Condenação consumada
Harry aferrou suas mãos ao marco da janela por onde observava a Ron em seu enredo de pernas e braços com Krum. E depois olhou novamente para Sebastian. O jovem Romano mantinha abraçada a sua irmã menor, e pareceu-lhe um quadro demasiado triste.
Sua consciência colou-lhe duro, se não fosse por ele, Sebastian estaria agora com sua vida normal em seu país de origem.
"Quisesse fazer algo por ele" Pensou pressionado.
Fechou seus olhos com cansaço, e de repente começou a sentir uma espécie de calor por todo seu corpo enquanto a respiração se lhe agitava. Voltou a abrir suas pálpebras e o mareio regressou, teve que se sustentar com mais força enquanto, à distância, via impactado como as águas do lago se removiam em uma gigantesca onda que se lançou sobre o casal que continuava brincando no pasto.
Harry olhou como eram arrastados para o lago, volteou para Sebastian comprovando que o jovem romano tinha conseguido ver o sucedido pelo que, sem perda de tempo correu em sua ajuda.
Jean correu também, mas não podia ajudar, tão só se manteve angustiada nas orlas enquanto via como seu irmão se lançava ao lago em busca de Ron.
Nenhum dos dois jovens pegados conseguia se ver. Harry sentia o coração sair-lhe do peito, quis correr para eles mas o mareio não lhe permitia dar nem um passo. A cada segundo assustava-se mais, soube que algo tinha descontrolado sua magia provocando esse incidente e agora não podia remedia-lo.
Foram poucos segundos, mas pareceu-lhe toda uma eternidade até que por fim viu a Ron e Sebastian emergir juntos, e um pouco depois, Viktor também o fazia. Os três nadaram acercando à orla, mas antes de poder atingi-la, algo puxou a Sebastian para o fundo.
Harry viu como Ron se detinha e girava buscando ao outro garoto. Sentiu que o coração se lhe sairia do peito ao ver como o ruivo voltava a se submergir sem lhe importar os chamados de Viktor.
Por fim conseguiu que o mareio cedesse e se apressou tropeçando para o exterior do castelo, mas mal ia chegando às enormes portas quando, desde aí, pôde olhar como os três jovens chegavam à orla, exaustos, mas a salvo.
Com muito cuidado foi retrocedendo, e como eles estavam demasiado cansados, não consertaram em sua presença pelo que Harry decidiu regressar a suas habitações, precisava urgentemente recostar uns minutos. Nem sequer Jean conseguiu vê-lo, tão agoniada por seu irmão que não punha atenção a seu ao redor.
— Está bem? —perguntou Ron acercando-se até Sebastian, preocupou-lhe ver que tinha engolido demasiada água depois de enredar com as algas.
— Sim. —arquejou cansado, mas mesmo assim, conseguiu enfocar ao ruivo, tinha-o tão perto que seus cabelos gotejavam a ambos lados de seu rosto. — Baixaste por mim.
Sebastian aproximou sua mão acariciando tremulamente as bochechas do ruivo. Ron não se apartou, precisava ver mais tempo esses olhos azuis que reluziam com vida… Quando o viu enredado, lutando inutilmente por se soltar, creu por um segundo que não o conseguiria, e o único que pensou foi que não queria que morresse. Tinha sentido uma dor muito parecida à perda de Hermione.
No entanto, de repente recordou o início de tudo e se apartou olhando a Sebastian com desconfiança.
— Você fez isso?
— Não, Ron, eu só vi o que passou e quis ajudar.
— É verdadeiro. —interveio Jean preocupada. — Sebastian e eu estávamos perto e vimos que o lago se removia, Ron… faz favor, não culpe a meu irmão.
Ron assentiu mais tranqüilo, continuou ajoelhado junto a Sebastian, e então recordou a Viktor, volteou a olhar-lhe descobrindo-lhe recuperando as forças sobre o pasto, mas apesar de seu agitação, seus olhos marrons observavam-lhe expectantes.
