Feliz ABM-feira! Como foram no Natal e na virada do ano? Espero que bem! Boa leitura :3
Ah, no Natal postei uma o/s bem fofinha, passem lá e me digam o que acharam! O nome dela é Come Home (link no perfil)
Capítulo Trinta e Quatro – A Beautiful Mess
Edward POV.
Quando desci as escada na manhã do dia vinte cinco, ainda estava cedo demais para qualquer pessoa na casa possivelmente estar acordado ou fora da cama. Preguiçosamente eu abri a porta dos fundos, sentindo uma rajada de ar frio bater em meu rosto e gemi de desgosto. Podia ver uma pequena camada de gelo formada sob a grama verde devido a provável geada que ocorreu durante a madrugada, mas não fiquei muito tempo ali observando tal coisa, voltei logo para o interior da casa, onde estava quente e aconchegante. O silêncio do ambiente me deixava pensar em muitas coisas, principalmente no que havia acontecido na madrugada. Eu demorei a dormir novamente, sempre segurando a vontade de ir até Isabella. Até que após horas debatendo comigo mesmo, o sono acabou vencendo. Não que eu tenha dormido bem, entretanto. De qualquer forma, aproveitei o tempo sozinho e me sentei no sofá, apoiando o rosto em minha cabeça e decidindo o que fazer.
Não sei quando tempo fiquei ali, mas alguns minutos depois alguém desceu a escada tentando ser silencioso e eu imediatamente levantei o rosto, já esperando ver Isabella ali, ou no mínimo Marie. Todavia, fui surpreendido quando vi os cabelos ruivos da minha irmã. Rapidamente levantei e fui até ela.
- Nós precisamos conversar - eu disse sem cerimônias e ela deu um pulo, colocando a mão no peito.
- Cristo, Edward! Você me assustou! - disse ofegante.
- Desculpe. Mas não vamos fugir do assunto. Nós precisamos conversar.
- Ugh. Certo. Mas precisa ser agora? Ainda está cedo...
- Não cedo demais, já que você já está acordada - arqueei a sobrancelha. - Além do mais, podemos aproveitar que todos estão dormindo e conversar mais a vontade.
- Certo, certo. Vamos lá para fora então.
Concordei e juntos fomos até a parte de fora nos fundos da casa, onde havia um banco preto no que seria uma espécie de varanda que levaria até o jardim e nos sentamos ali. O silêncio se estendeu por mais alguns segundos, e eu decidi esperar pacientemente até que Carmen resolvesse começar a falar. Caso contrário, eu começaria.
- Como você já sabe, Bella veio falar comigo na noite em que chegamos - ela disse e eu assenti. - Até então eu não sabia o que ela queria comigo. Não havíamos nos falados desde... bem... desde a festa.
- Sim, sim - disse impaciente. Eu queria saber logo o que ela havia falado.
- Bom, então eu aceitei e nós fomos até o jardim, quando Isabella me surpreendeu completamente. Ela me pediu desculpa, Edward! Com todas as palavras. Ela disse que sentia muito por ter implicado comigo desde o início, mas que estava sendo difícil "perder" o pai dela para uma mulher que não fosse a mãe dela. Ainda mais depois de tanto tempo, que ela estava acostumava a ter o pai só pra ela.
- Isso eu meio que já sabia - revirei os olhos.
- Quieto. Enfim, então eu disse a ela que entendia o ponto dela, mas perguntei porque ela nem ao menos tentou me conhecer, sabe? Ela mais uma vez pediu desculpas e disse que sabia que tinha sido imatura e bem mimada. Que ela não tinha notado que Charlie estava realmente feliz comigo e que eu não pretendia roubá-lo dela.
- E sobre Joseph? O que ele tem a ver com isso tudo?
- Isso já é meio que óbvio. Lembra-se de quando fui escolher o vestido de noiva e ela foi comigo? O dia em que encontrei Tanya? - indagou e eu murmurei um "sim". - Naquele dia Tanya mencionou sem querer o nome de Joseph, achando que na verdade eu estava me casando com ele e isso me deixou nervosa... Só a possibilidade de me casar com aquele monstro.
- Eu nunca deixaria isso acontecer - assegurei-a.
Nunca mesmo. Se dependesse de mim, Joseph nunca chegaria a um passo de Carmen novamente e eu não mediria esforços para tal coisa. Minha irmã merecia isso. Ela merecia ser feliz ao lado de alguém que cuida dela e a ama.
- Eu sei que não - ela concordou pegando minha mão e afagando.
Deixei um sorriso nascer em meu rosto.
- Ok, continue.
