do dragão.

Toma cuidado! Pedi.

Digo o mesmo! Ela respondeu enquanto usava os golpes que Cliah ensinara a ela, muito tempo atrás, para atacar o dragão.

Abaixei os olhos e comecei a prestar atenção ao que acontecia a minha frente. Eu conseguia ver Naraku. Ele estava parado, olhando o chão. E mexendo os pés como que estivesse desenhando. Que maldito, enquanto a gente ficava morrendo (leia matando) para chegar até ele, o desgraçado ficava tão serenamente como estava.

Como eu queria quebrar o pescoço dele, mas o problema eram os Vanvorins. Eles faziam uma densa muralha em volta dele, se algum morria outro tomava o seu lugar. Quanto mais a gente matava mais Vanvorins apareciam. E nós já estávamos naquela a mais de meia hora. E, droga, só tínhamos uma hora até o escurecer... E... Bem... Havíamos nos esquecido completamente que seria naquela noite que nos transformaríamos em humanos. Sério, aquela fora a maior burrice de todas as nossas vidas.

O destino só poderia estar dizendo que era hora da nossa morte. Como poderíamos esquecer que todo dia primeiro do mês nós passávamos a noite na nossa forma humana? Que nossos poderes de elfa, Yokai, Cigana e Tritão se dissipavam com o pôr do sol? Estivemos tão excitados com o plano de batalha que esquecemos do dia em que aconteceria. E agora teríamos que enfrentar o resultado de nossa burrice. Segurei a espada mais fortemente.

Não tínhamos tempo para perder com aqueles Vanvorins idiotas...

- Ok, vocês tem que chegar ao Naraku, agora! – disse Yan balançando a juba – Crys e Kirara estão ocupadas com o dragão então eu e Giant ficamos com os Vanvorins... O tempo de vocês é curto! -

Sangô e eu sorrimos agradecidas para Yan e para Giant. Mas Inuyasha estava impassível, enquanto Miroku colocou a espada de volta a bainha.

Quando o caminho foi aberto e conseguimos superar a barreira Naraku ergueu o rosto e me encarou. Ergui o queixo. Admito, achei que quando ele me visse viva ele arregalaria os olhos e começaria a correr e gritar 'FANTASMA!!!', mas a reação que ele teve não foi essa. Enquanto ele me encarava vi os cantos dos lábios dele se erguerem. E quem arregalou os olhos fui eu... Ele estava sorrindo.

Espera... Aquele era um sorriso de quem sabia que eu ficaria viva. De quem sabia o que estava acontecendo. Ele sabia que perfurando meu coração eu absorveria a jóia? Mas como ele sabia que eu estava com a jóia? E por quê?

Então me lembrei que momentos antes de eu conversar com ele eu tinha puxado a jóia para fora da armadura. Ele a vira...

Mas... Ainda não entendia o porquê de ele fazer com que eu absorvesse a jóia. Ele era maluco? Ou eu errara em minha teoria?

Pelo jeito meus pensamentos se evidenciaram em minhas feições, pois ele falou:

- eu não quero ganhar essa guerra tão fácil... – que idiota, presunçoso, arrogante... - agora que vocês estão mais fortes... – começou, mas parou quando me viu juntar as mãos como em oração, e ergue-las até a altura do rosto.

Eu não deixava de encará-lo um minuto, impassível, mas por dentro a raiva me corroia. Ele acompanhava meus movimentos com os olhos.

Ainda o encarando como se estivesse sem sentimento algum dentro de mim eu abri o meio entre as minhas mãos, como se eu estivesse segurando uma bola imaginária. Ele levou um tempo para perceber que eu criara uma bolha de vácuo em volta dele.

Eu já havia usado essa técnica antes, mas eu queria ver até onde ele podia chegar.

Primeiro ele franziu o cenho levemente, depois sentiu a malha de ferro simplesmente desgrudar do seu corpo como se fosse de algodão.

Ele fora mais inteligente que os Vanvorins e não se desesperou, tentou não soltar o ar que acabara de inspirar.

- você é imortal? Vamos ver se é verdade! – falei séria – e fazer feitiços sem poder falar acho que dá um pouco de trabalho... –

Miroku e Sangô me olharam surpresos, Inuyasha somente ficou ao meu lado.

Naraku arregalou os olhos, a falta de ar estava começando a incomodar. Ele deu dois passos para trás (a gravidade ainda estava agindo) para tentar sair da bolha, eu somente movimentei minhas mãos para trás também. Ele foi para um lado, eu acompanhei, ele foi para o outro... Não havia saída.

Ele levou a mão à garganta. Quem diria que veríamos o grande mago Naraku, o vil mago poderoso, que sobrepujava todos aqueles que entrassem em seu caminho, daquele jeito.

Foi quando ele deixou as mãos caírem ao longo do corpo e fechou os olhos.

Será que desistira?

E eu vi os lábios dele se movimentando levemente. Franzi o cenho. O que ele falara fora urau. Um feitiço de conjuração de água. O que diabos eles queria com aquele feitiço?

Uma grande bolha de água se formou no espaço entre as mãos dele. Que ele ergueu até a altura do nariz. Eu vi então brânquias aparecerem ao lado do pescoço dele, e ele encostar os lábios a bolha d'água.

QUE FILHO DA MÃE!!

Ele usara o feitiço de quimera! Ele iniciara o processo de se transformar em um homem peixe e parara quando o sistema respiratório aparecera. Uma magia de quimera... Que ódio... Eu nem me lembrava o começo desse feitiço. Ele fizera só em pensamento.

Vi a expressão de alivio dele quando ele começou a sugar a água e instantes depois o liquido sair pela brânquias. Ele estava respirando.

Suspirei e fechei as mãos novamente. Fazendo com que o vácuo desaparecesse.

A bolha d'água caiu no chão e ele me olhou surpreso.

Com lentidão a brânquias começaram a sumir. Legal, ele também sabia reverter feitiços complexos. (n/a: ¬¬)

- por que retirou o vácuo? – ele perguntou sorrindo presunçosamente – você poderia me segurar por alguns minutos... –

Sorri exultante.

- por que eu não queria que você morresse antes de eu lhe mostrar isso... – e puxei uma flecha da aljava colocando de prontidão – jagysyvuųüe – a flecha brilhou intensamentee soltei a corda, com um sorriso triunfante vi a flecha ir certeira ao encontro de Naraku.

Ele não se moveu, esperou inexpressivo que a flecha chegasse até ele. Não posso dizer que fiquei surpresa: naquela etapa da batalha, nada me surpreendia nele.

Aquilo era realmente um jogo psicológico para ele. E ele continuava e me encarar, e me encarar...

E a flecha bateu em algo invisível e parou, a alguns metros de Naraku. Incrível, se aquilo era um campo de força eu não tinha visto.

- muito perspicaz de sua parte – disse Inuyasha, em um tom jocoso – Ainda gasta energia para se defender? É nessas horas que eu duvido que você seja imortal...