— Jean, regressa agora ao castelo. —ordenou Sebastian, não cria prudente que sua irmã testemunhasse tão bochornoso momento.
A menina duvidou um par de segundos, mas depois assentiu e regressou ao colégio deixando sozinhos aos três jovens.
— Viktor… pode deixar-me falar um minuto a sós com Sebastian? —pediu Ron, não se atreveu a olhar diretamente para o jogador de Quidditch.
— Talvez deva me ir já.
— Não!... preciso falar contigo também. Espera-me só um minuto.
Viktor assentiu ainda quando Ron não podia lhe olhar. Foi a sentar em uma rocha apartada permitindo que umas árvores lhes dessem a privacidade que precisavam, olhou para o lago temendo estar à espera do adeus definitivo de Ronald.
Sebastian incorporou-se sentando-se junto ao ruivo, introduziu com carinho seus dedos no cabelo úmido de Ron. Nunca se tinha sentido tão feliz como nesse momento, e se compensou com cresces o terror que sentiu quando Ron renunciava a subir à superfície até o libertar.
— Sebastian… não me faça isto nunca mais. —suplicou Ron agoniado após tê-lo visto a ponto de morrer. — Não poderia suportar de novo perder a quem amo.
Os olhos de Sebastian abriram-se assombrados, nunca pensou que Ron o diria, era um sonho e quase pensou que realmente tinha morrido e estava no paraíso. Mas não, sentia seu coração e o de Ron bater com força.
— Eu também te amo.
Foi tudo o que disse antes de tentar beija-lo, mas nem sequer conseguiu um pequeno contato, Ron retrocedeu de imediato. Era impossível esquecer que este homem que lhe acordava tantos desejos de beijar, era o mesmo que ao dia seguinte se casaria com seu melhor amigo.
— Sinto muito. —desculpou-se preocupado. — Não me arrependo do que disse porque é a verdade, mas não quero que pense que algo tem mudado, Sebastian.
— Algo sim mudou, Ron. —assegurou sem deixar de acariciar-lhe o rosto. — Tem aceitado que me ama, isso é um mundo de diferença.
— Se peço-te que rompa com Harry, o faria?... O faria agora sabendo que amanhã pode morrer se não é entregue a um estranho que ocupe seu lugar e que poderia se aproveitar dele?
Sebastian baixou a mirada negando. Ron tinha razão, não podia trair a Harry quando sua vida e sua alma dependiam dele.
— Por isso gosto. —continuou Ron sorrindo com tristeza. — Desde o primeiro momento demonstrou que seria capaz de renunciar ao que seja por salvar a um desconhecido. Todos soubemos que podíamos confiar em ti, não nos defraude.
— Não o farei.
— Bem, agora já ficou tudo claro… Sejamos amigos, Sebastian. Harry é demasiado importante para mim para poder me permitir nenhuma aproximação mais contigo.
Sebastian por fim baixou suas mãos apartando-as de Ron.
— Gostas Krum?
— Muito. —respondeu sem duvidar, apesar de tudo, Sebastian merecia sua sinceridade. — Sinto muito, Sebastian, qualquer coisa entre nós é impossível… mas com ele não.
O Romano guardou silêncio, preferiu já não insistir e simplesmente compreendeu que seu tempo tinha terminado, se pôs de pé e regressou ao castelo disposto a cumprir com sua promessa para Harry… e também, lhe dar com isso, a Ron a oportunidade de sanar seu coração.
Ao ficar só, Ron tomou ar profundamente e se foi reunir com Viktor. Este se girou ao olhar quando sentiu sua proximidade, e o sorriso que o ruivo lhe presenteava lhe confundiu, realmente tão só estava esperando um adeus.
— Viktor, não sei que dizer.
— Perfeito, porque não quero que diga nada.
Krum pôs-se de pé e tomando a Ron pela cintura lhe encurralou contra a árvore mais próxima para beija-lo. Reconhecia o poder de seu rival, mas ele também tinha suas habilidades e saberia as aproveitar muito bem.