- Onde eu parei? Ah, certo. Joseph. Então naquele dia Bella achou que eu ainda sentia algo por ele, eu podia ter desconfiado por causa da sua atitude quando eu me recusei a falar mais sobre Joseph… ela de repente ficou fria e falou que não havia motivo para escolher um vestido para um casamento que nunca aconteceria - disse e eu arregalei os olhos. Por que diabos Carmen nunca havia me contado sobre isso? - Eu neguei, é claro. Eu não tenho nada com ele e queria nunca ter tido. De qualquer forma, na mente de Bella era melhor pensar o pior de mim, sabe? Então ela achou que eu pudesse estar em algum tipo de plano com Joseph para conseguir o dinheiro de Charlie, mas isso ela disse na festa.
- Então foi isso? Ela não falou mais nada? Só se explicou? - perguntei.
- Ela ainda me pediu perdão. Sim, perdão, não uma mera desculpa, mas sim perdão. E prometeu tentar me conhecer melhor, por mais que fosse levar algum tempo. Ainda é difícil para ela se acostumar com a ideia. Mas eu pude ver que ela realmente se sentia péssima por isso tudo que aconteceu. Ela estava chorando tanto, parecia que ela queria me contar algo mais... Era como se ela não estivesse só pedindo perdão para mim, sabe? Eu posso estar louca, mas a forma como ela falava...
- O que ela falava? - indaguei levemente desconfiado e muito curioso. Estaria Isabella falando sobre mim?
- Ela dizia entre o choro algo como: eu nunca queria que as coisas chegassem a esse ponto, Carmen. Eu juro que não, mas eu não consegui me controlar e agora eu vou perder tudo. Eu não quero perder isso. Eu só queria ter a chance de me desculpar e fazer as coisas voltarem ao normal.
Arregalei os olhos, completamente surpreso. Ela estava falando de mim. Meu Deus. Isabella estava falando sobre mim. Poderia ela sentir do mesmo jeito? E se ela sentia tanto minha falta assim... por que ela não disse nada? Por que ela não tentou se desculpar?
Então parei.
Ela tentou.
Ela tentou chegar perto de mim durante todos os momentos possíveis nos últimos três dias. Todos os momentos em que estávamos sozinhos ela tentava ter a oportunidade de ficar perto de mim, de falar comigo. Por Deus! Eu a evitei desde o início, fui frio e distante. Ela estava tão apreensiva com a minha reação, que sequer conseguiu abrir a porta do meu quarto na noite anterior, provavelmente achando que eu iria gritar com ela de novo ou algo do tipo. Eu nunca seria capaz de me perdoar. Eu precisava de uma chance com ela. Uma chance sozinho para me desculpar também. Mesmo que ela tenha feito tudo o que fez com a minha irmã, ela estava disposta a se redimir, ela estava sofrendo, ela estava sozinha e precisando de alguém ao seu lado para suportá-la. Eu devia estar nesse papel. A gente ainda devia estar juntos. Eu deveria ter dado sim o sermão que dei a ela na festa, mas eu nunca deveria ter simplesmente acabado tudo sem dar a chance para ela se explicar. Eu não devia ter usado meus medos como desculpa.
- E o que você disse a ela? - perguntei tentando ignorar a sensação ridiculamente esmagadora dentro de mim.
- Que podíamos tentar começar de novo e que eu perdoava ela sim - Carmen sorriu. - Mas que eu ainda precisava de um pouco de tempo, porque ela me machucou muito e isso não vai ser algo que eu esquecerei da noite pro dia, você sabe. Ela disse que entendia que nós duas não íamos virar instantaneamente amigas ou algo do tipo, mas que ela percebeu que eu realmente faço Charlie feliz e que talvez fosse a hora de seguir em frente. E bom, eu também disse a ela sobre minha parcela de culpa. Talvez se eu tivesse falado sobre o comportamento dela comigo para Charlie...
- Sim, eu sempre te falei para conversar com ele sobre isso - pontuei.
- Eu sei - suspirou. - Mas eu não achei que as coisas fossem chegar a esse ponto, eu achei que ela só precisava de um tempo para assimilar as coisas. Que ela logo pararia com essa atitude. Além do mais, eu não queria causar conflito entre pai e filha. E sei bem que Charlie provavelmente não acreditaria em mim…
- Isso é verdade - assenti pensativo. - Bom, eu espero que dê tudo certo dessa vez.
E eu realmente esperava. Não só para Isabella e Carmen ou para Isabella e Charlie, mas para meu relacionamento com Isabella também. Tudo o que eu precisava era de uma chance sozinho com ela de novo e então conversaríamos.
- Bom, agora que já conversamos - Carmen disse se levantando -, vou acordar Charlie para o café da manhã.
- Acho que vou entrar e pegar algo quente para beber. Estou congelando.
