Olá pessoal!
Dessa vez demorei um pouco pra postar né? Infelizmente as férias acabaram, e eu tinha escrito só uma parte desse capítulo. Demorei mais uns dias pra finalizar, mas aqui está.
Obrigada de coração por todos os Reviews, suas lindas! Só não respondo um por um porque já estou com trabalhos da faculdade pra fazer, acreditam? Em duas semanas de aula os professores já fazem isso, não mereço!
Espero que gostem desse capítulo. É o penúltimo da fic, e já está com esse arzinho de final. É triste, mas tudo tem um final né ):
Aproveitem, aproveitem! Volto assim que eu puder :D
Aah gente, mais uma coisinha. Outro dia eu estava lendo a fic por aqui, só pra dar uma olhada, e percebi que tem muitos erros. Falta de letras, ou palavras parecendo embaralhadas e etc. Isso é coisa do site mesmo, porque há erros que por menor que sejam eu nunca deixaria passar! Portanto me desculpem, e logo adianto que assim que a fic for finalizada ela vai estar disponível pra download num PDF bonitinho e organizado, e sem esses erros aqui do FF, beleza?
Beijinhos.
Marily.
Na formatura
Dorcas:
MacMcMea
O jornal de Hogwarts!
Última Edição
Coluna da Dorcas
(por Dorcas Meadowes)
Últimos Babados
SE FERROU SONSERINA!
Nunca, em toda a história de Hogwarts, Sonserina teve tantas perdas em competições escolares. São coisas como essas que aumentam nossa alegria de viver! A Taça das Casas foi pra Lufa-Lufa, o Troféu da Competição de Corais foi para a melhor, Grifinória, assim como também a Taça do Campeonato de Quadribol. E aí, quem são os perdedores agora? Engulam essa, seus babacas!
MUITOS CASAIS, SOCORRO!
E para quem torceu muito durante todos os setes anos, oficial e finalmente declaro: PEVANS VOLTOU! Isso mesmo, senhoras, senhores, alunos, alunas e inimigas! James Potter e Lily Evans definitivamente reataram! Aliás, todo mundo já sabia disso, após aquele impactante e surpreendente beijo durante o dueto do casal na competição final de corais. Valeu esperar, hã?
Outro casal que muitos sabiam que mais cedo ou mais tarde iria aparecer: LUPANCE! Claro, como legítimos grifinórios eles tinham que chamar a atenção de alguma forma (senão não seriam grifinórios). Todo mundo se emocionou com a melação, digo, emoção, que foi a declaração de Emelina Vance para o maroto nerd Remo Lupin. Quem diria? Ainda custo a acreditar, enfim...
Maria MacDonald e Jason McKinnon também reataram. Mas, sobre isso, prefiro não entrar em detalhes...
Não podemos esquecer do casal gay do momento! Sean McBouth e Benjamin Chapman começaram um romance que surpreendeu o mundo. Nada melhor do que pegar gente do sexo que gosta.
E quanto a Sophie McKinnon e Eric Bronwen? Eles fazem parte da lista de "namoros mais rápidos de todos os tempos". Deram uns beijinhos aqui e ali e nada. Cadê as polêmicas? Os beijos em público? As briguinhas que todos os casais tem? As declarações no Salão Principal (lembrando que McKinnon é da Grifinória)? Será que algo acontecerá ainda hoje, o último dia no castelo?
O que nos aguarda para esse dia de tantas despedidas?
SIM, EU ESTOU DE VOLTA!
Quem ingenuamente havia pensado que esse jornal lindo e maravilhoso nunca mais voltaria para as minhas mãos estava muito MUITO enganado! Afinal, sou Dorcas Meadowes. Ninguém tem o poder de tirar nada de mim, muito menos alunas ridículas de outras casas desse castelo, que acha que tem a capacidade de dirigi-lo e escrever como eu. Se ferrou, colega!
E hoje é domingo, e estão recebendo esse jornal com muita exclusividade. É praticamente meu último dia nesse castelo (adeus, inimigos!), e eu nunca na vida iria me despedir de Hogwarts sem uma última edição do nosso querido MMM! Ninguém jamais conseguirá atingir o sucesso que esse jornal fez, portanto seu período de ascensão termina por aqui. É com muita tristeza, sim, mas com orgulho e sentimento de dever cumprido. Durante todo esse ano foi esse jornal que informou aos mais curiosos hogwartianos sobre os maiores babados da escola. Um jornal amigo, bombante e, acima de tudo, O MELHOR!
Ainda recebo cartas de fãs, agora com agradecimentos por todos os momentos divertidos que esse singelo pergaminho passou para todos os leitores. Fico muito emocionada, e só não cito todos aqui porque estou muitíssimo ocupada com a preparação para minha formatura (que será daqui umas horas, devo lembrar, além do baile – onde eu espero que tenha vários babados que, infelizmente, não vou poder compartilhar por aqui dessa vez).
Eu me despeço de vocês, meus amados leitores. Obrigada por todas as cartas, pelos elogios, e até pela inveja das minhas inimigas que aumentaram meu sucesso. Esse jornal não seria nada sem vocês (tirando a edição passada, onde aquela mocreia azeda e infeliz teve a audácia de tirá-lo de minhas mãos). Obrigada, mais uma vez.
Um último beijo.
Dorcas Meadowes.
Maria Entrevista
(por Maria MacDonald)
É hora de dizer adeus. Hora de aceitar a ideia de que a convivência diária com os amigos e outros rostos conhecidos está chegando ao fim. É hora de enfrentar o mundo louco que nos espera lá fora, de dizer adeus à vida segura e feliz que tínhamos enquanto estávamos cercados pelas paredes de pedra desse castelo. Chegou a hora...
Quero agradecer a todos que me seguiram fielmente e sempre acompanharam essa pequena coluna no jornal durante as edições passadas. Obrigada pelas cartas que sempre me mandam, é muito legal da parte de vocês. Para os que ficam, sucesso! Para os que também estão partindo, apenas tentem se identificar com a entrevista de hoje, que é:
- Estamos deixando Hogwarts, e teremos uma nova vida. O que você espera ter daqui pra frente?
Começar uma carreira e uma família, sem dúvidas. Acho que é o que a maioria das pessoas deseja quando deixa a escola. É triste e preocupante, mas temos que sentir em frente – Alice Brown.
Uma pergunta difícil. Vou deixar isso pra depois. Enquanto isso, acho que vou comprar uma moto – Sirius Black.
Acho que o objetivo para nós agora, levando em conta o que anda acontecendo no mundo bruxo, é sobreviver. São tempos difíceis, não dá pra negar, mas é sempre bom se prevenir – Remo Lupin.
Ignorando o pessimismo e o espírito negativo do meu namorado, acho que o mais importante agora é ir atrás de uma carreira e seguir a vida normalmente. É difícil dizer adeus à Hogwarts depois de tudo o que aconteceu na vida que tivemos ao longo dos sete anos, mas é inevitável... – Emelina Vance.
Me casar com Lily, ter sete filhos (quatro meninos, uma menina e duas gêmeas), comprar uma vassoura nova e virar auror. Simplesmente isso – James Potter.
Não penso em me casar agora (ouviu James?). Na verdade, não sei o que eu quero. Tenho medo, e ao mesmo tempo busco segurança. Às vezes não dá vontade nem de ir embora. Simplesmente recusar e ficar trancada no dormitório pra sempre. É assustador – Lily Evans.
Ser rica e ir trabalhar num jornal onde eu possa contar várias fofocas e ganhar muito por fazer isso! Mundo, me aguarde! – Dorcas Meadowes.
Virar um auror. Sim, me decidi. Amo muito Herbologia, mas quando me imagino um auror eu sinto até calafrios de excitação! Acho que isso quer dizer alguma coisa. Ah, e sim, ter uma vida com Alice, e formar uma família com ela – Franco Longbottom.
Não sei... Jogar na loteria bruxa e ver se eu dou sorte, talvez? – Pedro Pettigrew.
Não me pergunte isso, senão vou surtar! É tão difícil escolher o que fazer assim, tão de repente... – Beth Cox.
Não tenho planos. Qualquer coisa que me aparecer, eu sigo. Só pretendo ser feliz – Sophie McKinnon.
E é isso aí galera, chegou ao fim. Aí você se pergunta qual seria minha resposta para essa entrevista. Bom, acho que eu só faço das palavras de Sophie as minhas. Ser feliz é o maior objetivo da vida, e estou determinada a correr atrás dele. Aconselho a todos vocês a fazerem o mesmo.
Um grande beijo, e obrigada por todas as edições compartilhadas!
Adeus leitores! Adeus Hogwarts!
Maria MacDonald.
Lily:
- Céus, o que é isso? – Maria exclamou, parando subitamente assim que descemos as escadas para a Sala Comunal. Eu e Alice trombamos nela.
Meus olhos se arregalaram quando descobri sobre o que Maria se referia. Os comentários dos presentes da sala comunal eram de riso e surpresa. Sirius, John e James estavam lá no meio, e obviamente tinha sido uma obra deles.
Uma parte enorme da parede da Sala Comunal havia sido tomada por uma foto gigante, gigante mesmo, de todos nós do coral. Era uma das fotos que havíamos tirado assim que recebemos o troféu, e dava pra ver Dorcas fazendo uma pose, John um chifrinho em Alice e outros detalhes.
- Mas o que é isso? – Alice perguntou, sorrindo.
- Gostaram? Quero ver alguém se esquecer dos verdadeiros vitoriosos agora – John disse, todo orgulhoso.
- Vocês são loucos! – exclamei, dando um tapa na cabeça dos três. – Quero ver quando McGonagall entrar aqui e se deparar com isso!
- Qual é, Lily! – Sirius disse, acariciando a cabeça. – Vai me dizer que esse papel de parede não está muito melhor que o antigo?
- Sem estresse, ruiva – James sorriu para mim, aquele sorriso maroto que já fazia tempo que eu não via. – Não ganharemos detenção em nosso último dia aqui.
Último dia... Argh. Eu estava tentando não pensar nisso, pois estava sendo realmente preocupante para mim. Todos os outros diziam estar sentindo o mesmo, mas pelo menos eles tem uma casa para morar e uma família para acolhê-los...
- Agora deixem disso! – Alice disse, dando a bronca. – Daqui a dez minutos temos que estar todos no Salão Principal, lembra?
- Ah, é mesmo – Sirius mordeu o lábio. Estava na cara que ele havia esquecido. – Já estamos indo, Lice.
Estávamos nos preparando para o que provavelmente seria o pedido de casamento mais fofo de todos os tempos. Era tão bom ver Nina não estar ciente de nada, apenas conversando com Mister D tranquilamente e rindo de alguma coisa. Era impagável ver os dois juntinhos, e acho que seria ainda melhor quando pegássemos Nina de surpresa.
O Salão ainda estava cheio, o que era ótimo. O café da manhã já havia até passado, mas todos estavam ali para observar a preparação para a formatura que aconteceria daqui algumas horas. Flitwick e outros alunos tinham sido encarregados de cuidar da decoração, que estava ficando linda. Bandeiras com as cores de todas as casas eram penduradas pra lá e pra cá, enquanto o grande símbolo de Hogwarts era pendurado no fundo do Salão.
Em todo o caso, o momento era perfeito, e tínhamos que aproveitar que as mesas ainda estavam em seus lugares, tal como a dos professores. Nina e os outros estavam ali, aproveitando a última refeição do ano letivo.
Mister D já estava conosco, todo bonitão e engravatado.
- Que gatão, Mister D! – Beth exclamou alto, fazendo-o corar e pigarrear, agradecendo todo sem graça.
Estava tudo pronto, então demos o sinal para John. Espiamos as pessoas olharem com curiosidade enquanto John arrastava para a frente do Salão um assento bem parecido com um trono, todo branco e enfeitado com flores (obra de Alice e Sophie). Vi que Nina estava entendendo nada também. Isso era ótimo.
E foi aí que a música começou, e Dorcas fez um sinal positivo para mim. Ajustei meu vestido vermelho (aquele que havíamos usado na primeira competição) e entrei no Salão.
Yellow diamonds in the light
And we're standing side by side
As your shadow crosses mine
What it takes to come alive
Muitas pessoas aplaudiram só de me ver entrar (o que me deixou ligeiramente sem graça). Continuei a cantar, andando pelo centro do Salão e com os olhos postos em Nina. Ela, de começo, não havia entendido bulhufas, mas depois começou a sorrir. E isso que ela nem sabia do que tudo aquilo se tratava.
It's the way I'm feeling I just can't deny
But I've gotta let it go
Outros de nós foram entrando, inclusive as Griffies que toparam participar do número. Emelina andava pulando por aí, girando uma fita também vermelha com agilidade, andando por entre os alunos e ganhando vários aplausos também. Sean fazia o mesmo.
We found love in a hopeless place
We found love in a hopeless place
We found love in a hopeless place
We found love in a hopeless place
E aos poucos todo mundo foi entrando, e no momento seguinte uma explosão de pétalas de rosas fez com que todo mundo gritasse de entusiasmo. Pétalas começaram a chover do céu encantado, tal como pequenos papéis em formato de coração. Franco e Remo correram até Nina e estenderam as mãos para ela, levando-a para se sentar no trono branco.
Enquanto isso, eu conseguia imaginar o nervosismo que Mister D deveria estar sentindo...
Shine a light through an open door
Love and life I will divide
Turn away cause I need you more
Feel the heartbeat in my mind
It's the way I'm feeling I just can't deny
But I've gotta let it go
Continuávamos a dançar, e Dorcas cantava junto comigo. A chuva de pétalas não parava, formando um caminho perfeito no meio do Salão, caminho esse que dava direto para onde Nina estava sentada. Sua cara de interrogação estava melhor do que nunca, enquanto ela sorria confusamente.
We found love in a hopeless place
We found love in a hopeless place
We found love in a hopeless place
We found love in a hopeless place
Estava quase na hora, quase na hora! Rodopiávamos pelo Salão, nunca parando de cantar e jogar pétalas pelos ares. Pessoas cantavam junto, o que deixou tudo mais bonito.
Yellow diamonds in the light
And we're standing side by side
As your shadow crosses mine
Havia chegado a hora. Mister D vinha entrando pelo Salão, caminhando sobre o caminho de pétalas. Seu rosto estava penetrante, mas tinha um olhar muito gentil. John passou batido, entregando um buquê de flores para Nina enquanto Mister D adentrava ainda mais no Salão Principal.
Eu e os demais batíamos palmas, terminando a canção. Quanto mais Mister D se aproximava, mais o rosto de Nina era preenchido de compreensão, e por um instante achei que ela já começaria a chorar.
We found love in a hopeless place
We found love in a hopeless place
We found love in a hopeless place
We found love in a hopeless place
Ao fim da música ninguém nem sequer aplaudiu. Estavam todos concentrados na cena, e ninguém parecia respirar quando Mister D se ajoelhou diante de Nina. Sua voz parecia trêmula e confiante ao mesmo tempo quando falou:
- Oi.
Nina soltou uma risadinha.
- Oi – respondeu de volta.
- Ah... – Mister D engoliu em seco. – Eu sou péssimo pra dizer essas coisas, acho que você sabe. Mas eu... Quero que você saiba que...
Mister D engoliu em seco mais uma vez. Por Merlin, será que teríamos que pedir a mão de Nina pra ele também?
- Nina... Eu... – é, parece que teríamos mesmo. – Eu nunca imaginaria que alguma coisa... Amigável podia acontecer entre nós. Metade de meu tempo nesse castelo foi te odiando e brigando e competindo incessantemente com você. Acho que nem eu e nem você esperaria que tudo o que houve entre nós ficasse tão... Forte.
Silêncio.
- Mas aqui estamos. Aqui estou eu – Mister D respirou fundo, e sorriu. Sua voz começou a sair embargada, e foi aí que Alice e Emelina já começaram a chorar. Me segurei muito, mas meus olhos inevitavelmente lacrimejaram. Nesse momento James chegou e me abraçou por trás, todo sorrisos.
- Você está carregando nosso filho aí – ele olhou para a pequena barriga de Nina que já crescia, e então ergueu os olhos para ela. – E acho que ele veio para me dar ainda mais certeza do que eu devo fazer. Para me dar ainda mais certeza... De que eu amo você.
Nina ria e chorava, ria e chorava. Eu também chorei. Muita gente chorava. Céus, aquele Salão ia acabar ficando alagado.
- Agostina Baiocchi Stanley – Mister D tirou a caixinha do bolso e abriu. O anel era lindo, nós havíamos o ajudado a escolher. Tinha uma pedrinha azul linda, toda brilhante. – Você aceita se casar comigo?
Dava pra ver as mãos de Mister D tremendo daqui. Nina secava as lágrimas e continuava a sorrir. O Salão cessou com os cochichos e as fungadas, esperando pela resposta de Nina.
- Sim, eu aceito – ela disse, e então o Salão explodiu em vivas e comemorações. Mais pétalas foram lançadas no ar, enquanto Nina abraçava Miste beijava, ambos em lágrimas.
Quando vi Mister D colocando o anel no dedo de Nina, delicadamente, senti que ainda havia esperança. Esperança de um futuro feliz, no meio de tantas notícias ruins e de tanta guerra lá fora.
Engoli em seco, amedrontada novamente.
Maria:
Já se sentiu num estado de extrema felicidade, e ao mesmo tempo uma tristeza profunda? Era o que eu estava sentindo no momento. Acho que todo mundo estava assim.
Eu estava feliz porque estava tudo bem. Todo mundo agitado com a preparação pra formatura, com as roupas e os pais chegando. Eu estava só um pouco feliz por estar me formando. Afinal, é bom se ver finalmente livre de toda aquela pressão de exames e redações. Mas eu estava triste, muito triste. Tudo estava caminhando para o fim, e seria tão estranho chegar no primeiro dia de setembro e não ter que pegar o Expresso de Hogwarts... Estranho não acordar todos os dias com Lily me jogando almofadas na cara e Alice reclamando da bagunça que eu deixava o dormitório. Era estranho não ter mais Hogwarts em nossas vidas.
