Capítulo 35 (Rigel's thoughts)

- RIGEL! – Inês disse – NÃO FAÇAS ISSO!

As mãos dela foram parar a varinha dele, na tentativa de o parar. O forte feitiço fez o homem cair, os seus olhos abriram novamente com um "Enervante" que surge.

Diana pôs-se a frente do irmão, sussurrando de modo a que apenas os dois percebessem. "Ainda não Rigel, ainda não"

Ele olhou para o homem com uma certa raiva, desviando o olhar. Era estranho ver Rigel assim, ele costumava ser bastante calmo e pacífico, mas se havia coisa que ele não admitia era que tentassem fazer seja o que for aos pais ou a irmã.

Para descarregar a raiva ele lança um feitiço que faz com que a parede exterior ganhe um buraco bastante visível. Apesar de evitar olhar para a mãe ou até mesmo para o pai, ele olhava nos olhos da irmã e sabia exactamente o que deveria fazer. O facto de serem gémeos, ainda que falsos, eles sentiam o mesmo, sabiam o que fazer sem precisarem de grandes perguntas, era o espelho um do outro.

Rigel assentiu e sem que ninguém espera-se que ele conseguisse fazer, Rigel aparatou para sabe-se lá onde.

As horas passaram-se, o velho homem ainda estava inconsciente numa das salas mais fundas da casa. Bellatrix já tinha chamado as irmãs, Alexandria tinha sido a última a chegar, e ainda assim foi graças ao retrato do seu tio avó, o mais odioso professor de Hogwarts, que tinha levado a mensagem a Dumbledor, que por sua vez deu o recado a Alexandria, que mal podia acreditar.

A cerca de dezanove anos, Cygnus Black foi morto. Milhares de páginas de todos os jornais, noticiavam a morte de um dos conselheiros do ministro. Diziam-se bastante coisas, mas nunca nenhuma deles chegou perto da verdade. Cygnus Black não morreu, apenas fugiu com uma mulher ambiciosa que desejava dinheiro, o que esta não sabia, é que a partir do momento em que Cygnus Black foi dado como morto, todo o acesso as suas contas no banco dos velhos goblins foi trancado.

Claro que Black que tinha outras formas de ter dinheiro, mas nunca tanto como tinha enquanto Black. A história fez correr muita tinta mas acabou por ser esquecido como qualquer outra, apenas a família mais próxima, sabia a verdadeira história. Contudo o que eles menos esperavam era que o pai voltasse. Bem, porque pai, só mesmo biológico, como Narcisa dizia, ele de pai não tinha nada.

- A sério. – Alexandria falava com Bellatrix – O raio do homem podia ter ficado morto, lá nos confins do mundo e que nos deixasse.

- O Voldemort deve andar mesmo desesperado, quer dizer, que é que aceita um velho jareta com mais de cinco mil anos para o ajudar. – Sirius disse tentando aliviar o ambiente tenso que se fazia sentir.

Eles estavam na sala, agora restaurada, pelo menos minimamente, A janela posta no lugar novamente e a fuligem que tinha entrado pela janela já não mais existia. Apenas na parede exterior jazia o forte feitiço de Rigel.

- Diana tu sabes onde foi o Rigel? – A mãe perguntou-lhe

- Sei.

- Então? – O pai disse.

- Não posso dizer, o Rigel que estar sozinho, e vai ficar no que depender de mim.

-Diana eu sou tua mãe e quero saber, agora, onde é que o teu irmão está.

A voz autoritária de Bellatrix fez a maioria arrepiar-se, até mesmo Sirius, mas Diana permanecia inabalável.

- E ele é meu irmão, e eu sei que ele está bem, e vai voltar quando estiver melhor.

O olhar dela não vacilou perante o ar autoritário da mãe. Nem mesmo pestanejou, talvez fosse o simples facto de ela ser parecida com ela, ou apenas porque sabia que a mãe apenas fazia aquilo para proteger os filhos.

Bellatrix olhou nos fundo dos olhos azuis da filha mas não viu nada, nenhuma sombra de medo nem de intimidação, e no fundo suspirou de alívio por isso, afinal ela mal sabia como ser mãe, nem mesmo como educar os filhos sobre o que era certo e o que era errado, a mãe dela nunca tinha feito nada daquilo com ela ou com as irmãs e isso levou-a a tomar escolhas erradas.

Mas Diana parecia saber bem o que era defender os outros, a diferença entre certo e errado, talvez fosse Sirius.

Bellatrix acabou por acenar levemente a cabeça a filha como se concorda-se com o que ela estava a fazer.

Ninguém ousou dizer nada. Nem comentar aquela pequena discussão entre elas.

As horas foram-se passando lentamente, e já a noite ia alta quando a porta de casa se abriu. Rigel entrou, a camisola estava rasgada em diversas partes, os cabelos negros colados a cara, algumas escoriações. Parecia um vagabundo.

- Rigel, onde é que andaste? – Inês saltou do sofá e acorreu para junto dele. Rigel não disse nada enquanto Inês o abraçava, apenas apertou forte a cintura dela enterrando a cara nos cabelos loiros dela, que emanava o doce cheiro a rosas.