Ela riu e entramos juntos. O clima bem mais leve e minha mente trabalhando sobre como eu abordaria minha conversa com Isabella. Nós sempre tínhamos tempos sozinhos por aqui; Charlie sempre estava ocupado com Carmen, mostrando o terreno, e Marie sempre na cozinha preparando algo ou então cuidando do jardim. Isso não seria problema. Provavelmente hoje a tarde mesmo eu conseguiria finalmente resolver nossa situação.
Ou pelo menos eu esperava.
Eu não sabia como ela reagiria perto de mim depois de tudo que aconteceu nos últimos dias. O meu modo de agir na festa, a forma bipolar e distante que a tratei desde que cheguei aqui, sobre como eu recusei almoçar com ela e na noite anterior, quando eu fui covarde e não abri a porta, sabendo que eu queria aquilo tanto quanto ela. Eu senti falta de dormir abraçado com Isabella, dormir abraçado com ela era uma das melhores coisas do mundo. Só perdia para dormir abraçado com ela, enquanto ambos estávamos pelados e geralmente após termos transado. É claro que não fazíamos muito isso, geralmente apenas tirávamos alguns cochilos enquanto tínhamos tempo antes de seu spare acabar ou então antes de eu ter que sair para alguma reunião ou algo assim. Mas teve pelo menos duas vezes em que ela fingiu dormir na casa de Alice, que eu pude dormir aconchegado em seu corpo quentinho por uma noite inteira e posso dizer que foram as noite mais bem dormidas da minha vida… não que a gente tenha, de fato, dormido mais do que algumas horas, mas ainda assim...
- Edward, ragazzo, acordou cedo! - A voz animada de Marie chamou minha atenção. - Veio ver se Babbo deixou presentes debaixo da árvore para você?
- Talvez - brinquei supondo que Babbo seria o Papai Noel. - E a senhora? Achei que ficaria na cama até mais tarde.
- Oh, não - riu. - Hoje eu não posso. Mais tarde teremos visitas e eu queria acordar cedo. Charlie e Carmen devem descer logo, o que acha de todos tomarmos um chá quente enquanto comemos biscoitos aqui perto da lareira?
- Claro. Deixe-me ajudá-la - ofereci indo até a cozinha.
Como previsto, Carmen e Charlie se juntaram a nós um pouco depois, e ficamos todos na sala curtindo o clima frio, conversando e apreciando o maravilhoso chá com leite que Marie havia preparado. No entanto, enquanto a conversa fluía, eu me via cada vez mais distraído. Isabella ainda não havia decido, e eu queria muito subir e descobrir se ela estava acordada. Porém, eu sabia que isso seria suspeito, então fiquei apenas fingindo prestar atenção no que era dito, muito embora eu estivesse olhando para o vão que daria até a escada a cada cinco minutos.
Fiquei ali no sofá mesmo quando havia acabado o chá, apenas observando a paisagem fora da enorme janela de vidro que dava para frente da casa que, consequentemente dava vista para as plantações, e quase uma hora depois, um Maserati preto chegou na fazenda, parando ao lado do Porsche que eu havia alugado e um garoto alto e pálido, usando óculos escuros saiu do mesmo. Fiquei encarando-o, pensando já ter o visto antes em algum lugar, quando de repente escutei um barulho de passos apressados descendo a escada, e então uma Isabella, usando apenas um minúsculo short de pijama preto com uma regata azul e pantufas da mesma cor, saiu correndo em direção a ele e se jogou em seus braços.
- PIETRO! - ela berrou ainda o abraçando como se ele fosse seu bichinho de pelúcia favorito. Não pude deixar de notar que a mão dele estava posicionada perto demais da bunda dela para o meu gosto.
Mas que porra?
Continuei encarando a cena a minha frente, segurando o apoio da cadeira para simplesmente não voar naquele infeliz que estava com as mãos no corpo da minha Isabella, e esperei que alguém me desse alguma explicação. Marie soltou uma risadinha ao meu lado e eu a olhei confuso.
- Quem é aquele? - Carmen perguntou antes que eu pudesse abrir a boca para perguntar a mesma coisa.
- Aquele é o Pietro - Marie respondeu sorrindo.
- Ele é filho do meu irmão mais velho, meu bem - Charlie disse pegando a mão de Carmen por cima da mesa. - Bella e ele sempre foram muito ligados, por isso ela praticamente voou até ele.
Isso não melhorava as coisas. Respirei fundo, servindo um pouco mais de chá, para ocupar minha boca e não começar a soltar o que não devia. Será que Charlie não notava que sua filha estava usando um short que mal cobria a bunda, e se apertando em um idiota cheio de hormônios bem ali na frente? Porque eu com certeza havia notado.
- Estou tão feliz por vê-lo! - Isabella comemorou animada, soltando-se do abraço e meu peito se apertou quando eu vi que ela estava com um sorriso contagiante nos lábios.