Sangô aproveitou a aparente distração do chucrute... Quer dizer, Naraku e lançou seu bumerangue.

A esperança de Sangô era que um ataque lateral fosse efetivo. No final, a única coisa que se ouviu foi um barulho seco e abafado, como um soco em um travesseiro.

Ela imaginara que pelo fato do bumerangue ser mais pesado seria mais fácil atravessar aquela barreira, mas estava enganada. Naraku continuava impassível, havia somente um brilho nos olhos que evidenciava prepotência. Ele ergueu a mão... Puxei o ar e o prendi. Esperando o que aconteceria. E lá vinha mais uma das estacas de gelo do Naraku, e ia na direção de Sangô.

Ergui a mão para fazer o vento mudar o curso da estaca, mas ela era afiada demais, e eu não conseguia. Arregalei os olhos e vi Miroku entrar na frente de Sangô. A estaca entrou em seu ombro.

Ele fechou os olhos com a dor. E os abriu com esforço. Retirou a estaca do ombro e com a mão esquerda ele tirou o colar de pérolas que estava em sua mão direita. Enquanto ele fazia isso vi o ferimento no ombro começar a cicatrizar.

- Heil! – falou Miroku e o buraco de vento se abriu, sugando as outras estacas de gelo que Naraku lançou depois – meu buraco-de-vento pode sugar campos de força... E mesmo que você seja imortal se você for sugado, já era! – falou Miroku se levantando. Ele estava com raiva, e Miroku com raiva era algo que dava medo.

Mas Naraku não parecia alterado, nem o campo de força dele, que apesar do buraco de vento estar em força total continuava a agir.

Mais dois minutos e Miroku notou que havia algo errado e fechou o buraco de vento.

- eu não consigo entender... – sussurrou Miroku.

- vamos ver se seu campo agüenta isso... – e Inuyasha colocou a tessaiga na altura dos ombros e lançou-a em um arco – KAZE NO KIZU! –

Outro ataque em vão! Pude reparar a expressão assustada de Inuyasha, ao perceber que a ferida-do-vento não havia causado um mínimo dano a Naraku e seu campo de força.

- Mas será que nem passou pela cabeça previsível de vocês que eu estaria preparado para seus golpes-padrão?! –

- golpes-padrão... Isso é expressão de quem estuda estratégias de combate – resmungou Miroku perto de Inuyasha, e perguntou já recuperado do ferimento no ombro – então, Naraku... Qual foi sua conclusão? –

- simples, companheiro... – Naraku inclinou o rosto para frente, fechou os olhos e deu um sorriso infantil – criei um campo de força exatamente para parar os poderes de vocês... –

- Mi... Miserável! – naquela hora, só consegui me lembrar de dizer isso. Naraku riu maleficamente, passando o dedo indicador horizontalmente em baixo do nariz. Ele voltou sua atenção para mim.

- E então, Kagome, você por acaso saberia me dizer o porquê de estar me atacando? –

Franzi o cenho. O que diabos ele queria com aquela conversa?

- você meteu pessoas inocentes em sua vingança estúpida, Naraku... – falei entre dentes.

- seja mais objetiva! – ele pediu.

Eu estava com vontade de meter um soco nele, e olha que era difícil eu sentir um desejo tão forte.

- Para impedi-lo, pelo menos atrasá-lo... – falei decidida e com cinismo.

- Me atrasar em quê?

- Em conquistar, Elpard! – falei com um franzir de sobrancelhas.

Ele suspirou.

- Sabia que não deveria ter perguntado.... Estou cada vez mais decepcionado com sua capacidade de raciocínio! – Naraku massageou a testa com os polegares – vamos recapitular: Vocês estão lutando comigo para me fazerem atrasar nos meus planos, e querem fazer isso me atacando até que eu... – e ele fez menção com a mão direita para que eu completasse a frase.

- Desistir de lutar!

Naraku gargalhou demoniacamente.

- então a estratégia de vocês é me vencer pelo cansaço? Francamente, nem para me chamar para uma partida de xadrez? Seria muito mais elegante! – ele terminou com ares de riso.

- Boa idéia! – disse Sangô. Parecia que ela tinha um plano em mente – As brancas começam! –

Ao me virar vi a expressão vitoriosa de Inuyasha. Sem entender voltei-me para Naraku e dei um pulo para trás de surpresa.

O corpo de Naraku havia se dividido em dois por causa do bumerangue flamejante de Sangô, que por incrível que pareça, passara o campo de força de Naraku.

Coloquei a mão na boca, aquilo era uma cena terrível, mas com mais surpresa ainda vi o corpo de Naraku começar a se regenerar.

- O erro principal de um jogador é não prestar atenção em suas peças... E você, queridinho, esqueceu-se completamente das suas... – Sangô falou quando segurou o bumerangue em sua mão. E o fogo do bumerangue começou a apagar rapidamente.

- Mas como? – Miroku falou surpreso – o campo de força... –

- Lembre-se, Miroku – advertiu Inuyasha – a Sangô tem o poder de controlar o fogo, ou seja, toda e qualquer forma de energia. Nosso trunfo, nesse caso, foi a desatenção do inimigo... –

- verdade... – falei com um suspiro – Eu controlo qualquer matéria que seja gás em temperatura ambiente, o Inuyasha qualquer sólido e você qualquer liquido! –

- Nós controlamos o mundo... – sorriu Miroku – E Sangô... você conseguiu quebrar o campo de força dele só por que ele estava conversando com a Kagome... –

- Além disso... – completou Sangô, dando uma de professora – o fogo do bumerangue cauterizou o corte no corpo dele... Isso irá impedi-lo de se curar tão rapidamente... – e vi que ela estava certa. Pois a regeneração estava alcançando somente o peito dele. Sendo que normalmente ele já estaria curado.

- Diga-me, Kagome, o que vocês farão quando anoitecer? – perguntou Naraku olhando para cima, esperando seu corpo regenerar.

Ele sabe. Pensei com desespero, ele sabia que seria naquela noite que nos tornaríamos humanos.

- Vamos, K-chan... – ele continuou baixando o olhar – parece que você não tem todo o tempo do mundo... –

- Hum... Não sei se temos tempo... – falei entrando na jogada dele.

- Espera, Inuyasha, o que a gente aprendeu com as aulas de geografia da sexta série? – Perguntou Sangô sorrindo.

- Ah, que eu me lembre, só a teoria de rotação terrestre! –

- Vocês não... – Naraku já estava recuperado, e aproveitou para se sentar.

- Sim, Sim! – falou Inuyasha – sorrindo – faz exatamente duas horas que Elpard está flutuando em direção do oeste, ou seja do sol! É Baka-nin, o tabuleiro se mexeu e você nem notou... – não tive forças para perguntar o porquê de ele não ter me avisado aquilo.

Quanto a Naraku, ele somente suspirou e disse:

- É... Mais duas horas de palhaçada –

- Não somos tão ingênuos quanto você pensa – repliquei.

- por que vocês ainda insistem nisso? Não vêem que sou indestrutível? – Naraku finge desanimo ao falar.