A agitação do dormitório era geral. Todas as meninas estavam se arrumando para formatura, e becas vermelhas eram vistas por todos os lados. Maquiávamos umas as outras, recebendo a ajuda de Sean também. Fazíamos comentários, Dorcas fofocava, e Emelina começava a dançar em cima da cama pra animar (e recebendo broncas por estar pisando nas becas alheias).
Ficamos horas ali no meio de um furdunço total, onde rolou até briga por causa de maquiagem. Isso é que dá colocar tantas meninas num espaço pequeno. Havia também disputas pelo maior espelho do quarto (era sempre assim) e, é claro, os comentários de sempre a respeito de garotos.
Tudo aquilo estava me dando até nostalgia. Lembro-me do Baile de Natal do ano passado, e da Festa Anual dos Marotos. Era a mesma coisa, porém a diferença era que dessa vez seria a última de todas...
Já todas vestidas, descemos para nos encontrar com os garotos. Jason já veio me parabenizando, até com orgulho nos olhos, enquanto os outros meninos se juntavam às suas namoradas. O resto dos outros já estavam no Salão esperando.
Estava tudo lindo. O castelo estava completamente enfeitado. Os corredores também tinham faixas com as cores das casas, além de retratos de formandos por todos os lados. Alguns haviam sido pixados por Pirraça, e acho que ele escolheu os que ele menos ia com a cara (como o retrato de Lily, por exemplo).
No Salão, os alunos se encontravam com suas famílias. Logo minha mãe me abraçava, e até mesmo meu irmão pentelho tinha vindo (provavelmente só pra comer).
- Estou tão orgulhosa de você! – ela me abraçou com lágrimas nos olhos. Droga, já? Não queria chorar tão cedo.
Deixei eles por aí e fui me juntar a Lily. Eu sei que ela tentava não ficar deprimida diante daquela cena de pais se encontrando com filhos, mas pela sua expressão parecia que ela não ia se controlar por muito tempo. Por isso eu, Alice, Sophie e James combinamos de nunca a deixarmos sozinha. Isso funcionou bem, ainda mais porque os pais de James pareciam não ter chegado ainda.
- Gente, gente, reunião! – Alice chamou, com a beca já toda amassada depois de ser abraçada pelos pais.
Eu, Lily, James, Alice, Franco, Remo, Dorcas, Sirius, Rabicho, Beth, Emelina e Sophie fizemos uma roda, e foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida. Todo mundo parou por um segundo, apenas sorrindo um para o outro e aproveitando aquela sensação maravilhosa de estar com os amigos.
- Estamos todos aqui – Emelina disse, já com os olhos lacrimejando. – Estamos mesmo, não é?
Assentimos animadamente, parte de nós já fungando.
- Nós conseguimos, pessoal – foi Dorcas que disse, incrivelmente se emocionando também. – Estamos nos formando!
Comemoramos, e foi aí que demos aquele abraço em grupo. Se as becas não estavam amassadas até aquele momento, agora tinham ficado.
- Eu amo vocês – Sophie disse. Adeus maquiagem.
Depois disso me juntei a Jason, que me deu um longo beijo.
- Já te disse que está linda?
- Umas três vezes – dei de ombros. – Mas nunca é demais.
Ele riu.
- Estou com muito orgulho de você – ele disse, acariciando meu rosto. – Ainda que eu esteja meio chateado por não poder estar me formando com vocês também.
- Ano que vem vai ser sua hora – respondi, simplesmente. – E eu vou estar aqui pra te parabenizar também.
Ele sorriu e me beijou novamente, e então Sophie chegou nos abraçando.
- Ei, pombinhos, sinto muito interromper, mas... – ela disse, contente. – Maria está na hora de entrarmos.
- Ah, ok – dei um último beijo em Jason, que depois deu um beijo no rosto e abraçou a irmã, dizendo estar muito orgulhoso dela também.
- Mamãe não me disse o mesmo – ela deu de ombros, olhando para Marlene McKinnon, que conversava com Dumbledore. – E eu nem ligo.
Eu e Sophie nos juntamos aos outros formandos do lado de fora do Salão. Dei uma última espiada nele, e vi o tanto que eles haviam caprichado. Onde geralmente ficava a mesa dos professores, agora tinha um espaço reservado para a banda e uma mesa repleta de diplomas, assim como o suporte onde geralmente Dumbledore dava seus discursos no começo e no fim dos anos letivos. As quatro mesas haviam sumido, dando lugar a várias cadeiras onde os convidados haviam se sentado. Apenas alguns alunos estavam ali, por serem convidados pelos formandos (mas isso não impedia que outros alunos aparecessem para dar uma espiada). E era nessas ocasiões que dava pra perceber o quão enorme era o Salão Principal.
Os formandos das quatro casas já estavam preparados e, tal como a primeira vez que entramos naquele Salão quando tínhamos apenas onze anos de idade, as grandes portas se abriram para nós novamente.
Sean:
I walked across an empty land
I knew the pathway like the back of my hand
I felt the earth beneath my feet
Sat by the river and it made me complete
Eu e todos os outros do Salão observávamos Benn cantar assim que as portas haviam sido abertas. Lá vinham todos os formandos e os rostos conhecidos que não estariam mais com a gente no ano que vem. Reconheci na turma da Lufa-Lufa alguns amigos de Benn (inclusive o idiota do Irving), e na Corvinal Jenny e Eric. Na Grifinória todos os meus amigos acenavam e mandavam beijinhos para mim. Era uma cena linda de se ver. Na Sonserina, todos os nossos inimigos declarados, mas Jessie estava lá no meio também.
Oh! Simple thing where have you gone
I'm getting old and I need something to rely on
So tell me when you're gonna let me in
I'm getting tired and I need somewhere to begin
Alunos acenavam para seus pais, e um fotógrafo andava por aí tirando fotos de todos que entravam e se dirigiam a seus lugares nos assentos reservados para eles na frente do Salão. Era legal ver tudo isso, porque era a primeira formatura que eu assistia.
And if you have a minute why don't we go
Talking about that somewhere only we know?
This could be the end of everything
So why don't we go
Somewhere only we know?
Somewhere only we know?
Mais alunos entravam, e eu conseguia imaginar o que eles estavam sentindo no momento. Entraram ali tão pequenos, baixinhos e amedrontados. E agora entravam novamente, como formandos, se preparando para uma nova vida longe de tudo aquilo. Imaginei como eu me sentiria quando chegasse minha vez de me formar...
Oh! Simple thing where have you gone
I'm getting old and I need something to rely on
So tell me when you gonna let me in
I'm getting tired and I need somewhere to begin
And If you have a minute why don't we go
Talking about that somewhere only we know?
This could be the end of everything
So why don't we go
So why don't we go
Benn às vezes cantava e piscava para mim e, quando todos os formandos já haviam se sentado, Benn finalizou a música perfeitamente. Ele mesmo havia a escolhido, e ele havia me dito que Dumbledore tinha simplesmente adorado.
This could be the end of everything
So why don't we go
Somewhere only we know?
Somewhere only we know?
Somewhere only we know?
Muitas palmas se seguiram por parte dos convidados e muitas outras dos formandos. Benn reverenciou e logo se sentou ao meu lado, onde estavam também Jason, John e Alicia.
Dumbledore logo se adiantou para seu discurso de sempre, recebendo aplausos também. Quando eles cessaram, o diretor se pôs falar:
- Olá pais, familiares, convidados e formandos – ele disse, sua voz ecoando pelo Salão Principal silencioso. – É com muita honra que estou aqui mais uma vez para parabenizar a todos os alunos que durante esses longos sete anos cumpriram seu dever de alunos para com os professores e para a escola... – Dumbledore fez uma pausa. – É claro, com algumas exceções.
Todo mundo riu, e a primeira coisa que me veio à cabeça foram os tão famosos marotos, obviamente.
- Contudo, devo sempre lembrar que tudo o que fazemos na vida é por merecimento. O seu caminho e suas escolhas é você quem faz e, baseando nisso, devo dizer que todos aqui presentes sempre foram destinados a estar aqui, se formando e comemorando mais uma etapa da vida que está em seu fim – ele continuou. – A vida lá fora é um desafio, um desafio que todos nós nascemos para enfrentá-lo, mais cedo ou mais tarde. Campeões são aqueles que sabem acolher esse desafio não como um problema, e sim como uma jornada a se seguir.
Dumbledore e suas palavras bonitas. Comecei a ficar emocionado, e tive certeza que as meninas estavam da mesma maneira.
- Mas o mais importante, formandos, é nunca se esquecer de seu verdadeiro eu – Dumbledore sorriu, e seus olhos azuis brilharam. – Todos nós temos nossa essência, mas temos que saber usá-la de forma correta.
Acho que isso se encaixa perfeitamente para alguns sonserinos. Todo o castelo sabia que muitos deles tinham certo desejo de se juntar a Você-Sabe-Quem. Mas acho que, pelo visto, eles estavam pouco se lixando para as palavras de Dumbledore.
- Há três coisas que eu quero mais do que tudo que vocês sempre se lembrem – ele foi dizendo, depois de uma pequena pausa. – Primeiro, nunca se esqueçam de suas origens. Segundo, nunca se esqueçam de seus verdadeiros amigos. É neles que vocês vão encontrar coragem suficiente para seguir em frente.
Eu nunca vi uma indireta para Lily tão forte como essa. Espero que ela entenda bem aquelas palavras.
- E, por último, nunca, jamais e em hipótese alguma deixem seus sonhos de lado. Eles são a força e motivação do ser humano – Dumbledore finalizou, e sorriu mais uma vez. – E, mais uma vez, parabéns a todos os formandos!
Todos ficaram de pé para aplaudir, principalmente os formandos que eram os que mais gritavam e batiam palmas. Realmente, tinha sido um discurso inspirador. Dumbledore reverenciou, e mesmo assim as palmas continuaram.
Acho que poucas pessoas haviam compreendido direito, mas eu tinha. Dumbledore falou muitas verdades não só para os formandos, mas sim para todos nós. E, sinceramente, eu até fiquei com medo.
Remo:
- E, agora, palmas para a oradora da turma – Dumbledore anunciou. – Monitora-chefe, líder de torcida e vencedora da competição de corais. Senhorita Lily Evans!
Muitos aplausos, gritos, assobios e vaias sonserinas quando Lily se pôs de pé e subiu as escadas até onde Dumbledore estava. O diretor deu um rápido abraço na ruiva e logo se sentou junto aos outros professores.
Dava pra ver que Lily estava tremendo na base quando abriu o papel onde estava seu discurso. As palmas foram cessando, e logo Lily começou a dizer.
- Olá a todos – sorriu nervosamente, e então respirou fundo. – Foram longos sete anos, mas enfim conseguimos. Superamos todas as barreiras, os nervosismos antes dos exames, as broncas dos professores e as aulas perdidas devido a atrasos. Superamos os sustos de Pirraça, mesmo quando ele colocou bomba de bosta nos caldeirões da aula de Poções e cuspia em nossas cabeças já no primeiro dia de aula.
Todos riram, inclusive o próprio Pirraça, que estava assistindo a tudo protegido por um feitiço de McGonagall, a fim de evitar alguma confusão. Eu até havia me esquecido de todos aqueles episódios que o poltergeist havia nos proporcionado.
- Somos vitoriosos, ainda mais por termos conseguido fugir dele durante todos esses anos e sobrevivido. Superamos o terror que era topar com Madame Nora, já prevendo problemas com Filch – Lily fez uma careta, e rimos mais um pouco. – Já fomos expulsos da biblioteca por Madame Pince, por ter "acidentalmente" soltado um grito ou uma risada involuntária.
As pessoas concordaram, até mesmo os pais, já que tinham passado por alguma daquelas situações quando estudaram aqui.
- E não podemos esquecer de nossos queridos professores também – Lily acenou para todos que estavam sentados. – Quem nunca se sentiu intimidado pela Professora McGonagall não pode ser considerado uma pessoa normal. E nem quem nunca tirou um cochilo de horas na aula do Professor Binns. Ou foi parar na ala hospitalar por causa das plantas loucas da Professora Sprout, e sendo bem atendida por Madame Pomfrey. Ou explodiu alguma poção na aula de Slughorn. Ou fez alguma burrada na aula de Flitwick e, mesmo assim, acabar por receber um gesto bondoso do professor.
Todos os professores sorriam, orgulhosos, principalmente McGonagall. Caramba, só agora percebi o tanto que eu sentiria falta deles.
- Estamos deixando Hogwarts, essa é a realidade – o sorriso de Lily sumiu, dando lugar a uma expressão completamente emocionada. – Sentiremos saudades. Saudades dos amigos todos os dias com a gente, saudades das deliciosas refeições de todos os dias, saudades dos nossos passeios para Hogsmeade, saudades dos fantasmas que sempre nos pegavam de surpresa e nos dava aquela sensação horrível, saudades dos discursos de Dumbledore, dos passeios pelos jardins, das conversas com o nosso querido Rúbeo Hagrid, do medo que dava só de pensar na Floresta Proibida... Saudades dessa vida que sempre levamos aqui. É triste dizer adeus a tudo isso. Durante todo esse tempo que passamos aqui muitas coisas aconteceram. Nos apaixonamos, ganhamos e perdemos pessoas... – Lily fez uma pausa, para secar uma lágrima. – Mas vivemos. E aprendemos. Temos pessoas que estão orgulhosas de nós, onde quer que estejam, mas não podemos nos esquecer do orgulho que sentimos de nós mesmos. Fizemos coisas boas e coisas más, porém aprendemos com todos nossos erros. Se é pra isso que estamos vivos, estamos fazendo a coisa certa. E vamos continuar a fazer isso, vamos continuar a ter essa felicidade que sempre nos preencheu nos momentos mais incríveis que passamos nesse castelo. Vamos ser felizes.
Lily havia caprichado tanto nesse discurso que eu me controlei muito para chorar. Lina, ao meu lado, já caía no choro, e eu a abraçava para dar consolo. Todas as meninas choravam, na verdade, assim como muito dos outros formandos.
- Fiquei por horas tentando achar uma conclusão para todas essas palavras e não consegui – Lily disse, com a voz embargada. – Mas um grande professor nosso, chamado David Moreau, nos ensinou que às vezes a música pode ser uma opção bem plausível, e a resposta para muitas de nossas perguntas.
Mister D sorriu para ela de orelha a orelha. Lily fez um gesto para os músicos, e a música começou a tocar.
We could just go home right now
Or maybe we could stick around
For just one more drink, oh yeah
Get another bottle out
Let's shoot the bricks
Sit back down
For just one more drink, oh yeah
Não demorou muito para as pessoas começarem a bater palmas no ritmo e ficarem de pé. Lily tinha feito uma escolha maravilhosa.
Here's to us
Here's to love
All the times
That we messed up
Here's to you
Fill the glass
Cause the last few days
Have gone too fast
So let's give em hell
Wish everybody well
Here's to us
Here's to us
Suas lágrimas ainda desciam, mas mesmo assim ela sorria enquanto cantava. Pessoas cantavam e ainda choravam. Os professores tinham ficado de pé também, e alguns deles também haviam se emocionado.
Stuck it out this far together
Put our dreams through the shredder
Let's toast cause things got better
And everything could change like that
And all these years go by so fast
But nothing lasts forever
Dorcas e as outras meninas se dirigiram até Lily onde estava para cantar junto com ela, e animação aumentou mais um pouco. As palmas ficavam mais fortes e ainda mais agitadas.
Here's to us
Here's to love
All the times
That we messed up
Here's to you
Fill the glass
Cause the last few nights
Have gone to fast
If they give you hell
Tell em to forget themselves
Here's to us
Here's to us
Lily sorria abertamente, e seus olhos logo localizaram James, sentado ao meu lado. James mandou um beijo e falou "eu te amo", e Lily sorriu ainda mais. Ah, o amor...
E por falar nisso, Emelina acenava para mim, me chamando, e logo eu e os outros garotos também nos juntamos a elas.
Here's to all that we kissed
And to all that we missed
To the biggest mistakes
That we just wouldn't trade
To us breaking up
Without us breaking down
To whatever's come our way
Here's to us!
Here's to us!
A nota estendida de Lily chegou até a me dar um arrepio de tão afinada que estava. Pessoas gritaram ainda mais, e outras de várias casas se juntaram a nós no palco pelo resto da canção. Era uma choradeira imensa por parte dos pais e dos professores. Era choro para todos os lados, e não consegui impedir que uma ou duas lágrimas descessem...
Here's to us
Here's to love
All the times
That we messed up
Here's to you
Fill the glass
Cause the last few days
Have gone too fast
So let's give em hell
Wish everybody will
Here's to us
Here's to love
All the times
That we messed up
Here's to you
Fill the glass
Cause the last few nights
Have gone too fast
If they give you hell
Tell em to forget themselves!
Era um lindo momento, e eu me senti muito feliz. Era difícil de descrever, só era... Mágico.
Here's to us!
Here's to us!
Here's to us!
Here's to us!
Here's to us
Here's to love
I know everybody will
Here's to us
Here's to love
Here's to us
Here's to us
David:
Depois de todos muito aplaudirem Lily e voltarem a seus lugares, a hora da entrega dos diplomas havia chegado. Sequei minhas lágrimas e as lágrimas de Nina, e logo todo mundo já tinha se recomposto.
Seria uma entrega diferente esse ano. Como o que mais marcou esse último ano deles foram os corais e já que todas as casas tinham tido um, eles seriam os responsáveis por tocar durante a entrega do diploma de suas casas. A primeira, obviamente, foi a Sonserina. Eles haviam feito uma escolha interessante, a "Bittersweet Symphony", do The Verve. Jessie cantava à medida que os nomes iam sendo chamados.
- Elliot, Lucy! – os alunos recebiam poucos aplausos e algumas vaias, mas os pais faziam bastante barulho, assim com o resto dos alunos da Sonserina.