Havia um tempo que ela não sorria assim para mim.
- É claro que eu viria, ma belle - ele disse sorrindo para ela também. Ah, qual é? Ele fala francês também? Vi Isabella suspirar e revirei os olhos. - Acha que eu perderia a chance de revê-la? Tem sido um longo tempo.
- Seu bobinho - riu. Não gostei de vê-la chamando-o assim, pois esse era o jeito que ela costumava me chamar. - Ai, meu Deus! O seu carro. Que lindo! Não acredito. Você veio dirigindo de Paris até aqui?
- Não, não - ele riu. - Eu vim de avião, mas como eu havia prometido que te levaria para dar umas voltas no meu Maserati quando nos víssemos novamente, nada mais justo do que eu alugar um Maserati para minha prima favorita.
- Você é um fofo! - gritou empolgada se jogando nele novamente.
Eu já estava quase explodindo e não tinha nem dez minutos que o idiota havia chegado. Só esperava que ele fosse embora o mais rápido possível. Marie riu novamente e coçou a garganta para chamar a atenção dos dois que não paravam se abraçar, e eu quase dei um sorriso por isso.
- Ei, você aí - disse mais alto e eles olharam na direção das janelas de vidro que iam do chão ao teto. - Vem aqui da um abraço na Nonna antes que eu pense que você me esqueceu também.
- Nunca, Nonna Swan - ele disse galanteador e veio andando em direção a casa com Isabella pendurada em seu braço.
O garoto tinha o quê? Cola? Por que diabos ela ainda não o havia soltado?
Marie gargalhou e Isabella soltou-se do tal Pietro para que o mesmo pudesse abraçar a avó apertado. Olhei-a sugestivamente, mas foi em vão. Ela não havia lançado um olhar para mim. Seus olhos estavam fixos na chaleira em cima da mesa. Merda. Ela com certeza estava muito chateada comigo, e agora com o grude aqui, não sabia quando teria um tempo a sós com ela tão cedo. Merda, Edward. Você tinha que ser o idiota.
- Você está lindo, amore mio!
- Ah, Nonna, nós sabemos que eu sempre fui lindo - ele brincou e Isabella soltou uma risadinha. Idiota. Não Isabella, ele. Isabella nunca era idiota. Ela era linda, sexy, perfeita e… merda, Edward.- E quem são esses dois, não vai me apresentar? - ele disse cutucando Isabella de lado, quando havia acabado de cumprimentar Charlie.
Pare de ficar tocando-a toda hora.
- Essa é a Carmen - Isabella disse sorrindo para Pietro. - Ela é a noiva do meu pai.
Carmen sorriu abertamente e eu confesso que fiquei surpreso com a forma que ela disse a palavra noiva tão diferente das outras vezes que eu já tinha ouvido ela falar. Sem tons irônicos, sem rolar os olhos ou algo do tipo. Era natural. Sei que aquilo surpreendeu Charlie também, pois o mesmo arregalou os olhos rapidamente antes de abrir um sorriso orgulhoso. Não era como se Isabella instantaneamente tivesse passado a gostar de Carmen ou algo do tipo, mas naquele momento eu vi que ela estava dando o primeiro passo para mostrar que estava disposta a realmente tentar aceitar a relação do pai com ela.
- É um prazer conhecê-la - ele disse dando um beijo em sua mão e Carmen riu.
Pelo amor de Deus.
- Igualmente, Pietro.
- E esse é Edward, ele é o irmão da Carmen - Isabella disse sem realmente me olhar.
O irmão da Carmen. Era apenas isso que eu era agora. E doeu ouvi-la dizer aquilo, por mais que, de fato, eu fosse irmão de Carmen, ela nunca havia se referido a mim desta forma. Ela sempre havia me apresentado como Edward. Apenas Edward. O seu Edward. Lembrei-me do dia em que encontramos com Candice em Princeton e eu automaticamente a apresentei como "a enteada da minha irmã" e em como ela havia ficado chateada, mas no momento eu não tinha entendido muito bem. Porém, agora que ela havia se referido a mim da mesma forma, eu conseguia entender o que ela havia sentido naquele dia. Era como se eu não fosse importante, como se eu fosse qualquer um ali.
Estiquei a mão para cumprimentá-lo, tentando ser cordial e ele sorriu simpático para mim, por mais que eu não estivesse com uma expressão muito boa.
- Bom, agora que meu outro netinho chegou, que tal abrirmos os presentes, uh?
- Ah! - Isabella choramingou fazendo biquinho. - Mas eu não sabia que o Pietro vinha e não comprei nada.
- Hmmm... então eu vou ter que pensar em um presente para você me dar - ele disse olhando divertido para Isabella, que soltou uma risadinha e cutucou ele com o cotovelo.