- Mas são quatro imortais contra um... – lembrou Miroku.

- E por acaso quatro vidas infinitas são mais infinitas que uma? Qual é a vantagem real de vocês? – ele havia feito uma pergunta que não tinha a resposta na ponta da língua. Quando Naraku descobrira que lutávamos por lutar (na verdade para defender aqueles que amávamos e aqueles confiavam em nós) acreditei que seria o fim, mas Sangô nos salvou mais uma vez:

- Sabe, Nara, um problema dividido entre quatro é bem menos que um quadruplicado! É por isso, Nara, que a gente 'acredita' que está na vantagem –

- você foi longe demais, garota! Vai pagar por zombar de meu nome!

Percebi uma mudança no semblante de Naraku, e não era boa. Achei que sangô não escaparia desta vez. Dei um passo a frente, com temor.

lebojykupure – parei horrorizada. Naraku acabara de conjurar um feitiço-tabu, conhecido também como 'as agulhas da morte', por dois motivos: 1) a vitima desse feitiço era perfurada por agulhas de estanho envenenadas que inchavam dentro do corpo e dissolviam os órgãos 2) quem fizesse o feitiço geralmente morria por não ter energia para fazê-lo, pois era preciso muito mais energia que um mago forte possuía. Mas, claro, aquele não era o caso de Naraku.

De algum modo, Inuyasha previu o golpe e protegeu Sangô com uma espécie de parede de chumbo. Onde as agulhas se fincaram.

- Como você sabia? - perguntei, impressionada.

- Eu não sabia, só imaginei que seria algo frontal – ele respondeu.

Parecia que Naraku nem tinha visto o que acontecera, ele somente perguntou:

- Então, menina-fósforo, já percebeu que os poderes de vocês são incompletos? – ele perguntou voltando a expressão serena.

- Não! – ela disse veemente.

- parece que vai ser um pouco mais difícil do que eu pensava... Olha, se o Yokai não tivesse te defendido, você estaria parecendo um queijo suíço nesse momento! – ele suspirou afetadamente – vocês são jovens demais para se meterem nesse tipo de batalha... E, criaturas patéticas, só têm um quarto da jóia cada! Já eu absorvi uma jóia inteira. Portanto, não há porque eu desistir! Acho que não tenho nada a perder! –

Um tremor de terra bem forte interrompeu nossa discussão, tomando amplitudes maiores, quando, de repente, parou. Inuyasha contorceu os olhos assustado e disse:

- Eu pensei que estaríamos mais longe – ele olhou para mim – acabou! –

- como assim? – perguntei confusa.

- eu estava locomovendo Elpard para o mais perto do oeste possível, achei que como Elpard era igual ao japão nós demoraríamos um pouco para nos chocarmos com a placa tectônica da China, quer dizer Vqyku, Mas acho que estava errado! –

- espera... Você estava movendo Elpard para oeste... Claro, assim demoraria mais para anoitecer! – falei surpresa.

- necessariamente só a parte central de Elpard, não estou movendo a ilha do norte nem as menores... – ele coçou a sobrancelha – a placa tectônica vai empurrar Elpard de volta para sue lugar daqui uns quinze dias... Mas, pelo jeito, não ganhamos mais que meia hora... –

- Espero que seja o suficiente – sussurrou Sangô.

- Parece, garotos.... – falou Naraku – que agora é a vez das peças negras... –

OooOooOooOooOooOooO

Crys acertou a perna esquerda do dragão com um coice e Kirara mordeu a parte de cima do pescoço dele.

Mas as escamas e o tamanho dele o deixava muito forte. Ele estava desesperado, era verdade, mas elas também. Crys olhou impaciente para aquela parte no peito dele feita de pele fina. Era onde ficava o coração dele. Se ela conseguisse perfura-lo, venceria. Mas ele protegia seu peito com garras, e braços musculosos.

Kirara começou a enfiar as garras na pele embaixo dos membros e ele guinou para trás fazendo com que ela saísse de cima dele. O dragão usou a grande cauda e com uma 'varrida' ele jogou Crys longe, que ficou desorientada.

Ela voltou com força total e bateu na lateral dele, distraindo-o e Kirara tentou alcançar o coração dele com as garras, mas ele mordeu o dorso dela e a jogou longe. Depois tornou a enxotar Crys.

Crystal respirou fundo, era terrível lutar com um oponente duas vezes maior que você. Quando se preparou para voltar a atacá-lo ela notou o exato momento em que a luta entre Naraku e os guardiões começara. Ela tremeu de preocupação e nervosismo, podia ver o sol já começando descer no horizonte. Eles não tinham muito tempo.

Viu Naraku atacar eles com feitiços complexos e mortais e eles tentarem se defender como podiam.

Ficou tentada a descer e ajuda-los, mas sabia que aquela era uma batalha só deles.

OooOooOooOooOooOooO

Levantei-me como pude, cambaleando levemente. Estava tonta e meu braço esquerdo começou a sangrar.

Miroku ajudou Sangô e Inuyasha se levantou logo após. Ele nos pegara desprevenido. E tínhamos que admitir: ele era bom.

Miroku soltou o ar com raiva e moveu as mãos, fazendo com que uma grande quantidade de água irrompesse da areia e seguisse furiosa na direção de Naraku, ele esquecera que nenhum campo de força conseguia impedir as forças da natureza.

Naraku somente ergueu as mãos despreocupado.

- romeg [gelar] – falou ele e a água congelou.

- maldito – rosnou Inuyasha.

- que eu saiba gelo ainda é água... – disse Miroku sem desviar os olhos da grande massa de gelo – o que conta é o estado em condições normais – e começou a mover o gelo, só que com muito esforço e com muita lentidão.

Naraku desviou do gelo facilmente e riu.

- eu estudei todos os poderes de você – falou Naraku – não adianta, estou preparado para tudo! –

- está? – falou Sangô e criou uma bola de fogo nas mãos, que crescia cada vez mais. Lançou sobre Naraku certa que ele não conseguiria se sair daquela.

Mas ele somente colocou a mão em um saquinho de couro que estava pendurado em seu cinturão e quando tirou-o levou a mão a boca. Quando a bola de fogo se aproximou ele assoprou dentro a mão e um pó negro se espalhou a sua frente. A bola de fogo se dissipou tão rapidamente que ficamos sem entender o que acontecera. Naraku sorriu e abriu a mão mostrando o pó.

- pó de fuligem – ele explicou – os monges fazem esse pó mágico para impedir incêndios, ele tira todo o oxigênio do ar em que está! –

Sangô ficou desnorteada.

- não pode ser – murmurou ela.

- eu disse que estava preparado para vocês... – ele deu de ombros.

Quinze minutos depois

Yan enfiou as garras afiadas no peito de um Vanvorin, e Giant derrubou um próximo de si e o esmagou com seu peso.

Apesar dos Vanvorins se manterem afastados de Naraku e dos outros algumas vezes eles tentavam atacar os guardiões e ele e Giant tentavam evitar isso.