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Harry não podia crer quando Ron regressou a seu dormitório com a mesma expressão de fingida tranqüilidade. Não lhe contou o sucedido no lago, seguramente para não o alterar estando tão perto o casamento, mas falava de Viktor como se fosse o homem em quem mais pensava.
Finalmente não lhe ficou mais que resignar se, seu amigo continuava obstinado a não aceitar a Sebastian por nenhum motivo. Tão só esperava que se não se casava com ele, não teria razão válida para continuar nessa posição.
De qualquer maneira não daria esse passo, agora não sabia em que estava pensando quando aceitou o casal com Sebastian. Não o amava, nem sequer se sentia um pouco atraído por ele, lhe era inconcebível permitir que lhe pusesse uma mão em cima, muito menos se isso trazia por conseqüência a infelicidade de seu melhor amigo, e a sua própria.
O resto do dia tentou mostrar-se animado, pôs-se em seu papel de noivo o melhor que pôde. Quiçá não podia aparentar ser um feliz apaixonado, mas pelo menos tentou atuar como se lhe entusiasmasse a festa e o poder vencer a maldição de Belatriz.
Essa noite, passou-a junto a Severus. Fizeram o amor de uma maneira doce e lenta. Harry queria desfrutar de sua última vez a seu lado, encheu-o de beijos e carinho, repetindo mil vezes "amo-te". Não se importava não escutar o "eu também", Severus tinha sido honesto sempre com ele, mas isso não minguava nem um pouco o prazer de lhe confessar seus sentimentos.
Esse amor que não morreria com ele, o levaria em seu coração por toda a eternidade, convertendo em sua razão para suportar o que fosse.
Eram as doze da noite, e ainda quando estavam cansados de tanta atividade na cama. Severus girou-se para Harry acariciando-lhe seu cabelo com macieza.
— Feliz aniversário, Harry.
— Nunca tinha tido um com tão bom início. —ronronou beijando novamente. — Obrigado por estar comigo.
— E ademais, tenho-te um presente.
— Ah si? E daí poderá ser?
Severus pôs-se de pé, e depois de cobrir-se com um albornoz caminhou para seu laboratório. Harry temeu que algo o distraísse e se pusesse novamente a fabricar poções, mas não, o mago regressou com um pacote baixo o braço e uma garrafa de vinho e taças nas mãos.
— Toma e abre.
Harry obedeceu e tomou o pacote colocando sobre a cama enquanto Severus servia as duas taças. Mas quando o Professor se girou regressando ao leito, viu que o pacote continuava sem abrir e Harry tão só lhe percorria com seus dedos.
— Porque não o abre? Qualquer outro garoto teria rompido o envoltório em seguida.
— Tento imaginar que há em seu interior, é o primeiro presente de aniversário que me dá. —respondeu emocionado.
— O primeiro de muitos, asseguro-te. De hoje em adiante quero ser sempre o primeiro que te dê um obsequio neste dia.
Harry assentiu sorrindo, mas não se atreveu a lhe olhar. Para ele era o primeiro e o último, não teria mais aniversário para celebrar, nem com Severus nem com ninguém.
Lentamente foi desenredando a fita dourada que o envolvia. Estava seguro de que em seu interior encontraria um par de meias ou quiçá uma enciclopédia, ou provavelmente uns chocolates. Qualquer coisa seria boa porque vinha de Severus, mas não achava que ele soubesse exatamente que gostava.
Mas jamais se imaginou algo como isso.
Era um recipiente redondo de cristal, como os que usou em suas classes de química muggle para cultivar bactérias. E parecia ter um desses meios gelatinosos, cor verde e algo brilhante.
— Q-que original. —disse surpreendido. — Mas que é e para que serve?
Harry rogou pára que não se tratasse realmente de nada relacionado com poções, isso sim que seria abrumador.
— É um Custodio.
— E daí custodia? —questionou começando a encontrar divertida a ocorrência de Severus.