Vi Maria e o resto das meninas torcerem o nariz. A garota loira e geralmente antipática nem ligava, e apenas sorria quando tirou foto com Slughorn.
- Snape, Severus! – Dumbledore chamou, e esse não fez questão de sorrir. Vi James e Sirius vaiarem, mas logo silenciados por uma Lily nada satisfeita.
- Stanton, Penny! – mais uma vez, as meninas fizeram cara de nojo. – St. James, Jessie!
Jessie foi o que recebeu mais aplausos quando terminava a música e recebia o diploma, agradecendo ao professor e às pessoas que aplaudiam.
Em seguida veio a Lufa-Lufa, e os lufanos haviam escolhido "Just Older", da banda Bon Jovi. Uma escolha ótima também.
- Irving, Brandon! – reconheci o garoto que havia arrumado tantos problemas com Benn. Até que recebeu bastantes aplausos, e um pouco mais quando terminou de cantar.
Era a vez da Corvinal. As meninas que um dia foram coordenadas por Nina foram as responsáveis pela música de sua casa. Escolheram "Breakaway", da Kelly Clarkson.
- Muito talentosas – Nina comentou comigo, e eu obviamente concordei.
- Bronwen, Eric! – Dumbledore disse, e Eric recebeu vários aplausos, principalmente de uma Suzz totalmente emocionada, e da irmã Alicia com os cabelos rosa chiclete. Eric parecia realmente contente por estar finalmente se formando.
- Schain, Jennifer! – e a amiga de Sean e Benn subiu ao palco, muito feliz, recebendo o diploma de Flitwick. Aplausos se seguiram.
E finalmente havia chegado a hora da Grifinória. Sirius e James subiram ao palco, e se puseram a cantar.
I had a friend was a big baseball player
Back in high school
He could throw that speedball by you
Make you look like a fool boy
Saw him the other night at this roadside bar
I was walking in, he was walking out
We went back inside sat down had a few drinks
But all he kept talking about
Ah sim, essa música. Tive muitas lembranças de anos atrás. As pessoas se animaram bastantes com as músicas, e com os nomes que começaram a ser chamados.
- Black, Sirius! – Sirius, ainda cantando e tocando, foi até McGonagall, recebeu o diploma e depositou um beijo no rosto da professora, que corou.
- Brown, Alice! – Dumbledore chamou, contente. Alice estava pura felicidade. Abraçou McGonagall e agradeceu todos os aplausos que recebeu.
Glory days well they'll pass you by
Glory days in the wink of a young girl's eye
Glory days, glory days
Pessoas continuavam a cantar e a bater palmas, e outros nomes eram chamados, como o de Louise Cooper e de Beth. Ela pousou para a foto muito alegre por ter conseguido ter perdido o peso que queria para a formatura, e muitas pessoas vibraram quando foi chamada.
Depois de Dixon, Will (um dos membros antigos do time de quadribol da Grifinória) ter sido chamado, foi a vez da...
- Evans, Lily! – e muitas palmas e gritos a acompanharam quando ela foi abraçar McGonagall. Reverenciou, já com lágrimas nos olhos. Deu um abraço e um beijo em James antes de voltar a se sentar.
Em seguida, Veronica Gravelle, Audrey Johnson e Geovana Kummer também subiram no palco para receber seus diplomas. Gravelle tinha um sorriso leve, e ficou feliz ao ver que muitos grifinórios deixaram o passado pra trás e comemoraram quando ela recebeu seu diploma de McGonagall.
Well there's a girl that lives up the block
Back in school she could turn all the boy's heads
Sometimes on a friday i'll stop by
And have a few drinks after she put her kids to bed
Her and her husband bobby well they split up
I guess it's two years gone by now
We just sit around talking about the old times,
She says when she feels like crying
She starts laughing thinking about
Glory days well they'll pass you by
Glory days in the wink of a young girl's eye
Glory days, glory days
- Longbottom, Franco! – Franco correu até o palco, alegre. Consegui ver daqui seus pais gritando seu nome sem parar. – Lupin, Remo! – Remo também sorria, mais feliz que nunca, e depois Emelina pulou em seus braços, enchendo-o de beijos.
My old man worked 20 years on the line
And they let him go
Now everywhere he goes out looking for work
They just tell him that he's too old
I was 9 nine years old and he was working at the
Metuchen ford plant assembly line
Now he just sits on a stool down at the legion hall
But I can tell what's on his mind
- MacDonald, Maria! – Maria foi muito aplaudida também, e agradecia sem parar, inclusive para mim. – McKinnon, Caroline! – Sophie já chorava, e deu o abraço mais longo de todos em McGonagall. A professora até se comoveu, secando suas lágrimas.
- Meadowes, Dorcas! – os aplausos foram gerais, e Dorcas caminhou (ou melhor, desfilou) até o palco. Ficou mais tempo por lá do que todos, reverenciando, agradecendo, mandando beijos e acenando. Sirius teve que dar um empurrão nela para que ela saísse de lá.
Glory days well they'll pass you by
Glory days in the wink of a young girl's eye
Glory days, glory days
Glory days yeah goin back
Glory days aw he ain't never had
Glory days, glory days
Mais alunos subiam no palco, e depois vieram Hércules Page (o ex-apanhador do time de quadribol que havia fraturado a cabeça e sido substituído por Sophie), Pedro Pettigrew (que mal estava acreditando que estava se formando) e Glen Phelan, também do time do quadribol. O Salão não desanimava nunca, e os aplausos só tendiam a aumentar.
Now I think I'm going down to the well tonight
And I'm going to drink till I get my fill
And I hope when I get old i don't sit around thinking about it
But I probably will
Yeah, just sitting back trying to recapture
A little of the glory of, well time slips away
And leaves you with nothing mister but
Boring stories of glory days
- Potter, James! – gritos gerais, aplausos, assobios. James sorriu e foi até McGonagall, ainda cantando. Também deu um beijinho no rosto da professora e a agradeceu.
- Vance, Emelina! – Emelina foi até o palco aos pulinhos, e deu um enorme abraço em McGonagall. Fez uma dança da vitória quando teve o diploma em mãos.
Glory days well they'll pass you by
Glory days in the wink of a young girl's eye
Glory days, glory days
- Senhoras e senhores – Dumbledore disse, animado, quando os formandos já haviam se reunido no palco. – OS FORMANDOS DE 1978!
Capelos voaram, pessoas pulavam, choraram, comemoravam. Eu estava lá no meio, recebendo também muitos abraços de meus alunos, agora ex-alunos...
Glory days!
James:
- Parabéns, James! – Lily me abraçou, e eu a ergui e girei no ar. – Estou tão feliz!
- Você não sabe o quanto é bom ouvir isso – falei, beijando-a ternamente. – Eu te amo.
- Eu também te amo – ela disse, me beijando mais uma vez.
- Ei casal, aceitam? – Almofadinhas e Aluado chegaram com taças de uísque de fogo. Pegamos as taças, e eu e Lily abraçamos os dois.
- Formados, finalmente! – Sirius ergueu as mãos, comemorando e bebendo de sua taça. – Conseguem acreditar nisso?
- É difícil, mas tentamos – Lily comentou.
- Olá! – Emelina e Maria também chegaram, já com taças nas mãos. – Vamos brindar!
Os outros chegaram com suas taças e fizemos o brinde exclamando "Ao futuro!". Mister D logo chegou também para brindar conosco.
- Parabéns a todos! – ele disse, junto a Nina. – Vocês merecem tudo de melhor.
- Todos nós merecemos, vai – Sophie disse, rindo. – Passamos por tanta coisa que todos esses momentos estão valendo a pena.
Suzz logo chegava pra nos parabenizar também, assim como todos os outros professores. As conversas continuavam, entre parabéns e outros assuntos. Pessoas tomavam uísque de fogo e começavam a se servir da enorme refeição que nos aguardava. Mesas foram conjuradas, e logo estavam todos acomodados.
Enquanto isso eu não largava Lily, não deixando que ela ficasse um minuto sequer pra baixo. Eu estava conseguindo fazer isso muito bem.
- James! – me chamaram e, quando me virei, dei de cara com meus pais.
- Mãe, pai! – exclamei, e recebi um abraço apertado dos dois. – Por onde andaram?
- Chegamos assim que os formandos entraram, mas até agora estávamos procurando por você no meio da multidão – minha mãe disse, toda emocionada. – Estou tão orgulhosa!
- Parabéns, filho. Estamos muito felizes por você – meu pai me abraçou de novo, bagunçando meu cabelo. Como se já não estivesse bagunçado o suficiente, igual ao dele.
- Obrigado, obrigado – agradeci, e então lembrei de Lily ao meu lado. – Ah, sim. Deixe-me apresentar pra vocês minha namorada, Lily Evans. Lily, esses são meus pais, Dorea e Charlus Potter.
- Ah, finalmente estamos a conhecendo – minha mãe avançou e já abraçou Lily, que visivelmente não esperava por isso. – Prazer em te conhecer, Lily!
- Você tem um bom gosto, James – meu pai disse, a abraçando também. – Prazer, Lily.
- O prazer é todo meu – Lily sorriu, toda corada.
- É muito talentosa – minha mãe piscou para ela. – Vimos seu discurso e quando cantou. Uma linda voz, também.
- Quase me fez chorar. Sorte que sou um homem forte – meu pai riu, e minha mãe soltou um muxoxo de descaso.
- Mas é claro que você chorou! Mais que eu até!
- Claro que não, Dorea. Não invente coisas. Eu estava secando suas lágrimas, como poderia ter visto qualquer coisa com sua vista mais embaçada do que o normal?
- Ora, Charlus, está querendo dizer que sou cega? – a discussão continuava, e Lily observava com certo receio. Eu soltava uma risada, porque estava na cara que ela não percebia o humor da conversa. – Quem usa óculos aqui é você.
- Você bem que precisa de um, às vezes – meu pai deu de ombros.
- Quer dormir no sofá hoje à noite, Charlus Potter? – minha mãe ameaçou, e Lily não conseguiu segurar o riso. – Veja o quão embaraçada estou ficando na frente da namorada de James. O que ela vai pensar de nós tendo essa discussão assim que acabamos de conhecê-la?
- Tudo bem – Lily fez um gesto com a mão, se divertindo.
- Lily está acostumada com as nossas brigas – expliquei, e os dois olharam de mim para ela com um sorriso nos lábios.
- Olhem para eles, Charlus – minha mãe disse, contente. – Formam um lindo casal.
- Parece nós quando mais jovens – ah não, aí vem histórias do passado. – A diferença é que você era ainda mais baixa que Lily.
- Primeiro me chama de cega, agora vai me chamar de tampinha também, Charlus? Homem, quer dormir do lado de fora de casa, quer? – minha mãe colocou as mãos na cintura, de olhos cerrados.
- Certo, certo – interrompi, já que parecia que o diálogo não teria fim. – Acho que já está bom, vocês.
- James está certo – meu pai virou para nós. – Temos que aparentar normais na frente de Lily.
- Como se você conseguisse... – minha mãe riu.
- Pai, mãe, fiquem à vontade – intervi novamente.
- Muito bom te conhecer, Lily – Lily recebeu novamente o abraço de minha mãe, e depois de meu pai. – Nos visite em breve, tudo bem?
- Combinado – Lily sorriu, e continuou a sorrir quando eles se afastaram (depois de me darem vários beijos na bochecha, já que às vezes eles se esquecem de que já tenho dezoito anos).
- E então... – me virei para Lily, e seus olhos brilharam.
- Por Merlin, eu amei os seus pais! – ela exclamou, rindo.
Ufa. Uma preocupação a menos.
Sophie:
- Será possível que nem na minha formatura, um dia tão especial pra mim, você não vai deixar de brigar comigo? – retruquei para minha mãe, que já começou a mostrar seu lado que eu odiava assim que me deu um abraço de parabéns.
- Caroline, você é que está se estressando à toa, por favor – ela suspirou, impaciente. – Eu só estou sugerindo o melhor pra você.
- Sugerindo? Você quer dizer me forçando! – falei, irritada. – Eu não vou trabalhar no Ministério, mãe. O único cargo interessante lá é o único que você despreza, que é o de auror.
- Aurores trabalham para morrer, é o que eu digo. Você é louca se desejar isso para sua vida – ela pegou uma taça de um dos garçons que passavam e bebericou.
- Pois saiba que eu odeio, odeio todos os outros cargos daquele lugar, inclusive o seu. Pessoas são tratadas como robôs, fazendo de tudo só pra puxar o saco do Ministro – falei, e ela parecia nem ouvir o que eu dizia. – É ridículo. Tudo aquilo é ridículo! Eu não vou trabalhar lá!
- Então o que vai fazer? O que você pretende fazer, Caroline? – ela rebateu, em tom cortante. – Até seu irmão já decidiu que vai tentar entrar para o Ministério, e você está aí, sem nenhum plano em mente.
- E se eu quiser trabalhar com os trouxas? E se eu quiser fazer aquilo que eles costumam fazer... Entrar pra uma universidade?
- Você enlouqueceu? Por que diabos você trabalharia com os trouxas?
- Você mesma me fez crescer com eles, porque essa repulsa agora? – perguntei, e ela balançou a cabeça.
- Pra você ver a diferença. Acho que depois de toda sua experiência, você iria querer ficar longe deles.
Demorei para encontrar palavras para responder àquilo.
- Você é inacreditável – eu disse, perplexa. – Quer saber? Não vou ficar aqui discutindo com você como eu fiz durante minha vida inteira. Não quero passar raiva bem na minha formatura. Você merece ficar sozinha.
- Faça o que quiser. Isso não fará que um futuro brilhante apareça na sua frente do nada. Você terá que se decidir mais cedo ou mais tarde, Caroline – ela falou com a voz dura.
Bufei e dei as costas. Peguei duas taças de uísque de fogo de uma vez e entornei a primeira. O álcool desceu ardendo pela minha garganta, mas eu aguentei. Merlin, como minha mãe era uma...
Respirei fundo. Era minha formatura. Era um dos dias mais especiais da minha vida. Eu não podia me estressar desse jeito. Tinha de me controlar. E ia.
Meus pensamentos irritados momentaneamente passaram, quando percebi que um bando de sonserinos havia subido no palco pra fazer um show. Jessie os liderava.
Living easy, livin' free
Season ticket, on a one, way ride
Asking nothing, leave me be
Taking everything in my stride
Don't need reason, don't need rhyme
Ain't nothing I would rather do
Going down, party time
My friends are gonna be there too
Era uma boa música, mas era bem chamativo. Os pais não pareceram gostar, mas os alunos se animaram, ainda mais pelo significado que essa música poderia passar, dependendo do ponto de vista.
I'm on the highway to hell
On the highway to hell
Highway to hell
I'm on the Highway to hell
- Pela sua cara, acho que você está um pouco irritada – se aproximaram de mim, e vi que era Sirius. Ele sorriu torto e levantou uma taça de uísque para mim.
- Minha mãe – respondi simplesmente, com rispidez.
No stop signs, speedin' limit
Nobody's gonna slow me down
Like a wheel, gonna spin it
Nobody's gonna mess me 'round
Hey Satan! Paid my dues
Playin' in a rockin' band
Hey Mama!Look at me
I'm on my way to the promise land, wow!
- O que aconteceu? – ele perguntou, e parecia interessado.
- Você acredita que ela estava discutindo comigo agora pouco? Ela quer mais do que tudo ter os dois filhos trabalhando no Ministério como ela – balancei a cabeça, bebendo mais um pouco da minha taça. – Mas eu não quero.
- Então não vá – Sirius disse simplesmente. – Por isso que evito esse tipo de desentendimentos.
Olhei para ele, indagadora.
- Como assim?
I'm on the highway to hell
Highway to hell
On the highway to hell
I'm on the highway to hell
Don't stop me!
- Por acaso algum de vocês viram meus pais por aí? – ele olhou ao redor, rindo. – Eu nem os convidei, e sei que eles nem ligam para isso também.
- Isso é... – parei para procurar a palavra. – Estranho.
- Mas pelo menos não me sinto desconfortável com eles aqui – ele deu de ombros. – Mas tenho outras pessoas que considero meus pais.
Ele apontou para um casal que conversava com James, e deduzi que eram os Potter.
- Eles me acolheram muito mais do que meus próprios pais – Sirius disse, vagamente.
Fiquei surpresa com isso, e fiquei mais tempo do que o necessário a fitá-lo. Enquanto isso, Jessie já ia finalizando a música.
I'm on the highway to hell
I'm on the highway to hell
I'm on the highway to hell
On the Highway to hell
Highway to hell
I'm on the Highway to hell
On highway to hell
I'm on the highway to hell
And I'm going down all the way
I'm on the highway to hell
Don't stop me!
Oh, yeah!
A música acabou, Sirius aplaudiu e eu me lembrei de aplaudir também. Jessie e os outros sonserinos reverenciaram no palco. Apesar de tudo, tinha sido um bom número.
Continuei a aplaudir, sentindo Sirius me fitar. Nossos olhares se encontraram por um momento, e eu apenas sorri.
Alice:
- Franco, Franco! – eu falava, arfando, enquanto corríamos pelo corredor. Franco continuava a me puxar pela mão. – Espere! Para onde estamos indo?
Franco não me respondia, e eu comecei a me irritar com isso.
Paramos de correr assim que chegamos a uma sala conhecida. Abrimos a porta e deparemos com ela completamente vazia. Isso me deu até um certo aperto no peito.
- O que viemos fazer aqui na sala de música? – perguntei, curiosa. Mais uma vez, Franco não me respondeu. Apenas tirou o famoso radinho de dentro de um dos armários e o depositou em cima do piano.
- Somente cante comigo – ele se virou para mim com um sorriso.
- Poderia ter me falado, e não me puxado daquele jeito – reclamei, mas depois sorri. Eu amava cantar com ele, já que demorou tanto tempo para ele conseguir ter uma voz bem afinada.