Eu tenho um presente bem aqui que gostaria de te dar, seu idiota. O que acha de um soco na cara?
Marie riu da interação entre os netos e acabamos indo para a sala onde a árvore estava após Pietro fazer uma viagem até o carro e buscar os presentes que havia comprado. Mentalmente eu rezei para que minha irmã tivesse comprado bons presentes, e que eu não ficasse parecendo um idiota. Marie disse que cada um deveria ir até a árvore e pegar o presente e entregar para a pessoa, e então a pessoa ia até a árvore e pegava outro presente e faríamos isso até acabar. Me senti como uma criança de onze anos, mas não disse nada. Charlie resolveu que começaria, e foi até a árvore onde pegou uma sacola preta e entregou-a para Carmen, que ofegou ao ver um maravilhoso bracelete de pérolas negras. Ela o agradeceu com um beijo rápido e pegou uma sacola a qual entregou para Marie, então após abrir seu presente - um chaleira de bronze com alguns detalhe em cristal. Como minha irmã achou aquilo, eu não sabia - Marie pegou uma sacola e entregou para mim, eu sorri vendo um conjunto de gravatas de alguma marca italiana ali e a abracei rapidamente, antes de pegar o presente de Isabella e levar até ela.
Vi quando ela mordeu os lábios de forma ansiosa, e eu realmente me segurei para não beijá-la. Eu a queria tanto que chegava a doer. De qualquer forma, Isabella abriu a caixa, ofegando quando um maravilhoso vestido de seda saiu da mesma e eu sorri abertamente. Teria que agradecer minha irmã depois.
- Obrigada, Edward - ela murmurou me abraçando rapidamente, e como ela costumava fazer antes, eu a apertei um pouquinho mais.
- Por nada, Isabella - disse perto do seu ouvido e ela tremeu.
Minha.
A troca de presentes continuou tranquilamente, eu havia ganhado alguns presentes legais, mas estava interessado em saber se Isabella havia comprado algo para mim. Não pelo fato de querer um presente, mas sim para ter a desculpa de abraçá-la novamente. Não demorou muito, no final das contas, e Isabella estava parada na minha frente segurando um embrulho com um sorriso tímido. Eu não sabia como ela havia comprado algo para mim, mas supus que, assim como Carmen havia comprado algo para ela em meu nome, ela também havia pedido Charlie para fazer o mesmo. Eu abri e encontrei um maravilhoso relógio de ouro, e precisei admitir que era um presente muito bom.
Aproveitando minha chance, abracei-a novamente e murmurei um pequeno obrigado em seu ouvido, fazendo-a tremer de volta e apertar sua mão em minha cintura com a sensação. Eu sabia que ela estava pensando sobre como eu sempre a fazia arrepiar daquele jeito.
- Por nada.
Ela então se afastou e algum tempo depois foi a vez do último presente do dia: o de Pietro. O garoto estendeu uma caixa gigante para Isabella, e a mesma ofegou antes mesmo de abrir. Ela estava murmurando algo como não acredito nisso e abriu a maldita caixa, quase desmaiando ao encontrar um par de sapatos de salto azul. Eu não entendia nada sobre o assunto, mas Isabella estava quase tendo um ataque e logo estava pulando e abraçando Pietro na minha frente.
- Obrigada, obrigada, obrigada! Você é o melhor! Eu estava louca com um desses, mas nunca encontrava meu número.
- Por nada, ma belle. Agora para compensar este maravilhoso presente, a senhorita vai ter que passar o dia todo comigo me deixando pentelhá-la.
O inferno que ele ia.
- Como se você já não fosse fazer isso - revirou os olhos. - Mas aceito a proposta.
- Ótimo!
Idiota.
Depois das trocas de presentes, ficamos na sala mais alguns minutos, antes de Marie dizer que o almoço estava pronto e todo fomos para a cozinha. Eu ainda tinha meu olhar sempre virado para o lado de Isabella, e para o fato de que Pietro não parava de tocá-la. Seja para brincar com o cabelo dela, para ficar cutucando-a ou para fazer cosquinha na mesma. Isso estava me irritando muito.
Sentamos a mesa e Isabella acabou sentando na minha frente e ao lado do idiota. Eu queria que ela sentasse do meu lado. De qualquer forma, nós colocamos nossos pratos em silêncio e logo estávamos comendo em meio a uma conversa qualquer que eu não estava prestando atenção. Meus olhos estavam em Isabella e Pietro conversando baixo e rindo quase toda hora.
- Vocês dois parem com isso! - Marie repreendeu com uma expressão severa. - É falta de educação excluir os outros da conversa no meio da mesa, entenderam?
- Sim, Nonna - Isabella disse. - Desculpa.
- Desculpa, Nonna - Pietro disse também.