Mas o que conseguiram fora que os Vanvorins criassem ódio contra eles, e assim esqueciam-se da luta do líder e se preocupavam em tentar matar eles.

Pelo menos estão longe deles...

Pensou Yan desviando de uma espada e rugindo ferozmente, pulando em cima de um Vanvorin.

Mailon sorriu para Klaus, um cavalo-alado de pêlo marrom escuro.

Fkake olhava para Klaus surpresa.

- você é aquele cavalo alado em quem eu encostei naquele dia do ritual de escolha... – ela falou sorrindo em reconhecimento.

Ele acenou afirmativamente.

- estava procurando você – ele disse sucinto.

- eu? – ela fez uma careta de surpresa.

- Bom... Lembra-se daquele teste que o Biondha fez? – perguntou Mailon – aquele em que você acabou presa no meu quarto... –

- ah, lembro! – ela sorriu maliciosamente.

- aquele teste era para saber se você era apta a ser uma arqueira de elite, pois Klaus e você se reconheceram quando se tocaram... – ela arregalou os olhos – ele me disse que você passou! –

- quê? – ela exclamou surpresa.

- se você quiser ser uma arqueira de elite, querida, terei o maior prazer em lhe treinar! – e ele sorriu encantadoramente.

Ela não sabia o que falar.

- bom... Pode ser que... – mas parou quando ouviram uma grande explosão. Mailon olhou para trás.

- explosão com magia! – Mailon arregalou os olhos – e das fortes... –

- Muito forte! – comentou Cliah.

- Kagome... – murmurou Mailon – Cliah, você tem que me levar até lá... –

- isso é muito perigoso! – adivertiu Cliah – mas também estou preocupado com Crystal... –

- ela é minha irmã, Cliah... – falou Mailon com uma expressão preocupada – você pode me levar até lá? –

- a explosão foi longe, mesmo voando demoraríamos uma meia hora... – Cliah replicou.

- mesmo assim... –

- então, vamos logo! – e Mailon sorriu para Cliah. Subiu nele e virou-se para Fkake.

- eu acharia melhor se você ficasse aqui... – ele pediu e Cliah alçou vôo – te amo! –

Fkake olhou Cliah começar a ir cada vez mais alto.

- eu não quero ficar aqui... – ela murmurou.

- então eu te levo até lá! – falou Klaus.

Fkake se virou com os olhos brilhantes.

- no duro? – ela perguntou quase pulando.

- sobe! – ele falou rindo.

Ela deu um passo atrás.

- espera... Eu não gosto de voar! – ela falou temerosa.

- confia em mim! – ele pediu. E apesar de mal o conhecer ela sentia que podia confiar nele.

- está bem! – falou hesitante. E subiu no dorso de Klaus.

OooOooOooOooOooOooO

Inuyasha levantou a barreira no momento exato. Mas aquela barreira era diferente, era como se fizesse uma toca por cima de nós. Fechando-nos completamente.

- Uau! – falou Miroku batendo os nós dos dedos na barreira de chumbo puro – isso sim é uma barreira... Nem se compara com aquelas camadas de terra que você fazia antes! –

- chumbo puro, meu amigo! – sorriu Inuyasha – depois que treinamos como separar substancias fica bem mais fácil... –

E ficamos calados por alguns instantes.

- o que fazemos agora? – perguntou Sangô.

- Naraku deve estar lá fora tentando quebrar essa barreira! – murmurei.

- não seria melhor desce-la e enfrentarmos ele? – perguntou Miroku – nós vamos ter que fazer isso uma hora ou outra! –

- mas podemos pega-lo desprevenido! – sorriu Inuyasha estralando os dedos.

Um buraco se formou no meio entre nós. E uma escada apareceu.

- vou fazer um túnel por cinqüenta metros – ele sorriu mais uma vez – quando aparecermos do outro lado ele vai estar esperando que eu desça a barreira aqui... –

- vamos, então... – falou Miroku começando descer as escadas. Sangô conduziu-nos pelo túnel que Inuyasha acabara de fazer com uma labareda em cima da mão.

- temos que bolar um plano... – ela falou depois de determinado momento.

- que plano? Essa luta está me parecendo tão sem sentido... Nenhum de nós pode morrer! – falou Miroku.

- Mas não podemos o deixar matar nossos amigos... – reclamou Sangô.

- se eu pudesse entrar dentro do campo de força dele... Eu poderia sugá-lo com o buraco de vento -

- Mas, droga, ele sempre sabe como vamos atacar e sempre consegue se defender... – suspirei – ele sabe de que elementos nós somos guardiões... –

- Kagome, você me deu uma idéia! – sorriu Inuyasha – e se trocarmos os elementos? –

- quê? – perguntou Miroku.

- se lembra que estávamos treinando novas maneiras de usar os elementos... – comentou Inuyasha – e se...

OooOooOooOooOooOooO

Quando subimos pelo buraco que Inuyasha fez vimos Naraku parado, olhando a barreira de metal. Ele se virou para nós como que pressentindo nossa presença.

- vocês demoraram bastante a aparecer... – falou ele em um tom cínico.

- estávamos bolando planos para derrotá-lo! – respondeu Inuyasha. Usando a teoria de que a verdade às vezes desconcerta.

- Não adianta... Vocês já deviam ter notado isso na ultima meia hora – e ele levantou o dedo indicador – isso me lembrou algo... Tic Tac, Tic Tac! –

Rangi os dentes.

- acho que você subestimou a gente demais, Naraku! – falei erguendo o queixo.

- tem certeza? – ele perguntou rindo.

- Absoluta! – ergui os braços e estralei os dedos

Juro, foi a maior satisfação da minha vida ver a cara de susto de Naraku quando ele viu aquele rastro laranja seguir direto a ele. Quando baixei a mão o vi ajoelhado no chão com o rosto todo queimado.

Ele urrou de dor.

- sua... Desgraçada... – a pele havia derretido – como? Você é a guardiã do ar... Não a do fogo... – e ele gritou mais uma vez quando a pele começou a cicatrizar.

- será? – Inuyasha riu e abriu as palmas das mãos apontando para o chão. De onde saíram três estacas transparentes a qual ele lançou com toda força contra Naraku.

- estacas de gelo? O que? – ele estava realmente atordoado. E não conseguiu desviar da ultima estaca que perfurou diretamente seu coração. Ele arrancou a estaca e nos encarou.

Mas Sangô ergueu as mãos e um tremor começou bem embaixo dos pés de Naraku que se desequilibrou e caiu no chão.

- que diabos está acontecendo? – ele gritou tentando se levantar – você não é a guardiã da terra! –

Miroku se adiantou alguns passos e o tremor cessou, Miroku jogou a água do cantil em Naraku, que ficou sem entender.

E de repente a água secou e Naraku começou a levitar. Por mais de cinco metros.

Depois caiu no chão com um estrondo.

Ele fechou os olhos com a dor, e Miroku aproveitou para entrar dentro do campo de força de Naraku, que estava enfraquecido.

