Não, não é um aviso. É capítulo novo mesmo. Exatamente, capítulo novo! Explicações sobre a demora lá no final ;)

No último capítulo:

O silêncio era gritante. James estava prestes a rugir irritado quando mais uma lunar desceu dos céus, bem em cima dele. A próxima coisa que vi foi a Rainha Anita com cada um de seus pés em um dos braços do vampiro. Ele até tentou se mexer, mas era como se ela pesasse toneladas. Os cabelos platinados estavam presos em uma trança complexa e sua pele tinha pinturas que reconheci serem de guerra. Com o braço esquerdo esticado a sua frente ela segurava um arco prateado incrustrado com pedras coloridas, rapidamente ela puxou uma flecha de fogo azul.

- Minha filha não é a reencarnação de Caos... Eu sou. – e sem permitir nenhuma última palavra ela soltou a flecha transformando meu inimigo em cinzas.

Todos os olhares se voltaram então para Victória que gritava com fúria, com pesar, com amargura... Ela podia ser a pior das criaturas, mas seu amor por James era real.

- Fiquem longe! – rugiu arrastando Bella. A dor da vampira pela perda de seu parceiro era tamanha que ela não conseguia pensar claramente em um lugar para se transportar, tudo o que ela pensava era nele.

Rei Arthur colocou uma mão em peito e deu um leve empurrão para trás. Ele caminhou para perto delas, mas suas palavras não foram direcionadas para a vampira e sim para a sua filha.

- Bella? – chamou amoroso. – É hora de se lembrar. – e então estalou seus dedos.

Observei horrorizado a tormenta crescendo em minha companheira. Eu podia sentir em minha alma. Era um turbilhão, como um enxame de abelhas... Talvez uma analogia melhor seria um cano d'água com alta pressão e agora a porta de saída foi simplesmente escancarada. E como um vulcão entrando em erupção o poder de Bella explodiu empurrando tudo e todos em toda a sua circunferência. Victória voou para longe e todos nós que estávamos mais afastados fomos jogados para o chão.

Me recuperei rapidamente e ergui minha cabeça. A lunar olhava para os céus, em seus olhos não existia mais irís, nem castanha e nem azul, seus olhos brilhavam completamente brancos. Não era a camada fosca de uma visão do futuro, era um brilho intenso que parecia crescer pouco a pouco. As asas dela estavam abertas e seu corpo estava alguns centímetros fora do chão. Seus cabelos e roupas pareciam flutuar como se estivessem sem a influência da gravidade. E então ela foi ao chão. Caiu de joelhos e rosnou, um rosnado desesperado, um rosnado dolorido, seus dentes expostos como um animal acuado. O brilho aumentou mais e mais até nos cegar completamente e nos transportar para um passado distante.

Bella estava despertando. Finalmente.

A Lenda da Lua

Paola B. B.

Capítulo XXXVI. Toda história tem um início (Parte 1)

PDV Narrador

O sorriso não saia de seus lábios. Todos os problemas sumiram de sua mente. As lágrimas que antes caíam com o medo, agora caíam pelo alívio. Seu coração batia forte exalando alegria. Um milagre! Um milagre cuidadosamente depositado em seus braços, um milagre de grandes e expressivos olhos castanhos, um milagre de sorriso banguela e bochechas salientes... Um milagre que salvou sua própria mãe.

Arthur sentiu-se derreter diante da pequena criatura, foi inteligente de sua parte sentar-se na poltrona antes de receber sua filha em seus braços, já que tinha certeza que suas pernas haviam perdido completamente a força. Agora ele tinha aquele pequeno corpinho apoiado em seus antebraços, a cabeça do bebê bem protegida pelas palmas de suas mãos. Seu polegar traçou um caminho pelo rostinho delicado, riu quando a pequenina virou a cabeça e com um rosnado adorável tentou morder o dedo impertinente.

- Então temos uma pequena guerreira. – Arthur riu baixinho sem conseguir desgrudar os olhos de sua filha.

- É incrível ela não ter chorado. – a voz feminina ainda estava fraca, mas repleta de alegria.

O homem ergueu seu rosto por alguns segundos para fitar sua companheira. Anita era tão bonita. Seus cabelos platinados estavam espalhados pelo travesseiro e seu corpo esguio completamente coberto por lençóis. Os olhos extremamente azuis contemplavam Arthur e a pequena Bella. Ela sorriu antes de beijar a testa do garotinho dormindo agarrado ao seu corpo. Ela não podia acreditar nessa calmaria depois de tudo o que vinham passando nos últimos tempos.