Abaixei a cabeça e deixei que um sorriso nascesse em meus lábios, e quando olhei para frente novamente, vi que Isabella estava me olhando confusa. É, eu também provavelmente estaria. Ainda mais se eu tivesse feito de tudo para me aproximar dela nos últimos dias e ela ficasse sempre distante e então do nada ela ficasse de risinhos para mim como se nada tivesse acontecido. Eu estava parecendo a merda de uma adolescente bipolar na TPM. Sorri para ela, no entanto ela não retribuiu. Apenas fez um bico e desviou o olhar.
- Ah, mãe, a senhora lembra quando eles eram pequenos e brincavam de se casar todos os verões? - Charlie disse rindo. - Ainda me lembro de estar deitado em um espreguiçadeira tomando um pouco de sol ao lado de Renée, quando o Pietro disse que queria conversar comigo.
- O que ele queria? - Carmen indagou interessada no assunto.
- Ele veio me pedir permissão para casar com a Bella. Ele disse que prometia, e eu cito, cuidar das bonecas dela pra ela quando ela precisasse e também que ele sempre ia dividir os doces com ela porque a prima Bella era a prima mais legal do mundo e ele queria brincar com ela para sempre.
- Oh, que bonitinho.
Todas na mesa riram, e eu, é claro, apenas forcei uma risada que parecesse convincente demais. Eu não estava achando nada engraçado. E Isabella corou fortemente, gargalhando também, provavelmente se lembrando. Vê-la corar por algo que eu não havia feito me deixou incomodado, pois eram raras as ocasiões nas quais eu conseguia fazê-la corar e ela nunca havia ficado tão vermelha assim.
- Eu me lembro disso! A gente estava brincando e o Pietro me pediu em casamento - ela riu com vontade. - Eu nem sabia o que era isso direito.
- Mas você aceitou, é claro - Pietro interviu. - Nunca resistiu aos meus charmes.
- Você sonha - ela provocou, cutucando-o.
- E vocês se casaram como? - Carmen indagou curiosa.
- Debaixo do meu pé de damasco! - Marie riu divertida, tomando um pouco de suco. - Pietro pegou um daqueles anéis que vinham com um pirulito e os dois casaram e depois ficaram chupando o pirulito o resto do dia, sentados no tronco e observando a plantação.
- E se eu me lembro bem, Pietro ainda dizia que quando eles ficassem mais velhos, ele iria casar de verdade com a Bella - Charlie acrescentou, para meu total desespero. - Velhos tempos...
- Hey! Quem disse que eu ainda não vou me casar com essa aqui? Promessa é dívida e eu sou um homem de palavra - Pietro riu.
- Quem disse que eu quero? - Isabella perguntou arqueando a sobrancelha para ele daquele jeito que sempre me deixava excitado para caralho quando ela fazia isso seminua e batendo os pés no chão com a mão na cintura.
- Eu já disse, ma belle, você não resiste ao meu charme.
- Continue sonhando.
E com isso o meu almoço havia sido uma merda total. Assim que acabei de comer, o mais rápido que eu pude, eu pedi licença e disse que precisava fazer uma ligação importante. Pura mentira, no entanto. Tudo o que eu fiz foi agir como um adolescente idiota e me trancar no quarto, procurando acalmar meus pensamentos e parar de pensar sobre como Isabella parecia se divertir ao lado do tal Pietro.
Será que eles já tiveram algo algum dia? Algum amor de verão? Será que ele foi o primeiro dela? O primeiro beijo também? Será que era algo que acontecia todos os anos? Eles se encontrarem na Itália para um pouco de curtição e sexo? Será que aquele idiota já havia visto minha Maldita nua?
Merda.
Pensar essas coisas não estava ajudando em nada. Eu precisava me acalmar, precisava respirar fundo e me lembrar que eu só precisava de dois minutos sozinho com Isabella para que pudéssemos conversar em paz. Ok, talvez mais do que dois minutos. Eu precisaria do meu tempo para beijá-la após eu pedir desculpas por não tê-la deixado se explicar no dia da festa, por ter gritado com ela e praticamente falado que o que tivemos não valeu a pena e por ter agido como um idiota total quando ela fez tudo o que podia para se aproximar de mim em todos os momentos que tínhamos sozinhos por aqui.
- Ok, Edward, você precisa parar de agir feito um idiota. Ela é sua garota. É simples. Vá lá e a pegue - murmurei para mim mesmo.
Decidido, desci as escadas novamente, provavelmente quase duas horas após o almoço, e quando cheguei no primeiro andar, virei logo para a sala, sorrindo quando vi Isabella sentada sozinha no sofá. O destino estava ao meu favor. Ela estava de costas para mim, então não me viu chegando exatamente. Um filme qualquer passava na televisão e ela parecia completamente focada no mesmo.