Colocou a mão direita espalmada contra o rosto de Naraku.

Suspirei feliz, havia acabado.

Naraku abriu os olhos e encarou Miroku.

Naraku estava suando frio, não conseguia entender o que acontecera.

- um estava controlando o elemento para o outro? – Naraku perguntou tentando respirar. Miroku acenou negativamente.

- aquilo que eu fiz não foi fogo, Naraku! – falei sorrindo enquanto me aproximava – era uma reação entre os gases Hélio e Hidrogênio que causa uma formação térmica que queima, a mesma teoria do que acontece com o sol! -

Ele me olhou e estreitou os olhos.

- e... Aquelas não eram estacas de gelo – falou Inuyasha apontando – eram de vidro, sílica pura! – Inuyasha riu, não podia acreditar que o plano funcionara.

- ah, e o tremor, na verdade eu usei o magma que está abaixo de nós para fazer pressão e consequentemente a terra tremeu! – explicou Sangô.

Naraku encarou Miroku.

- ah, você quer saber o que eu fiz? – Miroku sorriu – quando se quebra a molécula da água o que eu obtenho é tão leve que é capaz de flutuar qualquer coisa... Eu só controlei o que resultou da quebra das moléculas! - e Miroku tirou o colar de pérolas das mãos – e agora, esse é o seu fim... –

Mas Naraku sorriu presunçosamente.

- admito que vocês se saíram bem melhores do que eu imaginava que conseguiriam... – ele fez expressão de pesar e olhou em volta – mas... Sabe, você está dentro do meu campo de força, se por acaso você me sugar para o buraco de vento, o campo também será sugado e consequentemente você também por estar dentro dele... –

Miroku arregalou os olhos.

Engoliu em seco e continuou firme.

- não me importo de morrer pelos outros! – ele disse.

- pode até ser que sim... Mas sabe o que acontece se você for sugado pelo seu próprio buraco de vento? Você cria um buraco negro. E sabe... Com um buraco negro, tudo o que você está tentando proteger vai se acabar em questão de segundos! –

Quê?

- você está mentindo! – rosnou Miroku.

Naraku somente acenou negativamente.

- Agora... – e Naraku tirou um pedaço de madeira roliça de dentro do quimono – nunca pensei que usaria isso em batalha, mas vocês me forçaram a usar... Garotos, eu tenho que elogiar, vocês são bons.. –

Miroku estava petrificado, ainda tentava acreditar no que Naraku falara sobre o buraco negro.

Quer dizer que nós não poderíamos fazer nada para vencê-lo?

- está na hora de vocês aprenderem que eu não vim até Elpard somente por presunção... Eu sou muito mais poderoso que vocês... -

E do pedaço de madeira que ele segurava saiu uma fita de luz branca, azul e rósea.

- esse chicote é uma magia que eu aprendi com os dragões... – e ele sorriu – vocês perderam... –

OooOooOooOooOooOooO

Cai a uns quinze metros de Naraku, e ao meu lado também caíram os outros guardiões.

Tentei me mexer, mas não consegui. Em minha barriga havia um ferimento enorme, de onde saia tanto sangue que me perguntei como eu ainda me mantinha viva.

Meu corpo começou a cicatrizar.

Mas doía tanto.

- com dois ferimentos desse chicote – explicou Naraku – a vitima fica paralisada por quinze minutos! – ele ergueu a mão – então, esse é o segundo ferimento de vocês! – e quando ele ia descendo a mão e o chicote vinha em minha direção, fechei os olhos.

Eu não deixaria que ele nos ferisse mais uma vez.

Levantei-me com esforço, e não sei o que tinha na minha expressão, mas Naraku arregalou os olhos levemente.

- nós vamos vencer, Naraku, não importa o que aconteça... – falei, me embolando levemente nas palavras. E segurei o chicote na mão esquerda.

Naraku piscou por alguns minutos.

- vocês realmente querem vencer... Mas não têm poder suficiente para me derrotar... –

- você acha isso... – falei – não deveria zombar de nós, nós controlamos o mundo... –

- Depois eu que sou o prepotente!

Miroku, Inuyasha e Sangô se levantaram atrás de mim.

- não... O mundo é mais forte que você! – e começamos a mexer as mãos ao mesmo tempo e do mesmo modo. Quando erguemos as mãos para cima um grande redemoinho de terra, água, ar e fogo apareceu.

O redemoinho se tornou uma coluna que quase chegava ao céu.

- Xeque... – falou Miroku. E a coluna desceu furiosa na direção de Naraku.

OooOooOooOooOooOooO

Mailon estava longe ainda, mas foi impossível não ver aquela grande coluna de elementos que ia do chão até as nuvens.

Ele arregalou os olhos:

- Puxa, eles não estão brincando! – e Cliah riu do comentário de Mailon.

- Sabe, Mailon, a Kagome me lembra você... - comentou Cliah.

- Por isso que eu sempre disse que ela é linda... – brincou Mailon.

- Estou falando sério... Se vocês tivessem crescido juntos não sairiam em mais sincronia... – Mailon sorriu.

- Eu a adoro, eu já acho ela parecida com a Laymê... – e Mailon sorriu – só tenho irmã gata... –

- e está noivo de uma... –

- também, também... –

OooOooOooOooOooOooO

Quando fechamos as mãos a coluna sumiu.

Esperei nervosa para ver o que acontecera com Naraku. Ele estava agachado com a cabeça entre as pernas.

Demorou um pouco para ele começar a se levantar, e estava zonzo.

Quando ele ficou em pé vi uma certa expressão compenetrada em seu rosto.

- Naraku, - começou Miroku sorrindo – sabia que o corpo humano é feito quase que setenta por cento de água? – Naraku ergueu o rosto.

Ele estava cansado.

- sim, vai tentar controlar meu corpo? – perguntou Naraku. Mas sem nenhuma réstia de riso ou cinismo, ele notou que nós éramos um perigo real.

- isso não teria graça e eu não conseguiria manter você assim por muito tempo – sorriu Miroku – mas eu posso quebrar as moléculas de água do seu corpo... –

- você não se atreveria... – rosnou Naraku.

- eu já fiz! – e apontou para o braço de Naraku, que tomara uma forma inchada e fofa – você só tem hidrogênio e Oxigênio no braço... –

Naraku olhou horrorizado.

- E se eu misturasse o Hidrogênio do braço dele com Hélio? – perguntei para Miroku.

- Hum... Ia ser uma explosão daquelas hem? - riu Miroku e eu comecei a fazer gestos com a mão. No final bati uma mão com a outra e o braço de Naraku explodiu, carne sendo lançada por todos os lados.

Naraku deu um grito abafado pelo barulho da explosão.

Quando voltei a olhá-lo vi que o braço estava só em um toco queimado. Que começou a se regenerar bem lentamente. E que ele tinha a mandíbula pressionada de dor.

Naraku estava completamente suado, pois apesar de sermos imortais ainda não éramos imunes a dor.