- Ela é especial. – murmurou o homem se divertindo por Bella ainda estar tentando caçar seu dedo, havia um olhar determinado na recém-nascida. Ela era esperta e forte.

- Eu estou com medo, Arthur. – confessou fazendo seu companheiro fitá-la com seriedade.

- Você quase morreu hoje... Vocês quase morreram hoje. – os olhos cinzentos dele correram para o menino dormindo abraçado a mãe. Daniel era uma pequena cópia dele, não só fisicamente, mas também em personalidade. Graças aos céus a criança também tinha absorvido o perfil ponderador de sua mãe, dessa forma quando ele ficasse mais velho talvez não cometesse tantos erros como seu pai. – Eu disse que ela era um milagre. Ela nem completou um dia no mundo e já salvou a vida de duas pessoas. O povo vai se acalmar. Eles retornarão á razão.

- Eu gostaria de ter sua fé.

- Anita...

- Eu lhe disse quem ela é, Arthur. – as lágrimas escorreram por seu rosto. – Eu... Eu não posso permitir que a história se repita.

Anita tinha vívido em sua memória o momento logo após o parto. Dar à luz a uma segunda criança exigiu do seu corpo muito mais do que imaginou que seria necessário. Assim que Asuka puxou a menina e assegurou que ela estava bem, Ulisses e Aurora correram com o cordão umbilical para o outro quarto ajudar Daniel, imediatamente Anna sentiu todas as suas forças se esvaírem. Ela estava morrendo. Podia sentir sua alma se desconectando lentamente. Chorou pedindo para ver sua filhinha antes que se fosse e assim lhe foi feita vontade. Asuka, que acompanhava a família real da Lua há muito tempo, tinha lágrimas nos olhos quando colocou a pequena no colo da mãe. Anita olhou encantada para os grandes olhos castanhos a observando com curiosidade e então sentiu a mãozinha tocar-lhe a bochecha, no mesmo momento as íris castanhas tornaram-se azuis e a rainha sentiu o calor preencher seu corpo.

Como primeiro ato na vida aquela pequena bebezinha não havia chorado, como primeiro ato ela havia curado sua mãe. Mas o que realmente surpreendeu Anita foi reconhecer os orbes claros. Chorou cheia de gratidão. Gratidão por ter sido curada, gratidão por poder ficar ao lado de seus filhos e de seu companheiro, gratidão pelo Criador ter colocado aquela alma sob os seus cuidados.

- A história não vai se repetir. Ela tem todos nós agora. Ela será criada com tanto amor que não sobrará espaço para qualquer outro sentimento crescer.

- Ela tem a nós, mas o povo não a respeitará. Eles já a odiavam antes mesmo de nascer... Eles não vão mudar de opinião. Eles vão persegui-la, vão despejar toda inveja por ela ser a segunda criança em milênios... Arthur, a vida dela será tão difícil...

Arthur levantou-se e depositou a criança no colo de sua mãe antes de sentar-se na beirada da cama. Acariciou o rosto de sua companheira e beijou-lhe os lábios com delicadeza.

- Anna. – falou seriamente, mas sua voz era aveludada pela amabilidade. – Bella está recebendo a mesma segunda chance que nós dois tivemos. Não podemos trancá-la no castelo da mesma forma que seu pai fez com você... Isso não será saudável. Você é a Rainha da Lua e eu sou o Rei, temos o poder para manter nossa princesa segura e definitivamente temos amor suficiente para educá-la da melhor maneira possível.

O soberano do povo lunar estava parcialmente correto. Conforme o tempo foi passando Bella foi crescendo exatamente do jeito que seus pais queriam, rodeada de amor. Todavia não tão livre quanto gostariam.

Daniel, agora livre de sua doença, tomou como missão de vida manter sua irmã segura. Ele amava a pequena encrenqueira com cada célula de seu corpo e simplesmente se desesperava com qualquer possível perigo que pudesse apanhá-la.

O povo, de fato, acalmou-se por um tempo. A exaltação, daqueles que diziam que a segunda criança traria o caos no momento em que desse seu primeiro suspiro, suavizou quando nenhuma tragédia aconteceu. Contudo os mais radicais achavam que era só uma questão de tempo e se atentavam a qualquer oportunidade de acabar com a menina antes que ela se tornasse poderosa demais para ser parada.