- Isabella - eu chamei baixo, mas alto o suficiente para ela ouvir.
Eu fiz questão de alongar mais minha voz, do jeito que eu sabia que ela adorava quando eu dizia seu nome e sabia que tinha causado o efeito esperado. Sabia que sua pele estava arrepiada. Ela virou a cabeça pra mim lentamente, mordendo os lábios meio nervosa, e eu tomei aquilo como um sinal, aproximando-me dela e parando imediatamente quando eu notei que ela não estava sozinha porra nenhuma.
Caralho.
Pietro estava deitado no sofá com a cabeça no colo de Isabella, parecendo bastante confortável ali. Aquele idiota estava com o nariz próximo a um lugar que só eu deveria ter acesso, e eu não duvidava que ele não estivesse lutando contra a vontade de virar o rosto e afundar o nariz ali, aspirando a essência de Isabella.
Lutei contra as lembranças de quando era eu ali. De quando Isabella ficava brincando com os dedos nos fios do meu cabelo, resmungando sobre eu precisar cortar aquilo logo, por mais que ela soubesse que ela me odiaria caso eu cortasse. Evitei pensar em como muitas vezes quando estávamos assim, eu simplesmente não resistia, e acabava virando o rosto, me afundando em Isabella e logo sua calcinha, e qualquer outra peça de roupa, estavam fora de seu corpo. Eu evitei pensar nisso tudo, pois sabia que não seria saudável.
Seus olhos castanhos me olhavam curiosos, e quando ela viu meu olhar mortal direcionado ao garoto deitado em seu colo, ela estreitou os olhos para mim, parecendo estar irritada também e um pequeno bico se formou em seus lábios. Mas não o bico de manha, ou dengoso, um bico de raiva.
- Sim, Edward? - indagou forçando casualidade.
- Nada, Isabella. Continue o que estava fazendo, não quero interromper.
E sem me importar com o tom completamente hostil que eu havia usado, saí da sala e para não ficar muito óbvio que eu estava com raiva, ao invés de subir para o quarto, eu peguei meu casaco e saí da casa, avisando Marie rapidamente que eu estava indo dar uma volta pelo terreno, mas que não iria demorar a voltar.
- Está tudo bem? - ela indagou.
- Sim - menti. - Eu só não passei muito tempo fora da casa e resolvi que hoje seria uma boa oportunidade. Eu não devo demorar.
- Certo. - Ela me olhou atentamente e eu senti que ela suspeitava de algo, mas ignorei o sentimento e saí.
O frio ainda estava maçante, mas eu estava com tanta raiva, que nem conseguia me preocupar com tal coisa. Eu fiquei andando sem rumo pela propriedade, passando pelas plantações, pelo enorme jardim, fiquei algum tempo ali, até ver o maldito pé de damasco e me perguntei mentalmente se Marie se importaria caso eu pusesse fogo ali.
Diabos.
Eu estava parecendo uma criança. Mas era sempre assim quando se tratava de Isabella. Eu me via completamente fora de mim. Tudo era irracional demais e a única certeza que eu tinha, é que eu precisava dela, muito embora, agora eu não tivesse tanta certeza se eu conseguiria tal coisa novamente um dia.
Ela parecia bem feliz ao lado do seu priminho.
Por que diabos ele tinha que aparecer? Como ele sabia que Isabella estava aqui, sendo que a mesma pareceu estar completamente surpresa com a repentina chegada do mesmo? Por que as coisas não podiam voltar a ser como eram há basicamente três semanas atrás em Chicago. Sem estresse, sem brigas.
Não sei por quanto tempo eu fiquei fora, mas quando eu resolvi voltar para casa, estava bem mais frio, e parecia um pouco mais escuro também. Um cheiro delicioso podia ser sentido da cozinha, e eu imaginei que já teria perdido a parte do café da tarde e Marie provavelmente estava fazendo o jantar. Pendurei meu casaco no apoio que tinha perto da porta e rapidamente avisei a ela que eu estava de volta, mas que tomaria um banho e voltaria logo para ajudá-la caso ela precisasse.
- Não seja bobo - ela riu. - Vá descansar. Cozinhar é minha paixão.
- Tudo bem então.
Saí da cozinha e não ousei olhar para a sala e ver o que diabos Pietro e Isabella estavam fazendo, apenas fiz meu caminho direto para o segundo andar, encontrando com minha irmã no meio da escada.
- Você está bem? - indagou preocupada. Estava tão na cara assim?
- Ótimo - menti forçando um sorriso. - Um pouco cansado, estava lá fora. Vou tomar um banho quente para me aquecer e desço em seguida.
- Tudo bem - assentiu. - Qualquer coisa não hesite em me falar, viu?