Franco usou a varinha no radinho, e reconheci a música na hora.
- Você não existe! – exclamei, pois aquela música era uma de minhas favoritas, além de que eu sempre disse a ele que seria legal se cantássemos ela algum dia.
L is for the way you look at me
O is for the only one I see
V is very, very extraordinary
E is even more than anyone that you adore
Franco segurou minhas mãos e foi me rodopiando pela sala, e começamos a dançar o mais sincronizado que pudemos. Franco não tirou o sorriso da cara nenhum minuto, assim como eu. Na verdade, fazia um bom tempo que eu não parava de sorrir.
Love is all that I can give to you
Love is more than just a game for two
Two in love can make it
Take my heart and please don't break it
Love was made for me and you
Franco me pega pelo colo e me gira novamente, fazendo nossas becas balançarem. Continuamos dançando, coladinhos um no outro, aproveitando o momento e o ritmo da música.
L is for the way you look at me
O is for the only one I see
V is very, very extraordinary
E is even more than anyone that you adore can
Aos poucos, quando a música ia terminando, Franco foi parando de sorrir e começou a me olhar estranho. Deu até um pouco de medo, porque ele parecia estar concentrado em alguma coisa. Quase havia até se esquecido que a música ainda estava tocando.
Love is all that I can give to you
Love is more than just a game for two
Two in love can make it
Take my heart and please don't break it
Love was made for me and you
Love was made for me and you
Love was made for me and you
Love was made for me and you
Love was made for me and you
Love!
Eu mal tinha acabado de cantar, passou nem um segundo do final da música, e Franco soltou:
- Casa comigo.
Fui tão pega de surpresa que até dei um passo pra trás.
- Oi?
- Quero dizer... – Franco estava completamente nervoso, e meio que gaguejava. Se ajoelhou diante de mim e tirou um anel super brilhante do bolso. Nem olhei pra ele direito, pois ainda estava tentando processar aquilo tudo. – Alice, você aceita se casar comigo?
Acho que eu vou desmaiar. Não, isso não. Não agora... Depois quem sabe. Eu nunca esperaria... Quero dizer, eu nunca imaginaria que seria assim tão... Não pode ser, quero dizer. Eu não sei. Alice, você tem que responder.
Abri e fechei a boca várias vezes, mas o som não quis sair.
- Eu te prometo fazer a pessoa mais feliz do mundo – Franco disse, a mão que estendia o anel tremendo. – Prometo nunca te abandonar, nunca te magoar, nunca te deixar na mão. Prometo nunca... Nunca deixar de te amar, Alice.
Meu coração estava prestes a sair pela garganta, enquanto lágrimas sem querer desciam. Tentei acordar pra vida, porque ainda estava chocada demais. Quando finalmente consegui emitir algum som, ele saiu baixo, porém seguro.
- Sim.
- O quê? – Franco perguntou. – Eu não...
- Sim, eu quero - repeti, dessa vez mais alto – Eu quero me casar com você, Franco Longbottom! É claro que eu quero!
- Sério? – Franco perguntou, incrédulo.
- Você achou que eu diria não? – perguntei, dando uma risada. Segurei ele pela beca e o ergui para beijá-lo. Ele ainda estava surpreso, mas logo acordou também, e me beijou de volta.
Desatei a chorar quando ele pegou em minha mão delicadamente e colocou o anel em meu dedo. Não sei o que tremia mais, a minha mão ou a dele.
- Eu te amo – falamos ao mesmo tempo e, depois de nos abraçarmos, perdi completamente a noção do tempo.
Só sei que quando voltei ao Salão Principal, muitas pessoas já tinham ido embora. Logo localizei o resto da turma, e cheguei soltando um grito histérico:
- Meninas, meninas! – chamei. Elas me olharam, e então eu mostrei minha mão.
- Meu Deus! – exclamaram, soltando gritinhos histéricos também. Fizeram uma roda ao redor de mim e me abraçaram, ainda em comemoração.
- Finalmente, Francão! – Sirius disse, enquanto os meninos davam tapinhas em suas costas.
- Que anel lindo, Franco! – Emelina elogiou. – Tem bom gosto.
Depois disso fomos comemorar com mais uísque de fogo, e eu não desgrudei de Franco por nada. Eu estava tão feliz, mas TÃO feliz... E então percebi que eu não queria que nada daquilo acabasse. Nada mesmo, jamais...
Lily:
De mãos dadas com James (uma das melhores coisas da vida), caminhávamos por aí, já sem becas, apenas aproveitando a movimentação do castelo. Logo iríamos pra sala de música, onde Mister D tinha proposto mais uma reunião, talvez a última.
- Tem certeza de que não se sentiu muito desconfortável por causa dos meus pais? – James perguntou, sorrindo, enquanto ainda andávamos.
- Fala sério, James. Eles são tão divertidos! – tornei a dizer, e eu estava sendo bem sincera. Nunca imaginaria que eles seriam daquele jeito. Acho que só agora descobri porque James era assim. – Sem dúvidas, você tem sorte de ter pais como eles...
E parei por um momento. Não Lily, você não vai começar a chorar de novo. Você foi muito bem durante toda a cerimônia da formatura, não vai amolecer agora.
- Lily – James disse, calmamente. Se pôs na minha frente e ergueu meu olhar para o dele. – Eu sei que foi muito difícil pra você hoje, mas... Você tem que saber que seus pais estão muito orgulhosos de você. Não importa onde eles estejam, você sabe disso.
Não chora, não chora, não chora...
- Eu sei – assenti, e forcei muito um sorriso. – Obrigada.
- Ânimo, garota – ele me beijou, e de novo e de novo. Soltei uma risada. – Daqui a pouco é nosso baile e não queremos nem um pingo de tristeza por lá, ouviu?
- Certo – concordei novamente. Respirei fundo para me recompor.
- Vamos pra sala de música? – ele sugeriu. – Já deve ter alguém por lá.
Mas não tinha. Quero dizer, somente os músicos. Cumprimentamos todos eles, e ficamos a esperar que alguém aparecesse.
- Só acho que chegamos cedo demais – James riu.
- Podemos matar o tempo – falei, com uma piscadela. Fui até os músicos e cochichei a música pra eles. – Você disse que não quer nem um pingo de tristeza hoje, então... Vamos sorrir.
A música começou, e James sorriu, já entendendo tudo.
When you first left me
I was wanting more
But you were kissing that girl next door
What you do that for?
(What you do that for?)
When you first left me
I didn't know what to say
I'd never been on my own that way
Just slept by myself all day
Peguei nas mãos de James e o trouxe até o centro da sala, cantando enquanto ele cantava ao fundo uma vez ou outra.
I was so lost back then
But with a little help from my friends
I found the light in the tunnel at the end
Now you're calling me up on the phone
So you can have a little whine and a moan
And it's only because you're feeling alone
Ele ria, enquanto eu cantava e girava por aí sem parar. Foi incrível como o efeito da música foi imediato, e eu até havia esquecido porque eu estava triste antes. Ok, eu não esqueci, mas também não queria lembrar.
At first when I see you cry
Yeah it makes me smile
Yeah it makes me smile
At worst I feel bad for awhile
But then I just smile
I go ahead and smile
La la la la la la la la la la
La la la la la la la la la la
James dançava comigo, parecendo satisfeito por minha atitude animadora. Foi bom ter tido essa ideia, pois além de eu ficar mais alegre, fazia com que James ficasse alegre com isso também.
At first when i see you cry
Yeah it makes me smile
Yeah it makes me smile
At worst I feel bad for awhile
But then I just smile
I go ahead and smile
At first when i see you cry
Yeah it makes me smile
Yeah it makes me smile
At worst I feel bad for awhile
But then I just smile
I go ahead and smile
James me abraçou forte e a música acabou ao mesmo tempo em que os outros chegavam, com altas conversas.
- Ah, aí está o casal! – Maria exclamou, entusiasmada. – Estávamos procurando por vocês.
Todo mundo foi sentando, inclusive Sean, que me deu um longo abraço antes de ir pra cadeira onde costumava se sentar. Todos nós ficamos ali, esperando por Mister D, tal como fizemos tantas outras vezes durante o ano. Céus, ainda não dava pra acreditar que isso estava acabando...
- Oh! – Dorcas arfou, olhando espantada para um dos pergaminhos que segurava. – Oh, Merlin!
- O que foi? – perguntamos.
Dorcas continuou de boca aberta, passando os olhos pelo papel. Obviamente isso deixou todos impacientes.
- O que foi, Dorcas? – tornamos a perguntar.
- Eu estava lendo algumas cartas dos fãs, mas essa aqui não é de um fã! – ela exclamou, e bufamos, pois tínhamos pensando que era um assunto interessante. – Não gente, espera! É uma carta de uma funcionária da edição do Profeta Diário!
Soltamos exclamações, e Alice e Sean se aproximaram para ler a carta também.
- Ela disse aqui que leu algumas de minhas edições do MMM e adorou meu trabalho e a forma como eu espalhava as notícias! – Dorcas disse, ainda chocada, mas ao mesmo tempo vibrante. – E é para eu procurá-la assim que eu me formar!
- Parabéns, Dorcas! – comemoramos, enquanto Sophie e Emelina a abraçavam.
- Olha só, Meadowes – Dorcas ainda olhava para o pergaminho, mal acreditando. – Fazendo sucesso lá fora antes mesmo de sair. Eu sou incrível, mesmo.
Demos algumas risadas, pois sabíamos que sentiríamos falta desse jeito dela também.
- E qual o nome dessa funcionária aí? – Jason perguntou, curioso. Dorcas voltou a ler o pergaminho.
- Hum, é... Rita – ela informou, ainda mais contente. – Rita Skeeter. Nome de gente rica.
- Nunca ouvi falar dela. Deve trabalhar em algum departamento interno do jornal – Sophie disse.
- Não me importo! Eu vou conseguir uma emprego no Profeta Diário! – Dorcas começou a dançar em cima da cadeira, e por pouco não caiu.
- Meus parabéns Dorcas! – Mister D veio entrando e já parabenizando. – Todos nós sabemos que seu futuro é cheio de sucesso.
- Obrigada, professor – ela agradeceu, arfando. – Eu sei que vocês sabem, em todo o caso.
- Bom, eu estava pensando no que teríamos agora, aproveitando sempre nossos últimos momentos no castelo, e então eu me lembrei de uma música muito especial que acho que se encaixa perfeitamente para quem está indo embora – Mister D foi direto ao ponto, e então foi aí que percebi que ele carregava um violão com ele. – Espero que gostem.
Ele sorriu para nós, e recebeu vários outros sorrisos de volta.
May the good lord be with you
Down every road you roam
And may sunshine and happiness
Surround you when you're far from home
And may you grow to be proud
Dignified and true
And do unto others
As you'd have done to you
Be courageous and be brave
And in my heart you'll always stay
Forever young, forever young
Forever young, forever young
May good fortune be with you
Até tinha me esquecido o quanto Mister D tocava violão bem, e desacompanhado de outros membros da banda ali. Era bonito de se ver, ele cantando e tocando daquele jeito. Deitei minha cabeça no ombro de James para continuar a assistir aquele número lindo.
May your guiding light be strong
Build a stairway to heaven
With a prince or a vagabond
And may you never love in vain
And in my heart you'll always remain
Forever young, forever young
Forever young, forever young
Forever young
Forever young
Não demorou muito pra pessoas começarem a chorar (chuto Emelina e Alice), mas era meio inevitável. Hoje estava um dia muito "chorante". Muitas emoções, muitas despedidas... Acho que eu estava me segurando ao máximo para não surtar.
And when you finally fly away
I'll be hoping that I served you well
For all the wisdom of a lifetime
No one can ever tell
Mister D sorria, e por um momento eu me recordei do primeiro momento em que eu o tinha visto. Dumbledore o apresentando como o novo professor de Defesa Contra As Artes das Trevas, Maria comentando o quanto ele era bonito e jovial. Nem imaginávamos que ele criaria um laço tão forte com todos nós.
But whatever road you choose
I'm right behind you, win or lose
Forever young, forever young
Forever young, forever young
Forever young, forever young
For, forever young, forever young
Aplaudimos sem hesitar quando ele soltou a última nota no violão. Ficamos todos de pé e corremos para abraçá-lo, falando várias coisas ao mesmo tempo, coisas que ninguém entendia.
- Eu amo vocês – ouvimos ele dizer, enquanto abraçava todo mundo.
Aí que eu não resisti mesmo, e chorei, chorei...
Sirius:
Dueto épico e o mais esperado de todos os tempos. A agitação era imensa naquela sala de música, onde todo mundo via as duas garotas sorrindo uma para as outra. Tudo começou quando Maria disse as seguintes palavras:
- Eu gostaria de cantar essa música com um alguém, e acho que já estava na hora de isso acontecer – todos esperavam que ela dissesse Jason, mas o que ela disse foi: – Lily, vamos?
Todo mundo vibrou, porque sem dúvidas aquelas eram as vozes mais fortes daquele castelo. Ninguém ligou muito para o descaso de Dorcas, pois estávamos curiosos para ver essa cena inédita. Logo até Dorcas ficou curiosa para o começo daquele número.
E a música que elas tinham escolhido não podia ser melhor:
Yeah!
Yeah... Oh, oh, oh, oh!
Every single day
I walk down the street
I hear people say
'Baby's so sweet'
Ever since puberty
Everybody stares at me
Boys, girls
I can't help it baby
So be kind
And don't lose your mind
Just remember
That I'm your baby
Lily andava até Maria, fazendo alguns gestos meio delicados. Além de cantar, elas estavam se divertindo, pois não paravam de sorrir. Em seguida veio Maria, não se intimidando pela sua "adversária".
Take me for what I am
Who I was meant to be
And if you give a damn
Take me baby or leave me
Take me baby or leave me
Começamos a bater palmas e gritar para as duas, inclusive Mister D e Nina, que havia chegado depois. Por Merlin, que dueto incrível!
A tiger in a cage
Can never see the sun
This diva needs her stage
Baby, let's have fun!
You are the one I choose
Folks would kill to fill your shoes
You love the limelight too, now baby
Soltamos muitos gritos, enquanto as duas continuavam a mandar ver. De fato parecia que estavam competindo, mas era a coisa mais divertida que elas podiam estar fazendo. Até chegavam a segurar o riso, enquanto faziam gestos e estendiam as notas, desafiadoras.
So be mine
And don't waste my time
Cryin', "oh honeybear
Are you still my, my, my baby?"
Take me for what I am
Who I was meant to be
And if you give a damn
Take me baby or leave me
Mais palmas no ritmo e mais gritos faziam com que elas se entusiasmassem mais. Maria parecia perder o fôlego, assim como Lily, mas elas simplesmente não paravam.
No way, can I be what I'm not
But hey, don't you want your girl hot?
Don't fight, don't lose your head
'Cause every night, who's in your bed?
Até ficamos de pé pra cantar junto e bater palmas. Emelina e John dançavam, enquanto os outros fingiam abaná-las.
Take me for what I am
Who I was meant to be
(Who I was meant to be)
And if you give a damn
(And if you give a damn ya better)
Take me baby or leave me
(Oh take me baby, take me or leave me)
Take me baby
Or leave me
Guess I'm leaving
I'm gone!
E, no final, as duas caíram na gargalhada e se abraçaram. Aplaudimos e assobiamos para as duas, que continuaram abraçadas por mais um tempo. Não me lembro direito desde quando as duas eram amigas, mas já faziam anos.
Isso fez com que eu olhasse para Pontas, e depois para Aluado. Os dois sorriram para mim, e foi aí que eu me dei conta de que nosso tempo como marotos também estava se acabando lentamente, e nem tínhamos percebido.
Maria:
Já tinha anoitecido e as meninas novamente ocuparam o nosso dormitório para a arrumação. Os vestidos estavam lindos, magníficos, perfeitos! Até agradeci a Sra. Brown quando a encontrei hoje mais cedo, na cerimônia. Todo mundo tinha escolhido vestidos longos para hoje, de várias cores e vários modelos. No corpo, ficavam ainda mais bonitos.
Sophie tinha escolhido o mais básico de todos. Era de um azul bem claro, de seda, sem decote nenhum. Tinha somente um laço branco em volta da cintura, mas toda aquela simplicidade de cores claras deixou o vestido muito mais bonito no corpo dela e deu muito destaque para seus olhos azuis. Lily tinha pegado um tomara que caia branco com várias lantejoulas pratas. Ficou perfeito para ela também. Emelina escolheu um preto novamente (mas tenho certeza de que Remo gostaria), voltado para o roxo ao longo de seu comprimento. Na cintura havia várias pedrinhas brilhantes também. Dorcas, é claro, quis o vermelho sangue. Tinha uma simples abertura no decote, mas é até pequeno comparado aos que ela adorava. Beth, aproveitando sua nova silhueta, pegou um rosinha bem básico, com uma renda preta no top do tomara que caia. O de Alice, obviamente, era um dos mais bonitos. Começava amarelo e terminava numa mistura enorme de cores. Dorcas até arrumou confusão por causa disso, como sempre, mas ninguém deu a mínima. No meu caso, eu apenas optei por um azul esverdeado, cheio de babados e rendas. Achei a cor e o modelo bonito, portanto era suficiente para mim.
Assim, todas prontas, descemos para a sala comunal, onde os garotos nos esperavam. Era difícil escolher qual estava mais gato naquele traje de gala, mas fico com Jason mesmo. Os olhos de todos brilhavam à medida que descíamos as escadas. Fui recebida por Jason de braços abertos.
- Você está simplesmente linda – disse, como se ele estivesse desarrumado.
- Eu sei – dei de ombros, e ele riu.
Lily já estava com James, que estava super feliz por estar com sua ruiva novamente. Remo parecia sentir o mesmo com Emelina. Sophie apenas sorriu para Sirius (que não havia sido nada discreto quando ficou boquiaberto ao vê-la), e foi andando na frente de nós junto com Dorcas. Beth se juntou a Rabicho (uma cena estranha, mas até que ele não ficava mal de terno) e Alice já estava abraçada a Franco. Assim, partimos para o Salão Principal.