A primeira vez que Bella saiu do castelo foi quando ela tinha 3 anos. De mãos dadas com sua mãe ela olhava com curiosidade tudo a sua volta, ela já estava acostumada com cada cômodo do castelo e com cada sorriso acolhedor estampado no rosto dos funcionários, mas não estava acostumada com um mundo tão grande e muito menos com expressões tão hostis. Em tão jovem idade ela não compreendia muito bem aquelas caras feias, compreendeu menos ainda quando seu irmão a pegou no colo e correu de volta para casa enquanto seus pais rosnavam e discutiam com um grupo de lunares. Contudo, o que realmente a assustou foi ver Daniel tão transtornado quando já estavam seguros dentro do castelo.

O adolescente andava de um lado para o outro rosnando e bradando frases que para a pequenina não faziam qualquer sentido. Entediada ela caminhou até o mais velho e puxou a barra da camisa dele.

- Nós não vamos mais visitar a vila das tortas de maçã? – a pergunta tão inocente dissolveu a ira de Daniel.

- Não maninha, não vamos. Mas nós podemos pedir para Asukinha assar uma para nós, o que você acha?

Bella abriu um sorriso enorme e lambeu suas presas animada com a ideia.

O príncipe não conseguia entender como aquela pequena criatura poderia ser tão odiada. Se as pessoas ao menos dessem uma chance de conhecê-la, de perceber o quão amorosa ela era, eles se curvariam diante tamanha doçura... Talvez esse fosse o problema, Bella era apenas a desculpa para os lunares questionarem a submissão à monarquia.

Depois deste incidente a família real achou mais prudente manter a menina dentro dos domínios do castelo. Dentro da construção ela ficava praticamente livre, já do lado de fora ela era acompanhada ou pelo fiel escudeiro Charlie ou por Daniel. A atividade que a princesa mais gostava era treinar com seu irmão, amava brincar nos céus fazendo manobras evasivas. O príncipe a ensinava a empunhar uma espada e a se defender de qualquer possível ataque, não foram preciso muitas aulas para que Bella arruinasse o ego de seu irmão mais velho ao ultrapassá-lo em habilidade.

Nos dias mais calmos o rei e a rainha se juntavam aos filhos para ensiná-los manobras mais avançadas. A rapidez com que os irmãos aprendiam e dominavam as novas técnicas espantavam até mesmo seus pais. Com 11 anos a princesa já se igualava a sua mãe com o arco e flechas, já Daniel aos 16 demonstrava criatividade e destreza com a espada que abismava seu pai. Apesar dos problemas com o reino, Arthur e Anna faziam de tudo para transformar a infância de seus filhos em algo para se lembrar com alegria.

Mas nem tudo eram flores, com os anos passando e a responsabilidade do príncipe como futuro rei aumentando ele não tinha mais tanto tempo livre para passar com sua irmã. Bella no auge de seus 13 anos almejava por liberdade, pela primeira vez ela se sentia sufocada dentro do castelo.

Explorar as dezenas de salas, brincar pelos corredores e esconder os vasos quebrados acidentalmente não era mais tão divertido quanto quando era mais nova. Voar entre os pomares se tornou uma atividade solitária e mesmo que Charlie lhe acompanhasse e tentasse a alegrá-la a brincadeira não parecia ter o mesmo sentido sem seu irmão.

Bella queria ter mais amigos. Amigos que não fossem funcionários do castelo, amigos que não tivesse ordens para manter um olho nela e protegê-la a qualquer sinal de perigo. Ela queria alguém para conversar e brincar. Ela queria conhecer o mundo além dos portões do castelo. Queria visitar o planeta azul... Mas ela não tinha coragem suficiente para simplesmente ir, não sem pelo menos alguém de sua família junto a si.

Decidida a ter uma nova aventura ela buscou seu parceiro de encrenca. Bateu na porta e colocou a cabeça para dentro do escritório de seu irmão.

- Oi maninho. – sussurrou observando com curiosidade a pilha de pergaminhos que Daniel tinha espalhados em sua mesa.

O príncipe ergueu o rosto e sorriu cansado. Com seu pai em viagem ao planeta e sua mãe resolvendo questões de segurança nos Campos Uivantes, ele acabou ficando com todo o trabalho de governar a Lua. Ele não conseguia imaginar em como seus pais faziam aquilo todos os dias. Eram tantas decisões... Eram diversas solicitações do povo lunar, desde questões de real importância como ajuda para solucionar problemas de lavouras, necessidade de mais protetores nas vilas e apoio para pesquisas, à questões fúteis como brigas entre famílias e considerar novos uniformes para funcionários públicos. Exaustivo!