— Prova e verá.
— Prová-la?! —repetiu alarmado, não queria levar à boca essa substância tão pouco atraente ao gosto.
— Confia em mim e prova um pouco.
O sorriso de Harry titubeou, mas mesmo assim abriu a caixa afundando o dedo na substância viscosa. Teve que respirar fundo antes de se animar a introduzir a sua boca.
— Oh, vá, não sabe tão mau. —aceitou surpreendido.
— E como te sente?
— Normal, acho que não há muita diferença. —respondeu apenado pensando que o presente não tinha funcionado.
Severus observou-lhe detidamente por uns segundos, realmente não parecia que algo tivesse mudado, Harry lhe estava sorrindo como sempre, e só tinha uma explicação para isso.
— Merlin, Harry Tanto ama-me?
— Que tem que ver isso?
Severus só sorriu lhe restando importância, ofereceu uma das duas taças a Harry para em seguida as chocar.
— Brindo para que seu coração sempre encontre a serenidade que agora lhe enche.
— Eu brindo por ti, para que em algum dia, Severus, conheça o que é o amor e não te surpreenda porque alguém te ama.
Harry deu o primeiro sorvo, não pôde evitar um gesto enquanto olhava o resto da bebida.
— Acho que o vinho não é para mim. O sabor é tão estranho. —disse tentando regressar a taça à mesa de noite.
— Nada disso, jovenzinho, estamos brindando e quero que ta acabe.
— Mas porque? Que classe de vinho é? A ocasião passada também me soube algo amargo.
— É um vinho especial, não há outro como este no mundo e o consegui só para ti… me vai recusar ele?
Sabendo que não podia o fazer depois de se inteirar tudo o que Severus pôde ter feito para obter essa peculiar bebida, Harry obedeceu e tomou todo o líquido em um par de tragos. Severus imitou-lhe, ainda que mais lentamente.
— Recosta. —pediu o professor após deixar ambas taças na mesinha de cabeceira.
— Vai fazer-me outra vez o amor? —ronronou removendo-se gustoso de sentir o peso de Severus em cima dele.
— Assim é, e te prepara porque acho que te vai gostar.
— Sempre gosto.
Mas muito cedo Harry comprovou que algo diferente estava passando, a cada centímetro de sua pele parecia hipersensibilizada, múltiplas espasmos lhe explodiam na cada célula com só o roce dos dedos de Severus. Era praticamente impossível deixar de gemer e convulsionar se de prazer.
As caricias mais intensas quase faziam-lhe achar que seu coração não poderia com tanto sangue que corria por seu corpo. E a boca de Severus engolindo seu membro intensificou as sensações. Harry retorcia-se sobre a cama sem saber como controlar tanto deleite.
Abriu com presteza as pernas, queria ser penetrado já, a curiosidade por saber que sentiria era imensa. Mas para sua surpresa, Severus não o fez em seguida, senão que se deslizou por seu corpo para voltar a beija-lo por alguns minutos antes de se apartar um pouco. Harry percebia sua respiração arquejante e sorriu emocionado ao saber que Severus estava experimentando tanto prazer como ele.
— Harry… esta noite quero que me tome você.
O jovem não soube que responder. Olhou diretamente aos olhos de Severus temendo que em qualquer momento risse pela broma, mas não foi assim, seu amante luzia ansioso também.
— Sev, eu nunca tenho…
— Eu também não. —confessou-lhe aumentando o assombro do Gryffindor. — Mas não é tempo de conversar ao respeito… foda-me, Harry, te preciso com urgência!
Harry não respondeu, mas se incorporou com a intenção do comprazer. Seu coração batia mais rápido do que já o fazia até esse momento, e mais ainda quando viu a Severus se encolher em uma bola sobre a cama expondo sua traseiro.
"Deus meu, Deus meu… é tão excitante. Faz favor, que goste" Orou em silêncio, de nervoso e preocupado de não poder o fazer.