Já chegando no Saguão de Entrada podíamos ouvir o som da música e das vozes animadas. Pessoas bem vestidas andavam por todo lado, e casais já se pegavam em um canto e outro. Adentramos o Salão Principal e fomos engolfados pela animação e a dança de todos. As luzes brilhavam, garçons perambulavam por entre os formandos e os outros convidados. E no palco, junto à banda, Irving e os lufanos tomavam conta da festa.
The sun goes down
The stars come out
And all that counts
Is here and now
My universe will never be the same
I'm glad you came
Todo mundo já pulava, gritava e cantava junto com Irving, que animava os que estavam ali perto do palco. Nosso grupo se dispersou, indo se servir de bebida, dançar ou conversar com algum conhecido.
You cast a spell on me, spell on me
You hit me like the sky fell on me, fell on me
And I decided you look well on me, well on me
So let's go somewhere no-one else can see
You and me
Turn the lights out now, now I'll take you by the hand
Hand you another drink, drink it if you can
Can you spend a little time, time is slipping away
Away from us so stay, stay with me I can make
Make you glad you came
Jason nem me deixou apreciar a decoração e já me puxava pra pista de dança. Começou a me rodopiar, segurando minha cintura e, dando risada, não tive outra escolha se não aproveitar a dança. Todo mundo estava tão animado que era impossível ficar parado por aí.
The sun goes down
The stars come out
And all that counts
Is here and now
My universe will never be the same
I'm glad you came
I'm glad you came
I'm glad you came
So glad you came
I'm glad you came
I'm glad you came
- Você está feliz? – Jason perguntou, já ofegante assim como eu.
- Mais do que nunca – respondi simplesmente. Ele sorriu e aumentou o ritmo da dança. No palco, Irving ia finalizando a música.
The sun goes down
The stars come out
And all that counts
Is here and now
My universe will never be the same
I'm glad you came
I'm glad you came
Sean:
Come on, stand, up again
Come on, stand,
Stand, you're gonna run again
Don't give up,
You're gonna see tomorrow
That you'll be on your feet again
Sometimes the world's gonna knock you over
But you will see who you are your friends
Come on, stand, up again
Come on, stand,
Stand, you're gonna run again
- Sean! Benn! – Lily gritou para nós, e então correu para nos abraçar. James veio atrás, e o abraçamos também. – Finalmente encontrei vocês!
- Lily, você está ma-ra-vi-lho-sa! – Benn disse, pegando sua mão e fazendo ela dar uma voltinha. – James Potter, agradeça a Merlin por esse mulherão do seu lado.
- Todos os dias – James falou, piscando. Lily riu.
- Vocês estão ótimos também – Lily falou, entusiasmada, quando Benn me abraçou. – Está tudo muito lindo.
- Toda formatura tem que ser assim, certo? – falei, contente. – Obrigado por ter nos convidado, Lily.
- Realmente achou que eu não convidaria? – ela me olhou com falsa irritação, e então riu. – Aproveitem!
Pegou na mão de James e sumiu no meio da multidão. Benn me puxou pra dançar e ficamos aproveitando o número animado de Irving. Eu o odiava, mas devo reconhecer que ele fez escolhas legais. Logo ocuparíamos o lugar dos lufanos no palco.
Your faith and patience will be your soldiers
To guide you through your troubled times
Just put one foot in front of the other
The battles are inside your mind
You have the power to face your demons
No matter how they go on time
And rid yourself of your fear and weakness
So you can start to live your life
- Finalmente, juntos – falei, segurando nas mãos de Benn. Ele se aproximou para me beijar.
- Já não era sem tempo – ele riu, e logo Jenny chegou para nos dar um abraço. Demos-lhe parabéns mais uma vez, ela agradeceu e arrastou seu par para onde uma multidão se acumulava pra dançar.
Come on! Stand, up again
Come on, stand,
Stand, you're gonna run again
Come on! stand, up again
Come on, stand,
Stand, you're gonna run again
Percebi Benn observando Irving e os outros lufanos cantando e animando no palco. Ele ficou assim por uns segundos, e acho que nem se deu conta disso.
- Queria estar lá? – perguntei, o interrompendo de seus devaneios.
Ele balançou a cabeça.
- Não. É claro, tenho muitos amigos lá, mas... – ele sorriu para mim. – Aqui está melhor.
E olhou para Irving mais uma vez. Ele apenas fez um aceno de cabeça, e Benn retribuiu.
Pick up your will
And put on your face
If you need to, just take my hand
It's time to demonstrate, don't hesitate
Just get up and say: Yes, I can
Come on! stand, up again
Come on, stand,
Stand, you're gonna run again
Come on! stand, up again
Come on, stand,
Stand, you're gonna run again!
Franco:
Quando Mister D subiu ao palco e começou a cantar, não tive outra escolha se não pegar Alice para ser minha parceira. Era uma música que você simplesmente precisava de um par, e não há nada melhor do que dançar com sua noiva.
When Marimba Rhythms start to play
Dance with me, make me sway
Like a lazy ocean hugs the shore
Hold me close, sway me more
Like a flower bending in the breeze
Bend with me, sway with ease
When we dance you have a way with me
Stay with me, sway with me
Alice ria com nossos passos de salsa completamente errados e não sincronizados, mas continuávamos a tentar. Ninguém sabia dançar muito bem, mas pelo jeito que Mister D animava em cima do palco, obviamente ele sabia. Mais adiante, Emelina balançava seu vestido e dançava com Remo, que estava completamente atrapalhado.
- Pelo menos não é só a gente – Alice riu.
Other dancers may be on the floor
Dear, but my eyes will see only you
Only you have the magic technique
When we sway I go weak
- Droga! – Dorcas se aproximava, vermelha, interrompendo nossa dança momentaneamente.
- O que aconteceu? – Alice perguntou.
- Um marmanjo idiota derrubou cerveja amanteigada no meu vestido! – ela disse, sacudindo a barra. – Eu vou matar aquele desgraçado! Agora estou fedendo!
- Dorcas, por que não usa sua varinha pra secá-lo? – sugeri.
Dorcas ponderou.
- Era só o que me faltava. Agora estou me esquecendo de que sou bruxa – ela falou com aborrecimento, sacou sua varinha e se afastou, deixando eu e Alice para trás, rindo.
I can hear the sounds of violins
Long before it begins
Make me thrill as only you know how
Sway me smooth, sway me now
Other dancers may be on the floor
Dear, but my eyes will see only you
Only you have the magic technique
When we sway I go weak
- Acha que Dorcas vai se acertar com alguém? – perguntei a Alice, que deu de ombros.
- Tem que ser uma pessoa que consiga aguentar o gênio forte dela.
- Ou ter um gênio igual ao dela – completei.
I can hear the sounds of violins
Long before it begins
Make me thrill as only you know how
Sway me smooth, sway me now
You know how
Sway me smooth, sway me now
Like a flower bending in the breeze
Bend with me, sway with ease
When we dance you have a way with me
Stay with me, sway with me
Por fim, eu e Alice desistimos da salsa, e fomos procurar alguma coisa pra beber. Optei por uma cerveja amanteigada, mas Alice preferiu um suco. Assim que bebericou do seu copo, fez uma careta.
- Tem alguma coisa errada com esse suco... – disse, e então exclamou. – Está com gosto de álcool!
Só havia uma resposta pra aquilo: marotos.
Dorcas:
Quem foi que deixou a garota mais conhecida como Emelina Vance subir naquele palco para cantar?
D-I-N-O-S-A-U-R a dinosaur
D-I-N-O-S-A-U-R a dinosaur
O-L-D M-A-N You're just an old man
Hitting on me what?
You need a CAT Scan
Mas que música era aquela? Por que aquilo? O que é isso?
Minha careta de interrogação refletia na cara de Lily, Alice e Sirius, que faziam expressões que não estavam entendendo. Mesmo assim, as pessoas dançavam sem se importar com a letra sem sentido, e as ex-Griffies a ajudavam.
Old man
Why are you starin' at me
Mack on me and my friends
It's kinda a creepy
You should be prowling around the old folks home
Come on dude!
Leave us alone
At first we thought that it was kind of ew when
We saw that you were like a billion
And still out tryin' to make a killin'
Get back to the museum
Até Remo estava com aquele sorriso amarelo no rosto, mas mesmo assim dançava, já que Lina não parava de mandar beijinhos para ele.
Como eu não estava a fim de dançar uma música sobre dinossauros, me afastei e sentei à uma mesa mais próxima. Merlin, esse baile não estava legal. Já pisaram no meu pé, derramaram cerveja amanteigada no meu vestido e... Eu estou sozinha. Sozinha, sozinha mesmo. Solteirona. Infeliz. Bebendo minha taça de uísque de fogo e olhando tristemente para um lugar qualquer, como todo abandonado faz. Tudo bem, tudo bem, não estou totalmente pra baixo. Eu, Dorcas Meadowes, sou a mais incrível de todas. Já estou me formando com um emprego garantido em um dos principais jornais do mundo bruxo. Mas só. Nada mais. Continuo solteira e sem ninguém, e Dorcas Meadowes sem ninguém não é algo que o mundo deve aceitar...
D-I-N-O-S-A-U-R a dinosaur
D-I-N-O-S-A-U-R a dinosaur
O-L-D M-A-N You're just an old man
Hitting on me what?
You need a CAT Scan
Hey dinosaur
Baby, you're prehistoric
Hey dinosaur
That's what you are HA!
Hey carnivore
You want my meat, I know it
Hey dinosaur
That's what you are HA!
E tudo que está ruim pode piorar. Ainda lamentando mentalmente da minha vida solitária, eis que me aparece a seguinte figura: Brandon Irving, o Homofóbico.
- Olha quem está aqui! – ele me olhou, e tinha desdém e sarcasmo tudo misturado só nessas quatro palavras ditas. – Dorcas Meadowes!
- Sim senhor, eu mesma – cortei, já impaciente. – Vaza.
- Pra que tanta raiva, Meadowes? – e então ele olhou ao redor. – Creio que não está esperando que ninguém traga sua bebida, certo?
- Vaza.
- Você está sozinha! – ele soltou uma risadinha. Ele vai levar um murro e não vai demorar...
- Sinto muito, Meadowes – ele fez um muxoxo triste e falso. – Você sabe o motivo disso. É realmente muito difícil achar alguém que te suporte, não é?
- Vaza.
- Eu sei, eu sei. Você deve estar brava porque nunca mais te procurei depois daquele inusitado beijo que tivemos. Erro meu. – ele fez um gesto com as mãos. – Erro ter te beijado, é claro.
Me pus de pé, segurando firmemente minha taça de uísque. Irving olhou para ela e depois para mim, com um olhar desafiador.
- Não vai me dizer que vai se rebaixar a ponto de jogar um uísque na minha cara, certo Meadowes? – ele perguntou.
- Não. Vou te deixar falando sozinho, porque quando você fica muito tempo perto de mim eu me sinto extremamente desconfortável – falei, tomando um gole do meu uísque e começando a me afastar. – Não sei se é por causa de seu preconceito nojento, ou se é por causa desse seu terrível bafo podre.
Yeah
You're pretty old
Hahahahaha…
Not long till you're a senior citizen
And you can strut around with that sexy tank of oxygen
Honey your toupee is fallin' to your left side
Get up and go bro!
Oh wait you're fossilized HA!
You sat down, bought me a martini
Won't go away, my hips are in sinking
Then you say, "wanna come with me?"
I'm about to barf, seriously
Fiquei andando por aí, vendo tantos casais felizes e sorridentes, me perguntando se eu era assim tão insuportável. Quando eu vi Penny Stanton acompanhada, entendi que não, o problema não é comigo.
D-I-N-O-S-A-U-R a dinosaur
D-I-N-O-S-A-U-R a dinosaur
O-L-D M-A-N You're just an old man
Hitting on me what?
You need a CAT Scan
Hey dinosaur
Baby, you're prehistoric
Hey dinosaur
That's what you are HA!
Hey carnivore
You want my meat, I know it
Hey dinosaur
That's what you are HA!
Me sentei novamente, e poucos segundos depois outra pessoa veio me encher o saco. Dessa vez era quem, quem, quem?
- Oi, Dorcas – Jessie St. James se aproximou. – Eu... Vim aqui pra perguntar se você não quer dançar comigo.
Parei um pouco, tentando entender aquilo e esperando ele rir da própria piada.
- Hã? – perguntei, quando ele ficou imóvel.
- Você... Quer dançar comigo? – ele perguntou novamente, e esperou.
Alguma coisa errada estava acontecendo e eu não percebi.
- O que você quer?
Ele suspirou.
- Dançar com você. Já não disse?
- E por quê?
- Porque eu quero.
- Por que eu?
- Porque sim.
- É pegadinha?
- Não.
- Alguma aposta com algum amigo idiota?
- Não!
- Falta de opção?
- Não, eu...
- Acha que vai fazer sexo comigo depois do baile?
- O quê? Não...
- Certo, então – coloquei minha taça de lado e voltei a ficar de pé. Estendi a mão. – Mas se você pisar no meu pé, eu te mato.
Ele assentiu, e me levou até a pista de dança.
Hey dinosaur
Baby, you're prehistoric
Hey dinosaur
That's what you are HA!
Hey carnivore
You want my meat, I know it
Hey dinosaur
That's what you are HA!
D-I-N-O-S-A-U-R a dinosaur
D-I-N-O-S-A
That's what you are HA!
D-I-N-O-S-A-U-R a dinosaur
D-I-N-O-S-A
That's what you are HA!
James:
- Dorcas e Jessie? É isso mesmo que meus olhos veem? – Maria exclamou, quando se juntou a mim e Lily com Jason.
- Uau! – Lily exclamou, rindo, ao ver os dois dançando. – Quem diria?
- Será que vai rolar alguma coisa ou só estão dançando mesmo? – indaguei, e Maria deu de ombros.
- Seria bom se rolasse, assim Dorcas não ficaria sozinha e pararia de reclamar.
- Em todo caso, viemos aqui discutir um assunto que está causando perguntas entre os presentes da festa – Maria me lançou um olhar significativo. – Já chegaram a beber do suco ou do ponche?
- Não, por quê? – Lily perguntou, e tentei disfarçar.
- Misturaram com álcool, e um dos fortes! Não dou nem uma hora pra todo mundo já estar caindo de bêbado.
Lily rapidamente se virou para mim, com um olhar acusatório.
- Você colocou bebida alcoólica no ponche? – continuei a assobiar, mas ela esperou pela minha resposta. Soltei um suspiro.
- É nossa última noite aqui, ruiva. Portanto tivemos que fazer nossa última marotagem, certo? – falei, mordendo o lábio. – Não vai me dar uma detenção ou uma bronca, vai?
- Não – ela disse, e quase caí pra trás.
- Não?
- Não. Não sou mais monitora-chefe – ela deu de ombros com descaso. – Se quiser explodir o castelo eu não posso fazer nada a respeito.
Lily recebeu olhares perplexos de mim, Maria e Jason. Demorou um tempo para perceber.
- O que foi?
- Nunca. Em toda a minha vida... – Maria foi dizendo lentamente.
- ... pensei que eu ouviria isso – completei. Jason riu, e Lily também.
Depois disso, tive que beijá-la, é obvio.
Logo nossa conversa foi interrompida por Sirius, que havia subido ao palco. O povo que estava dançando feito louco lá perto sossegou um pouco para prestar atenção.
- Todo mundo está falando de despedidas, mas ninguém está pensando no lado bom das coisas – ele gritou ao microfone. – Estamos dizendo adeus aos amigos e ao castelo, sim. Mas estamos dizendo adeus aos exames, às redações de meio metro, à pressão que tínhamos todos os dias! Dizendo adeus a todos os momentos de desespero que nossos queridos professores nos proporcionaram!
Algumas pessoas gritaram em resposta, e gritaram ainda mais quando Sirius pegou uma guitarra e começou a cantar.
Well we got no choice
All the girls and boys
Makin' all that noise
'Cause they found new toys
Well we can't salute ya
Can't find a flag
If that don't suit ya
That's a drag
Só o Sirius mesmo pra cantar aquela música... Mas a plateia parecia gostar, porque pulavam sem parar e entraram num bate-cabeça. Lily, ao meu lado, balançava a cabeça, mas se divertia.
School's out for summer!
School's out forever!
School's been blown to pieces!
No more pencils
No more books
No more teachers
Dirty looks
Sirius pulava no palco também, continuando com as notas em sua guitarra. Todo mundo parecia ter enlouquecido, então me lembrei de que provavelmente estavam à base de álcool.
Well we got no class
And we got no principles
And we got no innocence
We can't even think of a word that rhymes
School's out for summer!
School's out forever!
My school's been blown to pieces!
- Sirius, Sirius... – Maria murmurou, mas mesmo assim foi pra junto da movimentação enorme junto com Jason. Eu e Lily preferimos ficar por ali mesmo, porque o risco de levar um soco acidental na cara era grande.
Out for summer
Out till fall
We might not go back at all
School's out for ever
School's out for summer
School's out with fever
School's out completely
E Sirius terminou a música com muitos aplausos e gritos, até mesmo de alguns sonserinos que haviam aprovado a música mais do que tudo. Vi professores também observar a cena sem se importar muito, mas Nina e Mister D pareciam ter se divertido.
Sirius reverenciou algumas vezes, e depois desceu do palco.
Sophie:
Burn baby burn
Burn baby burn
Burn baby burnin
To my surprise one hundred storeys high
People getting loose now, getting down on the roof
Folks screaming, out of control
It was so entertaining when the boogie started to explode
I heard somebody say
Maria subiu no palco pra animar os bêbados, enquanto outros já desmontavam nas mesas, acabados. Enquanto isso perambulei pela festa, tomando o ponche mais sem álcool que achei. E por falar nisso...