- Hey Bells! Você precisa de alguma coisa? – perguntou agradecido pela pequena pausa, mas um tanto preocupado com o tempo que perderia falando com sua irmã.

- Vamos lá fora? Faz tanto tempo que nós não brincamos pelos pomares!

Daniel não pode evitar que o riso zombeteiro saísse de seus lábios.

- Eu deixei de ser criança há algum tempo, maninha. Eu não tenho mais tempo para brincar nos pomares.

A expressão esperançosa da menina desapareceu no mesmo instante. Seus olhos tornaram-se duros.

- É claro que não! Você só tem tempo para o trabalho e não se importa mais comigo! Nem papai e mamãe tem tempo para mim!

Surpreso com a pequena cena protagonizada pela princesa Daniel levantou-se indignado.

- Você sabe muito bem que as coisas não são assim. Nós temos deveres a cumprir.

- Deveres mais importantes que eu! Porque não acabaram comigo depois que eu nasci e servi para o único propósito de salvar o herdeiro do trono?!

O choque paralisou o jovem lunar que apenas observou Bella girar em seus tornozelos e correr para longe. O som da porta batendo ainda ecoava na mente de Daniel quando ele conseguiu fazer seu corpo se mexer. Era aquilo que sua irmã pensava? Que só estava naquela família porque ele precisava ser salvo? Céus! De onde veio toda aquela mágoa? É verdade que não estava conseguindo dar muita atenção a ela nos últimos anos, mas ele pensava que ela entendia sua posição como futuro rei... Será que ela não via que ele precisava se preparar? Que precisava estar a par de tudo o que acontecia no reino? Que seus pais já cobravam uma posição dele diante das questões do reino? Porque ela não conseguia entender? Ele não podia mais se dar ao luxo de tirar a tarde para brincar com ela.

Contrariado com a birra ele sentou-se novamente e tentou voltar a concentração para o seu trabalho. Pegou o próximo pergaminho da pilha e o abriu.

"Solicitação: Presença do filho dos justos na Vila do Leste.

Motivo: A Guarda Real não tem sido eficiente em desmantelar a quadrilha do Oeste que está sabotando nossa principal receita de torta de maçã. Precisamos que a espada dos justos se erga."

- Isso só pode ser brincadeira! – rosnou Daniel amassando o pergaminho e jogando longe. As vezes ele sentia como se tivesse cuidando de crianças e não governando um astro.

Preocupado demais com seus afazeres não imaginou que a mágoa de sua irmã a levaria a sair escondida das propriedades do castelo. Sua juventude e necessidade de se provar para seus pais e reino o fizeram esquecer da principal lição que seu pai lhe dera... Nunca deixe sua família em segundo plano.

Já a pequena Bella tinha um sorriso de liberdade nos lábios após se esgueirar pelos portões da ala oeste e seguir saltitante para o sul. Seus olhos castanhos arregalados, curiosos e completamente encantados com o mundo exterior. Mal sabia que sua ingenuidade a colocaria no perigo que seus pais tanto temiam.

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Próxima postagem: 08/09/2018 (eu sei que vai demorar, mas tentarei fazer um capítulo bem maior do que esse)

Explicação pelo sumiço: Gente, primeiro me desculpem pelo sumiço nesses últimos meses. Minha cabeça entrou em completo parafuso. Com o fim da minha faculdade, fim do meu curso de inglês, fim do contrato do meu estágio, as coisas ficaram meio fora de controle depois da minha formatura. Eu nunca fui de ficar parada, sempre tive mil coisas para fazer, mil prazos para cumprir, sempre correndo, sempre trabalhando e estudando... E de repente me vi sem emprego, sem compromissos com a faculdade e sem qualquer ideia do que fazer da vida. Para ajudar ainda levei um pé na bunda de um cara que eu realmente estava gostando... As coisas meio que acabaram ao mesmo tempo, então meu cérebro entrou em pane e eu fiquei completamente letárgica. Eu precisava me afastar um pouco do Facebook, cuidar da minha saúde física e mental... Com isso eu acabei também me afastando das coisas que eu gostava de fazer, como escrever.

A boa notícia é que eu finalmente estou voltando a ser o que eu era. Então minha cabeça está fervilhando com ainda mais ideias para essa e para histórias originais. Sei que esse capítulo não está nem perto da qualidade dos capítulos anteriores, mas prometo que vou me esforçar para as coisas voltarem ao rumo certo ^^ Só peço um pouquinho mais de paciência. E não se preocupem, mesmo que eu derrape nos prazos ainda assim eu não vou deixar de terminar essa fic.