Ajoelhou-se depois de Severus, as mãos tremeram-lhe quando as acercou para lhe acariciar em toda a raja que se expunha livremente pela posição. Arquejou comprazido ao escutar que seu amante gemia revelando que gostava, de modo que continuou acariciando, gostou muito perceber da branca pele de Severus se estremecer, as dobras de sua entrada reagindo ante seu toque.
Tinha algo que queria fazer, não sabia se o faria bem, mas se arriscaria. Acercou seu rosto e lambeu, ao princípio com timidez, mas em seguida comprovou que era muito, muito agradável umedecer e preparar a zona com sua língua enquanto escutava como Severus não cessava de respirar agitado.
Ocasionalmente usava seus dedos para ir dilatando, já tinha um precário conhecimento da anatomia masculina interna pelo que girou seu dedo buscando até encontrar a próstata. Sorriu triunfante, os nervos iam desaparecendo com a cada espasmo de prazer que provocava.
Finalmente decidiu-se a fazer algo mais. Sacou o ar de seus pulmões enquanto colocava seu pênis no pequeno buraco e foi penetrando com lentidão, descobrindo que era um lugar muito quente, rugosamente suave e estreito.
Os seguintes minutos mal podia pensar. Entrar e sair de Severus era delicioso, não queria terminar, fez força de toda sua vontade para evitar a ejaculação até o último segundo.
— Harry… fá-lo adentro, corre-te em mim. —pediu Severus.
Não foi necessário o repetir, Harry empurrou com força uma última vez deixando sair todo seu sêmen em um dos orgasmos mais fortes que tinha tido. Severus se convulsionou em seus braços quando se deixou cair sobre suas costas. Ambos terminaram e não puderam nem dizer uma palavra. De imediato o sonho venceu-lhes.
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Quando Harry acordou, sentiu o vazio a seu lado, abriu os olhos ainda sonolento, mas ao comprovar que Severus não estava, se incorporou sentando sobre a cama sentindo que a alma se lhe escapava, tomou sua varinha realizando um feitiço para saber a hora e horrorizado descobriu que passava de meio dia.
Não podia achar que tinha dormido tanto tempo, se supunha que ia desfrutar de cada minuto e agora nem sequer sabia onde estava Severus, se sentiu horrivelmente só.
De repente, a porta abriu-se e Severus entrou levando em suas mãos uma bandeja com café da manhã que colocou no criado-mudo.
— Dormiu bem?
Por toda resposta, Harry se lançou pendurando de seu pescoço. Severus sorriu ante tão delicioso recebimento, abraçou-lhe também gemendo prazenteiramente pelo contato com o garoto. No entanto, cedo deixou de sorrir, seu ombro estava-se umedecendo e um suave soluço indicou que Harry chorava.
— Mas, Harry porque chora? —perguntou-lhe apartando-lhe para secar suas lágrimas. — Anda, não chore mais, luzirá uns olhos muito inchados em seu casamento.
— Sinto muito, é que… tive um pesadelo, não me faça caso. —respondeu Harry obrigando-se a sorrir.
— Bem, a esquece já. Só vim a ver se já tinha acordado para que tome o café da manha, eu tenho algumas coisas que fazer e…
— Não passaremos juntos no dia?
— Não posso, e ademais você vai estar muito ocupado. Todo o clã Weasley acaba de invadir o castelo, Molly tem perguntado por ti, e me temo que se encarregará de preparar para o casamento.
— Oh, mas…
— Sem protestar, Harry, nos veremos depois. E descuida, que amanhã este pesadelo terá terminado para ti. —assegurou carinhoso alongando sua mão para tomar o presente que lhe fez a Harry, lhe sujeitou com uma corrente passando pelo pescoço do garoto. — Leva-o contigo, não será visível para ninguém, só para ti.
— Sim… Severus, amo-te, nunca o esqueça.