Assenti e dei um beijo rápido em sua testa, antes de voltar a fazer o meu caminho. Tomei um banho longo e bem quente, saindo do banheiro em seguida e me enrolando em uma toalha. A janela do quarto estava fechada e o aquecedor ainda ligado. Escutei a porta do quarto ao lado ser aberta e fechada e imaginei ser Isabella. Talvez ela estivesse sozinha e eu pudesse finalmente falar com ela.
Fui até minha mala que estava no chão, pronto para vestir uma roupa rápida e ir até o quarto de Isabella, quando a porta se abriu e fechou novamente e então escutei um grito meio abafado e eu sabia que só podia vir de uma pessoa.
- Ai meu Deus, Pietro! O que você ta fazendo? - escutei Isabella dizer meio sussurrando e meio gritando. Pietro? De novo?
- A qual é, Bella. Eu sei que você quer - ele brincou. E eu escutei o barulho de algo que não reconheci. Mas que porra? O que ele sabe que minha garota quer? Certamente ela não quer nada vindo dele.
Ou pelo menos eu esperava que não.
- Hmm... verdade. Mas não sei se quero agora, quero dizer está quase na hora do jantar... - fez charme. Porque diabos ela estava fazendo charme pra ele? Mande-o sair, Isabella.
- Você não vai me fazer enfiar isso em sua linda boquinha, vai?
O quê?
Isabella gargalhou e meu sangue ferveu.
- Como se eu conseguisse colocar isso tudo na minha boca de uma vez só - eu podia imaginá-la revirando os olhos. - É muito grande! O maior que eu já vi.
O maior que ela já tinha visto? Que porra? Ela estava mesmo falando do que eu estava pensando? E se estivesse... ela estava mesmo falando que o dele era maior que o meu? De forma alguma.
- Eu sei que sim - disse rindo. - Os franceses são sempre os maiores e os melhores - provocou.
- Deixa de ser nojento - disse soltando uma risadinha e então suspirou. - Ok, certo... mas não vamos demorar aqui. Se a vovó nos pegar fazendo isso de novo ela nos mata - soltou uma risadinha. Como assim de novo? Será que Marie já havia pegado os dois fazendo... Merda, eu nem conseguia terminar a frase. - Anda logo, vem cá.
Escutei mais umas risadinha vindo do quarto, o barulho da mola do colchão também atravessou a parede, junto com mais um barulho que eu não ouvi muito bem e então o riso morreu quando Isabella começou a gemer. Mas que porra?!
- Hmmmm... é tão bom - ela disse com um gemido.
- Eu sei, certo? - Pietro gemeu de volta.
Esse era o meu limite. Eu ia entrar na porra daquele quarto s eles não parecem de gemer. Eu queria tirar o que o idiota estava enfiando na boca de Isabella e mandá-lo enfiar na boca de outra. Quem ele pensa que é pra enfiar seu pauzinho na boca da minha garota?
- Obrigada por isso - Isabella disse após alguns segundos. O idiota havia durado só isso? E na boca da minha garota ainda por cima?
Eu queria matá-lo.
- Disponha, Bella.
Disponha o caralho.
Eu iria me certificar pessoalmente para que ele não colocasse nada em qualquer parte de Isabella novamente. Ah, eu iria sim.
N/A: Primeira sexta-feira do ano e primeiro capítulo de ABM de 2014! Yey! O Pietro apareceu, estava ansiosa por essa parte. Edward com ciúmes é uma coisa. Hahahahaha. Olha só o que o homem tava pensando? Ta na cara que não foi nenhuma sacanagem que aconteceu ali no quarto, vocês têm alguma ideia do que eles estavam realmente fazendo? Hahaha. Enfim, queria só lembrar a vocês que o Edward chegou na Itália no SÁBADO já durante a tarde e esse capítulo se passa apenas QUATRO dias depois. É claro que com todas as inseguranças o Edward não ia pular pra Bella logo de cara. Tenham paciência, eles vão conversar e se resolver na hora certa. O Edward ainda precisa se ligar em algumas coisas e talvez o Pietro o ajude com isso… será? Obrigada pelos reviews maravilhosos e não deixem de comentar. Beijos, beijos.
N/B: Esqueço tudo sobre o capítulo e só consigo pensar no meu (todo meu) amor Pietro s2 (Para quem ainda não viu o shape dele, pesquise por 'Douglas Booth' no google, e olhe com moderação) Ele vai deixar o Edward louco de ciúmes e pensamentos sujos haha Adoro esse garoto. Edward não fez o que deveria ter feito antes, deixando suas inseguranças dominar, e agora fica difícil conseguir um tempo com Bella, ainda mais com todos esses 'pensamentos'. Continuem comentando! Beijos xx LeiliPattz