Ninguém comentava nada, e todos olhavam de Rigel para Bellatrix. Inês afastou-se do primo ainda com um aperto no coração, Bellatrix aproximou-se do filho, pôs a mãos frias no rosto dele, olhando bem no fundo dos olhos dele. Transmitiam confusão, duvidas e sobretudo um medo aterrador, uma duvida incessante pela busca de uma realidade que ele não compreendia.

- Nunca mais saías assim! – Ela disse – Nunca mais!

E Rigel deixou-se acolher nos braços da mãe.

- Eu não queria, eu não consegui controlar-me…

Ele tentou explicar-se.

- Eu não consigo controlar.

Ela beijou a testa do filho. E Rigel finalmente deixou que a mãe o protegesse.

Algumas horas depois e sem grandes explicações, Rigel retomou ao seu quarto, preparado para passar um noite em branco. Tomou um banho, deixando que os cabelos negros, agora totalmente molhados. Vestiu uns calções largos para dormir. Ele podia distinguir os barulhos de cada uma a retomar aos respectivos quartos. Sentiu alguém abrir a porta e mesmo sem olhar podia distinguir os passos suaves da irmã.

Nenhum dos dois proferiu alguma palavra não eram necessárias, abraçaram-se fortemente, como que transmitindo uma força que só eles compreendiam.

- Estarei sempre ao teu lado – Diana sussurrou – És parte de mim, e independente do caminho que tomaras, tomarei esse como meu, e caminharemos juntos para morte, se assim o quiseres.

- Eu sei Diana – Ele respondeu – Nós somos metade um do outro.

Ela sorriu, beijou-lhe a cara e saiu.

Ele apenas ficou com a janela aberta, sentado na berma do parapeito. O corpo repousava na janela de vidro enquanto ouvia ainda ínfimos barulhos dos outros quartos.

Continuava com os cabelos molhados e sentia um certo frio, devido a corte de ar que entrava pela janela. Talvez fosse mesmo isso que precisava, precisa de sentir algo, nem que fosse dor. Ele havia atacado alguém, que independente de quem fosse, estava em minoria, ele atacou para matar, e apesar de saber o que tinha feito ele não se conseguiu controlar, tinha outras maneiras de atacar o homem, mas se não fosse a irmã ele tinha provavelmente matado o homem, que no fim de contas, era seu avó.

Rigel continuava envolto em tantos pensamentos que não deu pela porta do seu quarto se abrir. Não deu pela entrada de Inês no quarto. Ela olhou-o. Ele estava desfeito, confuso e angustiado. E tudo o que ela queria era faze-lo esquecer tudo, era ajuda-lo, mas a relação deles não estava na melhor das fases, ela não o conseguia tirar da cabeça, não conseguia controlar os ciúmes que tinha quando o via com outra rapariga, mas não podia fazer nada contra isso, ela não podia fazer nada, apesar de serem apenas primos, haviam sido criados como irmãos. Mas aquele sentimento, aquela fúria dentro dela, de cada vez que o via. E naquele momento em que ele havia entrado na casa, totalmente desfeito a sua vontade foi mandar um mundo ir dar uma volta, foi esquecer toda a sua racionalidade e beija-lo, mas controlou-se. Apenas o abraçou forte. Avançou lentamente para junto dele, sem que este desse por ela.

- Rigel – Ela chamou baixo, quase que fosse um segredo.

Ele olhou-a, e viu nos olhos dela dor e preocupação.

- Quem fazes aqui Inês, ainda te podem ver comigo e sabe-se lá o que iram pensar…

Ele sabia bem que não devia descontar nela toda a raiva que sentia mas enfim, de cabeça quente ninguém consegue pensar direito…

- Rigel, eu estou preocupada contigo.

Inês manteve o tom calmo, quase que infantil.

- Saí Inês. – Ele disse friamente – Saí, eu quero ficar sozinho.

- Mas Rigel, eu só queria…

- Saí do meu quarto agora! – Ele não olhava para ela, mas mantinha a voz dura.

Ela baixou o rosto, deixando uma lágrima pesada rolar-lhe pelo rosto. Mesmo antes de sair, olhou uma última vez para ele, inspirou fundo e limpou o rosto da lágrima, estava na altura de tomar uma decisão.

- Eu já te disse para saíres! – Rigel disse – Será que não consegues deixar-me em paz?

Ele disse dirigindo-se a ela. Ela mal o reconhecia, tanta dor, tanta mágoa, e de certa forma ela sabia que era em parte por culpa dela. Talvez fosse mesmo aquele o momento certo ou não, nunca o saberia, mas mandando todas as ideias e medos, ela colou os lábios dela ou dele. E não podia ter ficado desiludida. Imediatamente sentiu as mãos dele na sua cintura, puxando o corpo dela contra o dele bruscamente, mas ela não se importava, apenas ele importava, e qualquer preocupação que ela tivesse desapareceram naquele instante.

Mais um capítulo, desta vez um pouco mais sombrio, sim eu sei, mas como a "bruxinha" gosta de dizer "Tu tens uma queda por personagens sombrias" E aqui estou eu.

Beijinhos desta autora.

SofiaBellatrixBlack