- Maldita... – ele gritou – Argh! – e urrou mais uma vez quando o braço começou a se regenerar.

Inuyasha e Sangô se aproximaram de mim e de Miroku.

Esperamos pacientemente que ele se acalmasse. O que demorou um pouco.

Quando ele se endireitou, com a fronte toda suada, falou:

- Eu acho que errei quando achei que não deveria lutar a sério com vocês... Já está na hora de acabar com isso... – e ergueu as mãos e colocou-as espalmadas na cabeça – Jugumyfug – uma onda brilhante se distendeu de Naraku em um raio de uns cinco metros. E quando nos alcançou sentimos nossos membros formigarem e caímos no chão paralisados. Mas ao contrário de um feitiço de paralisar normal (se é que paralisar a distancia é normal) nós conseguíamos respirar.

Droga... Não podíamos lutar paralisados.

Naraku se aproximou de nós com passos lentos.

Quando entrou em meu campo de visão o vi sorrindo.

- agora o Xeque é meu... – falou ele erguendo as palmas das mãos em nossa direção. Fechou os olhos com solenidade, como que pensando em como nos aniquilaria de vez. Mas uma bola de magia verde bateu no ombro de Naraku. Esse se virou surpreso e viu Mailon que pousara perto de nós com Cliah.

- Mailon... – sussurrou Naraku.

- Limão podre... – falou Mailon no mesmo tom – você nunca aprende, não é? – Mailon suspirou – Se você tocar na minha irmã novamente eu acabo com a sua raça... –

- você não pode me atacar... Ou vai quebrar o acordo dos deuses? – Naraku sorriu.

- Esse maldito acordo é o que tem me feito não ir atrás de você e acabar com a sua raça... Mas se machucar a Kagome, eu não me importo de receber punição... –

Naraku estreitou os olhos.

- Você já deveria ter morrido há muito tempo... – sussurrou Naraku.

Mailon riu.

- ainda com raiva por Luiomew ter escolhido a mim? –

- Não... – falou Naraku – mas acho que deveria se preocupar mais consigo mesmo do que com sua irmã... –

Eu não conseguia entender nada do que eles falavam, apesar de tentar... acordo? Deuses? Que diabos era aquilo?

- vai me matar? O acordo não deixa você fazer isso... – disse Mailon com um gesto abrangente – de qualquer jeito, mesmo com todo esse poder você nunca me venceria... –

- talvez seja verdade – falou Naraku – Nas não sou eu que irei matá-lo... –

- quê? – e Mailon ergueu uma sobrancelha e franziu as sobrancelhas quando viu uma sombra negra acima de si. Tirou a espada da bainha com a mão esquerda. Mas já era tarde demais...

Juro que tive a impressão que meu coração parou por alguns instantes. Pois eu vira tudo que acontecera, ao contrário de Mailon, que piscou antes de olhar para seu abdômen. Onde havia um grande ferimento.

O Dragão de Naraku havia se desvencilhado de Crys e Kirara e fora na direção de Mailon como uma flecha, e cravara duas garras nas costas de Mailon, garras que transpassaram o corpo dele e saíram na barriga.

Mailon piscou novamente como se não estivesse conseguindo ver direito, e mexeu sua cabeça como uma pessoa sonolenta. O dragão bateu as asas para se afastar, mas Mailon segurou a garra com a mão direita. O Dragão bateu mais fortemente, mas Mailon conseguiu segurar, não sei como. Só vi quando Mailon perfurou a pele fina no peito do dragão com a espada e a cravou em seu coração, o dragão urrou de dor e caiu no chão morto, tirando as garras de dentro do corpo de Mailon.

Esse caiu de joelhos e passou a mão na testa como se não conseguisse mais se manter. Meu medo não era o ferimento, era o veneno que havia na garra de um dragão...

Mailon levantou os olhos e me encarou. Eu acho que nunca esquecerei aquela expressão, como se ele estivesse me pedindo desculpas. E piscou mais uma vez, a ultima vez. Os olhos perderam o brilho e ele caiu para o lado com um baque surdo. Com os olhos prateados virados para mim, foscos, sem vida.

Não...

Não sei se você já sentiu isso antes... Quando parece que o tempo pára, o mundo explode e tudo deixa de existir. A única coisa que você entende é aquele aviso estridente 'ALGO ESTÁ ERRADO'.

Naquele momento senti como se uma parte de mim tivesse morrido com ele. Senti-me vazia, sem objetivos... Sem vida. Eu ainda tentava entender o que acontecera.

Foi quando o desespero veio como uma onda que varre a praia, e deixa em seu lugar a tristeza. Não uma tristeza qualquer, mas a tristeza em sua verdadeira forma. Avassaladora... Desesperada...

Um bolo se formou em minha garganta, um bolo quase impossível de ser engolindo. Meus olhos se encheram de lágrimas. Primeiro em poucas quantidades, depois embaçando minha visão e extravasando em soluços. Mailon, se levanta... Por favor, se levanta... Eu lhe rogo! Pensava em desespero enquanto chorava com força. Por favor...

Mas ele não se levantava. Continuava inerte, a me olhar.

Céus, como eu queria ter morrido no lugar dele. Mas não, eu estava ali, paralisada, encarando o rosto sério de Mailon. Eu me sentia fraca, com vontade de desistir. Eu fracassara no meu dever de proteger aqueles que eu amava. Eu havia deixado tudo o que me importava correr perigo. Fechei os olhos, mas a expressão de Mailon ainda estava vivida em minha mente.

As lágrimas encharcaram meu rosto, deixando fitas pela minha face. Eu nem havia notado que o feitiço de paralisação estava acabando, pois minhas mãos apertaram a areia com MUITA força, machucando a palma.

E me doeu ver que Fkake vira tudo. Ela estava em um cavalo-alado marrom e pulou de cima dele mal ele tinha pousado. O medo dela estava aparente em sua expressão. Ela correu e caiu de joelhos ao lado do corpo dele, os olhos arregalados, a boca entreaberta. Ela colocou a mão em cima do peito dele, tentando ouvir se o coração ainda estava batendo. E pela expressão horrorizada dela vi que minha ultima esperança se dissipava...

- Mailon... – chamou Fkake com uma voz falha de quem tinha um nó na garganta – Mailon... Você não pode me deixar, por favor, não morre... – e ela agarrou o corpo dele em um ataque de choro – Mailon, eu te amo, por favor, não me deixa... – e comecei a chorar mais quando vi ela apertar o rosto contra o dele, em convulsões de choro. Vi que meu pescoço estava se mexendo e olhei para os outros. Sangô virara o rosto para o outro lado e tremia de tanto chorar. Miroku olhava para o céu, como que pensativo, e uma fita de lágrimas escorreu pela lateral de seu rosto. Inuyasha já olhava vidrado para Mailon.

- Eu não acredito que ele morreu – sussurrou Inuyasha – não ele... -

- acabou... – falou Miroku vendo que o sol estava se pondo – acabou... –

Fechei os olhos e senti minhas forças diminuindo consideravelmente. Eu estava me tornando humana. Estaca acabado! Havíamos perdido...