Harry apartou-se, até esse momento deu-se conta que Severus se encontrava totalmente vestido e ele sem nada de roupa. Buscou-a em silêncio e depois de mudar-se decidiu despedir-se, o melhor era não tomar o café da manha ali, pois jamais poderia provar bocado.
Em seu caminho à Torre, Harry deteve-se em uma sala vazia, a selou com quanto feitiço conhecia, e assim que ficou convencido de que ninguém jamais saberia o que passou aí, lançou um bombarda que destruiu tudo quando mobiliário encontrou. Não parou até que não teve mais que farpas e então se deixou cair de joelhos ao andar, sua varinha rodou pelo solo enquanto ele respirava agitado.
— Não quero morrer! —gritou com todas suas forças, com os punhos golpeou o andar de pedra uma e outra vez. — Não é justo, não quero!
A fúria, frustração e o medo tinham-lhe invadido, não podia suportar a ideia de ter que renunciar a Severus por sempre, justo agora que tudo ia melhor que nunca entre eles. Por vários minutos gritou e chorou quanto pôde até que finalmente conseguiu erguer, sua respiração continuava agitada e a garganta lhe doía.
— Não morrerei! —exclamou limpando furioso as lágrimas que ainda corriam. — Se tenho que abrir as pernas para que Sebastian me salve, eu vou fazer, é hora de ser egoísta. Não me importo nada, não vou morrer hoje!
Assustado, Harry consertou nesse momento que as paredes da sala se tinham derretido obtendo formas caprichosas. Lentamente pôs-se de pé, às vezes assustava-lhe sua magia, tinha que reconhecer que era muita e poucas vezes se lhe descontrolava de tal maneira, e pelo mesmo, mais furioso se sentia ao saber que era poderoso e não podia contra uma estúpida maldição.
Já não se molestou em arranjar o defeito, saiu da sala disposto a se arranjar, tinha um casamento pendente.
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Não tinha ideia de como podia o suportar, mas Harry sorria olhando a Molly se esforçando por lhe fazer um bom penteado a seu rebelde cabelo, e como controlava que todos seus filhos estivessem prontos para a cerimônia.
Harry notou que Ron lhe fugia, e não lhe era difícil o entender, essa noite perderia a última esperança de voltar a sentir ao amor. Mas de imediato esforçou-se por espantar esse pensamento, nada lhe faria retratar, ele também merecia uma oportunidade… seguia se repetindo uma e outra vez, "só abrirei as pernas e fecharei os olhos, só isso, posso o fazer"
A hora do casamento chegou, todos os convidados se reuniram em um jardim alumiado com tochas azuis, não eram muitos, tão só os Weasley, os professores, Draco, Remus, Sirius, Dumbledore e Kingsley como representante do Ministério.
Harry buscava por todos lados a Severus, só sua presença lhe ajudaria a ter forças para pronunciar esse "Sim, aceito" que seriam as duas palavras mais difíceis de sua vida. Mas o Professor não aparecia. Harry quase não podia escutar a seus amigos infundindo ânimo e esperanças.
Não soube como foi que de repente estava em frente a uma espécie de altar com Sebastian a seu lado. Volteou a olhá-lo, o romano tinha uma expressão séria mais relaxada. Ao sentir que Harry lhe observava se voltou para ele lhe sorrindo. Parecia que por fim tinha aceitado seu destino.
Harry respirou fundo, e enquanto Dumbledore pronunciava seu discurso de casamentos, volteou para trás, e aí, em primeira fila por fim viu. Severus estava sentado junto a Minerva, mas não dizia nada, quase parecia incômodo de ter que estar em público.
Depois olhou a Ron, quem tinha a mirada fincada na grama, a seu lado estava Viktor, mas Ron quase nem consertava nele. Apesar da distância, Harry notou suas pálpebras inchadas.
Um nodo fez-lhe na garganta, seu amigo tinha chorado, seguramente toda a noite aproveitando a solidão da torre.