- Professora, eu juro que não fiz isso – Sirius dizia a uma McGonagall com o rosto bravo. – Por que eu colocaria bebida alcoólica nos sucos e ponches?
- Para deixar todos os convidados ainda mais bêbados do que costumam ficar? – ela repreendeu. – Sorte a sua estar ter se formado, Black, senão ganharia três meses de detenção.
A professora soltou uma risadinha antes de se afastar, e então Sirius se virou e deu de cara comigo. Fiquei sem graça, mas me aproximei.
- Nada como estar saindo de Hogwarts levando uma bronca – falei, bebericando do meu copo. – Por ter alcoolizado os convidados e por ter se mostrado um garoto rebelde no número que acabou de fazer.
- Rebelde? Foi isso que achou? – ele perguntou, rindo. – Achei que tinha sido algo divertido.
- Isso é divertido – apontei pra Maria, que ainda cantava a todos pulmões, com as ex-Griffies como voz de fundo.
(Burn baby burn) Disco Inferno
(Burn baby burn) Burn that mother down
(Burn baby burn) Disco Inferno
(Burn baby burn) Burn that mother down
- Bom, cada um se diverte de sua maneira – Sirius disse, me fazendo rir. – E a sua maneira é...
- Andar por aí bebendo um ponche bem suspeito – falei, franzindo a testa para a taça. – Não há nada melhor, certo?
Comecei a andar por aí e Sirius começou a me acompanhar.
- E o problema com sua mãe? Foi resolvido?
- Não falei mais com ela. Depois da discussão ela simplesmente foi embora sem falar comigo – dei de ombros. – Provavelmente se despediu de Jason, mas não de mim.
Up above my head
I hear music in the air
That makes me know
There's a party somewhere
- Eu sei que é desagradável perguntar, diante de diversos fatos do passado, mas... - Sirius disse, e então interrompeu meu caminho e se pôs na minha frente. – Por que exatamente você não está aproveitando o baile com Bronwen?
Ah, eu sabia. Tinha demorado, até.
- Você sabe que isso não é da sua conta, não sabe?
- Sei – ele insistiu, e não pareceu recuar diante da minha resposta mal educada. – Mas mesmo assim quero saber.
Soltei um suspiro e dei a volta. Ele me seguiu.
- Eu não sei... – fui falando, mesmo não querendo. – Ele simplesmente parou de falar comigo e começou a me evitar... Não sei. Está tudo muito estranho.
Satisfaction came in a chain reaction
I couldn't get enough, so I had to self-destruct
The heat was on, rising to the top
Everybody is going strong, and that is when my spark got hot
I heard somebody say
Olhei para Eric, que dançava perto de Alicia e John. Os três pareciam muito felizes. Sirius acompanhou meu olhar.
- Sinto muito – ele disse, meio que na dúvida.
- Eu sei que não sente – coloquei a taça vazia numa mesa próxima, e ele fez o mesmo.
- Em todo caso – ele foi dizendo, e então sorriu (galanteador?) para mim. – Quer dançar?
- Com você? Não.
- Como amigos. Eu juro.
Ele não hesitou ao meu olhar desconfiado. Continuou a sorrir.
- Espero que não fique aguardando pelo o que aconteceu no último baile se repita nesse – falei simplesmente, o acompanhando até onde mais pessoas dançavam.
A lembrança do Baile de Natal me deu um aperto no peito e, pela expressão que ele fez, ele devia ter sentido o mesmo.
- Tudo bem – ele disse simplesmente e, sem aviso prévio, puxou meu corpo com tudo para perto do dele. Soltei um arfar alto.
- Relaxe, Carol... – ele disse simplesmente, e começamos a dançar.
(Burn baby burn) Disco Inferno
(Burn baby burn) Burn that mother down
(Burn baby burn) Disco Inferno
(Burn baby burn) Burn that mother down
(Just can't stop) When my spark gets hot
(Just can't stop) When my spark gets hot
Maria:
Juntar cinco garotos no palco nunca poderia ter sido uma boa ideia. O que saiu foi isso:
You're insecure
Don't know what for
You're turning heads when you walk through the door
Don't need make up
To cover up
Being the way that you are is enough
Everyone else in the room can see it
Everyone else but you
E o resultado foi esse: meninas loucas e histéricas gritando pelo nome deles, não se mancando que quase todos eles tinham namorada!
John, Eric, Jason, Remo e Franco cantavam e dançavam, recebendo tantos gritos de meninas que eu mal escutava o que eles diziam na música. E como nada poderia ser pior, percebi Emelina perdida no meio das garotas, gritando histericamente também. O que é isso, Merlin?
Baby you light up my world like nobody else
The way that you flip your hair gets me overwhelmed
But when you smile at the ground it ain't hard to tell
You don't know, oh oh
You don't know you're beautiful
If only you saw what I can see
You'll understand why I want you so desperately
Right now I'm looking at you and I can't believe
You don't know, oh oh
You don't know you're beautiful oh oh
But that's what makes you beautiful
Não, eu não estava com ciúmes. Mesmo quando Jason rebolou um pouquinho e as meninas gritaram, mesmo quando uma quase subiu no palco para tentar agarrá-lo. Eu meio que estava sentindo o que uma namorada de um artista famoso se sentia, e devo dizer: isso não é bom.
- Isso é repugnante! – Alice e Alicia se aproximaram. Alicia não parecia achar isso.
- John faz muito sucesso! – ela exclamou, correndo pra se juntar às outras meninas que berravam.
Na-na-na-na-na-naaa-na-na
Na-na-na-na-na
Na-na-na-na-na-naaa-na-na
Na-na-na-na-na
Baby you light up my world like nobody else
The way that you flip your hair gets me overwhelmed
But when you smile at the ground it ain't hard to tell
You don't know, oh oh
You don't know you're beautiful
Jason conseguiu me localizar e me mandou um beijinho, mas você acha que isso adiantou? É claro que não. As retardadas gritavam mais ainda, mal se importando se ele era um garoto que pertencia à outra! Vacas!
Baby you light up my world like nobody else
The way that you flip your hair gets me overwhelmed
But when you smile at the ground it ain't hard to tell
You don't know, oh oh
You don't know you're beautiful
If only you saw what I can see
You'll understand why I want you so desperately
Right now I'm looking at you and I can't believe
You don't know, oh oh
You don't know you're beautiful, oh oh
You don't know you're beautiful, oh oh
That's what makes you beautiful
Nunca me senti tão aliviada de uma música ter acabado. As meninas finalmente deixaram meu namorado em paz, e ele veio até a mim e me beijou.
- Pelo visto não gostou da nossa apresentação.
- Não gostei mais é da plateia.
- Que ciumentinha linda – ele me beijou novamente. Minha expressão aborrecida não se alterou. – Deixe disso. Sabe que você é a única, a estrela da minha vida.
- Jason, você bebeu? – perguntei, e ele fez uma cara meio culpada.
- Só um pouco de ponche.
- Francamente – dei um tapa no seu braço. – Queria só ver se você enlouquecesse e saísse beijando qualquer uma daquelas fãs momentâneas de vocês.
- Nunca faria isso, você sabe – ele disse, e então exclamou: - Ei! Minha irmã voltou com o Sirius?
Me virei para seguir seu olhar, e vi os dois dançando. Pareciam se divertir.
- Seria ótimo – falei, sorrindo. – Tenho saudade dos dois juntos.
- Eu não! Ele a traiu! Qual o problema dela? – Jason avançou, e eu comecei a empurrá-lo pra longe.
- Não senhor, nada de barracos. Fique sentadinho aí – ele se sentou na cadeira, todo alterado. Ai, não mereço.
- Maria, Maria... – ele murmurou, me olhando meio vesgo. – Sabe que eu te amo, não sabe?
- Sei, sei sim... – soltei um suspiro. Cuidar de bêbados não é comigo.
- Que bom que sabe... – ele resmungou, e então caiu de cara na mesa e começou a cochilar.
É, não mereço.
Lily:
Dava pra ter uma visão ótima de cima do palco. Eu via todos os casais fofos juntos e dançando, e mais alguns de meus amigos juntos, rindo de alguma coisa. E, é claro, dava pra ver James, me assistindo.
- Queria dedicar essa música para meu namorado – eu falei, antes de tudo. – James Potter.
Pessoas aplaudiram, e a música começou. Todo mundo começou a dançar junto ao ritmo lento.
I can't win, I can't reign
I will never win this game
Without you, without you
I am lost, I am vain,
I will never be the same
Without you, without you
Ah, era tão bom poder cantar novamente. E essa música era linda também. Consegui ver Nina e David dançando juntinhos e trocando uns beijinhos. Só dava pra ver casais felizes por todos os lados, ainda mais com o incentivo da música que eu cantava.
I won't run, I won't fly
I will never make it by
Without you, without you
I can't rest, I can't fight
All I need is you and I
Without you
Without you
Oh, oh, oh!
You! You! You!
Without
You! You! You!
Without you
Olhei para James, e ele tinha um de seus melhores sorrisos, aquele sorriso que era inevitável: eu tinha de sorrir junto.
I won't soar, I won't climb
If you're not here, I'm paralyzed
Without you, without you
I can't look, I'm so blind
I lost my heart, I lost my mind
Without you
Eu queria dançar com ele, mas infelizmente não dava pra fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Não tive escolha se não só ficar trocando olhares e sorrisos com ele, e observar Emelina e Remo, Franco e Alice, Mister D e Nina e... Sophie e Sirius? Eu não estava entendendo mais nada.
Without you
Oh, oh, oh!
You! You! You!
Without
You! You! You!
Without you
I am lost, I am vain,
I will never be the same
Without you, without you
Without you
Muitos aplaudiram, mas outros estavam ocupados beijando as companheiras (os). Desci correndo do palco e me joguei nos braços de James. Ele ria.
- O que foi?
- Você se lembra de um tempo atrás quando eu disse... – ele continuou a rir. – Que eu disse pra você que você ainda cantaria um solo para mim?
- Por Merlin! Havia me esquecido completamente disso! – exclamei, surpresa.
- Eu não poderia estar mais certo – ele disse, me beijando levemente. – E eu adorei.
Eu ainda estava espantada, mas James continuava a rir. O destino e seu dom de nos pregar peças...
David:
Era horrível quando você está dançando e se divertindo com sua futura esposa e seu irmão mala chega pra encher o saco mais uma vez.
- Querido, irmão – ele cumprimentou com um aceno de cabeça e um sorriso forçado. – Nina.
- Olá, Julian – ela cumprimentou, sorrindo.
- Ei, querido irmão – falei, com ironia. – Por onde esteve?
- Resolvendo alguns assuntos urgentes que fizeram com que eu me retirasse imediatamente do castelo – ele disse, mais sério que o normal.
- Deve ser urgente mesmo, pra fazer você se escafeder tão rapidamente da competição final de corais assim que o resultado foi anunciado – soltei uma risadinha. – Fiquei triste por isso. Queria que você comemorasse minha vitória como um irmão faria.
Julian fez uma careta, e depois pareceu irritado ao olhar para Nina.
- Bom, se a senhorita sua namorada Nina Stanley não tivesse cometido o erro que cometeu falsificando os resultados na segunda competição, as coisas seriam bem diferentes.
Enquanto isso, as meninas e as outras Griffies haviam subido no palco. É claro que as líderes de torcida tinham que ter sua despedida também.
There ain't no reason you and me should be alone tonight
Tonight, yeah baby, Tonight, yeah baby
I got a reason that you
Who should take me home tonight
- Pra você ver, Julian. Eu era bem vadia, mas mudei – Nina riu. – Deveria fazer o mesmo.
- Ah, e ela é mais do que minha namorada – falei, com orgulho. – É noiva.
- Ora, ora, meus parabéns – ele forçou um sorriso, e jogou o cabelo de lado. – Não perderei essa cerimônia por nada.
- Pode deixar. Receberá o convite – Nina piscou.
I need a man that thinks it's right when it's all wrong tonight
Tonight, yeah baby, Tonight, yeah baby
Right on the limb is where we know
We both belong tonight
It's hard to feel the rush
To brush the dangerous
I'm gonna run right to, to the edge with you
Where we can both fall far in love
- Nina, David, estão sendo incomodados? – Suzz se aproxima. Julian a olha de cima a baixo.
- Suzz, Suzz, está deslumbrante hoje – ele disse, de sobrancelhas erguidas. – Mesmo com seu cabelo... Exótico.
- Obrigada, Julian – ela cerrou os olhos, começando a se irritar. – Sorte a minha que não ligo muito para suas ironias e opiniões.
I'm on the edge of glory
And I'm hanging on a moment of truth
Out on the edge of glory
And I'm hanging on a moment with you
- Ora, Suzz, não seja tão seca comigo – Julian sorriu, meio sarcástico. – Veja bem, eu te fiz um elogio, mas você sempre pega somente o lado ruim das coisas que eu digo.
- O problema é que é só o que você fala, Julian – Suzz retrucou. – Nada do que diz é aproveitável.
I'm on the edge, the edge, the edge
The edge, the edge, the edge
I'm on the edge of glory
And I'm hanging on a moment with you
I'm on the edge with you
- Vamos deixar os desentendimentos passados pra lá... – ele riu, e estendeu-lhe a mão. – Dança comigo?
Suzz olhou com desconfiança para sua mão, e depois voltou a olhar para o sorriso de Julian.
Depois de muito pensar, acabou aceitando. Nina e eu apenas observávamos, nos divertindo com a cena.
- Como nos velhos tempos – os dois começaram a se afastar.
- Nem me lembre disso – Suzz suspirou. – Apenas cale a boca e dance.
I'm on the edge with you
I'm on the edge of glory
And I'm hanging on a moment of truth
Out on the edge of glory, and I'm hanging on a moment with you
I'm on the edge, the edge, the edge
The edge, the edge, the edge, the edge
I'm on the edge of glory
And I'm hanging on a moment with you
- Acha que vai sair alguma coisa disso aí? – Nina perguntou, observando os dois.
- Espero que não – falei com sinceridade. – Suzz merece coisa melhor.
I'm on the edge with you
With you, with you, with you, with you
I'm on the edge with you
With you, with you, with you, with you
I'm on the edge with you
With you, with you, with you, with you
I'm on the edge with you
With you, with you, with you, with you!
Dorcas:
Era estranho, muito estranho. Dorcas Meadowes, cuidado... Mas era estranho. E legal, ao mesmo tempo. Eu estava me divertindo com Jessie St. James. Isso era estranho demais, por isso eu devia ficar atenta.
Ele era muito parecido comigo. Tinha planos incríveis para depois da escola. Era ambicioso, e eu amava pessoas assim (principalmente por ser uma, obviamente). Ficamos conversando muito enquanto dançávamos, e às vezes ele conseguia me fazer rir. Isso definitivamente não era normal.
- Com licença – falei para ele, depois de um tempo. – Está na minha hora de subir ao palco.
- Fique à vontade, dama – ele riu.
Passei por Mister D e Nina que conversavam com outros professores (fora os que já estavam por aí, bêbados) e acenei para eles. Nina até me desejou um bom número. Pfff, como se eu não fosse fazer um número magnífico como sempre faço!
It's been said and done
Every beautiful thought's been already sang
And I guess right now, here's another one
So your melody will play on and on
With the best of them
You're beautiful
Like a dream come alive, incredible
A centerfold miracle, lyrical
You've saved my life again
And I want you to know baby
Tentei não olhar para St. James, porque o que eu menos queria agora é que ele pensasse que eu tinha o desejo de ter alguma espécie de sentimentos por ele. Isso não existe comigo, e é melhor que eu nunca pense nessa possibilidade.
I, I love you like a love song baby
I, I love you like a love song baby
I, I love you like a love song baby
And I keep hittin re-pe-pe-peat
I, I love you like a love song baby
I, I love you like a love song baby
I, I love you like a love song baby
And I keep hittin re-pe-pe-peat
Vi vários rostos conhecidos ainda dançando. A festa já passava do começo da madrugada, mas ainda sim tinha gente de pé. Alguns já foram até para o dormitório, e outros dormiam pelas mesas mesmo. Outros simplesmente sumiram, provavelmente pra fazer alguma safadeza.
No one compares
You stand alone
To every record I own
Music to my heart
That's what you're
A song that goes on and on
Olhei rapidamente para St. James, não querendo fixar meu olhar nele. Ele tomava alguma coisa enquanto me assistia. Hum, então ele estava interessado? Eu até havia me esquecido desse charme natural que eu às vezes exalava...
I, I love you like a love song baby
I, I love you like a love song baby
I, I love you like a love song baby
And I keep hittin re-pe-pe-peat
I, I love you like a love song baby
I, I love you like a love song baby
I, I love you like a love song baby
I love you, like a love song.
Pessoas aplaudiram, e eu reverenciei. Obviamente tinha sido um número excelente.
- Incrível – ele disse, sorrindo, quando voltei à sua companhia.
- Obrigada – sorri de volta, pegando a taça da sua mão e tomando o resto da bebida. Fiz uma careta. – Esse é o pior ponche que eu já tomei na minha vida.
- Ouvi dizer que os marotos aprontaram pela última vez – ele explicou. Fomos caminhando até uma mesa próxima e nos sentamos. – É difícil de admitir, Dorcas Meadowes, mas estou tendo uma noite agradável com você.
- É, tenho que admitir isso também. Nunca imaginaria que isso era possível, mas já está sendo – dei de ombros. – Não é nada mal.
- Deveríamos ter começado a papear alguns meses mais cedo – ele disse.
- Claro. Se você não estivesse disposto a ferrar o coral da minha casa e acabar com o relacionamento entre Lily e James.
- Ou se você não escrevesse naquele jornal bobo e armasse barraco pra cima de McKinnon e MacDonald.
- Nunca. Insulte. Meu. Jornal – apontei o dedo ameaçadoramente para sua cara, e ele levou as mãos ao alto. – Mas nem venha me julgar. Sei que ainda gosta de Lily.