- era nosso dever protegê-los... – falei com uma voz enrolada.

Inuyasha suspirou.

- fomos fracos... – falou ele se acusando, e tentando se sentar, com muito esforço ele conseguiu e colocou a cabeça entre os joelhos – nosso castigo vai ser ver nossos amigos morrerem... – falou ele sem se mexer – Droga!

Sangô ainda chorava e eu olhei mais uma vez para Mailon, que estava sendo abraçado por Fkake, que me olhou. Respirei fundo esperando um olhar de acusação dela. Mas o que vi foi o reconhecimento de que eu também estava sofrendo.

- eu preferia morrer a vê-los morrer – falou Sangô mal conseguindo falar.

Eu preferia morrer a vê-los morrer... Eu preferia morrer a vê-los morrer...

- Ainda não acabou – falei me levantando com dificuldade – não vou deixar ele tomar Elpard! – falei quando consegui me pôr de pé. Senti meu coração bater vigorosamente. Eu procurava coragem para aquilo que eu faria. Eu precisava de coragem... Que meu corpo se danasse, eu precisava salvar Elpard.

Fechei o elo mental entre mim e Crys, eu não queria que ela tentasse me impedir.

Respirei fundo e dei o primeiro passo em direção a Naraku, que olhava para Sesshoumaru, Rin, Fkake, Weslley e Ohan que estavam em volta do corpo de Mailon. Vi Biondha se aproximar do grupo e com um franzir de cenho gritou: - Cliah, temos que levar ele para os elfos agora... – mas eu não prestava muita atenção ao que ele dizia. Minha respiração estava rápida.

Asuka, você sabe como fazer o feitiço para quebrar o elo entre o corpo e a alma não sabe?

'Não vou deixar, Kagome!'

Asuka, por favor, eu tenho que fazer isso!

'Você vai morrer!'

Eu tenho que fazer...

Ela demorou alguns minutos para responder .

'Você sabe o que está fazendo? É isso que quer?'

Sim!

'então... o feitiço é simples, você só precisa delimitar o local de ação com objetos de mesma origem, o resto pode deixar que eu faço...'

Obrigada... Mesma origem?

Mas não pude continuar, uma mão tocou meu ombro.

- Kagome, você não vai se matar – olhei para Inuyasha – você não pode me deixar... –

- Inuyasha... Eu tenho que fazer isso... – e comecei a embargar a voz – não vou deixar a morte de Mailon ser em vão... - eu não poderia deixar que mais pessoas com quem eu me importasse morresse. Apesar que eu deixara um daqueles que eu mais amava morrer.

Ele segurou meu rosto.

- Eu prometi para você que se fosse para morrermos, morreríamos juntos.... – e ele me beijou levemente – eu vou com você! –

Afastei-me o um pouco.

- Não... Por favor... – pedi fechando os olhos e balançando a cabeça de descontentamento.

Ele acenou negativamente.

- viver sem você do meu lado não me adiantará de nada... – e ele passou os nós dos dedos em meu rosto – estaremos juntos, por que eu te amo! –

- nós também vamos... – falou Sangô de pé e com Miroku ao seu lado.

- Não! – falei veemente, lembrando do bebê de Sangô.

- Kagome, - Sangô estava triste – Você sabe que você sozinha não conseguirá mata-lo... Ele absorveu toda uma jóia... Para que ele morra, é necessária a morte de nós quatro... –

- Sangô, por favor! – pedi.

- não podemos deixar vocês fazerem isso sozinhos – falou Miroku.

Sangô abraçou Miroku. Encostando a testa no peito dele.

- Miroku... – ela começou a chorar baixinho – não sei se vou conseguir me perdoar pelo o que vou fazer... Nosso filho! –

- nós prometemos proteger Elpard, Sangô... – ele disse, mas estava tão ou mais piro que ela – Teremos que fazer sacrifícios para concretizar nossa promessa –

Aquilo me doeu tanto. Era muito mais difícil para eles desistir da vida do que para nós, eles não estavam só desistindo de viver, mas também do filho deles.

Não deu tempo de eu pedir mais uma vez para eles desistirem da idéia, que eu faria aquilo, pois Naraku lançou o chicote mágico dele contra nós mais uma vez. Desviamos por pouco.

Viramos-nos ofegantes.

- desculpem por atrapalhar a reunião de vocês... – Naraku falou – mas eu gostaria que acabássemos logo com isso... –

- vai nos matar? – perguntei. Eu estava com tanta raiva dele por Mailon que eu fazia muito esforço para me controlar.

Ele sorriu fracamente.

- se me derem a chance! – e usou o chicote mais uma vez. Eu não sabia se conseguiríamos desviar daquela vez, e foi com alivio que ouvi um rugido atrás de nós. Yan investiu contra Naraku com toda a força e os dois saíram bolando pela areia, levantando uma grande nuvem de areia alaranjada (por causa do sol que acabara de se pôr).

Obrigada, Yan...

E apertei o cabo da espada que eu tinha em mãos fortemente. Espera... A espada...

Mas quando eu ia falar para os outros vi que quando a areia baixou apareceram dois Narakus. Arregalei os olhos. E os Vanvorins a nossa volta não pareceram menos surpresos. E levantaram os arcos prontos para atacarem Yan... Mas quem era Yan?

Sem dúvida, isso atrasaria um pouco mais os planos de Naraku: Yan tem como habilidade a transmutação, permitindo que ele adquira a aparência de alguém que conheça. No caso, a de Naraku.
Havia um meio simples de saber quem era o impostor: a cor dos olhos. Como em todo transmutante, sempre há alguma coisa que não se altera de forma alguma. Por isso eu percebi que o "Naraku" de olhos castanhos, na verdade, era Yan. Mas isso, para os vanvorins, era praticamente imperceptível, devido à distância que estavam dos dois.
- Vamos, mostrem sua lealdade a mim e obedeçam a minha ordem: atirem nele! Ele é o impostor! – disse Naraku, com uma feição ameaçadora.
- Vocês perderão seu tempo! Se atirarem em mim, ele terá tempo de fugir! Ele é o mentiroso – replicou Yan, imitando até o sotaque de Naraku. Ele é realmente bom em imitações. Tanto que os vanvorins não sabiam em quem mirar.

Era difícil imaginar o desfecho daquela cena, até que Yan ordenou, fingindo ser Naraku: - Atirem em ambos! Eu tenho o poder de me recuperar, não se preocupem comigo! - Não fazia idéia de quais eram os planos de Yan, mas sabia que ele nunca falaria algo sem pensar. E não, ele não queria se matar. De qualquer forma, parecia que estava funcionando. Era estranho... O verdadeiro Naraku nunca havia demonstrado descontrole emocional. Aquela era realmente a nossa deixa.- Não, aquele não é o senhor Naraku! – disse um dos vanvorins, com uma voz fina e de quem mal sabia falar.