— Sebastian Antonescu… —escutou-se a voz de Dumbledore, Harry sentiu que Sebastian lhe tomava das mãos para que ambos ficassem se olhando mutuamente, o garoto lhe sorria com carinho. —… Aceita a Harry James Potter como seu esposo, amigo e amante pelo fim dos tempos?
— Aceito. —respondeu Sebastian sem duvidar.
— E você, Harry, James Potter, aceita a Sebastian Antonescu como seu esposo, amigo e amante pelo fim dos tempos?
Harry abriu a boca para responder mas só se questionou "Amante?... não, eu já tenho um amante, só amo a Severus, não posso, não poderei nunca consentir que algo manche este sentimento, é o mais puro que tenho tido em minha vida… não quero que esta maldição o atinja".
O silêncio de Harry pô-los a todos sobre alerta, Sebastian era um dos mais preocupados, se inclinou para seu amigo estreitando-lhe mais forte as mãos.
— Diga que sim, Harry, te prometo que te cuidarei, que não sofrerá nem em um só dia por minha culpa… Harry, somos amigos, o faz por isso. Diga que aceita, faz favor.
Harry voltou a abrir a boca, mas não pôde falar. Olhou para Ron. O ruivo tinha-se posto de pé e olhava-lhe aterrorizado, e sem importar-lhe o protocolo, correu para seu amigo.
— Nem ocorra-te, Harry Potter! —grunhindo arquejante. — Diga agora mesmo que aceita!
— Ron, já tomei uma decisão… Me perdoa. —pediu esforçando-se pára que sua voz não mostrasse a tristeza que sentia. — Prometo-te que não é por ti, que o pensei muito be que quero.
— Harry, não seja tonto, é Belatriz à que te enfrentaria! —gritou Ron desesperado, mas ao ver que seu amigo ia pronunciar o "Não" que lhe condenaria, se girou para seu professor. — Snape, diga-lhe algo, você é o único que pode o conseguir!
Severus sorriu a médias, não pensou que Ronald Weasley se atrevesse a voltar a lhe enfrentar. Harry volteou a olhá-lo, sentia curiosidade por ver sua reação, mas o Professor continuou sentado tranqüilamente em seu assento sem importar-lhe que o resto dos Weasley e inclusive a professora de Transformações lhe estivessem recriminando sua proceder tão apático.
— Harry… —chamou-lhe Dumbledore preocupado. —… é só um requisito, pequeno, tem em conta que o que passe doravante depende de ti, pode o conseguir, eu sei que sim.
— Faça a pergunta, Professor. —pediu Harry assentindo.
— Harry James Potter… —começou Dumbledore conseguindo que todos guardassem silêncio, Ron não tinha querido voltar a seu assento, olhava assustado a seu amigo. —…. Aceitas a Sebastian Antonescu como amigo, esposo e amante?
— Sebastian… —sorriu Harry olhando ao garoto romano. —… agradeço-te muito sua intenção, desejo de todo coração que a vida te compense com cresces. Mas não, não aceito me casar contigo.
De imediato Harry apertou as pálpebras, uma dor muito intensa deu-lhe de cheio no coração. Ron atingiu a sustentá-lo para evitar que caísse ao chão inesperadamente, mas estava tão horrorizado que não pôde demasiado, lhe ajudou a recostar no prado, chorando desesperado enquanto via a seu melhor amigo agonizar.
— Harry… —soluçou agoniado. —… faz favor, já se foi Hermione, você não, te rogo você não!
Harry só teve forças para sorrir um pouco antes de que seu coração deixasse de bater. Ron sentiu como o corpo de seu amigo perdia toda a força, lhe apertou forte contra seu peito enquanto olhava com profundo ódio como Snape continuava em seu lugar. Era o único que não chorava… Era o único maldito que parecia não lhe importar o que passava.
—000—000—000—
Nota tradutor:
Hummmm
E agora o que será que vai acontecer, será que todos vão agredir Snape por não ter feito nada, por ter abandonado Harry no ultimo instante?
Vejo vocês nos próximos capítulos
Ate breve