- Eu não sei. Ela está com outro, e isso é o suficiente para não gostar dela mais – ele olhou para o casal, abraçadinho mais a frente. – Certo?
- Nunca se sabe.
- E você? – ele perguntou com divertimento na voz. – Ainda gosta de McKinnon e fica armando planos para separá-lo da namorada?
- Águas passadas. Ou melhor, dias passados – argh, odiava falar sobre aquilo. Acho que ele puxou o assunto de propósito, porque provavelmente não gostava de falar sobre Lily também.
- Nada melhor do que mudanças, não é? – ele riu.
- Nada melhor – assenti, e cometi o erro de olhar para ele por muito tempo.
Ficamos nos fitando por longos segundos, seus olhos claros passando por todo o meu rosto. Fiquei parada, mesmo querendo me mover.
- Dorcas Meadowes... – ele disse, lentamente. – Eu quero te beijar agora.
- Está pedindo minha permissão? – perguntei sem querer.
- E precisa disso? – ele ergueu as sobrancelhas.
- Bom, é que... – outro erro: olhei para sua boca. Hum, era uma boca bem bonitinha. – Eu quero te beijar agora também.
Ele sorriu, e foi aproximando seu rosto no meu. E pronto, nos beijamos. Começou devagar, mas quando vi ele já havia até me descabelado. Seus lábios estavam vermelhos quando nos afastamos.
- Hum... – soltei, novamente sem querer. – Nada mal, Jessie.
- Era o que eu dizer, Dorcas.
Ele soltou uma risada, e então voltamos a nos beijar.
Alice:
A festa já estava se arrastando para um fim, e não fiquei nada contente com isso. Estávamos aproveitando o máximo que podíamos, dançando e conversando com todos os amigos que encontrávamos. Estava tudo tão bom, tão maravilhoso... Não podia acabar agora. Logo amanheceria, mas, mesmo assim, eu queria continuar ali, comemorando com meus amigos.
Cantávamos o máximo que podíamos, também. Nunca saberíamos quando voltaríamos a nos reunir para isso. Maria, Lily, Emelina, Sean e Benn logo voltaram a subir no palco, levando em consideração o que eu havia dito sobre cantar o máximo que podíamos.
- Vamos animar galera! – Emelina gritou no microfone para todos os bêbados e povo entusiasmado que havia chegado. E eu achando que as pessoas iam começar a ir embora...
If you see a faded sign by the side of the road that says
15 miles to the... Love Shack!
Love Shack yeah yeah
I'm headin' down the Atlanta highway, lookin' for the love getaway
Heading for the love getaway, love getaway,
I got me a car, it's as big as a whale and we're headin' on down
To the Love Shack
I got me a Chrysler, it seats about 20
So hurry up and bring your jukebox money
The Love Shack is a little old place where we can get together
Love Shack baby, a Love Shack bay-bee
Love shack, baby love shack, love shack, baby love shack, love shack
Ah, fala sério! Era impossível ficar parado com aquela música! Puxei, Franco, James, Jessie, Dorcas e quem mais eu encontrei pelo caminho até o meio da multidão, começando uma dança tão animada quanto a dos que estavam bêbados e dos que estavam no palco.
Sign says, stay away fools, 'cause love rules at the Love Shack!
Well it's set way back in the middle of a field,
Just a funky old shack and I gotta get back
Glitter on the mattress
Glitter on the highway
Glitter on the front porch
Glitter on the highway
The Love Shack is a little old place where we can get together, love shack baby!
Love Shack baby!
Love Shack, that's where it's at!
Love Shack, that's where it's at!
John e Alicia também se juntaram à nossa loucura, e loucura, sem dúvidas, era a especialidade de John. Ele tinha uma dança tão louca que eu não sabia se dançava ou se ria. Meus pés estavam me matando, mas eu nem liguei. Continuei a dançar. Dançar como se não houvesse amanhã.
Oh the love shack is a little old place where we can get together
Love shack, baby!
A love shack baby!
Love shack! Baby love shack
Love shack! Baby love shack
Love shack! Baby love shack
Sophie e Sirius chegaram também, dançando sem parar. Fiquei me perguntando se alguma coisa havia rolado, mas pelo o que eu conheço de So, não, não tinha rolado nada. Por mais perdidamente apaixonado que Sirius esteja, ele fez muita cagada com a pobre Sophie, até demais.
Bang bang bang, on the door baby!
Knock a little louder sugar!
Bang bang bang,on the door baby!
I can't hear you!
Bang bang bang, on the door baby!
Bang bang bang, on the door baby!
Bang bang on the door baby
Bang bang on the door
Bang bang on the door baby
Bang bang
Levando microfones e tudo, os que cantavam no palco desceram até nós para poder dançar conosco. Isso animou ainda mais a plateia, e começamos a pular ainda mais, e a gritar, e a cantar, e a dançar! Eu já não tinha mais fôlego, mas tentei não desanimar justo agora.
Your what?
Tin roof, rusted!
Love Shack, baby Love Shack!
Love Shack, baby Love Shack!
Love Shack, baby Love Shack!
Love baby, love shack!
No final da música todo mundo já aplaudia sem parar, e continuaram a pular e a gritar mesmo assim. Bom, no meu caso, eu já havia começado a chorar.
Me afastei da multidão para ninguém me ver, mas percebi que Franco me seguia.
- Ei, amor, o que aconteceu? – ele perguntou, preocupado. Me sentei na mesa mais afastada possível, pois chegava a ser vergonhoso.
Franco tirou um lencinho do paletó e me entregou. Começou a acariciar o topo da minha cabeça, me abraçando e me consolando.
- O que houve? – ele voltou a me perguntar depois de um tempo.
- Eu não queria que nada disso terminasse... – falei, soluçando feito uma criança. – Mas tudo acabou. Acabou mesmo, Franco.
Franco voltou a me abraçar, e eu só solucei e solucei. Sim, eu era sensível, o que não era uma coisa muito boa.
Mas tudo o que eu havia dito era verdade. O fim havia chegado e, por um momento, senti medo. Agora eu percebia o inferno que nos esperava, longe dessa realidade perfeita na qual vivemos durante todo esse tempo.
Tudo ia mudar a partir do momento em que deixássemos aquele castelo. Os amigos, as lembranças e todos os momentos serão simplesmente deixados para trás, jogados no passado. Tudo ia mudar, tudo...
Sophie:
Sirius e eu nos afastamos do povo doido assim que a música terminou. Eu estava ofegante, porque eu tinha dançado demais.
- Bom, eu... – Sirius também ofegava. – Vou buscar uma bebida pra gente.
Apenas assenti, me escorando numa mesa próxima. Eu achava que depois dessa as pessoas cansariam e iam embora, mas não. Lily e James, assim como vários de outros amigos nossos, estavam dispostos a ficar ali por mais tempo. Haja coragem.
- Oi, Sophie – uma voz conhecida me chamou a atenção, e me virei rapidamente.
- Eric, oi – cumprimentei com um sorriso. Ele se aproximou aos poucos, de mãos no bolso.
- Eu não te dei os parabéns hoje, então... Espero que não seja tarde.
- Não, não é – respondi amigavelmente. – Meus parabéns pra você também.
- Obrigado – ele sorriu, e então olhou ao redor. – Onde está Black?
Garotos e seu dom de não conseguir disfarçar seu incômodo.
- Buscar bebida – respondi simplesmente.
- Ah – ele me olhou meio receoso. – Vi que se entenderam.
- Só estamos fazendo companhia ao outro, mais nada – dei de ombros. – Bom saber que você se importa com isso.
Eric franziu a sobrancelha.
- Como assim?
Soltei um suspiro impaciente.
- Você sabe, Eric, e não finja, por favor – falei de uma vez. Eu não tinha nada a perder mesmo. – Naquele dia, no jogo do quadribol, nós nos beijamos e ficou tudo bem. E então, do nada, você parece se esquecer da minha existência, me ignora e nem me procura mais. Até agora eu não consigo entender isso e, então, você se aproxima querendo saber se eu voltei com Sirius? O que está acontecendo, afinal?
Eric olhava para todos os lados, menos para meu rosto. Isso me deixou ligeiramente mais irritada.
- Eric... – chamei, quando vi que ele não pensava em me responder.
- Sophie, eu só me afastei justamente... Justamente por causa de Black.
- O quê? – gaguejei, começando a levantar a hipótese de que ele estava bêbado.
- Eu sei que por mais que você gostasse de mim... Nunca seria tão forte quanto o que você sentia por ele. Eu me lembro de vocês dois juntos. Havia... Paixão – ele suspirou, e balançou a cabeça tristemente. – Eu sabia que o que você sentia por ele era mais forte do que você sentia por mim.
Fiquei em silêncio, e acho que eu não diria alguma coisa tão cedo.
- E, pra minha infelicidade, eu vi que o que você sentia por mim não era o mesmo que eu sentia por você. É isso.
- Eric, eu não... – pensei em alguma coisa, mas ele me interrompeu.
- Você sabe disso. Bem no fundo, você sabe – ele disse, e antes que eu dissesse outra coisa, apenas se aproximou e me beijou no rosto. – Nos vemos por aí.
E se afastou. Eu ainda estava paralisada, processando as informações com certa lentidão. Não sei por quanto tempo fiquei daquele jeito, mas foi o suficiente para Sirius já estar de volta.
- Desculpe a demora – ele disse, me estendendo uma taça. – McGonagall me viu chegando perto do ponche e achou que eu estava aprontando de novo.
- Ahn... – me virei para Sirius, ainda perdida. Ele percebeu, infelizmente.
- Aconteceu alguma coisa?
- Não, eu só... Estou morrendo de sono. Acho que vou para o dormitório.
- Mas já? – ele perguntou, deixando as taças de lado. – Bom, pelo visto o resto da turma vai ficar.
- Eu estou indo. Você deve ficar, se quiser.
- Se eu ficar eu provavelmente terei de ficar segurando vela, e como isso não é muito agradável...
- Ora, vá atrás de companhia – falei. – Que milagre é esse que Sirius Black não está beijando garotas por aí?
- Não há garotas muito interessantes por aí – ele disse e, depois de me lançar um longo olhar, balancei a cabeça freneticamente. As palavras de Eric vieram com mais força na minha cabeça.
- Me acompanhe, então.
Saímos do Salão Principal. Eu havia dito a Sirius que eu não queria me despedir dos que ficaram só pra não cortar a alegria deles. Deixe que dancem e se divirtam, eles mereciam isso.
O som alto da música ia se distanciando à medida que nos afastávamos. Virávamos corredores e tomávamos atalhos que Sirius havia me ensinado na época em que namoramos. Ele me elogiou quando percebeu que eu havia os decorado, e eu fiquei ainda mais desconfortável em estar sozinha com ele. Aliás, durante o caminho inteiro foi difícil. Encontrávamos casais por toda parte, aos amassos, aos cochichos e eu juro que eu escutei um deles... Bom, tudo estava ficando cada vez pior.
Foi um alívio quando chegamos à Sala Comunal, mas ao mesmo tempo eu fiquei rígida. Eu tinha que me despedir dele, não é?
- Obrigada pela noite, Sirius – fui direta ao ponto. Não queria prolongar a conversa. – Adorei sua companhia.
- Muito bom ouvir isso. Fico lisonjeado – ele riu, e eu ri também só pra disfarçar o desespero. – Boa noite, Carol. Durma bem.
Ele se aproximou, e ouve uma série de coisas estranhas no meu organismo. Borboletas no estômago, tremores e palpitações. Espero profundamente que ele não tivesse percebido tudo aquilo. No final das contas, ele apenas beijou o meu rosto.
- Até amanhã – ele sorriu, e foi em direção a escada em espiral que dava para o dormitório masculino, mas não sem antes, é claro, de me dar uma última espiadela e um último sorriso.
Eu ia responder, mas vi que eu já estava sozinha na sala. Minha cabeça foi tomada por um turbilhão de pensamentos sobre Sirius, onde lembranças boas com ele até aquela noite em que eu o vi me traindo tomavam conta de parte delas, juntamente com as palavras de Eric agora pouco. Eu ia enlouquecer.
Eu devia ter bebido demais. Sim, devia. Porque eu fiquei pensando demais e, quando isso acontece, geralmente eu tomo atitudes muito, MUITO erradas.
Remo:
O dia amanheceu tão rápido que eu acabei nem percebendo. Depois de dançar o máximo que podíamos, apenas nos arrastamos até o dormitório. Dormi com o traje e nem tirei os sapatos, assim como todos os outros. Havíamos nos jogado na cama e por lá ficamos até acordarmos.
Esperei Lina na sala comunal, e ela me deu um beijo cansado, ainda bocejando, e fomos em direção ao Salão Principal, para tomarmos café antes de ir embora.
- So? – ela perguntou, quando a encontramos tomando café sozinha, lendo o Profeta Diário. – Já de pé?
- Fui dormir mais cedo que vocês, oras – ela sorriu, enquanto nos sentávamos.
- Ah, sim. Bem que percebemos sua ausência ontem – Emelina disse, e então sorriu maliciosamente. – Você sumiu com Sirius. Aconteceu alguma coisa que a gente devia saber?
- Não, Emelina, nada aconteceu – Sophie rolou os olhos. – Dorcas me perguntou a mesma coisa assim que acordei, mas voltou a dormir assim que eu respondi.
- Poxa, que pena – Lina disse, colocando torradas em seu prato. – Bom, não podemos dizer o mesmo dela e Jessie, não é?
- Ainda estou chocado – comentei. – Digamos que não é um casal que eu pensava que veria.
- Mas eles pareciam se dar bem – Sophie riu. – Pelo menos Dorcas não passou seu último baile aqui desacompanhada.
Mais tarde os outros foram chegando. Todo mundo estava com a aparência acabada, cansados, sonolentos. Minutos depois todos já estavam tomando café, aproveitando nossa última refeição juntos em Hogwarts. Assim como Emelina, todas as meninas perguntaram de Sophie e Sirius, e o próprio teve que confirmar que não, nada havia acontecido.
- Que pena. Queria um último babado – Dorcas falou tristemente.
- Maior babado no novo casal... St. Meadowes? – Beth riu, e Dorcas deu de ombros.
- Isso nem foi tão chocante assim. E acho que foi coisa de uma noite só.
Dorcas não podia estar mais errada. Assim que terminamos o café, Jessie a cumprimentou na saída do Salão e os dois desataram numa longa conversa. Deixamos os dois pra trás e fomos, então, para a sala comunal, pra ficar papeando e fazendo comentários da noite passada. E, no meio da conversa, percebemos finalmente que daqui a algumas horas estaremos deixando Hogwarts definitivamente.
- Isso é horrível – Maria disse, com uma careta.
- Queria ser Sean, John ou Jason agora – Franco completou.
- Ei – Lily disse, de repente. – Estamos saindo sem fazer uma coisa muito importante.
- O quê?
E Lily tinha razão. Depois de Sophie e Emelina buscarem Dorcas e interromperem seu papo com Jessie, corremos até a sala de música. Ficamos por alguns minutos treinando e, depois de deixarmos tudo pronto, John foi atrás do nosso homenageado.
Ele chegou sorrindo, muito feliz de nos ver de novo ali. Colocamos ele numa cadeira no centro da sala, enquanto nos acomodávamos em vários banquinhos numa linha reta.
- Mister D, não podíamos ir embora sem fazer isso – Lily disse. – E não há coisa melhor pra se fazer em nossa última vez nessa sala.
Fizemos uma pausa, e então Lily assentiu para James.
- Bom, primeiro de tudo queríamos agradecer a você, Mister D, por ter feito tudo o que fez pela gente – Pontas disse, sorrindo para o professor. – Por todo o apoio, as palavras inspiradoras, por ter acreditado em cada um de nós.
- Agradecer por ter me acolhido mesmo com minha escassez de talento – Beth disse sorrindo. – Por não se importar para o que os outros diziam sobre minha presença aqui, e me receber sempre de braços abertos.
Mister D sorriu para ela, agradecendo.
- Quando entrei para o coral eu nem ao menos sabia cantar – foi a vez de Franco dizer. – Eu tinha medo, e tinha vergonha até mesmo de dançar. Mas todo seu entusiasmo e sua força de vontade me fez perceber como era legal fazer tudo isso, e como nos fazia bem passar horas e horas aqui nessa sala.
- Eu também tinha receio de fazer tudo. Era muito mais tímida e sentia como se eu não fosse... Especial – disse Emelina. – Mas agora eu vejo no tanto que eu mudei pra melhor, e isso nunca aconteceria se não fosse por você.
Emelina olhou para Dorcas, que respirou fundo antes de falar.
- Eu era uma pessoa insuportável – ela disse, e todo mundo bufou ao mesmo tempo. – Certo, certo. Ainda sou um pouquinho. Dei uma melhorada. Eu amadureci, Mister D, e acho que eu tive muito mais ajuda sua do que dos meus próprios pais.
- Eu também amadureci. Todas as vezes em que eu e Dorcas brigávamos por aí você sempre estava por perto pra nos dar aquela bronca – Maria riu baixo, e vi lágrimas já descendo. – E eu acho que quem faz isso são só pessoas que realmente se importam com a gente.
- Eu nunca aceitava quem eu era – Sean disse, totalmente choroso. – Eu acho que eu nunca teria revelado a todos, mesmo que já soubessem. Mas eu me aceitei, porque era o que você sempre nos dizia pra fazer.
- O mesmo se aplica a mim – falei, e Emelina segurou em minha mão. – Todos os problemas que enfrentei, o que eu realmente sou... Foi tão bem aceito por você e por todos, Mister D, que eu me senti mais seguro... Mais feliz.
Todo mundo já estava fungando e secando lágrimas, principalmente Emelina e Alice.
- Eu sempre quis ser alguém – Alice disse, com a voz embargada. – Queria ter um ano inesquecível, e poder contar vários momentos especiais aos meus filhos. E hoje eu posso dizer que eu aprendi várias coisas com o melhor professor que eu tive na minha vida, e graças a ele eu tive momentos incríveis e... Experiências maravilhosas... – Alice lutava contra as lágrimas. – O-Obrigada, Mister D.