- É, é ele! Não o ouviu dizendo que poderíamos atacá-lo também? Ele é imortal, lembra? – retrucou outro. - Não vê que isso é um teste? Se o atacarmos, ele nos mata!

- Então o impostor é aquele da direita!
- Isso! Aquele com cara de aflito! O verdadeiro senhor Naraku tem sangue frio, e nunca alteraria seu semblante!
Neste instante, todos miraram e atiraram no possível farsante... O Naraku de olhos vermelhos.

OooOooOooOooOooOooO

Cravei a minha espada no chão. Como Naraku fora atacado pelos Vanvorins, e tivera um surto de raiva. Tivemos a chance de nos movermos sem ele nos perceber. E naquele momento ele lançava feitiços nos Vanvorins que o atacaram, matando-os raivoso.

Vi que os outros já haviam cravado suas espadas em cada ponta do quadrado imaginário que havíamos traçado. Os objetos de mesma origem que usamos haviam sido as espadas, que haviam sido feitas pelos Yokais. Olhei para Inuyasha. Um ultimo olhar antes de meu fim. Que estranho... Eu achava que eu me sentiria ressentida. Mas não... E me sentia mais vazia do que triste.

Inuyasha sorriu para mim. E eu sorri para ele. Eu o amava... Como o amava... Mas nem todas as histórias de amor tinham final feliz.

Asuka, é sua vez...

'Certo... Ah, Kagome... Encontramos-nos no mundo dos mortos...'

Quando chegarmos lá vamos fazer um churrasco, certo?

'certo'

Senti meus lábios se entreabrirem e um som sair deles:

- Dguve! – troca?

A energia que restava em meu corpo começou a ser drenada para a espada. Aquilo era horrível. Sentia-me mal...

Um tracejo brilhante foi sendo feito ligando uma espada a outra.

Foi quando Naraku, que estava no meio do circulo, notou que havia algo errado. Ele olhou para Yan que estava longe do quadrado e depois para nós, e viu a linha brilhante. Ele arregalou os olhos e caiu de joelhos. A expressão dele muito parecida com a que Mailon fizera antes de morrer.

Talvez eu mesma estivesse com aquela expressão.

Olhei para Inuyasha, depois para Sangô, e depois para Miroku. Eu os amava, e fazia isso por eles também. Não tive coragem de olhar além daqueles rostos, pois eu sabia que todos os meus amigos estavam vendo aquela cena.

Respirei fundo.

E encarei Naraku. Que me olhava enquanto apertava o peito com uma mão e se apoiava no chão com a outra.

Sorri vagarosamente.

- Xeque-mata, Chucrute! – falei. Ele arregalou os olhos mais ainda. E depois ele acenou afirmativamente. Lentamente vi quando ele fechou os olhos e caiu no chão de bruços. Respirando uma ultima vez. Enquanto isso minha energia continuava a ser drenada.

Engraçado... No fim a gente começa a pensar no começo. Minha mente foi povoada de lembranças de minhas brigas com Inuyasha, e também de momentos que aconteceram naquele um ano e meio em Elpard. Sorri... Apesar de eu estar morrendo tão jovem, eu havia tido uma VIDA. E podia me orgulhar dela. Solucei rapidamente.

Sim, eu podia me orgulhar dela.

E senti minha mão soltando a espada, por eu não ter mais forças. E meu coração parou de bater.

Pisquei tão lentamente que tive a impressão que não os abriria novamente. Depois comecei a cair para trás. Era o fim!

Antes que a morte me levasse completamente, abri o elo entre mim e Crys.

E vi quando ela desceu pelo céu, desesperada.

Mas eu não havia aberto o elo para que ela me salvasse, só queria lhe dizer uma coisa antes de morrer:

Crys... Viva por mim e por você!

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Que estranho... Depois e um ano e meio... aqui está o final de Os Guardiões dos Elementos.

Admito, passei o dia hoje meio estranha, tentando achar algo em que pensar e soh o que aparecia em minha mente era 'OGDE acabou'.

Ontem escrevi bem umas quinze páginas desse capitulo e soh naum postei por que não aguentava mais.

Bom, também tenho que lhes dizer que não sei o que faço agora, eu tenho quatro opções:

1) deixo como está...

2) Posto um epilogo dizendo como ficou Elpard depois da morte deles

3) Posto um epilogo com eles se salvando, mas vai sair estranho

4) Decidir começar OGDE 2 logo logo (estou tentada a fazer essa)

ah... e acho que final da comu Inuyasha Fanfiction vai ser diferente do daqui... Provavelmente.

Bom... sabe, naum tenho muito o que falar.

Só revelar que essa fic me ajudou mais do que qualquer outra coisa em minha vida. Um Ano e Meio... Poxa... eh muito tempo!

ah... tenho uns agradecimentos (que está mais para dedicatórias) a fazer:

Primeiro agradecimento (Dedicatória): Ao meu amigo Marcelo por ter me ajudado com o começo da historia e por não deixar que minhas idéias voassem demais.

Segundo Agradecimento (Dedicatória): À minha prima Ivanna, por ter tido a paciencia de me ouvir por esse UM ANO E MEIO sobre OGDE, por se apaixonar pelo Mailon, mas aceitar o Aléxius como pagamento. Por me dar ajuda quando precisei, por me criticar quando mereci...

Terceiro Agradecimento (Dedicatória): Para o Eduardo, (tinha que ser a terceira dedicatoria hem?) ele além de me ouvir durante esse ano sobre OGDE praticamente escreveu comigo esse ultimo capitulo. nesses ultimos dias não prestamos atenção a uma aula só trocando papéis... que na verdade eram partes desse capitulo onde eles escrevia como eu deviar continuar. Amo ele!! Rs...

Quarto Agradecimento (Dedicatória): Por ultimo, e não menos importante; Para Mary Aline (também conhecida como Fkake). Poxa, preciso realmente falar? Ela virou uma das minhas melhores amigas por causa de OGDE... ela acompanhou a fic toda comigo. opinou.. ajudou... escreveu... (Posso dizer que OGDE eh quase uma fic comunitaria), Céus, ela me ajudou tanto que nem consigo me lembrar. Awnore eh criação totalmente dela... Mailon foi influenciado por ela... Fkake também... Bom, Mary, você caiu do céu para mim... caiu de cara mas tudo bem... (correndo para não apanhar).

Bom, acho que fico por aqui! Ah, quero saber sua opinião... diz que sim, vai?

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Ficha Técnica

Páginas: 649

Tempo para ser escrita: Um Ano e Meio

Tempo do começo ao fim de postagem: Um Ano e Meio

Quantidades de Capítulos: 38

Reviews (até o capitulo 37): 683

Música que se parece com a Fic: Take a Bown, do Muse

Música que sempre que ouço me lembro de OGDE: Rei do Rock, do Zé Ramalho

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Não se acanhe se por acaso essa fic jah tenha acabado a muito tempo que você a leu... Pode deixar um review! rs rs rs