- É, obrigado Mister D – Sirius concordou. – Eu era um babaca total. Achava que nada mais era importante do que eu mesmo e as peças que eu pregava por aí. Eu nem ao menos sabia o significado de família. Mas com você e com todos aqui... Eu aprendi.
- Eu nunca imaginaria que tudo isso ia se tornar algo tão forte e tão marcante – Jason continuou. – Mas todos aqueles momentos divertidos, os ensaios, os treinos, somente me deu a certeza de que a melhor coisa que eu podia ter feito era ter entrado nesse coral, e aprender tanta coisa com você.
- Sim, nós aprendemos – disse James. – Eu, principalmente, vivi tanta coisa aqui com você e com todo mundo que eu nunca imaginaria que um dia eu teria essa experiência. Cantar, dançar? Nunca imaginei que podia ser tão legal e divertido. E eu queria agradecer por ter nos mostrado isso.
Mister D assentiu. Sua expressão estava misturada em emocionada e feliz. Acho que a de todos estava assim.
- Eu sempre gostei muito de dançar, mas nunca tive a oportunidade de fazer isso em lugar algum. Meus pais achavam isso idiota – John disse, balançando a cabeça. – E então eis que surge o senhor, Mister D, nunca desistindo de manter esse coral meio problemático de pé. Sempre nos defendeu de Nina quando ela era nossa maior rival, e até mesmo do seu próprio irmão. Obrigado, Mister D. O senhor é incrível.
Ele riu, e balançou a cabeça novamente. A próxima a falar era Sophie, e ela parecia sentir dificuldade para isso.
- Eu perdi meu pai quando eu era criança... E, digamos que não me entendo muito bem com a minha mãe – ela soltou uma risada triste. – Mas eu senti como se eu tivesse ganhado um novo pai. Afinal, é isso que pais fazem, não é? Aconselham, apoiam, nos alegram... Mesmo que não seja de sangue, você, Mister D, é o melhor pai que eu podia ter. Obrigada por tudo.
Jason teve de consolar a irmã. Acho que era realmente difícil falar sobre aquilo. Mas acho que devia ser bem difícil para Lily, também.
- Mister D... – ela começou, com a voz fraca. – Você se lembra quando... Quando eu perdi meus pais e... Eu fiquei daquele jeito tão desesperado e desequilibrado, e você foi falar comigo? – Mister D assentiu. – Você havia me dito que tudo ficaria bem. Disse que meus pais poderiam ter deixado esse mundo, mas que permaneceriam no meu coração para sempre.
Bom, disso ninguém sabia. Lily continuava a soluçar.
- Eu penso naquelas palavras todos os dias antes de dormir, porque elas são o melhor conforto que em que eu posso me agarrar – ela secou as lágrimas, mas novas desciam a toda velocidade. – Eu posso ter perdido meus pais, mas eu ainda tenho a todos os meus amigos... E a você.
Não havia uma só pessoa que não chorava naquela sala. Até os membros da banda estavam comovidos com todas aquelas palavras. James fez um sinal para eles, e eles demoraram um pouco para se concentrar e começar a tocar.
Lily, mesmo banhada de lágrimas, cantou:
Those school girl days
Of telling tales
And biting nails are gone
But in my mind
I know they will still
Live on and on
E depois Maria e Sean:
But how do you thank someone
Who has taken you
From crayons to perfum
It isn't easy, but I'll try
Era difícil, muito difícil cantar naquele estado, mas tentávamos.
If you wanted the sky
I'd write across the sky in letters
that would soar a thousand feet high
To Sir, with love...
Eu e Alice cantamos o próximo verso, e depois Maria e James. Eram duetos que nunca havíamos aproveitado muito bem.
The time has come
For closing books
And long last looks must end
And as I leave
I know that I am leaving my best friend
Na hora da distribuição dos versos, não tinha parte melhor para Dorcas cantar. Ela fez questão de que aquela fosse dela.
A friend who taught me right from wrong
And weak from strong
That's a lot to learn
What can I give you in return?
Era a última estrofe. A última música nossa em Hogwarts. A última música naquela sala, com todos nós reunidos ali. Era estranho, e também muito triste.
If you wanted the moon
I'd try to make a start
But I would rather you
Let me give my heart
To Sir, with love...
Ao final da música, Mister D não disse nada. Apenas se pôs de pé e chegou para nos abraçar. Acho que palavras não eram necessárias. Ficamos em silêncio exceto pelas garotas fungando, ou alguns sussurros com palavras positivas.
É... Estarmos todos ali reunidos já era o suficiente.
Lily:
O clima era de despedida. Pessoas se movimentavam por todo o castelo, conversas e arrumações por todo lado. Nunca invejei tanto os alunos dos outros anos, pois eles retornariam daqui a dois meses, ao contrário de mim. Eu não retornaria mais...
Aproveitei que o dormitório estava vazio para guardar minhas coisas. Todas as meninas já haviam guardado tudo, e senti uma dor no peito quando vi o dormitório tão vazio daquele jeito. Retirei meus pôsteres da parede, peguei minhas roupas do armário e me dirigi para o meu pequeno mural em cima da cabeceira da minha cama. Peguei primeiro os vários bilhetes que eu sempre deixava como "Redação de Poções – Entrega terça-feira!" ou "Duas semanas para os NIEM's!". Ao invés de jogá-los no lixo, decidi guardá-los de recordação também.
A pior parte foi tirar todas as fotos de lá. Tinha fotos bruxas e trouxas ali. Tinha uma onde Maria e Alice chegavam com um enorme bolo de aniversário para mim no dormitório, no quarto ano. Outra, no sexto ano, onde nós três aproveitávamos a tranquilidade após os exames finais nos jardins. As mais antigas, como aquela foto no Natal, onde brincávamos na neve, no segundo ano. Uma foto de eu beijando James na comemoração quando ganhamos o troféu da competição de corais, dias atrás. Uma foto minha com Sirius, Remo e Emelina no Baile de Natal. Outra com Sophie, quando ficamos juntas na ala hospitalar. Uma minha e de Sean, sentados na sala comunal.
As fotos trouxas foram as que mais me doeram. Tinha várias com Petúnia, desde que éramos crianças até nas férias que eu passava em casa. Na maioria delas ela estava com uma cara rabugenta, mas eu ria mesmo assim. Em outras, eu estava com meus pais. Tinha uma foto minha quando eu estava aprendendo a andar de bicicleta. Meu pai me segurava firmemente, enquanto pousava para a foto que minha mãe tirava (nesse dia Petúnia tinha ido dormir na casa de uma das amiguinhas chata que ela tinha). Outra foto foi no Natal que eu passei em casa, no quinto ano. Nossa árvore de Natal não podia ter ficado mais enfeitada. E em várias outras fotos eu estava lá, abraçada com meus pais, eles sorrindo para câmera como sempre faziam.
Não tinha percebido que eu já estava chorando novamente, e agora eu tinha que ir embora. Eu ia perder tudo aquilo, tudo mesmo. Todas aquelas fotos só retratam uma vida feliz que eu nunca mais teria. Eu não quero que todas essas coisas fiquem para trás. Eu não quero. E não vou.
- Lily, o que você está fazendo? – Maria, Sean e Alice adentraram o quarto. Ficaram chocados ao me ver desfazendo toda a minha mala com desespero, tirando do malão e jogando todas minhas roupas pra todos os lados. – Lily!
- Eu... Não... Vou... – peguei minhas poções e deixei em cima do criado-mudo, e voltei a colar os pôsteres. – Embora!
- O que? Você enlouqueceu? – Maria perguntou, desviando das peças de roupa que eu jogava.
- Não, Maria, não enlouqueci! – respondi, muito ocupada em colocar minhas coisas no lugar. – Eu vou ficar!
- Mas você não pode ficar! – Alice exclamou.
- Claro que posso! E quero ver alguém me impedir! – falei com a voz tremida, organizando minhas roupas no armário. – Eu não tenho pra onde ir, não quero ficar com Petúnia e aquele marido estranho dela! Não quero morar com vocês, antes que vocês comecem a sugerir isso, porque eu tenho que seguir com a minha vida! Mas meus pais morreram, eles morreram e agora eu não tenho casa, não tenho uma família pra me receber, não tenho outra casa a não ser Hogwarts! Por isso não vou embora, eu vou ficar aqui pra sempre, pra sempre, porque é o único lugar que tenho agora, eu...!
- Lily, para, para! – Sean segurou meus pulsos, enquanto eu me debatia. – Ei, olha pra mim, Lily! Olha pra mim!
- Não, não, não! – gritei, soluçando. – Eu não vou embora! EU NÃO TENHO PRA ONDE IR!
- Lily... – Sean tinha uma expressão triste, enquanto ainda me segurava. – Por favor, olhe pra mim...
Desmontei sobre o carpete, soluçando ainda mais alto. Sean, Maria e Alice se ajoelharam ao meu lado, me abraçando.
- Ei, fica calma, Lily... – Alice murmurou.
- Nós sabemos que é difícil pra você, mas você não pode ficar aqui, Lily – Sean disse. – Todos temos que deixar o castelo mais cedo ou mais tarde. É o que todos fazem quando se formam.
- Não quero, não quero... – resmunguei em lágrimas.
- Você não está sozinha, Lily – Maria disse, me abraçando forte. – Nós vamos te ajudar no que você precisar. Se precisar de uma casa obviamente você pode morar com a gente, e se você não quiser nós podemos te ajudar a encontrar um cantinho pra você, do jeito que você gostar.
Continuei a soluçar.
- Respire fundo. Respire fundo, Lily... – Sean falou, acariciando meus cabelos. – Fique calma.
Demorei um pouco para me recompor. Parei de soluçar, porém não consegui conter minhas lágrimas. Os três me ajudaram a ficar de pé, pacientemente, e Sean secou minhas lágrimas.
- Agora vamos arrumar essa mala – disse Alice. – Já estamos atrasadas.
...
O barulho de malões sendo fechados era ouvido em todos os dormitórios. Pessoas recolhiam todas as suas coisas, e descartavam o que não usariam mais. Alunos do sétimo ano se despediam de seus professores, afinal, não se sabia quando eles voltariam a se encontrar.
Happiness hit her like a train on a track
Coming towards her, stuck still no turning back
Alice cantava no auditório. Ficou se perguntando o que aconteceria com ele nos próximos anos, já que provavelmente não haveria mais competições de corais em Hogwarts. Olhou para ele pela última vez, para aquelas poltronas vazias e as luzes que a iluminavam. Sentiu uma sensação estranha, mas ao mesmo tempo incrível.
Ela somente fechou os olhos, e continuou a cantar.
She hid around corners and she hid under beds
She killed it with kisses and from it she fled
With every bubble she sank with a drink
And washed it away down the kitchen sink
Maria soltava a voz na sala de música pela última vez. Tudo tinha sumido. A banda já tinha levado todos os instrumentos embora. Só havia sobrado o piano, que seria tirado dali depois. Os discos nas prateleiras também já tinham sido empacotados, e as catorze cadeiras não estavam ocupadas como geralmente ficavam.
O eco deixava a voz de Maria mais alta, e ela sentiria muita falta disso.
The dog days are over
The dog days are done
The horses are coming so you better run
Franco perambulava pelas estufas. Mesmo com a certeza de que ele parecia patético fazendo isso, ele começou a se despedir das plantas. Secretamente havia dado um apelido para cada uma delas. Uma quase o cortou, mas ele não se importou. Sentiria falta disso também.
Franco olhou em volta pela última vez, ao mesmo tempo em que passava a mão lentamente na cabeça de uma mandrágora envazada.
Run fast for your mother, run fast for your father
Run for your children and your sisters, and brothers
Leave all your love and your loving behind you
Can't carry it with you if you want to survive
Sirius e James visitaram o campo de quadribol com suas vassouras. Voaram por lá pela última vez, e James teve aquele sentimento maravilhoso que sempre acontecia quando ele voava por aí e sentia o ar batendo em seu rosto. Ele e seu amigo Almofadinhas fingiram estar num jogo, e se divertiram até cansar. Quando pousaram no chão, se sentaram sobre a grama muito verde.
James passava a mão pelo chão, agradecendo mentalmente ao estádio por tantos jogos inesquecíveis.
The dog days are over
The dog days are done
Can you hear the horses?
Cuz here they come
Remo e Emelina se separaram por uns minutos. Remo tinha que passar em um lugar antes de ir embora. Usou um feitiço para paralisar o Salgueiro Lutador e ajoelhou perto da entrada da Casa dos Gritos. Passou a mão sobre a terra, lembrando-se de todas as terríveis transformações em todos os períodos da Lua Cheia. Aquele lugar foi a segurança que sempre sentiu, foi a "base" para ele e seus amigos animagos. Por tantas coisas passaram ali, tantos momentos... Remo não queria pensar agora pra onde teria de ir quando fosse se transformar num lobisomem novamente.
Emelina, por sua vez, ficou passando um tempo na sala comunal. Ficou observando todos os alunos conversarem, sentados naquelas poltronas tão fofas e confortáveis. Emelina ficou um bom tempo olhando para as paredes e os quadros que se moviam, além da foto que John, Sirius e James haviam pregado de todos seus amigos. Como Remo ainda não tinha voltado, Lina foi dizendo tchau para todos os quadros da sala, inclusive para a Mulher Gorda e outros quadros dos corredores. Deu uma volta por aí, só pra uma última caminhada. Quando se cansou, fez o que sempre gostou muito de fazer: sentou-se em frente à lareira da Torre da Grifinória e ficou observando as chamas pulularem.
And I never wanted anything from you
Except everything you had
And what was left after that too, oh
Beth, é claro, tinha que dar uma passada nas cozinhas antes de ir embora. Comeu tudo o que tinha direito, agradecendo a todos os elfos que já sabia o nome de cor. Lembrou-se de todas aquelas refeições deliciosas, principalmente nas datas especiais. Ah, como sentiria falta daquilo. Teve que tomar cuidado para não engordar tudo o que tinha emagrecido, mas era inevitável quando um dos elfos chegava com a torta de chocolate que ela tanto adorava.
Happiness it hurt like a bullet in the head
Struck from great height
Like someone who should know better than that
Sophie passou um tempo no corujal. Adorava fazer aquilo. A paisagem dali era linda, cheia de montanhas e um céu completamente azul. Tinha uma brisa fresca que relaxava Sophie instantaneamente. O barulho das aves não a incomodava, e ela se sentia tranquila, calma. Seus pensamentos voavam longe e os problemas simplesmente desapareciam da sua cabeça.
Ela poderia ficar ali por horas, e ela simplesmente não se importaria...
The dog days are over
The dog days are gone
Can you hear the horses?
Cuz here they come
Dorcas passou no Salão Principal antes de ir embora. Algumas pessoas vieram pedir autógrafos, o que deixou ela completamente feliz e satisfeita. Depois apenas sentou-se à mesa vazia da Grifinória e ficou por lá. Olhou para o claro céu enfeitiçado, olhou para as janelas enormes e pegou os talheres vazios, lembrando-se de todas as refeições que já tinha tido ali com os amigos. Lembrou-se das corujas entrando e entregando todas as cartas de seus leitores. Lembrou-se de ter entrado ali pela primeira vez sete anos atrás e já se sentir em casa.
Run fast for your mother, and fast for your father
Run for your children, for your sisters and brothers
Leave all your love and your loving behind you
Can't carry it with you if you want to survive
Lily foi a última a deixar seu dormitório. Novamente, todas as coisas haviam sido guardadas em seu malão, e ela estava pronta para ir embora. Tudo estava muito vazio, e ela odiava aquilo. Foi até a porta e, antes de fechá-la, secou umas três lágrimas que já rolavam por seu rosto.
The dog days are over
The dog days are gone
Can you hear the horses?
Because here they come
Grande parte dos alunos dos sétimo ano parou seu trajeto até as carruagens que levavam até Hogsmeade para observar o castelo que ficava para trás. Deram adeus a Hogwarts mais uma vez, um adeus cheio de lembranças e já de saudades.
Deram um abraço em Hagrid, guardaram seus malões e embarcaram. O trem apitou, soltando muita fumaça. Hogsmeade foi ficando para trás, e logo foi substituída por paisagens formadas de muitas árvores e alguns lagos.
O antigo coral da Grifinória se espremeu numa cabine só, e ficaram papeando, conversando, rindo e, é claro, cantando.
The dog days are over
The dog days are gone
Can you hear the horses because here they come…
Chegando à estação nove e meia, todo mundo foi descendo do trem e pegando suas coisas. Quando não dava mais para evitar, simplesmente começaram a abraçar uns aos outros, chorando e prometendo escrever. Todo mundo não estava gostando de se despedir, mas não tinha outro jeito. Ficaram por minutos assim, então começaram a se afastar, indo ao encontro dos parentes que esperavam.
Lily caminhava pela estação puxando seu malão, andando por entre todos os alunos que procuravam pelos pais. Lily fazia o mesmo, mesmo sem querer, mas teve de aceitar que ninguém estava esperando por ela. Olhou para todos os lados e se sentiu sozinha, até alguém chegar e segurar sua mão.
- Vamos? – James perguntou, com um sorriso gentil.
Lily assentiu, e juntos, atravessaram a barreira para o mundo que os esperava lá fora.
Até o próximo capítulo!
Músicas:
1- We Found Love
2- Somewhere Only We Know
3- Here's To Us
4- Glory Days
5- Highway To Hell
6- L-O-V-E
7- Smile
8- Forever Young
9- Take Me Or Leave Me
10- Glad You Came
11- Stand
12- Sway
13- Dinosaur
14- School's Out
15- Disco Inferno
16- What Makes You Beautiful
17- Without You
18- The Edge Of Glory
19- Love You Like a Love Song
20- Love Shack
21- To Sir, With Love
22- Dog Days Are Over
